Alegações da administração Trump sobre planos cubanos
para ataques com drones denunciadas como 'pretexto ridículo' para a guerra
Publicado a 18 de Maio de 2026 por Conor Gallagher
Conor aqui: Quando perderes Robert Gates...
ver aqui: https://twitter.com/i/status/2055998189665214842
Por Julia Conley, editora sénior e redactora
da Common Dreams. Publicado originalmente na Common Dreams.
Responsáveis cubanos disseram que
a administração
Trump está a fazer "acusações cada vez mais
implausíveis" contra o país enquanto tenta justificar, "sem qualquer
desculpa, um ataque militar contra Cuba", depois
de um responsável não identificado da Casa Branca ter dito ao
órgão de comunicação Axios que os cubanos têm "discutido planos" para
lançar drones contra os EUA.
"Cuba é o país sob ataque", afirmou a embaixada cubana num
comunicado, meses após o início de um bloqueio petrolífero reforçado
pelos EUA que deixou a rede eléctrica da ilha num "estado
crítico" e forçou frequentes cortes de energia e provocou
uma crise de saúde,
com dezenas de milhares de pessoas à espera de
cirurgias.
Mas no artigo da Axios, o responsável da administração Trump fez questão de
promover a ideia de que os EUA, com o seu exército de quase mil milhões de
dólares por ano, poderiam enfrentar ataques da pequena nação caribenha a 90
milhas a sul da Florida, porque as autoridades têm preparado capacidades
defensivas.
A Axios informou que, segundo informações confidenciais que consultou, Cuba
adquiriu mais de 300 drones e tem vindo a considerar planos para atacar a
base militar dos EUA em Guantánamo Bay,
vários navios militares americanos e Key West, na Florida.
O país tem adquirido drones da Rússia e do Irão desde 2023 e tem procurado
mais ajuda da Rússia nos últimos meses, segundo o relatório. Intercecções de
inteligência também mostraram que Cuba está "a tentar saber como o Irão
nos resistiu", disse o responsável, referindo-se ao uso de aeronaves não
tripuladas pelo Irão, ao encerramento do Estreito de Ormuz e aos seus ataques a
postos militares dos EUA no Médio Oriente em resposta à guerra EUA-Israel
contra o país que começou em Fevereiro.
A embaixada de Cuba respondeu ainda com um lembrete de que "como qualquer
país, Cuba tem o direito de se defender contra agressões externas."
«Aqueles que, nos Estados Unidos, procuram a submissão e, na verdade, a
destruição da nação cubana através da agressão militar e da guerra, não perdem
um único momento a inventar pretextos, a criar e a espalhar falsidades e a
apresentar como algo extraordinário a preparação lógica necessária para
enfrentar uma potencial agressão», afirmou a embaixada.
O jornalista José Luis Granados Ceja, baseado na Cidade do México e que
cobre a América
Latina para o Drop Site News, enfatizou que
"Cuba tem direito à legítima defesa."
"Seria provavelmente sensato para Cuba incorporar uma ferramenta que
se tenha revelado uma arma extraordinariamente eficaz e uma poderosa ferramenta
de dissuasão como parte da sua estratégia de auto-defesa", disse Granados
Ceja.
A Axios afirmou que as informações secretas «podem vir a servir de pretexto
para uma acção militar dos EUA», na qual o presidente Donald Trump manifestou interesse
em várias ocasiões, antes de reconhecer, no final do artigo, que «as
autoridades norte-americanas não acreditam que Cuba represente uma ameaça
iminente, nem que esteja a planear activamente atacar os interesses
americanos».
Em vez disso, as informações revelaram que as autoridades cubanas «têm
vindo a discutir planos de guerra com drones, caso surjam hostilidades à medida
que as relações com os EUA continuam a deteriorar-se» — sugerindo que poderiam
utilizar drones em legítima defesa caso fossem atacados pelos EUA.
A reportagem ecoava com a justificação do
Secretário de Estado Marco Rubio para atacar o Irão em Fevereiro. Surpreendeu
peritos jurídicos dias após o início da guerra ao explicar que os EUA tinham
decidido declarar guerra ao país do Médio Oriente porque temiam que o Irão retaliasse
depois de Israel começar a atacá-lo.
"A ameaça iminente era que sabíamos que, se o Irão fosse atacado, e
acreditássemos que seriam atacados, viriam imediatamente atrás de nós",
disse Rubio.
A alegação de que os preparativos alegados de Cuba tornam a ilha uma ameaça
à segurança dos EUA "é uma mentira — com propósito", disse David
Adler, co-coordenador-geral da Internacional Progressista.
"Marco Rubio e
os seus estenógrafos na Axios estão a fabricar consentimento para a invasão de
Cuba", disse Adler. "Cair nesta propaganda frágil é falhar o teste
mais básico de literacia cívica. E o que está em jogo são milhões de vidas
cubanas ao largo da nossa costa."
Rubio, filho de imigrantes cubanos, há muito que defende uma mudança de
regime no país socialista.
A reportagem da Axios surgiu dias depois de o director da CIA, John Ratcliffe, ter viajado para Cuba para
pressionar as autoridades a acatarem as exigências dos EUA, que provavelmente
incluem reformas políticas e económicas, o que aumentou os receios de que os
EUA possam estar a planear um ataque militar caso o país não ceda.
Responsáveis da Casa Branca também disseram à CBS News na sexta-feira que
o Departamento
de Justiça está a preparar-se para
acusar criminalmente o ex-presidente cubano Raúl Castro por abater aviões que
pertenciam a um grupo norte-americano que tinha entrado no espaço aéreo cubano na
década de 1990. Em Janeiro, as forças dos EUA invadiram a Venezuela e
raptaram o Presidente Nicolás Maduro, levando-o para os EUA, onde foi acusado
de tráfico de droga e se declarou inocente.
O antigo assessor da administração Obama e
co-apresentador do Pod Save America, Tommy Vietor,
disse no domingo que "muitos sinais apontam para uma iminente operação de
mudança de regime dos EUA contra Cuba."
«O mais recente», disse ele a respeito do artigo da
Axios, «é esta tentativa descarada de criar um pretexto para a guerra através
dos meios de comunicação social.»
Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis
Júdice
Sem comentários:
Enviar um comentário