Qual a origem do nome Marselha ?
René Naba / 1 de JUNHO DE 2021/ EM France, Société
Na perspetiva das próximas eleições presidenciais, uma boa recordação no
córtex cerebral dos franceses que não conseguem canonizar Max Jacob e se
entregam ao fascismo rastejante dos herdeiros de Vichy: o islâmico-rábico Eric
Zemmour e a herdeira do torturador da guerra da Argélia, reconhecida como
delinquente financeira pela justiça francesa
René Naba
Última actualização em 14 de Junho de
2021
Qual a origem do nome Marselha?
Por René Naba, Director
do site https://www.madaniya.info/
Como voluntário: responsável pela comunicação da Associação de caridade
LINA, Chemin Sainte Marthe, Bairro Font Vert-13014 Marselha.
É fácil perdoar a criança que tem medo
do escuro. A verdadeira tragédia é quando os homens têm medo da luz. PLATÃO
O 'pastis' eleitoral em Marselha como pano
de fundo das presidenciais de 2022.
Este artigo é publicado por ocasião das
eleições regionais francesas que terão lugar nos dias 20 e 27 de Junho e das
eleições legislativas argelinas, as primeiras da era pós-Bouteflika.
Uma luta por lugares.
Microcosmo da vida política francesa, a
sua reprodução em miniatura, Marselha é um concentrado das linhas de fractura
da sociedade francesa. Prelúdio para as eleições presidenciais francesas de
2022, as eleições regionais de 2021 apresentam-se em Marselha como a «mãe de
todas as batalhas», dando origem a um incrível pastis.
Foi esboçada uma aliança não de aparelho
mas de «apparatchik» entre as duas formações de direita, Os Republicanos
(ex-gaullistas) e o partido presidencial La République en Marche (LREM), com
vista a barrar o Front National nas eleições regionais.
Psicodrama ou Vaudeville? De qualquer
forma, um facto é certo e Marselha fornece a prova: à medida que envelhecem, as
democracias ocidentais têm gerado aristocracias burocráticas que se consideram
acima do sufrágio, sobrevivendo aos governos e legislaturas sucessivas,
vendo-se como verdadeiras detentoras do destino do país.
Mas esta aliança, esboçada no início de
Maio, foi vivida como um terramoto político pelos Republicanos, impotentes
perante a manobra eleitoralista do presidente cessante da região, Renaud
Muselier. Que o neto do almirante Émile Muselier — primeiro oficial superior da
marinha francesa a aderir a De Gaulle, apoderando-se de Saint Pierre e Miquelon
em nome da França Livre, enquanto a Marinha francesa sabotava tristemente a sua
frota em Toulon em vez de lutar contra a Alemanha nazi — se preste a esta
manobra, deixa-me boquiaberto. A dizer a verdade, isso deixa nódoa.
Este acto de mentir, em todo o caso,
representa uma vitória com aparência de derrota para Emmanuel Macron, na medida
em que prova que o seu partido LREM não existe. Esta espécie de poker-mentiroso
tinha, na realidade, como objectivo transformar o Sul, a antiga PACA, num
laboratório de uma direita "compatível com Macron".
Nesta perspectiva, a tribuna dos
generais franceses, propondo-se a assegurar "a salvaguarda da nação"
contra o "islamismo" e "as hordas dos subúrbios", embora
tenha gerado polémica em França, insere-se, no entanto, na lógica do modo de
gestão do balnear de Le Touquet.
"O facto de uma falange de
militares carentes de poder confundir os seus desejos com a realidade diz mais
sobre o estado de uma parte do exército do que sobre o da sociedade francesa
contemporânea. O que é extremamente grave nestas duas tribunas consecutivas não
é o estado suposto da sociedade francesa, mas o estado real de uma fracção da
sociedade militar que, ao negligenciar os seus deveres de neutralidade, ao
pregar a fractura da sociedade civil com o pretexto de querer curá-la, pisa-se
nos princípios republicanos e perde-se todo o sentido de honra.
·
A continuação neste link: https://www.lemonde.fr/idees/article/2021/05/18/ces-militaires-qui-prechent-la-fracture-de-la-societe-civile-au-motif-de-vouloir-la-panser-foulent-aux-pieds-les-principes-republicains_6080520_3232.html
Esta tribuna entra de facto em perfeita
ressonância com os debates identitários impulsionados pela chamada lei do
separatismo e a lenta estruturação de um Estado securitário sob a presidência
de Macron.
·
Para ir mais a fundo neste tema, leia a análise pertinente de Hassina
Mechaï, neste link: https://www.middleeasteye.net/fr/opinion-fr/france-tribune-generaux-putsh-armee-militarisation-etat-securitaire-macron-villiers
E a não menos satírica crónica de Jacques Marie Bourget:
· Aqueles militares facciosos que finalmente querem ganhar a guerra da Argélia contra os subúrbios.https://www.afrique-asie.fr/ces-militaires-factieux-qui-veulent-enfin-gagner-la-guerre-dalgerie-contre-les-banlieues/
A aposta é grande, pois as «regionais»
apresentam-se em Marselha como devendo ser a segunda volta de uma competição
intensa entre direita e esquerda, após o triunfo eleitoral da coligação de
esquerda ecológica nas eleições municipais de 2020 e a perda da Câmara
Municipal pela direita, após 25 anos de mandato do então presidente Jean Claude
Gaudin, com o marco de fundo das eleições presidenciais de 2022.
Eric Zemmour: um transmissor de ideias
para a extrema-direita que transformou a sua ignorância em dogma
Este pequeno mexerico eleitoralista
ocorre no contexto do lançamento de um traidor gaullista, Thierry Mariani, como
cabeça de lista da Frente Nacional, e da tentativa de um lançamento parasitário
de um grande comediante da vida política francesa, Eric Zemmour, reincidente em
crimes de incitação ao ódio racial.
Nascido em Montreuil, mas oriundo de
Blida (na Argélia) na época em que este país era denominado «Argélia Francesa»,
este transmissor de ideias para a extrema-direita francesa imagina poder
angariar os votos dos nostálgicos da Argélia francesa, sendo a região Sul um
dos seus principais redutos, cultivando o espírito de revanchismo de uma
mão-cheia de inconsoláveis pela perda dos seus paraísos perdidos, movidos por um
ódio rançoso e recalcado.
Engasgando-se de raiva diante de
Hapsatou Sy, pelo primeiro nome desta francesa originária do Senegal, um dos
países que mais contribuiu com o exército francês nas duas guerras mundiais,
este purista da francicidade – da franchouillardise? – não dirá uma palavra
sobre as origens vikings do seu próprio primeiro nome ERIK, nem sobre a origem
árabe do seu sobrenome ZEMMOUR, que significa KLAXON (BUZINA – NdT).
Assim como não se ofenderá com a
presença de um nome tão exótico quanto o do explosivo «delegado do Likud» em
França, Meyer Habib, dentro da representação nacional francesa… Meyer Habib, no
entanto, um nome não tão católico assim, segundo os critérios zemmourianos; nem
com o de Gad El Maleh ou Arieh Zeitoun, ou mesmo de Gilad Shalit, que não deixam
de ser autênticos franceses.
Os estados de espírito do Eric ecoam
como tantas indignações selectivas do Zemmour. Se ao menos esse demagogo
soubesse que há mais Mohamad do que Martin entre os mortos pela França e que
esse nome aparece mesmo na lista dos 50 nomes que mais sofreram perdas.
- Sobre este tema, ver este link : https://www.leparisien.fr/archives/grande-guerre-plus-de-mohamed-que-de-martin-parmi-les-morts-pour-la-france-08-11-2018-7938222.php
Para memória, o balanço das perdas
indígenas nas duas grandes guerras mundiais do século XX atingiu, apenas em
mortos, 113.000, ou seja, tanto quanto a população combinada das cidades de
Vitrolles e Orange, os dois antigos redutos do Front National. Naquela altura,
não se falava em «limiar de tolerância», muito menos em teste de ADN, nem em
voos de vergonha, mas sim em sangue a ser derramado em abundância, como mostra
o quadro seguinte:
A contribuição global das colónias para
o esforço de guerra francês na 1.ª Guerra Mundial (1914-1918) chegou a 555.491
soldados, dos quais 78.116 foram mortos e 183.903 foram destacados para o
esforço económico de guerra a fim de compensar o recrutamento dos soldados
franceses na frente. A Argélia, sozinha, forneceu 173.000 combatentes
muçulmanos, dos quais 23.000 foram mortos, e 76.000 trabalhadores participaram
no esforço de guerra, em substituição dos soldados franceses enviados para a
frente.
A contribuição total dos três países do
Magrebe (Argélia, Tunísia, Marrocos) atingiu 256.778 soldados, 26.543 mortos e
129.368 trabalhadores.
A África negra (África Ocidental e África Equatorial) ofereceu, por sua vez, 164.000 combatentes, dos quais 33.320 morreram, a Indochina 43.430 combatentes e 1.123 mortos, a Ilha da Reunião 14.423 combatentes e 3.000 mortos, Guiana-Antilhas (23.000 combatentes, 2.037 mortos).
- Para ir
mais longe sobre este tema cf. https://www.renenaba.com/les-oublies-de-la-republique/
E que cataclismo mental ele teria sofrido ao saber que o árabe banha o sub-consciente francês; que a língua francesa contém mais palavras de origem árabe do que gaulesa e que o francês fala árabe “sem querer” desde o pequeno-almoço... ao pedir uma chávena (palavra árabe) de café (palavra árabe), com ou sem açúcar (palavra árabe) e um sumo de laranja (palavra árabe). O francês fala árabe sem o saber. Pior ainda, para caricaturar a situação, ele fala árabe pensando que está a falar francês.
Leitura anexa, cf este link:
- "Do bougnoule (árabe – NdT)) ao "pequeno negro", a
permanência de uma cultura francesa de estigmatização. https://www.madaniya.info/2018/10/25/du-bougnoule-au-petit-negre-de-la-permanence-dune-culture-francaise-de-la-stigmatisation/
A esquizofrenia de certos fazedores de opinião pode pregar uma partida à França. Este ignorante transformou o seu dogmatismo em dogma. Para o parafrasear, Eric Zemmour «representa tudo aquilo que a nossa época odeia»: uma rigidez mental alimentada por uma nostalgia de grandeza, impulsionada por uma cultura do furto.
As ‘regionais’ deveriam representar,
para os seus apoiantes, um ensaio para as presidenciais de 2022. O ‘rascunho’
das presidenciais. Ah, que aldrabice!
- Para ir
mais longe sobre Habib Meyer, cf este link: https://orientxxi.info/magazine/meyer-habib-le-depute-qui-tonne-de-la-voix,4603
Grande perdedora da globalização/mundialização, grande perdedora da europeização do continente sob a égide da Alemanha, grande perdedora da guerra na Síria e na Líbia, mas em primeiro lugar entre os altos rendimentos de dividendos do CAC 40 – com um aumento à volta de 269% desde o ano 2000, enquanto os seus quadros em França diminuíam 12% no mesmo período, para além de 60.000 cortes de empregos já anunciados pelos grupos do CAC 40 devido ao Covid –, a França, aliás, único país membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas a não ter conseguido produzir uma vacina contra o Covid, entrega-se à xenofobia e ao ostracismo comunitarista sob o pretexto da luta contra o separatismo.
Para saber mais sobre o balanço do
macronismo, consultem os seguintes links:
·
https://www.madaniya.info/2019/06/12/france-macron-an-3/
Macron en catimini chez les Palestiniens
·
https://www.renenaba.com/macron-en-israel-les-palestiniens-en-catimini-la-honte-de-la-france/
O desapontamento científico francês é tanto mais alarmante quanto um pequeno país do tamanho de Cuba conseguiu, ele sim, produzir uma vacina. A ilha castrista, que possui uma longa tradição de verdadeira expertise médica, comercializou a vacina ABDALLAH.
É aí que o debate deveria se concentrar
e não no chauvinismo dos nostálgicos do Império.
A exclusão da França do mercado líbio, o
rebaixamento da França na gestão do conflito na Síria, a transformação do Mali
no Afeganistão do Sahel para a França, também deveriam captar a atenção em
primeiro lugar, em vez de se perder em conversas narcisistas sobre
considerações inúteis sobre o grau de brancura imaculada do povo francês.
Um triunfo do Rassemblement National,
nas regionais ou nas presidenciais, consagraria, 80 anos depois da capitulação
de 1940, o triunfo de Pétain sobre De Gaulle, o de Vichy sobre a França Livre,
a desonra da França sobre a sua honra.
«A eleição presidencial francesa de maio
de 2022 ameaça ser um colapso político para todos os democratas», analisa o
diário alemão Handelsblatt, que se preocupa com a subida do fascismo em França.
Este título da imprensa centrista e liberal de além-Reno (o equivalente aos
Échos em França) preocupa-se com o clima de extrema-direita que reina na França
de Emmanuel Macron, comparável, segundo eles… à finada República de Weimar nos
anos 1930!
Para além das manobras eleitoralistas e da luta por cargos, este é o verdadeiro enjeito da batalha das regionais de Junho de 2021, da qual Marselha, a capital da região do Sul de França, será um dos principais campos de batalha.
3 – Sobre a teoria vazia do «Grande
Substituição».
Forjada pelos nostálgicos da grandeza
francesa dos «tempos abençoados das colónias», a teoria da «Grande
Substituição» surge, em retrospectiva, como um corolário do declínio da França
ao nível das potências mundiais. O disfarce de uma fuga para a frente. De uma
fuga à responsabilidade.
A equação demográfica que constitui a
sua base ideológica também é uma grande asneira. À prova dos números, também
não resiste à análise.
A – O Lobby pied noir: Um anacronismo
Essa rigidez nostálgica encontra, aliás,
a sua concretização mais patológica e aberrante na presença de um «lobby pied
noir» em França, o único país entre os antigos grandes impérios coloniais
ocidentais a dispor de tal grupo de pressão anacrónico, enquanto que os antigos
colonos franceses da Argélia, na sua quase totalidade, já faleceram, 70 anos
depois da independência da Argélia. Ao contrário do Reino Unido, que tinha um
império colonial maior do que o da França, onde nunca existiu um lobby dos
nostálgicos do Império das Índias ou da África anglófona, cujo Commonwealth, aliás
-(52 membros, um terço da população mundial)-, não exala os fortes cheiros de
«França do dinheiro». Ao contrário também da Espanha e de Portugal, as outras
duas potências coloniais europeias.
Único grande país europeu na junção
principal dos dois «ímpetos criminosos da Europa democrática» - o comércio de
escravos e o genocídio nazi -, a França é também o único país do mundo a exigir
de uma das suas colónias uma indemnização compensatória pela retrocessão da sua
independência (Haiti). Resumindo: O único país do mundo cujo comportamento
errático está nos antípodas da racionalidade cartesiana de que se
reivindica.
A grande substituição é assim uma grande
parvoíce, na medida em que a estigmatização do «estrangeiro» para colmatar as
frustrações do orgulho nacional ferido, não pode ocultar a responsabilidade
esmagadora do comando político e militar francês dos últimos dois séculos e o
seu cortejo de desgraças que confere à França a desonra de assumir quatro
capitulações num tempo recorde.
A «Grande Substituição» da população,
teorizada por Renaud Camus e usada desde então como bicho-papão pelos
racialistas, pelo menos na medida em que esta teoria seja válida, não seria
senão a distante consequência de um refluxo de império; um resquício da
História de França; a sanção do belicismo europeu.
B- A sangria francesa
Com 1,4 milhões de mortos e 900.000
inválidos, a França lamentará a perda de 11 por cento da sua população activa
devido ao primeiro conflito mundial (1914-1918), aos quais se devem adicionar
os danos económicos: 4,2 milhões de hectares devastados, 295.000 casas
destruídas, 500.000 danificadas, 4.800 km de linhas de comboio e 58.000 km de
estradas a restaurar e, finalmente, 22.900 fábricas a reconstruir e 330 milhões
de m3 de trincheiras a preencher. Uma sangria ampliada vinte anos mais tarde
por uma nova sangria de trinta anos, de uma amplitude comparável, com a II
Guerra Mundial (1939-1945), a Guerra da Indochina (1945-1955) e a guerra da
Argélia (1954-1960), reduzindo consideravelmente as capacidades de auto-reprodução
dos franceses. Mais de meio século de hemorragia contínua (1914-1962) deixará a
França exangue. É aí que reside a origem da «grande substituição», no belicismo
francês e em mais lado nenhum.
Devido às duas Guerras Mundiais
(1914-1918/1939-1945) e às guerras de Independência que se seguiram (Indochina,
Vietname, Argélia), cujas perdas chegaram a quase 100 milhões de pessoas, a
população “caucasiana” – de “raça branca”, segundo a terminologia racialista –
foi drasticamente reduzida a uma porção mínima.
Duas Guerras Mundiais num século,
recorde absoluto mundial, com ao mesmo tempo dois gigantescos cemitérios a céu
aberto, de uma geração na flor da idade (18-25 anos), e, paralelamente, a
redução não menos drástica da sua capacidade reprodutiva … Esta é, nua e crua
em números, a realidade da teoria da “Grande Substituição”, que se revela, à
prova dos factos, a teoria do grande disparate.
Devido ao belicismo europeu, a
"raça branca" representa agora apenas 21 por cento da população
mundial face à superpopulação da Ásia e da África, quase 4 mil milhões de
pessoas, ou seja, metade da humanidade, um continente que, além disso, abriga 4
potências nucleares (China, Índia, Paquistão, Coreia do Norte), mais do que
todos os países da NATO juntos.
Melhor ainda: nos próprios Estados
Unidos, o coração nuclear da civilização ocidental contemporânea, a contagem
acumulada da população de origem hispânica e afro-americana representa agora
quase 50 por cento da população dos EUA. Isto explica o prurido supremacista
que floresceu durante a era de Donald Trump, autor do "Muslim Ban",
correlativamente à eleição de Barack Obama, o primeiro presidente
afro-americano da História dos Estados Unidos e, após a fase xenófoba de Donald
Trump, a eleição da vice-presidente Kamala Harris (Índia-Jamaica). A título de recordação, a contagem das duas
Guerras Mundiais estabelece-se da seguinte forma:
As perdas humanas da Primeira Guerra
Mundial elevam-se a cerca de 18,6 milhões de mortos. Este número inclui 9,7
milhões de militares e 8,9 milhões de civis. Este valor não inclui a gripe
espanhola, consequência indirecta da guerra.
As perdas da Segunda Guerra Mundial
variam, com estimativas a ir de 50 milhões a mais de 70 milhões de mortos,
tornando-se o conflito mais mortal da história da humanidade.
Este derramamento de sangue humano será
compensado no plano demográfico pelo fluxo migratório dos povos colonizados
para a renovação das gerações a um nível constante, mas diversificado. Por mais
que desagrade ao catatímico Finkiel, sem a contribuição dos de pele morena,
nada de dobrar no Mundial de Futebol… E sem o 1º Exército de África e o
desembarque na Provença, nada de estatuto de grande potência para a França e o
seu corolário de membro permanente do Conselho de Segurança. Ao contrário da
crença generalizada, foi a França que foi o verdadeiro peso para a África e não
o contrário. Este é o balanço, sob benefício de inventário, que os chauvinistas
de espírito ressentido deveriam fazer pela dignidade do seu país.
«A Europa morreu como cérebro do mundo.
De dominante, a Europa tornou-se um domínio». Por mais cruel que seja, este
constatado por Régis Debray no seu opúsculo «O que resta do Ocidente» (Grasset)
não deixa de ser verdadeiro.
Vamos, então, acabar com os
lugares-comuns e esclarecer a ambiguidade: o Islão não conquistou a Europa,
muito menos a França. Foi a Europa que se lançou à conquista dos países árabes
e africanos, maioritariamente muçulmanos. O mesmo aconteceu com a França no
Magrebe e na África Negra, como com os Países Baixos na Indonésia, o Reino
Unido no Império Indiano (Índia, Paquistão, Bangladesh) e na África
Oriental.
O Islão, portanto, não é um produto do
território francês, tal como o cristianismo, mas sim a consequência residual do
refluxo de impérios. É um sub-produto do crescimento colonial francês e da sua
expansão ultramarina. Sem colonização, não haveria «burnous a fazer suar», nem
«bougnoule», nem «y a bon banania», nem «carne para canhão». Sem «bicot», nem
«ratonnades», nem «delitos de aparência», sem o «Código do indígena» nem o
«Código Negro», nem uma «Vénus calipígea», nem «Sétif», nem «Thiaroye», nem
«Sanaga», muito menos «territórios perdidos da República»… Nem duplos no
Mundial de Futebol». E nada de Islão, pelo menos não com essa intensidade.
«A manteiga, o dinheiro da manteiga com,
de bónus, o sorriso da leiteira», isso pertence ao reino da fábula. Ou de um
maravilhoso conto de fadas. Tal como o «fardo do homem branco e a sua carga de
primogenitura», um álibi destinado a disfarçar a sua megalomania predadora.
Primeiro país europeu quanto à dimensão
da sua comunidade muçulmana, a França é também, proporcionalmente à sua área e
população, o maior centro muçulmano do Mundo ocidental. Mas, como corolário, a
comunidade árabe-muçulmana constitui o «primeiro agrupamento etno-identitário
de importância sedimentado fora da esfera eurocêntrica e judeo-cristã». E é
nesse sentido que ela causa problemas, pois perturba o esquema das
representações mentais tradicionais... e explica, sem justificá-las, as
expectorações racistas de Eric Zemmour.
«A ignorância não se aprende», dizia com
razão Pascal, certamente pensando nas futuras tolices do grande sacerdote da
C8, um ignorante que ignora a própria ignorância.
Para ir mais longe sobre este ponto, cf estes
links :
A tal ponto que os teóricos da «angloesfera» estabeleceram como linha de demarcação entre o Mundo civilizado ocidental e o terceiro Mundo, duas metrópoles europeias, -Roma e Marselha- como tendo a missão de ser as primeiras capitais do Terceiro Mundo moreno.
4 – A dupla singularidade de Marselha,
capital de um mundo mestiço.
Cada cidade tem o seu charme. Mas
Marselha tem um charme com um sabor tão particular que se distingue por uma
dupla singularidade.
Terra natal de «La Marseillaise», o hino
nacional de França, Marselha é uma das duas cidades no mundo onde o porto está
ancorado no coração da cidade, curiosa coincidência, tal como Argel.
A sua segunda singularidade é ser uma
cidade onde a periferia está situada no centro da cidade e não na sua
periferia, ao contrário de outras metrópoles, embora esta tendência tenda a
suavizar-se devido à política levada a cabo pela Câmara Municipal para
transformar o centro da cidade numa zona pedonal, um oásis ecológico para
turistas e passageiros de cruzeiros…
A metrópole Aix Marseille Provence, de
facto, decretou, em 2020, a criação de um perímetro de uma Zona de Baixas
Emissões (ZFE), uma zona não poluente, que se estende por 19 km² no coração de
Marselha, delimitada pelo Prado, Rabatau, Jarret, Plombières e que integra a
zona Euromed. Uma «green zone» para acelerar a gentrificação da cidade fócea e
atenuar, de certa forma, o seu carácter de «bazar árabe». Com o seu corolário,
a presença, ainda que invisível, dos Chibanis, esses velhos de sempre, cujo
trabalho árduo esteve na origem de alguns dos grandes projetos de
infraestruturas que a cidade fócea passou a ter, em segundo plano num contexto
de taxa de pobreza recorde em França.
Mas o tribunal regional de contas aponta
o fiasco da reabilitação do centro histórico degradado. Segundo um relatório do
tribunal regional de contas, apenas 31 dos 1.500 imóveis previstos foram
construídos pela Soleam no centro antigo e degradado de Marselha em oito anos.
Trinta e um (31) imóveis em oito anos? A
capital do sul avança lentamente, carregando dois mil anos de história. A
eternidade à sua frente.
5- Os argelinos, uma presença maciça mas invisível.
Os argelinos garantem uma presença
maciça em Marselha, mas invisível. Embora os bairros periféricos da Gare Saint
Charles e de La Canebière estejam cheios de comércios do «bazaar árabe», esta
agitação, no entanto, não tem um impacto significativo na vida política e
cultural da grande metrópole do sul.
É um facto lamentado por alguns, dado
que a vivacidade dos jovens argelinos porta dinâmica; mas é um facto inegável
na medida em que se assemelha a gesticulação.
Com o passar dos acontecimentos, a
Independência da Argélia (1960), a «década negra» da guerra civil (1990-2000),
a recessão económica pós-petrolífera: cada período trouxe o seu lote de
emigrantes, projectando os seus problemas nos de muitos da cidade, trazendo
consigo uma reprodução em miniatura da sua vida no país, mas enriquecendo a
cidade do sul com contributos multiformes, fazendo de Marselha a metrópole
francesa mais colorida, mais diversificada, mais alegremente anárquica.
Uma cidade única. Violenta mas alegre.
Capaz de ironia e de auto-ironía.
- Marselha
dos argelinos: Uma entrevista de Loukmane Khitter por Georges Pernoud no
programa Thalassa.
https://www.youtube.com/watch?v=2SjWfLifOEw&ab_channel=LoukmaneKHITER
6 – O argumento alucinante de Jean Claude Gaudin, Presidente da Câmara de Marselha durante um quarto de século.
Muitos terminaram uma vida de trabalho
árduo em França, sem possibilidade de regressar, vivendo a sua reforma em
solidão num duplo encadeamento. O encadeamento ao seu local de trabalho sem
segurança social, e o encadeamento à sua memória de infância... velhos
trabalhadores magrebinos da Rua das Petites Maries e do bairro do Rouet, que
acompanharam a luta e resistência dos trabalhadores magrebinos pela
continuidade dos seus mínimos sociais.
- Para ir
mais longe, cf este link: O trauma psiquiátrico dos argelinos de Marselha. https://www.madaniya.info/2018/03/16/le-traumatisme-psychiatrique-algerien-a-marseille
A declaração de Jean Claude Gaudin:
«A minha política talvez não agrade aos nostálgicos da esquerda, que deixou o centro da cidade apodrecer durante anos. Mas agrada aos marselheses. A Marselha popular não é a Marselha magrebina, nem a Marselha comorense. O centro foi invadido pela população estrangeira, os marselheses foram-se embora.
«Eu, eu renovo, luto contra os
vendedores de sol e faço regressar os habitantes que pagam impostos», declarou,
entre outros, Jean Claude Gaudin, Prefeito de Marselha durante um quarto de
século, ao La Tribune de 5 de Dezembro de 2001.
Com o risco de pisar na dignidade
humana, de atropelar os Direitos Humanos e de privar os trabalhadores honestos,
esforçados, dos seus direitos mais elementares.
7- Uma taxa de pobreza recorde: 9 dos
bairros mais pobres de França ficam em Marselha.
Para além do seu «assan», da sua «boa
mãe», Notre Dame de la Garde, que fica de frente, curiosa coincidência também,
para Notre Dame d’Afrique que domina Argel; para além do MUCEM, o seu «Museu
das Civilizações da Europa e do Mediterrâneo», o seu «Leilão», o seu teatro
nacional, a sua Gare Saint Charles e os seus degraus; Para além da sua
bouillabaisse e do seu aïoli; para além do OM e do seu pastis, da sua malícia e
da sua lendária oposição ao PSG, o seu grito de guerra não menos lendário
«Paris Paris, on t’……», sem dúvida o grito de guerra mais famoso do planeta de
uma elegância suprema; para além dos clichés turísticos, Marselha esconde uma
realidade bem amarga.
A segunda maior cidade de França é a
primeira no índice de pobreza. Segundo o observatório das desigualdades, os
cinco bairros mais pobres de França, considerando todas as grandes cidades, são
de Marselha e apresentam taxas de pobreza superiores a 40%.
Em primeiro lugar, o terceiro bairro com
uma taxa de pobreza de 53,4%, o que significa 25 000 pessoas afectadas.
Seguem-se, por ordem, o 15º, o 1º, o 14º, o 2º, o 13º e, por fim, o 5º bairro.
O 8º lugar desta preocupante
classificação é ocupado por um bairro parisiense. Depois aparecem novamente
dois sectores da cidade de Marselha. Ou seja, dos 10 bairros mais pobres de
França, 9 estão em Marselha.
8 – Thomas Piketty: «Numa sistema de múltiplas elites, os eleitores desfavorecidos sentem-se excluídos».
Numa investigação sobre 50 democracias
no mundo, os investigadores Thomas Piketty, Amory Gethin e Clara
Martínez-Toledano mostram como os partidos políticos ocidentais falam aos mais
ricos e aos mais instruídos, deixando muitas vezes as classes populares ao
abandono.
O seu livro «Divisões políticas e
desigualdades sociais» aborda esta questão acompanhando a evolução de 50
democracias desde 1948, cruzando os resultados eleitorais com os perfis socio-económicos
dos eleitores. Um bom tema de reflexão para os vendedores de banha da cobra de
todos os tipos.
9 – Os paradoxos das relações entre a
França e a Argélia
Outra particularidade de Marselha: a
capital da região Sul é também a única metrópole europeia ligada diariamente
por uma ligação marítima com Argel. Nos Bouches-du-Rhône, estima-se que haja
180.000 argelinos inscritos no Consulado. Com os sem documentação (harragas), o
número aproxima-se mais dos 220.000, segundo as estimativas mais geralmente
aceites, dentre os quais o mais ilustre deles não é outro senão o mítico Zinedine
Zidane, o marselhês mais famoso embora de origem argelina.
Figura lendária do futebol mundial e
grande vencedor do Mundial de Futebol de 1998, Zidane pertencia à equipa, como
é justo, constituída de «Black Black Black risée de l’Europe», segundo a memorável
expressão do compulsivo académico Alain Finkielkraut.
10 – O ponto de vista iconoclasta de
Slimane Zeghidour
Slimane Zeghidour, editor-chefe da TV5
Monde, jornalista, escritor, investigador e especialista em mundo
árabe-muçulmano, considera que a relação franco-argelina é «um caso de estudo».
«Ninguém deve ficar preso ao seu
passado. É preciso extrair dele o que pode servir ao bem comum, no presente,
aqui e agora, no lugar onde cada um de nós vive. É assim com a relação
franco-argelina, cheia de paradoxos, o que a torna um verdadeiro caso de
estudo», declarou Slimane Zeghidour na France Culture, durante um programa
sobre o seu livro auto-biográfico «Vai lá fora, a estrada espera por ti».
Alguns exemplos? O jornalista dá-os:
«Havia 4 jornais francófonos em Argel no auge da Argélia francesa; hoje saem
27, ou seja, três vezes mais do que em Paris, em Argel, capital da Argélia
soberana. Há mais cidadãos argelinos apenas na área metropolitana de Marselha
do que em todas as capitais árabes juntas.»
O número de casais franco-argelinos é,
de longe, superior ao dos casais formados por argelinos com cônjuges de todos
os outros países. Melhor ainda: existem mais argelinos em França do que havia
na Argélia durante a conquista do país pelos franceses!!
Moral da história, diz ele, "da
colonização e de uma atroz guerra de independência, a Argélia é mais francófona
do que nunca, e a França abriga mais argelinos do que em qualquer outro momento
da sua história.
Para ir mais a fundo na História dos
Árabes em França, veja o excelente livro do escritor australiano Ian Coller
'Arab France', Editora: California Press Whitney Museum.
Para além da confusão entre focenses e
fenícios, os primeiros árabes chegaram do Egipto com o regresso de Bonaparte da
sua expedição no século XVIII com mamelucos, justificando assim o título de
Marselha como 'Porta do Oriente'.
Os Mamelucos seriam seguidos pelos
árabes cristãos, particularmente os gregos católicos (melquitas),
principalmente os arrojados comerciantes de Alepo e Damasco, fugindo das
perseguições otomanas, no século XIX, que trouxeram nas suas malas o
savoir-faire do «Sabão de Marselha» inspirado no lendário «Sabão de Alepo» e as
sedas de Damasco.
A chegada dos sírios a Marselha foi
aliás favorecida por Jean Baptiste Estelle, antigo cônsul de França na Síria,
vereador de Marselha e comerciante com a Síria, que ficou conhecido pela sua
gestão desastrosa da peste que devastou a cidade focéana em 1720.
Finalmente, os argelinos chegaram a
partir de 1905, primeiro de forma gradual e depois massivamente, para
transformar a Metrópole do sul de França na «49.ª Wilaya da Argélia», segundo a
expressão consagrada.
Os libano-sírios com o mandato francês
sobre o Levante e o fluxo migratório que daí se seguiu para as colónias da
África Ocidental francesa fecharão a marcha, fazendo de Marselha, ao lado dos
arménios sobreviventes do genocídio turco, um melting-pot trans-mediterrânico,
no momento em que o Mare Nostrum tende a tornar-se desde o início do século
XXI, num Mar Internacional aberto, abrindo espaço a novos intervenientes no
palco marítimo internacional: a Rússia e a China, prenunciando a nova
cartografia do Mediterrâneo até ao horizonte de 2050.
A ideia de que o libanês chegou à África
por acidente devido a um erro de navegação dos cargueiros negreiros é uma
fábula e uma paródia.
Se a primeira carga de Marselha a
caminho do Rio de Janeiro desembarcou em Dakar (Senegal), por acaso, é porque
na verdade respondia a uma exigência de rentabilidade das companhias negreiras,
que não são fabricantes de rendas e não mexem com rendas.
Um trajecto infinitamente mais curto do
que a travessia do Atlântico Sul, uma rotação mais frequente, uma rentabilidade
maior. O desvio para África do fluxo migratório libanês irá aumentar,
tornando-se sistemático com a instauração do Mandato Francês sobre o Líbano e a
Síria, respondendo a um duplo objetivo:
- Reduzir a importância numérica dos
xiitas no recenseamento demográfico visando a repartição do poder com base
confessional no sistema constitucional libanês, de modo a deixar as rédeas do
governo na mão do tandem maronita-sunita, para fazer do Líbano o ponto de
junção do Islão e da cristandade num momento crucial da expansão económica
europeia para o flanco sul do Mediterrâneo.
Com o objectivo final de conferir um
primado maronita ao «país dos cedros, do leite e do mel», não para o
transformar num reduto cristão como se empenharam em fazer as milícias cristãs
durante a guerra inter-confessional (1975-1990), mas num «Lar Nacional Cristão»
simétrico ao «Lar Nacional Judeu» da promessa Balfour (1917) da Grã-Bretanha.
-Colocar os libaneses emigrados de
África numa posição de intermediários entre colonos e colonizados, entre os
brancos que residem nas grandes cidades costeiras e os negros que povoam o
interior africano.
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Para ir mais longe sobre este tema, cf este link : https://www.renenaba.com/liban-diaspora-12/
11 – O porto de Marseille-Fos
Por fim, a última
característica de Marselha, o seu porto, que dispõe do maior porto de reparação
de navios do Mediterrâneo. Primeiro porto de França, o Porto de Marselha-FOS é
um porto global, cujas infraestruturas permitem tratar todos os tipos de
tráfegos (hidrocarbonetos, carga líquida a granel, mercadorias diversas, carga
sólida a granel e passageiros).
O porto de Marselha-Fos dispõe de espaços e infraestruturas capazes de receber actividades marítimas, logísticas e industriais.
Graças ao seu posicionamento geo-estratégico, ideal para trocas Norte/Sul, Este/Oeste, e à sua quadmodalidade (estrada, ferrovia, rio e oleodutos), constitui a porta do Sul da Europa. Uma vantagem não negligenciável no momento em que o Mediterrâneo tende a constituir, à entrada do século XXI, uma linha de demarcação tripla:
A - A linha de fractura entre dois mundos (Norte-Sul, Islão-Ocidente).
Um resumo dos principais conflitos dos séculos XX
e XXI, centrados na Palestina. Um conflito exacerbado pela descoberta de novos
depósitos de energia. Com a descoberta e exploração de vários blocos de
hidrocarbonetos entre o Chipre, o Egipto, Israel e o Líbano.
B – A linha de ruptura política e mental do Mundo árabe.
Expulsar da Liga Árabe um dos seus membros fundadores, a Síria, e deixar a
bandeira israelita a flutuar no céu do Cairo, Rabat, Abu Dhabi, Manama e
Cartum, é um absurdo mental. Da mesma forma, implorar aos seus antigos
colonizadores para bombardear um país árabe, a Síria, que participou em três
guerras contra Israel (o pregador da NATO, Youssef Qaradawi), torna obsoleta e
sem efeito a acusação de cruzada ocidental.
C- A linha de demarcação de um novo Mundo multipolar.
A linha Argélia-Tânger-Pireu é a linha invisível de uma nova delimitação das
zonas de influência entre os BRICS e o Ocidente atlantista; o Magrebe funciona
como a última barreira de contenção da pressão africana da China e do contorno
da Europa através de África. Uma linha percebida por todo o planeta como a nova
linha de demarcação das novas relações de força mundiais….
E Marselha está na primeira fila, desde que a cidade fócia se aperceba disso, enquanto o Mar Mediterrâneo está prestes a tornar-se uma das maiores valas comuns do Mundo, dividida entre a extrema-direita e o medo dos migrantes.
É saudável olhar de forma crítica para o seu passado. Quem não conhece a sua própria história tende a reproduzi-la.
Na falta de uma análise concreta de uma situação concreta, sem pressupostos ideológicos, a França irá, mais uma vez, direito ao muro a buzinar…… «como em 40». Então surgiu um sábio para se surpreender com esta «estranha derrota»….. Perseverare dialolicum.
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Para ir mais longe sobre este tema, cf este link : https://www.renenaba.com/la-mediterranee-a-lhorizon-de-lan-2050-du-centre-du-monde-au-focal-du-monde/
Para ir mais longe com Slimane Zeghidour
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Viva a vacina Abdallah, Viva Cuba, Viva José Marti
https://www.youtube.com/watch?v=jSxfrLcLPrg
Um mestiço que se tornou imperador: O líbio Septímio Severo
Fabuloso este
Septímio. Casou-se com uma árabe de Homs, Julia Domna, que lhe deu Caracala, o
autor do famoso Édito de Caracala que abriu caminho para seis imperadores
berberes-árabes (Geta, Macrino, Alexandre Severo, Heliogábalo, Filipe, o
Árabe!)
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https://www.youtube.com/watch?v=rgpCNUkjE0c&ab_channel=TV5MONDEInfo
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https://fr.wikipedia.org/wiki/Slimane_Zeghidour
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https://fr-fr.facebook.com/slimanezeghidour
René Naba
Jornalista-escritor, antigo responsável pelo Mundo
árabe-muçulmano no serviço diplomático da AFP, depois conselheiro do direCtor-geral
da RMC Médio Oriente, responsável pela informação, membro do grupo consultivo
do Instituto Escandinavo dos Direitos Humanos e da Associação de Amizade
Euro-Árabe. De 1969 a 1979, foi correspondente itinerante no escritório
regional da Agência France-Presse (AFP) em Beirute, onde cobriu, nomeadamente,
a guerra civil jordaniano-palestiniana, o «Setembro negro» de 1970, a
nacionalização das instalações petrolíferas do Iraque e da Líbia (1972), cerca
de uma dezena de golpes de Estado e sequestros de aviões, assim como a guerra
do Líbano (1975-1990), a 3.ª guerra israelo-árabe de Outubro de 1973, as
primeiras negociações de paz egípcio-israelitas na Mena House, no Cairo (1979).
De 1979 a 1989, foi responsável pelo mundo árabe-muçulmano no serviço
diplomático da AFP, depois conselheiro do director-geral da RMC Médio Oriente,
responsável pela informação, de 1989 a 1995. Autor de "A Arábia Saudita,
um reino das trevas" (Golias), "Do Bougnoule ao selvagem, viagem no
imaginário francês" (Harmattan), "Hariri, de pai para filho,
empresários, primeiros-ministros" (Harmattan), "As revoluções árabes
e a maldição de Camp David" (Bachari), "Media e Democracia, a captura
do imaginário, um desafio do século XXI" (Golias). Desde 2013, é membro do
grupo consultivo do Instituto Escandinavo dos Direitos Humanos (SIHR), com sede
em Genebra. É também vice-presidente do International Center Against Terrorism
(ICALT), em Genebra; Presidente da associação de caridade LINA, que actua nos
bairros Norte de Marselha, e Presidente honorário de 'Car tu y es libre' (Quartier
libre), dedicada à promoção social e política das zonas periurbanas do
departamento de Bouches du Rhône, no sul de França. Desde 2014, é consultor no
Instituto Internacional para a Paz, a Justiça e os Direitos Humanos (IIPJDH),
com sede em Genebra. Desde 1 de Setembro de 2014, é responsável pela
coordenação editorial do site https://www.madaniya.info
e apresenta uma rubrica semanal na Rádio
Galère (Marselha), às quintas-feiras, das 16H às 18H.
Fonte: De
quoi Marseille est-elle le nom ? - Madaniya
Este artigo foi traduzido para Língua
Portuguesa por Luis Júdice

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