sábado, 29 de agosto de 2026

Do capital industrial ao capital financeiro, o inevitável declínio

 


Do capital industrial ao capital financeiro, o inevitável declínio

29 de Agosto de 2026 Robert Bibeau



Por Normand Bibeau e Robert Bibeau.


Ao contrário do que o economista Hudson argumenta neste artigo: "O sistema financeiro ocidental à beira do colapso (Michael Hudson -  Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: O sistema financeiro ocidental à beira do colapso (Michael Hudson)) remontando às origens da sociedade dividida em classes sociais (Babilónia, Alexandria, Egipto Antigo, Europa feudal, capitalismo anglo-saxónico, etc.):

"[A] história da humanidade não foi a história da luta dos credores contra os mutuários: banqueiros/credores contra trabalhadores/devedores"; "capitalistas bancários contra capitalistas industriais", mas a luta de classes: escravos contra proprietários de escravos; escravos a serem explorados contra barões; escravos assalariados contra capitalistas, como demonstrou Marx.

Marx, em toda a sua obra, demonstrou que a "mais-valia", ou seja, a diferença entre o valor do custo de produção e o do seu consumo, só pode vir da força de trabalho na produção de bens de consumo tangíveis e, consequentemente, do "banqueiro/credor" que não pertence ao próprio processo de produção de bens tangíveis e consumíveis, não cria qualquer "mais-valia" numa actividade produtiva autónoma, no máximo, a sua "mercadoria": o "capital bancário" recebe uma percentagem do valor excedente criado pelo "mutuário" no ciclo produtivo que precede a "poupança", a fonte "originária" de capital bancário, pela diferença entre os "juros" que paga sobre "depósitos" e os dos "empréstimos".

Assim, Marx em "O Capital" distingue as seguintes etapas:

– o "capitalista industrial" apropria-se do "valor excedente empresarial" ("lucro") extorquido aos seus escravos-empregados graças à sua propriedade;
– ele confia as suas "poupanças" ao "capitalista bancário" em troca de "juros";
– o "capitalista bancário" empresta essas "poupanças" a um mutuário em troca de um "juro" superior ao que paga a si próprio, realizando uma "
renda de usura".

Em conclusão

Marx considera que o "banqueiro capitalista" participa na distribuição da mais-valia produzida noutros locais do próprio ciclo da produção capitalista.

Para Marx, o "capitalista industrial", ao confiar o seu "capital excedente" ao "capitalista banqueiro" em troca de "juros", une-se a ele para constituir o "capitalismo financeiro": receber um "juro" e pagar um "juro" numa valsa contínua de capitais em que o "capital industrial" e o "capital bancário" se "fundem" para se tornar o "capital financeiro", mestre da economia capitalista na sua fase final imperialista.

Esta acumulação de capital "primitivo" levou ao efeito de alavancagem do "CRÉDITO":

Capital industrial> mais-valia> depósito + juros = capital bancário > empréstimo + juros = capital financeiro (fusão de capital industrial e capital bancário).

Este "capital financeiro" foi multiplicado graças ao efeito de alavancagem do "CRÉDITO" à taxa de "reserva legal" lilliputiana imposta ao sistema bancário pelos estados burgueses.

Através do "crédito", o "capitalista bancário" antecipa a futura realização do valor excedente dos seus "credores": "empresta" "capital bancário" contra juros aos mutuários para aumentar a sua realização do "valor excedente" ou do seu consumo e para reembolsar esse "empréstimo" com "juros".

Para MARX, o «CRÉDITO e os JUROS» que ele exige como «renda» prevaricadora e que Hudson assimila a um defeito «prejudicial» ao capitalismo industrial, transformando-o num «capitalismo parasitário», não vai contra a natureza do capitalismo, mas é antes o seu desenvolvimento natural inevitável, que levará à sua queda imperial inevitável… resta saber se a classe social proletária cumprirá a sua missão histórica.

Da Insurreição Popular à Revolução Proletária – Robert Bibeau, Khider Mesloub

https://www.editions-harmattan.fr/catalogue/livre/de-l-insurrection-populaire-a-la-revolution-proletarienne/77706

Versão em Língua Portuguesa:

Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: DA INSURREIÇÃO POPULAR À REVOLUÇÃO PROLETÁRIA

 

Fonte: Du capital industriel au capital financier, l’inéluctable déchéance – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




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