Incêndios florestais: o Ataque Massivo Inicial, a
única estratégia verdadeiramente eficaz
4 de Setembro de
2026 Robert Bibeau
Por Khider Mesloub.
A eficácia do combate a incêndios florestais baseia-se em duas condições
estratégicas inseparáveis: ter um número suficiente de bombardeiros de água e empenhá-los
de acordo com uma doutrina operacional baseada no Ataque Massivo Inicial (AMI).
Sem estas duas condições combinadas, os activos aéreos perdem grande parte da
sua eficácia e os incêndios podem rapidamente sair do controlo.
Ao contrário da imagem veiculada pelos meios de comunicação social, que
mostram essencialmente aviões Canadair a intervir isoladamente e a lançar
milhares de litros de água sobre imensos focos de incêndio, os especialistas em
combate aéreo consideram que o momento decisivo ocorre muito antes de o
incêndio se tornar espectacular. A verdadeira batalha desenrola-se nos
primeiros minutos após o início do incêndio. É nesse momento que se decide o
desfecho da intervenção: ou o foco do incêndio é imediatamente submerso por uma
potência de ataque suficiente e pode ser neutralizado, ou escapa rapidamente a
qualquer controlo e transforma-se numa catástrofe de grande dimensão.
Como
recorda um representante do sindicato dos pilotos da Canadair em França, a
estratégia mais eficaz consiste em desencadear sem demora um «Ataque Inicial em
Massa», mobilizando simultaneamente vários aviões de combate a incêndios.
Quando um foco de incêndio é combatido desde o início com potência suficiente,
pode ser circunscrito, ou mesmo totalmente extinto, antes que as chamas ganhem
intensidade e se transformem num mega-incêndio. Nesta fase inicial, cada minuto
tem um valor estratégico determinante: quanto mais rápida for a intervenção,
maiores serão as probabilidades de sucesso.
Segundo
este responsável sindical francês, várias aeronaves devem intervir logo nos
primeiros instantes, a fim de saturar o foco do incêndio, quebrar imediatamente
a dinâmica de propagação e impedir que o fogo adquira a potência que o tornará,
posteriormente, praticamente incontrolável. Esta doutrina assenta num princípio
simples: é infinitamente mais eficaz mobilizar meios significativos logo no
início do incêndio do que ter de mobilizar, várias horas mais tarde, um
dispositivo consideravelmente mais pesado contra um incêndio que se tornou
incontrolável. Cada minuto perdido aumenta a intensidade do incêndio, amplia a
área destruída e multiplica os recursos humanos, materiais e financeiros
necessários para o controlar.
Toda a lógica do AMI resume-se a este princípio: é muito mais eficaz
concentrar cinco aviões de combate a incêndios durante uma hora num foco
inicial de incêndio do que mobilizar quinze Canadair durante três dias perante
um mega-incêndio. No primeiro caso, o incêndio pode ser neutralizado; no
segundo, trata-se, na maioria das vezes, de conter o seu avanço. Perante um
mega-incêndio, os aviões de combate a incêndios já não combatem; tentam conter
e abrandar a propagação do fogo. O objectivo já não é a extinção, mas sim a
limitação dos danos. As rotações incessantes dos Canadair sobre um imenso
incêndio não são uma demonstração de poder, mas sim o sinal de que a batalha
decisiva já foi perdida.
Por outro lado, uma intervenção tardia transforma um foco de incêndio ainda
controlável numa catástrofe de grandes proporções. Assim que o incêndio atinge
uma intensidade elevada, os aviões de combate a incêndios geralmente já não
conseguem extingui-lo. Os seus lançamentos, por mais impressionantes que sejam,
muitas vezes permitem apenas retardar temporariamente o avanço das chamas,
proteger as zonas mais expostas ou apoiar o trabalho das equipas no terreno,
enquanto se aguardam condições meteorológicas mais favoráveis. O objectivo
deixa então de ser, na verdade, a extinção do incêndio, e passa, sim, à
limitação das suas consequências. O combate ao incêndio dá lugar à gestão de
uma catástrofe cuja evolução escapa em grande medida às capacidades de
intervenção.
Esta realidade operacional põe em evidência o desfasamento entre a
representação mediática dos incêndios e os requisitos técnicos necessários para
o seu controlo. As imagens dos Canadair a efectuar voos incessantes sobre
imensas colunas de fumo dão a impressão de uma mobilização espectacular das
autoridades públicas. No entanto, estas intervenções traduzem frequentemente o
facto de que a batalha decisiva já foi perdida. Quando os aviões multiplicam os
lançamentos sobre um mega-incêndio, geralmente já não conseguem obter a
vitória; tentam, sobretudo, evitar um agravamento ainda mais dramático da
situação. O que parece ser uma demonstração de poder é frequentemente o sintoma
de uma intervenção que chegou demasiado tarde.
A doutrina da AMI conduz, assim, a uma conclusão política importante. A
verdadeira eficácia não consiste em combater um mega-incêndio, mas em impedir
que este se torne um. Reside na capacidade de mobilizar imediatamente um número
suficiente de aviões de combate a incêndios para neutralizar o foco logo que
este surja, quebrar a sua dinâmica de propagação e impedir a sua transformação
num mega-incêndio. Isto pressupõe frotas aéreas mais numerosas, tripulações
disponíveis, uma rede territorial que permita a rápida mobilização das
aeronaves e, de forma mais ampla, uma política pública que faça da prevenção e
da intervenção precoce uma prioridade orçamental permanente.
Assim, a doutrina do Ataque Massivo Inicial (AMI) implica uma organização
territorial profundamente descentralizada
dos meios aéreos. A eficácia não depende apenas do número total de aviões de
combate a incêndios disponíveis a nível nacional, mas também da sua
distribuição pelo território. Cada grande região em risco deve dispor de uma
capacidade aérea própria, suficientemente significativa para lançar sem demora
um Ataque Massivo Inicial. Nesta estratégia, a proximidade das aeronaves às
zonas expostas constitui um factor tão decisivo quanto o seu número.
Em França, tal lógica leva a repensar a escala dos meios mobilizados: já
não se trata apenas de dispor de uma dúzia de Canadair para todo o território
francês, mas de dotar cada uma das grandes regiões particularmente expostas a
incêndios de meios aéreos suficientemente importantes para desencadear imediatamente
um AMI perante qualquer foco de incêndio.
O mesmo princípio deveria orientar as políticas de combate aos incêndios florestais na Argélia, onde o agravamento dos riscos associados às altas temperaturas e à extensão das massas florestais exige igualmente a disponibilidade de numerosos meios aéreos, distribuídos pelo território e capazes de intervir nos primeiros minutos após o início de um incêndio.
No que diz respeito aos incêndios florestais, o tempo e a disponibilidade
de um número suficiente de aviões de combate a incêndios constituem, assim, os
dois recursos estratégicos mais valiosos. O que não for conseguido nos
primeiros minutos através de um ataque aéreo massivo terá, quase sempre, de ser
pago, algumas horas mais tarde, com milhares de hectares devastados, vidas
humanas perturbadas e despesas públicas consideravelmente mais elevadas. A
verdadeira política de combate aos incêndios florestais não consiste, portanto,
em gerir catástrofes já instaladas, mas em dispor de uma frota aérea
suficientemente grande para intervir imediatamente, neutralizar os focos de
incêndio e impedir que se transformem em mega-incêndios.
Em conclusão, a verdadeira luta contra os incêndios florestais não consiste
em gerir mega-incêndios, mas em impedir que estes ocorram. Implica romper com
uma lógica de reacção para adoptar uma doutrina de prevenção operacional
baseada no Ataque Massivo Inicial (AMI).
Khider MESLOUB
Este artigo
foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis
Júdice

Sem comentários:
Enviar um comentário