quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Palestina: Espionagem pró-Israel, uma profissão do futuro 1/2


Palestina: Espionagem pró-Israel, uma profissão do futuro 1/2

René Naba / 19 de janeiro de 2018 / em Décryptage

Última actualização a 19 de Janeiro de 2018

O mundo árabe comemora o centenário da Promessa de Balfour num contexto de desmoronamento mental e moral marcado pela balcanização da região e pela proliferação de candidatos à traição, lacaios da burocracia ocidental, agora promovidos ao estatuto de «elemento imprescindível» da vida política pan-árabe.

Um indício patológico desta desintegração intelectual é a criminalização, pela Liga Árabe sob a hegemonia wahhabita, do último movimento de libertação árabe, o Hezbollah libanês, no décimo aniversário da sua vitória contra Israel, em Julho de 2016.

Um acto que constitui um aval a todas as incursões israelitas contra o Líbano e o movimento xiita. Um acto que assinala tanto a deserção do campo de batalha como a capitulação árabe perante um país considerado por amplas fracções da opinião pública do Terceiro Mundo como o usurpador da Palestina.

As guerras civis no Líbano (1975-1990) e, posteriormente, na Síria (2011-2015) deram origem a uma nova espécie de «fauna»: o espião pró-israelita, sob o pretexto de uma guerra de libertação nacional, consequência da devastação causada pelo sectarismo que aflige o mundo árabe.

Análise detalhada destes «zombies» criminogénicos:

1 – O palestiniano, coveiro da sua própria causa

Os serviços de segurança e contra-inteligência palestinianos são peneiras e os palestinianos, os coveiros da sua própria causa, a julgar pelos traidores apanhados nas suas fileiras.

A – O príncipe verde, Moss’ab Hassan Youssef, um dos filhos do fundador do Hamas
Uma das mais famosas toupeiras israelitas não é outro senão Mossa’b Hassan Youssef, filho de um dos fundadores do movimento islamista palestiniano Hamas, «informador» do Shin Beth, os serviços secretos israelitas, refugiado na Califórnia, convertido ao catolicismo e que se submeteu a uma cirurgia estética.

As informações que Mossa’b Youssef forneceu aos israelitas conduziram às detenções de Marwan Barghouti, a figura emblemática da Fatah na Cisjordânia, e de Ibrahim Hamid, um líder militar do Hamas na Cisjordânia. Era apelidado pelos seus agentes de contacto de «príncipe verde», verde como a cor do Islão.

E «príncipe» porque lhes fazia lembrar o «príncipe vermelho»: Ali Hassan Salameh, o homem dos primeiros contactos entre a OLP de Yasser Arafat e a CIA, que o Mossad assassinou em Beirute na década de 1980.

B- Adnan Yassine, n.º 2 do escritório da OLP em Tunes.
Uma das grandes capturas teria sido um dos responsáveis palestinianos, agente do Mossad, Adnane Yassine, nº 2 do Escritório da OLP em Túnis. Ele tinha conseguido instalar um sistema de escuta na central palestiniana, constituído por dois chips espiões: um sobre a lâmpada de trabalho do escritório de Yasser Arafat, o chefe da central palestiniana, e o outro no de Mahmoud Abbas (Abu Mazen), o negociador de Oslo. Assim, os israelitas tinham acesso em tempo real a todos os debates dentro da Organização para a Libertação da Palestina e às rivalidades entre Yasser Arafat e Mahmoud Abbas.

O traidor palestiniano cometeu a sua acção como forma de agradecimento por um tratamento médico dado pelos israelitas em França à sua esposa, que sofria de cancro.

C - Adjunto de Saeb Ereikat, o homem das negociações com os israelitas.
Vinte anos mais tarde, outro palestiniano reincidirá ao espionar o homem responsável pelas negociações com os israelitas, Saëb Ereikat. Um dos seus colaboradores mais próximos foi detido no início de Janeiro de 2016 por espionagem a favor de Israel. Este alegado informador de Israel trabalhava há 20 anos no secretariado-geral da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Segundo o jornal electrónico «Ar Rai Al Youm», o suspeito admitiu ter passado «documentos importantes» a Israel, assim como «actas de reuniões palestinianas sobre a atitude em relação a Israel, bem como as opiniões da liderança palestiniana sobre os dossiers das negociações».

Várias vezes, salienta o jornal, o primeiro círculo dirigente palestiniano entrou em «grande cólera» depois de americanos terem alertado sobre posições que a autoridade estava prestes a tomar. Em termos claros, já estavam informados e agiam preventivamente para dissuadir os dirigentes palestinianos.

D- O Príncipe Vermelho, o caso atípico de Ali Hassan Salameh

Filho de um importante membro da resistência palestiniana na época do mandato britânico na Palestina, apelidado de «príncipe vermelho» devido à sua extravagância e ao seu estilo de vida ostensivo, que se casou com Georgina Rizk, Miss Líbano e Miss Universo de 1971, Ali Hassan Salameh era responsável pela protecção pessoal de Yasser Arafat.

A sua relação com a CIA tinha-se estabelecido em 1973, na sequência do assassinato do embaixador e do encarregado de negócios dos EUA no Sudão, em Março de 1973, e da guerra egípcio-israelita de Outubro do mesmo ano.

Tinha sido celebrado um pacto de não agressão entre as duas partes e os palestinianos garantiriam a segurança da evacuação dos americanos residentes em Beirute em 1978, durante a guerra civil libanesa.

Em contrapartida, os americanos alertavam os palestinianos sobre os planos de atentados israelitas contra os palestinianos, chegando mesmo a assumir a responsabilidade por um programa de formação dos serviços palestinianos em protecção pessoal.

Foi assim que Arafat e Salameh conseguiram escapar ao massacre perpetrado por um comando israelita em Beirute, em Abril de 1973, contra a sede palestiniana, que resultou no assassinato de três líderes palestinianos: Kamal Nasser, porta-voz da OLP, Abou Youssef Al Najjar, o seu ministro do Interior, e Kamal Adouane, o líder do movimento juvenil da Fatah.

Mas o playboy e a sua segunda esposa, a Miss Georgina, não resistiram à vontade de se exibirem durante a sua lua de mel nos próprios Estados Unidos. Uma estadia turística, incluindo um dia na Disneylândia, a expensas do governo norte-americano.

Tudo tem um fim: os israelitas opunham-se a qualquer contacto entre norte-americanos e palestinianos. A vigilância norte-americana seria enganada, e Ali Hassan Salameh seria morto num atentado com carro-bomba em Beirute, em Janeiro de 1979; Um período marcado pela conclusão do tratado de paz entre Israel e o Egipto — o Tratado de Washington, assinado a 29 de Março de 1979 — e pelo triunfo da Revolução Islâmica no Irão, com o regresso, a 9 de Fevereiro de 1979, do imã Ruhollah Khomeini a Teerão, após quinze anos de exílio no Iraque e, posteriormente, em França.

O caso de Ali Hassan Salameh merece reflexão: alguma vez se viu Ernesto Che Guevara (Cuba), Ali «La Pointe» (Argélia) ou Djamila Bouhired a pavonearem-se, em plena guerra de libertação, num carro descapotável, na companhia de beldades? A deslocarem-se a território inimigo para passar fins de semana em centros de lazer num país que se supõe ser seu inimigo? A aceitarem uma viagem de luxo ao país do seu opressor para passar férias de bilionários?

O cúmulo da sofisticação: os serviços de segurança palestinianos sincronizam as suas acções com os seus homólogos israelitas na luta contra a subversão na Cisjordânia, numa ilustração patética da lógica do senhor e do escravo, sem o menor benefício para os palestinianos; apesar do bloqueio das receitas de exportação dos produtos palestinianos; apesar da continuação da colonização rampante da Palestina, apesar da judaização de toda a Jerusalém.

Na década de 1970, a OLP constava da lista negra dos Estados Unidos e representava o equivalente à Al-Qaeda, aos olhos da opinião pública ocidental. Hoje em dia, foi simplesmente riscada da equação regional.

2 – Egipto, o exemplo vem de muito alto: Achraf Marwane, genro de Nasser e agente do Mossad?

A serviço do Egipto? Ganância? Um narcisismo exacerbado que levou aquele que se casara com a filha preferida de Nasser, Mouna, a querer distinguir-se da coorte de cortesãos do regime nasserista? Seja como for, a sua oferta de serviços surge em 1969, numa altura em que o seu sogro, o líder da luta nacionalista árabe, tinha iniciado uma guerra de desgaste ao longo do Canal do Suez, na tentativa de recuperar o Sinai, perdido dois anos antes.

Para este espião de alto nível, a remuneração seria, consequentemente, de 100 000 dólares por cada encontro — e não por migalhas. Achraf Marwane transmitia ao Mossad informações de primeira mão, nomeadamente o relato de um encontro entre Nasser e os dirigentes do Kremlin dedicado ao reabastecimento do exército egípcio para apoiar o esforço de guerra contra a linha Bar Lev.

Com a morte do seu sogro em 1970, o seu sucessor, Anwar El Sadat, acolheu Achraf Marwane sob a sua protecção e nomeou-o conselheiro presidencial para os assuntos árabes.

Por acaso ou por premeditação, o elegante conselheiro foi então recrutado pelo chefe da delegação da CIA no Médio Oriente, Thomas Twetten, em 1971. Considera-se que foi ele o instigador do golpe de Estado que eliminou a ala esquerda nasserista dos círculos dirigentes, abrindo caminho para a viragem do Egipto para o campo ocidental, com a detenção dos defensores da linha dura pró-soviética: Sami Sharaf, o ministro do Interior responsável pelos serviços secretos egípcios, e Ali Sabri, o vice-presidente.

Em 1975, na sequência da Guerra de Outubro, do uso do petróleo como arma e da concomitante ascensão das monarquias petrolíferas do Golfo, Achraf Marwane subiu na hierarquia, tornando-se presidente da Organização Árabe de Industrialização e um empresário próspero.

Detentor de participações na «American International Petroleum», na «British Home Store» e na «Habitat», tinha-se tornado um dos principais negociantes de armamento do Médio Oriente, suplantando até mesmo Adnan Khashoggi após a queda em desgraça do saudita no caso dos Contras, o financiamento da contra-revolução na Nicarágua.

B- O reverso da medalha
Em 2002, o historiador britânico Aharon Bregman, no seu livro *A History of Israel*, identifica Achraf Marwane como sendo «A Fonte», dito «Babel», que terá enganado o Mossad quanto ao início da guerra israelo-egípcia de Outubro de 1973. Achraf Marwan terá fornecido durante anos informações confiáveis até ganhar a confiança dos israelitas. Mas acabou por enganá-los no ponto mais importante da sua preocupação, uma possível guerra de reconquista egípcia do Sinai. Fez os israelitas acreditar que Sadate não tentaria libertar os territórios egípcios ocupados enquanto não tivesse mísseis de longo alcance.

C – Relato de Hassanein Heykal 

Intrigado com os rumores que circulavam sobre o genro de Nasser, Mohamad Hassanein Heykal, antigo confidente do presidente e ex-director do jornal Al Ahram, relata nas suas memórias ter-se deslocado a Londres para apurar a verdade. Foi marcado um encontro entre os dois homens para 27 de Junho de 2007, para um almoço no luxuoso hotel Dorchester.

Enquanto Heykal aguardava o seu convidado, um empregado de mesa veio anunciar-lhe o falecimento de Achraf Marwane. Será que o genro temia um confronto com o antigo confidente de Nasser? Será que se atirou pela janela para escapar a essa prova da verdade? Considerado um herói no Egipto, terá sido, no entanto, atirado pela janela pelos serviços secretos egípcios para se livrarem de uma figura tão incómoda? Ou pelos israelitas, para darem asas à suspeita?

O facto é que o corpo do bilionário egípcio foi encontrado em Londres, na quarta-feira, 27 de Junho de 2007, caído em frente à sua residência. De acordo com as primeiras constatações, ele teria caído da varanda do seu apartamento, situado no 4.º andar. A Scotland Yard hesitou em classificar a morte como um «acidente», sobretudo porque o falecido tinha declarado ao seu círculo de amigos que temia pela sua vida.

Um homem bonito, Achraf Marwane, cujo nome de código no Mossad era «Angel» (Anjo), era fã da «Dolce Vita» londrina e grande apreciador de jogos de azar. Nasser sentia desprezo pelo seu genro e só tinha consentido, sob coação, no seu casamento com a filha, que estava loucamente apaixonada por ele. Desconfiado em relação a este homem ambicioso e sem rigor, o presidente egípcio tinha-o destacado para os serviços de arquivos da presidência, na cave do palácio presidencial, com um salário de 17 libras egípcias por mês.

Nasser chegou mesmo a ter de chamar de urgência de Londres o seu genro pródigo, devido à sua frequência assídua em clubes de jogo na companhia de um empresário extremamente rico do Golfo. Para evitar qualquer dependência em relação ao benfeitor do Golfo, o presidente egípcio teve de reembolsar na totalidade todas as despesas que tinha efectuado em benefício do seu genro. Hosni Mubarak, na altura presidente do Egipto, e Mohamad Hassanein Heykal recusaram-se a comparecer no seu funeral.

A sua defenestração da janela do seu apartamento em Londres teria a marca característica dos serviços secretos egípcios, empenhados em livrar-se de uma figura incómoda. Abdel Bari Atwane, director do site «Ar Rai al Yom», baseou a sua opinião em casos anteriores de quedas de janelas de que foram vítimas personalidades egípcias, desde o general Ali Shafiq até à actriz Souad Hosni, passando por Ashraf Marwan.

Para aprofundar este tema

·         http://www.raialyoum.com/?p=645943

Que pesado fardo para os filhos dela carregar um nome agora tão odiado, para a  esposa dela tão injustamente abatida pela fraude do pai dos seus filhos. Que insulto à memória do sogro dela. Que mancha feia na história. Que mau exemplo para as gerações futuras.

3- A fibra berberista separatista e a «doutrina das periferias» de Israel

Deixemos de lado o facto de que o Rei Hussein da Jordânia recebia do orçamento da CIA um milhão de dólares por ano, segundo as revelações do jornalista norte-americano Jim Hoagland, e de que as duas monarquias árabes não petrolíferas, a Jordânia e Marrocos — a primeira no Mashreq, a segunda no Magrebe —, sejam aliadas secretas da diplomacia israelita. O facto é do domínio público, para voltarmos a ele mais tarde.

Não obstante, a desestabilização da Argélia figurou, mais uma vez, na agenda da «Primavera Árabe dos países ocidentais», na medida em que estava prevista na sequência do domínio ocidental sobre a Líbia, a julgar pelas previsões de Nicolas Sarkozy, antes do seu fim político, que exclamava repetidamente, com saltos de cabrito: «daqui a um ano, a Argélia, e daqui a três anos, o Irão».

A Argélia, tal como o Irão e a Síria, situava-se no novo «eixo do mal» delineado pelos estrategas ocidentais para manter sob pressão os países emergentes, situados fora da órbita ocidental.

A viagem a Israel dos dirigentes do fantasmagórico governo cabiliano no exílio, Ferhat Mehenni (presidente) e Lyazid Abid (ministro dos Negócios Estrangeiros), na sequência da peregrinação de intelectuais do Magrebe, Boualem Sansal (Argélia), Hassan Chalghoumi (Tunísia) e Nadia El Fanni (Tunísia), não é fruto do acaso.

Sob o pretexto do «diálogo entre religiões», esta viagem insere-se numa operação de recrutamento de personalidades mediáticas com o objectivo de as transformar em potenciais intermediários na guerra psicológica que Israel conduz clandestinamente para desestabilizar esta região, em plena turbulência política.

A instalação na Tunísia da plataforma regional do MEPI, um dos principais financiadores norte-americanos da Primavera Árabe, bem como o desmantelamento de uma importante rede israelita na Tunísia, em 2012, fazem parte desta estratégia, cujo objectivo a longo prazo é estabelecer a principal base operacional do Mossad no Magrebe, neste país em plena transição política, na encruzilhada entre África e a Europa, outrora domínio exclusivo do Ocidente.

Dois dos principais líderes palestinianos, Abu Jihad (Khalil Al Wazir), o n.º 2, comandante-chefe adjunto, e Abu Iyad (Salah Khalaf), o n.º 3 responsável pela segurança, pagaram com a vida por esta actividade clandestina sob a protecção de Zine El Abidine Ben Ali, mais disposto a reprimir os seus concidadãos do que a proteger os seus hóspedes.

Recolha de informações através de viajantes tunisinos na Argélia e argelinos na Tunísia. Acções de desestabilização e guerra psicológica. Acções de sabotagem e terrorismo, atribuíveis à AQMI ou a qualquer outra organização fantoche, figuram entre os objectivos da plataforma, que dispõe de mais duas delegações, uma das quais na ilha de Djerba, perto da Líbia.

Num livro publicado nos Estados Unidos, intitulado «Periphery: Israel’s Search for Middle East Allies» (Periferia: Israel em busca de aliados no Médio Oriente), o antigo oficial dos serviços secretos israelitas, Yossi Alpher, revelou que o Mossad estabeleceu efectivamente relações com berberistas da Argélia e de Marrocos, com o objectivo de manter estes países sob pressão. Um trabalho que se insere no âmbito da sua estratégia denominada «doutrina das periferias», com o objectivo a longo prazo de «desconfinamento geo-político» do Estado hebreu.

O oficial israelita confirma assim as relações entre o porta-voz do Movimento pela Autonomia da Cabilia, Ferhat Mehenni, e os serviços de informações israelitas.

Já alvo de fortes suspeitas de ligações a serviços secretos de países estrangeiros, desde a criação do MAK e, posteriormente, do GPK (Governo Provisório da Cabilia), Ferhat Mehenni sucedia-se a aparições públicas através das quais manifestava claramente a sua proximidade com o lobby sionista em França, assumindo posições favoráveis à política de Israel na região.

A sua visita a Telavive, em Maio de 2012, foi o coroamento lógico de um alinhamento, mais do que um acto de provocação. Uma iniciativa endossada, nos meios de comunicação social, pelo porta-estandarte do proselitismo filo-sionista no cenário europeu, Bernard-Henri Lévy, o destruidor da Líbia e do Sudão.

·         http://www.algeriepatriotique.com/article/tentatives-de-partition-de-l-algerie-bernard-henri-levy-appelle-soutenir-le-mak-de-ferhat-mehanni

Para avançar sobre Boualem Sansal e Kamel Daoud

"Uma islamofobia 'muito de casa' para um público 'de casa', pelo académico argelino-canadiano Ahmed Bensaada.

·         http://www.ahmedbensaada.com/index.php?option=com_content&view=article&id=361:2016-02-11-23-13-24&catid=49:poesie-et-litterature&Itemid=135

Sobre o irredentismo berbere incentivado por França.
Sarko, Valls, Hollande, Emié... Porque é que a França é implacável em relação à Argélia?

·         http://www.algerie1.com/actualite/sarko-valls-hollande-emie-pourquoi-la-france-sacharne-sur-lalgerie/

Foco: O engano do MAK

O Movimento pela Autonomia da Cabilia (MAK), nascido em 2001, tornou-se o Movimento pela Auto-determinação da Cabilia, desde a reunião do conselho nacional do MAK em sessão ordinária a 4 de Outubro de 2013.

·         https://www.algeriepatriotique.com/2017/12/17/tribune-juive-sert-de-relai-a-propagande-separatiste-mak/

 

(Ferhat Mehenni desfila com Danny Danon, representante de Israel na ONU)


Saint-Denis, 12 de outubro de 2017
Para o Sr. Boualem Snaoui

Caro senhor,

A sua carta sobre a presença do MAK na última Festa do Humanité chamou toda a minha atenção.  

O MAK é um movimento separatista de extrema-direita apoiado pela direita israelita na sua luta contra o governo argelino. Não concedemos de forma alguma a possibilidade deste movimento ter um stand na Festa do Humanité. 

Eles enganaram os nossos serviços ao inscrever-se com o nome de uma associação qualquer, sem qualquer conotação política. Esta fraude só foi descoberta várias horas depois da abertura da Festa. 

Vamos garantir que tais falhas e enganos não se repitam. 

Com os melhores cumprimentos,  

Patrick LE HYARIC, Diretor do Humanité

 

René Naba

Jornalista e escritor, antigo responsável pela região árabe-muçulmana no serviço diplomático da AFP, posteriormente conselheiro do director-geral da RMC Médio Oriente, responsável pela informação, membro do grupo consultivo do Instituto Escandinavo dos Direitos Humanos e da Associação de Amizade Euro-Árabe. De 1969 a 1979, foi correspondente rotativo no escritório regional da Agência France-Presse (AFP) em Beirute, onde cobriu, nomeadamente, a guerra civil jordano-palestiniana, o «Setembro Negro» de 1970, a nacionalização das instalações petrolíferas do Iraque e da Líbia (1972), cerca de uma dezena de golpes de Estado e sequestros de aviões, bem como a Guerra do Líbano (1975-1990), a 3.ª Guerra Árabe-Israelita de Outubro de 1973 e as primeiras negociações de paz entre o Egipto e Israel na Mena House, no Cairo (1979). De 1979 a 1989, foi responsável pela região árabe-muçulmana no serviço diplomático da AFP [ref. necessária], tendo-se tornado posteriormente conselheiro do director-geral da RMC Médio Oriente, encarregado da informação, de 1989 a 1995. Autor de «A Arábia Saudita, um reino das trevas» (Golias), «Do “Bougnoule” ao “selvagem”, viagem pelo imaginário francês» (Harmattan), «Hariri, de pai para filho, homens de negócios, primeiros-ministros» (Harmattan), «As revoluções árabes e a maldição de Camp David» (Bachari), «Media e Democracia: a captura do imaginário, um desafio do século XXI» (Golias). Desde 2013, é membro do grupo consultivo do Instituto Escandinavo dos Direitos Humanos (SIHR), com sede em Genebra. É ainda vice-presidente do Centro Internacional contra o Terrorismo (ICALT), em Genebra; presidente da associação de caridade LINA, que opera nos bairros do norte de Marselha, e presidente honorário da «Car tu y es libre» (Quartier libre), que trabalha para a promoção social e política das zonas periurbanas do departamento de Bouches-du-Rhône, no sul de França. Desde 2014, é consultor do Instituto Internacional para a Paz, a Justiça e os Direitos Humanos (IIPJDH), com sede em Genebra. Desde 1 de Setembro de 2014, é responsável pela coordenação editorial do site https://www.madaniya.info  e apresentador de uma rubrica semanal na Radio Galère (Marselha), às quintas-feiras, das 16h às 18h.

 

 

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Fonte: Palestine : L'espionnage pro-israélien, un métier d'avenir 1/2 - Madaniya

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice






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