Uma dinastia libidinosa: 1/2
Ilustração do rei Abdel Aziz, rei Saud, rei Abdullah
categoria: decifração-Arábia Saudita
autor: René Naba
Arábia Saudita: Uma dinastia libidinosa: 1/2
Por René Naba, autor do livro «A Arábia Saudita, um reino das
trevas» Edições Golias
Nota da Redação https://www.madaniya.info/
A Arábia Saudita
lançou uma campanha contra aquilo que ela qualifica de “pregadores do Ódio”,
que considera responsáveis pelo Islamofobia no Mundo, pensando assim
exonerar-se da sua própria responsabilidade nesta área devido à sua implicação,
por um lado, no atentado de 11 de Setembro de 2001 contra os símbolos da
hiperpotência americana – onde 15 dos 19 sequestradores eram de nacionalidade
saudita –, e à sua instrumentalização do Islão como arma de combate ao serviço
da estratégia ocidental; por outro lado, patrocinando nomeadamente a confraria
da Irmandade Muçulmana, a matriz original de todas as derivações degenerativas
dos grupos terroristas takfiristas, nomeadamente a Al Qaeda e os Talibãs, na
guerra anti-soviética no Afeganistão (1979-1989), bem como os Shabbas da
Somália, assim como os dignitários religiosos sauditas de rigor inquisitorial,
como foi o caso contra a Síria na sequência da chamada “Primavera árabe”
(2011-2023).
Anteriormente,
para se distinguir da Al Qaïda e do seu líder, Osama Bin Laden, o Reino havia
levado à falência a empresa de construção Ben Laden and co, pertencente à
família de Osama Bin Laden, responsável anteriormente pela construção, na
Arábia Saudita, de enormes bases militares e dos palácios reais. Durante meio
século, ou seja, desde o boom do petróleo de 1973 e os dólares do petróleo que
ele gerou, o Islão foi refém do wahabismo. Medina, Al Madina Al Mounawara, a
cidade iluminada, sustentou um Reino das trevas.
https://www.madaniya.info/ dedica um dossier em duas
partes à dinastia wahhabita e às Fatwas patológicas de alguns dos seus mais
eminentes dignitários religiosos, que foram na sua época “pregadores do ódio”.
Fim da Nota—------------
Arábia Saudita: Uma dinastia libidinosa: 1/2
A dinastia
wahhabita, que se pretendia a personificação da pureza islâmica enquanto
«Guardião dos Lugares Santos do Islão», revelou-se como uma dinastia
libidinosa, pelo menos os seus fundadores.
A atracção pelo
sexo parece ter sido, de facto, a marca registada da dinastia Al Saúd. Julguem
por vocês.
Abdel Aziz tinha
o hábito de passar uma noite de amor com uma mulher — apenas uma única noite de
amor — antes de a despedir. As mais sortudas tinham direito a várias noites
consecutivas antes de serem rejeitadas na anonimidade.
Nem a esposa do
seu irmão Mohamad, nem a viúva do seu irmão Saad, nem sequer a viúva do seu
inimigo íntimo, Saoud Ben Rachid, governador de Hael, escaparam ao seu ímpeto.
Mal acabou de
conquistar Hael que se apoderou da viúva de Ibn Rachid, Fahida Bint Al Assi Ben
Kleib Ben Chreim Al Rachid, para lhe dar um filho que não é outro senão…
Abdallah, o antigo Rei da Arábia.
Abdel Aziz assim
honrou, sem parar, as suas 38 mulheres, além de um número incalculável de
mulheres desconhecidas, enriquecendo o reino com uma descendência de 63 filhos.
Um número que não conta nem com os filhos que morreram na infância nem com os
filhos natimortos.
O mais estranho é
que o Rei Abdel Aziz, meio cego, paralítico, numa cadeira de rodas, conseguiu a
proeza de continuar a procriar: Moukren, Hazloul, Hammoud, Abta e Tarfa são o
fruto dos seus amores septuagenários, um dos milagres do fundador do Reino.
A - O Rei Saud:
43 esposas, 115 filhos / O Rei Abdel Aziz: 38 esposas, 63 filhos.
Saoud mostrou uma
clara preferência pelo sexo feminino, em todas as configurações, superando
nesse ponto todos os seus irmãos.
Segundo os
documentos oficiais, o 2º Rei da Arábia casou-se com 43 mulheres, deixando uma
abundante descendência de 115 filhos: 53 rapazes e 62 raparigas.
B- O Rei
Abdullah: 21 esposas, 63 filhos
A virilidade não
se limita ao pai fundador do Reino. O rei Abdullah, falecido em 2015,
demonstrou as suas grandes capacidades geradoras ao engendrar, aos 75 anos, um
menino Bandar, nascido em 1999, da sua esposa a princesa Haifa El Mehanna.
Bandar é o 63º filho do Rei Abdullah, fruto de 21 esposas.
C- 500.000
dólares por 15 minutos de conversa com Kristen Stewart e um milhão de dólares
por uma noite desejada com Brigitte Nielsen
A obsessão sexual
não era apanágio dos pais fundadores do Reino. Filhos e netos herdaram os
mesmos impulsos. O seu feito residia na competição a que se entregavam em
dólares despejados sobre as belezas de Hollywood. Histórias sem fim.
Inimagináveis. Sobre a sua estupidez e a sua inconsistência.
O antigo produtor
de filmes de Hollywood, Harvey Weinstein, um conhecedor nesta área, conta que
um príncipe saudita lhe ofereceu 500.000 dólares pelo privilégio de conversar
com a sua ídola Kristen Stewart. A atriz concordou, condicionando-o ao facto de
o príncipe doar meio milhão de dólares ao fundo de socorro às vítimas do Tufão
Sydney. Mark Young publicou, por sua vez, um livro intitulado «Saudi Bodyguard»
no qual este britânico, durante muito tempo responsável pela protecção dos
palácios de Al Saoud desde 1979, relata as desordens da dinastia, «as suas
perversões, a prostituição à qual alguns se entregam, os roubos e saques, os
vícios de álcool, drogas e jogo».
D- Khaled Ben
Sultan e o fantasma de Brigitte Nielsen. A história mais singular de que Mark
Young foi testemunha é a do antigo vice-ministro da defesa, Khaled Ben Sultan,
o antigo intermediário saudita do general americano Norman Schwarzkopf durante
a 1.ª guerra do Golfe (1990-1991), e proprietário do jornal «Al Hayat».
Fascinado pela
beleza de Brigitte Nielsen, na altura esposa do actor americano Sylvester
Stallone (também conhecido como Rambo), o generalíssimo, segundo o relato de
Young, terá tramado vários planos para passar uma noite de amor com a bela e
loira dinamarquesa. A ponto de oferecer um milhão de dólares por essa noite que
prometia ser ardente.
E- Abdel Aziz, ou
a transfiguração de um príncipe de juventude agitada em pregador wahhabita
O mais novo do
Rei Fahd, por sua vez, encantou-se pela actriz de televisão Yasmine Bleeth, de
origens judaicas. Abdel Aziz Ben Fahd gastou com ela uma quantia tão
significativa que teria sido suficiente para erradicar de vez o problema das
solteironas no Reino.
Companheiro
festivo do antigo primeiro-ministro libanês Saad Hariri, as suas aventuras
parisienses valeram-lhe a proibição de permanecer num grande palácio na capital
francesa. No final de uma juventude turbulenta, Abdel Aziz fez um acto de
contricção e arrependimento: deixou crescer a barba e tornou-se pregador
wahabita, financiador do canal takfiri "Wissal" (o link).
F- Salman e
Sylvia Kristel
Tal como Khaled
Ben Sultan, antigo vice-ministro da defesa e interface saudita do general
norte-americano Norman Schwarzkopf durante a 1.ª Guerra do Golfo (1990-1991),
proprietário do jornal "Al Hayat", que fantasiava com Brigitte
Nielsen, Salman, dono do Sharq Al Awsat, projectava as suas fantasias em Sylvia
Kristel, actriz do filme "Emmanuelle", um filme tormentoso na altura.
Marc Young, um
antigo segurança da família real saudita, no seu livro «Body Guard», conta que
Khaled Ben Sultan se apaixonou por Brigitte Nielsen, ex-mulher do actor
americano Sylvester Stallone (também conhecido como Rambo), a ponto de oferecer
1 milhão de dólares por uma noite que prometia ser ardente com a bela e loira actriz
dinamarquesa. Esta proposta, por si só indecente, acabou por se concretizar
numa certa noite de Junho de 1997, num luxuoso hotel da Croisette.
Antes disso, o
Rei Salman, na altura governador de Riad, tinha-se apaixonado por Sylvia
Kristel. O seu intermediário, um falso playboy libanês, arrecadou para esta
operação a quantia de quinhentos mil dólares, com o bónus de obter frequência
numa estação comunitária em Paris, tornando a sua estação a mais importante de
língua árabe no espaço francófono.
Primeira rádio
comunitária de língua árabe da Europa continental e, pela sua localização, a
primeira rádio de língua árabe da Europa, a Radio-Orient, emitindo a partir de
Paris, um meio off-shore por excelência, constituiu durante muito tempo um
pavilhão de complacência numa zona sem lei, um condensado da história da
comunicação e das relações triangularmente auxiliares entre Paris, as
petro-monarquias do golfo e o empresário bilionário luso-saudita.
http://www.madaniya.info/2016/03/08/salmane-israel-2-3-moujtahed-acte-3/
Esta hiperactividade
hormonal principesca ocorreu numa época em que o seu antigo «office boy»
Oussama Bin Laden, chefe da Al Qaida, vivia a sua ruptura com os seus Mestres
wahhabitas. Mas a libido das suas altezas não tem preço. Ela não se importava
absolutamente com essa ruptura, que mais tarde povoaria de pesadelos o sono dos
gerontocratas do Golfo e provocaria uma profunda perturbação na geo-estratégia mundial.
Por outro lado,
as execuções na Arábia Saudita quase duplicaram durante o reinado do rei Salman
e do seu filho Mohammad, governante de facto do reino, segundo duas
organizações de defesa dos direitos humanos.
O número de execuções na monarquia do Golfo passou de uma média de 70,8 por ano, entre 2010 e 2014, para 129,5 por ano desde a chegada ao poder do actual rei em 2015, indica um relatório publicado na terça-feira pela organização britânica Reprieve e pela Organização Saudita Europeia para os Direitos Humanos (European Saudi Organization for Human Rights – ESOHR).
Cf este link!
https://www.middleeasteye.net/fr/actu-et-enquetes/arabie-saoudite-flambee-executions-peine-capitale-salmane-mbs-mineurs-femmes-droits-de-lhomme
Para ir mais
longe sobre a Arábia Saudita :
https://www.madaniya.info/2019/10/02/arabie-saoudite-un-royaume-de-coupeurs-de-tetes-1-2/
L'Arabie
saoudite: Une illustration caricaturale de la réalité paralytique arabe
https://www.renenaba.com/arabie-saoudite-un-royaume-en-plein-desarroi-en-pleine-convulsion/
Fonte : https://www.madaniya.info/
Este
artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice



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