quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Uma dinastia libidinosa: 1/2

 


Uma dinastia libidinosa: 1/2

 

Ilustração do rei Abdel Aziz, rei Saud, rei Abdullah

categoria: decifração-Arábia Saudita

autor: René Naba

Arábia Saudita: Uma dinastia libidinosa: 1/2

Por René Naba, autor do livro «A Arábia Saudita, um reino das trevas» Edições Golias

 

Nota da Redação https://www.madaniya.info/

 

A Arábia Saudita lançou uma campanha contra aquilo que ela qualifica de “pregadores do Ódio”, que considera responsáveis pelo Islamofobia no Mundo, pensando assim exonerar-se da sua própria responsabilidade nesta área devido à sua implicação, por um lado, no atentado de 11 de Setembro de 2001 contra os símbolos da hiperpotência americana – onde 15 dos 19 sequestradores eram de nacionalidade saudita –, e à sua instrumentalização do Islão como arma de combate ao serviço da estratégia ocidental; por outro lado, patrocinando nomeadamente a confraria da Irmandade Muçulmana, a matriz original de todas as derivações degenerativas dos grupos terroristas takfiristas, nomeadamente a Al Qaeda e os Talibãs, na guerra anti-soviética no Afeganistão (1979-1989), bem como os Shabbas da Somália, assim como os dignitários religiosos sauditas de rigor inquisitorial, como foi o caso contra a Síria na sequência da chamada “Primavera árabe” (2011-2023).

 

Anteriormente, para se distinguir da Al Qaïda e do seu líder, Osama Bin Laden, o Reino havia levado à falência a empresa de construção Ben Laden and co, pertencente à família de Osama Bin Laden, responsável anteriormente pela construção, na Arábia Saudita, de enormes bases militares e dos palácios reais. Durante meio século, ou seja, desde o boom do petróleo de 1973 e os dólares do petróleo que ele gerou, o Islão foi refém do wahabismo. Medina, Al Madina Al Mounawara, a cidade iluminada, sustentou um Reino das trevas.

https://www.madaniya.info/ dedica um dossier em duas partes à dinastia wahhabita e às Fatwas patológicas de alguns dos seus mais eminentes dignitários religiosos, que foram na sua época “pregadores do ódio”.

Fim da Nota—------------

 

 


Arábia Saudita: Uma dinastia libidinosa: 1/2

A dinastia wahhabita, que se pretendia a personificação da pureza islâmica enquanto «Guardião dos Lugares Santos do Islão», revelou-se como uma dinastia libidinosa, pelo menos os seus fundadores.

A atracção pelo sexo parece ter sido, de facto, a marca registada da dinastia Al Saúd. Julguem por vocês.

Abdel Aziz tinha o hábito de passar uma noite de amor com uma mulher — apenas uma única noite de amor — antes de a despedir. As mais sortudas tinham direito a várias noites consecutivas antes de serem rejeitadas na anonimidade.

Nem a esposa do seu irmão Mohamad, nem a viúva do seu irmão Saad, nem sequer a viúva do seu inimigo íntimo, Saoud Ben Rachid, governador de Hael, escaparam ao seu ímpeto.

Mal acabou de conquistar Hael que se apoderou da viúva de Ibn Rachid, Fahida Bint Al Assi Ben Kleib Ben Chreim Al Rachid, para lhe dar um filho que não é outro senão… Abdallah, o antigo Rei da Arábia.

Abdel Aziz assim honrou, sem parar, as suas 38 mulheres, além de um número incalculável de mulheres desconhecidas, enriquecendo o reino com uma descendência de 63 filhos. Um número que não conta nem com os filhos que morreram na infância nem com os filhos natimortos.

O mais estranho é que o Rei Abdel Aziz, meio cego, paralítico, numa cadeira de rodas, conseguiu a proeza de continuar a procriar: Moukren, Hazloul, Hammoud, Abta e Tarfa são o fruto dos seus amores septuagenários, um dos milagres do fundador do Reino.

A - O Rei Saud: 43 esposas, 115 filhos / O Rei Abdel Aziz: 38 esposas, 63 filhos.

Saoud mostrou uma clara preferência pelo sexo feminino, em todas as configurações, superando nesse ponto todos os seus irmãos.

 

Segundo os documentos oficiais, o 2º Rei da Arábia casou-se com 43 mulheres, deixando uma abundante descendência de 115 filhos: 53 rapazes e 62 raparigas.

B- O Rei Abdullah: 21 esposas, 63 filhos

A virilidade não se limita ao pai fundador do Reino. O rei Abdullah, falecido em 2015, demonstrou as suas grandes capacidades geradoras ao engendrar, aos 75 anos, um menino Bandar, nascido em 1999, da sua esposa a princesa Haifa El Mehanna. Bandar é o 63º filho do Rei Abdullah, fruto de 21 esposas.

C- 500.000 dólares por 15 minutos de conversa com Kristen Stewart e um milhão de dólares por uma noite desejada com Brigitte Nielsen

A obsessão sexual não era apanágio dos pais fundadores do Reino. Filhos e netos herdaram os mesmos impulsos. O seu feito residia na competição a que se entregavam em dólares despejados sobre as belezas de Hollywood. Histórias sem fim. Inimagináveis. Sobre a sua estupidez e a sua inconsistência.

O antigo produtor de filmes de Hollywood, Harvey Weinstein, um conhecedor nesta área, conta que um príncipe saudita lhe ofereceu 500.000 dólares pelo privilégio de conversar com a sua ídola Kristen Stewart. A atriz concordou, condicionando-o ao facto de o príncipe doar meio milhão de dólares ao fundo de socorro às vítimas do Tufão Sydney. Mark Young publicou, por sua vez, um livro intitulado «Saudi Bodyguard» no qual este britânico, durante muito tempo responsável pela protecção dos palácios de Al Saoud desde 1979, relata as desordens da dinastia, «as suas perversões, a prostituição à qual alguns se entregam, os roubos e saques, os vícios de álcool, drogas e jogo».

D- Khaled Ben Sultan e o fantasma de Brigitte Nielsen. A história mais singular de que Mark Young foi testemunha é a do antigo vice-ministro da defesa, Khaled Ben Sultan, o antigo intermediário saudita do general americano Norman Schwarzkopf durante a 1.ª guerra do Golfe (1990-1991), e proprietário do jornal «Al Hayat».

Fascinado pela beleza de Brigitte Nielsen, na altura esposa do actor americano Sylvester Stallone (também conhecido como Rambo), o generalíssimo, segundo o relato de Young, terá tramado vários planos para passar uma noite de amor com a bela e loira dinamarquesa. A ponto de oferecer um milhão de dólares por essa noite que prometia ser ardente.

E- Abdel Aziz, ou a transfiguração de um príncipe de juventude agitada em pregador wahhabita

O mais novo do Rei Fahd, por sua vez, encantou-se pela actriz de televisão Yasmine Bleeth, de origens judaicas. Abdel Aziz Ben Fahd gastou com ela uma quantia tão significativa que teria sido suficiente para erradicar de vez o problema das solteironas no Reino.

Companheiro festivo do antigo primeiro-ministro libanês Saad Hariri, as suas aventuras parisienses valeram-lhe a proibição de permanecer num grande palácio na capital francesa. No final de uma juventude turbulenta, Abdel Aziz fez um acto de contricção e arrependimento: deixou crescer a barba e tornou-se pregador wahabita, financiador do canal takfiri "Wissal" (o link).

F- Salman e Sylvia Kristel

Tal como Khaled Ben Sultan, antigo vice-ministro da defesa e interface saudita do general norte-americano Norman Schwarzkopf durante a 1.ª Guerra do Golfo (1990-1991), proprietário do jornal "Al Hayat", que fantasiava com Brigitte Nielsen, Salman, dono do Sharq Al Awsat, projectava as suas fantasias em Sylvia Kristel, actriz do filme "Emmanuelle", um filme tormentoso na altura.

Marc Young, um antigo segurança da família real saudita, no seu livro «Body Guard», conta que Khaled Ben Sultan se apaixonou por Brigitte Nielsen, ex-mulher do actor americano Sylvester Stallone (também conhecido como Rambo), a ponto de oferecer 1 milhão de dólares por uma noite que prometia ser ardente com a bela e loira actriz dinamarquesa. Esta proposta, por si só indecente, acabou por se concretizar numa certa noite de Junho de 1997, num luxuoso hotel da Croisette.

Antes disso, o Rei Salman, na altura governador de Riad, tinha-se apaixonado por Sylvia Kristel. O seu intermediário, um falso playboy libanês, arrecadou para esta operação a quantia de quinhentos mil dólares, com o bónus de obter frequência numa estação comunitária em Paris, tornando a sua estação a mais importante de língua árabe no espaço francófono.

Primeira rádio comunitária de língua árabe da Europa continental e, pela sua localização, a primeira rádio de língua árabe da Europa, a Radio-Orient, emitindo a partir de Paris, um meio off-shore por excelência, constituiu durante muito tempo um pavilhão de complacência numa zona sem lei, um condensado da história da comunicação e das relações triangularmente auxiliares entre Paris, as petro-monarquias do golfo e o empresário bilionário luso-saudita.

http://www.madaniya.info/2016/03/08/salmane-israel-2-3-moujtahed-acte-3/ 

 

Esta hiperactividade hormonal principesca ocorreu numa época em que o seu antigo «office boy» Oussama Bin Laden, chefe da Al Qaida, vivia a sua ruptura com os seus Mestres wahhabitas. Mas a libido das suas altezas não tem preço. Ela não se importava absolutamente com essa ruptura, que mais tarde povoaria de pesadelos o sono dos gerontocratas do Golfo e provocaria uma profunda perturbação na geo-estratégia mundial.

Por outro lado, as execuções na Arábia Saudita quase duplicaram durante o reinado do rei Salman e do seu filho Mohammad, governante de facto do reino, segundo duas organizações de defesa dos direitos humanos.

O número de execuções na monarquia do Golfo passou de uma média de 70,8 por ano, entre 2010 e 2014, para 129,5 por ano desde a chegada ao poder do actual rei em 2015, indica um relatório publicado na terça-feira pela organização britânica Reprieve e pela Organização Saudita Europeia para os Direitos Humanos (European Saudi Organization for Human Rights – ESOHR).

Cf este link! https://www.middleeasteye.net/fr/actu-et-enquetes/arabie-saoudite-flambee-executions-peine-capitale-salmane-mbs-mineurs-femmes-droits-de-lhomme

Para ir mais longe sobre a Arábia Saudita :

https://www.madaniya.info/2019/10/02/arabie-saoudite-un-royaume-de-coupeurs-de-tetes-1-2/

https://www.madaniya.info/2021/09/13/larabie-saoudite-parrain-absolu-de-la-normalisation-israelo-arabe-sous-la-presidence-de-donald-trump/

L'Arabie saoudite: Une illustration caricaturale de la réalité paralytique arabe

https://www.renenaba.com/arabie-saoudite-un-royaume-en-plein-desarroi-en-pleine-convulsion/

https://www.madaniya.info/2017/11/10/la-prise-d-otages-politique-une-pratique-courante-en-arabie-saoudite/

 

Fonte : https://www.madaniya.info/

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




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