Críticas ao grupo " Communist Prometheus" e
comentários sobre a IGCL
26 de Setembro de 2026 Robert Bibeau
Por Normand Bibeau e Robert Bibeau.
Os
camaradas da IGCL parecem
apresentar a análise do Grupo " Communist Prometheus " e do seu
"Manifesto", "olhos fixos no espelho retrovisor" (Que
o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Sobre uma nova publicação
revolucionária: Communist Prometheus) como se o passado determinasse o
presente segundo uma lógica ideológica rígida, determinista e
"genealógica" como: "diz-me quem são os teus antepassados, eu digo-te quem
és"; Tens sangue vermelho ou sangue azul?" Completado com: "Confessaste com boa auto-crítica para
receber perdão e redenção da organização?"
Assim,
esta "análise retrospectiva" do tipo "Maoista", que não é
uma "análise retrospectiva da CLASSE", não nos diz nada de concreto
sobre o que estes camaradas do " Communist Prometheus " (Que
o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Sobre uma nova publicação
revolucionária: Communist Prometheus) fazem na vida
para se sustentarem e a que CLASSE SOCIAL pertencem: são académicos, titulares
de cátedras de investigação subsidiadas pela USAID ou pela CIA? São
sindicalistas corporativistas aristocráticos operários?
Ou, pelo contrário, são proletários
implantados nas suas fábricas, hospitais, escolas, etc., onde lutam, ombro a
ombro, com os seus camaradas contra a ditadura do capital? São estudantes
revolucionários que lutam, ombro a ombro, com os seus camaradas, na sua
instituição de ensino para apoiar a luta proletária? São intelectuais
comunistas, apaixonados pela ideologia marxista, que lutam, ombro a ombro, com
os seus camaradas, ao serviço da revolução proletária? Diz-me o que estás a
fazer, eu digo-te quem és.
Isto ter-nos-ía permitido saber com quem estávamos a lidar e quem eram estes camaradas do Grupo "Communist Prometheus"... Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Sobre uma nova publicação revolucionária: Communist Prometheus
Lenine
escreveu:
«Não é pelas suas
palavras, mas pelos seus actos que as partes devem ser julgadas – não se deve
olhar para os seus alferes, mas para a classe social que cada partido
serve." (re: Pravda, 22 de Maio de 1922;
Obras Completas, Volume 2; istmat.org)
Marx escreveu em "O 18 de Brumário
de Luís Bonaparte":
«E assim como, na vida privada, se distingue entre o que um homem diz de si
próprio e o que ele realmente é e faz, assim, nas lutas históricas, é ainda
mais necessário distinguir as frases e quimeras dos partidos da sua própria
estrutura real e dos seus interesses reais, a concepção que têm de si próprios
da sua realidade […] não eram princípios supostamente políticos, eram as suas
condições materiais de existência, duas formas diferentes de propriedade».
(traduzido do alemão, MEW, tomo 8, p.115)
ENGELS escreveu em "Revolução e
Contra-Revolução na Alemanha":
«E se os seus próprios
discursos e escritos — na medida em que puderam escrever — não o provaram
suficientemente, OS SEUS ACTOS forneceram prova disso; pois é evidente entre
pessoas razoáveis que um homem deve ser julgado não pelas suas palavras, mas
pelos seus actos, não pelo que finge ser, mas pelo que faz e pelo que realmente
é."
(re: MEW, Band 8, p.80; a letra grande é nossa)
ENGELS também escreveu sobre o mesmo
assunto:
« … É
regra entre pessoas sensatas julgar um homem não pelas suas profissões de fé,
mas pelas suas acções; não pelo que finge ser, mas pelo que faz e pelo que
realmente é."
(New York Tribune; International Publishers, Nova Iorque, 1933, p.93)
Em
"Introdução
às Lutas de Classes em França"
(1895), Engels escreveu:
«O método materialista
deve, aqui, muitas vezes limitar-se a reduzir os conflitos políticos a
conflitos de interesse entre as classes sociais e as fracções de classe de um
determinado desenvolvimento económico e a demonstrar que os diferentes partidos
políticos são a expressão política mais ou menos adequada dessas mesmas classes
e fracções."
(re:marxists.org)
Marx e Engels escreveram:
«Para compreender um
partido, é preciso ir além do seu programa e procurar as relações sociais e os interesses
de classe que explicam a sua existência e comportamento" (marxists.org: "Sobre a História da Liga
Comunista," 1885).
No "Manifesto Comunista", Marx e Engels
escreveram:
«Nas lutas nacionais,
proletários de diferentes países [comunistas] defendem e afirmam os interesses
comuns de todo o proletariado, independentemente de qualquer nacionalidade. […]
OS PROLETÁRIOS NÃO TÊM PÁTRIA. […] A acção conjunta, pelo menos nos países civilizados,
é uma das primeiras condições para a emancipação do proletariado. […] (re:dhspriory.org, Manifesto Comunista, cap.2)
Lenine escreveu na sua "Carta aos Operários
e Camponeses a propósito da Vitória sobre Kolchak" em 1919:
«É tempo de aprender a
avaliar os partidos políticos pelas suas acções e não pelas suas palavras.
Chamando-se socialistas, os mencheviques e socialistas-revolucionários são na
realidade auxiliares dos Brancos, dos latifundiários e dos capitalistas." (re: Obras Completas de Lenine, vol.29, p.167)
Já em 1913, Lenine escreveu:
«Cometemos constantemente
o erro de julgar as palavras de ordem e tácticas deste ou daquele grupo, de
julgar a sua orientação geral, de acordo com as intenções ou motivos que o
grupo atribui a si próprio. Tal avaliação é inútil. […] Não se trata de
intenções, motivos ou palavras, mas sim da situação objectiva, independente
delas. […] não é a intenção subjectiva que determina o significado político de
um partido, mas a sua posição objectiva"
(re: "Parole ou acte", 1913, Lenine, Obras Completas, vol.19,
p.262-265).
Comentando as limitações inerentes à
sociedade pequeno-burguesa, Lenine escreveu:
«a sua incapacidade de
analisar os diferentes partidos do ponto de vista da classe. Nenhuma táctica
que se preze pode ser desenvolvida sem tal análise. [as massas] devem ser
ensinadas, desde a tribuna da Duma, a distinguir claramente entre partidos e a
compreender as suas raízes de classe..."
(re: marxists.org:Petty – Bourgeois Tactics")
Em resumo, o MARXISMO ensina,
cientificamente, que se deve analisar qualquer partido ou organização política
de acordo com:
1- a sua composição e estrutura social em termos de CLASSE SOCIAL;
2- o que ele realmente faz na prática;
3- o seu programa e o que ele diz sobre si próprio;
4- os verdadeiros interesses da classe que representa.
Embora palavras e origens sejam
elementos a avaliar na determinação da natureza de classe de um partido
político, não devem de forma alguma substituir a análise concreta da composição
e prática de classe de qualquer partido ou organização política, de modo a
determinar se é proletária ou não.
« Communist Prometheus " apresenta-se como "um grupo marxista revolucionário", dissidente do Partido Comunista Internacionalista Italiano, que publicou a sua primeira edição: " Communist Prometheus ", n.º 1, a 12 de Junho de 2026, que pode ser lida no site "compromist.org".
Sucintamente, o seu programa pode ser
resumido nos seguintes termos:
1- reivindicam ser de Marx, Engels, Lenine e dos dois primeiros Congressos da Internacional Comunista;
2- da "Esquerda Comunista Italiana" e "certos grupos comunistas russos pós-soviéticos";
3- anti-estalinistas e anti-trotskistas;
4- que a URSS teria passado por uma "contra-revolução burguesa" com a tomada do poder por Estaline e a sua nomenklatura, "transformando-a" numa sociedade capitalista;
5- "Hoje o proletariado não tem o seu próprio partido" que deve ser construído "internacionalmente", para o qual se compromete a contribuir activamente;
6- O capitalismo cumpriu o seu papel histórico;
7- a humanidade encontra-se na época do "imperialismo", enquanto os Estados-nação estão plenamente constituídos e são reaccionários por natureza de classe;
(8) O proletariado não deve apoiar qualquer burguesia nacional;
9- o seu lema central é o dos Espartacistas: "O principal inimigo está no nosso próprio país";
10- O "derrotismo revolucionário" leninista deve ser apoiado tacticamente.
(re: compro.org: Manifesto de Janeiro de 2026)
Assim, na guerra Ucrânia-Rússia, defendem que nenhum dos dois campos imperialistas
deve ser apoiado: nem o imperialismo russo nem o ocidental; nem Moscovo, nem
Kiev, nem Washington/NATO: "luta de classes independente para o
proletariado em todos os países" (re: comprom.org: Panoram international,
abril de 2026, 05/8/2026)
Em "Irán como centro neurálgico de
la crisis del imperialismo", defendem que "o proletariado iraniano
deve lutar simultaneamente contra a sua própria burguesia e contra a
intervenção imperialista estrangeira", de acordo com os princípios
leninistas.
Eles
definem "a China como entrando na fase clássica do imperialismo",
onde a
enorme acumulação de capital "chinês" agora domina a sua exportação, o que a coloca em rivalidade inter-imperialista com
os seus rivais, os EUA. Na sua mente, para eles, o "maoísmo" é uma
ideologia reaccionária de falso "socialismo".
Na
sua análise de Abril de 2026, referem-se a "um conflito central"
entre o "capital americano" e o "capital chinês" e
descrevem as diferentes facções do "capital" em luta entre si,
denunciando o que chamam de "campistas",
ou seja, apoiando o "capital chinês" contra o "capital
americano", o que é "contrário à independência do proletariado e
contra-revolucionário".
Sem abordar a causa da
"Palestina", concluem que o "capital israelita-americano"
em guerra com o "capital iraniano-russo e chinês" está a travar uma
guerra para tomar "os corredores comerciais; IMEC; dos recursos
energéticos e redes logísticas" do Médio Oriente, reivindicando uma
análise "burgueses versus proletariado" acima do
"nacionalismo".
Em relação à NATO, ele considera-a como
«uma aliança militar dos Estados imperialistas ocidentais» oposta à Rússia, à
China ou a quem quer que se oponha à sua hegemonia, mas eles apoiam:
"Nenhuma aliança inter-classes nem nenhum bloco militar burguês deve
receber o apoio político do proletariado" (re:comprm.org: Manifesto do
Grupo " Communist Promotheus ")
No
que diz respeito à questão decisiva da formação do PARTIDO
PROLETÁRIO INTERNACIONALISTA, que deve organizar e
dirigir o proletariado para transformar as suas "lutas de classes
embrionárias nas frentes económicas, ideológicas e políticas e as suas
insurreições populares até à revolução proletária" para derrubar a
ditadura da burguesia e estabelecer a sua própria ditadura de classe sobre as
suas ruínas fumegantes, os camaradas do " Communist Prometheus " que
analisam o mundo a partir de uma perspectiva "nacional burguesa":
"capital americano" versus "capital chinês"; "Capital
israelo-americano" versus "capital iraniano"; "NATO
ocidental" versus "China, Rússia, etc.", muda estranhamente de
registo e este "mundo" "nacional" torna-se um "mundo
internacional".
"o Partido Comunista Mundial não
existe hoje [...] eles próprios não são o seu único núcleo", as suas actividades
são apenas uma contribuição para o movimento prático destinado a criar este
partido, um objectivo necessário para uma revolução proletária bem-sucedida.
Além
disso, esta inescapável e, no mínimo, exigente, e até inalcançável,
"exigência" do "internacionalismo" faz parte da sua teoria
de que o crime "contra-revolucionário" do estalinismo não foi
estabelecer a ditadura dos aparatchiks do PCUS ao serviço da burguesia
soviética, mas sim "querer
construir o socialismo num só país".
Este obrigatório
"internacionalismo" organizacional do "Partido Comunista"
opõe-se à teoria leninista do "internacionalismo proletário", que
consiste em:
«O INTERNACIONALISMO em actos é um e único: trabalhar com abnegação no
desenvolvimento do movimento revolucionário e da luta revolucionária no seu
próprio país, apoiar (por propaganda, simpatia e materialmente) essa mesma
luta, essa mesma linha, e só ela, em todos os países sem excepção». (ref:
marxists.org)
Fonte: Critique
du groupe « Communist Prometheus » et commentaires sur le GIGC – les
7 du quebec
Este
artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice

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