A Arábia
Saudita, um Reino das trevas
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Este é o título da última obra de René Naba. Nada a ver com os últimos bestsellers sobre o vizinho Qatar, muito mediático e muito insignificante. A Arábia Saudita é coisa séria, difícil de decifrar.
Escondida nas profundezas das trevas
da inquisição e do horror, esta monarquia obscurantista está à prova de
qualquer crítica porque é a mais rica e, portanto, a mais influente do planeta.
Nenhum grito de socorro chega a Paris, nenhum político, nenhum filósofo, nenhum
jornalista, nenhuma esposa de Presidente, nenhum grupo de bem-intencionados
encontrou coragem para denunciar este regime de insulto permanente aos Direitos
Humanos.
O Reino beneficia de uma impunidade
à altura da sua riqueza: sem limites. Primeiro exportador de petróleo, primeiro
importador de armas, este país é também o polo de atracção de um milhar e meio
de milhões de muçulmanos a quem a lei de Alá prescreve que façam a peregrinação
pelo menos uma vez na vida. Meca não é um santuário com extra-territorialidade,
é propriedade privada da casa de Saud, que concede a seu bel-prazer o precioso
visto de entrada para o paraíso.
René Naba é um jornalista rigoroso e
intransigente. Num percurso de vida profissional em França e no Levante,
procura-se em vão qualquer fraqueza ou compromisso da sua parte. Os seus
escritos são temidos porque a demonstração inesperada está sempre
implacavelmente documentada. Não é do tipo que molha a sua pena em água de
rosas; as suas formulações ácidas fazem ranger os dentes — "agora ele
exagera", pensa-se no início da página, para acabar por admitir algumas
linhas mais à frente que ele tem razão. O seu livro está cheio de referências
precisas e de notas detalhadas.
O museu dos horrores da Arábia é
único e as pessoas sensíveis são convidadas a saltar alguns parágrafos. Naba
poderia ter feito mel com a enumeração das aberrações assustadoras do Reino e
dedicado toda a sua obra a isso, mas não cedeu a essa facilidade. Ele amplia a
sua observação do reino wahhabita a todo o mundo árabe, aborda com perspicácia
todas as incidências na periferia da Península Arábica e as interligações em
forma de bonecas russas de que os sauditas são os artífices.
A raça dos petro-monarcas
analfabetos está à beira da extinção. O rei mais velho do planeta será sucedido
por um "erudito" que sabe conduzir um carro, ler inglês e digitar no
teclado. Os netos do patriarca reinante conhecem o poder formidável do Reino.
Terão a audácia de o usar para emancipar o seu país e dar-lhe as chaves da
justiça e do renascimento dos mundos árabe e muçulmano? É uma esperança secreta.
Allah Karim! (misericordioso) Ou, pelo contrário, serão eles os progenitores de
uma civilização de obscurantismo e violência?
Há alguns dias, os sauditas recusaram-se a sentar-se no Conselho de Segurança das Nações Unidas. É um gesto de uma audácia sem precedentes na diplomacia mundial.
Riade pretende protestar - não contra a ocupação da Palestina por Israel -
mas contra a paz na Síria!
Para esclarecer um absurdo Reino das Trevas: René Naba.
Fonte: L'Arabie
Saoudite, un Royaume des ténèbres | Le Club de Mediapart
Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice
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