sábado, 26 de setembro de 2026

A Arábia Saudita, um Reino das trevas

 


A Arábia Saudita, um Reino das trevas

 

HEDY BELHASSINE

Assinante do Mediapart

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Este é o título da última obra de René Naba. Nada a ver com os últimos bestsellers sobre o vizinho Qatar, muito mediático e muito insignificante. A Arábia Saudita é coisa séria, difícil de decifrar. 

Escondida nas profundezas das trevas da inquisição e do horror, esta monarquia obscurantista está à prova de qualquer crítica porque é a mais rica e, portanto, a mais influente do planeta. Nenhum grito de socorro chega a Paris, nenhum político, nenhum filósofo, nenhum jornalista, nenhuma esposa de Presidente, nenhum grupo de bem-intencionados encontrou coragem para denunciar este regime de insulto permanente aos Direitos Humanos.

O Reino beneficia de uma impunidade à altura da sua riqueza: sem limites. Primeiro exportador de petróleo, primeiro importador de armas, este país é também o polo de atracção de um milhar e meio de milhões de muçulmanos a quem a lei de Alá prescreve que façam a peregrinação pelo menos uma vez na vida. Meca não é um santuário com extra-territorialidade, é propriedade privada da casa de Saud, que concede a seu bel-prazer o precioso visto de entrada para o paraíso.

René Naba é um jornalista rigoroso e intransigente. Num percurso de vida profissional em França e no Levante, procura-se em vão qualquer fraqueza ou compromisso da sua parte. Os seus escritos são temidos porque a demonstração inesperada está sempre implacavelmente documentada. Não é do tipo que molha a sua pena em água de rosas; as suas formulações ácidas fazem ranger os dentes — "agora ele exagera", pensa-se no início da página, para acabar por admitir algumas linhas mais à frente que ele tem razão. O seu livro está cheio de referências precisas e de notas detalhadas.

O museu dos horrores da Arábia é único e as pessoas sensíveis são convidadas a saltar alguns parágrafos. Naba poderia ter feito mel com a enumeração das aberrações assustadoras do Reino e dedicado toda a sua obra a isso, mas não cedeu a essa facilidade. Ele amplia a sua observação do reino wahhabita a todo o mundo árabe, aborda com perspicácia todas as incidências na periferia da Península Arábica e as interligações em forma de bonecas russas de que os sauditas são os artífices.

A raça dos petro-monarcas analfabetos está à beira da extinção. O rei mais velho do planeta será sucedido por um "erudito" que sabe conduzir um carro, ler inglês e digitar no teclado. Os netos do patriarca reinante conhecem o poder formidável do Reino. Terão a audácia de o usar para emancipar o seu país e dar-lhe as chaves da justiça e do renascimento dos mundos árabe e muçulmano? É uma esperança secreta. Allah Karim! (misericordioso) Ou, pelo contrário, serão eles os progenitores de uma civilização de obscurantismo e violência?

Há alguns dias, os sauditas recusaram-se a sentar-se no Conselho de Segurança das Nações Unidas. É um gesto de uma audácia sem precedentes na diplomacia mundial. 

Riade pretende protestar - não contra a ocupação da Palestina por Israel - mas contra a paz na Síria! 

Para esclarecer um absurdo Reino das Trevas: René Naba.

 

Fonte: L'Arabie Saoudite, un Royaume des ténèbres | Le Club de Mediapart

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




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