sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Guerras e vagas de calor do Verão de 2026: a catástrofe que se aproxima

 


Guerras e vagas de calor do Verão de 2026: a catástrofe que se aproxima

O futuro está a tornar-se sombrio dia após dia. Guerras, crises, endividamento exponencial generalizado [1], misérias, exploração crescente, bombardeamentos e massacres de civis, limpezas étnicas, emigrações em massa e repressões afectam todos os continentes [2]. E agora, o aquecimento global e a deterioração do planeta têm efeitos directos e massivos sobre o proletariado internacional. O Verão de 2026 marcou as mentes e provocou angústias silenciosas em muitos. Socialismo ou barbárie dizia Rosa Luxemburgo. Aqui estamos.

Todas as potências imperialistas, ou seja, todos os Estados e nações capitalistas, lançam-se numa corrida desenfreada ao armamento. Já surgem novos meios de destruição que actuam de imediato: drones guiados por IA, mísseis hipersónicos, etc. As guerras na Ucrânia-Rússia e no Médio Oriente intensificam-se, parecendo que nunca mais irão terminar. E são cada vez mais as populações civis das grandes cidades que são alvo, tanto na Ucrânia como na Rússia. O mesmo acontece no Irão. Em Gaza, na Cisjordânia e no Líbano, o exército israelita e os colonos descontrolam-se, destruindo sistematicamente aldeias e casas, e semeando o terror. Mesmo a imprensa burguesa, ocidental em particular, já não consegue ocultar o genocídio em Gaza e a limpeza étnica em curso na Cisjordânia. África, a guerra no Sudão só para citar um exemplo, atravessa massacres em massa.

O Verão de 2026 também destacou uma consequência das alterações climáticas, nomeadamente a multiplicação das vagas de calor extremo. Estas têm graves repercussões nas populações e na agricultura. Como K. Marx já sublinhava em 1844[3], o capitalismo separa e opõe "o homem e a natureza". Esta deterioração ambiental e climática tem, portanto, a sua própria dinâmica. Mas, devido à crise e ao caminho para a guerra, a burguesia já não tem nem sequer os meios para travar a destruição da natureza. O acordo internacional de Paris sobre a redução das emissões de gases com efeito estufa, assinado em 2015, já não se aplica. A prioridade vai para os gastos com defesa e militares. Como resultado, a questão climática torna-se, por sua vez, um elemento, produto e factor das rivalidades imperialistas e do caminho para a guerra. Para dar um exemplo, as secas fazem, e vão fazer, do acesso à água uma luta generalizada entre todos os imperialismos, grandes, médios e pequenos.

Todos esses males e dramas, os que já existem e os que ainda serão mais numerosos, têm apenas uma causa: o modo de produção capitalista. E apenas um responsável: a classe capitalista. Designar a burguesia mundial significa que nem o capitalismo, nem os males que ele provoca são uma fatalidade. Um facto consumado. Algo de… próprio da « natureza humana ». Ou ainda natural. O capitalismo é uma relação social. Uma relação entre seres humanos, eles próprios seres sociais.

Denunciar a classe dominante significa reconhecer que essa relação social é também um antagonismo social. É um chamado a lutar contra as condições cada vez mais difíceis que o capitalismo e a classe social que o personifica impõem à principal classe explorada: o proletariado internacional; e, por detrás, às populações em geral.

O proletariado não luta contra a ideia da iniquidade e injustiça do capitalismo; nem contra a ideia da guerra, nem contra a ideia ou a ameaça de catástrofes, incluindo as relacionadas com o clima. O proletariado luta, e deve lutar, contra todas as consequências materiais do modo de produção capitalista nas suas condições de vida e de trabalho. 

As guerras em curso e as catástrofes climáticas fazem com que o tempo acelere perigosamente. Recusar qualquer tipo de sacrifício é o primeiro passo para o proletariado internacional, para travar a dinâmica rumo à guerra generalizada e abrir o caminho para a destruição do capitalismo, que só ele pode realizar.

E quid(quanto) às suas minorias políticas revolucionárias, os grupos comunistas, de hoje? A elas cabe defender e levar o programa revolucionário, o programa comunista, junto da classe proletária como um todo. A elas cabe lutar para garantir a direcção política de todas essas lutas e torná-las o mais poderosas e eficazes possível. A elas cabe debater e clarificar o programa e as orientações, palavras de ordem históricas e imediatas, de luta para poder constituir amanhã, na máxima clareza política, o partido político do proletariado. A este, então, cabe dirigir a insurreição de todo o proletariado e a sua ditadura revolucionária de classe. 

Não é possível voltar atrás. A catástrofe histórica vai acontecer. A sua saída será revolucionária ou contra-revolucionária? Essa é a questão em jogo.

 

A redacção, 4 de Setembro de 2026

 

Fonte: www.igcl.org

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice






[1]. A explosão da dívida norte-americana e as suas consequências financeiras de todo o tipo, especialmente o aumento das taxas de juros, ameaça a dominação do dólar e o financiamento desta dívida pelo resto do mundo.

[2]. O número limitado de páginas da nossa revista e deste editorial não nos permite listar as guerras, massacres e outras catástrofes que têm assolado o mundo nos últimos meses. Nem podemos abordar todos os principais elementos da situação internacional actual, em particular os antagonismos imperialistas e a evolução da situação internacional. Optámos editorialmente por centrar este número, em prioridade, nos debates dentro do campo revolucionário e nas lutas operárias.

[3]. Cf. a contribuição Capitalismo e natureza nesta edição.( Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Capitalismo e Natureza)

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