sexta-feira, 11 de setembro de 2026

MEDO? TERROR? PERIGO? NÃO, CHAMA-SE DEMOCRACIA.

 




MEDO? TERROR? PERIGO? NÃO, CHAMA-SE DEMOCRACIA.


Alessio Lamparelli


Escreveu Salvini ontem à noite, para festejar os 44% da AfD.

Queria gozar com a esquerda.

Ele escreveu a nossa posição. Palavra por palavra.

Aceitamos. Não lha devolvemos.

Saxónia-Anhalt, 6 de Setembro.

AfD quase 44%. Em 2021 era 20,8%.

CDU dos 37% para os 17%: reduzida à metade numa noite.

39 assentos de 83.

Participação de 78%. Recorde.

Nenhum golpe de estado. Nenhuma marcha sobre Berlim.

As urnas, os boletins, os escrutinadores, as actas.

Tudo a correr bem.

Chama-se democracia.

*

Agora vejamos o que havia, antes desses 44%.

MAGDEBURGO. Quatrocentos hectares de terra aplainada e vazia.

Devia ser construída ali a maior fábrica de microchips da Europa.

Intel: trinta mil milhões, três mil empregos.

Dez mil milhões de dinheiro público já prometidos.

Julho de 2025: a Intel cancela tudo.

O estado compra novamente o terreno vazio.

Essa decisão não foi votada por ninguém.

Nenhum boletim de voto, nenhuma assembleia de voto, nenhum comício (célebre expressão jornalística e política utilizada em Itália para descrever o nascimento do governo Monti em Novembro de 2011).

Foi tomada num conselho de administração, na Califórnia, protegendo as margens de lucro. Chama-se democracia. A partir de 1990, a EST foi desmontada pedaço a pedaço. As fábricas vendidas ou fechadas. A química em agonia. A linhite (carvão fóssil macio e de cor castanha) foi descontinuada. Trinta e cinco anos de eleições livres, regulares e plurais. Resultado: uma região esvaziada. Chama-se democracia.

* LEUNA, MARÇO 1921. Mesma terra. O presidente social-democrata da província envia a polícia para desarmar os mineiros de Mansfeld. Os trabalhadores ocupam a fábrica química. A polícia cerca-a e dispara contra ela. A 29 de Março cai a última resistência. Governo republicano. Ministro socialista. Constituição de Weimar, a mais democrática da Europa. Chama-se democracia. Doze anos depois, da mesma Constituição, sem disparar um tiro, saiu Hitler. Nomeado pelo Presidente. Plenos poderes votados pelo Parlamento. Não contra a democracia. ATRAVÉS.

* Que fique claro, porque alguém fará de conta que não percebe. O AfD é um partido de patrões. Quer salários baixos, operários divididos por passaporte, e um Estado mais duro com quem faz greve. Não há nada a defender, lá dentro. Nada. Mas um proletariado sem partido de classe não fica neutro. Fica DISPONÍVEL. Quem passa leva-o. Ontem foi apanhado pela social-democracia. Hoje é apanhado por quem grita mais alto contra o estrangeiro. Amanhã será retomado por quem o arrancar das mãos.

* E a esquerda o que oferece? "A vitória do medo, vamos salvar a Europa do abismo." Depois o pedido de sempre: o muro, o cordão sanitário, todos os partidos democráticos unidos contra a extrema-direita. Pedir ao Estado para te proteger do partido que o próprio Estado criou. Os sindicatos italianos fizeram isso em Agosto de 1922, com a greve "legalista". Pediram ao Estado para deter os fascistas. O Estado deixou-os agir. Depois chegaram os camiões. Não é preciso uma frente para salvar a democracia. A democracia é o modo como esta classe governa enquanto pode permiti-lo. Quando não pode mais, muda de cara. Não muda de dono.

* Então sim. Pela primeira vez, Salvini disse uma coisa verdadeira. Medo, terror e perigo não são o oposto da democracia. São o seu conteúdo. Ele diz isso para tranquilizar os patrões. Nós dizemos isso há cem anos para avisar os operários. Mesma frase. Barricadas opostas.

 

Fonte: Facebook

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice

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