Par le Groupe International de la Gauche Communiste (GIGC). Sur Révolution ou Guerre – Révolution ou Guerre; https://igcl.org/-Revolution-ou-Guerre- No. 34, septembre 2026.
La revue Révolution ou Guerre, No 34 est disponible
en format PDF et WORD : rg34-format Word ; rg34
O futuro está a tornar-se sombrio dia após dia. Guerras, crises, endividamento exponencial generalizado [1], misérias, exploração crescente, bombardeamentos e massacres de civis, limpezas étnicas, emigrações em massa e repressões afectam todos os continentes [2]. E agora, o aquecimento global e a deterioração do planeta têm efeitos directos e massivos sobre o proletariado internacional. O Verão de 2026 marcou as mentes e provocou angústias silenciosas em muitos. Socialismo ou barbárie dizia Rosa Luxemburgo. Aqui estamos.
Todas as potências imperialistas, ou seja, todos os
Estados e nações capitalistas, lançam-se numa corrida desenfreada ao armamento.
Já surgem novos meios de destruição que actuam de imediato: drones guiados por
IA, mísseis hipersónicos, etc. As guerras na Ucrânia-Rússia e no Médio Oriente
intensificam-se, parecendo que nunca mais irão terminar. E são cada vez mais as
populações civis das grandes cidades que são alvo, tanto na Ucrânia como na
Rússia. O mesmo acontece no Irão. Em Gaza, na Cisjordânia e no Líbano, o
exército israelita e os colonos descontrolam-se, destruindo sistematicamente
aldeias e casas, e semeando o terror. Mesmo a imprensa burguesa, ocidental em
particular, já não consegue ocultar o genocídio em Gaza e a limpeza étnica em
curso na Cisjordânia. África, a guerra no Sudão só para citar um exemplo,
atravessa massacres em massa.
O Verão de 2026 também destacou uma consequência das
alterações climáticas, nomeadamente a multiplicação das vagas de calor extremo.
Estas têm graves repercussões nas populações e na agricultura. Como K. Marx já
sublinhava em 1844[3], o capitalismo separa e opõe "o
homem e a natureza". Esta deterioração ambiental e climática tem,
portanto, a sua própria dinâmica. Mas, devido à crise e ao caminho para a
guerra, a burguesia já não tem nem sequer os meios para travar a destruição da
natureza. O acordo internacional de Paris sobre a redução das emissões de gases
com efeito estufa, assinado em 2015, já não se aplica. A prioridade vai para os
gastos com defesa e militares. Como resultado, a questão climática torna-se,
por sua vez, um elemento, produto e factor das rivalidades imperialistas e do
caminho para a guerra. Para dar um exemplo, as secas fazem, e vão fazer, do
acesso à água uma luta generalizada entre todos os imperialismos, grandes,
médios e pequenos.
Todos esses males e dramas, os que já existem e os que
ainda serão mais numerosos, têm apenas uma causa: o modo de produção
capitalista. E apenas um responsável: a classe capitalista. Designar a
burguesia mundial significa que nem o capitalismo, nem os males que ele provoca
são uma fatalidade. Um facto consumado. Algo de… próprio da « natureza humana
». Ou ainda natural. O capitalismo é uma relação social. Uma relação entre
seres humanos, eles próprios seres sociais.
Denunciar a
classe dominante significa reconhecer que essa relação social é também um
antagonismo social. É um chamado a lutar contra as condições cada vez mais
difíceis que o capitalismo e a classe social que o personifica impõem à
principal classe explorada: o proletariado internacional; e, por detrás, às
populações em geral.
O proletariado
não luta contra a ideia da iniquidade e injustiça do capitalismo; nem contra a
ideia da guerra, nem contra a ideia ou a ameaça de catástrofes, incluindo as
relacionadas com o clima. O proletariado luta, e deve lutar, contra todas as
consequências materiais do modo de produção capitalista nas suas condições de
vida e de trabalho.
As guerras em
curso e as catástrofes climáticas fazem com que o tempo acelere perigosamente.
Recusar qualquer tipo de sacrifício é o primeiro passo para o proletariado
internacional, para travar a dinâmica rumo à guerra generalizada e abrir o
caminho para a destruição do capitalismo, que só ele pode realizar.
E quid(quanto) às suas minorias
políticas revolucionárias, os grupos comunistas, de hoje? A elas cabe defender
e levar o programa revolucionário, o programa comunista, junto da classe
proletária como um todo. A elas cabe lutar para garantir a direcção política de
todas essas lutas e torná-las o mais poderosas e eficazes possível. A elas cabe
debater e clarificar o programa e as orientações, palavras de ordem históricas
e imediatas, de luta para poder constituir amanhã, na máxima clareza política,
o partido político do proletariado. A este, então, cabe dirigir a insurreição
de todo o proletariado e a sua ditadura revolucionária de classe.
Não é possível
voltar atrás. A catástrofe histórica vai acontecer. A sua saída será
revolucionária ou contra-revolucionária? Essa é a questão em jogo.
A redacção, 4 de Setembro de 2026
Fonte: Guerres
et canicules de l’été 2026 : la catastrophe qui vient – les 7 du quebec
Este artigo foi
traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice
[1]. A explosão da dívida norte-americana e as suas consequências financeiras
de todo o tipo, especialmente o aumento das taxas de juros, ameaça a dominação
do dólar e o financiamento desta dívida pelo resto do mundo.
[2]. O número limitado de páginas da nossa revista e deste editorial não nos
permite listar as guerras, massacres e outras catástrofes que têm assolado o
mundo nos últimos meses. Nem podemos abordar todos os principais elementos da
situação internacional actual, em particular os antagonismos imperialistas e a
evolução da situação internacional. Optámos editorialmente por centrar este
número, em prioridade, nos debates dentro do campo revolucionário e nas lutas
operárias.
[3]. Cf. a contribuição Capitalismo e natureza nesta
edição.( Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Capitalismo e Natureza)

Sem comentários:
Enviar um comentário