sábado, 16 de maio de 2026

O «Clube de leitura progressista» no Canadá e a nossa intervenção

 


O «Clube de leitura progressista» no Canadá e a nossa intervenção

Pelo GIGC/IGCL Em http://www.igcl.org/Club-de-lecture-progressiste-au

A revista Révolution ou Guerre No. 33 (Maio de 2026) está acessível aqui: fr_rg33_260424 

Um dos nossos camaradas interveio no « Clube de leitura progressista do Suroît » (Salaberry-de-Valleyfield, uma cidade industrial a cerca de 90 km a sul de Montreal). O tema da reunião era o Manifesto do Partido Comunista. Estavam presentes cerca de vinte pessoas. Eis o seu relato.

Em resposta àqueles que achavam que Marx tinha destacado a luta de classes, o camarada citou uma carta a J. Weydemeyer (Março de 1852): «Agora, no que me diz respeito, não me cabe a mim o mérito de ter descoberto a existência das classes na sociedade moderna, nem a luta que nelas ocorre. Historiadores burgueses tinham exposto muito antes de mim a evolução histórica desta luta de classes e economistas burgueses tinham descrito a sua anatomia económica. O que eu trouxe de novo foi: 1. demonstrar que a existência das classes só está ligada a fases históricas determinadas do desenvolvimento da produção; 2. que a luta de classes conduz necessariamente à ditadura do proletariado; 3. que esta ditadura, ela própria, não representa senão uma transição para a abolição de todas as classes e para uma sociedade sem classes.

É de importância primordial insistir na ditadura do proletariado em Marx, salientou uma participante. Defendi que a burguesia nunca aceitará perder o seu poder, os seus meios de produção, e que resistirá em todos os níveis políticos, económicos, ideológicos e militares. Daí a importância da ditadura proletária sobre esta classe parasitária. Um anarquista opunha-se a esta, sobretudo se fosse dirigida por um partido comunista, que ele assimilava aos partidos estalinistas e maoístas. Para a Esquerda comunista, a Rússia de Estaline, a China, Cuba, o Vietname, são ou foram apenas formas particularmente brutais de capitalismo de Estado. Qualquer apoio, mesmo crítico, ao carácter supostamente socialista ou progressista destes países é contra-revolucionário. É preciso discutir francamente com os anarquistas e mostrar que as suas posições políticas conduzem à derrota do proletariado e não são revolucionárias, mesmo que alguns deles pensem que partir os vidros de um banco o é.

Outra intervenção foi dar um exemplo sobre o materialismo histórico, com base na questão eleitoral. Na época de Marx e até à Primeira Guerra Mundial, os partidos operários deviam participar nas eleições parlamentares. Mas desde a 1.ª Guerra Mundial, o parlamento e as campanhas eleitorais, e de forma geral a democracia burguesa, já não podem ser utilizados pelo proletariado para a sua afirmação enquanto classe e para o desenvolvimento das suas lutas. Qualquer apelo a participar no jogo eleitoral e a votar, como faz o Québec Solidaire [1] (QS), não faz mais do que reforçar a mistificação que apresenta estas eleições como uma verdadeira escolha para a classe operária. Nesse sentido, o QS prejudica mais o desenvolvimento da consciência comunista do que um Mathieu-Bock Côté [2]. 

Também abordei o papel dos sindicatos como sabotadores das lutas. Perante a nossa denúncia dos sindicatos como sabotadores das lutas, uma sindicalista apresentou o argumento em defesa dos sindicatos segundo o qual estes tinham conquistado instrução gratuita e creches subsidiadas, esquecendo-se de que isso se tinha feito sob pressão da base dos militantes e numa altura em que a crise do capitalismo não era tão profunda, bem como a marcha para a guerra generalizada. Ao contrário de várias das pessoas presentes, esta mesma sindicalista afirmou que ninguém esperava a grande revolução (sic).

A defesa dos sindicatos é reaccionária. Os líderes sindicais foram recompensados pelo seu trabalho de reforma do capitalismo em crise e pela manutenção do isolamento das lutas: Louis Laberge (FTQ) teve direito a funerais nacionais, Yvon Charbonneau (CEQ) foi nomeado embaixador da Unesco e Marcel Pépin (CSN) professor universitário. Os sindicatos do Québec participaram na modernização da economia capitalista enquanto apoiavam a lei contra o défice zero. Em Março de 1996, durante uma primeira cimeira económica sem precedentes: o governo, os sindicatos, os patrões e os grupos sociais participaram num consenso em torno do equilíbrio orçamental e numa lei para o alcançar. Isto permitiu mais tarde realizar cortes drásticos na educação e nos cuidados de saúde. Os sindicatos foram «recompensados» pelo seu apoio ao campo do imperialismo americano após a segunda guerra mundial através da fórmula Rand [3]No Canadá, eles destacam greves isoladas por sector, por sindicato, por pequenas greves de algumas horas a dois ou três dias. Por exemplo, a greve isolada dos carteiros, dos comissários de bordo da Air Canada, dos trabalhadores ferroviários. [4]

Embora esta reunião possa parecer relativamente « limitada », tanto do ponto de vista local como, sobretudo, político, parece-nos que ela exprime uma tendência nascente no seio do proletariado, certamente através de minorias mais ou menos alargadas, e mais ou menos claras, de querer retomar os princípios e os métodos da luta de classes. Não há dúvida de que a situação internacional marcada pela guerra e pelas suas consequências em todos os países sobre o proletariado contribui para este despertar no seio da classe operária. O Clube progressista de leitura não pretende situar-se no terreno do comunismo e ainda menos da Esquerda comunista. No entanto, tende a expressar uma necessidade entre os proletários: reunir-se e compreender colectivamente os desafios históricos da situação para poder responder a eles. Da nossa parte, é o que chamamos de «círculo de discussão». Consideramos que, na medida das nossas forças e capacidades, pretendemos intervir para defender as posições de classe e o programa comunista e incentivar a reapropriação das lições históricas do proletariado.

Normand, Março de 2026

 Notas:

[1. Québec Solidaire partido social-democrata na província canadiana de Québec que defende a soberania da província.

[2. Cronista de extrema-direita canadiano.

[3« A fórmula Rand é uma medida legislativa ou uma cláusula de convenção colectiva que permite a um sindicato que representa os trabalhadores incluídos numa unidade de negociação exigir que o empregador faça a retenção na fonte das contribuições sindicais devidas obrigatoriamente por todos os trabalhadores membros dessa unidade de acreditação, mesmo aqueles que não fazem parte do sindicato.» (wikipedia)

[4. Mobilizações proletárias no Canadá e intervenção dos revolucionários igcl.org/Mobilisations-proletariennes-au    

 

 

Fonte:  «Club de lecture progressiste» au Canada et notre intervention – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




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