quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Greves e guerras reaccionárias contra lutas de classe revolucionárias!

 


Greves e guerras reaccionárias contra lutas de classe revolucionárias!

23 de Setembro de 2026 Robert Bibeau


Por Normand Bibeau e Robert Bibeau.

Os camaradas da IGCL, como todos os revolucionários proletários, enfrentam toda a força da militarização das economias capitalistas e o enorme desvio de impostos extorquidos aos proletários, dos "programas sociais burgueses" para o complexo militar-industrial e energético, em preparação para a única solução capitalista para as crises da sobreprodução: a guerra intercapitalista generalizadaQue o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Realidade e limites das actuais lutas operárias.

Quando cita Leo Georetti, (Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Realidade e limites das actuais lutas operárias), um notório analista burguês, no sentido de que não será possível impor ao proletariado este desvio de fundos públicos dos programas  sociais capitalistas para o armamento, com todo o respeito por eles, é apenas um desejo piedoso que este analista burguês lança à cara dos revolucionários para os embalar e desviá-los da luta revolucionária proletária contra a inexorável guerra capitalista, como demonstrado pelas duas guerras mundiais anteriores e por todas as guerras intermináveis que ocorrem em todas as sociedades divididas em classes sociais antagónicas, onde quem enriquece com as guerras nunca é quem as sofre.

Para se convencer da veracidade implacável desta realidade detestável, basta analisar a guerra na Ucrânia, enquanto o proletariado ucraniano e russo está mobilizado “em massa” atrás da sua burguesia “nacionalista reaccionária chauvinista” para se entregarem a uma guerra fratricida mortal em nome do “nacionalismo civilizacional reaccionário religioso”, a mesma fórmula de propaganda goebbeliana que foi usada para conduzir a Primeira, depois a Segunda, e todas as guerras capitalistas (imperialistas) ao longo da história da humanidade: “pão e manteiga” para os “vencedores”; morte ou submissão para os “derrotados”.

Se o exemplo da Ucrânia não fosse suficiente para convencer os revolucionários proletários mais "optimistas" do carácter EM ÚLTIMA ANÁLISE reaccionário destas guerras pelo chamado "pão de cada dia", "melhores salários e condições de trabalho, contra a inflação, pela igualdade de exploração entre homens e mulheres na exploração, etc., até à exaustão amém", por vezes sindicatos, por vezes militar, em nome do qual se travam greves e guerras, basta examinar o processo pelo qual a burguesia mobiliza o proletariado no seu modo de produção da escravatura assalariada e a favor das guerras imperiais para se convencer disso.

Assim, para analisar o exemplo recente da guerra Ucrânia-NATO-Rússia para se apoderar, a menor custo, dos recursos naturais e energéticos da Federação Russa por ocasião de um lebensraum americano/euronazi/ucraniano 2.0 para decapitar o Estado russo e "balcanizá-lo" em "5 a 7 estados capitalistas étnicos e religiosos" mais fáceis de explorar (segundo Kaja Kallas), recordemos os discursos dos desprezíveis e abjectos genocidas, criminoso de guerra, o político capitalista acamado e mensageiro, Jos Killer Biden, quando teve a abominável sinceridade de declarar odiosamente perante o mundo a verdade:

"Ser o arsenal da democracia também significa empregos bem remunerados para os trabalhadores americanos no Alabama e nos estados por toda a América onde ocorre o fabrico de defesa." (re: ge.usembassy.gov, 05/03/2022 durante uma visita à fábrica da Lockheed Martin em Troy, Alabama, onde os mísseis Patriot são produzidos, sob aplausos de "aristocratas sindicalizados" bem pagos).

O genocida Killer Jos voltou a fazê-lo em 2023, no seu discurso promovendo "créditos militares à Ucrânia", quando declarou:

"o dinheiro enviado para a Ucrânia não é simplesmente 'enviado para o estrangeiro': uma parte substancial é gasta nos Estados Unidos para produzir as armas e reabastecer os stocks americanos, criando "empregos sindicais remunerados" no Texas e por todo o país (18/04/wsj.com/2024; forbes.com, 18/04/2024).

O igualmente ignóbil, desprezível, genocida e criminoso de guerra, o falecido senador Lindsey Graham, acrescentou que "a ajuda militar à Ucrânia é um investimento extremamente benéfico para os Estados Unidos que não custa rapazes e "cria empregos sindicais bem remunerados."

Finalmente, o imundo líder republicano no Senado, Mitch McConnell, para não ficar atrás, fez a sua repugnante declaração de verdade:

"Estar ao lado dos nossos aliados contra Vladimir Putin fortalece directa e de forma mensurável as forças armadas dos EUA, expande a base industrial dos EUA e apoia milhares de empregos americanos bem remunerados (sindicalizados)." (re:globalnews.ca, 09/2023).

O que responderão os camaradas da IGCL quando aqueles "trabalhadores bem pagos" do complexo militar-industrial YANKEE U$ que fabricam armas para assassinar proletários ucranianos, russos, palestinianos, libaneses, iranianos e árabes "atacarem" para receber uma maior percentagem dos lucros destes crimes de guerra genocidas?

Vamos arriscar a pergunta assassina:

PORQUE É QUE O PROLETARIADO "SINDICAL" MUNDIAL NÃO
SE LEVANTA CONTRA ESTAS GUERRAS CAPITALISTAS FRATRICIDAS E DESUMANAS?

É certo que o argumento de que "o proletariado não sabe" invocado para justificar a sua passividade perante o genocídio de comunistas, ciganos e judeus durante a Segunda Guerra Mundial ou durante o genocídio actualmente em curso na mártir GAZA já não se sustenta: os meios alternativos reduzem a nada este argumento cansado transmitindo "em directo", "segundo a segundo", em tempo real e com fotos e vídeos a apoiar, a monstruosidade desumana do genocídio dos palestinianos, libaneses, iranianos, iemenitas, mártires sudaneses; a guerra implacável travada pelos proletariados ucraniano e russo, todos armados da cabeça aos pés por estes "trabalhadores bem pagos e sindicalizados" dos complexos militar-industriais imperialistas de todos os estados do mundo capitalista.

Pior ainda, enquanto estes povos devastados pela guerra sofrem o horror destes massacres desumanos que alimentam, vestem, transportam, entretêm os agressores e matam nestas guerras injustas?

Os proletários de todos os estados capitalistas "aliaram-se" a uma ou outra burguesia que confronta os seus "patrões" que se tornaram durante algum tempo "carne para canhão".

Os proletários "Nacional-Socialistas com Características Chinesas" (Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: O que distingue o "socialismo com características chinesas" do capitalismo com características americanas?) são os mesmos que produzem os drones FPV que massacram impiedosamente os seus "amigos sem limites" russos (Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: O que distingue o "socialismo com características chinesas" do capitalismo com características americanas? (3/4)); os seus "aliados" palestinianos,  libaneses, iranianos, sírios, iraquianos, líbios e árabes por "empregos bem pagos e sindicalizados" em nome do lucro a todo o custo nesta falsa economia "socialista" dominada por 649 bilionários e seus "aliados", os aparatchiks do falso partido comunista chinês e os sindicatos corporativos, uma versão 2.0 do aparelho estatal imperial do "filho do céu", Imperador Xi (Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: O que distingue o «socialismo à chinesa» do capitalismo à americana? (2/2)).

São os "proletários russos bem pagos dos campos de petróleo e gás" do neo-czar Vlad I que fornecem aos proletários chineses a energia necessária para produzir estes drones FPV usados para massacrar proletários russos transformados em "carne para canhão" no campo de batalha ucraniano.

Os proletários americanos e europeus "bem pagos e sindicalizados" financiam e armam os proletários IANQUES, ucranianos e genocidas sionazi-israelitas para massacrar proletários russos, palestinianos, libaneses, iranianos, árabes e outros.

Até que ponto pode ser rebaixada a consciência dos proletários por "salários bem pagos" e pseudo-democracia? (Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: DEMOCRACIA OU FASCISMO: O FALSO DILEMA IMPOSTO AO PROLETARIADO PELO CAPITAL)

Ele "faz greve" por melhores salários, melhores condições de trabalho, para combater a inflação que corrói o seu "poder de compra" como trabalhador aristocrata, para poder ter um estilo de vida agradável, livre de privações: exige "pão e jogos", quer ver e ouvir cantar enquanto produz as armas da sua própria destruição militar e ambiental.

Lenine em "O Que Fazer" (cap. III e IV), tal como Marx e Engels, tinham, graças ao materialismo dialéctico e histórico, antecipado claramente esta natureza reaccionária das lutas económicas: "sindicalista" por "melhores salários", quando escreveu:

"A história de todos os países mostra que, deixada à sua própria força, a classe operária só pode chegar a uma consciência sindicalista, ou seja, a convicção de que é necessário agrupar-se em sindicatos, lutar contra os patrões e esforçar-se para obter do governo as medidas legislativas necessárias para os operários, etc. […] Ainda não poderia haver consciência social-democrata (leia-se "comunista" agora que a burguesia abusou da social-democracia para seu próprio benefício) entre os operários. SÓ PODERIA SER TRAZIDO ATÉ ELES DE FORA" (re: marxists.org, cap. II: A Espontaneidade das Massas e a Consciência dos Social-Democratas").

Assim, os "escravos assalariados" que são os proletários percebem que são "empregados individualmente" pelos seus patrões, os donos dos seus meios de subsistência e reprodução, para gerar "lucros" (de "mais valia": a diferença entre o custo de produção e o preço de venda) e que, neste "equilíbrio de poder" que é o sistema salarial, devem organizar-se para obter melhores salários e condições de exploração, perpetuando-o.

Estas "lutas sindicalistas" por "pão e manteiga" são, na melhor das hipóteses, apenas uma "luta de classes em formação", pois harmonizam-se com a própria "escravatura assalariada" ao transferir uma parte relativa dos lucros do patrão para os assalariados, que os usarão para enriquecer outros capitalistas "para baixo" no processo económico (Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Guerras e vagas de calor do Verão de 2026: a catástrofe que se aproxima).

Assim, um "aumento" nos salários permite aos capitalistas fornecer comida, alojamento, vestuário, lazer, contrabando, etc. para receber "lucros" do "produtor" proletário que se tornou o "consumidor" proletário: a burguesia esfola o boi proletário duas vezes.

Esta realidade económica do proletário "produtor" versus "consumidor" alimenta rivalidades intercapitalistas que a esquerda sindical explora particularmente para oferecer os seus serviços de colaboração de classe aos capitalistas do "consumo" contra os capitalistas da "produção", criando uma falsa alternativa à ditadura da burguesia.

Lenine aprofundou a sua análise marxista ao escrever:

"O movimento operário espontâneo é o sindicalismo [...] e sindicalismo significa a SUBJUGAÇÃO ideológica dos operários pela burguesia" (re:marxist.org, James O'Toole, Irish Marxists Review, 2025),

É isto que o sindicato luta por "melhores salários, melhores condições de trabalho, para combater a inflação, etc.", por "empregos bem remunerados" em armamento, no exército, na polícia, em todas as áreas da economia capitalista, ilustra e demonstra por todo o mundo e em todos os momentos.

"A NOSSA TAREFA, a da Social-Democracia, é combater a espontaneidade, desviar o movimento operário desta tendência espontaneamente sindicalista de se colocar sob a ala da burguesia e colocá-lo sob a ala da social-democracia revolucionária." Lenine acrescentou numa Resolução da Terceira Conferência do POSDR: "A insuficiência da luta sindical sozinha [imperativamente] exige uma luta política e revolucionária directa das massas para derrubar o governo czarista por meio da insurreição popular."

Só um partido proletário revolucionário armado com uma ideologia resolutamente revolucionária, o marxismo, pode conduzir à vitória, pois embora "a classe operária seja instintivamente, espontaneamente social-democrata", "nunca poderá adquirir espontaneamente uma consciência resolutamente revolucionária."

Os camaradas da IGCL, como todos os camaradas revolucionários proletários, devem analisar as "lutas de classes em germinação" que são as greves sindicalistas à luz do MARXISMO e apoiar e popularizar apenas aquelas que são revolucionárias e ignorar as que são reaccionárias, aquelas que "são por salários bem pagos" em armamento e por salários generosos no exército. a polícia, os tribunais e a propaganda, os instrumentos privilegiados dos capitalistas em tempos de guerra contra o trabalho para enriquecer o capital.

 

PROLETÁRIOS DO MUNDO INTEIRO, UNÍ-VOS PARA DESTRUIR A ESCRAVATURA SALARIAL, NÃO PARA A MELHORAR.

 

Fonte: Grèves et guerres réactionnaires versus luttes révolutionnaires de classe ! – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




ALTER-MUNDIALIZAÇÃO – A ALTERNATIVA DOS BRICS "MULTIPOLARES-NÃO ALINHADOS" – PERANTE O CAPITAL HEGEMÓNICO


ALTER-MUNDIALIZAÇÃO – A ALTERNATIVA DOS BRICS "MULTIPOLARES-NÃO ALINHADOS" – PERANTE O CAPITAL HEGEMÓNICO

23 de Setembro de 2026 Robert Bibeau


Por Normand Bibeau e Robert Bibeau.

O Les 7 du Québec publicou recentemente um artigo muito revelador, intitulado: "Os BRICS estão a tornar-se um novo bloco imperialista?" do analista político Peter Koenig, antigo economista do Banco Mundial e responsável pela Organização Mundial de Saúde (OMS), duas instituições sob domínio imperial do grande capital. Veja Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Estarão os BRICS simplesmente a tornar-se mais um bloco imperialista? (Peter Koenig)

A declaração das potências emergentes na 18ª Cimeira dos BRICS

Em resumo, o autor "analisa" a mais recente "Declaração" de "Construção para a Resiliência, Inovação, Cooperação e Sustentabilidade" (sic) da 18.ª Cimeira dos BRICS que se realizaram no Bharat Mandapam em Nova Deli, na Índia, nos dias 12 e 13 de Setembro de 2026, organizados pelo renegado «nacionalista» hindu, feudalista, o insuportável Narendra Modi, «o vizir que quer ser califa no lugar do califa», o «Iznogood» dos BRICS, aquele que diz ao «filho do céu», o imperador Xi: «Sai da frente para eu tomar o teu lugar como oficina mal-paga do mundo imperialista».


O malvado vizir Modi oferece 940 milhões de camponeses, agricultores, meeiros, pobres, analfabetos e trabalhadores "rurais" ultrapassados como promessa ao grande capital mundial para o enriquecer; enquanto o Mandarim Xi da China detém apenas 480 milhões; os brasileiros têm apenas ~26 milhões; os sul-africanos detêm apenas ~18 milhões e os etíopes ~30 milhões... Em suma, do «proxeneta/lacaio» Modi aos chulos YANKEE do Ocidente colectivo, é Modi quem tem, de longe, mais «carne para patrões» para oferecer à exploração das multinacionais e transnacionais apátridas para substituir os escravo-assalariados chineses «da oficina do mundo mais mal pagos» e assim vai a galera do imperialismo alternativo mundializado não-alinhado. (sic)

Análises comparativas – em números – da guerra económica imperialista

Nas páginas da revista web Les 7 du Québec.net, propusemo-nos a realizar uma análise das economias chinesas (Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: O que distingue o «socialismo à chinesa» do capitalismo à americana? (2/2)) e russo (Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: O que distingue o "socialismo com características chinesas" do capitalismo com características americanas? (3/4)) comparado com o da Meca do  imperialismo mundial: os Estados Unidos a compreender a diferença essencial (Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: O que distingue o "socialismo com características chinesas" do capitalismo com características americanas?) e demonstrámos, com números que o sustentam e protegidos dos insultos goebelianos da burguesia mundial sobre a pseudo "democracia dos ricos", que cada uma destas economias, quer se proclame: "capitalista liberal", "alternativa-anti-mundialista", "nacionalista chauvinista" ou "nacional-socialista ao estilo chinês", é da mesma natureza da classe burguesa e capitalista.

Mesma estrutura social, mesma natureza de classe, mesmo modo de produção

Um pequeno punhado de bilionários, em colaboração com os seus "kapos" da alta pequena burguesia e os seus mensageiros políticos e sindicais (~10% da população destes estados sociais contra ~75% dos proletários e 15% da pequena burguesia inferior), detém a grande maioria da riqueza (~5% da riqueza dos 50% mais pobres) e apropriam-se da "parte do leão" do rendimento (~47%) para se permitirem um "estilo de vida" de desperdício e enriquecimento à custa dos mais pobres do mundo. através de exploração ilimitada e guerras intermináveis de "roubo, pilhagem e bandidagem".

Para tomar consciência deste quadro revoltante de acumulação de riqueza de um lado e de pobreza do outro, onde os BRICS ampliados não são senão um lado falsamente 'esquerdista' da moeda da economia imperialista mundial 'direitista', que só a revolução proletária mudará realmente em benefício do proletariado e das massas trabalhadoras. A Índia, a África do Sul, a Etiópia, a Arábia Saudita e todos os regimes membros dos BRICS são Estados capitalistas e formam uma 'nova aliança imperialista' ao serviço do capital mundial na sua guerra de classes contra o proletariado internacionalista.

Continua.

 

Fonte: L’ALTERMONDIALISME – L’ALTERNATIVE DES BRICS «MULTIPOLAIRES-NON-ALIGNÉS» – FACE AU CAPITAL HÉGÉMONIQUE – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice



terça-feira, 22 de setembro de 2026

Retrospectiva do 11 de Setembro de 2001 (René Naba)

 


Retrospectiva do 11 de Setembro de 2001 (René Naba)

22 de Setembro de 2026 Robert Bibeau

Par René Naba. Sur  Manhattan Transfer: Au cœur du sanctuaire américain – En point de mire

 

Retrospectiva do 11 de Setembro de 2001, dez anos depois

“O Islão não assusta porque é próximo e essa proximidade desperta fantasmas? 

É um « outro » à parte, nascido da mesma matriz abraâmica, arauto do mesmo monoteísmo revelado que, ao longo dos séculos, não deixou de pôr absolutistas em concorrência ao redor do Mediterrâneo e das suas margens. É capaz do mesmo totalitarismo messiânico de que a cristandade se tornou culpada na sua época e que hoje se encontra em Israel, e tem uma pretensão – muito familiar aos Ocidentais – de fornecer às regiões onde é predominante uma espécie de universal de substituição que tira a sua legitimidade do campo religioso. Após um lento processo de secularização, a Europa cristã trocou o messianismo evangélico pelo do progresso. Em terras de Islão, o processo mal começou (…) Os Ocidentais medem o poder de tais mobilizações messiânicas (…) Não é certo, infelizmente, que o bombardeamento do Afeganistão as neutralize.”

«As belas palavras do Ocidente»(«Les belles paroles de l’Occident»), Libération, 24 de Outubro de 2001, Sophie Bessis, autora de uma notável crítica ao modelo ocidental de civilização (O Ocidente e os outros. História de uma supremacia/ L’Occident et les autres. Histoire d’une suprématie,, La Découverte, Paris, 2001).

Manhattan Transfer: No coração do santuário americano

Comparável pelo seu impacto e pelo seu alcance simbólico ao saque de Jerusalém (1099) e de Constantinopla (1204), do qual seria, na imaginação do fundamentalismo árabe-muçulmano, a réplica milenar, a "terça-feira negra" americana de 11 de Setembro de 2001 não é o detonador da primeira guerra moderna do século XXI, mas o último avatar colonial do século XX, e as bombas humanas voadoras que atingiram os símbolos económicos e militares da superpotência americana, -o Pentágono em Washington e as Torres Gémeas do World Trade Center em Nova Iorque-, não eram propulsionadas por querosene, mas por quase um século de espoliações, humilhações e frustrações acumuladas desde a promessa Balfour.

Por mais que desagrade aos especialistas ocidentais, o terrorismo não resulta de uma criação do nada. Também não constitui um fenómeno sui generis. Alimenta-se das feridas e das manchas, do beco sem saída do desespero amplificado por uma exaltação sacrificial. Nunca é de bom grado que um adolescente no início da sua vida se cinture com dinamite para se desintegrar numa explosão, ou que um pai de família, universitário com estudos superiores, se dedique a um paciente treino de pilotagem aérea para embater num edifício, por mais prestigiado que seja, por mais excitante que seja essa perspetiva.

Tal como outros continentes, o Ocidente também gerou monstros, como Hitler, e a defesa do «Mundo Livre» não é um privilégio exclusivo seu. Ela também é fruto da contribuição dos povos do terceiro mundo, asiáticos, árabes, africanos, de todas as religiões, muitos milhares dos quais lutaram ao lado dos europeus e americanos contra as tiranias do século XX. Neste sentido, Verdun e Monte Cassino são tanto vitórias aliadas como vitórias árabes ou africanas.

Enquanto um prurido beligerante tomou novamente os países ocidentais, no Afeganistão, no Iraque ou na Líbia, alimentada pelos espectaculares e mortíferos atentados anti-americanos - que fizeram, segundo o cômputo oficial, quase 3 000 mortos ou desaparecidos -, pode parecer sensato lembrar que o mundo árabe-muçulmano forneceu cerca de 1,2 milhões de combatentes durante as duas guerras mundiais, dos quais 53 000 morreram nos campos de batalha do Marne e noutros lugares pela libertação da França, o seu colonizador da época (1), e que cerca de 800 magrebinos do «Regimento de marcha Norte-africano de Paris», pertencente à 2.ª divisão blindada do General Leclerc, participaram na batalha pela libertação da capital francesa (2). O mesmo aconteceu com os contingentes indo-paquistaneses recrutados para a defesa do Império britânico.

Herdeiros da Europa e testemunhas privilegiadas das suas desventuras, os Estados Unidos intervieram duas vezes no século XX durante as duas guerras mundiais (1914-1918/1939-1945) para socorrer as grandes democracias europeias antes de as superar como potência mundial, sem, no entanto, tirar proveito dos extravios coloniais dos seus antepassados europeus. 

Sobre os escombros do colonialismo francês e inglês, a América, apoiando as independências do Marrocos e da Argélia na sequência da louca aventura tripartida (anglo-franco-israelita) de Suez, em 1956, foi recebida como heroína pelos povos árabes, mas, desrespeitando os ensinamentos da História, fundou a sua hegemonia numa colisão com as forças árabes mais conservadoras e em alianças contra-natura com os principais inimigos do mundo árabe, dissipando assim o seu capital de simpatia através de uma política errática ilustrada pela luta implacável que travou contra o nacionalismo árabe renascente.

Pior ainda, no auge da Guerra Fria, ela instrumentalizou o Islão contra o ateísmo do bloco soviético, preparando assim o terreno para o islamismo com a ajuda de uma parceria com a Arábia Saudita, o país árabe mais conservador, acompanhada de uma colusão estratégica com as potências regionais hostis ao mundo árabe, a Turquia e Israel. 

Apresentada pela diplomacia americana como uma parceria das grandes democracias do Médio Oriente, a aliança improvável entre o primeiro estado genocida do século XX e os sobreviventes do genocídio hitleriano foi percebida pelas populações da região como uma operação para controlar o mundo árabe pelo antigo colonizador otomano dos árabes e pelo usurpador israelita da Palestina, ambos promovidos, nesta circunstância, ao papel de «cães de guarda do imperialismo americano» e beneficiando, por este motivo, juntos, de dois terços da ajuda militar americana no estrangeiro.

Além disso, a adesão total, absoluta, incondicional e intangível às teses mais extremas do establishment político e militar israelita (Menahem Begin, Itzhak Shamir, Ehud Barak, Ariel Sharon e Benyamin Netanyahou), apesar de todas as concessões árabes e palestinianas, acabará por fragilizar consideravelmente os seus protegidos e agradecidos árabes, por marginalizar o mundo árabe e por gerar uma profunda repulsa em relação à América, um país que apresenta para os seus críticos a dupla desvantagem de ser ao mesmo tempo o protector de Israel e dos regimes árabes desacreditados.

Que os mentores dos atentados de 11 de Setembro tenham sido recrutados, na sua esmagadora maioria, dentro da nova burguesia saudita (quinze dos dezenove operadores eram de nacionalidade saudita) mostra bem a cegueira política americana e o fracasso completo de uma política baseada numa ocidentalização forçada da Arábia Saudita. Uma política concretizada pela atribuição de um crédito anual de um mil milhões de dólares em bolsas de estudo a 150.000 estudantes sauditas nas universidades americanas, que visava manter uma influência cultural americana duradoura sobre o Reino Wahhabita. No fim, acabou por reforçá-lo, paradoxalmente, no seu papel de bastião do fundamentalismo islâmico (4).

Uma diplomacia de canhoneira e a negação das profundas aspirações dos povos indígenas na mais pura tradição colonial europeia acabaram por gerar uma reacção materializada pelo uso da arma do terror num combate assimétrico que desenvolveu ao extremo uma cultura da morte com o objectivo, tanto em Nova Iorque, como em Washington, como em Israel-Palestina ou noutros locais, de desestruturar o adversário na falta da sua destruição.

Esta é pelo menos uma das explicações para o desatar de violência sem precedentes contra alvos americanos, com o Médio Oriente primeiro, depois a África, e por fim o santuário nacional americano (Homeland), a ter sido, nas últimas duas décadas, o palco desses ataques: quer em Beirute, contra a chancelaria e o P.C. americanos em 1983-1984, em Khobar e Riade, contra bases americanas na Arábia Saudita em 1995, em Dar es-Salaam (Tanzânia) e Nairobi (Quénia), contra as embaixadas americanas nas duas capitais africanas em 1998, ou ainda ao largo da costa do Iémen, contra o navio de guerra «USS Cole» em 2000, e finalmente em Washington e Nova Iorque em 2001.

Em nome da realpolitik, os Estados Unidos ligaram o seu destino regional ao regime político mais antinómico do sistema americano. Pacto fundador de uma parceria estratégica selada entre dois países que, ainda assim, têm em comum serem co-detentores do recorde mundial de execuções capitais, o “Pacto de Quincy” revelou-se também uma aliança anti-natural entre uma potência que se quer a maior democracia liberal do mundo e uma dinastia que se reivindica como a monarquia teocrática mais rigorosa do mundo.

Concluído em Fevereiro de 1945 entre o presidente Franklin Roosevelt e o Rei Abdel Aziz, a bordo do cruzador americano Quincy, este pacto assegurou a estabilidade do abastecimento energético mundial e a prosperidade económica ocidental, por vezes à custa dos interesses de outros produtores do terceiro mundo, sem contudo dar satisfação às reivindicações legítimas árabes, nomeadamente sobre a questão palestiniana.

Em aplicação deste pacto, que deu origem a desvios inimagináveis, a América assumiu um papel etimologicamente retrógrado, em negação com os valores que professa. Modelo de democracia e liberalismo no mundo, colocou-se como «padrinho» do reino mais hermético do planeta, opondo-se às experiências de modernização e democratização do terceiro mundo, como aconteceu, no Irão, em 1953, durante a nacionalização das instalações petrolíferas pelo líder nacionalista Mossadegh, no Egipto, em 1967, contra o líder do nacionalismo árabe, Gamal Abdel Nasser, ou ainda no quintal americano, na Guatemala, em 1954, e no Chile, em 1973, contra o presidente socialista democraticamente eleito Salvador Allende, derrubado por uma junta militar a 11 de Setembro de 1973, curiosamente na data de aniversário dos atentados de Manhattan e Washington, com o apoio activo dos Americanos.

Ainda em aplicação desse mesmo pacto, a América decretou, após a invasão do Koweit em 1990, uma mobilização internacional contra o Iraque, praticamente aniquilando este país que já esteve na vanguarda do mundo árabe, mantendo-o em estado de apoplexia, sob embargo quase doze anos depois das hostilidades, alimentando assim o argumento da parcialidade ocidental pela sua mansidão em relação a Israel, suscitando, em contraponto, uma vontade de reabilitação dos povos árabes e muçulmanos que, para muitos militantes islamistas, confundiu-se com uma sede de vingança.

Dom do céu para uma ínfima minoria de dirigentes e privilegiados, o petróleo foi sobretudo uma fonte de cobiça para os países árabes e muçulmanos e uma fonte de infortúnio para a sua população, a ponto de, por quatro vezes numa década (1980-1990), facto único na história, quatro armadas ocidentais terem sido enviadas ao largo do Médio Oriente para garantir a segurança do abastecimento energético dos países ocidentais com crude árabe, em 1982 ao largo de Beirute, durante o conflito libanês, em 1986, ao longo do golfo árabe-pérsico durante o conflito Iraque-Irão, em 1990-1991, contra o Iraque, e novamente em 2003, contra o Iraque.

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos têm feito o seu posicionamento geo-estratégico de acordo com a configuração do mapa do Almirante Harrison, desenhado em 1942, com o objectivo de cercar todo o mundo eurasiático. 

Em aplicação da “teoria dos anéis marítimos”, articularam assim a sua presença num eixo baseado em três posições-chave: o estreito de Bering, o Golfo Pérsico-Arábico e o estreito de Gibraltar, com o intuito de provocar um isolamento total de África, um isolamento relativo da Europa e de confinar num cinturão de segurança um “perímetro insalubre” constituído por Moscovo-Pequim-Delhi-Islamabad, que contém metade da humanidade, três mil milhões de pessoas, mas também a maior densidade de pobreza e a maior concentração de droga do planeta.

Se a guerra do Golfo em 1990-1991 permitiu aos americanos tomar posição no coração dos principais depósitos de petróleo do planeta, a guerra do Kosovo em 1999 permitiu-lhes estabelecer-se no coração da Europa central, particularmente na Albânia, durante muito tempo considerada um bastião da ortodoxia comunista.

Na linha dos seus objectivos, a guerra do Afeganistão deverá permitir-lhes, salvo acidente, completar a sua missão, tomando posição, pela primeira vez na sua história, no Cáucaso, colocando a América no coração do sistema energético mundial através do seu domínio do Golfo e do controlo das rotas de abastecimento do petróleo transcaucasiano.

Perante este primeiro grande conflito do século XXI, a Europa, que se quer um dos pilares do terceiro milénio, viu-se rapidamente marginalizada pelo duo anglo-americano, uma discreta pré-figuração da «Angloesfera», a aliança Wasp (White Anglo-Saxon Protestant), cuja criação é recomendada pelos discípulos de Samuel Huntington, o autor do «choque das civilizações», com vista a constituir sob a égide anglo-saxónica um directório dos países pertencentes à civilização ocidental, de raça branca (29% da população mundial), para a liderança do «mundo livre». 

A redefinição da doutrina estratégica da NATO por ocasião do 50.º aniversário da aliança atlântica, em Maio de 1999, com a adição dos antigos países do bloco soviético, surgiu nesse sentido como um sinal precursor para os defensores desta tese.

Ao apoiar os Estados Unidos com a sua garantia militar e diplomática, subestimando a sua capacidade de influência, a Europa surge, aos olhos da comunidade internacional, como o apêndice da América. A ponto de se colocar, com toda a brutalidade, a questão de saber se a Europa abdicou da sua independência para se conformar com o papel de promontório além-Atlântico da América ou se, retomando a sua antiga vocação de berço da civilização, desenvolverá a sua própria autonomia face aos Estados Unidos, fazendo deles uma «ilha ao largo das margens da Eurásia», para usar a expressão do geógrafo Michel Foucher.

O Ocidente cristão pensou em purgar o seu passivo com o judaísmo e em lhe mostrar a sua solidariedade expiatória criando o Estado de Israel, com o objectivo de «normalizar a condição judaica na diáspora e enraizá-la em componentes nacionais claras», segundo a expressão do escritor israelita Abraham B. Yehoshua (7). Mas, ao mesmo tempo, ele transformou a sua contenda bi-milenar com uma religião durante muito tempo considerada pela cristandade como «deicida», num conflito israelo-árabe e num conflito islâmico-judaico, em negação da simbiose andaluza. 

A Alemanha, responsável pelo genocídio judaico do século XX, a Grã-Bretanha, autora da promessa Balfour que criou um lar nacional judeu na terra da Palestina, no coração do espaço árabe, na intersecção entre a margem africana e a margem asiática do mundo árabe, assim como a França pelos seus massacres coloniais massivos em terras de Islão, são chamadas a assumir, ao lado dos Estados Unidos, um papel à altura da sua responsabilidade anterior no nascimento do conflito israelo-árabe e na exacerbação do sentimento anti-ocidental no mundo árabo-muçulmano.

Israel, por mais trágico que tenha sido o sofrimento dos judeus devido às perseguições no século passado e notável a sua contribuição para a cultura mundial, não pode ignorar o interesse que 1,5 mil milhões de muçulmanos e 1,2 mil milhões de cristãos têm em Jerusalém (8), uma cidade que o acaso da história destinou a ser o Lugar Sagrado das três religiões monoteístas, nem conceber a sua permanência à custa da apropriação do povo palestiniano.

A não ser que se queira precipitar uma nova fractura Norte-Sul ou alimentar um novo «choque dos imaginários» (9), prelúdio de um novo conflito de civilizações, o Ocidente terá de integrar os seus novos parâmetros nas suas relações com o mundo não ocidental, tendo em conta o facto de que o Paquistão, a Arábia Saudita, e para além deles, todo o mundo muçulmano, apesar de toda a sua grande boa vontade pró-americana, estão, quanto a eles, cativos do legado de Osama Bin Laden, qualquer que seja, aliás, o destino que tenha sido reservado ao seu antigo irmão de armas, paradoxalmente dependentes, em parte, da sua consideração por um dos vencedores do temível exército vermelho na guerra do Afeganistão, cujo prestígio no mundo árabe-muçulmano só é ultrapassado pelo dos recém-chegados ao palco internacional, o libanês Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah e duplo vencedor sobre Israel, o iraquiano Moqtada Sadr, grande decisor da vida política iraquiana, o Hamas palestiniano com a sua resistência corrosiva face a Israel, até mesmo o líder palestiniano Yasser Arafat, cuja resistência obstinada no seu reduto de Ramallah (Cisjordânia) face aos ataques das tropas israelitas do general Ariel Sharon, levou o seu concorrente mais sério, o rei Abdullah II da Jordânia, a elevá-lo ao estatuto de «herói do Médio Oriente de todos os tempos», projectando-o numa dimensão heroica ao nível do mítico revolucionário latino-americano Ernesto Che Guevara ou do derrubador do apartheid branco na África do Sul Nelson Mandela.

Cinquenta e três por cento da população do conjunto muçulmano atribui aos Estados Unidos e a Israel a responsabilidade pelo «fosso criado entre o mundo ocidental e o mundo árabe-muçulmano» e considera a política americana na zona como «arrogante, provocadora e parcial», segundo uma sondagem do Instituto Gallup para o jornal americano «US Today», realizada em Dezembro de 2001 e janeiro de 2001, com uma amostra representativa da população de nove países árabes e muçulmanos (11).

Ponto de tensão dos conflitos latentes entre o Islão e o Ocidente, o conflito israelo-palestiniano e, de um modo geral, o passivo pós-colonial será resolvido não pela coerção mas pela cooperação dos vários protagonistas de um litígio que marcou o século XX para transbordar de forma apocalíptica no novo milénio.

Notas

1-«A força negra mobilizada» cf. «Paris Noir» de Pascal Blanchard, Eric Deroo e Gilles Manceron, Editions Hazan, Setembro de 2001, bem como «Do Bougnoule ao selvagem, viagem no imaginário francês» René Naba (Harmattan 2002).

2-Cf: Um «crisol da nação» a reinventar: O exército abre-se timidamente aos Beurs», Karim Bourtel, cf Le Monde Diplomatique Setembro de 2001, bem como a revista «Islam de France» N°2-199 - «Apelo para a criação de um memorial dos muçulmanos mortos pela França. «O Regimento de marcha norte-africano de Paris» (RMNAP), comandado pelo tenente-coronel Massebiau, era composto por 400 argelinos, 250 marroquinos, 250 tunisinos e 300 europeus, ou seja, 800 magrebinos entre 1.100 homens. Será dissolvido no seio do primeiro exército francês no final do ano de 1944.

3 - Até 1999, a Turquia foi o terceiro país beneficiário da ajuda militar americana, depois de Israel e do Egipto. Só em 1997, a ajuda americana à Turquia na guerra contra os autonomistas curdos superou a que este país tinha recebido durante todo o período de 1950-1983 da Guerra Fria. cf. «Os Estados Unidos entre hiperpotência e hiper-hedemonia, o terrorismo, a arma dos poderosos» Noam Chomsky-Le Monde Diplomatique Dezembro 2001

4 - «Guerra das ondas/Guerra das religiões, a batalha hertziana no céu mediterrânico» por René Naba (Harmattan 1998)

5- O «Pacto de Quincy», concluído no final do encontro em Fevereiro de 1945 no cruzador americano Quincy entre o presidente americano Franklin Roosevelt e o Rei Abdel Aziz Ibn Saoud, fundador do reino, baseia-se em cinco pontos. A estabilidade da Arábia Saudita faz parte dos “interesses vitais” dos Estados Unidos, que em troca asseguram a protecção incondicional do Reino contra qualquer ameaça externa eventual. Por extensão, a estabilidade da península arábica e a liderança regional da Arábia Saudita também fazem parte dos «interesses vitais» dos Estados Unidos. Em contrapartida, o Reino garante a maior parte do abastecimento energético americano, sem que a dinastia Ibn Saoud ceda qualquer parte do seu território, sendo que as empresas concessionárias seriam apenas arrendatárias dos terrenos. Os outros pontos dizem respeito à parceria económica, comercial e financeira saudita-americana, bem como à não ingerência americana em questões de política interna saudita. cf. Richard Labévière «os dólares do terror».

6 – «Guerra das ondas.. » R.Naba op. citada.

7-«a questão judaica colocada ao mundo», cf. Libération 29 de Novembro de 2001, assim como «por uma normalidade judaica» - Edição Liana Lévi 1992.

8- Para uma população de seis mil milhões de pessoas, a distribuição das religiões é a seguinte: Muçulmanos 19,5 por cento, Católicos 18,46 por cento, Hindus 14,03 por cento, Protestantes 9,14 por cento, Budistas 5,87 por cento, Ortodoxos 3,25 por cento, religiões chinesas 2,58 por cento, Animistas 1,63 por cento, Agnósticos 1,49 por cento, Ateus 4,27 por cento (Fonte «povos do mundo» - Libération sábado 19-domingo 20 Agosto 2000).

9- A expressão é do islamólogo franco-argelino Mohamad Arkoune, professor emérito da Sorbonne. Conferência na Universidade de Balamand (Líbano) na qual defende uma revisão fundamental das percepções tanto do mundo ocidental como do mundo muçulmano, com o objectivo de «fazer dos acontecimentos de 11 de Setembro de 2001 um +advento+». Jornal «l’Orient-le Jour» de 16 de Abril de 2002.

10- «A dimensão heróica de Yasser Arafat nas telas das televisões árabes». Cf. despacho da AFP de 14 de Abril de 2002 que retoma a declaração do Rei Abdullah II da Jordânia à cadeia americana CNN feita na quinta-feira, 11 de Abril de 2002, após as conversações do Monarca Haxemita em Amã com o secretário de Estado Colin Powell, qualificando Yasser Arafat como «herói do Médio Oriente de todos os tempos». O despacho relata ainda que o Sr. Arafat é frequentemente qualificado pelos manifestantes árabes como «Saladino», em referência ao vencedor dos Cruzados, ou ainda a Omar Ibn Khattab, em referência ao segundo Califa do Islão que recebeu as chaves de Jerusalém.

11- A sondagem do Instituto Gallup foi realizada com uma amostra de 9.924 pessoas provenientes de 9 países árabes e muçulmanos (Arábia Saudita, Jordânia, Kuwait, Líbano, Marrocos, Paquistão, Turquia, Irão e Indonésia), representando metade da população de todo o mundo árabe-muçulmano. Publicada em 3 de Março de 2002 pelo jornal «Al-Qods A-Arabi» de Londres, apresenta os seguintes dados: 77 por cento dos entrevistados consideram os bombardeamentos americanos contra o Afeganistão «moralmente injustificáveis», contra 9 por cento que lhes encontram uma justificação. 53 por cento julgam a política americana «parcial, provocadora, anti-árabe e anti-muçulmana» e consideram que os Estados Unidos e Israel são «responsáveis pelo fosso que separa o mundo ocidental do mundo árabe-muçulmano». Além disso, a maioria dos inquiridos duvida que as operações tenham sido realizadas por árabes, 18% culpam «os círculos ocidentais» pelos ataques de 11 de Setembro às cidades americanas. As opiniões mais favoráveis à América foram registadas no Líbano (41%) e na Turquia (40%), seguidas pelo Kuwait (28%) e pela Indonésia (27%). A Jordânia e o Marrocos empatam em quinto lugar (22%), seguidos pela Arábia Saudita (16%), pelo Irão (14%) e pelo Paquistão (5%). 58% dos inquiridos expressaram opiniões hostis ao Presidente George W. Bush.

 

Fonte: Retour sur le 11 septembre 2001 (René Naba) – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice