O que distingue o "socialismo com características
chinesas" do capitalismo com características americanas? (3/4)
16 de Setembro de 2026
Robert Bibeau
Por Normand Bibeau.
A primeira parte deste artigo,
comparando alguns elementos das economias chinesa, russa e americana, foi
publicada aqui: Que
o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: O que distingue o "socialismo
com características chinesas" do capitalismo com características
americanas? A segunda parte deste artigo está aqui: Que
o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: O que distingue o «socialismo à
chinesa» do capitalismo à americana? (2/2). Aqui está a terceira parte do
artigo.
A RÚSSIA
CZARISTA DO NEO-CZAR PUTIN.
Após 26 anos de "governo democrático burguês electivo", o
NEO-CZAR Putin "governou" a Federação Russa (2000-2026) por mais
tempo do que o seu antecessor, o Czar Nicolau II, que terá
"governado" apenas 22 anos e 4 meses (1/1/11/1894 – data 15/03/1917
da sua abdicação) sobre o império de "todas as Rússias" (1721-1917).
Sendo assim, continuemos a nossa análise das CLASSES SOCIAIS com aquelas
que existem na FEDERAÇÃO RUSSA, aquele "maldito posto de gasolina",
nascido da gloriosa Revolução Bolchevique de Outubro de 1917 e do golpe de
Estado palaciano dos apparatchiks e "oligarcas" do Estado soviético
de 1991, orquestrado pela CIA, MI-6, MO$$Ad e outros serviços de inteligência.
Deve lembrar-se que as VERDADEIRAS CLASSES SOCIAIS, aquelas que se sucederam ao longo dos séculos e que fizeram a história da civilização humana: "senhores e escravos; barões e servos; burgueses e proletários" e, que fizeram história desde o fim do comunismo primitivo (Marx e Engels, "Manifesto do Partido Comunista"), não se definem em função dos seus «rendimentos», como as classes dominantes querem fazer crer às suas vítimas, os dominados, mas pela forma como obtêm os seus rendimentos; pela propriedade da «mais-valia» extraída do trabalho dos escravos, servos ou proletários para os dominantes; pelo «necessário» para se manterem e se reproduzirem para os escravos, os servos e os proletários para os explorados.
A Federação Russa (doravante
"Rússia") tem uma população de cerca de 144 milhões, dos quais uma população "activa"
de 76,5 milhões e 74,8 milhões de "empregados/proletários", em Junho de
2026 (29,re:tradingeconomics.com/07/2026; % en.wikipedia.org)
Em 2026, 155 russos estão na lista da Forbes de bilionários mundiais, com um património
líquido total de 696 mil milhões de dólares americanos ("G").
(re:Mosow Times, 03/11/2026; reuters.com, 23/03/2026)
Estima-se que o 1% mais rico da população russa, cerca de 1,1 a 1,15 milhões de russos de um total
de 144 milhões, detenha sozinho 47% de toda a riqueza russa. De acordo com o
Relatório Mundial sobre a Desigualdade 2026:
Os 10% mais ricos recebem 51% do rendimento nacional total;
50% dos menos ricos recebem 16%;
Os 10% mais ricos possuem 75% da riqueza russa total;
Só o 1% mais rico detém 47% da riqueza total da Rússia,
o que torna a Rússia uma sociedade particularmente desigual em termos de
riqueza,
uma marca distintiva de um sistema "oligárquico" (re:wid.world,
Relatório de Desigualdade 2026)
A esta característica
"oligárquica" em termos da "propriedade patrimonial" da
grande burguesia russa, devemos acrescentar que estes 155 bilionários russos estão concentrados, na grande maioria, em
"matérias-primas e recursos naturais", directamente ligados à
propriedade da terra: energia, metalurgia, silvicultura e bancos e não de todo
nas empresas comerciais ou industriais, consagrando o seu carácter de burguesia
compradora ao serviço dos estrangeiros, uma espécie de múltipla "bomba de
gasolina", primeiro da Europa (1991-2022), depois da Ásia (2022 – até aos
dias de hoje), negando o modelo "nacionalizado-estalinista", focado
na indústria pesada e na autonomia nacional soviética.
Putin e os "oligarcas" russos
apreenderam propriedades do Estado soviético para decapitá-la da sua indústria
pesada e transformá-la num apêndice da economia europeia, principalmente alemã,
depois ameaçada com um LEBENSRAUM EURONAZI 2.0, que a virou para a
Ásia.
O registo oficial das PME russas listava
cerca de 6,7 milhões de PME, incluindo 4,53
milhões de empresários individuais: pequenos comerciantes, artesãos,
restauradores, pequenos agricultores, profissionais independentes, motoristas, etc., no final de
2025.
Contando com esses «pequenos-burgueses»
e «microempresários» e «trabalhadores independentes» característicos de uma
economia que se estende por um território imenso e em diferentes estágios de
desenvolvimento, foram estimados
aproximadamente 17 milhões de «trabalhadores» esses «pequenos-burgueses»
relativos (re:rmsp.nalog.ru,10/11/2025;roschart.ru,14/09/2026)
Excluindo dos cálculos esta categoria "flutuante" de "trabalhadores independentes", por vezes prósperos, por vezes miseráveis, podemos estimar entre 55 e 65 milhões o número de proletários na Rússia, ou seja, "escravos assalariados" que, possuindo apenas a sua força de trabalho, estão condenados a alugá-la ou vendê-la, dependendo da situação, para sobreviver e reproduzir-se. Estes proletários são trabalhadores industriais, trabalhadores do comércio, transportes, mineração e energia, construção, serviços, funcionários públicos, etc. Esta classe de proletários é, de longe, pelo menos numericamente, a mais numerosa na Rússia.
Entre esses proletários, é necessário
contar cerca de 10 milhões de
profissionais «proletarizados», ou seja, engenheiros, médicos assalariados,
advogados assalariados, técnicos, professores, quadros intermédios, consultores
financeiros, administradores, etc., que podem até pertencer ao 1 a 10% dos
assalariados mais bem pagos, que vivem à margem dos «bairros chiques» e
frequentam ocasionalmente os «lugares da moda» e que, sem serem burgueses de
«bolso», o são de «coração», pelo menos até a verdadeira burguesia os
substituir pela inteligência artificial (IA) e os rebaixar na escala salarial,
precipitá-los contra a sua vontade na fossa dos «revolucionários», sempre
prontos a «mudar de lealdade» e a servir novamente os seus mestres com
fidelidade: a aristocracia operária, a
«esquerda-caviar», os «kapos» do capital.
Na Rússia "neo-czarista", não
existem estatísticas "oficiais" do "lúmpen-proletariado" em
si, trata-se de um "segredo de Estado" que a guerra na Ucrânia
resolveu parcialmente com os "wagnerianos Kalashnikov" contratados
das colónias penais e enviados para o ferro-velho em troca de uma isenção da
pena ou de um salário generoso. As estatísticas "oficiais"
apontam para o número de desempregados em 1,7
milhões em 2026. (re:tradingeconomic.com, 29/07/2026).
Comparando as economias russa, americana
e chinesa, foram obtidos os seguintes resultados:
População: ~144 M; ~ 347M; ~ 1.405 Md;
Bilionários da Forbes: 147; 989; 610 ;
Património Líquido Bilionário: 649 mil milhões de dólares; U$8.400 G; U$2.200
MIL MILHÕES;
Top 10%: % da riqueza total: ~75%; ~ 70%; ~ 70%;
Top 1%: % da riqueza total: ~47%; ~ 34%; ~ 30%;
50% inferiores: % riqueza total: ~3%; ~1%; ~ 5%;
% da receita total superior a 10%: ~51% na Rússia;
A classe média-alta:
Rússia: ~100.000 a 300.000 pessoas ou ~0,1 a
0,2% da população;
U$A: ~ 1 a 2 milhões de indivíduos; ou
~0,03 a 0,06% da população;
China: ~300.000 a 1 milhão ou ~0,02 a 0,07%
da população.
Burguesia:
Rússia: ~1 a 3 milhões ou ~0,6 a 1,9% da população;
U$A: ~10 a 20 milhões ou ~2,9% da população;
China: ~5 a 15 milhões ou 0,35 a 1,0% da população.
Pequena burguesia:
Rússia: ~5 a 8 milhões ou ~3,5 a 5,6% da população;
U$A: ~4,3 a 7,2% da população;
China: ~1,4 a 2,9% da população.
PROLETARIADO:
Rússia: ~55 a 65 milhões ou ~45 a 55% da população;
U$A: ~110 a 125 milhões ou ~39 a 46% da população;
China: 743,4 milhões ou ~39 a 48% da população.
Deixando de lado o tamanho das populações e observando a estrutura de
classes destas três (3) sociedades, é claro que são totalmente semelhantes e
que cada uma destas sociedades é caracterizada:
1- pela sua concentração de riqueza patrimonial no
topo da hierarquia social, enquanto uma pequena percentagem da sua população
detém mais riqueza do que a sua grande maioria;
2- que só um pequeno punhado de bilionários detém mais
riqueza do que 50% da população mais pobre;
3- que os 10% mais ricos detêm entre 47% (na Rússia) e
60% (no U$A e na China) de toda a riqueza destas empresas;
4- Em todas estas sociedades, entre ~ 2 e 7% da população detém os meios de
subsistência e vive escandalosamente rica da exploração dos seus semelhantes,
contra entre ~ 70 e 78% da população que não os possui, tendo de vender a sua
força de trabalho para subsistir e reproduzir-se mal.
Todas as distinções que a burguesia inventou para negar esta realidade descoberta por KARL MARX, que:
«a riqueza se concentra num polo e a pobreza no outro» e que a humanidade, não importa a sua cor, língua, religião ou qualquer atavismo que a caracterize num determinado momento da sua história, está condenada pela própria evolução humana a proletarizar-se até à revolução proletária, enquanto os proletários se unirão e derrubarão a ditadura desta minoria que desaparece como pele de peixe e que será exterminada por esta mesma revolução, enquanto surgirá a sociedade socialista «de cada um segundo as suas capacidades e a cada um segundo o seu mérito» como precursor da sociedade comunista «de cada um segundo as suas capacidades e a cada um segundo as suas necessidades» sem exploração do homem pelo homem.
Para a continuação deste artigo–
Publicado pela Éditions L'Harmattan em
Paris, o volume de Robert Bibeau e Khider Mesloub: "DA INSURREIÇÃO POPULAR À REVOLUÇÃO
PROLETÁRIA". Coleção Questões contemporâneas. 220 páginas.
Para encomendar online
em Harmattan: Da insurreição popular à revolução proletária –
Robert Bibeau, Khider Mesloub, na AMAZON: https://www.amazon.ca/-/fr/linsurrection-populaire-%C3%A0-r%C3%A9volution-prol%C3%A9tarienne/dp/2336478714/ref=sr_1_8?
Versão em Língua Portuguesa
Que
o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: DA INSURREIÇÃO POPULAR À REVOLUÇÃO
PROLETÁRIA
Este artigo foi traduzido para Língua
Portuguesa por Luis Júdice

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