terça-feira, 8 de setembro de 2026

Proxys do MI6 e da CIA disputam quem liderará a Ucrânia após o colapso

 


Proxys do MI6 e da CIA disputam quem liderará a Ucrânia após o colapso

8 de Setembro de 2026 Robert Bibeau


Por Moon of Alabama – 4 de Setembro de 2026

A luta pelo futuro da Ucrânia está a intensificar-se.

Não apenas na linha de frente, ou entre centros locais de poder em Kiev, mas também entre os serviços de segurança dos "aliados" anglo-americanos.

Na quarta-feira, ocorreu um tiroteio entre unidades do principal serviço de inteligência (militar) GUR e forças do Serviço de Segurança Interna (SBU) em Kiev.

Esse incidente intrigante tem um contexto multifacetado. Events in Ukraine tenta resumir as razões para isso:

Em primeiro lugar, o antigo conflito entre o SBU e o GRU. Neste caso, trata-se na verdade do SBU e da nova direcção do GRU contra o antigo chefe do GUR, Kirilo Budanov, e as legiões de guerreiros do GUR que permanecem fiéis a Budanov. Do lado do SBU, temos o seu implacável chefe Oleksandr Poklad, também conhecido como «o estrangulador«.

Um segundo conflito surge por trás desse primeiro conflito. Do lado do SBU está o clã no poder de Zelensky, que há muito tempo se sente frustrado com as excessivas ambições de Budanov. O facto de Budanov ainda controlar um exército privado de senhores da guerra ideologicamente fanáticos desagrada ao presidente e à sua corte privada. Budanov também tentou contrariar o plano de Zelensky de nomear o ultra-leal Poklad como chefe de jure do SBU. …

Terceiro e principalmente, os rendimentos. Mais precisamente, a concorrência pelo controle da actividade muito lucrativa dos call centers fraudulentos, que emprega cerca de 60.000 ucranianos e gera 1 mil milhões de dólares por mês. Os europeus pressionaram Zelensky a agir contra esta indústria, que funciona muito claramente com a bênção das agências ucranianas de «aplicação da lei», em particular o GUR e o SBU.

Já houve incidentes semelhantes entre a GUR e a SBU. Um tiroteio envolveu o controlo de um resort de férias de luxo. Outros eram para negócios mais valiosos:

O tiroteio de hoje ocorre justamente no momento em que Zelensky anunciou uma nova lei para combater os call centers fraudulentos. Bem a tempo, porque nos últimos meses houve uma vaga de ataques terroristas e assassinatos em todo o mundo, todos ligados ao GRU e aos seus call centers fraudulentos – tortura e decapitação em Bali, explosões no Mónaco e, pior ainda, europeus burgueses ingénuos roubados das suas poupanças. Constantemente ligado a esta rede transnacional de violência está o estranho grupo de senhores da guerra fanáticos do GRU, bem como chefes de máfia mais tradicionais.

Estas guerras territoriais mafiosas tornaram-se há muito normais na Ucrânia.

Mas, por trás do recente tiroteio, há mais do que um problema de rendimentos financeiros por fraude telefónica.

Como chefe do GUR, Kirilo Budanov tinha-se tornado um concorrente sério para o presidente (interino) Volodymyr Zelensky. Foi promovido à saída do GUR, ficando assim cortado da maioria dos seus recursos e soldados, para dirigir o gabinete do presidente. Embora seja uma posição poderosa, a decisão foi tomada para manter Budanov sob controlo.

Ainda mais por trás disso esconde-se uma luta entre os aliados de Zelensky no MI6 britânico e na CIA para decidir quem deve liderar a Ucrânia.

Como escreve a Black Mountain Analysis:

A ideia de que a Ucrânia funciona como uma entidade totalmente soberana a tomar decisões de forma independente é desmentida pela influência omnipresente dos serviços de informação ocidentais, em particular o MI6 britânico. A estratégia da Ucrânia em tempo de guerra é em grande parte moldada no estrangeiro, com os serviços de informação britânicos profundamente enraizados na tomada de decisões militares e políticas do país.

Zelensky e o SBU são mais ou menos agentes do MI6.

A CIA, e a Casa Branca por trás dela, querem que o seu homem, Kirilo Budanov, assuma o controle e encontre um acordo com a Rússia.

Zelensky deveria colocar-se de lado.

Leia este conselho do Atlantic Council, liderado pelos EUA, num artigo recente sobre Foreign Policy (arquivo):

Desde o Verão passado, o descontentamento do público em relação às acusações de corrupção no círculo restrito de Zelensky e a recente demissão de Fedorov intensificaram a queda de Zelensky na opinião pública.

Há duas maneiras de resolver este problema. A primeira – uma eleição em tempo de guerra – tem pouco apoio entre os ucranianos, continua logisticamente complexa e actualmente é ilegal. A segunda consiste em remodelar o sistema de governação, reduzindo a intervenção presidencial na gestão do programa nacional, criando um governo de unidade nacional e colocando um grupo de funcionários eficazes e sem suspeitas, vindos dos vários partidos, aos quais se acrescentariam os funcionários competentes que Zelensky demitiu porque os via como concorrentes potenciais.

Infelizmente, nada sugere que Zelensky consiga tomar tal medida. … O tempo do domínio centralizado por um pequeno grupo de amigos já passou há muito tempo, e os líderes ocidentais e o próprio povo dele devem pressioná-lo sempre que houver oportunidade a tomar medidas para garantir a unidade nacional e uma governação eficaz.

Esta linha de pensamento foi promovida durante algum tempo por várias ONGs ocidentais remuneradas. Zelenski deve ser mantido no cargo como chefe de Estado cerimonial, enquanto os assuntos verdadeiros deveriam ser tratados por algum tipo de comité (controlado pelos Estados Unidos).

Coincidência (não!) – no dia seguinte à publicação do artigo anti-Zelenski pela Foreign Policy, o New York Times publicou um artigo pró-Budanov:

Após ter combatido ferozmente a Rússia, ele quer abrir o caminho para a paz na Ucrânia – New York Times – 4 de Setembro de 2026

Kyrylo Budanov, soldado condecorado e antigo chefe de espionagem militar, defende uma solução negociada. As negociações deverão recomeçar este mês.

Budanov, de 40 anos, é chefe do estado-maior do presidente Volodymyr Zelensky e tenente-general no exército ucraniano. Como defende a negociação, tem pouco para provar enquanto soldado que enfrentou os russos.

Serviu numa unidade treinada pela CIA, dentro da agência ucraniana de inteligência de defesa, cujo chefe foi assassinado num atentado com carro armadilhado em Kiev. Em 2016, uma bala de metralhadora partiu o cotovelo de Budanov. Foi tratado no Centro Médico Militar Nacional Walter Reed, no Maryland, durante meses, para reconstruírem o seu braço. Após a invasão russa de 2022, ajudou a organizar alguns dos contra-ataques mais ousados da Ucrânia.

Budanov ainda usa um corte de cabelo militar e é conhecido pelos seus olhares penetrantes com os seus olhos escuros. Numa sala decorada com um ícone cristão pintado na placa de cerâmica de um colete à prova de bala, ele entreabriu a cortina sobre a arte de negociar com inimigos mortais.

Bodanov é apresentado como aquele que poderia conduzir a Ucrânia rumo à paz com a Rússia (sob condições americanas):

Uma das principais razões pelas quais o Sr. Budanov aceitou o cargo de chefe de gabinete em janeiro passado, disse ele, era a oportunidade de conduzir negociações.

Na altura, o Sr. Witkoff e os negociadores russos e ucranianos tinham escrito um plano de paz de 20 pontos, mas dois pontos-chave não estavam resolvidos: ..

Durante as entrevistas em Abu Dhabi, o Sr. Budanov tentou dar um novo tom, explicou.

Ele disse que tinha dito à delegação russa que eles deveriam estabelecer um objectivo, como conceber compromissos para a governação pós-guerra no Donbass, e trabalhar nisso.

Em Fevereiro, disse ele, algumas ideias potenciais incluíam entregar a zona a empreiteiros militares privados, permitir que o Conselho da Paz do Sr. Trump a governasse, ou formar administrações civis conjuntas ucranianas e russas.

Esta proposta absurda, que Budanov argumentou, deve vir dos amadores da Casa Branca.

O tiroteio em Kiev era, portanto, muito mais do que uma discussão mafiosa sobre negócios comerciais.

É o sintoma de uma luta para saber quem controlará a política externa da Ucrânia. O MI6 e a CIA têm, cada um, as suas preferências.

Mas o que é realmente interessante é que Moscovo, ao que parece, tomou uma posição activa nesta área:

Yaroslav Trofimov @yarotrof – 13h30 UTC · 4 de setembro de 2026

Um drone a jacto russo (basicamente um míssil de cruzeiro) acabou de voar para dentro do escritório do chefe do serviço de informações ucraniano SBU, Poklad, no coração de Kiev. Ele não foi morto, mas Zelensky ordenou retaliações sempre que possível. … 


O ataque russo (ou vindo do GUR?) ao capanga de Zelensky, Poklad, que está a tentar eliminar Budanov, ocorre enquanto a Casa Branca, após uma longa pausa, retoma as negociações sobre a Ucrânia:

– Os negociadores americanos Steve Witkoff e Jared Kushner planeiam visitar Kiev e Moscovo em breve, disse uma fonte à TASS.

– No início de Setembro, uma fonte disse à agência que Witkoff e Kushner estavam a intensificar os seus esforços de mediação sobre a Ucrânia.

– Já se realizaram contactos telefónicos com a parte ucraniana, segundo a fonte.

– Vladimir Zelensky declarou no dia anterior que já tinham sido fixadas datas provisórias para a visita de Witkoff e Kushner a Kiev.

– A visita poderá ocorrer num futuro próximo, acrescentou.

Witkoff e Kushner deveriam interpretar o ataque de drone "russo" à sede do SBU como um gesto de boas-vindas.

Moon of Alabama

Traduzido por Wayan, revisto por Hervé, para o Saker Francophone.

 

Fonte: Les proxys du MI6 et de la CIA luttent pour savoir qui dirigera l’Ukraine après l’écroulement – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




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