quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Guia da Marselha colonial

 


Guia da Marselha colonial

René Naba / 1 DE DEZEMBRO DE 2022 /  EM FranceMédias

 

Guia da Marselha colonial

Éditions Syllepse
Publicação : Setembro de 2022
ISBN : 979-10-399-00-57-7
https://www.syllepse.net/guide-du-marseille-colonial-_r_25_i_909.html
https://guidedumarseillecolonial.org/top


Se Bordéus e Nantes passaram à posteridade por terem sido os mais importantes portos negreiros de França, Marselha, «Porta do Oriente», foi o porto de trânsito por excelência para as possessões francesas ultramarinas: Argel, Tunes, Casablanca, Dacar, Abidjã, Beirute, Alexandria, Djibuti, Haiphong, Pondicherry, etc.), o que explica a presença marcante do facto colonial na cidade fócia, que através das suas ruas glorifica alguns dos mais sinistros personagens, incluindo famosos traficantes de escravos.

Começando por Jean Baptiste Colbert. O autor do tão horrível «Código Negro» da escravatura (1685) beneficia, de facto, não apenas de uma rua com o seu nome, mas também de uma estação de metro e, sobretudo, de uma Escola Secundária Profissional, sem dúvida para educar as gerações futuras sobre os seus feitos.

Para ir mais longe sobre o tema Le Code Noir ou l’Édit sur la Police des Esclaves
#https://www.histoire-pour-tous.fr/histoire-de-france/4117-le-code-noir-ou-edit-sur-la-police-des-esclaves-1685.html  

Adolphe Thiers, o horrível coveiro da Comuna (1871), tem direito a um liceu, situado no nº 5 da Place du Lycée, no 1.º arrondissement de Marselha, bem no coração do Bairro Thiers, não muito longe do Vieux-Port. Reúne um colégio, um liceu e numerosas turmas preparatórias para grandes escolas.

Porém, por outro lado, a antítese de Adolphe Thiers, em suma, Louise Michel, a musa da Comuna, dispõe de um modesto jardim, recatado - relegado? - no perímetro populoso de Belsunce, comumente designado como “bairro árabe”. O seu topónimo, estabelecido mais de cem anos depois da atribuição do liceu a Adolphe Thiers, é uma homenagem tardia à heroína da Comuna, que morreu nas proximidades num hotel do Boulevard Dugommier.

Que uma instituição dotada de turmas preparatórias para as grandes escolas - a elite intelectual da nação francesa - seja agraciada com o nome de um horrível partidário da capitulação – e não da resistência ao ocupante, dá que pensar.

 Este facto dá uma ideia da constituição mental da burocracia francesa….

A crer que Adolphe Thiers interiorizou no psíquico francês a ideia de capitulação. A tal ponto que a capitulação parece ter-se tornado o modo operatório do poder francês. Quatro capitulações em dois séculos: Waterloo (1815), Sedan (1870), Montoire (1940), Dien Bien Phu (1954); sem contar Trafalgar, a expedição do México (1861-1867) e Fachoda (1898), um recorde único entre as grandes democracias ocidentais.

A pátria do canto para a adesão à Revolução francesa, que se tornou o hino nacional francês - La Marseillaise -, é uma terra de paradoxo. Pelo menos, essa é a impressão que se obtém da leitura do «Guide du Marseille Colonial», obra de um colectivo co-editada pelas Edições Syllepse e Courtechel – Livraria Transit (Marselha).

Para memória, a «capital marítima do Império francês», que fez a fortuna de grandes famílias marselhesas, foi palco de duas exposições coloniais, antes de Paris assumir o papel. E isso poderia explicar a preponderância do espírito colonialista, se não colonial, da antiga Massília.

A observação é de grande crueldade: O refluxo do império revela – como uma reprografia de carbono-14 – os estigmas da colonização... como o refluxo da maré baixa que espalha o mar devastado nas margens.


Uma revisão dos detalhes, sem que a lista seja exaustiva:

Assim, a Rua Paul Frédéric Mollet homenageia o «pacificador» de Marrocos, termo eufemístico para designar a submissão do reino xerifiano e a sua servidão aos interesses imperiais de França. Paul Frédéric Mollet, fundador do 1.º REP (Regimento de Paraquedistas da Legião Estrangeira), está contudo enterrado em Aubagne e não em Marselha, e o REP foi dissolvido após o golpe dos generais em Argel, em 1961. Os laços extremamente ténues entre Marselha e o general justificam, no entanto, atribuir-lhe uma rua, se não à sua glória, pelo menos à sua memória em Marselha e não em Aubagne? A função de Marselha será ser um depósito de lixo da História?

A Rua Louis Régis foi, por sua vez, assim baptizada em honra de um opulento negociante da Guiné, ou seja, um explorador das riquezas deste país da África Ocidental Francesa, um explorador glorificado talvez em nome da "missão civilizadora da França" e do "papel positivo da colonização", enquanto a França é vista como um "Fardo de África". A Guiné, reconhecendo este facto, será aliás o primeiro país a conquistar a sua independência da França, em 1958, sob a presidência de Sékou Touré, dois anos antes da descolonização decretada pelo General Charles de Gaulle e do lançamento da "France à Fric".

 

Para ir mais neste tema:
https://www.lemonde.fr/economie/article/2014/05/26/elise-huillery-la-france-a-ete-le-fardeau-de-l-homme-noir-et-non-l-inverse_4425976_3234.html

 

A Rua Alexis Rostand foi atribuída ao titular de um patronímio famoso, não em homenagem a um natural da cidade, fabuloso contador das aventuras do Conde de Monte Cristo que encantou a juventude do Mundo, nem sequer em homenagem a um sábio biólogo, mas mais banalmente a um banqueiro, acumulador, numa reprodução perfeita em miniatura do CAC 40: Vice-presidente da Companhia dos Pesquisadores de Ouro - todo um programa -, Presidente do Banco da África Ocidental, membro do comité de gestão do Banco da Indochina e de uma infinidade de honorários de presença. Tal personagem justifica-se como exemplo?

O Chemin Sainte Marthe, que margeia o 14º arrondissement, não foi baptizado por autarcas movidos por uma religiosidade exacerbada, mas de forma mais prosaica em referência ao nome do quartel que serviu de local de trânsito para os territórios ultramarinos, soldados a caminho da Indochina e da Argélia, duas memórias dolorosas para o subconsciente francês que poluem o debate público francês há meio século, alimentadas, ademais, pelos nostálgicos do Império francês inconsoláveis com a perda da sua antiga glória.

Esta psico-rigidez nostálgica encontra aliás a sua concretização mais patológica e aberrante na presença de um «lobby pied-noir» em França, o único país entre os antigos grandes impérios coloniais ocidentais a dispor de tal grupo de pressão anacrónico, apesar de quase todos os antigos colonos franceses da Argélia já terem falecido, 60 anos após a independência desse país. Ao contrário do Reino Unido, que possuía um império colonial maior do que o da França, onde nunca existiu um lobby de nostálgicos do Império das Índias ou da África anglófona, sendo que o Commonwealth representa ainda, com 52 membros, um terço da população mundial. Ao contrário de Espanha e Portugal, as outras duas potências coloniais europeias.
Parece insalubre, em termos de coerência intelectual, colocar no mesmo plano a exploração, a opressão, a despersonalização pluri-secular dos colonizados, a sua escravização e o tráfico de que foram alvo, e os infortúnios de antigos colonos, iludidos pela política do seu governo. Os Pieds Noirs são as vítimas privilegiadas do Estado colonial e não do Estado colonizado.

Para recordar: A tradição não consiste em conservar cinzas, mas em manter bem uma chama. (Jean Jaurès).
A rua Auguste Vimar homenageia um caricaturista encarregado da ilustração dos catálogos das exposições coloniais de Marselha no início do século XX…, através de caricaturas “racistas”. Com que coerência se reivindica este país que se diz racional à moda cartesiana ao colocar no índice um humorista franco-camaronês, Dieudonné, pelas suas provocações racistas, enquanto glorifica “ao mesmo tempo” um caricaturista gaulês abertamente racista?
O General Michel Mangin, o organizador do massacre do “Chemin des Dames”, durante a 1.ª Guerra Mundial, na qual 1.400 artilheiros senegaleses foram dizimados pelo metralhamento alemão, recolherá pelo caminho o qualificativo infamante de “triturador e carniçeiro de negros” por Blaise Diagne, o primeiro deputado africano a sentar-se na assembleia nacional francesa.

Mangin será demitido, sanção pela sua incompetência. No entanto, em Marselha, beneficia não de uma ruela ou de uma viela, ou sequer de uma rua sem saída, mas de um BOULEVARD. AH Pobre coitadoooo!: Que disparate.

Sem contar com as Baumettes, cujo historial prisional é consternador. Ao lado de bandidos e assassinos, mafiosos e vigaristas, o principal centro prisional de Marselha abrigou resistentes, independentistas, em suma, todos aqueles que não se curvaram perante o arbítrio e a injustiça, dos quais aqui se apresentam, a título de exemplo, alguns dos seus mais ilustres inquilinos: Gérard Avran, sobrevivente do Holocausto, René Hirschler, rabino, Abane Ramdane (FLN argelino), Mohamed Boudia, dramaturgo e militante independentista argelino, Ali Yata, líder do partido comunista marroquino, Mostefa Lacheraf, sociólogo e homem político argelino, Louise Alcan, escritora e resistente francesa, Mélanie Berger Voile, costureira militante trotskista e resistente francesa, Jacques Trolley de Prevaux, almirante e resistente francês, finalmente Bernard Tapie e Roland Courbis, assim como a mítica Gabrielle Russier, professora, agregada de letras, que deu que falar na década de 1970 pelos seus amores proibidos na época com o seu jovem aluno e imortalizada pelo presidente Georges Pompidou.

Uma ressalva, porém: Marselha orgulha-se de ter criado um jardim público com vista para o seu lendário Vieux Port, no perímetro do majestoso Pharo, em memória de Missak Manouchian, líder do grupo de 22 «metecos», resistentes à ocupação alemã, todos executados pelos nazis, cujo sacrifício foi imortalizado por Léo Ferré na sua famosa canção «L’Affiche Rouge».

Outra incongruência, mas esta saudável: a Rue de la Palestine... um nome agora sacrílego no léxico político francês desde a transposição em França da Lei IHRA (Aliança Internacional pela Memória do Holocausto), por macronistas oportunistas paralisados pelo passado colaboracionista de Vichy e com pressa de se isentarem dele, trocando o anti-judaísmo secular em França por um anti-arabismo.

Quem sabe: Que um militante brincalhão de Marselha — nem todos os militantes são antipáticos, muito pelo contrário, e o activismo é compatível com o humor — estabeleça agora nesta rua o ponto de encontro de todas as manifestações pró-palestinianas que tenham Marselha como palco, matará pela ironia a censura encoberta que se abate em França sobre uma das maiores injustiças do século XX.

Ao fim desta caminhada não exaustiva, coloca-se uma questão: Por que é que Marselha se sobrecarrega com tal legado colonial memorial?

Marselha honrar-se-ia em baptizar uma das suas ruas com o nome de Félix Eboué, Governador da Guadalupe, primeiro afro-descendente a ter aderido à França Livre e, por isso, um resistente desde os primeiros instantes da Segunda Guerra Mundial, ou mesmo de Pape Diouf, primeiro africano a ter dirigido um clube europeu, concretamente o Olympique de Marselha; ou ainda com o nome de LAMINE SENGHOR, este senegalês envenenado em Verdun, morto pela França, um dos responsáveis pela tomada de consciência, nos próprios cais do porto de Marselha, dos trabalhadores imigrantes ultramarinos da sua condição operária. Neste sentido, Lamine Senghor, porta-voz do lumpem-proletariado excessivamente explorado devido à sua condição de colonizado, será o primeiro africano convidado oficialmente a participar, pelo próprio LENINE, no Congresso da Internacional Socialista em Bruxelas.

Palavra de Júpiter: «A França tem uma parte de África em si. A nossa gratidão deve ser imperecível. Lançarei um apelo aos presidentes das câmaras de França para que façam viver, através do nome das nossas ruas e praças, a memória dos combatentes africanos», anunciou Emmanuel Macron, a 15 de Agosto de 2019, em Saint-Raphaël (Var), durante as comemorações do 75.º aniversário do desembarque na Provença.

 Sem dúvida, Marselha, a rebelde, Marselha, a indómita, saberá mais uma vez sublimar a História de França através da superação do miasma colonial secular francês. De proceder à limpeza das suas ruas à maneira da renovação cosmética que imprime aos seus antigos edifícios.

Não uma renúncia, mas uma renovação. Uma conformidade com a ética do comando e a exemplaridade de um país que afirma ser a "Pátria dos Direitos do Homem".

 

Sobre o « papel positivo da colonização » :
https://www.renenaba.com/a-propos-du-role-positif-de-la-colonisation/

https://www.renenaba.com/le-bougnoule-sa-signification-etymologique-son-evolution-semantique-sa-portee-symbolique/
https://www.renenaba.com/les-colonies-avant-gout-du-paradis-ou-arriere-gout-denfer/

 

A cristalização das pensões dos antigos combatentes «morenos» do ultramar: um salário étnico, injusto e cínico
https://www.renenaba.com/les-oublies-de-la-republique/

 

Quando os artilheiros senegaleses serviam de cobaia
https://afriquexxi.info/Quand-les-tirailleurs-senegalais-servaient-de-cobayes

 

Para ir mais longe neste tema sobre Marselha
https://www.madaniya.info/2021/06/01/de-quoi-marseille-est-elle-le-nom/
https://www.madaniya.info/2018/03/16/le-traumatisme-psychiatrique-algerien-a-marseille/




Ver no link do artigo original

René Naba

Jornalista-escritor, ex-chefe do Mundo Árabe e Muçulmano no serviço diplomático da AFP, depois conselheiro do director-geral do RMC Médio Oriente, chefe de  informação, membro do grupo consultivo do Instituto Escandinavo de Direitos Humanos e da Associação Euro-Árabe de Amizade. De 1969 a 1979, foi correspondente rotativo no gabinete regional da Agence France-Presse (AFP) em Beirute, onde cobriu a guerra civil jordano-palestiniana, o "Setembro Negro" de 1970, a nacionalização de instalações petrolíferas no Iraque e na Líbia (1972), uma dúzia de golpes de Estado e sequestros de aviões, bem como a Guerra do Líbano (1975-1990) a terceira guerra árabe-israelita de Outubro de 1973, as primeiras negociações de paz egípcio-israelitas na Mena House, Cairo (1979). De 1979 a 1989, esteve à frente do mundo árabe-muçulmano no serviço diplomático da AFP, depois conselheiro do director-geral do RMC Médio Oriente, responsável pela informação, de 1989 a 1995. Autor de "Arábia  Saudita, um reino das trevas" (Golias), "De Bougnoule a selvagem, uma jornada pela imaginação francesa" (Harmattan), "Hariri, de pai a filho, empresários, primeiros-ministros" (Harmattan), "As revoluções árabes e a maldição de Camp David" (Bachari), "Media e Democracia, a captura do imaginário um desafio do século XXI" (Golias). Desde 2013, é membro do grupo consultivo do Instituto Escandinavo de Direitos do Homem (SIHR), sediado em Genebra. Ele também é Vice-Presidente do Centro Internacional Contra o Terrorismo (ICALT), Genebra; Presidente da instituição de caridade LINA, que actua nos bairros do norte de Marselha, e Presidente Honorário do 'Car tu y es libre' (Bairro Livre), que actua na promoção social e política das áreas periurbanas do departamento de Bouches du Rhône, no sul da França. Desde 2014, é consultor no Instituto Internacional para a Paz, Justiça e Direitos do Homem (IIPJDH), sediado em Genebra. Desde 1 de Setembro de 2014, ele é responsável pela coordenação editorial do site https://www.madaniya.info  e apresenta uma coluna semanal na Rádio Galère (Marselha), às quintas-feiras das 16h às 18h.

Todos os artigos de RenÉ NABA

 

Fonte: Guide du Marseille colonial - Madaniya

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




Trump recua em relação ao Irão através de negociações fraudulentas.


Trump recua em relação ao Irão através de negociações fraudulentas.

4 de Fevereiro de 2026 Robert Bibeau


Por Moon of Alabama – 2 de Fevereiro de 2026

O fim de semana transcorreu sem nenhum ataque americano contra o Irão.

Trump provavelmente teria gostado de atacar se houvesse uma oportunidade razoável de tornar a guerra curta e bem-sucedida. Mas isso não era possível. O Irão teria retaliado ferozmente contra qualquer ataque e incendiado a região.

Um ataque rápido teria sido a melhor oportunidade de sucesso de Trump. Quanto mais ele pensa que vai durar muito tempo, menor é a probabilidade de ocorrer um ataque.

Trump agora precisa encontrar uma maneira de se livrar das suas ameaças grandiosas contra o Irão. Ele enviou uma guarda avançada para negociações:

O governo Trump comunicou ao Irão, através de diversos canais, que está aberto a uma reunião para negociar um acordo, disse um alto responsável americano ao Axios .

Turquia, Egipto e Catar estão a trabalhar para organizar uma reunião entre o enviado da Casa Branca, Steve Witkoff, e altos responsáveis iranianos em Ancara ainda esta semana, disseram duas fontes regionais ao Axios .

Yves Smith concluiu que:

Trump recua, mas ainda pretende atacar mais tarde.

O cenário mais provável é que algum tipo de negociação simulada permita aos Estados Unidos recuar temporariamente, e que Trump apresente o simples facto de ter garantido as negociações como uma vitória e prova da supremacia americana. Mas não espere que os Estados Unidos cedam. Como Greg Stoker destacou, o ministro da Defesa israelita esteve em Washington na semana passada para reiterar a sua pressão por ataques. Israel não desistiu do acordo nuclear com o Irão. Nem os falcões, certamente.

Podemos esperar que Israel faça o óbvio: continue a envolver-se no que é eufemisticamente chamado de guerra assimétrica, ou mais precisamente, terrorismo, tanto para tentar desestabilizar o Irão quanto para preservar a sua credibilidade entre os falcões do governo. O alcance disso nos próximos meses será um indicador da capacidade do Irão de desmantelar e destruir as redes do Mossad no país após os ataques com decapitações durante a Guerra dos Doze Dias e a recente escalada através de protestos.

Trump certamente está a tornar-se mais errático a cada dia. Ele pode eventualmente concluir que há muita masculinidade em jogo para recuar agora. Mas, como pode ver, ele tem muitos motivos para tentar encontrar uma maneira de recuar, mesmo que diga a si mesmo que é apenas temporário.

Logo após Yves publicar o seu artigo, ficámos a saber que o Irão havia concordado em negociar :

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, ordenou o início de negociações nucleares com os Estados Unidos, informou a media local nesta segunda-feira, após o presidente americano, Donald Trump, ter dito que esperava um acordo para evitar uma acção militar contra a República Islâmica.

“ O presidente Pezeshkian ordenou a abertura de negociações com os Estados Unidos ”, informou a agência de notícias Fars nesta segunda-feira, citando uma fonte anónima do governo.

“ O Irão e os Estados Unidos realizarão discussões sobre a questão nuclear ”, informou a agência Fars, sem especificar uma data. A notícia também foi publicada pelo jornal estatal Iran e pelo diário reformista Shargh .

As negociações provavelmente ocorrerão na Turquia:

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, esteve na Turquia na semana passada e manteve novas conversas telefónicas com os seus homólogos egípcio, saudita e turco, conforme informou no Telegram.

“ O presidente Trump disse que não haverá armas nucleares, e nós concordamos plenamente. Estamos totalmente de acordo com isso. Este pode ser um óptimo acordo ”, disse Araghchi à CNN no domingo.

“ É claro que, em troca, esperamos o levantamento das sanções. Portanto, este acordo é possível. Não vamos falar de coisas impossíveis .”

O resultado provável: Trump terá que suspender algumas sanções e, em troca, obterá um acordo nuclear limitado com o Irão. Suspeito que será mais leniente com o Irão do que o JCPOA, assinado durante o governo Obama e posteriormente enfraquecido por Trump.

As demais exigências feitas pelos israelitas através de Trump contra o Irão – o fim do enriquecimento de urânio, a limitação do número e alcance dos seus mísseis balísticos e o fim do apoio a milícias na região – não farão parte das negociações.

Esses pontos não interessam a Trump. Ele quer e precisa de um acordo — qualquer acordo — que possa ser vendido ao público como uma vitória pessoal. Os detalhes importarão menos para ele do que o facto de que um acordo foi alcançado.

Israel não vai gostar disso. Quer destruir o Irão como potencial líder regional. Israel, por sua vez, é fraco demais para derrotar o Irão. Pode muito bem tentar ataques de falsa bandeira ou terrorismo para finalmente forçar os Estados Unidos a fazer o que Israel quer.

Mas os Estados Unidos já não são a força omnipotente na região árabe que eram há 30 anos. Não possuem recursos para defender os seus navios e bases contra ataques de mísseis balísticos e drones. Isso ocorre enquanto o Irão constrói sistematicamente tais armas e capacidades.

O Irão também ganhou aliados. A ajuda russa e chinesa permitiu que o país desactivasse a rede Starlink, usada para controlar os recentes protestos nas ruas.

A China publicou abertamente imagens de satélite de alta resolução das forças americanas na região iraniana:

Uma nova série de imagens de satélite estrangeiras, da MizarVision, obtidas pelo Global Times , mostra que, a partir de 25 de Janeiro, o número de aeronaves de reabastecimento aéreo KC-135 estacionadas sobre a área de tráfego da Base Aérea de Al Udeid aumentou consideravelmente.

Além disso, outra imagem de satélite, tirada em 25 de Janeiro, mostra novas instalações de equipamentos ao redor da Base Aérea de Al Udeid. Após análise, a equipa técnica da MizarVision determinou que o local provavelmente se tratava de um sistema de defesa aérea Patriot instalado recentemente na base.

Podemos presumir, com certa segurança, que o Irão tem acesso irrestrito a essas imagens de satélite chinesas e russas, bem como às análises de inteligência resultantes.

Novas manobras navais também estão planeadas :

O comandante da Marinha regular do Irão (NEDAJA), contra-almirante Shahram Irani, anunciou que o Irão voltará a receber navios de guerra chineses e russos como parte do exercício Cinturão de Segurança Marítima 2026, que será realizado no norte do Oceano Índico no final de Fevereiro. Ainda não houve confirmações oficiais por parte da China e da Rússia, mas os iranianos estão ansiosos para garantir a participação desses países neste exercício anual, precisando da segurança de ter aliados ao seu lado num momento de tensões elevadas.

Espera-se que os participantes chineses venham da 48ª Flotilha da Marinha do Exército de Libertação Popular (PLAN), sediada no Djibuti, composta pelo destróier de mísseis guiados Tipo 052DL Tangshan (D122), pela fragata de mísseis guiados Tipo 054A Daqing (F576) e pelo navio de abastecimento Tipo 903A Taihu (K889).

O contingente russo provavelmente será composto pela fragata russa da classe Udaloy, RFS Marshal Shaposhnikov (F543), que ainda está na região após ter participado na exposição de defesa DIMDEX 2026, realizada nos dias 19 e 20 de Janeiro em Port Hamad, no Catar.

Nem a Rússia nem a China declararão guerra em nome do Irão. Mas farão o possível para lhe fornecer tudo o que precisar enquanto ele continuar a enfrentar as forças americanas no Médio Oriente.

Embora as chances de uma guerra contra o Irão tenham diminuído, elas não desapareceram completamente. As forças americanas ainda estão no Médio Oriente e prontas para atacar a qualquer momento.

Nos Estados Unidos, Trump está sob pressão. Os seus índices de aprovação estão a cair nas pesquisas. A aplicação rigorosa das leis de imigração continua a corroer o seu apoio. No fim de semana, os republicanos perderam uma cadeira no Senado estadual para os democratas num distrito que antes era um reduto republicano inabalável.

Embora os republicanos, incluindo o vice-governador do Texas, Dan Patrick, viessem soando o alarme sobre a disputa no norte do Texas, dizendo que estava muito acirrada nas últimas semanas, a viragem de 31 pontos para a esquerda foi uma completa surpresa. Esta derrota é um “ alerta para os republicanos em todo o Texas ”, escreveu Patrick nas redes sociais após a votação. “ Os nossos eleitores não dão nada como garantido .”

Isso é um mau sinal para os republicanos que esperam manter a maioria no Senado e uma maioria já apertada na Câmara, disse Jason Villalba, ex-legislador estadual republicano que agora dirige a Texas Hispanic Policy Foundation, um grupo de pesquisa.

“  Quaisquer avanços que o Partido Republicano tenha feito recentemente entre os latinos no Texas, na verdade começaram a regredir ” , disse ele, apontando para as mudanças de sábado em distritos eleitorais do Texas com grandes populações hispânicas. “ Isso terá implicações no Texas e em todo o país .”

Trump precisa de uma vitória. Uma guerra com o Irão dificilmente lhe daria uma. Um novo acordo que possa ser divulgado como tendo impedido o Irão de usar armas nucleares que não possui pode ser vendido como uma vitória. Por ora, Trump parece ter decidido tentar esse caminho.

Moon of Alabama

Traduzido por Wayan, revisto por Hervé, para o The Saker Francophone. Disponível em  https://lesakerfrancophone.fr/trump-recule-face-a-liran-en-utilisant-des-negociations

 

Fonte: Trump recule face à l’Iran en utilisant des négociations bidon – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice



Nos Estados Unidos: o ICE está a criar bancos de dados para classificar cidadãos que resistem ao governo como "terroristas domésticos".

 


Nos Estados Unidos: o ICE está a criar bancos de dados para classificar cidadãos que resistem ao governo como "terroristas domésticos".

4 de Fevereiro de 2026 Robert Bibeau

Esta é uma operação militarizada para controlar a população
e estabelecer uma ditadura tecnotrónica.

Por Resistance 71 com Wine Press

Toda esta história não tem nada a ver com imigração ilegal; o sistema não se importa. Abriu as fronteiras durante o governo Biden para criar o caos. Os mesmos canalhas da Patrulha da Fronteira (CBP), que agora patrulham as ruas com o ICE como capangas da Gestapo do regime, foram os mesmos que cortaram o arame farpado na fronteira sul durante o governo Biden para facilitar a entrada de milhões de imigrantes indocumentados, enviados em autocarros lotados para cidades e áreas específicas. Tudo isso é planeado e não tem nada a ver com política de esquerda-direita, democratas-republicanos; é um plano para o colapso da sociedade e o estabelecimento de uma ditadura tecnotrónica sob o pretexto de "combater a imigração ilegal e o terrorismo". Serve para fichar os cidadãos que se rebelam com razão e para preencher as bases de dados para o bloqueio da grelha de controlo tecnotrónica. O ICE e o DHS não passam de uma polícia política, uma Gestapo, uma GPU (Guépéou) que só serve o sistema tirânico estado-comercial na sua fase final de colapso. A sua única função é a implementação de um estado totalitário à escala planetária, utilizando toda a porcaria electrónica como smartphones, 5-6G, fibra óptica, IA, drones, algoritmos e outros devaneios distópicos para controlar melhor as populações vistas como inimigas do sistema, o que, aliás, a longo prazo, é uma avaliação correcta. Os povos estão em guerra contra os seus governos e o Estado fascista que os anima. O interesse do sistema e o interesse dos povos são diametralmente opostos, ainda se devia dar conta disso e agir em conformidade! O que está a acontecer hoje nos Estados Unidos vai acontecer aqui na França e na Europa, e provavelmente mais cedo do que imaginamos. Isso se deixarmos que eles se safem!

Quando a tirania se torna lei, resistir é um dever!

Abaixo o Estado! Abaixo as mercadorias! Abaixo o dinheiro! Abaixo o trabalho assalariado!

Viva a Comuna Universal das associações livres! Que assim seja e que se fodam os idiotas!

~ Resistência 71 ~


O ICE admite ter criado um banco de dados de americanos e um sistema de crédito social: "Temos um banco de dados muito bom e agora você é considerado um terrorista doméstico."

URL do artigo original  da Wine Press  : https://thewinepress.substack.com/p/ice-admits-to-databasing-americans

~ Tradução parcial do inglês por Resistance 71 ~

Na semana passada  , um vídeo  viralizou nas redes sociais mostrando um agente do ICE ( Serviço de Imigração  e Alfândega, a polícia política do Departamento de Segurança Interna de Trump, composta por agentes da Imigração e Alfândega, bem como da Patrulha da Fronteira ) em Portland, Maine (na fronteira com o Canadá), a dizer a uma mulher que ela estava a ser filmada, fotografada e incluída num banco de dados, e que agora era considerada uma “terrorista doméstica”.

A mulher:  "Porque é que está a anotar minhas informações?"

ICE:  "Porque temos um bom banco de dados e agora você é considerada uma terrorista doméstica."

Parece ser um problema recorrente com o ICE.



Segundo   Ken Klippenstein , um responsável federal disse a este jornalista investigativo que o DHS (Departamento de Segurança Interna, um desdobramento da "guerra ao terror" pós-11 de Setembro, a polícia política do sistema) ordenou que agentes de imigração colectassem informações de identificação de qualquer pessoa que os estivesse a filmar em campo e "enviassem as informações para a Inteligência, que procurará essas pessoas". "Ou seja, tentarão identificá-las através de medias sociais, matrículas de veículos, se disponíveis, e pesquisando o banco de dados criminal", explicou a fonte federal anónima. 

A directiva faz parte de um esforço nacional de colecta de dados pelas autoridades de imigração dos EUA para identificar qualquer pessoa que tente filmar o seu comportamento em campo. Isso inclui não apenas o ICE, mas também todas as outras agências e departamentos do DHS, como a Alfândega e Protecção de Fronteiras. O objectivo final é criar uma lista de manifestantes anti-ICE; esses indivíduos estão a ser rotulados pelo governo Trump (e, é claro, por qualquer governo subsequente) como parte de uma rede organizada de terroristas domésticos.

O comentário do agente no vídeo não é uma bravata nem uma tentativa de intimidar pessoas. Além do que as minhas próprias fontes dentro do Departamento de Segurança Interna (DHS) me informaram, David Bier, director de estudos de imigração do Instituto Cato, publicou um relatório no mês passado ( relatório ) reunindo uma série de incidentes semelhantes ao ocorrido em Portland, Maine. O relatório conclui que o DHS possui uma política estabelecida de intimidar pessoas que tentam filmar os seus agentes, baseando-se em fundamentos legais duvidosos, alegando que isso obstrui o funcionamento adequado dos serviços federais. 

“O Departamento de Segurança Interna (DHS) tem uma política sistemática de ameaçar pessoas que seguem agentes do ICE, da Patrulha de Fronteira (BP) ou do próprio DHS nas ruas, em vias públicas, com o objectivo de registar as suas actividades”, afirma especificamente o relatório.

[…] Quando questionado sobre o propósito da política do DHS de filmar aqueles que filmam agentes do ICE, Bier disse-me que as informações colectadas eram inseridas num banco de dados para possível acção judicial futura.

“Os agentes do ICE filmam as prisões tanto para alimentar a campanha do DHS nas redes sociais quanto para identificar os indivíduos”, disse-me Bier. “Eles carregam as informações no seu banco de dados e verificam se há algum mandado de prisão em aberto ou se essas pessoas estão aqui ilegalmente.”

“A nova guerra contra o terror já começou, e os americanos são o alvo”, concluiu Ken.


Como se devem lembrar, agentes do ICE foram vistos a filmar o veículo de Nicole Good antes de ela ser fatalmente baleada várias vezes na cabeça.

O Departamento de Segurança Interna (DHS) e o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) têm utilizado cada vez mais softwares de reconhecimento facial e algoritmos preditivos para se prepararem para prisões, e por trás de tudo isso está o sistema de pontuação de crédito social.

Na semana passada,  o Biometric Update  publicou  um relatório preocupante sobre uma ferramenta de previsão de IA do ICE chamada "ELITE", gerada pela Palantir (Nota do tradutor: mais uma vez...). "Apoiada por contratos no valor de 160 milhões de dólares, a implementação da tecnologia distópica do ICE está a expandir ainda mais os limites legais já estabelecidos", afirma o autor Anthony Kimery.

A ferramenta do serviço ICE chamada Enhanced Leads Identification & Targeting for Enforcement (ELITE) é usada para identificar "alvos" e direccionar actividades de campo como parte  de um eco-sistema analítico com amplo financiamento, construído pela Palantir Technologies .


Com base nesse banco de dados, o ICE utiliza câmeras e telemóveis com reconhecimento facial para procurar  identidades, inclusive de crianças. Um processo foi aberto contra o ICE após menores terem sido detidos em Chicago por agentes do ICE simplesmente por não apresentarem documento de identificação, mesmo sendo menores de idade e inelegíveis para obter um documento de identidade válido emitido pelo estado de Illinois. ( Nota:  Vale a pena ressaltar que, nos Estados Unidos, portar documento de identificação não é obrigatório.)

Comentário do autor:

Isso ilustra como você sabe que vive numa sociedade opressora e repressiva: agentes do ICE a filmá-lo colocam-no numa lista de “terroristas domésticos”. E daí? Se está tudo bem, porque tanto segredo? Porque é que os americanos são tratados como terroristas no seu próprio país?

Mas essa opressão e tirania estão em vigor desde o 11 de Setembro (2001), com a subsequente Lei Patriota, que identifica e rotula cidadãos como terroristas para nos proteger... de terroristas. E foi também após o 11 de Setembro, durante o governo Bush, que o Departamento de Segurança Interna (DHS) foi criado. Constitucionalmente, esse departamento deveria ser ilegal. Mas os mesmos hipócritas que criticaram a Lei Patriota e a "guerra ao terror" de Bush, tanto interna quanto externa, agora concordam plenamente com ela. Claro, isso ainda não afectou essa classe específica de pessoas, mas, quando afectar, com certeza ouviremos  os seus protestos e exigências pelos seus "direitos constitucionais"...

É importante ressaltar que o ICE sob o governo Trump deportou apenas um pequeno número de pessoas, em contraste com as suas promessas de campanha de deportação em massa, e ele deportou muito menos até agora do que Obama e, a esse ritmo, do que Biden , como já documentei detalhadamente, e quando se excluem as auto-deportações (Nota do tradutor: mediante pagamento), esse número é ainda menor.

Fonte:   Resistência 71 

 

Fonte: Aux États-Unis: ICE construit des bases de données pour ficher les citoyens résistant comme «terroristes domestiques» – les 7 du quebec 

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice