quarta-feira, 2 de setembro de 2026

OS DESERTORES DO VELHO MUNDO

 


OS DESERTORES DO VELHO MUNDO

 

Perante as guerras e outras catástrofes

Otto Dix : A guerra

 

«Recusem-se a obedecer,

Recusem-se a fazê-lo,

Não vão para a guerra,

Recusem-se a partir.

Se for preciso dar sangue,

Vão dar o vosso,

O senhor é um bom apóstolo, Senhor Presidente.

Se me perseguirem,

Avise os seus gendarmes

Que ando armado

E que sei disparar»

Boris Vian, 1954, O desertor (versão não censurada).

 

Desertores da frente de guerra, tal como desertores do trabalho, cada vez mais, a deserção afirma-se como a solução, primeiro individual e depois colectiva, face às tendências belicosas, tanto económicas como militares. Estas duas frentes complementam-se na perfeição e alimentam-se mutuamente. A economia de guerra¹

prepara material e fisicamente, graças às encomendas estatais, a produção e a venda de mercadorias do sector da indústria de armamento — sector que não conhece a crise —, ao mesmo tempo que proporciona uma solução estimulada e artificial para a estagnação económica. Além disso, o clima belicista e ansiogénico permite desviar a atenção dos proletários da inflação e de outras deteriorações das suas condições de vida e de trabalho.

A mobilização, e o surto nacionalista assim esperado, permitem a reconstituição de uma «unidade» que visa abafar qualquer indício de luta de classes. Se, além disso, o inimigo «externo» puder ter aliados ou ramificações políticas no interior do país, isso é uma dádiva (tal como os canhões) para as falsas polarizações, variações infinitas daquela, histórica, entre fascismo e anti-fascismo. No plano económico, a deserção confunde-se com a recusa do trabalho: desde a sabotagem activa até ao absentismo mais ou menos bem organizado.2 Perante esta recusa, cada vez mais requisições e imposições de trabalho forçado desenvolvem-se com a economia de guerra. Estas deserções complementares são, infelizmente, insuficientemente compreendidas como momentos de uma mesma reacção vital contra a morte e a exploração: uma na linha da frente e a outra na rectaguarda, complementar e solidária. Esta sinistra realidade surgiu com a Primeira Guerra Mundial, a primeira guerra moderna em que desapareceu a distinção, outrora essencial, entre civis e combatentes (Massacre de Tamines), levando-nos a um avanço forçado rumo a uma cultura de guerra generalizada, teorizada pelo conceito, derivado de Clausewitz, de guerra total. Esta guerra é designada «total» porque implica a união sagrada de todos os partidos políticos, uma propaganda intensa destinada a mobilizar toda a sociedade em apoio ao «seu» Estado, a fim de destruir na totalidade os recursos do adversário beligerante, combinando destruições civis e militares graças, nomeadamente, à possível utilização da arma nuclear (bombardeamentos das cidades de Hiroshima e Nagasaki).

«Uma guerra total é um conflito cujas consequências e implicações não se limitam aos campos de batalha, mas afectam todas as sociedades dos países mobilizados. A guerra de 1914-1918, em certa medida, e sobretudo a guerra de 1939-1945, são guerras totais. Caracterizam-se, evidentemente, por uma mobilização militar, mas também por uma mobilização completa das energias intelectuais, económicas e humanas.» François Cochet, «Acepções, evoluções e modalidades da “guerra total” na época contemporânea». Les Armées, Hermann, 2018. p. 149-160.3

Esta teoria da guerra total tornar-se-á uma das constantes do capitalismo maduro, com o desenvolvimento generalizado de um Estado intervencionista forte, que dirige e amplia os investimentos militar-industriais. Este Estado é frequentemente apoiado, graças a uma intensa propaganda, por uma mobilização de massas histéricas contra um inimigo — bode expiatório — impiedoso e dissimulado. À frente deste processo, torna-se então oportuno poder impor um homem providencial e carismático (de Mussolini a Eva Perón) que encarne a comunidade nacional purificada e unificada na mística de um novo destino grandioso. Em torno deste homem (ou mulher) excepcional organizar-se-á um culto da personalidade, próprio tanto dos regimes autoritários de «esquerda» como de «direita». Trata-se aqui de algumas características típicas dos fascismos históricos (Itália, Alemanha, Espanha).

«Pode-se definir o fascismo como uma forma de comportamento político marcada por uma preocupação obsessiva com o declínio da sociedade, com a sua humilhação e vitimização, e por cultos compensatórios da unidade, da energia e da pureza; os seus militantes, nacionalistas convencidos, liderados por um partido assente nas massas, colaboram de forma frequentemente rude, mas eficaz, com as elites tradicionais; o partido abandona as liberdades democráticas e persegue, através de uma política de violência redentora e na ausência de restricções éticas ou legais, um duplo objectivo de purga interna e expansão externa». Robert O. Paxton, O fascismo em acção, p. 373, Seuil, Paris, 2004.

Este conjunto de tendências centrípetas em torno de um Estado «totalitário» trabalha cada vez mais abertamente na preparação dos conflitos que se avizinham. É então toda a sociedade que é mobilizada, no medo e numa perspectiva marcial (kit de sobrevivência!).

«Já não existe nenhuma actividade (…) que não seja uma produção destinada, pelo menos indirectamente, ao esforço de guerra. Assim, a par dos exércitos que se enfrentam no campo de batalha, surgem exércitos de um novo tipo: o exército encarregado das comunicações, aquele responsável pelo abastecimento, aquele que se ocupa da indústria de equipamento — o exército do trabalho em geral. O empenho deste exército implica uma «requisitação radical» da sociedade, o que exige que se

organize, nesta perspectiva, até ao mercado mais interno e até ao nervo da atividade mais subtil; e é essa a tarefa da mobilização total (…) Ela liga a rede da vida moderna, já complexa e consideravelmente ramificada através de múltiplas ligações, a essa linha de alta tensão que é a actividade militar.» Ernst Jünger, A mobilização total 4, (1930).

Perante esta perspectiva apocalíptica, a deserção impõe-se como solução, primeiro como forma de sobrevivência individual e, depois, como organização colectiva de resistência e luta. É por isso que é importante destacar estas acções de desolidarização e de ruptura com a união sagrada e a peste nacionalista quando ocorrem, pois são, na maioria das vezes, minimizadas ou mesmo ignoradas. A guerra entre a Ucrânia e a Rússia registou um número significativo desses casos em ambos os campos. É também o caso da população de Gaza que, encurralada numa situação dramática entre numerosas forças burguesas antagónicas, manifestou-se, no entanto, corajosamente contra a guerra e contra todos os beligerantes, interiores e exteriores.

«Recusamo-nos a morrer por quem quer que seja, pela agenda de um partido ou pelos interesses de Estados estrangeiros... O Hamas deve retirar-se e ouvir a voz das pessoas em luto, a voz que se ergue por entre os escombros – essa é a voz mais honesta. (…) Os nossos filhos foram mortos. As nossas casas foram destruídas... (Somos) contra a guerra, contra o Hamas e as facções (políticas palestinianas), contra Israel e contra o silêncio do mundo. (…) Somos oprimidos pelo exército de ocupação (Israel) e pelo Hamas5

Da mesma forma, na actual guerra capitalista entre a Ucrânia e a Rússia, as deserções e os casos de insubordinação multiplicaram-se em ambos os campos e muitos recrutas emigraram com as suas famílias.

«Mais de 100 000 soldados foram acusados ao abrigo das leis ucranianas sobre a deserção desde a invasão em grande escala do país pela Rússia em 2022. Em 2024, a Ucrânia abriu 60 000 processos por deserção, ou seja, o dobro do que nos dois anos de guerra anteriores (…). Cerca de 12 pessoas fogem todos os meses dos exercícios militares na Polónia, afirmou um responsável polaco pela segurança sob condição de anonimato6

Segundo «Le Courrier International»: «Após três anos de guerra no seu território, a Ucrânia enfrenta, de facto, uma explosão no número de deserções. Segundo o meio de comunicação do Catar Al-Jazeera, pelo menos 30 000 soldados terão abandonado as fileiras só em 2024. É mais «do que nos dois primeiros anos de guerra», analisa o Financial Times.» 7

«A deserção em massa das tropas ucranianas treinadas pela França pôs em evidência os problemas de má gestão, num momento em que é mais importante do que nunca ganhar terreno na guerra contra a Rússia. A 5 de Janeiro de 2025, 1 700 soldados da 155.ª brigada, também conhecida como brigada Anne de Kiev, treinados em França, desertaram em massa. Uma investigação jornalística revelou que as tropas tinham abandonado a brigada antes mesmo de chegarem ao campo de batalha.»8

«Trata-se de um número espantoso, uma vez que se estima em 300 000 o número de soldados ucranianos envolvidos nos combates antes do início da campanha de mobilização. E o número real de desertores poderá ser muito superior. Um legislador

versado em questões militares estimou que esse número poderá ascender a 200 000. (…). Muitos desertores não regressam após terem beneficiado de uma licença médica. Cansados da persistência da guerra, ficam marcados psicológica e emocionalmente».9

Os relatos são múltiplos e dão conta da determinação e das artimanhas empregues para escapar à espiral mortal, bem como da perfídia das «autoridades» de cada lado, com o objectivo de enviar nova «carne para canhão» para o matadouro patriótico. (Rastreadas em discotecas, controlos inesperados na rua, …). O recurso a mercenários e a auxiliares (soldados norte-coreanos!) torna-se também cada vez mais comum. E, quando alguns conseguem finalmente desertar, mantêm no exílio um sentimento constante de medo, justificado pelo receio de serem apanhados ou executados.

«Ivan conseguiu escapar a uma ofensiva mortal, enfrentando drones e um atirador ucraniano», relata a revista New York Times. Depois, fez tudo para não voltar à frente de batalha, fingindo, nomeadamente, uma hérnia discal. Após várias idas e vindas a hospitais, Ivan consegue juntar-se a Anna e Sasha, na casa deles, na Rússia. Consegue recuperar o passaporte que lhe tinha sido confiscado no quartel através de um truque de prestidigitação; algumas peripécias mais tarde, Ivan consegue fugir da Rússia passando pela Bielorrússia e pela Turquia, antes de chegar a um destino final, não mencionado pelo New York Times. Hoje, a família e, sobretudo, Anna vivem com medo de serem descobertos: «as piores punições são reservadas aos desertores que morrem em circunstâncias misteriosas», escreve o jornal norte-americano, como no caso daquele piloto assassinado em Espanha, crivado de balas e depois atropelado por um carro. (…) Mediazona, «um meio de comunicação russo independente no exílio contabiliza pelo menos 7 400 casos de deserção do exército russo, mas este número está certamente subestimado, sublinha a revista New York Times.»10

Mesmo durante a Segunda Guerra Mundial, apesar da intensa propaganda belicista polarizada, nomeadamente pelo anti-fascismo burguês, as deserções ocorreram em massa e em todos os campos. Durante a invasão da URSS pela Alemanha, registaram-se até 450 000 deserções entre Junho e Dezembro de 1941.

«Os soldados dos países bálticos alistados no Exército Vermelho desertaram em massa com a chegada da Wehrmacht, em Julho de 1941, aos seus países. Cerca de 1,3 milhões de desertores foram detidos (ou seja, 4 % dos mobilizados) desde o início de 1942 até ao fim da guerra.» Jean Lopez, *A Wehrmacht, o fim de um mito*, 178-179, Perrin, Paris, 2019.

Segundo Charles Glass, na sua obra: «Os Desertores: Uma História Oculta da Segunda Guerra Mundial», «cerca de 50 000 soldados americanos e 100 000 soldados britânicos desertaram das forças armadas durante a Segunda Guerra Mundial. »11

Por fim, convém recordar que «durante a Guerra do Vietname, ocorreram 503 926 deserções no seio do exército norte-americano. A maioria desertou nos Estados Unidos, mas alguns fugiram para outros países.»

Estes poucos exemplos, recolhidos de diversas fontes, infelizmente não permitem estimar a verdadeira dimensão do fenómeno da deserção, nem compreender plenamente as implicações (casos de corrupção) e as cumplicidades existentes em toda a sociedade. E isto, evidentemente, porque esta realidade massiva e recorrente opõe-se frontalmente aos discursos patrióticos e à necessidade cada vez maior de prosseguir, tanto a nível material como ideológico, a preparação para guerras generalizadas. Apenas o derrotismo revolucionário foi forjado para responder adequadamente a este cataclismo. É a «transformação da guerra imperialista em guerra civil»!

O derrotismo revolucionário é uma das posições mais importantes, bem como um contributo teórico crucial de Lenine. Trata-se da única resposta adequada, do ponto de vista proletário, face ao início das guerras capitalistas. E este é um elemento essencial. Este lema remonta à experiência da Comuna de Paris, que interrompeu violentamente a guerra franco-prussiana de 1870, e à revolução de 1905, que eclodiu para pôr fim à desastrosa guerra entre a Rússia e o Japão. Evidentemente, tornou-se o ponto de viragem revolucionário durante a Primeira Guerra Mundial, com base nas práticas de confraternização e nas deserções que ocorreram em massa nas diferentes frentes. Estas foram complementadas por recusas em ir para a frente de batalha, por mutilações voluntárias, por abandonos de postos, pela recusa de ordens e pelo confronto directo com os próprios oficiais… tudo isto indo até à confraternização com os soldados «do outro lado» e à deserção.

«Em diferentes graus, nenhum exército escapa a estes movimentos de revolta. Todos os soldados vivem o mesmo inferno e reagem da mesma forma perante o horror. Assim, o exército alemão teve de enfrentar um recrudescimento do número de motins nos últimos meses do conflito, no momento em que este lhe escapava.» Motins, desobediência e revoltas nas trincheiras da Grande Guerra12.

Estes movimentos culminaram em 1917 com os motins no exército francês, estendendo-se até à revolta dos marinheiros do Mar Negro em 191913, que se opuseram à tentativa contra-revolucionária de submeter a revolução na Rússia à disciplina militar — ela própria um produto directo da guerra. Este derrotismo constitui, além disso, a única alternativa face às traições do «defensismo» e da «união sagrada», que fizeram com que uma grande parte da Segunda Internacional se inclinasse totalmente para a contra-revolução. Consequentemente, todos os socialistas e anarquistas que tinham rejeitado, por pacifismo ou nacionalismo, esta fórmula que delimitava estritamente o campo operário do campo burguês, eram, portanto, em maior ou menor grau, culpados de traição e de compromisso com o social-patriotismo.

«A questão colocada pela situação histórica do proletariado não consiste em escolher entre a guerra e a paz, mas entre a guerra imperialista e a guerra contra essa guerra, ou seja, a guerra civil.» G. Lukács, O Pensamento de Lenine, p. 70, Denoël/Gonthier, Paris, 1972.

Este lema surge numa série de artigos publicados por Lenine e Zinoviev entre Setembro de 1914 e Fevereiro de 1917 e reunidos numa publicação intitulada «Contra a corrente». A sua posição resume-se assim:

«Transformar a guerra imperialista em guerra civil, tal foi o lema essencial que lançámos desde o início da guerra (...) . Foi para nós uma enorme satisfação receber, no final da primeira conferência de Zimmerwald, uma carta de Karl Liebknecht que terminava assim: “a guerra civil e não a paz civil, eis o nosso lema”» N. Lenine e G. Zinoviev, Contra a corrente, p. 10-11, Fac-símile, F. Maspero, Paris, 1970.

As deserções em massa são, assim, o principal terreno fértil do derrotismo revolucionário; constituem o seu impulso vital. Nem todas as épocas são, portanto, adequadas para lançar concretamente a palavra de ordem derrotista e, sobretudo, para organizar a implementação de práticas derrotistas na linha da frente e na produção. Para além da importância do aspecto propagandístico, tais práticas exigem uma organização experiente e bem enraizada no seio da vanguarda operária. Trata-se, portanto, de condições objectivas e subjectivas próprias de um período revolucionário, ou francamente pré-revolucionário. Estas condições não estão, de momento, de forma alguma reunidas; resta-nos, no entanto, o trabalho necessário de reexposição, clarificação e formação política.

«É preciso ter bem presente que esse derrotismo só será possível quando o massacre já tiver gerado um grande descontentamento e permitido o desenvolvimento de uma agitação revolucionária, tendo o próprio trabalho revolucionário passado, durante um período mais ou menos longo, para uma fase clandestina. Será, finalmente, no momento em que o proletariado tiver adquirido consciência e força suficientes para se confrontar abertamente com a burguesia, que os actos derrotistas atingirão toda a sua amplitude; o governo ficará encurralado entre as ofensivas inimigas e os ataques da classe operária; as derrotas militares do governo somar-se-ão às derrotas do patronato e da polícia no domínio das greves e manifestações. As paralisações provocadas na fabricação de armas, a sabotagem dos transportes de mantimentos e munições provocarão a derrota e o pânico na frente de batalha e na rectaguarda. A invasão de exércitos estrangeiros e a necessidade de a burguesia implorar lamentavelmente pela paz ao Estado inimigo acabarão por criar as condições mais favoráveis para a revolução proletária. Quanto ao governo vencedor, não tardará a perceber que há um grande perigo em deixar os seus soldados, durante demasiado tempo, em contacto com o movimento derrotista e revolucionário do país invadido e derrotado.» Derrotismo revolucionário, L’internationale, órgão da União Comunista, n.º 38, Junho de 1938.14

 

Abril 2025 : Fj, Eu, Ms & Mm.

 

Bibliografia

 

Obras:

- J. Chapoutot, Fascismo, nazismo e regimes autoritários na Europa (1918-1945), Puf, Paris, 2013.

-N. Lénine e G. Zinoviev, Contra a corrente, Fac-simile, F. Maspero, Paris, 1970.

-G. Lukacs, O pensamento de Lenine, Denoël/Gonthier, Paris, 1972.

-J. Lopez, La Wehrmacht, O fim de um mito, Perrin, Paris, 2019.

-A. Marty, A revolta do Mar Negro, Fac-simile, F. Maspero, Paris, 1970.

-R. O. Paxton, O fascismo em acção, Seuil, Paris, 2004. Sites web, Articles, revues :

-« Economia de guerra ou guerra à economia », Matériaux Critiques, N°10, assim como no site web : https://materiauxcritiques.wixsite.com/monsite/textes  

-«Viva a sabotagem » Matériaux Critiques, N°10, assim como no site web : https://materiauxcritiques.wixsite.com/monsite/textes  

-François Cochet, «Significados, evoluções e modalidades da “guerra total” na época contemporânea». Em: Les Armées, Hermann, 2018. p. 149-160: no site Cairn Info : https://shs.cairn.info/les-armees--9782705695859-page-149?lang=fr  

-Tomada de posição internacionalista da « Communist Workers’ Organisation, » (T.C.I.) de 28 de Março de 2025 - no site web : Les Internationalistes : https://www.leftcom.org/fr/articles/2025-03-30/manifestations-contre-la-guerre-%C3%A0-gaza   

-O exército ucraniano, face à pressão crescente dos Russos, está a sofrer deserções em massa, Novembro de 2024, no site da Euronews: https://fr.euronews.com/2024/11/30/larmee-ukrainienne-face-a-la-pression-croissante-des-russes-est-en-proie-aux-desertions-de#:~:text =Plus%20de%20100%20 000%20soldats,  

- Acabar com as deserções, recrutar em grande número: a Ucrânia perante a «crise de efectivos», Fevereiro de 2025, no site do Courrier International: https://www.courrier  international.com/vídeo/video-stopper-les-desertions-recruter-en-nombre-l-ukraine-face-a-la-crise-des-effectifs_228016

- A Ucrânia tenta resolver o problema das deserções em massa das suas tropas, no site Euractiv: https://www.euractiv.fr/section/ukraine/news/lukrainetente-de-resoudre-le-probleme-des-desertions-massivesde-ses-trou pes/  

- Uma investigação sobre o elevado custo das deserções no exército russo, Setembro de 2024, no site Radio France : https://www.radiofrance.fr/franceculture/  podcasts/la-revue-de-presse-internationale/la-revue-de-presse-internationale-emission-du-mercredi-25-septembre-2024-2930782

- «Into the Lives of three deserters who did not have a good war», no site do New York Times: https://www.nytimes.com/2013/06/10/books/the-deserters-aworld-war-ii-history-by-charles-glass.html#:~:text =Nearly%2 050%2C000%20American%20and%20100%2C000,Some%20b

- Motins, desobediência e revoltas nas trincheiras da Grande Guerra. No site BUC : https://buclermont.hypotheses.org/2743  

- Derrotismo revolucionário, «L’Internationale», órgão da União Comunista, n.º 38, Junho de 1938, no site: https://www.left-dis.nl/f/defaitisme .pdf

 

Notas:

 

1 Sobre a questão da economia de guerra, escrevemos um artigo intitulado «Economia de guerra ou guerra contra a economia» na nossa revista *Matériaux Critiques*, n.º 10, bem como no nosso site: https://materiauxcritiques.wixsite.com/monsite/textes

2 Também sobre esta questão publicámos um texto: «Viva a sabotagem», na nossa revista *Matériaux Critiques*, n.º 10, bem como no nosso site: https://materiauxcritiques.wixsite.com/monsite/textes

3 No site Cairn info: https://shs.cairn.info/les-armees--9782705695859-page-149?lang=fr

4 Citado por Johann Chapoutot, «Fascismo, nazismo e regimes autoritários na Europa (1918-1945)», p. 46, Quadrige, PUF, Paris, 2013.

5 Citado na declaração internacionalista da «Communist Workers’ Organisation» (T.C.I.) de 28 de Março de 2025. No site Les Internationalistes: https://www.leftcom.org/fr/articles/2025-03-30/manifestations-contre-la-guerre-%C3%A0-gaza

6 No site web Euronews : https://fr.euronews.com/2024/11/30/larmee-ukrainienne-face-a-la-pression-croissante-des-russes est-en-proie -aux-desertions-de#:~:text=Plus%20de%20100%20000%20soldats,  

7 Acabar com as deserções, recrutar em grande número: a Ucrânia perante a «crise de efectivos», Fevereiro de 2025, no site do Courrier International: https://www.courrierinternational.com/video/video-stopper-les-desertions-recruter-en-nombre-l-ukraine-face-a -la-crise-des-effectifs_228016

8 A Ucrânia tenta resolver o problema das deserções em massa das suas tropas, no site EURACTIV: https://www.euractiv.fr/section/ukraine/news/lukraine-tente-de-resoudre-le-probleme-des-desertions-massivesde-ses-troupes/

9 O exército ucraniano, face à crescente pressão dos russos, está a sofrer deserções em massa, Novembro de 2024, no site da Euronews: https://fr.euronews.com/2024/11/30/larmee-ukrainienne-face-a-la-pression-croissante-des-russes-est-enproie-aux-desertions-de  

10 Reportagem sobre o elevado custo das deserções no exército russo, Setembro de 2024, no site da Radio France: https://www.radiofrance.fr/franceculture/podcasts/la-revue-de-presse-internationale/la-revue-de-presse-internationaleemission-du-mercredi-25-septembre-2024-2930782

11 No site web : https://www.nytimes.com/2013/06/10/books/the-deserters-a-world-war-ii-history-by-charles-glass.html# : ~:text=Nearly%2050%2C000%20American%20and%20100%2C000,Some%20b

12 No site web Bibliothèque BCU: https://buclermont.hypotheses.org/2743

 13 Leia mais sobre este assunto: A. Marty, A revolta do mar negro, Fac-simile, F. Maspero, Paris, 1970.

14 Esta análise muito interessante de um dos únicos grupos revolucionários desse período pode ser lida no site: https://www.left-dis.nl/f/defaitisme.pdf

 

Fonte: https://81b6bb22-93ff-445e-9132-db9118c0c19f.filesusr.com/ugd/ca292a_ba603ed58df54304a3041c599547290b.pdf

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice





MATERIAUX CRITIQUES


MATERIAUX CRITIQUES

O subterfúgio burguês da "Liberdade de Comércio" é usado para explorar os proletários

 


O subterfúgio burguês da "Liberdade de Comércio" é usado para explorar os proletários

2 de Setembro de 2026 Robert Bibeau



Por Normand Bibeau.

O INTERNACIONALISMO PROLETÁRIO EXIGE QUE NÃO SE FAÇA INDIRECTAMENTE O QUE NÃO SE DEVE FAZER DIRECTAMENTE.

MARX e ENGELS, no «Manifesto do Partido Comunista» — a síntese científica mais completa da história da humanidade —, escreveram:

«Os proletários não têm pátria» e «um povo que oprime outro não pode ser livre», daí a sua conclusão: «PROLETÁRIOS DE TODOS OS PAÍSES, UNI-VOS» para abolir a forma suprema de exploração do homem pelo homem: o capitalismo.

Com base na doutrina materialista, dialéctica e histórica de MARX e ENGELS e à luz da evolução do capitalismo, que no seu desenvolvimento atingiu o «imperialismo, o seu estádio supremo», com o «mercado mundial» no seio do qual os escravos assalariados (os proletários) circulam «livremente» entre os Estados-nação, ao bel-prazer do capital, para produzir o bem indispensável ao capitalismo: a mais-valia (ou «lucro»), LENINE escreveu:

«Só existe um único tipo de INTERNACIONALISMO verdadeiro: trabalhar de todo o coração pelo desenvolvimento do movimento revolucionário e da luta revolucionária no próprio país e apoiar (através da propaganda, da solidariedade e da AJUDA MATERIAL) essa luta, essa linha, em todos os países, sem excepção» (V. I. LENINE, «As Tarefas do Proletariado na Nossa Revolução», marxists.org).

Assim se expressava LENINE, em 1917, relativamente à «Situação na Internacional Socialista» e à luta implacável dos revolucionários proletários contra os «social-chauvinistas» que, «em palavras», pretendiam perfidamente apoiar a luta dos proletários de todos os países, quando, na realidade, esses renegados burgueses, infiltrados no seio do movimento socialista para o trair, votavam a favor de dotações militares e de guerra e alistavam-se nos exércitos burgueses do seu Estado burguês capitalista para combater os proletários de outros países capitalistas em nome da «nação-pátria», um conceito burguês reaccionário concebido para negar a luta internacionalista de classes e subjugar os explorados aos seus exploradores, transformando-os de «carne para os patrões» nas suas fábricas em «carne para os canhões» nos seus campos de batalha, em nome do «roubo, da pilhagem e do banditismo».

É verdade que, perante a agressão pérfida de uma burguesia «estrangeira» contra a burguesia do «seu» Estado «nacional», pode ser complexo para o proletariado de cada um dos Estados que «se enfrentam» orientar-se revolucionariamente neste pântano de lutas entre capitalistas «nacionais-patriotas» pela dominação dos recursos humanos e materiais de toda a humanidade em benefício exclusivo deles próprios, como os parasitas que são.

LENINE, à semelhança de MARX e ENGELS, resolveu esta questão complexa com a única resposta válida: o INTERNACIONALISMO PROLETÁRIO:

«TRANSFORMAR A GUERRA IMPERIALISTA NUMA GUERRA CIVIL» […] «A NOSSA TAREFA É TRANSFORMAR ESTA CRISE NUMA CRISE REVOLUCIONÁRIA CONTRA A NOSSA PRÓPRIA BURGUESIA».  («A Atitude do Partido Social-Democrata Trabalhista Russo em Relação à Guerra», marxists.org;  «O oportunismo e o colapso da Segunda Internacional», 1915, marxists.org).

Concretamente, o que significa o VERDADEIRO INTERNACIONALISMO PROLETÁRIO no actual contexto mundial de militarização acelerada dos ESTADOS capitalistas, em preparação para os seus confrontos pela partilha do «mercado mundial» de recursos humanos e naturais?

Quando lemos a análise da camarada Hanane Ben sobre a infiltração e a subjugação dos Estados capitalistas remanescentes africanos ao SIONAZISMO ISRAELITA através do «comércio» da «segurança» (artigo aqui: Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: A entidade israelita proxy anda à solta entre os capitalistas africanos chauvinistas), o que se percebe, em última análise: a grande burguesia apátrida e predadora é uma e única, e enriquece-se com cada uma das suas células «nacionais», sem distinção, a fim de perpetuar a sua ditadura de classe sem partilha.

Será esta forma «directa» de cumplicidade entre burguesias a única forma de cumplicidade?

Não acreditamos nisso.


Assim, quando se analisam os meandros do rompimento das relações diplomáticas, do encerramento das fronteiras terrestres e da quase supressão das trocas económicas entre a Argélia e Marrocos, na sequência dos desentendimentos sobre o Saara Ocidental, em 2021, e não, sobre a questão «palestiniana» e a adesão do reino marroquino obscurantista e medieval aos «Acordos de Abraão», que lhe serviram de pretexto, o que é que se apreende?

Em primeiro lugar, as autoridades argelinas não impuseram, em caso algum, restricções comerciais nem «sanções secundárias» à Espanha no que diz respeito às suas exportações de produtos petrolíferos e de gás, importados pela Espanha, deixando-lhe assim total liberdade para os vender a Marrocos, ou pior ainda, ao Estado dos mercenários genocidas SIONAZI$ ISRAELITAS e UKRONAZI$ BANDERISTAS DE KIEV, o que, aliás, a Espanha faz.

Assim, a Espanha compensou, na totalidade, a cessação do abastecimento de gás natural do Marrocos pela Argélia, na sequência do encerramento do gasoduto Magrebe-Europa («MGE»), em Novembro de 2021, através do qual o gás transitava da Argélia para a Espanha, passando pelo Marrocos, que o recebia para as suas necessidades e recebia, de passagem, uma comissão.

Em 2024, a Espanha importou 5,081 mil milhões de kg de gás argelino e exportou para Marrocos 5,347 mil milhões de kg de gás, no valor de 206,6 milhões de dólares americanos, o que ilustra a proporção de gás argelino no gás «espanhol» exportado para Marrocos. (fonte: wits.worldbank.org, 2024; medgax.com; media.realinstitutoelcano.org)

A Sedigas apresenta os seguintes dados relativos às importações espanholas provenientes da Argélia em 2022: 106,4 TWh; em 2023: 116,282 TWh; em 2024: 131,202 TWh, um aumento de 23%, representando 38,6% de todo o abastecimento de gás espanhol (fonte: Sedigas.es, 2024; cnnmc.es, 2024; europeapress.es, 2024).

Durante o mesmo período, os dados aduaneiros marroquinos indicam importações de gás «espanhol» em 2022: 1,882 mil milhões de kg; em 2023: 3,955 kg e em 2024: 5,347 kg, o que representa um aumento de +184% (fonte: wits.worldbank.org, 2022, 2023, 2024)

Estes números, com base na correlação de Pearson para o período de 2022 a 2024, demonstram uma correlação positiva entre o aumento das importações de gás argelino pela Espanha e as exportações de gás «espanhol» para Marrocos a partir do gás argelino, uma prova conclusiva de que os renegados argelinos fazem indirectamente aquilo que afirmam perfidamente não fazer directamente: apoiar financeiramente a ditadura reaccionária dos monarquistas fascistas marroquinos, «aliados» dos SIONAZI$ ISRAELITAS e dos seus senhores YANKEE$ dos EUA e dos EURONAZI$.

Esta prática de intercâmbios comerciais «sem restricções» e «sem sanções secundárias», em nome da «liberdade de comércio» e da «melhoria das condições de vida da população», não passa, na realidade, de um subterfúgio, de um engodo, de uma farsa, iscas ignóbeis e pérfidas da burguesia «nacional» para se enriquecer, colaborando com os seus «irmãos» de classe das outras burguesias na exploração impiedosa do proletariado.

PROLETÁRIOS DE TODO O MUNDO, UNI-VOS E DERRUBEM

O SISTEMA CAPITALISTA QUE VOS DIVIDE PARA VOS EXPLORAR

 

Fonte: Le subterfuge bourgeois de la «Liberté de commerce» sert à l’exploitation des prolétaires – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




Israel Não Está a Debater um Estado Palestiniano.


    


Israel Não Está a Debater um Estado Palestiniano.

Este artigo da grande Amira Hass, publicado hoje no Haaretz, é demasiado urgente e importante para ficar atrás de um acesso pago, por isso copiei-o na íntegra aqui. Por favor, leiam e partilhem. * * * * * * * Israel não está a debater um Estado palestiniano (Israel Isn't Debating a Palestinian State).


1 de Setembro de 2026


Está a preparar-se para a expulsão. A posição de Gadi Eisenkot sobre a criação de um Estado palestiniano não vem ao caso. Em toda a Faixa de Gaza, na Cisjordânia e no próprio Israel, a maquinaria destinada a tornar a vida dos palestinianos impossível já está em funcionamento, preparando o terreno para uma expulsão em massa. Gadi Eisenkot, o favorito nas eleições e líder do partido Yashar, tem uma posição sobre um Estado palestiniano que, em última análise, é irrelevante.

O que está em jogo hoje não é uma «solução diplomática», mas a própria existência do povo palestiniano entre o rio Jordão e o mar Mediterrâneo. As forças israelitas que se esforçam por «apagá-los» não reconhecem limites nem restrições. Os seus apoiantes são demasiado numerosos para que possamos confiar apenas na firmeza e na resiliência de um povo que já suportou planos de expulsão levados a cabo por Israel.

O mundo fica de braços cruzados. A esquerda é minúscula, fraca e rouca de tanto lançar alertas. A oposição anti-Bibi oscila entre minimizar o perigo, permanecer indiferente a ele e apoiar abertamente a expulsão. As condenações esporádicas, motivadas principalmente por algo que o embaixador dos EUA publicou no X, são tão úteis quanto um crivo numa tempestade. Os falangistas judeus atacam constantemente e em todo o lado, não só em Qusra.

O debate sobre um Estado, dois Estados ou uma federação é mais teórico do que nunca. Qualquer solução consensual exige, em primeiro lugar, reconhecer o problema e chegar a acordo sobre o que ele é. Demasiados judeus em Israel foram condicionados a acreditar que o problema é a própria presença nesta terra de um povo palestiniano com raízes, continuidade histórica e económica, capital cultural e bens materiais, um rico património agrícola e um profundo amor pela pátria.

O «apagamento» é a solução de pesadelo que se está a tornar realidade todos os dias. As leis do Knesset, as declarações dos políticos, as ordens militares, os manuais escolares e os sagrados batalhões imobiliários que operam em Gaza, na Cisjordânia e no Negev trabalham, em conjunto e separadamente, para promover esta «solução» diligentemente e sem receio de condenação internacional. A política israelita visa tornar a vida insuportável para os palestinianos, onde quer que vivam, para que a sua emigração possa ser descrita como um acto de livre arbítrio.

No próprio Israel, as autoridades dão carta branca às organizações criminosas árabes para se armarem e matarem cidadãos palestinianos nas suas próprias casas. Na Cisjordânia, essas mesmas autoridades israelitas dão carta branca aos «batalhões de Deus» para se armarem, matarem e expulsarem, enquanto o exército oficial prossegue as suas incursões dia e noite. Na devastada e sedenta Gaza, o governo e o exército cultivam milícias armadas de colaboradores criminosos, enquanto os pilotos israelitas continuam a lançar mísseis de vingança e retaliação que ceifam a vida de ainda mais crianças.

Todas estas demonstrações alimentadas pela testosterona estão interligadas. Ao mesmo tempo, Israel está a destruir ou a restringir severamente a capacidade dos palestinianos de ganhar a vida. Em Gaza, essa missão já foi cumprida.

Uma população de «mortos-vivos» que depende da ajuda humanitária, dois milhões de pessoas que carregam o fardo de cerca de 74 000 sepulturas recentes, famílias e memórias, talentos e profissões, e poupanças evaporadas, está amontoada em cerca de 150 quilómetros quadrados de terra queimada. A criatividade, a engenhosidade e a ajuda mútua são ofuscadas pela dimensão da destruição e pela proibição imposta por Israel à reconstrucção e à recuperação.

Na Cisjordânia, o laço financeiro do Ministério das Finanças está a apertar-se em torno de aproximadamente três milhões de pessoas e da Autoridade Palestiniana. O roubo sistemático de receitas é agravado pelas campanhas de destruição do exército nas cidades e nos campos de refugiados, bem como pelos outros métodos utilizados para impedir os palestinianos de cultivar e desenvolver as suas terras: postos de controlo, proibições burocráticas, cercas e pastores judeus israelitas. No próprio Israel, a «judaização da Galileia e do Negev» foi e continua a ser um eufemismo para o roubo de terras e recursos aos cidadãos palestinianos de Israel.

A discriminação contra eles na atribuição de recursos, subsídios e emprego, a par das proibições de construcção e das demolições, sempre ocupou um lugar de destaque na política oficial dentro da Linha Verde. Permitam-me reiterar: a própria existência do povo palestiniano entre o mar e o rio está agora em perigo. São demasiadas as forças em acção que estão a criar esse perigo: o poderio e as capacidades militares de Israel; o culto ao serviço militar em todas as circunstâncias e sob qualquer governo; a obediência como valor; as armas e os ataques militares como modus operandi por defeito; a normalização do stress pós-traumático entre os soldados e do suicídio entre estes; as atracções de uma carreira militar e as portas que esta abre; o fascínio de uma habitação acessível numa comunidade excludente da Galileia ou num subúrbio de colonos na Samaria; as falsidades da propaganda oficial e não oficial; a indiferença perante o inferno na terra que Israel criou na Faixa de Gaza; a negação de 60 anos de ocupação e domínio forçado; a resposta pavloviana: «Mas o 7 de Outubro»; a sinergia entre o exército, o governo, os rabinos e as milícias que usam kippa na Cisjordânia; a indiferença perante a destruição do Líbano; o desrespeito pela ocupação de mais partes da Síria; a normalização do discurso de expulsão; os sistemas de justiça e de educação manchados pelo racismo secular e religioso; e o exército de carcereiros que maltrata milhares de prisioneiros palestinianos, tanto por ordem como por opção própria.

Em conjunto, estas e outras forças semelhantes estão a criar a infraestrutura material, ideológica e psicológica, no seio da sociedade judaico-israelita, para uma nova expulsão em massa de palestinianos e para o que tal poderá acarretar: um massacre em massa. Os heróis das milícias de colonos declaram abertamente que a expulsão é o seu objectivo. Reconhecem claramente a disponibilidade de amplos segmentos da sociedade judaico-israelita para participar na sua concretização, activa ou passivamente, directa ou indirectamente.

Através das suas provocações e crimes diários, cometidos em plena luz do dia e possíveis apenas graças ao apoio institucional, os falangistas procuram constantemente provocar um acto de raiva e vingança palestiniano que «tenha sucesso», para que possa ser explorado como o estopim que desencadeia uma nova guerra santa. Os falangistas judeus e as organizações de direita que os alimentam contam com uma ampla mobilização, incluindo por parte dos líderes, eleitores e apoiantes do Yashar e do Partido Democrata Liberal, para uma guerra à qual já se poderia atribuir o lema: «Um povo, um exército, uma terra purificada de árabes.»

 

Fonte: https://www.haaretz.com/opinion/2026-09-01/ty-article/.premium/israel-isnt-debating-a-palestinian-state-its-preparing-for-expulsion/000001a0-56c1-dc19-a5a4-dfdfa0fd0000

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




terça-feira, 1 de setembro de 2026

"Ratcliffe, chefe da CIA, sai do seu buraco para recuperar o seu queijo"... que perdeu definitivamente

 


"Ratcliffe, chefe da CIA, sai do seu buraco para recuperar o seu queijo"... que perdeu definitivamente

1 de Setembro de 2026 Robert Bibeau



Por Normand Bibeau.

A desesperada "visita" do verdadeiro "líder" do LEBENSRAUM 2.0 YANKEE U$/ OTANAZI/ EURONAZI/UKRONAZI BANDERISTA KIEVENISTA, o imundo diretor terrorista tr0mpista da CIA/MO$$AD, John RATcliffe, é a prova convincente da falência do híbrido LEBENSRAUM 2.0 contra a Federação Russa para a "balcanizar" à maneira da URSS, Jugoslávia, Palestina, Síria, Iémen, Sudão e Irão em conformidade com o plano de "dividir para reinar" do imperialismo-capitalismo mundial para o "roubo, pilhagem, rapina e exploração" dos povos (Lenine).

Assim, esta visita desprezível e desprezada do principal terrorista do Ocidente colectivo a 25 de Agosto de 2026 "coincide" com a publicação, a 23 de Agosto de 2026, da mais recente sondagem sobre as intenções de voto dos eleitores russos convocados para eleger os 450 deputados da Duma, nos dias 18, 19 e 20 de Setembro de 2026, uma votação da qual sairá um grande vencedor, o partido Rússia Unida do Presidente Putin e do seu alter ego Medvedev, num programa de "escalar a guerra na Ucrânia para negociar, a partir de uma posição de força", a partição deste estado remanescente ucraniano que será "cortado" de Odessa e dos seus portos marítimos para ser "deixado aos seus vizinhos", como a Checoslováquia foi em 1938. (re:wcion.ru, 25/08/2026).

O partido Rússia Unida passou de 32,5%, a 2 de Agosto, para 34%, a 9 de Agosto, para 36% a 16, atingindo 39,2% a 23 de Agosto de 2026, num aumento espectacular constante de +7,1%, o que, juntamente com metade das circunscrições pró-Rússia Unida, que lhe garante entre 205 e 340 deputados (re:ura.news25/08/2026), uma maioria mais do que suficiente para levar a cabo o programa de neutralização do Estado ucraniano como "cabeça de ponte" do LEBENSRAUM 2.0.

No mesmo período, os partidos "pró-escalada": a KPRF com 11,7%; o LDPR a 9,7%; o Partido da Verdade-Rússia, com 4,1 membros, unirá-se-á à Rússia Unida para isolar e pôr fora de perigo: o partido "Novos Povos" com 9,7%, a versão "pró-Ocidente renovada" da IABLOKO, excluindo eleições por "financiamento estrangeiro" e "conluio com o inimigo" na mais pura tradição ditatorial czarista e os agentes "estrangeiros" da CIA/MO$$AD/MI6/DGSE/CSRS/etc., infiltraram-se na Rússia através de embaixadas, jornalistas, "empresários", "exilados ucranianos e todos os membros da "5.ª coluna" mobilizados para um "golpe de Estado eleitoral" com o objectivo de estabelecer um "novo regime" pró-Ocidente.

O que o "Ocidente colectivo" e o seu "líder" terrorista RATcliffe tinham planeado como ponto central da sua campanha para "fazer o povo russo sofrer" (segundo Bruno Lemaire) até ao "golpe de Estado eleitoral" e à queda do regime pró-BRICS Pouliniano (referência ao estilo do escritor quebequense Jacques Poulin – NdT):

- infligindo-lhe uma guerra de propaganda goebeliana sem limites

+ provocando deliberadamente uma guerra na Ucrânia

+ roubando os seus activos soberanos russos no valor de 300 mil milhões de dólares

+ 100.000 sanções económicas

+ destruição terrorista da Nordstream

+ Cortar os seus mercados de exportação

+ tentativa de golpe de Estado por Progine e pelos seus músicos wagnerianos Kalashnikov

+ "Bombardeamento profundo para "fazer o povo russo sofrer"

+ "golpe eleitoral"

+derrube do regime de Putin

+ "revolução colorida"

= a Federação Russa é balcanizada em "6 ou 7 estados étnicos e religiosos fracos" (segundo Kaja Kallas), que voltam a tornar-se o "posto de gasolina da Europa" em vez do dos BRICS + ou -.

CQFD.

Confrontado com a força total da falência do seu programa NEBENSRAUM 2.0, o "líder", criminoso de guerra, anti-humanidade e genocida, John RATcliffe, foi à Rússia para "salvar a sua 5.ª coluna" com "promessas embriagadas" às autoridades russas que, como "um gato queimado teme a água fria", nem sequer se dignaram a encontrá-lo pessoalmente, reforçados pela sua experiência do crime grave e perfídia daqueles representados por este indivíduo desprezível e desumano cuja agência de subversão e terrorismo foi o cérebro do golpe de Estado, da revolução "laranja" de 2004 + do Euromaidan de 2014 + da guerra no Donbass para a limpeza étnica dos falantes de russo ucraniano + os falsos acordos de Minsk de 2015 + a guerra actual + os acordos traídos de Istambul, de Ancara e Anchorage, em suma, mesmo para os renegados russos, não seria possível "negociar" com tal escumalha na véspera de uma eleição que TODAS as sondagens dão a Putin e à sua claque burguesa vitoriosa sobre o "programa de escalada do conflito para negociar a partir de uma posição de força".

Esta desprezada e desprezível "visita" também "coincide" com o "Dia D Económico" de 24 de Agosto de 2026, do imperialismo-capitalismo YANKEE U$/EURONAZI/OTANAZI/ISRAELI SIONAZI/UKRONAZI BANDERITE KIEVENISTA da "IRON AXLINE 2.0" contra o Irão e que ameaça "estendê-lo" à Federação Russa?

A Rússia desde 2014, tal como o Irão desde 1979 e a Coreia do Norte desde 1956, tem sofrido com a "guerra económica" do Ocidente colectivo e parece estar a sair do controlo ainda mais, para desespero deste mesmo "Ocidente colectivo" e para benefício do "Sul colectivo" que beneficia dos recursos naturais da Rússia, do Irão e da Coreia do Norte a um preço mais baixo: aquilo que o imperialismo mundial chama escandalosamente de fórmula: "Ganha-ganha".

Tomemos como exemplo a República “Popular” da China, dos renegados “socialistas à moda de soja” do imperador e “filho do céu” XI e da sua claque de bilionários que beneficia de descontos de cerca de 3 $ US por barril de petróleo russo e de cerca de 5 $ US por barril iraniano, depois de terem condenado de forma apenas simbólica as «sanções unilaterais e as sanções secundárias extra-territoriais YANKEE$ contra o Irão», não como ILEGAIS, mas apenas como «ILEGÍTIMAS», o que reduz o efeito jurídico a nada, e levaram a vil covardia ao ponto de concluir que tomariam «todas as medidas necessárias para defender os interesses chineses legítimos», em desrespeito dos interesses iranianos e possivelmente russos, face ao direito internacional que estes renegados dizem defender, o que é considerado como «um acto de coerção» puro e simples, condenável nos termos da resolução 2131 (XX), de 21 de Dezembro de 1965, da Assembleia Geral da ONU, que no seu artigo 2.º prescreve::

"Nenhum Estado deve usar ou incentivar medidas económicas, políticas ou quaisquer outras para OBRIGAR outro Estado a subordinar o exercício dos seus direitos soberanos ou a obter vantagens dele." (re:the guardian.com, 25/08/2026; aljazeera.com, 24/08/2026).


A Índia do marajá Narendra Modi, que beneficia de descontos de ~ 2 $ US por barril russo e de ~ 4 $ US por barril iraniano; do rei-negro Cyril Ramaphosa com descontos “escondidos” e do tribuno Lula também a beneficiar de descontos “escondidos”, para não mencionar apenas os principais “aliados” do Irão dentro dos BRICS + ou -, em “falsos amigos sem limites” e em verdadeiros renegados, recusam desafiar esta “declaração de guerra” ianque US contra o Irão e eventualmente contra a Rússia, e desonram-se apelando à “diplomacia” e às “negociações” da “soberania” do Irão com os seus coveiros genocidas ianques$/ sionazis israelitas, como os medrosos e cobardes que são TODOS sem excepção, Chamberlain e Laval 2.0, face a um “führer” 2.0, de pele alaranjada e cabeleira oxigenada de degenerado, “pegador de mulheres pela pussy (genitália feminina – NdT)” confessado, fraudador eleitoral e violador condenado, genocida comprovado.

 

"TÊM A ESCOLHA ENTRE GUERRA E DESONRA;
SE ESCOLHEREM A DESONRA, TERÃO GUERRA."


Fonte: «Ratcliffe chef de la CIA sort de son trou pour récupérer son fromage»… qu’il a définitivement perdu – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice