domingo, 15 de março de 2026

Abaixo o ataque imperialista contra o Irão! Guerra de classes contra o imperialismo e o capitalismo!

 


Abaixo o ataque imperialista contra o Irão! Guerra de classes contra o imperialismo e o capitalismo!

15 de Março de 2026 Robert Bibeau


Por  PCINT em    https://www.pcint.org/

O ataque conjunto lançado a 28 de Fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão, que já causou centenas de mortos no Irão e dezenas no Líbano, é estrictamente uma guerra de agressão imperialista; não tem como objectivo ajudar o «povo» iraniano a libertar-se da ditadura dos mulás, nem a fazer face às «ameaças iminentes» que o regime islâmico representaria, como declarou Trump, ecoando as mentiras sobre as «armas de destruição maciça» de Saddam Hussein proferidas no passado para justificar a guerra contra o Iraque. Todos os especialistas militares concordam que o Irão não tem meios para ameaçar os Estados Unidos e, segundo os negociadores, Teerão tinha mesmo aceitado o pedido americano de renunciar ao enriquecimento de urânio. Quanto ao destino da população iraniana, para avaliar o quanto os imperialistas se importam com isso, basta recordar o caso venezuelano, onde os Estados Unidos afastaram a «oposição democrática», preferindo chegar a um acordo com o regime chavista porque este demonstrou a sua capacidade de manter a ordem social, apesar das terríveis condições de vida e de trabalho dos proletários. Da mesma forma, no Irão, esperaram, antes de desencadear a guerra, que o regime esmagasse com sangue as manifestações de Janeiro: perante as massas revoltadas, os mulás obscurantistas e os capitalistas ianques alinham-se do mesmo lado, porque fazem parte da mesma classe social de vampiros. Para os proletários, é, portanto, perfeitamente inútil imaginar, à semelhança dos opositores burgueses e pequeno-burgueses iranianos, que os imperialistas americanos e israelitas entraram em guerra para instaurar um regime democrático. Aliás, desde a sua conferência de imprensa de 2 de Março, Trump já não fala de uma mudança de regime em Teerão como um dos objectivos da guerra.

O ataque americano-israelita tem, na realidade, como objectivo reduzir a influência do Irão que, devido às suas riquezas petrolíferas e de gás, à dimensão da sua população e à sua localização geográfica, está naturalmente destinado a desempenhar um papel de primeiro plano no Golfo Pérsico e no Médio Oriente. No entanto, desde o derrube da monarquia durante a revolução de 1979 e a instauração do regime islâmico, o Irão, outrora importante ponto de apoio do imperialismo americano (que tinha colocado o Xá no poder), disputa-lhe o domínio regional. Foi assim que o Irão constituiu, com os seus aliados (o Hamas palestiniano, o Hezbollah libanês, milícias iraquianas, o governo sírio, os houthis do Iémen), um «eixo da resistência» destinado a opor-se ao poder militar de Israel, o gendarme americano do Médio Oriente. Mas, nos últimos anos, Israel, com o apoio incondicional dos Estados Unidos, tem-se empenhado sistematicamente e com sucesso em quebrar esse eixo, enquanto os Estados Unidos se esforçam por estrangular economicamente a economia iraniana, impondo sanções cada vez mais duras. Os ataques actuais, que visam colocar o Irão de joelhos, inscrevem-se neste esforço para estabelecer uma preeminência americana incontestada no Médio Oriente, uma região cuja importância estratégica é maior do que nunca num período em que as tensões inter-imperialistas se intensificam:  20% do gás liquefeito e 25% do petróleo mundial provêm do Golfo Pérsico, destinados principalmente aos países asiáticos – e, em particular, à China, rival dos Estados Unidos…

Por seu lado, os governos ocidentais alinham-se com os Estados Unidos; o comunicado conjunto assinado pela Alemanha, Grã-Bretanha e França no dia do início da guerra condenava, assim, apenas os ataques… iranianos! Depois, a 1 de Março, os mesmos afirmavam estar prontos para «levar a cabo acções defensivas» (sic!) «para destruir na origem» as capacidades militares do Irão. O governo britânico declarava que colocava as suas bases militares na região à disposição das forças armadas americanas, enquanto o governo francês afirmava a sua determinação em apoiar os seus aliados no Golfo. Os imperialismos europeus que se indignam com as tentativas americanas de se apoderarem da Gronelândia invocando o respeito pelo «direito internacional» esquecem-no assim que não são visados por Washington: isto porque não querem ficar de fora da partilha e ser excluídos do espólio quando se tratar de reorganizar a ordem imperialista no Médio Oriente após uma derrota iraniana…

A guerra actual é mais uma manifestação sangrenta da tendência crescente dos diversos imperialismos, grandes ou pequenos, para recorrer à violência aberta e aos confrontos militares para defender os seus interesses, seja na Ucrânia, no Médio Oriente, na América Latina ou em qualquer outro lugar. Esta tendência alimenta, em todo o lado, uma corrida ao rearmamento e um desenvolvimento do militarismo; e é a causa do colapso do sistema internacional da ONU, criado após a Segunda Guerra Mundial, que tinha a função de atenuar, da melhor forma possível, as oposições entre os Estados. Atormentado por dificuldades económicas cada vez mais prementes, o mundo capitalista caminha inexoravelmente para um novo conflito mundial. Nenhum apelo à paz entre os povos, nenhuma denúncia dos «fomentadores da guerra», nenhum apoio ao Estado agredido contra os Estados agressores poderá impedi-lo: é o capitalismo na sua totalidade que é fomentador da guerra, são todos os Estados burgueses que são criminosos!

A única força capaz de se opor a isso é o proletariado

Vítima escolhida das guerras, mas que, ao mesmo tempo, é a força cuja exploração sustenta o capitalismo e que, por isso, tem a possibilidade de o paralisar ao combater essa exploração. Ao retomar a luta independente pelos seus próprios interesses de classe, ao recusar os sacrifícios em nome da pátria ou da economia nacional, ao superar todas as divisões de raça, nacionalidades, géneros, etc., ao reencontrar as suas armas de classe e a sua organização de classe, o proletariado de todos os países tem a possibilidade de resistir aos capitalistas e aos seus Estados aparentemente todo-poderosos.

A partir daí, arrastando consigo a gigantesca massa dos oprimidos, poderá empenhar-se na luta revolucionária para derrubar o capitalismo e instaurar o seu próprio poder internacional e totalitário, único meio de pôr fim, juntamente com este modo de produção, à exploração, às injustiças e às guerras que o caracterizam. É por esta perspetiva que devemos lutar sem receio de estarmos hoje contra a corrente, porque ela é a chave do futuro.

 Proletários de todos os países, uni-vos na luta de classes contra o capitalismo!
Partido Comunista Internacional

Il comunista – o proletário – el proletário – proletário – programa comunista – el programa comunista – Programa Comunista

www.pcint.org. (Veja  https://www.pcint.org/)

 

Fonte: A bas l’attaque impérialiste contre l’Iran ! Guerre de classe contre l’impérialisme et le capitalisme! – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




Guerras sem fim, lucros sem fim: o complexo militar-industrial ocidental

 


Guerras sem fim, lucros sem fim: o complexo militar-industrial ocidental

15 de Março de 2026 Robert Bibeau


Por Khider Mesloub e Robert Bibeau.

O assassinato do líder supremo iraniano Ali Khamenei durante uma acção militar criminosa lançada pela entidade terrorista israelita sob as ordens da pérfida potência hegemónica americana marca uma nova etapa na escalada bélica no Médio Oriente. Esta operação insere-se numa estratégia já clássica da dupla assassina americano-israelita – este verdadeiro bando de assassinos em série: a «decapitação» de um regime através da eliminação selectiva dos seus líderes políticos ou militares. Estes assassinatos extra-judiciais, ilegais ao abrigo do direito internacional, são geralmente apresentados como meios decisivos capazes de desorganizar o adversário e acelerar o colapso das suas superestruturas políticas, económicas, militares e até ideológicas (sic). No entanto, a experiência histórica mostra que a eliminação de um líder raramente altera a dinâmica profunda de um conflito. As organizações político-militares dispõem, em geral, de mecanismos de sucessão que asseguram a  continuidade do  poder burguês. Muitas vezes, estes assassinatos contribuem mesmo para radicalizar os confrontos.

Assim, surge uma questão: se estas operações não produzem um efeito estratégico decisivo, por que razão ocupam um lugar central nas guerras contemporâneas regularmente desencadeadas pela aliança fascista entre os Estados Unidos e Israel?

Para responder a esta questão, é necessário ir além da análise estritamente militar dos conflitos e examinar as estruturas económicas, políticas e institucionais capitalistas que lhes estão subjacentes.


O paradoxo das repetidas derrotas militares americanas

Há mais de meio século que as intervenções militares americanas apresentam um paradoxo marcante. Apesar da sua esmagadora superioridade militar e tecnológica, os Estados Unidos têm dificuldade em transformar as suas operações militares em sucessos políticos, económicos e financeiros duradouros.

Do Vietname ao Afeganistão, passando pelo Iraque ou

pela Síria, pelo Sudão, pela Somália ou pelo Iémen,  do Sahel ou do Cáucaso, e até mesmo na Ucrânia, todas estas agressões imperialistas  ficaram atoladas durante longos períodos antes de culminarem  em derrotas ou retiradas dos invasores, deixando para trás situações políticas instáveis propícias a novos confrontos armados.

Estes fracassos militares foram frequentemente interpretados como sinais do declínio americano. Mas esta leitura permanece incompleta. Pois estes conflitos desastrosos produziram outro efeito, raramente destacado: uma expansão contínua das despesas militares e da indústria do armamento. Por outras palavras, o que parece ser uma sucessão de derrotas militares pode, simultaneamente, corresponder a um sucesso económico para a economia de guerra americana.

O complexo militar-industrial norte-americano – que reúne a indústria do armamento, o Pentágono e o Congresso – tem interesse na perpetuidade dos conflitos. Neste sistema de exploração, as guerras não são concebidas para serem ganhas rapidamente, mas para se prolongarem. Os conflitos prolongados permitem a venda contínua de armamento, o aumento do orçamento militar, a investigação e a inovação letal e a valorização do capital na indústria da defesa.

Por outras palavras, as guerras imperialistas, sob múltiplas formas, são o resultado — as consequências — da concorrência entre as múltiplas potências imperiais. Estas guerras pela partilha do «saque neocolonial» prolongam-se  enquanto a repartição dos mercados, do petróleo e do gás — no caso da guerra no Médio Oriente —  não tiver sido concluída entre as potências.  É claro que a  prolongação destas guerras de pilhagem é um efeito colateral que beneficia o complexo militar-industrial transnacional. O capitalismo americano senil evolui assim para uma economia militarizada e para guerras permanentes… apesar de a sua economia global esclerosada já não lhe permitir vencê-las.


O complexo militar-industrial, motor da guerra permanente.

Esta dinâmica remete para a existência do complexo militar-industrial americano, conceito popularizado em 1961 pelo presidente Dwight Eisenhower. Este referia-se à crescente interdependência entre o aparelho militar, a indústria de defesa e as instituições políticas.

Neste sistema, as despesas militares não constituem apenas um instrumento de política externa. Representam também um setor económico de grande importância. O funcionamento deste complexo assenta num mecanismo circular: as tensões internacionais justificam o aumento dos orçamentos militares; esses orçamentos alimentam a indústria da defesa; a expansão desta indústria reforça a sua influência política; essa influência contribui para manter um ambiente internacional marcado pelo confronto. Neste contexto, a guerra tende a tornar-se não só uma estratégia, mas também um setor económico estruturante, verdadeira espinha dorsal da economia americana.

A economia americana da guerra permanente

A progressão drástica dos gastos militares dos EUA oferece uma ilustração impressionante: eles subiram de aproximadamente 295 mil milhões de dólares em 2000 para quase 900 mil milhões em 2025. Nenhum outro orçamento federal apresentou crescimento comparável. Donald Trump chegou a exigir que os gastos com defesa dos EUA atingissem  1,5 triliões de dólares até 2027 , um aumento de 50%. Essa explosão financeira não é impulsionada apenas por imperativos estratégicos; ela decorre principalmente da lógica interna do capitalismo americano, para o qual uma economia de guerra é um poderoso motor de valorização e acumulação de capital.

Os Estados Unidos são hoje o único país do mundo onde as guerras terminam em derrotas recorrentes, enquanto os orçamentos militares continuam a aumentar numa escalada permanente.

O tenente-coronel e historiador americano William Astore resumiu isso ironicamente: " Só na América as guerras terminam em derrota e os orçamentos de guerra aumentam triunfalmente ."

Desde o fim da Guerra Fria, os Estados Unidos multiplicaram as suas intervenções militares directas e indirectas: Afeganistão, Iraque, Síria, Líbia, Iémen, Líbano, além de diversas operações por procuração, particularmente na Ucrânia e no Médio Oriente.

Segundo estimativas do programa Custos da Guerra da Universidade Brown, as guerras travadas em nome da " luta contra o terrorismo " (sic) desde 2001 custaram mais de  8 triliões de dólares . Esses gastos representam um fardo considerável para as finanças públicas americanas, ou seja, para os contribuintes. Mas também constituem uma importante fonte de actividade e lucros para a indústria bélica. Nessa lógica colateral, a prolongação dos conflitos alimenta de forma sustentável a economia de guerra americana.

Outro paradoxo do poder americano, dominado por grandes corporações e pelo complexo militar-industrial, torna-se evidente: ele não destrói apenas países estrangeiros. Enquanto as guerras americanas devastam estados inteiros, os próprios Estados Unidos deterioram-se sob o peso dos cortes orçamentais impostos a sectores vitais da sociedade. Infraestrutura obsoleta, sistemas de educação e saúde enfraquecidos, cidades abandonadas: enquanto a economia de guerra prospera, uma parcela crescente do país afunda na decadência.

Essa lógica vai muito além das intervenções militares directas dos EUA. Ela faz parte de um sistema de alianças militares estruturado em torno de Washington, no Ocidente, e Pequim e Moscovo, no Oriente. Veja: Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: As alianças que se confrontam no Grande Tabuleiro de Xadrez Mundial (2026).   A OTAN, nesse sentido, constitui um importante canal para a economia de guerra americana. Sob pressão dos Estados Unidos, os países membros são incentivados a aumentar massivamente os seus gastos militares. Donald Trump chegou a exigir que esses gastos fossem elevados para quase 5% do PIB , bem acima da meta inicial de 2%. Tal direccionamento implica inevitavelmente um aumento considerável nas compras de armamentos, grande parte dos quais provenientes da indústria bélica americana.

A guerra por procuração na Ucrânia ilustra perfeitamente esse mecanismo: o conflito alimenta uma procura constante por mísseis, sistemas de defesa aérea, veículos blindados, drones e munições produzidos por grandes empresas do complexo militar-industrial americano. Ao mesmo tempo, as guerras travadas pela entidade terrorista israelita no Médio Oriente também dependem do uso massivo de equipamentos militares fornecidos ou financiados pelos Estados Unidos. Assim, longe de serem meras crises geo-políticas, esses conflitos fazem parte de uma dinâmica económica mais profunda: mantêm uma procura contínua por armamentos e sustentam a expansão da economia de guerra estruturada em torno do poder americano.


Assim, por trás da retórica oficial sobre segurança internacional, da chamada luta contra o terrorismo (da qual o imperialismo é o fiel patrocinador) ou do estabelecimento da democracia, emerge uma realidade mais brutal: o capitalismo americano, ou qualquer outra potência capitalista, precisa da guerra para atingir os seus objectivos estratégicos sistémicos . A guerra alimenta a indústria armamentista e os lucros do complexo militar-industrial. Nos gabinetes do Pentágono, as guerras das próximas décadas já estão a ser planeadas. Nos Estados Unidos, a guerra não é mais um acidente histórico: tornou-se o motor do capitalismo americano.

O complexo militar-industrial americano ocupa hoje um lugar central na organização da economia nacional. Os gastos militares deixaram de ser apenas um instrumento de poder estratégico e tornaram-se um importante motor da actividade industrial, da inovação tecnológica e da dinâmica orçamental federal. Os investimentos relacionados com a defesa sustentam a produção de armamentos, estimulam a pesquisa científica e permeiam vastos sectores da economia americana. Nessas condições, a constante preparação para a guerra — e, por vezes, a própria guerra — funciona como um mecanismo para sustentar a acumulação de capital no cerne do sistema económico americano.

Através do seu peso económico e influência política, o complexo militar-industrial americano mantém uma dinâmica de intervenções militares que alimenta o aumento constante dos gastos com defesa. Nessas condições, a guerra tende a tornar-se uma característica permanente do poder americano, onde a linha divisória entre guerra e paz se torna cada vez mais ténue. Nos Estados Unidos, a guerra não aparece mais como um evento meramente excepcional nas relações internacionais; ela torna-se uma dimensão duradoura do exercício do poder americano, dominado pelo complexo militar-industrial.

A complexa função económica das guerras

 

NOVA IORQUE, NOVA IORQUE – 14 DE OUTUBRO:
Operadores trabalham no pregão da
 Bolsa de Valores de Nova Iorque/AFP


Na realidade, a multiplicação das guerras travadas pelos Estados Unidos não beneficia apenas o complexo militar-industrial americano. Desde que o capitalismo entrou na sua era de crises estruturais – caracterizada por crises de sobreprodução e pela tendência de queda da taxa de lucro –, a guerra desempenha uma função económica essencial. Torna-se um mecanismo de destruição e reconstrução do capital. Destrói infraestruturas, economias e populações, mas essa destruição abre imediatamente caminho para novos mercados: reconstrução, armamento, segurança e indústria militar.

O próprio general francês Michel Yakovleff insinuou essa lógica cínica. Falando no canal de notícias LCI sobre Donald Trump e Benjamin Netanyahu — essa verdadeira quadrilha de assassinos em massa — ele declarou: “ Ambos são fascinados pela destruição. Essa fascinação traduz-se no prazer de lançar bombas e destruir o máximo de infraestrutura possível ”. Mas essa destruição não é apenas militar: é também económica. Enquanto as bombas devastam cidades e infraestrutura, os círculos de poder americano e israelita e as grandes corporações americanas já antecipam os gigantescos mercados que serão abertos pela reconstrução da Ucrânia, Gaza e Irão devastados. A guerra destrói; a reconstrução abre imediatamente novos mercados. Assim, o ciclo da economia de guerra perpetua-se. Longe de ser uma anomalia do sistema capitalista, a guerra torna-se uma engrenagem central na sua máquina .

Nesta perspectiva, a estratégia do Pentágono baseia-se em três princípios simples: multiplicar os conflitos em diferentes regiões do mundo, prolongar esses conflitos para alimentar constantemente a economia de guerra e transformar as derrotas militares em justificativas políticas para o aumento dos orçamentos de guerra. A paz é má para os negócios. A guerra, por outro lado, garante a contínua rotatividade e acumulação de capital na indústria de defesa e assegura a perpetuação do complexo militar-industrial.

No final desta análise, surge uma questão crucial para a humanidade — para os povos oprimidos e o proletariado internacional: pode ela ainda tolerar um Estado cuja economia se baseia na guerra perpétua e que ameaça arrastar o mundo para conflitos intermináveis… até ao fim dos tempos? Ou devemos unir-nos como classe revolucionária para romper com o poder imperialista multipolar incontrolável? O volume a seguir propõe um método…

Khider Mesloub


Para encomendar o volume

https://www.editions-harmattan.fr/catalogue/livre/de-l-insurrection-populaire-a-la-revolution-proletarienne/77706

Versão em Língua Portuguesa: 

Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Da Insurreição popular à revolução proletária

 

Fonte: Guerres sans fin, profits sans fin: Le complexe militaro-industriel occidental – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




sábado, 14 de março de 2026

A França gesticuladora: diplomacia de abutre

 


A França gesticuladora: diplomacia de abutre

14 de Março de 2026 Robert Bibeau


Por Khider Mesloub .

Na natureza, os necrófagos não provocam a morte. Esperam que ela faça o seu trabalho. Depois, acorrem para se banquetear com os restos.

No panorama geo-político contemporâneo, a diplomacia francesa parece seguir um mecanismo bem conhecido na natureza: o do necrófago. Alimenta-se de tensões internacionais que lhe escapam e de conflitos militares que também não controla, limitando-se a deslizar na sua esteira para exibir um poder militar fantasioso.

Uma postura que se enquadra menos numa estratégia coerente do que numa diplomacia gesticulatória, em que a exibição de poder visa sobretudo impressionar, por não conseguir realmente influenciar os acontecimentos que a ultrapassam.

França, o abutre do campo de batalha

No imaginário estratégico francês, a França gosta de se representar como uma águia, uma potência militar capaz de pairar acima dos conflitos e de impor a sua vontade. Mas, para uma parte da opinião pública internacional, a imagem é bem diferente: a de um abutre. Pois, tal como um abutre atraído pelo cheiro de sangue, Paris parece estar à espreita de crises e guerras para se banquetear com as carnificinas que alega querer prevenir.

O que salta à vista na trajectória recente da política externa francesa não é a obstinação diplomática em prevenir guerras, nem a arte paciente de apagar os incêndios do mundo. É, pelo contrário, a rapidez com que Paris se insere no dispositivo estratégico ocidental assim que os conflitos eclodem. Como se cada crise internacional constituísse menos uma tragédia a conjurar do que uma ocasião para encenar a sua presença militar fantasmagórica e para recordar, através de uma demonstração muitas vezes gesticulante, as suas pretensões de poder no jogo brutal das relações de força que não domina.

Gaza, Ucrânia, Irão: a França a reboque das guerras imperiais

Esta postura manifestou-se com uma clareza impressionante na sequência dos ataques de 7 de Outubro de 2023. Enquanto o Médio Oriente mergulhava novamente na violência, Emmanuel Macron deslocava-se a Israel e apelava à mobilização contra o Hamas da coligação internacional inicialmente constituída para combater o Estado Islâmico. Com esta iniciativa oportunista, o presidente francês parecia, acima de tudo, procurar elevar a França ao estatuto de líder de uma coligação cuja existência continuava a ser, em grande medida, retórica. Ao fazer esta assimilação, procedia a uma importante mudança política: um conflito colonial foi subitamente absorvido pela retórica mundial da «guerra contra o terrorismo». Esta mudança não foi insignificante. Transformou a questão colonial palestiniana num confronto civilizacional, abrindo assim caminho para uma lógica de erradicação militar, em vez da procura de uma solução baseada na independência da Palestina.

Ora, esta interpretação está longe de ser neutra. Ao equiparar o Hamas ao jihadismo mundial, ela reclassifica um conflito colonial como uma guerra de erradicação. O adversário deixa de ser um combatente palestiniano com quem se poderia negociar uma solução política; torna-se um inimigo absoluto cuja destruição constitui o único horizonte. A partir daí, a diplomacia francesa, mais sionista do que Israel, adopta uma linguagem de brutalidade assumida: a França macroniana fala agora de «destruição» do Hamas e compromete-se com a lógica de um confronto militar sem compromissos. Ora, na visão sionista israelita, a população palestiniana de Gaza é amplamente equiparada ao movimento Hamas. O apelo à «destruição» do Hamas equivale, portanto, a legitimar uma guerra total contra um território e a sua população. Foi precisamente isso que aconteceu na sequência da cruzada lançada por Macron em Outubro de 2023: uma guerra de extermínio cujos estragos Gaza ainda sofre.

Alguns meses depois, a guerra na Ucrânia revela mais uma vez a propensão da França macroniana para levar a escalada militar cada vez mais longe, fiel à sua diplomacia canhoneira de abutre. Em Fevereiro de 2024, Emmanuel Macron evoca publicamente a possibilidade de enviar tropas ocidentais para combater ao lado do exército ucraniano contra a Rússia, para se banquetear com a carne russa. A formulação pode chocar.

Mas para que serve a guerra senão para se banquetear com a carne de canhão do inimigo? A guerra não é mais do que o banquete macabro das potências capitalistas, cujos proletários constituem o menu.

Mas perante a perspectiva de um confronto directo com a Rússia, várias capitais europeias mostram-se subitamente muito mais cautelosas. O episódio é revelador: ao evocar abertamente um confronto terrestre com Moscovo, o presidente francês ultrapassa um limiar que poucos líderes ocidentais se atrevem sequer a formular publicamente. Mais uma vez, a diplomacia belicista de Macron empenha-se em levar mais longe a escalada militar, fiel a essa gesticulação estratégica que serve de política externa.

O mesmo instinto de abutre parece hoje repetir-se no Médio Oriente. Num contexto de escalada militar em torno do Irão e de crescente mobilização das forças americano-israelitas no Golfo, a recente decisão de enviar um importante contingente naval francês decorre desse mesmo instinto de intervenção. Emmanuel Macron anunciou assim o envio de uma força naval francesa para a região, articulada em torno do porta-aviões Charles-de-Gaulle. Oficialmente, o Palácio do Eliseu apresenta esta operação como uma missão defensiva destinada a proteger os cidadãos franceses e a garantir a segurança das rotas marítimas numa região abalada pela guerra contra o Irão. Na realidade, esta mobilização naval insere sobretudo a França no dispositivo militar ocidental que se estende do Mediterrâneo Oriental ao Mar Vermelho, até às margens do Estreito de Ormuz. Uma demonstração militar destinada menos a influenciar efectivamente o curso do conflito do que a exibir, mais uma vez, as pretensões de poder da França macroniana, demasiado frequentemente reduzida a acompanhar as guerras que pretende orientar.

A cruzada retórica da França chauvinista

A julgar pela retórica do Palácio do Eliseu, esta sucessão de intervenções militares seria uma verdadeira missão moral. Cada crise internacional é apresentada como uma luta pela civilização, pela segurança do mundo livre ou pela defesa da ordem internacional. Sob este verniz virtuoso, o vocabulário mobilizado pelo Palácio do Eliseu confere à postura francesa um tom quase messiânico, como se cada novo conflito chamasse a França a assumir o papel de guardiã armada dos valores ocidentais. Um discurso que serve sobretudo para revestir de um manto moral iniciativas militares cujo alcance estratégico se revela, muitas vezes, irrisório.

Torna-se então difícil não discernir, por trás desta encenação moral do poder militar, um imaginário muito mais antigo. É certo que a palavra nunca é pronunciada. Mas a lógica do relato evoca estranhamente a das antigas cruzadas. Algures no mundo surgiria uma ameaça erigida em encarnação do mal absoluto; caberia então às potências ocidentais – com a França a colocar-se de bom grado na primeira linha – organizar a expedição destinada a restaurar a ordem e a defender a civilização. Sob os trajes modernos da segurança internacional ressurge assim uma velha dramaturgia histórica: a das guerras travadas em nome do Bem.

Nesta narrativa, o Estado francês atribui-se de bom grado o papel de cavaleiro de vanguarda do bloco ocidental. O cenário muda – ontem Gaza, depois a Ucrânia, hoje o Irão –, mas o enredo permanece o mesmo. A cada nova crise, o Eliseu redescobre a necessidade de uma mobilização militar em nome de princípios proclamados como universais, erigindo-se em defensor da civilização, ao mesmo tempo que reveste de um verniz moral iniciativas militares cujo alcance estratégico se revela, muitas vezes, ilusório.

Há nesta postura de abutre uma ironia histórica difícil de ignorar. Por trás da linguagem contemporânea da segurança internacional reaparece um imaginário estratégico que se pensava enterrado com as antigas expedições civilizadoras. As armadas substituíram as galeras, os porta-aviões as bandeiras, mas o espírito de cruzada manifestamente nunca abandonou o imaginário da França chauvinista.

Como se, a cada conflito mundial, Paris reactivasse o seu velho reflexo de cruzada. Uma cruzada moderna, claro, revestida do vocabulário discreto da segurança internacional e dos valores democráticos, mas que, no fundo, reproduz a mesma lógica: a das guerras imperialistas travadas em nome do Bem.

É aqui que a metáfora inicial recupera toda a sua força. Na natureza, o necrófago não provoca a batalha: espera que esta tenha feito as suas vítimas antes de aparecer para se banquetear com os restos. No panorama geo-político contemporâneo, a diplomacia macroniana parece seguir um mecanismo semelhante: esperar que as crises eclodam para surgir na sua esteira e exibir, através de gestos militares, as pretensões de uma potência que mal consegue encarnar

No fundo, a diplomacia macroniana parece seguir o método mais simples que existe: esperar que os conflitos armados eclodam para vir exibir as suas pretensões de poder. Uma diplomacia de necrófago que tenta intrometer-se nas guerras alheias. 

Khider MESLOUB

 

Fonte: La France gesticulatoire : diplomatie de charognard – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




 

PIOR DO QUE EM 2008: O que está a acontecer agora vai mudar a economia capitalista.

 


PIOR DO QUE EM 2008: O que está a acontecer agora vai mudar a economia capitalista.

14 de Março de 2026 Robert Bibeau

 


 

Fonte: PIRE QU’EN 2008: Ce Qui Se Passe En Ce Moment Va Changer l’Économie Capitaliste – les 7 du quebec

Título introdutório ao vídeo traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice