sexta-feira, 23 de outubro de 2026

SOBRE A MISTIFICAÇÃO DEMOCRÁTICA

 


SOBRE A MISTIFICAÇÃO DEMOCRÁTICA


Ridha Klouche
·

 Sobre a mistificação democrática:

Jacques Camatte a Bordiga

Paris, 18 de Junho de 1965

Caro Amadeo,

Aqui está uma primeira parte sobre as obras de juventude de Marx, ainda chamadas de obras filosóficas, embora aí se encontrem todos os elementos da obra da maturidade e, portanto, não existam um Marx jovem e um Marx velho.

É um resumo e um comentário da "Crítica à filosofia do Estado de Hegel". Isto tem interesse:

- Para mostrar que desde o início Marx tem a solução para todos os antagonismos, para todos os enigmas: é a comunidade (Gemeinwesen); que a sociedade burguesa é a última sociedade política; que a democracia é a última forma política. Isto quer dizer que é na sociedade burguesa que pela última vez se coloca o problema de organizar os homens.

 A democracia sendo a solução, "o enigma resolvido de todas as constituições" e portanto ao mesmo tempo o fim da política.

- Para evidenciar a crítica à vontade e à burocracia, encontrarás incluídas as cartas sobre este assunto que te tinha escrito no ano passado. Acho que este ponto é fundamental: todos aqueles que teorizam a vontade acabam por precisar da burocracia porque esta nasce no plano da transmissão de ordens e na hierarquia do conhecimento.

Por outro lado, Marx polemizando com Hegel declara: qual é o ser da constituição? Hegel responde: o povo.

É aí que se encontra a mistificação que Marx irá revelar em todos os seus trabalhos posteriores, mostrando que é o capital. Marx encontrou a solução na Gemeinwesen comunista. Ele vai demonstrar a génese do Estado, portanto a destruição da antiga comunidade e depois a reformação da comunidade. Pode-se demonstrar que esta foi a preocupação fundamental de Marx. De facto, ele abordou O Capital de quatro formas diferentes:


  1. Os Manuscritos de 1844: ele insiste sobretudo no trabalho alienado e assalariado na sociedade capitalista.
  2. A Contribuição para a Crítica da Economia Política: ele parte da relação material, a mercadoria, depois o capital. As conclusões são as mesmas. Apenas Marx queria por um lado demonstrar como o processo social se tinha efectivamente produzido e como se tinha apresentado no homem: as várias escolas económicas. Daí um plano duplo, por um lado os dados puramente teóricos, por outro as considerações históricas.
  3. As formas que precedem a forma de produção capitalista. Nos dois primeiros textos tentava-se ver como o trabalhador assalariado era produzido, como o capital se tinha constituído. A diferença entre as duas obras resulta do ponto colocado no centro: o trabalho assalariado ou o capital. Aqui, Marx explica que o capitalismo só pôde constituir-se destruindo a comunidade natural, depois a comunidade mediada pela terra, etc. O ponto central é a comunidade.
  4. O Urtext que não é senão um fragmento da versão primitiva da Contribuição à Crítica. Aqui Marx coloca a questão da autonomia do valor de troca e demonstra que o ouro não pode realizar isso, só o capital podia. No entanto, ele indica ainda que agora o capital pode ser a comunidade material. Só ele pode substituir a antiga comunidade que foi destruída ao longo das várias revoluções que representam os diversos tempos da expropriação, até ao homem totalmente rejeitado – mesmo do processo de produção e, portanto, do trabalho – o proletário. 

Isto é importante porque complementa a investigação das Formas e, por outro lado, permite unir toda a obra em torno da questão fundamental da comunidade, ou seja, do comunismo.

Marx percebeu que não conseguiria construir toda a obra integrando os diversos dados. Por outro lado, o fracasso da Contribuição mostrou-lhe que era necessário 'ser mais simples' (vamos dizer assim), razão pela qual, dado o carácter urgente de fornecer uma arma de luta ao proletariado, publicou o 1.º livro do Capital, que é um todo e é ao mesmo tempo o programa da classe revolucionária e a desmistificação de todas as relações sociais. É por isso que encontramos a mesma 'terminologia', o mesmo estilo no VI Capítulo, no Urtext, na Contribuição ou nas partes do Capital não publicadas em vida do autor. Quando não o é, a substância é a mesma, por exemplo: no VI Capítulo fala-se da mistificação da mercadoria e depois do capital (como na Contribuição), no I livro do Capital fala-se do 'carácter fetiche da mercadoria'. Vamos agora para a mistificação das relações sociais e, portanto, da democracia, aqui está uma das frases-chave que se encontra na Contribuição:

"É necessário que uma relação social de produção se apresente sob a forma de um objecto existente fora dos indivíduos e que as relações determinadas, nas quais eles entram no processo de produção da sua vida social, se apresentem como propriedades específicas de um objecto. É esta inversão, esta mistificação não imaginária, mas de uma realidade prosaica, que caracteriza todas as formas sociais do trabalho criador de valor de troca." 

Outra citação importante: "Como o dinheiro não é produto da reflexão ou da convenção, mas constitui-se instintivamente no processo de troca, mercadorias muito diversas, mais ou menos inadequadas, podem perfeitamente funcionar como dinheiro."

Portanto, a democracia não é um simples subterfúgio das classes dominantes para enganar as massas. Por outro lado, pode ter havido várias formas de democracia. A busca pela democracia ideal - a democracia renovada dos excrementos estalinistas - é tão inútil quanto a da moeda ideal..

Isto colocou-nos no caminho da compreensão – em profundidade – da mistificação democrática. O Roger vai escrever-te precisamente sobre o Capital de Marx e a democracia.

Mais tarde, vou enviar-te o trabalho sobre A Questão Judaica e A Contribuição para a Crítica da Filosofia do Direito de Hegel[1], sempre abordado com a mesma perspectiva. Estou a enviar-te tudo isto que é "matéria para trabalhar" e não um produto elaborado, para te manter a par do trabalho que estamos a fazer sobre a mistificação. É quase certo que num futuro próximo teremos chegado ao fim de tudo e poderemos sintetizar como pedes e submeter-te o texto.

https://www.facebook.com/share/p/14jj7RxyCfB/

Para que as máscaras intercambiáveis não possam mais personificar nada, é absolutamente necessário que os SEM-RESERVAS fraternizem e lutem como classe, ou seja, partido comunista que, por sua função, é planetário.

Para dissolver à escala planetária:

Todos os estados

Depois

O processo de produção

O processo de circulação

O processo de reprodução de todo o lixo

Dissolução também

De todos os SACRIFÍCIOS económicos, políticos, militares, jurídicos, filosóficos e religiosos

Quem tem ferro

Tem pão

https://www.facebook.com/share/p/17eG9qVB6h/ CfJutta Matzner: O conceito de máscara de caráter em Karl Marx

In: SOCIALE WELT : Revista de Ciências Sociais

Forschung und Praxis

JAHRGANG 15 1964 HEFT 2

https://www.facebook.com/share/p/1GP7P2FHqY/

Eu não pinto de cor-de-rosa, muito longe disso, a personagem do capitalista e do proprietário de terras. Mas essas pessoas aqui só aparecem como personificação de categorias económicas, como portadoras de relações de classe e de interesses determinados. Menos do que qualquer outra perspectiva, a minha, que consiste em compreender o desenvolvimento da formação económico-social como um processo histórico natural, não pode responsabilizar um indivíduo singular por relações e condições das quais é socialmente produto, mesmo que consiga elevar-se, subjetivamente, acima delas. Karl Marx: https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=10228120662755908&id=1655649564https://www.facebook.com/share/p/17eG9qVB6h/CfJuttahttps://www.facebook.com/share/p/18T1Yqv2xy/

« A mercadoria em si e para si está acima de qualquer barreira religiosa, política, nacional e linguística. A sua língua universal é o preço, e a sua comunidade, o dinheiro. Mas, com o desenvolvimento da moeda universal em oposição à moeda nacional, desenvolve-se o cosmopolitismo do possuidor de mercadorias sob a forma de religião da razão prática em oposição aos preconceitos hereditários religiosos, nacionais e outros, que impedem a troca de substância entre os homens » Karl Marx 1859, a América desencadeará a 3.ª guerra mundial quando o centro de gravidade se deslocar definitivamente para a Ásia, a América já implantou o cavalo de Troia em Marrocos.

A relação de todos os estados e de todas as formações sociais é determinada pelo modo de produção capitalista que é mundial, problemático, ingovernável e criminoso: 2 matanças mundiais, depois mais de 700 guerras, e continua. Os SEM-RESERVAS devem fraternizar e unir-se para lutar como classe, ou seja, partido comunista histórico que, pela sua função, é planetário. A fim de dissolver todos os estados, bem como o processo de produção, o processo de circulação, o processo de reprodução e a dissolução de todos os SUPRA-SACRIFÍCIOS económicos, políticos, militares, jurídicos, filosóficos e religiosos.

Para Rosa Luxemburgo, o modo de produção capitalista não pode ser mundial porque precisa ter à sua volta na sua periferia outros modos de produção, cuja destruição lhe daria o impulso que é fundamentalmente necessário. Portanto, para Rosa Luxemburgo, tal como para os maoístas, não deve desaparecer pelo efeito da contradição entre N e N-1, e não entre N e N+1. A China, tal como a Rússia, estava abaixo do modo de produção capitalista mundial e, portanto, não podia ir além. Mas estar abaixo do problema e querer ir além do problema é uma contradição in adjecto.

A dissolução de todos os N-1, 

Ou seja, os modos de produção pré-capitalistas, 

leva necessariamente   AO MODO DE PRODUÇÃO CAPITALISTA MUNDIAL. 

Se N se impõe uma vez, continuará a impor-se tantas vezes à escala planetária até à sua dissolução e ao nascimento de N+1. 

A DISSOLUÇÃO DE N   LEVA NECESSARIAMENTE  A N+1 A COMUNIDADE HUMANA PLANETÁRIA DO SER  PORQUE  N ESTÁ GRÁVIDO DE 18 MESES DE N+1,  OU SEJA,  DO PROLETARIADO MUNDIAL.

 

Fonte: Página do Facebook de Ridha Klouche

Este texto foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




O LEBENSRAUM ou a guerra para fragmentar e saquear o império russo

O LEBENSRAUM ou a guerra para fragmentar e saquear o império russo

23 de Outubro de 2026 Robert Bibeau



Por Normand Bibeau e Robert Bibeau.

«SER INIMIGO DOS ESTADOS UNIDOS É PERIGOSO, SER SEU AMIGO É FATAL» (Henry Kissinger, 1968)

O Estado fantoche ucraniano e a OTAN

Zelensky, o fantoche, vassalos dos Estados Unidos e os agentes ocidentais "europeístas" a agir na Rússia, teriam feito bem em se lembrar desse ensinamento premonitório do criminoso de guerra Kissinger que pontificava sobre o abandono do capanga vietnamita Van Thieu, enquanto testemunhamos a "traição trumpista" desses idiotas úteis, quando embarcaram no LEBENSRAUM HÍBRIDO 2.0 contra a Federação Russa, iniciado pelo criminoso de guerra George W. Bush (2001-2009) através da "patente Revolução Laranja" (sic) na Ucrânia que, sob os termos de múltiplas intervenções financeiras (US$143,47 milhões), políticas (propaganda da Fundação Nacional para a Democracia) e diplomáticas, trouxe ao poder o agente do imperialismo mundial: Viktor Yushchenko (sobre congressionnalresearch.com, 07/01/2005; odihr.osce.org, 05/12/2005; cddrl.fsi.stantford.edu, 05/01/2006 por Michael A. Faul; ScienceDirect .com, 03/2004)

Mal esse pacto LEBENSRAUM (espaço habitável) foi concluído, o infame "W Bush", em 2 de Abril de 2008, por ocasião da cimeira da OTAN, realizada em Bucareste, Roménia, acrescentou: "[A] posição do meu país é clara: a OTAN deve acolher a Geórgia e a Ucrânia no plano de acção para a adesão à OTAN" (re: bush-whitehouse.archives.gouv, 04/02/2008).

Essa declaração foi seguida, em 3 de Abril de 2008, pelo parágrafo 23 da declaração dos Chefes de Estado da OTAN, no sentido de que "[aind]a hoje, decidimos que esses países (Geórgia e Ucrânia) se tornarão membros da OTAN", declaração feita na presença de Vladimir Putin, que participava da Cimeira de Bucareste e que expressou "reservas" caso "o" pedido de adesão da Rússia à OTAN fosse recusado... Depois, as negociações continuaram "amigavelmente" (nato.int, 04/03/2008; bush-whitehouse.archives.gouv, 04/02/2008)

Na mais pura tradição do habitual "duplo discurso" dos revisionistas "soviéticos", Lavrov, Grushko e Rogozin, dinossauros da era soviética, expressaram "reservas" ainda mais fortes quanto à adesão da Geórgia e da Ucrânia era: "[Um] enorme erro estratégico, que teria as consequências mais graves para a segurança pan-europeia" (dixit Grushko, eurasia.ro, 04/03/2008 reportado pela Reuters), que o ministro dos Negócios Estrangeiros Lavrov qualificou declarando que "a resposta russa seria pragmática e não emocional", ou seja, que se a OTAN aceitasse a adesão da Rússia, a Rússia de Putin e companhia, os capitalistas "europeístas" do "posto de gasolina russo", concordaria com isso em troca de investimentos ocidentais na Rússia.

Os imperialistas ocidentais, liderados pelos IANQUES, apressados para tomar os recursos naturais desse novo mercado no Leste e confiando na "cooperação" dos seus agentes na Rússia, já em Agosto de 2008, pressionaram os seus potenciais vassalos georgianos a romper os seus laços com a Federação Russa expulsando "manu militari" os georgianos de língua russa da Abkházia e da Ossétia do Sul, à qual a Rússia se opôs a uma intervenção diplomática ao reconhecer essas duas "Repúblicas Populares" e a uma intervenção militar, ao intervir na Geórgia para ocupá-la militarmente e "de facto" criar uma zona "tampão" com a OTAN, sem renunciar a um "pacto" com a organização para o futuro, porque a ganância dos capitalistas russos é ilimitada (nato.int, 19/08/2008; 3/03/2026).

Diante de toda a força desse "fracasso militar" parcial, a OTAN está determinada a agir com mais "paciência" no caso da sua "expansão" na Ucrânia, como demonstrado pelas "reviravoltas" da sua interferência financeira, diplomática, política e militar nos assuntos internos do estado fantoche ucraniano.

É necessário recordar as negociações para a adesão à União Europeia, excluindo todas as relações comerciais com a Rússia (declaração de 25/02/2013, do Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durāo Barrosso); o golpe "ocidental" do Euromaidan de 2014; o massacre na "Casa dos Sindicatos" em Odessa; a guerra no Donbass (2014-2022) e os seus 15.000 mortos, 30.000 feridos e um milhão deportados; as falsas negociações de Minsk (2015) e o seu propósito declarado de engano e engano para "ganhar tempo" a fim de financiar, organizar e armar os KIEVAN UKRONAZISTAS para uma guerra por procuração contra a Federação Russa, a fim de "decapitá-la", "balcanizá-la", "dividi-la em 6 ou 7 estados étnicos e religiosos" mais facilmente dominados e explorados.

Essa guerra foi anunciada "extra-oficialmente" pelo genocida acamado Biden, que "iria criar empregos remunerados" nos Estados Unidos e contribuir para a ruína da economia europeia ao substituir o seu suprimento de energia russo "barato" por um suprimento proibitivo americano, mesmo antes de ser desencadeada por uma operação militar massiva dos KIEVAN UKRONAZIS contra os ucranianos de língua russa do Donbass para seu extermínio ou submissão levando à "intervenção russa" através da "operação militar especial", em 22 de Fevereiro de 2022.

Assim que essa intervenção militar "provocada" ocorreu, o "Ocidente colectivo" juntou-se ao esforço de guerra UKRONAZI confiscando ilegalmente activos soberanos russos (~US$300 mil milhões no EUROCLEAR) e colocando a renda desses activos ao serviço do Estado ucraniano; adoptando um primeiro "pacote" de sanções kamikaze (houve mais 20 desde então para ~16.000 sanções); fornecendo assistência logística e de inteligência constante e comprometendo-se a "apoiar esta guerra pelo tempo necessário" e "até ao último ucraniano", incluindo sabotar qualquer negociação entre russos e ucranianos fantoches (por exemplo, intervenção do abjecto Bojo para sabotar o Acordo de Istambul de Março-Abril de 2022). (sobre as excelentes obras do especialista militar Jacques Baud)

LEBENSTRAUM 2.0 (anexação, fragmentação, exploração) do espaço habitacional russo

Desde que apresentámos a nossa teoria de um "LEBENSRAUM HYBRID 2.0 U$/NATOONAZI/EURONAZI/UKRONAZI" contra a Federação Russa à luz de nossa análise MARXISTA da história e dos eventos na Europa desde o século XV:

Suécia-Finlândia-Rússia, de 1495 a 1809;
Napoleão (1812);
Primeira Guerra Mundial (1914-1917);
a guerra das "14 potências da Entente contra a Rússia Bolchevique" (1918-1923);
o NAZI LEBENSRAUM (1941-1945);
a "Guerra Fria" (1945-1991);
o "golpe de Estado palaciano" de 1991, arquitectado e executado pelo imperialismo contra a URSS e os revisionistas.


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Uma arma de Explosão Aérea de Munição Massiva (MOAB) está preparada para testes no Centro de Armamento da Força Aérea de Eglin em 11 de Março de 2003. O MOAB é uma munição guiada de precisão com peso de 21.500 libras e será lançada de uma aeronave C-130 Hercules para o teste. Será a maior arma convencional não nuclear existente. O MOAB é um projecto tecnológico do Laboratório de Pesquisa da Força Aérea que começou no ano fiscal de 2002 e deve ser concluído este ano. Foto do DoD. (Lançado)

Se os factos expostos acima não forem suficientes para convencer os comentaristas da veracidade da nossa conclusão, permitam-nos citar as opiniões das próprias pessoas que estão a perseguir esse LEBENSRAUM HÍBRIDO 2.0 diante de um Estado nuclear (a Rússia) que considera que qualquer agressão "existencial" por um Estado nuclear ou "aliado" de um Estado nuclear contra a dominação da sua classe dominante levará a uma "resposta nuclear",deixando a esses "invasores" apenas a opção de agressão económica total, combinada com agressão militar total, incluindo agressão nuclear e uma operação para derrubar o regime arruinando-o a ponto de provocar uma "revolta" para substituí-lo por um regime comprador... Noutras palavras, a promessa de guerra nuclear.

Em 18 de Maio de 2024, durante uma conferência em Lennart Meri, Tallinn, Estónia, Kaja Kallas, então Primeira-Ministro da Estónia, por ocasião de um debate intitulado "Mantendo o Apoio à Ucrânia - Definindo o Máximo de Tempo Que for Preciso", teve a arrogância franca de afirmar:

"[A] derrota da Rússia não é algo mau [...] existem muitas nações diferentes que fazem parte da Rússia [...] não é mau se a grande potência se tornar muito menor" (re:factcheckcy'rus.org, 13/02/2025)

Essa declaração ultrajante de interferência nos assuntos internos de um Estado soberano, longe de ser condenada pelas potências ocidentais e sua media, tanto de "direita" quanto de "esquerda", recebeu a sua aprovação entusiástica a tal ponto que esse político liliputiano do estado remanescente da Estónia tornou-se "chefe da diplomacia da União Europeia" pela propaganda e implementação desse programa de "derrota militar da Rússia" e sua balcanização num país "cada vez menor", mais fácil de dominar e operar: o LEBENSRAUM HYBRID 2.0.

Era óbvio que nenhum Estado "digno do nome": Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, França, Polónia ou outros poderia fazer comentários belicistas e provocativos sem se expor à retaliação russa que não deixaria de atingi-lo; era necessário confiar essa tarefa perigosa a um Estado tão insignificante que a Rússia não correria o risco de accionar o Artigo 5 da Carta da OTAN para chamá-la à ordem.

Relatório da OSW: Osrodek Studiów Wschodnich da Polónia

Essas declarações belicistas e provocatórias de Kaja Kallas foram actualizadas num documento polaco do "Centro de Estudos Orientais" (OSW: Osrodek Studiów Wschodnich) em 31 de Março de 2026, sob o título: "As vulnerabilidades da Rússia: Como o Ocidente pode explorá-las e vencer a guerra sistémica?"

Esse influente "think thank" polaco financiado pelos imperialistas ianques, além de descrever a situação na Rússia "da sua maneira própria e interesseira", em particular as divisões dentro da burguesia russa, recomenda expressamente que os "aliados" ocidentais "explorem as vulnerabilidades russas internamente" para:

1- reduzir sua capacidade de perseguir as suas políticas de "independência" estratégica;
2- Incentivar tensões entre o Kremlin, os oligarcas e as regiões;
3- Aumentar as sanções, especialmente nos sectores de petróleo, gás e nuclear;
4- Apoiar militarmente a Ucrânia e intensificar ataques contra infraestrutura energética crítica;
5- enfraquecer o rublo e causar uma crise económica na Rússia que provocará rebeliões;
6- APOIAR O RENASCIMENTO DA CONSCIÊNCIA NACIONAL ENTRE OS GRUPOS RELIGIOSOS E ÉTNICOS QUE VIVEM NA RÚSSIA E NO EXÍLIO DESCRITOS COMO VÍTIMAS DA COLONIZAÇÃO E RUSSIFICAÇÃO.
(re:osw.waw.pl, 31/03/2026)

A OSW polaca chega a recomendar no Capítulo 1, Secção 5, intitulado: "Alterações arbitrárias nas regras do jogo: redistribuição de activos" para modificar o regime de sanções ocidentais, especialmente no campo da energia; petróleo, gás natural e urânio, para favorecer as pessoas na Rússia e nas suas repúblicas federadas, que conseguem " distanciar-se publicamente do governo Putin e fornecer informações importantes sobre o funcionamento do regime" úteis para derrubá-lo.

O documento também recomenda campanhas massivas de desinformação sobre planos "falsos" de nacionalização e tomadas hostis por interesses "chineses" com o objectivo de aumentar a desconfiança e as rivalidades entre grupos de interesse russos (re:osw.waw.pl, 31/03/2026: cap.3, seção 3: "Dependência económica da China")

Explicitamente, a OSW recomenda apoio financeiro, organizacional e até militar a organizações de minorias nacionais na Rússia e no exílio, incluindo um cenário de possível "desintegração" da Federação Russa através de campanhas de propaganda direccionadas nas redes sociais e na media, a fim de enfraquecer a coesão social e agravar as tensões etno-religiosas, enquanto continua a fazer propaganda para o público russo contra minorias de forma a provocar uma guerra civil dentro da federação (re:osw.waw.pl, 31/03/2026: cap.2, seção 3: "Tensões etno-religiosas e sentimento anti-imigrante").

Em resumo, este relatório da OSW contém recomendações que vão para além da política de sanções económicas sozinha. Defende abertamente provocar, alimentar, financiar, organizar e apoiar por todos os meios conflitos "nacionalistas, étnicos e religiosos" dentro da Federação Russa e no exterior, com o objectivo expresso de provocar uma "guerra civil" e caos que o "balcanizará" para derrubar o regime "moscovita" e substituí-lo por regimes "nacionais". étnicos e religiosos, chauvinistas e racistas" reduzido e dividido, o que obviamente facilitará a sua dominação... como na Ucrânia. (Veja: Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Trump contra Zelensky — O fim da Ucrânia, da OTAN e da UE (Scott Ritter))

As actuais manobras dos EUA de "conspirar" com a facção russa que produz e comercializa "gasóleo-diesel" parecem fazer parte do programa de "dividir para reinar" defendido pela WSO (Veja: Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: A nova aliança imperial Este-Oeste para a partilha dos mercados).

Assim, a Licença Geral nº 135 de 7 de Outubro de 2026, válida até 7 de Abril de 2027 e intitulada: "Autorização de Transacções Relacionadas com a Venda, Entrega, Descarregamento e Importação de COMBUSTÍVEL DIESEL com Origem na Federação Russa", como indica o título, é apenas para DIESEL RUSSO e nada mais.


Esse "levantamento" parcial das sanções enriquecerá a ROSNEFT (Igor Sechin, um "aliado" de Putin, é o seu líder; Rosneftegaz, BP Russian, QH Oil, RN-NeftKital e alguns outros são proprietários dela) e do complexo petrolífero russo, oligarcas historicamente ligados aos capitalistas europeus e hostis aos capitalistas "asiáticos/chineses" na sua luta "fratricídia" para transformar a Rússia num "posto de gasolina" ocidental, e não oriental. Essa facção do grande capital russo beneficiar-se-á muito das receitas dessas entregas de "diesel" russo e fornecerá o capital necessário para financiar as suas operações subversivas contra os países do Leste, em particular.

Além disso, esse "levantamento" parcial das sanções afectará directamente as entregas de petróleo para Índia, China e Turquia, "clientes" que dependem fortemente desses suprimentos devido à guerra de agressão dos imperialistas ianques e seus mercenários israelitas genocidas no Golfo Pérsico, enquanto cerca de 30% das entregas mundiais de petróleo são interrompidas.

Aqueles que interpretam as actuais convulsões caóticas nas relações entre os blocos imperialistas (Leste contra Ocidente) como algo diferente de um palco na guerra religiosa-linguística-nacionalista-patriótica-civilizacional de "falsa bandeira" por "roubo, saque e bandolerismo" estão a iludir-se para:

1- a concentração do capital nas mãos de bilionários;
2- a expansão internacional do capital;
3- o compartilhamento dos mercados mundiais;

(Veja: Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: A INSURREIÇÃO POPULAR INTERPELA A VANGUARDA DO PROLETARIADO)

 

Fonte: Le LEBENSRAUM ou la guerre pour morceler et piller l’empire russe – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




A democracia é uma contradição em termos, uma mentira e, no fundo, uma pura hipocrisia

 


A democracia é uma contradição em termos, uma mentira e, no fundo, uma pura hipocrisia


 
Ridha Klouche

15 de Maio de 2025 ·

 

O que faz com que [os democratas] sejam os representantes da pequena burguesia é que o seu cérebro não consegue ir além dos limites que o pequeno burguês não ultrapassa na sua própria vida, e que, por conseguinte, eles são, teoricamente, levados para os mesmos problemas e para as mesmas soluções às quais o interesse material e a situação social empurram, na prática, os pequenos burgueses. Este é, de forma geral, o relacionamento que existe entre os representantes políticos e literários de uma classe e a classe que eles representam.

Karl Marx, Le 18 Brumaire de Louis Bonaparte,

« A democracia é uma contradição em termos, uma mentira e, no fundo, uma pura hipocrisia [...]

A liberdade política é um simulacro e a pior forma de escravidão possível; essa liberdade fictícia é o pior servilismo.

O mesmo se aplica à igualdade política: é por isso que será necessário despedaçar a democracia tanto quanto qualquer outra forma de governo. »

- Friedrich Engels, Progresso da reforma social no continente, 1843

« A autonomia da mercadoria está na raiz da ditadura da aparência. O pseudo-evento pré-fabricado que aí domina e orienta o real, é um evento que já não é visível pelo que contém, mas que não tem outro conteúdo senão ser visível. »

- Internacional situacionista, A independência da mercadoria, 1966 

As máscaras intercambiáveis personificam esse ídolo que só queria beber o néctar do lucro no cérebro das suas vítimas 

Há no dinheiro o suor e o trabalho não pago dos SEM-RESERVAS 

As máscaras intercambiáveis do capital POR KARL MARX: 

«uma nova variedade de parasitas sob a forma de promotores, especuladores e simples administradores nominais; todo um sistema de fraude e trapaça através da promoção de empresas, emissão de acções e especulação bolsista». (O Capital) 

----- AMADEO BORDIGA CROSTA TERRESTRE E ESPÉCIE HUMANA

: ....

.......O imenso rio da história humana também tem as suas cheias irresistíveis e ameaçadoras. Quando o caudal sobe, ele ruge entre os dois diques que o aprisionam. À direita, está o dique conformista, para a conservação das formas existentes e tradicionais – uma passagem contínua de padres que cantam salmos em procissão, polícias e guardas em patrulha, mestres de escola e charlatães despejando as mentiras oficiais e a escolástica de classe. À esquerda, o dique reformista: aí amontoam-se os homens dedicados ao povo, os profissionais do oportunismo, os parlamentares e os líderes das organizações progressistas. Trocando insultos de um lado para o outro da corrente, os dois cortejos presumem possuir a receita para fazer com que o poderoso rio continue o seu curso reprimido e forçado. Mas no grande virar da história, a corrente rompe todas as barreiras, sai do seu leito e «salta», como o Pó em Guastalla e no Volano, numa direcção inesperada, arrastando ambas as margens sórdidas na vaga irresistível da revolução, derrubando as antigas barragens de todo tipo, e dando à sociedade como à terra uma face nova. 

Todas as nações não passam de um superestrutura do capital. 

A nacionalidade do operário não é francesa, nem inglesa, nem alemã, é o trabalho, a escravidão livre, a venda de si próprio. 

O seu governo não é francês, nem inglês, nem alemão, é o Capital. A sua atmosfera natal não é francesa, nem inglesa, nem alemã, é a atmosfera da fábrica. O solo que lhe pertence de facto não é francês, nem inglês, nem alemão; encontra-se alguns pés abaixo da terra.

(Karl Marx, «Crítica da Economia Política» 1845) "O capital é um trabalho morto que se reveste de vida, como um vampiro, ao absorver o trabalho vivo; e quanto mais vive, mais teme". (O Capital, Livro I, cap. VIII "A jornada de trabalho")

Há no dinheiro o suor e o trabalho não pago dos SEM-RESERVAS. É necessário dissolver todos os estados, assim como todas as funções do dinheiro, e não apenas deslocá-las. Marx fez a necrologia do carácter duplo, ou seja, bifurcado, da força de trabalho dos SEM-RESERVAS, que é uma mercadoria, e a necrologia do carácter duplo do trabalho contido na mercadoria e no capital. Os SEM-RESERVAS possuem apenas uma mercadoria: a sua força de trabalho, que tem um carácter duplo — uma utilidade, ou seja, um valor de uso para o capital, e um valor de troca. Os SEM-RESERVAS só recebem um salário se produzirem e reproduzirem O TRABALHO NÃO PAGO. A MERCADORIA CONTÉM O CARÁCTER BIFURCADO DA FORÇA DE TRABALHO, DO CAPITAL CONSTANTE E DA MAIS-VALIA. VEJA A CARTA DE MARX A ENGELS DE 8 DE JANEIRO DE 1868.

1. Opondo-me a toda a economia anterior que, desde o início, trata como dados os fragmentos particulares da mais-valia com as suas formas fixas de renda, lucro e juro, eu trato primeiro DA FORMA GERAL DA MAIS-VALIA..........

2. "......uma coisa bem simples escapou a todos os economistas, sem excepção, é que se A MERCADORIA TEM O DUPLO CARÁCTER DE VALOR DE USO E DE VALOR DE TROCA, é necessário que o trabalho representado nesta mercadoria possua também este duplo carácter; enquanto que a única análise do trabalho SEM DÚVIDA tal como a encontramos em Smith, Ricardo ETC., depara-se fatalmente em todos os lugares com problemas inexplicáveis. ESTE É NA VERDADE TODO O SEGREDO DA CONCEPÇÃO CRÍTICA.

3. pela primeira vez, o salário é apresentado como a forma fenomenal IRRACIONAL DE UMA RELAÇÃO QUE ESTA FORMA OCULTA.

PS: ....enquanto a determinação do valor pelo tempo de trabalho continuar tão pouco "determinada"

Que em Ricardo, ele próprio,ela não faz as pessoas tremerem. POR OUTRO LADO, assim que é colocada exactamente em correlação com o dia de trabalho e AS SUAS VARIAÇÕES, eles veem acender-se um candelabro que lhes é muito desagradável..............

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« O capital é ele próprio a contradição como processo, na medida em que se esforça por reduzir o tempo de trabalho ao mínimo, enquanto que, por outro lado, define o tempo de trabalho como a única medida e fonte da riqueza. 

É por isso que diminui o tempo de trabalho sob a forma de trabalho necessário para o aumentar sob a forma de trabalho supérfluo; e coloca, assim, de forma crescente, o trabalho supérfluo como condição – questão de vida ou morte – para o trabalho necessário. 

Por um lado, dá vida a todos os poderes da ciência e da natureza, assim como aos da combinação social e do comércio social, para tornar a criação de riqueza independente (relativamente) do tempo de trabalho nela aplicado. 

Por outro lado, quer medir o tempo de trabalho dessas forças sociais gigantescas assim criadas, e aprisioná-las nos limites exigidos para conservar como valor o valor já criado.»

As forças produtivas e as relações sociais – sendo ambos lados diferentes do desenvolvimento do indivíduo social – só surgem para o capital como meios, e não são para ele senão meios de produzir a partir da base fundamental limitada que ele possui. Mas, na verdade, elas são as condições materiais para fazer saltar essa base ..."

Karl Marx, Manuscritos de 1857-1858 (« Grundrisse »), Les Éditions sociales, Paris, 2011, Tradução de Jean-Pierre Lefebvre, p. 660

 

Fonte: Retirado da página de Facebook de Ridha Klouche

Este texto foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice