quinta-feira, 2 de abril de 2026

Reforma Laboral na Argentina: O Capitalismo Impõe-nos a Escravatura, Vamos Impor-lhe a Guerra de Classes!


Reforma Laboral na Argentina: O Capitalismo Impõe-nos a Escravatura, Vamos Impor-lhe a Guerra de Classes! 

A 27 de Fevereiro de 2026, a reforma laboral foi definitivamente adoptada pelo Senado. Já tinha sido aprovada pelo Congresso argentino uma semana antes, por 135 votos contra 115. Esta reforma, apoiada por uma ampla coligação parlamentar que vai do centro-esquerda à extrema-direita, foi notavelmente apoiada pelo presidente libertário Javier Milei, eleito em Novembro de 2023. O objectivo declarado era romper definitivamente com o legado peronista das relações laborais, caracterizado pela influência significativa dos sindicatos corporativistas e colaboracionistas e pela centralização da negociação colectiva sob a égide do Estado, desregulando massivamente e tornando o direito laboral mais flexível. (1) Esta lei, na realidade, faz parte de uma longa série de ataques anti-operários por parte de um governo que se orgulha de se proclamar "anarco-capitalista".

Legalização da escravatura salarial para benefício exclusivo da burguesia

Esta reforma laboral pode ser considerada uma das principais exposições no museu dos horrores do capitalismo. Alguns exemplos são suficientes para ilustrar isto. As horas de trabalho permitidas aumentam de 8 para 12 horas (!) por dia. (2) Este aumento das horas diárias de trabalho pode ser decidido unilateralmente pela empresa, e não existe pagamento legal de horas extraordinárias. O despedimento de operários também se tornou mais fácil, a indemnização foi drasticamente reduzida e os períodos de férias podem ser escalonados para dar maior flexibilidade aos empregadores. Os salários podem agora ser parcialmente pagos em espécie, uma das formas mais arcaicas de exploração capitalista. Finalmente, o direito à greve foi severamente restringido, tornando-o quase impossível na maioria dos sectores em nome do sagrado "serviço mínimo", tal como o direito de sindicalização, com a negociação colectiva regulada por sector. Os acordos colectivos, que devem garantir um nível mínimo de protecção social para os operários, são agora renegociados anualmente em vez de serem renovados automaticamente. Além disso, os acordos societários passam a ter prioridade sobre a lei, mesmo que sejam menos vinculativos. (3)

Ao mesmo tempo, a taxa do imposto sobre as empresas foi reduzida de 35% para 31,5%, e as contribuições dos empregadores foram reduzidas. No entanto, os salários estão sujeitos a uma nova taxa de 3%, destinada a financiar a redução equivalente das contribuições dos empregadores para o sistema de pensões. As ocupações no local de trabalho estão agora proibidas, e a liberdade de associação e reunião severamente restringida, pois qualquer reunião no local de trabalho deve ser aprovada previamente pelo empregador. (4) É como um regresso ao capitalismo de Manchester do século XIX, quando o capital era completamente desregulado em nome da "liberdade de iniciativa" e outros disparates burgueses. Isto, mais uma vez, dá "liberdade à raposa no galinheiro", para usar a expressão do socialista francês Jean Jaurès. Significa permitir que o capital explore o proletariado até ao osso, sem quaisquer restricções, para acumular lucros cada vez maiores.

Esta reforma não surpreende ninguém. Faz parte de uma continuação da guerra de classes já em curso, travada pelo presidente libertário contra o proletariado desde que chegou ao poder: cortes massivos nos gastos sociais (saúde, educação, pensões), despedimentos de funcionários públicos, desregulamentação dos preços dos serviços essenciais (transportes, habitação, gás, electricidade, água) e cortes drásticos nos salários tanto no sector público como no privado, entre outras medidas. Estas medidas levaram a um enriquecimento sem precedentes para os capitalistas, ao mesmo tempo que, por outro lado, provocaram um aumento igualmente significativo da desigualdade, pobreza e insegurança no emprego. (5)

A Falência do "Modelo" Anarco-capitalista

Após a sua vitória nas eleições intercalares de Outubro de 2025, com o objectivo de renovar parte do Senado (24 de 72 lugares) e da Câmara dos Deputados (127 de 257 lugares), onde o partido de Milei saiu por cima com 40% dos votos, os media burgueses tentaram novamente explicar este sucesso pelas suas supostas "conquistas" macro-económicas e sociais. E isto, apenas algumas semanas depois de o governo argentino ter implorado aos Estados Unidos 40 mil milhões de dólares em ajuda para estabilizar a economia, perante os receios dos investidores ligados a um peso fortemente desvalorizado e à falta de reservas em dólares... Um "milagre" económico bastante frágil! (6)

Este sucesso eleitoral explica-se em grande parte pela falta de alternativas políticas, já que governos anteriores, tanto de esquerda como de direita, são acusados de serem responsáveis pela actual recessão económica e de serem corruptos, bem como pela diminuição da inflação, que vinha a afectar gravemente a população, especialmente os trabalhadores informais. No entanto, a situação económica e social está longe de ser ideal. Alega-se que Milei "salvou" a Argentina do caos e da hiperinflação ao restaurar a credibilidade do país nos mercados financeiros e reduzir o âmbito da intervenção estatal. Admitidamente, isto teve o efeito de reduzir a inflação de 25% ao mês em Dezembro de 2023 para cerca de 3% actualmente. (7) Ao mesmo tempo, o risco do país diminuiu, o investimento estrangeiro aumentou e os défices públicos e comerciais foram significativamente reduzidos. (8) No entanto, nem tudo o que brilha é ouro. Em primeiro lugar, a metodologia adoptada pelo INDEC para calcular a inflação e a taxa de pobreza está completamente desactualizada. (9) Baseia-se no custo de vida em 2004, e o governo recusa-se a actualizá-lo para reflectir o custo de vida actual. Se esta base de dados fosse actualizada, não só a inflação seria significativamente superior às estimativas oficiais, como a taxa de pobreza seria igualmente elevada, ao mesmo nível de quando Javier Milei chegou ao poder, ou até superior, segundo algumas estimativas! (10) Um exemplo marcante desta pobreza é o aumento do número de sem-abrigo e do número de operários pobres. (11)

Por outro lado, a recuperação em forma de K revela as fraquezas estruturais do modelo económico argentino(12): o aumento do crescimento para 4,4% em 2025, inferior às estimativas do FMI e do Banco Mundial (após uma recessão de 1,8% em 2024), é impulsionado exclusivamente pelos sectores mineiro e agrícola, ou seja, o sector primário, Enquanto o sector que mais sofreu os efeitos da crise é o industrial. Alguns jornais chegam mesmo a falar de "industrialicídio" para descrever este fenómeno de desindustrialização massiva, causando uma vaga de despedimentos. (13)

A abertura ao capital estrangeiro e às exportações perturbou o tecido produtivo local, particularmente no sector têxtil, que emprega uma parte significativa da população. No total, quase 300.000 empregos foram perdidos em dois anos, tanto no sector público como no privado, levando a um aumento acentuado do desemprego e da agitação social em resposta a cortes salariais, despedimentos e encerramentos de empresas. (14) Perante esta forte contracção no emprego formal, o último recurso para os operários é o trabalho informal, que é muito mais precário. A informalidade e o trabalho não declarado aumentaram significativamente desde o início do mandato de Milei, alcançando mais de 40% da população activa. (15) Assim, o presidente libertário propõe a continuação desta maior precariedade, sem uma estrutura produtiva estável. No entanto, este modelo tem limitações óbvias. Não só o forte crescimento de 2025 é explicado pela recuperação da recessão de 2024 e pelos números positivos de Dezembro, como também houve cinco meses durante o ano em que o país registou crescimento negativo em relação ao mês anterior. Além disso, vários especialistas alertam para uma queda no consumo, que arrisca enfraquecer ainda mais o modelo de crescimento nos próximos anos. (16)

Após a sua vitória nas eleições parlamentares, Javier Milei anunciou que iria intensificar ainda mais a série de reformas neo-liberais já implementadas. Isto inclui não só a já referida reforma laboral e o aumento dos cortes nos gastos sociais, o provável aumento da idade de reforma para 70 anos (!), mas também o regresso do espectro da dolarização da economia. Um espectro que assombra a Argentina desde Dezembro de 2001, quando o modelo de convertibilidade implementado pelo ministro da Economia de Carlos Menem, Domingo Cavallo, colapsou por si só.

A dolarização consiste em fixar rigidamente a moeda nacional (neste caso, o peso) ao dólar americano e usar o dólar como moeda principal para transacções e depósitos. Na Argentina, a política de convertibilidade dos anos 90 fixou o peso no equivalente a um dólar, o que ajudou a controlar a inflação. No entanto, esta rigidez reduziu a capacidade do país de ajustar a sua política monetária em resposta a choques económicos externos, tornando as exportações menos competitivas e a economia vulnerável à fuga de capitais. Quando a confiança caiu no início dos anos 2000, com levantamentos de poupanças e transferências de capital para o estrangeiro, a incapacidade de desvalorizar o peso agravou a crise, causando uma crise de liquidez e o congelamento de contas bancárias, contribuindo para o colapso económico de 2001, marcado por incumprimento da dívida soberana, uma recessão profunda, escassez e motins. (17)

Milei e o seu grupo claramente não aprenderam nada com a crise. A economia argentina continua largamente dependente do capital estrangeiro, e a dolarização só agravaria essa dependência, arriscando um novo choque económico no futuro, cujos efeitos seriam fortemente sentidos pelo proletariado.

A retoma da luta de classes como único horizonte contra a barbárie capitalista

A Argentina de hoje mostra o caminho que todas as burguesias nacionais seguirão amanhã. Perante a crise histórica do capitalismo, que não consegue gerar novos ciclos de crescimento há mais de 50 anos, a burguesia não pode conformar-se com o modelo corporativista de compromisso entre capital e trabalho, neste caso entre empregadores e sindicatos peronistas colaboracionistas. Pelo contrário, deve optar por uma estratégia de choque destinada a garantir a máxima rentabilidade à custa dos operários, para reviver — apenas temporariamente — a taxa de lucro.

Nas últimas décadas, reverter todas as concessões feitas pela burguesia ao proletariado não é exclusivo do governo argentino de extrema-direita. Em França e no Norte da Europa, por exemplo, o Estado social está constantemente sob ataque por sucessivos governos, tanto de direita como de esquerda, que aumentam a idade da reforma, criam empregos mais precários e reduzem os gastos e protecções sociais. Nos Estados Unidos, em vários estados, o trabalho infantil voltou a ser legalizado, representando um enorme retrocesso em termos de legislação laboral. O objectivo deixa de ser comprar a paz social, mas sim aumentar a taxa de lucro por qualquer meio ao alcance da burguesia, incluindo a proliferação de ataques anti-operários.

Esta reforma provocou apelos para uma greve geral de 24 horas lançada pela CGT (Confederação Geral do Trabalho), que foi particularmente bem apoiada, e inúmeras manifestações — por vezes massivas — perto do edifício do Congresso, marcadas por confrontos violentos com as forças policiais. Os outros sindicatos, supostamente mais militantes, como a CTA, bem como os sindicatos de base e as organizações piquetero (organizações de operários desempregados), seguiram as decisões da CGT sem qualquer sussurro. Isto não é de admirar. Todos estes sindicatos estão agora totalmente alinhados com o peronismo, cujo percurso é, no entanto, desanimador para a classe operária argentina, que sofreu com uma política particularmente severa de austeridade e supressão salarial sob a presidência de Kirchner e a dupla Alberto Fernández e Sergio Massa. Deve também notar-se que a maioria das organizações piqueteras apoia oficialmente a coligação peronista, nomeadamente o Parti Piquetero, que se identifica como trotskista e é membro da coligação de esquerda Fuerza Patria. A CGT conseguiu o feito de ter um desempenho ainda pior do que outras organizações, tendo já colaborado com várias ditaduras militares ao longo do século XX, bem como com o Presidente Carlos Menem, uma das principais figuras responsáveis pela histórica crise económica de 1999-2003. A CGT procurou consistentemente negociar e dialogar com o governo libertário e os partidos da oposição para obter uma reforma laboral considerada mais "aceitável" aos seus olhos como um cão de guarda da burguesia. E, para não pôr em risco essas discussões, propôs apenas alguns dias de manifestações ou breves greves gerais. Não surpreendentemente, foi um fracasso retumbante, mas o objectivo nunca foi derrubar esta reforma, e o governo com ela.

Nas ruínas do peronismo, está a emergir um novo "herói" da esquerda argentina: o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof. Ex-ministro da Economia sob a presidência de Cristina Kirchner, é visto como o único possível desafiante de Milei, apoiado por uma ampla coligação que vai da direita à extrema-esquerda estalinista-maoísta. O seu programa, firmemente enraizado no peronismo, é, no entanto, notavelmente insípido: implementação de uma política proteccionista destinada a promover um modelo de industrialização por substituição de importações (ISI), intervenção estatal para regular o capital privado, ligeiros aumentos de impostos e despesa social, e assim por diante. Em suma, todos os métodos que já falharam em grande parte em enfrentar a crise do capitalismo e só prolongaram o sofrimento do proletariado. Vários governadores e parlamentares peronistas chegaram mesmo a um acordo com o governo para apoiar a lei laboral, sob a condição de que algumas das medidas mais brutais sejam removidas do texto! Que saboreiem a sua "vitória" hoje: permitiram que uma das reformas mais retrógradas das últimas décadas passasse a nível global.

Longe de representar uma alternativa, os grupos trotskistas voltam a servir de muleta para o peronismo e a direita. Por exemplo, apoiaram as greves nacionais da CGT, ao mesmo tempo que apelavam ao sindicato para defender os operários de forma mais concreta (!), e apelavam à "pressão" sobre o Congresso para rejeitar a lei (!!). Que ironia cruel...

Perante estes verdadeiros inimigos e falsos amigos, a classe operária deve agir de forma autónoma e independente amanhã, como uma classe própria, e portanto organizada como um Partido, para enfrentar o capital e todos os seus aliados, direita e esquerda, extrema-direita e extrema-esquerda. Como Karl Marx e Friedrich Engels já explicaram na sua época, "contra o poder colectivo das classes proprietárias a classe operária não pode agir, como classe, excepto constituindo-se num partido político, distinto e oposto a todos os partidos antigos formados pelas classes proprietárias ... Esta constituição da classe operária num partido político é indispensável para garantir o triunfo da revolução social e o seu fim final — a abolição das classes". (18) Esta é a tarefa de todas as minorias revolucionárias, perante o caos e a luta de vida ou morte que a burguesia nos promete.

Xav
Groupe révolutionnaire internationaliste
18 de Março de 2026

Notas:

Imagem: commons.wikimedia.org

(1) O peronismo, ou justicialismo, corresponde à ideologia defendida por Juan Perón, o líder nacionalista no poder entre 1946 e 1955 e entre 1973 e 1974. Defendia uma chamada "terceira via" entre o capitalismo liberal e o comunismo, e apoiava-se numa propaganda focada na justiça social, num Estado intervencionista, soberania nacional e o apoio político das classes populares e dos sindicatos.

(2) Em França, por exemplo, teria de recuar até 1848 para encontrar um dia de trabalho com tantas horas de trabalho!

(3) lesechos.frcourrierinternational.com e bfmtv.com

(4) basta.media

(5) enfoquesindical.org

(6) elpais.com ; elpais.com e bbc.com O relatório da BBC também refere que Trump tornou o resgate da moeda argentina dependente de uma vitória de Milei.

(7) elpais.com

(8) courrierinternational.com

(9) courrierinternational.com

(10) perfil.com ; letrap.com.ar ; pagina12.com.ar e pagina12.com.ar

(11) elpais.com e reuters.com

(12) A recuperação em forma de K descreve "uma recuperação económica onde diferentes grupos ou sectores experienciam resultados muito contrastantes: alguns prosperam e crescem, enquanto outros lutam ou declinam." Cf usbank.com

(13) reuters.com e courrierinternational.com

(14) conclusion.com.ar

(15) lesechos.fr

(16) elperiodico.com

(17) cepal.org

(18) marxists.org

Segunda-feira, 30 de Março de 2026

 

Fonte: Labour Reform in Argentina: Capitalism Imposes Slavery on Us, Let's Impose Class War on It! | Leftcom

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice



Israel à beira do colapso, Trump entra em pânico: a guerra tecnológica que o Império não queria ver.

 


Israel à beira do colapso, Trump entra em pânico: a guerra tecnológica que o Império não queria ver.

2 de Abril de 2026 Robert Bibeau

O vídeo está disponível no seguinte endereço:
Israel à beira do colapso, Trump entra em pânico: a guerra que ninguém queria ver.
e    https://www.youtube.com/watch?v=F7avAUA1XSw

 


 

Fonte: Israël au bord de l’effondrement, Trump panique: la guerre technologique que l’Empire ne voulait voir – les 7 du quebec

Título introdutório ao vídeo traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




A pressão nuclear está a aumentar ao redor do Irão e da entidade israelita.

 


A pressão nuclear está a aumentar ao redor do Irão e da entidade israelita.

2 de Abril de 2026 Robert Bibeau

 


 

Fonte: LA PRESSION NUCLÉAIRE S’INTENSIFIE AUTOUR DE L’IRAN ET DE L’ENTITÉ ISRAÉLIENNE – les 7 du quebec

Título introdutório ao vídeo traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




A guerra é uma extensão da economia política capitalista.

 


A guerra é uma extensão da economia política capitalista.

2 de Abril de 2026 Robert Bibeau


Por Normand Bibeau .

                                                     

                                    «O mundo não será destruído por aqueles que praticam o mal, mas por aqueles que sabem e nada fazem».

(Albert Einstein, cientista ateu, anti-sionista e socialista).

O nosso camarada Mesloub tem toda a razão e desmascara toda a ignomínia da propaganda goebeliana da burguesia mundial, que tem a presunção de chamar «guerra» ao que não passa de TERRORISMO DE ESTADO, para ocultar o OBJECTIVO CAPITALISTA de destruir para enriquecer; o que, na realidade, não passa de uma extensão armada TERRORISTA da economia capitalista.

Para se convencer disso, basta examinar os lucros e a capitalização estratosféricos do complexo militar-industrial mundial e das empresas capitalistas de «roubo, pilhagem e banditismo» (LENINE) a que este está associado. (ref.:    Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Construir a FORTALEZA AMÉRICA/MAGA/UNIPOLAR entre os fossos oceânicos ).

Basta ouvir os discursos odiosos, bárbaros e desumanos dos líderes belicistas:


– «A guerra na Ucrânia cria empregos lucrativos (leia-se lucros astronómicos) no Texas», segundo Joe Biden, o criminoso de guerra genocida ianque;

 

– o propagandista neo-nazi, racista e supremacista à Goebbels, Lindsey Graham: «O investimento na guerra na Ucrânia é o nosso melhor investimento, vai render 100 mil milhões de dólares em riquezas naturais ucranianas sem nos custar um único “rapaz”»;

 

-Putin, que se oferece para fornecer petróleo e gás precisamente àqueles que massacram os soldados russos na frente ucraniana, em nome de «somos fornecedores capitalistas de confiança» e «bu$$ine$$ as usual»;

 

-Xi, cujo país é o segundo maior fornecedor de bens ao Estado genocida SIONAZI ISRAELITA de «toda essa ralé de mercenários» que massacra os seus «amigos sem limites» iranianos;

 

o que se pode imaginar de mais abjecto, imundo e desumano?

Essa retórica capitalista fascista/socialista ao estilo chinês/civilizacionalista é a mesma em todo o imperialismo, seja ocidental ou oriental, unipolar ou multipolar, EUA/sionista israelita/ucraniano banderista de Kiev ou BRICS, com ou sem China/Rússia/Irão/Coreia do Norte:

1- Transformar "carne de patrão" em "carne para canhão" para se enriquecer a si mesmos;
2- Destruir excedentes de mercadorias, mão de obra assalariada e materiais;
3- Apoderar-se dos mercados e recursos naturais dos seus concorrentes;
4- Destruí-los para escravizá-los e reconstruí-los para seu próprio lucro.


Nada de novo, apenas uma intensificação, uma aceleração, na sociedade dividida em classes antagónicas. Marx, Engels e Lenine já haviam demonstrado que a "guerra", em todas as suas formas e nomes complexos, era apenas a extensão da economia de todas as sociedades divididas em classes, onde aqueles que sofrem com a "guerra" nunca são aqueles que enriquecem com ela.

A burguesia, com a Comuna de Paris e a Revolução de Outubro, percebeu que armar um povo inteiro para travar uma guerra era perigoso para a sua ditadura mortal e genocida; portanto, resolveu tornar isso prerrogativa da sua guarda pretoriana de "assassinos em massa" alados, uma corja aristocrática de pilotos de caça superpagos, supertreinados e, acima de tudo, supercondicionados, para massacrar sem remorso, psicopatas voadores projectando morte e devastação dos céus como deuses descidos do Olimpo para impor a lei dos seus mestres.

Aqueles que duvidam disso deveriam sair da sua ignorância e ler ou ouvir as bravatas dos pilotos dos aviões ianques que lançaram as bombas atómicas sobre Hiroshima e Nagasaki; perceberão que esses seres abomináveis ​​não têm um pingo de humanidade; são os equivalentes voadores
dos genocidas nazis que alegavam criminosamente estar a "cumprir ordens" nos campos de extermínio falsamente chamados de campos de concentração nazis: monstros que mal merecem a forca.

O proletariado mundial está numa encruzilhada: TRANSFORMAR AS GUERRAS IMPERIALISTAS EM REVOLUÇÃO PROLETÁRIA OU PERECER, eis a questão.

PROLETÁRIOS DE TODO O MUNDO, UNÍ-VOS E DERRUBAI A DITADURA DA BURGUESIA.

 

Fonte: La guerre est une extension de l’économie politique capitaliste – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




quarta-feira, 1 de abril de 2026

Guerra de agressão dos EUA contra o Irão: do delírio imperialista às realidades no terreno

 


Guerra de agressão dos EUA contra o Irão: do delírio imperialista às realidades no terreno

1 de Abril de 2026 Robert Bibeau

Guerra de agressão dos EUA contra o Irão: do delírio imperialista às realidades chocantes no terreno

Por Resistance 71.  Fonte: https://resistance71.wordpress.com/2026/03/24/guerre-dagression-judeo-americaine-contre-liran-du-delire-imperialiste-aux-realites-chocs-du-terrain-resistance-71/



(Nazis-israelitas retratados ao lado)

Estamos na quarta semana deste conflito de agressão criminosa perpetrado pelo império da mentira e da arrogância contra a valente nação persa, cuja defesa e contra-ataque heroicos vêm reescrevendo a história e os livros de estratégia militar diariamente nas últimas três semanas. O Irão tem vindo a dar uma aula magistral de estratégia militar assimétrica moderna ao mundo desde 28 de Fevereiro.

O império, aqui personificado pelo poodle Trump  “Donnie Baby Hands”  e seu treinador, o criminoso sionista genocida Netanyahu, como de costume, apenas conta histórias mirabolantes e fantasiosas para entreter a plateia e manter uma aparência de compostura diante do atoleiro total que esta tentativa de guerra de aniquilação representa para as duas nações envolvidas nesta agressão, que viola todas as leis internacionais e de guerra imagináveis.

Para compreender plenamente o que vamos dizer, convidamos os leitores que ainda não o fizeram a ler o nosso dossier  “Guerra Imperialista contra o Irão”,  bem como as nossas duas análises resumidas da  primeira  e  da segunda  semana; as informações ali contidas são abundantes e essenciais para uma boa compreensão deste conflito paradoxal, que é inútil como todos os outros conflitos, mas, ao mesmo tempo, tão ansiosamente aguardado.

Para o império e os seus dois fantoches, auxiliados pelos seus meios de propaganda:

·         A guerra já está ganha desde o primeiro dia.

·         O Irão é como uma galinha sem cabeça, sem liderança.

·         O Irão não possui mais nenhuma capacidade de defesa aérea.

·         Segundo o palhaço Trump, "Apagamos o Irão do mapa".

·         O Irão não tem mais uma marinha.

·         O Irão não tem mais capacidade de atacar.

·         Os ataques aéreos imperialistas-sionistas destruíram a infraestrutura do país e a missão está quase cumprida. Salve Calígula!

Mas, ponto por ponto, a realidade no terreno é esta, uma realidade que já não pode ser escondida; até os meios de comunicação imperialistas-sionistas começam a falar sobre isso… Assim:

·         Com o assassinato do líder Khamenei e o bombardeamento deliberado da escola feminina que matou 180 estudantes, o Irão havia conquistado a vitória no J1…

·         O Irão demonstrou, através da sua  táctica de Mosaico de Defesa Descentralizada (DDM) , refinada ao longo de 20 anos, que a perda de líderes NÃO altera em nada os mecanismos de defesa e resposta programados de forma descentralizada e independente em 12 regiões autónomas, porém coordenadas.

·         O Irão ainda existe e a sua resposta só aumenta, de acordo com um plano estratégico que se desenvolve de forma programada e gradual, para atingir os seus dois objectivos no final da guerra: a) acabar com as bases americanas no Médio Oriente e b) neutralizar a entidade sionista e torná-la incapaz de causar danos.

·         O Irão não possui uma marinha propriamente dita, pelo menos não no sentido convencional. O país precisa defender as suas costas num espaço confinado, o Golfo Pérsico e o Estreito de Ormuz, onde grandes navios representam um obstáculo e alta manobrabilidade e velocidade são essenciais. A sua marinha é perfeitamente adequada e funciona mesmo quando o império ataca navios-isca sem consequências estratégicas.

·         Enquanto escrevemos estas linhas, o Irão está na sua 74ª vaga de retaliação contra a entidade sionista e todas as bases ianque no Médio Oriente, tendo começado a disparar mísseis hipersónicos que agora atingem onde bem entendem, à vontade, tanto bases americanas no Golfo quanto pontos estratégicos em “Israel”.

·         De facto, houve destruição de infraestrutura no Irão, incluindo escolas, hospitais, lugares históricos, grandes áreas civis, refinarias de Teerão, bem como inúmeros prédios militares vazios, estruturas de distracção e outras similares, sem que isso tenha afectado as capacidades de mísseis balísticos do Irão, que estão enterradas em mais de cem "cidades de mísseis" distribuídas pelas áreas mencionadas e sob o "comando" descentralizado das Forças de Defesa Multinacionais (MDF).

Mas, acima de tudo, a realidade no terreno, na quarta semana de agressão imperialista, mostra o que a media ocidental tem cada vez mais dificuldade em esconder. O que vamos afirmar para reequilibrar a perspectiva sobre este conflito é perfeitamente verificável através de múltiplas fontes e apenas confirma uma verdade óbvia que nos escapa em todos os discursos e intervenções desses bufões imperialistas, esses gestores mafiosos do caos sem sentido: todos esses criminosos simplesmente confundem os seus desejos com a realidade. Eles pensam, analisam e agem de acordo com o que acreditam que o mundo seja, não de acordo com o que ele realmente é. Vivem num mito perpétuo e, como todos os mitómanos que se prezam, acreditam nas suas próprias invenções e mentiras. Assim,

·         Em termos puramente militares:  o império não alcançou absolutamente nada dos seus objectivos, que, lembremos, eram oficialmente erradicar o programa nuclear (civil) e a capacidade de mísseis balísticos do Irão. O império não apenas fracassou, como as suas bases militares no Médio Oriente e o seu principal aliado sionista estão sob bombardeamento há mais de três semanas. O império e a entidade sionista praticamente não possuem mais capacidade de defesa aérea, devido tanto ao esgotamento dos stocks de mísseis quanto às tácticas iranianas de eliminar essa capacidade em etapas sucessivas e ao esgotamento logístico. Hoje, a frota americana está em desordem. Dois porta-aviões, os principais navios da projecção do poder imperialista americano,  o USS Abraham Lincoln e o USS Gerald Ford,  deixaram a área, gravemente danificados; eles precisarão de meses de reparos e centenas de milhões de dólares para um possível retorno à operacionalidade. Todas as bases americanas no Médio Oriente, incluindo a base da 5ª Frota no Bahrein, foram tornadas inoperáveis. Há dias, chovem mísseis sobre a entidade sionista, atingindo alvos estratégicos de alta precisão, sempre correctamente identificados e à vontade, sem qualquer impedimento. O Irão acaba de afirmar o seu domínio dos céus sobre "Israel", enquanto simultaneamente atacava a cidade militar de Dimona, perto da instalação sionista que produz o plutónio para as suas armas nucleares.  A fanfarronice do lacaio Trump não altera em nada a realidade no terreno: a maré da batalha virou a favor do Irão, o estratega mais astuto, que agora dita a sua vontade no campo de batalha sem que o inimigo sionista consiga impor-lhe qualquer resistência.  Além disso, desde 2 de Março, o Hezbollah retomou os combates e defende o seu território como nunca antes, infligindo enormes perdas humanas e logísticas aos genocidas sionistas na sua ofensiva no sul do Líbano e nos territórios ocupados. Uma terceira frente aguarda: a do Iémen e do Ansarallah, que aguarda a autorização para potencialmente fechar o Estreito de Bab el-Mandeb, no sul do Mar Vermelho…

·         Na frente económica:  os danos materiais e as perdas de vidas no Irão são enormes, mas o país está a reconstruir-se. Por outro lado, os custos incorridos por esta guerra de três semanas para o império são perdas puramente financeiras: centenas de milhar de milhões de dólares perdidos em munições, extensa devastação logística de bases militares, equipamentos como os sofisticados radares da região, todos destruídos numa semana, aeronaves F-15, F-16, F-35 e aviões-tanque destruídos em voo e em solo.  Mas tudo isso empalidece em comparação com a perda estratégica mais vital para a sua economia: o colapso do petrodólar,  a tábua de salvação que permitiu ao império ser o que tem sido durante 50 anos em toda a sua arrogância ilimitada. O controlo total do Irão sobre o Estreito de Ormuz, por onde passam diariamente 20% do petróleo e gás do mundo, sem que o império possa fazer nada a respeito, representa uma espécie de fim de jogo político e económico na escala imperialista. O ponto de estrangulamento não está fechado à navegação; O ponto de estrangulamento não está fechado à navegação, está apenas restrito à navegação amiga do Irão, nada mais… e o império não pode fazer senão assistir a este novo desastre.

·         Do ponto de vista financeiro:  esta guerra imperialista de agressão contra o Irão tem sido financeiramente insustentável para o império desde o início. Desde o princípio, o império gastou 10 milhões de dólares em mísseis Patriot para interceptar um míssil iraniano de 15 anos, sem mencionar os sistemas THAAD, a 15 milhões de dólares cada… Qual é o retorno financeiro quando um drone iraniano Shahed-136 de 25.000 dólares desactiva um radar altamente sofisticado de 1,1 mil milhões de dólares no Catar? A matemática é simples e não mente: para cada dólar gasto pelo Irão, o império gasta 40.000, e tudo segue o mesmo padrão, porque mesmo que um míssil hipersónico custe mais ao Irão para produzir, a devastação logística resultante, bem como todas as incalculáveis ​​vantagens tácticas e estratégicas, sempre inclinam a balança a favor do Irão. Sem mencionar o impacto financeiro da tomada de Hormuz, que está a ser sentido em todo o mundo…

·         Em termos morais:  reafirmar sempre este facto, como o Irão faz consistentemente, contrariando a narrativa da propaganda imperialista, ou seja, que é o Irão que está a ser atacado e a defender-se… Que o ataque traiçoeiro do império ocorreu, mais uma vez, durante negociações em curso, o que é traição e crime de guerra… Desde então, o Irão tem apenas mantido a sua elevada posição moral. O império é incapaz de destruir as suas capacidades militares; vinga-se na infraestrutura e na população civil. Isso é algo que o Irão não faz sob nenhuma circunstância, pois as suas respostas são estrategicamente planeadas. Há quase uma semana, o Irão não encontrou resistência aos seus mísseis sobre as zonas de ataque no Médio Oriente cúmplice, controlado pelos  sionistas. As tropas americanas e sionistas estão entrincheiradas em quartéis ou bunkers que o Irão está a monitorizar. A Guarda Revolucionária Islâmica sabe perfeitamente onde se encontram as tropas inimigas indefesas; poderia ser um massacre, mas não o é, pelo menos por enquanto, sempre com o intuito de manter a superioridade moral no conflito. As forças imperialistas estão à mercê do Irão.

·         Na frente geo-política:  mais uma vez, tudo está a voltar-se para o Irão… A OTAN acaba de se retirar do Iraque, a UE e o Japão recusam-se a participar numa “Coligação para a Libertação de Ormuz”, convocada pelo lacaio sionista Trump. Os Estados Unidos e “Israel” estão isolados numa guerra que eles mesmos desejaram e iniciaram unilateralmente, e que agora estão a perder de forma espectacular. Os estados do Golfo que abrigavam bases americanas estão a pagar um preço alto pela sua cumplicidade nessa agressão e perceberam que os ianques os abandonaram numa tentativa desesperada de proteger a entidade sionista que ocupa a Palestina. Quando uma escolha teve que ser feita, ela foi feita rapidamente… Essas alianças sobreviverão a esse conflito? Longe de ser certo, além disso, é evidente que, no fim, os Estados Unidos terão que deixar o Médio Oriente, e isso também significará abandonar a protecção directa aos sionistas, que ficarão então à própria sorte num ambiente hostil. Quem  “protegerá” as monarquias decadentes do Golfo quando o petrodólar acabar? O período pós-guerra testemunhará, sem dúvida, uma retirada ianque da região, um "Israel" derrotado reconduzido à realidade palestiniana e as monarquias do Golfo à procura de outras alianças viáveis ​​e duradouras.

Como podemos constatar, na quarta semana o império já perdeu muito e isso é apenas o começo, dizem-nos os iranianos.

Os historiadores modernos já podem marcar a data de 28 de Fevereiro de 2026 como a data do fim do império anglo-americano-sionista e do seu domínio mortífero sobre o mundo. A questão seguinte deveria ser esta: uma vez que a história estatal-mercantil não passa de uma sucessão de impérios, que império sucederá a este? Não estaremos apenas a recuar para melhor saltar? O que nos leva a esta questão vital final: existe, afinal, uma solução dentro do sistema? É claro que temos a nossa pequena ideia sobre isso, os nossos leitores sabem-no...

Fonte:  https://resistance71.wordpress.com/2026/03/24/guerre-daggression-judeo-americaine-contre-liran-du-delire-imperialiste-aux-realites-chocs-du-terrain-resistance-71/

 

Fonte: Guerre d’agression américaine contre l’Iran : du délire impérialiste aux réalités du terrain  – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice