sábado, 14 de fevereiro de 2026

O lado obscuro das finanças capitalistas – da crise da bolsa aos subprimes – armas de destruição em massa

 


O lado obscuro das finanças capitalistas – da crise da bolsa aos subprimes – armas de destruição em massa

14 de Fevereiro de 2026 Robert Bibeau

 


 

Fonte: Le côté obscur de la finance capitaliste – du Krach boursier aux subprimes – armes de destruction massive – les 7 du quebec

Título introdutório ao vídeo traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




O lítio significa o fim do petróleo como recurso energético estratégico.

 


O lítio significa o fim do petróleo como recurso energético estratégico.

14 de Fevereiro de 2026 Robert Bibeau

 


Para saber mais sobre a descoberta de lítio no Canadá,
visite https://www.youtube.com/watch?v=rH1uTvFNptk

 

Fonte: Le lithium sonne le glas du pétrole comme ressource énergétique stratégique – les 7 du quebec

Título introdutório ao vídeo traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




O crepúsculo das independências nacionais na era do imperialismo multipolar

 


O crepúsculo das independências nacionais na era do imperialismo multipolar

14 de Fevereiro de 2026 Robert Bibeau


Por Khider Mesloub e Robert Bibeau

A era das lutas pela independência nacional acabou; agora tudo gira em torno das dependências coloniais. O capital imperialista não tolera mais os caprichos dos movimentos de libertação nacional, nem as rebeldias dos combatentes pela independência. De agora em diante, os povos devem alinhar-se com a mundialização americano-sionista, integrar-se na nova configuração geo-política colonialista ou serão brutalmente apagados da história.

As grandes epopeias do século XX — da FLN argelina ao Viet Minh vietnamita, do MPLA angolano à FRELIMO moçambicana — parecem ser eras passadas. O que ontem parecia uma marcha irresistível rumo à soberania é hoje apenas uma memória tolerada, contanto que não inspire mais ninguém. Publicamos inúmeros artigos sobre   "  lutas de libertação nacional sob a égide das burguesias locais após o colonialismo ocidental  ":  https://les7duquebec.net/page/2?s=colonialisme (pode encontrar as versões em Língua Portuguesa no blogue “Que o Silêncio dos Justos Não Mate Inocentes”)

A punição dos países rebeldes  

A normalização agora é alcançada através de guerras, embargos ou desestabilização. O Iraque, culpado por querer existir fora do controle ocidental, foi esmagado por duas invasões sucessivas, arruinado por sanções e desmantelado. A Líbia de Khaddafi, que sonhava com uma África financeiramente independente, foi pulverizada em 2011 pela OTAN. A Síria, resistente aos planos geo-políticos de Washington e Telavive, mergulhou numa guerra sem fim.

Na América Latina, o Chile de Salvador Allende foi derrubado em 1973 por ousar nacionalizar a sua riqueza. A Venezuela chavista, por muito tempo apresentada como um bastião de resistência à hegemonia americana, acabou por sofrer o destino reservado às potências consideradas independentes demais: após anos de sanções, bloqueios financeiros e tentativas de desestabilização, Washington passou da pressão económica à intervenção directa. No início de 2026, uma operação militar dos EUA em Caracas levou à captura do presidente Nicolás Maduro, oficialmente acusado de narco-terrorismo, e à instalação de um governo interino imediatamente reconhecido e controlado pelos Estados Unidos. Essa mudança abrupta transformou um Estado antes recalcitrante numa potência agora alinhada aos interesses estratégicos e petrolíferos de Washington, ilustrando, quase caricaturalmente, o método contemporâneo de império: estrangular economicamente, derrubar politicamente e, em seguida, integrar à força à sua órbita. Em todos os lugares, o mesmo aviso: nenhuma nação tem o direito de se desviar da linha imperial. Veja nossos artigos sobre o caso da Venezuela: Resultados da pesquisa por “venezuela” – os 7 de Quebec (pode encontrar as versões em Língua Portuguesa no blogue “Que o Silêncio dos Justos Não Mate Inocentes”)

Rússia: O Retorno das Anexações Clássicas


Mas a erosão da independência nacional não é um fenómeno exclusivamente ocidental. A era imperial não é prerrogativa de um único bloco imperial: ela agora permeia todo o sistema internacional.

A invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 foi um lembrete contundente de que a lógica das grandes potências permanece fundamentalmente a mesma. Sob o pretexto de proteger as populações de língua russa e defender a sua "profundidade estratégica", o regime de Vladimir Putin anexou a Crimeia em 2014 e, oito anos depois, absorveu unilateralmente diversas regiões ucranianas: Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia e Kherson.

Quaisquer que sejam as justificações apresentadas, trata-se de um retorno flagrante aos métodos do século XIX: redesenhar fronteiras à força, negar aos povos vizinhos o direito de escolher livremente o seu destino e desafiar directamente a soberania de um Estado reconhecido. Este precedente ucraniano confirma uma realidade perturbadora: no mundo contemporâneo, a independência nacional já não tem grande peso diante das ambições geo-políticas das grandes potências, sejam elas americanas, europeias, chinesas ou russas. A era imperial já não reconhece campos morais, apenas esferas de influência.

Esse mecanismo não é novo. Em 1953, o Irão de Mossadegh foi derrubado por querer nacionalizar o seu petróleo. Em 1954, a Guatemala de Arbenz sofreu o mesmo destino por desafiar os interesses americanos. Patrice Lumumba no Congo, Thomas Sankara no Burkina Faso e tantos outros líderes do Sul Global pagaram com a vida pelo seu desejo de soberania nacionalista em benefício da burguesia nacional . A independência política só é aceite sob a condição de permanecer sob protectorado imperialista… como enfatizamos no nosso livro *  Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Questão Nacional e Revolução Proletária Sob o Imperialismo Moderno, de Robert Bibeau


O internacionalismo proletário está a afirmar-se na política mundial, um claro indício das profundas transformações na economia, na política e na ideologia das sociedades que vivem sob o modo de produção capitalista. Contudo, os proletários revolucionários devem realizar uma análise retrospectiva da corrente reformista do pensamento nacional-socialista que tenta ressurgir neste período de profunda crise económica sistémica. Lições devem ser extraídas dessa rejeição do nacionalismo reaccionário. Neste trabalho, propomos dissecar a política de esquerda em relação às lutas de libertação nacional no século XX, a era do triunfo do nacional-socialismo de esquerda dentro do movimento operário. O proletariado não tem pátria, e a guerra nacionalista, supostamente anti-imperialista, travada pelo direito da burguesia nacionalista chauvinista de controlar o seu Estado-nação (democrático, fascista ou socialista) e de saquear a mais-valia nacional para garantir a acumulação de capital, não leva a uma luta proletária revolucionária para derrubar e erradicar o modo de produção capitalista. Na fase imperialista, toda luta de libertação nacional é reformista ou reaccionária, nunca revolucionária proletária. Para demonstrar essa tese, apresentamos e comentamos os textos de diversos intelectuais, incluindo Mattick , Souyri , MacNally , Luxemburgo e o Operário Comunista .

Palestina: o símbolo máximo do nacionalismo burguês genocida. Veja nossos artigos:  https://les7duquebec.net/?s=palestine (pode encontrar as versões em Língua Portuguesa no blogue “Que o Silêncio dos Justos Não Mate Inocentes”)

O exemplo mais trágico continua a ser o dos palestinianos . Desde 1948, o seu povo tem sido sistematicamente desapropriado, expulso, confinado, bombardeado, exterminado e submetido a genocídio. O seu território nacional/colonial diminui ano após ano, os seus direitos desaparecem e a sua própria existência é negada pela burguesia nazi-israelita racista e sionista . Como o exemplo palestiniano demonstra tragicamente, um povo pode hoje ser vítima de limpeza étnica e genocídio , à vista de todos, sem que nada impeça o funcionamento da máquina colonial/imperial. A Palestina tornou-se o laboratório contemporâneo da guerra e do apagamento de nações em resistência. Veja o nosso artigo: Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: A luta de libertação nacional do povo palestiniano contra o neo-colonialismo (1947-2026)

O Saara Ocidental: o enterro programado da auto-determinação burguesa nacional

A este quadro deve-se agora acrescentar o caso emblemático do Saara Ocidental. Antiga colónia espanhola até 1975, este território deveria, segundo o direito internacional, alcançar a auto-determinação. Uma Missão das Nações Unidas – a MINURSO – foi criada em 1991 para organizar um referendo que permitisse ao povo saarauí escolher entre a independência e a anexação por Marrocos. Este referendo nunca aconteceu. Durante quase meio século, Marrocos ocupou de facto o território, marginalizando progressivamente a Frente Polisário e a República Árabe Saarauí Democrática. O que deveria ser uma descolonização incompleta transformou-se numa anexação silenciosa. A mudança diplomática acelerou-se nos últimos anos. Em 2020, os Estados Unidos reconheceram oficialmente a soberania marroquina sobre o Saara Ocidental em troca da normalização das relações entre Rabat e Israel. A União Europeia e a França, na prática, apoiaram esta medida.

O ponto de viragem decisivo ocorreu em 31 de Outubro de 2025: nesse dia, o Conselho de Segurança da ONU adoptou a Resolução 2797. Pela primeira vez, um texto da ONU designou o plano de autonomia proposto por Marrocos em 2007 como a "referência principal" para as negociações políticas. Noutras palavras, a opção de independência por referendo, o cerne histórico da questão, foi relegada para segundo plano a favor de uma solução interna sob a soberania marroquina. Assim, quase sem alarde, uma das últimas grandes questões de descolonização do século XX chegou ao fim. O Saara Ocidental, legalmente não autónomo, tornou-se politicamente marroquino. A mensagem é clara: mesmo com o amparo do direito internacional, um povo não tem chance quando os interesses geo-estratégicos ditam o contrário.

Novas anexações: velho imperialismo


A lógica não se limita ao Magreb. A Gronelândia , subitamente declarada "estratégica" por Washington, está ameaçada de anexação por Donald Trump. O próprio Canadá está a ser forçado a conformar-se com o estatuto de mero território periférico. O mesmo cenário se repete em todos os lugares: as fronteiras só têm valor na medida em que servem aos poderes capitalistas. Veja os nossos artigos em https://les7duquebec.net/page/2?s=colonialisme  (pode encontrar as versões em Língua Portuguesa no blogue “Que o Silêncio dos Justos Não Mate Inocentes”)

O imperialismo contemporâneo já nem sequer precisa de exércitos de ocupação permanentes. Impõe dependências através de dívidas, sanções, bases militares e programas de ajustamento estrutural. Ontem, enviavam-se soldados; hoje, envia-se o FMI ou impõem-se tarifas (Trump). Ontem, impunham-se governadores coloniais; hoje, governos "reformistas". Ontem, falava-se de civilização; hoje, de governação. A forma muda, mas não a dominação.

A soberania nacional tornou-se uma ficção tolerada. Os Estados podem hastear bandeiras, mas não podem decidir o seu próprio destino. Podem votar, mas não podem desviar-se das regras estabelecidas pelo império.

As independências conquistadas ontem pela Índia, Argélia, Vietname ou Cuba parecem ser os últimos vislumbres de uma era que agora chegou ao fim.

A ordem mundial apresenta-se como defensora da lei, da “democracia” e das liberdades. Na realidade, reconhece apenas uma regra: a do mais forte. Integre-se ou desapareça. Submeta-se ou seja destruído. Tal é o novo dogma geo-político, o credo geo-estratégico. E ousam chamá-lo, com absoluto cinismo, de: “a ordem internacional baseada em regras”.

"A libertação dos povos não pode ser alcançada através da formação de estados burgueses separados e pseudo-independentes."

 Por trás da retórica da “democracia” e do direito internacional, o capitalismo mundial está a regressar à sua natureza original: predação, captura, colonização. Os povos não são mais libertados, são subjugados; os Estados não são mais soberanos, são compelidos a obedecer. Onde antes reinavam os administradores coloniais, agora dominam as multinacionais, as sanções e as intervenções militares. O sistema não cria mais, saqueia; não integra mais, anexa; não persuade mais, coage. A era da independência nacional está a chegar ao fim. O mundo está a retornar à sua antiga lei imperial: os poderosos decidem, os fracos submetem-se.

Em A Questão Nacional e a Autonomia (1908-1909), Rosa Luxemburgo escreve sem ambiguidade: “ O chamado ‘direito dos povos à auto-determinação’ nada mais é do que uma expressão metafísica, uma fórmula vazia, desprovida de conteúdo real, dentro da estrutura do capitalismo”. E esclarece imediatamente: “A libertação dos povos não pode ser alcançada pela formação de Estados independentes, mas apenas pelo derrube do capitalismo à escala internacional ” .

Esta observação lança uma luz impressionante sobre a situação actual. Os movimentos nacionalistas independentistas, longe de inaugurarem uma era de verdadeira soberania, provaram ser nada mais do que uma ilusão histórica. Desde o início do século XX, o revolucionário alemão afirmava que o futuro não residia na proliferação de novos Estados, mas na revolução proletária internacional . A história, um século depois, confirma essa afirmação: as soberanias proclamadas cederam uma após a outra ao império do capital. A verdadeira emancipação, portanto, não virá da manutenção de Estados-nação burgueses concorrentes e dominados, mas da sua transcendência dentro de uma comunidade humana livre de classes, fronteiras e todas as formas de dominação.

Khider MESLOUB

 

Fonte: Le crépuscule des indépendances nationales à l’époque de l’impérialisme multipolaire – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

França: Jack Lang, ou a protecção estatal patenteada de bandidos burgueses

 


França: Jack Lang, ou a protecção estatal patenteada de bandidos burgueses

13 de Fevereiro de 2026 Robert Bibeau


Por Khider Mesloub

A República Francesa gosta de se apresentar como um templo da virtude, onde a lei burguesa se aplica indiscriminadamente a todos. Mas basta uma figura proeminente ser apanhada em flagrante delito para que essa fachada desmorone. O caso Jack Lang oferece mais uma demonstração impressionante disso. Veja este artigo: https://www.pleinevie.fr/loisirs/celebrites/je-prefere-dire-la-verite-a-86-ans-jack-lang-devoile-le-montant-de-sa-retraite-et-il-est-indecent-191039.html


Alvo de uma investigação do Ministério Público Financeiro Nacional pelas suas ligações duvidosas com o predador sexual Jeffrey Epstein (o filantropo conhecido por atrair jovens em situação de vulnerabilidade) e por supostas irregularidades financeiras, o ex-ministro socialista teve que renunciar abruptamente à presidência do Instituto do Mundo Árabe (um instituto criado para promover o entendimento entre os povos, que, sob sua liderança, se transformou num ponto de encontro social dedicado a reunir figuras proeminentes cuja respeitabilidade havia diminuído). Ao mesmo tempo, foram abertos processos por "fraude fiscal agravada e lavagem de dinheiro" contra ele e a sua filha, Caroline.

Nada neste caso é mero detalhe administrativo. Trata-se de suspeitas sérias e fundamentadas de transações financeiras obscuras, vantagens indevidas e associações comprometedoras com um dos criminosos mais notórios das últimas décadas. Noutras palavras, para qualquer cidadão comum, a justiça já teria entrado em colapso: rusgas policiais ao amanhecer, detenções humilhantes, rígido controle judicial, até mesmo prisão preventiva, tudo acompanhado de um linchamento mediático em larga escala.


Mas Jack Lang não é " um qualquer ". E é aí que começa a farsa sinistra. Porque na França real, a França dos privilégios de casta e da cumplicidade discreta, as regras mudam radicalmente quando se trata de um representante proeminente da burguesia política. Em vez de algemas e celas, ele recebe o tratamento VIP da leniência institucional. Pior ainda: Jack Lang, implicado em graves crimes financeiros, beneficiou, juntamente com a sua filha, de forte protecção policial.

Assim, duas pessoas suspeitas de fraude fiscal agravada são tratadas não como réus, mas como indivíduos a serem protegidos. Escoltadas, protegidas, mimadas pelas autoridades. O mundo de cabeça para baixo: a polícia a servir aqueles que deveria estar a monitorizar. A interrogar. A processar. E, se necessário, a prender.

Essa protecção concedida a indivíduos sob investigação criminal diz tudo sobre o verdadeiro regime que governa a França: uma oligarquia coesa, unida em solidariedade consigo mesma, pronta para se defender quando um dos seus vacila.

O Estado francês: um escudo para as elites corruptas tanto da esquerda quanto da direita.

Enquanto os desempregados são perseguidos por cada euro recebido indevidamente, enquanto os Coletes Amarelos são mutilados por exigirem um mínimo de justiça social, enquanto pequenos sonegadores de impostos são esmagados pelo governo, Jack Lang continua a ser tratado como um servidor honrado do Estado. Privilégios para alguns, repressão para outros. Esta é a verdade nua e crua da "República exemplar": um sistema de justiça de duas classes. Para os pobres, os que vivem em situação precária, os anónimos: suspeita constante, intimações humilhantes, às vezes prisão e, sempre, estigmatização.

Para os poderosos: atrasos intermináveis, acordos discretos, protecção institucional e deferência constante. Os primeiros — anónimos, precários, sem redes de contactos — são considerados culpados mesmo antes do julgamento. Os últimos permanecem respeitáveis ​​até serem formalmente acusados, às vezes até mesmo após a condenação.

O caso do ex-presidente Nicolas Sarkozy ilustra isso de forma marcante. Condenado diversas vezes pelos tribunais, principalmente por corrupção e tráfico de influência, ele de facto recebeu penas de prisão. Mas essas penas foram modificadas, estendidas, atenuadas e transformadas em prisão domiciliar com monitorização electrónica. Enquanto um cidadão comum teria enfrentado prisão imediata, o ex-chefe de Estado beneficiou de todas as concessões e acomodações possíveis, de todas as tácticas de protelação imagináveis ​​e de todos os privilégios reservados aos poderosos. Ainda mais notável é que, mesmo condenado, ele continuou a ser recebido, homenageado e tratado com extrema delicadeza pelas mais altas autoridades políticas. Ministros visitavam-no, estúdios de televisão permaneciam abertos para ele e as homenagens oficiais continuavam.

Dois sistemas de justiça, dois tratamentos, dois mundos. De um lado, o cidadão comum preso sem hesitação por uma infracção menor. Do outro, o nobre condenado cercado de cortesias e consideração. Esta é a regra não escrita da República Francesa: clemência para os que estão no topo, severidade para os que estão na base.

O escândalo, portanto, não se resume apenas às supostas acções de Jack Lang e sua filha. Trata-se, sobretudo, de um sistema inteiro que se mobiliza para proteger os seus próprios membros.

Este caso revela a brutal realidade da ordem social francesa: um sistema de justiça baseado em classes, feito sob medida para poupar criminosos de colarinho branco e punir impiedosamente os delinquentes comuns.

Sob o verniz republicano dourado da França burguesa, esconde-se uma máquina implacável: a lei para os humildes, a clemência para os ricos; o cassetete para o povo, a protecção para os poderosos. Esta é a verdadeira França: uma fortaleza onde o Estado dos ricos vigia a sua própria elite acima de tudo.

 

Khider MESLOUB

 

Fonte: France : Jack Lang ou la protection Étatique patentée des voyous bourgeois – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

No Irão e Noutros Lugares: Intensificar a Luta de Classes é a Única Saída!


No Irão e Noutros Lugares: Intensificar a Luta de Classes é a Única Saída!

Um jornalista iraniano, no seu relatório sobre o recente massacre em Teerão, escreve:

Não saber em que voz acreditar é uma verdade horrível e triste; Mas saber a verdade e ainda assim não conseguir descrevê-la é ainda mais horrível. (1)

Há elementos de verdade nesta afirmação e é uma com a qual milhões de iranianos e não iranianos se podem identificar profundamente. No entanto, a questão de qual voz deve ser acreditada aponta para uma realidade mais profunda: estas vozes não passam de narrativas concorrentes de facções do capital que dominam os media tradicionais e geram uma confusão intelectual generalizada.

Como Marx deixou claro:

As ideias dominantes de cada época sempre foram as ideias da sua classe dominante.

O Manifesto Comunista

À primeira vista, tal incerteza é atribuída à ausência de "democracia" na República Islâmica. Mas esta explicação desmorona-se ao olhar mais de perto.

Primeiro, porque é uma grande mentira destinada a encobrir e inverter as verdadeiras causas do surgimento de tais catástrofes — causas que tentámos explicar no nosso texto anterior. (2)

Em segundo lugar, esses mesmos atores justificam abertamente a comissão de tais crimes e o massacre de milhares declarando a supressão de um "golpe",(3) ou alegam ter "esclarecido de forma transparente" a questão — ainda que de forma ridiculamente — publicando, por ordem do presidente, uma lista dos falecidos! (4)

E em terceiro lugar, há a incapacidade de ultrapassar este hábito antigo que insiste que se deve sempre escolher e acreditar numa das narrativas das facções reaccionárias presentes em cena, através de comparações superficiais entre si e baseadas na escolha entre o "mau" e o "pior"; ou "o menor dos dois males" e, ao fazê-lo, o sangue derramado é retrospectivamente purificado e justificado com rituais de luto, tudo ao serviço de instalar uma facção no poder. (5)

Caso contrário, as catástrofes nas ruas de Minneapolis, o fracasso da "ajuda" prestes a chegar,(6) e o agradecimento aos líderes iranianos por não enforcarem manifestantes,(7) revelam claramente a imagem espelhada completa da suposta diferença essencial entre "democracia" e "tirania".

Uma ordem capitalista que há meio século é incapaz de lidar com uma crise económica não tem mais nada a oferecer além de expedientes para enfrentar essa crise. E agora exibe o seu declínio ainda maior ao dispensar os seus representantes instruídos; o decoro político foi totalmente abandonado. Um novo homem forte, um bandido vulgar elevado ao cargo de presidente dos EUA, agora dá o tom. Em plena luz do dia, ele sequestra o presidente de outro país e exibe-o pelas ruas de Nova Iorque, enquanto os outros líderes do chamado mundo livre se mostram incapazes de expressar sequer oposição verbal. Ele não hesita em receber como presidente da Síria alguém que, até ontem, realizava decapitações ao estilo ISIS e hoje veste um fato Armani e uma gravata bem passada. Todas as subtilezas políticas outrora pregadas por esta ordem foram descartadas sem cerimónias.

Só quando o alcance da coerção se volta para dentro, contra as suas próprias fileiras, é que os reformistas democráticos clamam em protesto. Como eles próprios admitem:

O presidente Trump está a agir como um gangster internacional... ele é um valentão, acha que pode agarrar o que quiser usando a força, se necessário... o presidente mais corrupto que os EUA já tiveram... (8)

A verdade da história reside no antagonismo de classes

A afirmação de que a verdade da história só pode ser compreendida como a história do conflito de classes não é apenas uma declaração filosófica abstracta e visionária que se deve apenas admirar ou elogiar. O que está a acontecer hoje no Irão, em Gaza, na Ucrânia, em Minneapolis e noutros lugares não é nada mais do que um reflexo dessa mesma percepção — que é deliberada ou inadvertidamente retratada de uma maneira diferente.

As causas dos assassinatos brutais nas ruas de Teerão são explicadas simplesmente como resultado de uma tentativa de golpe ocidental ou da brutalidade da República Islâmica; a causa do massacre em Gaza é reduzida exclusivamente à criminalidade de Israel ou do Hamas; o bombardeamento de cidades ucranianas é atribuído à ditadura de Putin ou a uma consequência do expansionismo da OTAN; e o tiroteio contra manifestantes nas ruas de Minneapolis, em plena luz do dia e diante das câmaras dos telemóveis dos próprios manifestantes, é descrito como um incumprimento da lei ou um tratamento merecido para «terroristas domésticos». Mas estes não são erros, falhas técnicas ou diferenças inocentes de perspectiva.

Isto porque estas leis, na sua própria essência, sancionam legalmente tais mortes e derramamento de sangue sob a protecção da existência «sagrada» do capital. Sempre que qualquer protesto, movimento ou luta assume um carácter de confronto com o domínio do capital, é primeiro recebido com propaganda ensurdecedora por parte dos guardiões e apoiantes do capital, que alimentam a confusão intelectual apresentando narrativas superficiais e falsas. Se o movimento continuar, enfrenta então o punho de ferro de regimes tanto «autoritários» como «democráticos».

No Irão, a organização dos trabalhadores é declarada desnecessária e ilegal invocando as leis islâmicas e, quando ocorrem greves, estas são reprimidas impiedosamente sob o pretexto da segurança nacional. Nos Estados Unidos, sob o pretexto da ilegalidade dos trabalhadores migrantes, as liberdades civis são restringidas e os manifestantes são baleados ou presos.

No War but the Class War /

Não à Guerra Senão a Guerra de Classes

A barbárie que hoje se exibe diante dos olhos incrédulos de todos não é mais do que a prova da verdade de que todos os caminhos reformistas chegaram a um beco sem saída e que a busca por “atalhos” — atalhos que há muito provaram levar muito mais tempo do que viajar por qualquer estrada principal — se esgotou há muito tempo. Não há saída para a classe operária a não ser alimentar e intensificar a luta de classes; todas as outras opções não passam de engano.

A situação actual, que é retratada de forma diferente pelas narrativas dominantes, deve ser constantemente e insistentemente contestada pelos revolucionários. A maneira como a luta de classes deve ser intensificada deve ser descrita e articulada de forma mais clara e concreta do que nunca, com base no que realmente está a acontecer.

Intensificar a luta de classes significa reconhecer que:

·         Os operários não podem esperar que salvadores externos entrem em cena, eles não ficam parados à espera de uma intervenção vinda de cima. As suas únicas armas são a sua própria organização e a sua própria consciência.

·         As assembleias, comissões ou conselhos abertos a todos os operários representam uma forma de unificar a luta e rejeitar o parlamentarismo burguês na prática.

·         Onde quer que estejam no mundo, os operários só podem contar com o apoio de outros operários noutras partes do mundo. A perspectiva internacionalista, que pode ser resumida como “nenhuma guerra senão a guerra de classes”, é mais do que apenas um slogan.

Ao longo da história do sistema capitalista, a luta de classes nunca parou, mesmo em tempos de chamada paz social. A guerra, a repressão e os massacres podem ter interrompido a sua luta por algum tempo, mas as contradições do sistema nunca desapareceram. Nem o suborno dos empregadores, nem o disparate nacionalista, nem o belicismo jamais proporcionaram uma solução.

O que os operários experimentaram e aprenderam é esta verdade: os operários só são libertados pela sua própria organização e pela sua própria consciência — nada mais, nada menos.

A Organização dos Próprios Operários

Nas condições actuais, com a sombra da guerra a pairar sobre o mundo inteiro, a classe operária deve agora preparar-se para todos os cenários possíveis. Mais uma vez, a história impôs-lhe uma escolha difícil: guerra ou revolução. A organização dos próprios operários manifesta-se de duas maneiras.

Por um lado, vemos a resistência aos ataques económicos do capital dar origem a órgãos de auto-organização da classe operária, tais como assembleias, comités ou conselhos. Os operários no Irão têm uma experiência relativamente recente disso com as suas shoras. A palavra de ordem «Pão, Emprego, Liberdade – Poder Soviético!», já avançado em algumas das lutas actuais, alude directamente a essa experiência.

Por outro lado, os elementos politicamente avançados da classe operária, que actualmente estão espalhados por diferentes partes do mundo, precisam de se unir com base numa plataforma comum, a fim de fornecer uma liderança política nas lutas actuais e combater todas as narrativas burguesas. É algo que nós, na Tendência Comunista Internacionalista, consideramos possível e necessário.

Damoon Saadati
Communist Workers’ Organisation
4 de Fevereiro de 2026

Notas:

(1) radiofarda.com

(2) leftcom.org

(3) bbc.com

(4) president.ir

(5) leftcom.org

(6) reuters.com

(7) france24.com

(8) youtube.com

A Revolta de Janeiro, o Massacre do Povo e Lições a Aprender

Como podem todos esses novos sonhos,

sementes ainda não abertas, flores

que ainda não desabrocharam, murchar na primavera

e se tornar pó na minha alma?

Siavash Kasrai

Em janeiro deste ano, protestos massivos eclodiram por parte de um povo sofrido e cansado da opressão e da exploração. Esses protestos rapidamente se transformaram numa revolta generalizada e abrangente. Em pouco tempo, mais de 190 cidades, grandes e pequenas, bem como muitas áreas rurais, se levantaram e gritaram furiosamente contra o regime político e os responsáveis do país. O povo saiu às ruas, transformando as praças e vias públicas da cidade num palco para os seus protestos, e com uma só voz condenou as políticas governantes e a República Islâmica, exigindo uma mudança fundamental na situação política e económica do país.

A República Islâmica é um governo explorador e apoiante de exploradores. É um governo que intensifica a pobreza e a miséria da grande maioria do povo: a principal causa da inflação galopante e indutor de um aparelho repressivo e assassino que ensanguentou as ruas, matando pelo menos milhares de pessoas somente em janeiro, enquanto as repressões e prisões continuam. Tal governo não está disposto nem é capaz de proporcionar nem mesmo as condições mínimas de vida aos operários e outros assalariados nas cidades e aldeias. Os manifestantes exigiam os seus direitos naturais e uma mudança no seu destino: um destino que, nos últimos 47 anos, não tem sido nada além de pobreza, desigualdade, discriminação, opressão, repressão e morte. O povo compreende perfeitamente que o principal promotor e perpetrador de todos estes crimes, de pilhagem e exploração, é um regime que sacrifica tudo pela sua própria sobrevivência. O povo tem o direito de exigir a destituição de um governo que transformou a prosperidade, o conforto e a liberdade num sonho inatingível. A resposta do regime a estes protestos, que surgiram da vontade do povo, foi o massacre, o assassinato, o derramamento de sangue e os tiros. O povo sofredor testemunhou com os seus próprios olhos um grande massacre e atrocidade. Viu o sangue de milhares de entes queridos derramar-se sobre os paralelepípedos e as famílias que ficaram para chorar a perda dos filhos que eram a menina dos seus olhos. Agora vemos milhares de pessoas presas e atiradas para a prisão, à espera de tortura e morte.

Nós, organizações independentes, condenamos este massacre bárbaro e este crime flagrante e sem limites. Consideramos nossa obrigação partilhar a dor dos enlutados e dos entes queridos dos que partiram. Exigimos tratamento médico ilimitado para os feridos e afectados pelo incidente, e a libertação incondicional de todos os presos políticos, manifestantes e detidos. Vimos, e todas as pessoas informadas e conscientes do mundo testemunharam e tornaram-se ainda mais conscientes, que um grande crime foi cometido aqui pela República Islâmica. Vidas humanas tornaram-se garantias para a sobrevivência de uma classe dominante corrupta que, apoiando-se no poder político e no sistema capitalista, prefere o seu próprio bem-estar, conforto e estatuto de classe privilegiada à custa do massacre e da imolação da sociedade e da vida humana.

A realidade é que o poder imortal das massas, particularmente o poder dos operários que formam a espinha dorsal da sociedade, prevalecerá sobre o poder que o regime tem exercido repetida e brutalmente durante quase cinco décadas através da repressão e do massacre em massa, incluindo de manifestantes e dissidentes. Uma vez que as massas se organizem conscientemente e com uma visão clara, o poder do regime será vazio e o chão, sem dúvida, tremerá sob os pés dos actuais governantes. A divisão entre o governo e o povo ampliou-se agora e aprofundou-se. Essa fissura não pode ser reparada por repressão, reformas, acordos secretos e fraudulentos e diplomacia; nem por xeques, xás ou ditadores corruptos e antiquados; nem por recorrer às grandes potências – que são elas próprias responsáveis por assassinatos em massa e por incendiar grande parte do mundo. O abismo é demasiado profundo e nenhum milagre curará as crises do regime. O nó de problemas para o povo, os operários e os assalariados será desatado pelas suas próprias mãos. O esteio para mudar o destino dos operários e para uma transformação fundamental da sociedade é o poder colectivo dos oprimidos e dos desfavorecidos: aqueles cujo trabalho, pensamento e esforço são a própria base da força construtiva e criativa da sociedade e do mundo.

No entanto, a mudança social fundamental, cuja condição primordial é o derrube dos poderes corruptos e opressores, não será alcançada facilmente, nem sem as ferramentas de luta, organização e o conhecimento militante necessário. São necessários esforço paciente, tácticas e métodos adequados às condições específicas, equilíbrio de poder e capacidade de contar com a vasta maré das massas operárias e laboriosas. São necessárias alavancas poderosas e generalizadas para ligar as massas desarticuladas e parar a roda que gira no eixo da opressão e da exploração.

Essas alavancas nada mais são do que o produto das organizações independentes e revolucionárias dos operários e do seu trabalho árduo! As massas assalariadas, e acima de tudo os operários, devem apoiar-se e unir-se uns aos outros; a dor de uma pessoa deve ser a dor de todos, a luta de uma pessoa deve ser a luta de todos, e o bem-estar e conforto de uma pessoa devem ser o bem-estar e conforto de todos. Esta é a lição da história e a experiência de todos os movimentos vitoriosos. Nós também devemos aprendê-la e aplicá-la nas nossas vidas e na nossa luta.

Vamos unir-nos, organizar-nos e mudar o nosso destino.

 

Sindicato dos Trabalhadores da Cana-de-Açúcar de Haft Tappeh

Comité Coordenador para Ajudar a Construir Organizações Operárias  Independentes

Trabalhadores Aposentados de Khuzestan

Grupo Sindical dos Aposentados

6 de Fevereiro de 2026

 

Um aumento salarial depende de uma luta abrangente contra o Estado capitalista

Os protestos de janeiro de 2026 foram um grito de raiva e uma reacção às políticas económicas e sociais do regime e ao seu desempenho político, que impuseram condições duras e terríveis às massas oprimidas. Esses protestos foram recebidos com balas, massacres e prisões pelas forças repressivas e torturadores do governo. As ruelas e ruas de várias cidades em todo o país foram transformadas em matadouros para as pessoas que sofriam e eram exploradas, e milhares de pessoas, particularmente a partir de 8 de Janeiro, foram assassinadas. Paralelamente a este massacre generalizado, milhares de outras pessoas ficaram feridas ou foram detidas e presas.

Ao mesmo tempo que esta revolta popular, os Estados Unidos e Israel, com Reza Pahlavi e os seus monarquistas fantoches à sua disposição, viram oportunisticamente as condições como favoráveis para aproveitar a onda da revolta popular e vingar-se da República Islâmica. Com a retórica enganosa e o charlatanismo de Trump e Reza Pahlavi, eles garantiram um ambiente adequado para as suas ambições predatórias e imperialistas.

Tal situação sangrenta, aliada à pobreza e à miséria, à insegurança e à falta de conforto, à ausência de bem-estar e de serviços públicos, ao desemprego generalizado e, em suma, à ausência de «pão e liberdade», levou a vida dos operários, dos trabalhadores e da maioria dos assalariados à beira da ruína e da destruição, impondo condições duras e extenuantes à sociedade.

É precisamente nestas circunstâncias que os proprietários do capital e do poder – os mesmos que perseguem o povo pelas suas justas reivindicações e pelo seu apelo por «pão e liberdade» nas ruas – estão à espera de uma oportunidade para usar este clima de segurança sombrio para realizar reuniões à porta fechada com os seus próprios agentes e instituições escolhidos a dedo e impor as suas decisões infelizes sobre o salário mínimo a milhões de operários.

Sem dúvida, o governo, os empregadores e os capitalistas, como nos anos anteriores, nunca tomarão uma decisão justa sobre os salários dos operários nas reuniões do Conselho Supremo do Trabalho. Isso porque quanto mais baixos os salários, maiores os lucros dos capitalistas e mais generalizada se torna a pobreza na vida dos operários. O tamanho da mesa de jantar dos operários é inversamente proporcional à ganância dos capitalistas. Os salários abaixo da linha da pobreza estão a impor cada vez mais a miséria absoluta, a privação e o sofrimento na vida dos operários.

Vamos resistir a esses exploradores gananciosos e defensores jurados do capital a partir de agora, e ligar os protestos de Janeiro à luta por aumentos salariais, pelo direito de se organizar, por jornadas de trabalho mais curtas e pela oposição às empresas de contratação e fornecimento de pessoal, ao sistema de classificação de cargos e ao trabalho árduo. Devemos sustentar esta luta e elevar as nossas exigências. A consciência das nossas condições de trabalho e de vida, a nossa unidade e organização garantirão a melhoria do nível de vida da classe operária e a provisão de bem-estar social, e serão a acção mais importante para uma transformação positiva e frutífera da situação actual. Devemos lutar como um só pelas nossas exigências e arrancar os nossos direitos das garras dos exploradores que embolsam fortunas astronómicas explorando o trabalho da classe operária.

O salário mensal que estes saqueadores determinam para nós, sem qualquer consulta aos representantes genuínos e eleitos dos operários, nem sequer cobre as despesas semanais dos operários e dos assalariados, dada a inflação galopante e o custo exorbitante dos bens essenciais. O nosso salário deve basear-se no custo de vida real e ser equivalente às despesas médias de uma família urbana de quatro pessoas. Tal salário deve ser capaz de proporcionar o bem-estar social dos operários e assalariados, abrangendo tudo, desde alimentação, vestuário e habitação adequados, até acesso total à educação, cuidados de saúde, tratamento, serviços sociais, etc. Nas circunstâncias actuais, dada a inflação estrutural e galopante e a consequente queda do poder de compra, um aumento real dos salários é uma necessidade imediata e vital.

Se anteriormente se afirmava que o salário mínimo não deveria ser inferior a 60 milhões de tomans, nas circunstâncias actuais, com a inflação galopante, a queda contínua do poder de compra e o aumento diário do custo dos bens essenciais para a população, esse montante já não é suficiente para cobrir as necessidades básicas de uma vida normal e digna. Hoje, este valor deve ser superior a 60 milhões de tomans. (Com base em dados estatísticos e, segundo a admissão de responsáveis e órgãos governamentais, o salário mínimo deveria ser de cerca de 70 milhões de tomans.)

Não nos submeteremos aos salários humilhantes e abaixo da linha da pobreza que os proprietários do capital e do poder procuram impor-nos através dos seus representantes na chamada «tripartida» — o governo, os empregadores e os representantes simbólicos dos operários.

Nós, os operários que produzimos a riqueza e o bem-estar da sociedade, lutamos na esperança de um futuro livre da servidão, da escravidão e da tirania, e com a aspiração de uma vida digna, cheia de prosperidade e liberdade. Contando com a nossa força colectiva, avançaremos unidos para tornar isso realidade.

Condenamos também a repressão, as detenções e os assassinatos de manifestantes, e exigimos a libertação incondicional de todos os presos políticos e detidos durante os protestos nacionais.

A única forma de defender os direitos dos operários é através da organização independente, da solidariedade de classe e da organização nacional.

Vamos unir-nos, organizar-nos e mudar o nosso destino.

Sindicato dos Trabalhadores da Cana-de-Açúcar de Haft Tappeh

Comité Coordenador para Ajudar a Construir Organizações Operárias Independentes

Trabalhadores Aposentados de Khuzestan

Grupo Sindical dos Aposentados

8 de Fevereiro de 2026

Quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

 

Fonte: In Iran and Elsewhere: Intensifying the Class Struggle is the Only Way Out! | Leftcom

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice