domingo, 30 de agosto de 2026

"Libé" e "RSF": uma associação de malfeitores que dá o golpe de misericórdia aos jornalistas assassinados em Gaza.

 


"Libé" e "RSF": uma associação de malfeitores que dá o golpe de misericórdia aos jornalistas assassinados em Gaza.

 

Jacques-Marie BOURGET

O antigo oficial do Mossad que dirigia o Libération foi embora mas esqueceu a sua bagagem. O diário, com a ajuda da RSF de Ménard sem fronteiras, acaba de publicar um artigo infame que criminaliza jornalistas assassinados em Gaza. A Hasbara, a propaganda israelita, está a esfregar as mãos, vermelhas de sangue.

Tenho amigos incuráveis que continuam a ler o «Libération». Como se fosse um jornal sério. Quando, do ponto de vista deles, o «Libé falha de novo», indignados, telefonam as novidades ao seu grupo de amigos. E a mim também. Mesmo que não nos importe, pois sabemos que Sartre morreu e que este «Libé-querido» ainda era dirigido por um antigo oficial do Mossad e é financiado por Drahi, um adepto de Netanyahu. Por isso, o denunciante, idiota inútil, tem de copiar o artigo - objecto injusto do seu ressentimento - e enviá-lo pelo WhatsApp para que a lama chegue até aos nossos olhos. Aos meus olhos.

Digamos que desta vez o indignado não está errado: o Libé "mandou outra vez às favas". Num artigo que cheira ao suor da Hasbara, a fábrica que forja a propaganda israelita, papel também alimentado pelos sentimentos baixos dos publicistas da Reporters sans Frontières, o diário de Sartre delicia-nos com um título duplo: "Gaza, jornalistas ou combatentes?". Tudo assinado por Brice Le Borgne, de quem verifiquei que só atravessou o boulevard périphérique para ir de férias a partir de Roissy. No entanto, este omnisciente, se fosse para acreditar no seu artigo de bazar, sabe tudo dos segredos de Gaza. Questionada pelo escrupuloso Le Borgne, a RSF - ainda assim tão cega em relação a Gaza - é categórica: obteve-se "a confirmação do papel dos repórteres mortos dentro de grupos armados implica que eles não podem mais ser considerados jornalistas". Mesmo para uma fanfarra de influenciadores inventada pelo exemplar Robert Ménard, isto é forte: funcionários de uma associação, a RSF, financiada com dinheiro americano e israelita, querem-nos ditar a lei. Aquela de quem é jornalista. Ou não. Se não se tratasse de colegas mortos, poderíamos rir no cemitério. Aquele cavado por « Libé-RSF ».

Como o artigo do senhor Le Borgne se quer sério, sejamos sérios também. Este enorme árbitro da profissão, se bem entendi, exclui do jornalismo qualquer mulher ou homem que tenha algum tipo de ligação com o tema que ele pretende descrever-nos. Isto é, sem dúvida, o que ele, diante de um Coca-Cola sem açúcar, numa conferência de redacção, chama de «neutralidade», «objectividade». E Le Borgne, convidado a fazer a triagem entre os maus e os bons mortos, risca os nomes de colegas assassinados sob o pretexto de que o Hamas lamentou a sua morte, publicou uma necrologia. Eu juro-vos que este justiceiro realmente fez isso. Como este senhor é também um científico picuinhas, ele elabora-nos um novo balanço dos «verdadeiros» jornalistas mortos em Gaza, enviando os falsos para o inferno verde do Hamas. Para saber tudo isto e ser tão rico em informações verificadas, Le Borgne baseia-se numa fábrica de complicações chamada, por ele próprio, «CheckNews». Uma coisa inventada pelo «Libé» para desfazer o verdadeiro (o que diz a antigo jornal diário de July) do falso (o que dizem aqueles que não concordam com o jornal). Ou seja, correndo o risco de cair, este publicista faz a ponte entre « Libé CheckNews » e « Libé mentiroso habitual ». Já existia o Circo de Inverno, aqui está então o de Verão.

Não sendo um ex-oficial do Mossad, mas antes um dos seus alvos, não tenho a possibilidade de sugerir um tema de artigo ao Libération. No entanto, escrever uma saga afirmando hoje que Albert Camus, Hubbert Beuve-Méry, Pierre Brossolette, Emmanuel d’Astier, Claude Bourdet, Georges Altam, Jean-Toussainy Desanti, Jean Guéhenno, Jean Paulhan, Jacques Decour, François Mauriac – peço desculpa pelos anónimos, mas só menciono as celebridades – que estes homens, estes jornalistas da resistência “não eram verdadeiros jornalistas”, eu espero em frente à gráfica do Libération pelo número a denunciar estes canalhas. Também espero que o “Libé” exija a expulsão do Panteão daqueles que lá possam estar indevidamente.

Na segunda semana, Libération e os colaboradores da RSF (portanto financiados pelos EUA, Europa e Israel) poderão deliciar-nos, desta vez com jornalistas que escreveram e combateram em Espanha. Gorges Bernanos, André Malraux, Ernest Hemingway, George Orwell, Martha Gelhorn, Robert Capa, Gerda Taro, Herbert L. Matthews, Mikhail Kolsov, John Dos Passos, Louis Fischer, Jay Allen, Josephine Herbst, George Steer, Josephe Kessel, Elya Ehrenbourg, sem contar os heróis da imprensa espanhola anti-franquista e dezenas, também eles, de «anónimos». Pois bem, para o Brice de «Libé», vidas e obras para passar pelo «newschecker».

Porque não se deve afrouxar, caro chefão, é preciso retirar da lista todos esses colegas resistentes em Espanha, resistentes em França e que, segundo o tribunal da «RSF-Libé», não merecem a sua glória. Só faltava chamar «jornalistas» a tipos que se metem a combater a barbárie.

Jacques-Marie BOURGET

COMO BÓNUS,  PARA SORRIR

 

Fonte: "Libé" et "RSF" : une association de malfaiteurs qui donne le coup de grâce aux journalistes assassinés à Gaza.

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




Contribuição: A questão do imperialismo e da verdadeira dominação do Capital. -G.d

 



Contribuição: A questão do imperialismo e da verdadeira dominação do Capital. -G.d

30 de Agosto de 2026 Oeil de faucon

Gérard Bad, escrito em 2002

Este texto é apenas uma contribuição, ou seja, é discutível e pode ser alterado, deveria ficar guardado nas gavetas de Echanges para debater a questão. 




·         Prefácio.

·         1-As origens e definições do imperialismo.

·         2- Algumas clarificações sobre a questão do imperialismo.

·         a) Sobre a teoria do capitalismo monopolista e do monopolismo estatal.

·         b) Marx Engels: monopólios, trusts...

·         (c) Movimentação monetária e de mercadorias

·         d) O mercado bolsista desaparece para sempre

·         3-Lucro excedente, preços monopolistas e comércio externo.

·         4-Estados nacionais e colonização

·         (a) O direito dos povos à auto-determinação.

·         5- Sobre as duas fases históricas do modo de produção capitalista.

 

Prefácio.

Desde a publicação do livro de Toni Negri "O Império", recomeçou uma polémica sobre o imperialismo e a noção de Império desenvolvida por Negri; Mas acima de tudo por causa da mundialização/globalização, um termo usado até à exaustão como globalização sem que ninguém consiga realmente definir o seu âmbito.

Primeiro, veremos que a origem do termo imperialismo estava, acima de tudo, ligada a uma política de anexação, independentemente do modo de produção existente (proprietário de escravos, feudalismo, capitalista). Esta política é uma política de império que toma posse de território, riqueza e força de trabalho pela força das armas e do saque. É comum a todos os períodos históricos e não pode ser uma política particular de uma dada fase do capitalismo e muito menos da sua suprema, última e parasitária...

Todos os "primórdios do imperialismo capitalista" de Lenine, Bukharin e Rosa Luxemburgo já existiam na época de Marx (capital financeiro, trusts, cartéis, monopólios, colonização, etc.). e, no entanto, Marx nunca achou necessário elaborar uma teoria específica sobre a fase terminal da evolução do capitalismo. No Manifesto Comunista, Marx tinha determinado muito bem o arco histórico do capitalista desde o seu nascimento até ao seu desaparecimento.

A teoria do imperialismo capitalista teve origem no coração do Império Britânico, sob a forma de uma política analisada pelos economistas da época.

As teorias anti-imperialistas iam dividir o mundo já não numa classe social explorada à escala mundial, mas em zonas, países, nações, povos, estados, oprimidos pelas grandes potências imperialistas.

Esta política só poderia ser uma política de Estado para Estado e nada tinha a ver com a revolução proletária mundial, como teremos muitas oportunidades de demonstrar. Assim como o pequeno produtor luta contra o monopólio que tende a fazê-lo desaparecer e tornar-se ele próprio um monopólio, as lutas pela libertação nacional lutam contra o imperialismo para se tornarem anexacionistas, muitas vezes com a ajuda militar de um imperialista concorrente. Todas as frentes anti-monopólio e anti-imperialistas apenas desviam a classe operária da sua luta contra o capitalismo enquanto sistema, seja ele grande ou pequeno. Toda a história passada permite-nos hoje fazer uma avaliação acusatória de toda a estratégia e táctica pequeno-burguesa, desde o leninismo até ao maoísmo. Sempre favoreceram as relações entre Estados no cenário internacional, com o proletariado a servir apenas como grupo de pressão nos jogos diplomáticos internacionais.1

Teremos também de abordar as grandes transformações económicas que levaram a Europa a duas guerras mundiais, as chamadas guerras imperialistas que apenas serviram para mascarar as verdadeiras contradições que emergiram dentro do próprio capitalismo mundial entre a sua tendência mundialista (exportação de capital) e as suas tendências nacionalistas e proteccionistas.

O que nos parece importante é mostrar a dificuldade para os revolucionários se situarem em relação à revolução comunista e ao arco histórico que vai do nascimento do capitalismo à sua abolição pelo proletariado. Sempre que o proletariado entrava em tumulto, o tocsin (botão de pânico/sino de alarme – NdT) a sinalizar o fim do capitalismo 2soava, podemos dizer que existe "um milenarismo revolucionário". Marx e Engels iludiram-se sobre o fim iminente do capitalismo, Lenine, no meio da revolução, declara de forma directa:

"O imperialismo é o prelúdio da revolução social do proletariado. Isto tem sido confirmado desde 1917 à escala mundial" (prefácio às edições francesa e alemã de Imperialismo, Estadio Supremo do Capitalismo, 6 de Julho de 1920).

Na verdade, se o imperialismo fosse o prelúdio de algo, seria o prelúdio para a descolonização directa, o prelúdio para outra ilusão, a da auto-determinação dos povos oprimidos.... e o "nacionalismo de baixo para cima".

Lenine não tinha ilusões quanto ao significado burguês do seu "direito à livre disposição", chegou mesmo a dizer que a libertação política não é, de forma alguma, uma libertação económica, precisamente porque o "imperialismo"; na verdade, o capitalismo não é absolutamente uma simples dominação política, é acima de tudo económico.

Lenine tinha toda a razão ao repreender Kautsky por isso, só que ele iria fazer pior do que ele na prática. Na verdade, hoje percebemos o imperialismo, no sentido em que o capital financeiro espalha as suas redes por todo o mundo. A partir daí, para dizer que já não existem fronteiras nacionais para o Capital, diremos sim a nível teórico: "A tendência para um mercado mundial é imediatamente dada no conceito de Capital" Grundrisse ES. P347 .e não a nível prático. O proteccionismo ainda está presente e cada estado e pequeno estado (mesmo sem uma história real) defende o seu próprio quintal.

"Assim que pode, o Capital emancipa-se do quadro nacional e deita fora as muletas em que inicialmente se apoiava", a análise de Marx sobre o Capital com o caminho que conduz à Solução Final.

"Enquanto o capital for fraco, depende simplesmente de muletas retiradas dos antigos modos de produção ou em risco de desaparecer devido ao seu desenvolvimento. Assim que se sente forte, tem as suas próprias leis. Finalmente, quando começa a sentir e a saber que está a tornar-se um obstáculo, procura refúgio em formas que, ao completar a dominação do capital, limitam a livre concorrência e anunciam a dissolução do modo de produção baseado no capital. (Grundrisse 3. Capítulo do Capital, ed. 10/18, página 261.)

  Se tivéssemos de caracterizar o período actual, diríamos, citando Pierre Souyri, que estamos a assistir a uma "continentalização" da economia mundial

"Uma compartimentalização continental da economia mundial teria sucedido a partições nacionais que se tornaram demasiado estreitas. A vitória aliada destruiu os sonhos desproporcionados dos imperialistas em Tóquio e Berlim. Mas a necessidade do sistema capitalista ir além dos quadros nacionais não é menos imperativa e, embora por meios diferentes dos usados pelos "imperialismos fascistas", as tendências para a "continentalização" continuam a afirmar-se. (A Dinâmica do Capitalismo no Século XX, Pierre Souyri, ed. Payot, 1983)

  Esta compartimentalização é toda relativa devido à própria existência de empresas transnacionais e multinacionais.

  1- As origens e definições do imperialismo.

Este termo designava pela primeira vez (1525) um partidário de um imperador, especialmente quando se falava dos partidários do Imperador da Alemanha, depois (1823) dos de Napoleão I em oposição ao monarquismo e republicanismo. Depois (1878), imperialismo em inglês passou a significar "política de expansão colonial dentro do quadro do Império Britânico", após o significado especial das palavras inglesas imperial e empire. O adjectivo francês imperialista sendo atestado neste sentido em 1893 e o substantivo para "partidário do imperialismo colonial" em francês como em inglês, a palavra designa a política de um Estado que visa tornar outros Estados dependentes dele, em particular através da colonização. A palavra, aplicada em inglês à política de Disraeli. Bukharin e Lenine deram um significado completamente diferente ao imperialismo, transformaram-no num super-capitalismo, o termo imperialismo deixou de ser um simples adjectivo "capital imperialista", tornou-se um substantivo e capitalismo um adjectivo "imperialismo capitalista".

"Mas o capitalismo tornou-se imperialismo capitalista apenas numa fase muito avançada do seu desenvolvimento, quando certas características fundamentais do capitalismo começaram a transformar-se nos seus opostos, quando as características de uma época de transição do capitalismo para um regime económico e social superior foram formadas e plenamente reveladas." (Lenine, p. 104, de "Imperialismo como Estadio Supremo", ed. Pequim.)

  Para Rosa Luxemburgo, o imperialismo é uma política inevitável que surge do próprio desenvolvimento do capital, uma política que se impõe a todo o mundo devido à concorrência:

"O imperialismo é a expressão política do processo de acumulação capitalista manifestado na competição entre capitalistas nacionais pelos últimos territórios não capitalistas do mundo que ainda são livres." (A Acumulação de Capital, T.II, p.115, ed. Maspero)

  Rosa Luxemburgo fala do imperialismo como uma fase. "A fase imperialista da acumulação – ou fase da competição mundial do capital – é aquela da industrialização e emancipação capitalista do interior, à custa da qual o capital até então tinha alcançado o seu valor excedente." (A Acumulação de Capital, T.II, p.91, ed. Maspero)

  Aqui deve entender-se que a realização do valor excedente vem da fabricação de produtos baratos em países industrializados que são vendidos em países sub-industrializados. É também por isso que Rosa Luxemburgo colocará a questão do fim do capitalismo, quando este terá alcançado a destruição das civilizações não capitalistas, estreitando assim a sua base de acumulação.3

  Para Rosa Luxemburgo, o imperialismo é "a expressão política da acumulação capitalista" que corresponde à industrialização e, consequentemente, à transição da dominação formal para a real das grandes potências da época. Para Bukharin, foi no seu esboço económico "A Economia Mundial e o Imperialismo" que expôs a teoria bolchevique. Nicholas Bukharin fala da transformação do capitalismo em capitalismo financeiro; a fórmula é, no mínimo, curiosa, pois não se trata de uma transformação, mas de uma cisão dentro do próprio capital. Se o capital financeiro se tornar hegemónico, deve essa hegemonia à passagem da dominação formal para a real do capital (extracção de mais-valia relativa, crédito, valor anónimo, sobreprodução de mercadorias e, portanto, de capital).

"Todo o sistema contribui para aumentar a taxa de lucro dos monopólios. Agora, esta política de capital financeiro é imperialismo" (p. 105, Boukarin)

2- Algumas clarificações sobre a definição de imperialismo de Lenine.

Em primeiro lugar, Lenine, em polémica com Kautsky, não é muito firme quanto à definição de imperialismo e capital financeiro, diz: "Devemos chamar à nova fase do capitalismo imperialismo ou à fase das finanças capital? Chama-lhe o que quiseres: não importa. (p. 109, ed. Pequim)

  Obviamente, isto é importante, porque o termo imperialista confunde épocas históricas, enfatiza a violência e as anexações. Isto obrigará Lenine a explicar a diferença entre o imperialismo antigo 4 e o novo imperialismo, um termo mais político, do qual também teve de se distanciar de Kautsky. Então porque é que Lenine não chama ao seu livro "Capital Financeiro, o Estágio Supremo do Capitalismo"? Ele não o faz porque quer estar em linha com a sua defesa do "direito das nações à auto-determinação", o direito à emancipação política, poder criticar Kautsky, que desliga a política do imperialismo da sua economia (p109), fará melhor e de forma mais catastrófica para o movimento comunista, que irá colocar a reboque do nacionalismo anti-colonialista por razões tácticas.

  "A ascensão do final do século XIX e a crise de 1900-1903: os cartéis tornaram-se uma das bases da vida económica como um todo. O capitalismo transformou-se em "Imperialismo estadio Supremo"

  Ele dirá mais tarde que a datação do nascimento do imperialismo não é importante, curioso para quem quer ser científico. Na verdade, o que está a acontecer para os países industrializados da época (Inglaterra, França e depois Alemanha) é a transição para a verdadeira dominação do capital através da supremacia da extorsão do valor relativo excedente sobre o absoluto, e, portanto, uma acumulação expandida que assumirá a supremacia do capital financeiro desses países. Lenine vai, afinal, retomar para redigir “o seu imperialismo” escrito em Zurique na Primavera de 1916 os trabalhos de Hobson e Hilferding; curiosamente, ele pensa como Hilferding 5 que “o banco se torna cada vez mais um capitalista industrial”.

"Este capital bancário, ou seja, este capital monetário, que assim se transforma em capital industrial, chamo-lhe "Capital Financeiro." Lenine concorda com Hilferding neste ponto. No ponto 2 das características fundamentais do imperialismo, ele escreve:

"Fusão do capital bancário e do capital industrial, e criação, com base neste "capital financeiro", de uma oligarquia financeira;

  Para Marx, o capital financeiro não surge da fusão, mas da separação entre capital (industrial e comercial) e capital de empréstimo, o embrião do sistema "autónomo" de crédito e da sociedade limitada. Nas suas origens, o Capital Financeiro nasceu de capital industrial e comercialNo início, assumiu apenas operações técnicas em nome dos capitalistas industriais e comerciais. Mas, ao fazê-lo, estes movimentos técnicos tornam-se "autónomos" e passam a ser função de uma capital particular; Capital Financeiro (capital monetário que assume funções técnicas no início).

  O capital total é dividido no processo de circulação para realizar operações em todo o capital remanescente. Uma fracção do capital total deve, portanto, existir sob a forma de um tesouro. A partir daí, a gestão do capital monetário torna-se um ramo especial ao serviço da classe capitalista como um todo, tal como o Estado.

Lenine, contradizendo a sua definição do ponto 2 do Imperialismo, escreve ainda num estilo saint-simoniano que não é neutro:

"A característica do capitalismo é, como regra geral, separar a propriedade do capital da sua aplicação à produção; separar o capital monetário do capital industrial ou produtivo; separar o rentista, que vive apenas do rendimento que obtém do capital monetário, do industrial, bem como de todos os que participam directamente na gestão do capital. O imperialismo, ou a dominação do capital financeiro, é aquela fase suprema do capitalismo onde essa separação atinge proporções vastas. (página 68, ed. Pequim.)

  A ênfase dada ao rentista em relação ao industrial deve ser recordada neste parágrafo: "A supremacia do capital financeiro sobre todas as outras formas de capital significa a hegemonia do rentista e da oligarquia financeira; significa uma posição privilegiada para um pequeno número de estados financeiramente 'poderosos' em relação a todos os outros" (p. 68, ed. Pequim).

  Esta oposição entre produtores e ociosos, que foi a primeira agitação de classe na época de São Simão, é alegremente abraçada por Lenine, tal como a organização Attac e todos os "terceiro-mundistas" de hoje. Noutra forma, levou à teoria do sangue e ouro do Rosenberg nazi, sendo o ouro a prerrogativa parasitária da plutocracia financeira judaica e o sangue a força pura e produtiva da Alemanha.

 2a – Sobre a teoria do capitalismo monopolista e do monopolismo estatal.

Reproduzimos aqui passagens do texto de Loren Goldner THE AMERICAN WORKING CLASS de 1981, que já tinha definido claramente a questão do imperialismo.

"A teoria do "capitalismo monopolista" é a expressão ideológica do papel histórico desempenhado pelo estrato dominante da Social-Democracia Alemã e pelos seus homólogos internacionais, como os fabianos ingleses: preparar a classe operária para a mais-valia relativa. Permaneceu confinada a este papel na obra de autores como Kautsky, Wilhelm Liebknecht, Bebel e Hilferding, mas mais tarde, nas mãos dos herdeiros de Lenine, tornou-se a ideologia do estrato governante social-democrata e serviu, entre outras coisas, para justificar a forma estalinista deste poder, quando o recuo da revolução internacional tornou necessária a ideia de "socialismo num só país" – cujo recuo era necessário para o reformismo da "aristocracia operária" das metrópoles imperialistas é apresentado como responsável. E em 1975 – o centenário da Crítica ao Programa de Gotha e da sua noção de "Estado Popular" – foi condenado à implosão ideológica no Camboja de Pol Pot, reduzindo as dimensões do "socialismo" desta vez ao campo de concentração.

A noção de "capitalismo monopolista" é produto de uma ideologia populista. Fazia parte de uma corrente de pensamento mais ampla, amplamente desenvolvida na Europa pós-1890, que, associada à economia neo-clássica, transformou a análise das relações de produção na análise das formas de poder. Na teoria do capitalismo monopolista, o capital deixa de ser uma dinâmica e torna-se uma relação hierárquica.

A economia neo-clássica de Jevons e Menger formalizou o problema das classes e dos seus rendimentos ao pressupor um equilíbrio entre a massa dos consumidores individuais e as suas "preferências". O que constitui o critério objectivo dos preços na economia política clássica, nomeadamente o valor no sentido de Ricardo, foi descartado em favor de um critério puramente subjectivo de "escolha" e "preferências". O problema da reprodução das classes e da força de trabalho, já ideologizado pela economia política, foi substituído por uma série de fórmulas em que as escolhas dos "consumidores" são abstraídas de qualquer contexto de classe e de qualquer produção. Esta formalização do pensamento económico fazia, na verdade, parte de um movimento mais geral que sinalizava a perda de contacto com a realidade externa da crescente parte da burguesia, de que o movimento para o valor relativo excedente já se tinha transformado em rentista. Foram Keynes e os keynesianos que, com base nestas pressuposições completamente formalistas e subjectivas, reconstruíram uma "totalidade", a chamada "macro-economia". Mas existe uma lacuna entre a "macro-economia" keynesiana e a noção de "produto global" teorizada pela economia política clássica. Esta é a diferença entre o ponto de vista burguês centrado no consumidor e a noção ricardiana de "produção pela produção" (a "economia do lado da oferta" da direita americana actual é parcialmente "ricardiana" na sua inspiração).

A teoria do "capitalismo monopolista", seja em Hilferding, Lenine e Bukharin ou em Baran, Sweezy, Betelheim e seus acólitos contemporâneos, de forma alguma rejeita esta subjectivização da teoria; pelo contrário, concorda com a economia neo-clássica ao enterrar o problema do valor. Como o problema do capital total em relação à reprodução aumentada e ao sistema de crédito nunca lhes interessou, os teóricos da Segunda Internacional adoptaram a teoria anti-marxista do inglês Fabian Hobson. Para explicar as mudanças que ocorriam dentro do capitalismo, e em particular o imperialismo do período de 1890-1914, os defensores do "capitalismo monopolista" recorreram a Hobson, que explicou a exportação de capital da mesma forma que o neo-classicismo explicava crises: falando de sub-consumo, de procura insuficiente. A teoria do sub-consumo, em Hobson como em Sweezy, é a extensão moderna do malthusianismo. Esta é a versão "de esquerda" do esquecimento na qual a economia neo-clássica mergulhou o valor.

 Temos usado muito o termo "Malthusianismo" sem realmente o tornar explícito até agora. O leitor moderno normalmente associa Malthus à sua teoria da população, mas obviamente usamos o termo num sentido mais amplo. Para nós, Malthus é acima de tudo o teórico das camadas e classes improdutivas do capitalismo. Por localizar a origem das crises na insuficiência da procura, Malthus exigiu um consumo alargado para os "padres" da sua época. Keynes afirmou então explicitamente ser Malthus, e os neo-keynesianos que teorizavam o "capitalismo monopolista" integraram esta visão do capitalismo à sua maneira. Os padres do século XIX, as camadas burocráticas "progressistas" do século XX, são a base social material da teoria do consumo improdutivo.

O pensamento malthusiano é uma teoria da população apenas na superfície. Na realidade, trata-se sobretudo da teoria da fixidez dos recursos. Para Malthus, de facto, há tanta fixidez na força de trabalho como na natureza. Comparar a progressão aritmética da produção agrícola com o crescimento geométrico da população é extrapolar sem qualquer inovação tecnológica – foi assim que previu o enterro de Londres sob estrume de cavalo por volta de 1890. O que, mais uma vez, mostra que a questão da produção continua a ser estranha ao pensamento de Malthus (pelas mesmas razões, o Clube de Roma e o movimento ambiental actual são herdeiros directos de Malthus). Mas ter em conta a dimensão da produção não é, por si só, uma garantia contra esta ideologia; Ricardo, de facto, revela-se malthusiano ao prever a destruição final do capitalismo por um aumento acentuado da renda do solo proveniente dos depósitos de recursos escassos. Só tendo em conta a reprodução, e portanto o papel da "produção pela produção" da força de trabalho inovadora, é que evitamos a armadilha ideológica de postular, como fizeram Malthus e Ricardo, a existência de "recursos naturais fixos". Marx difere precisamente de Ricardo por estabelecer uma diferença entre trabalho e força de trabalho: as inovações criativas da força de trabalho tornam possível ultrapassar os limites impostos à exploração dos recursos, por exemplo, transformando o petróleo fóssil do estatuto de curiosidade para uma fonte vital de energia para toda uma fase do desenvolvimento capitalista. (Loren Goldner) A CLASSE OPERÁRIA AMERICANA

Em vez de definirem o período de 1890-1973 como o da acumulação de mais-valia relativa, os "marxistas" adoPtaram a análise leninista da "decadência imperialista", cuja validade a Revolução Russa parecia, enquanto revolução proletária, confirmar: não provou por si só que 1914-18 representou um ponto de viragem histórico para o capitalismo e que "a revolução se esconde atrás de cada greve"? Foi, de facto, um ponto de viragem, mas não o teorizado por Lenine e, depois dele, pelos trotskistas. Basta ler os discursos de 1921, onde Lenine fala da "luta pelo capitalismo de Estado", justificada pelo extremo atraso do capitalismo russo (que ele qualifica como "capitalismo de pequena produção"). Já estamos longe da "revolução permanente" de Trotsky. A ideia leninista de uma "dupla revolução" — a classe operária a desempenhar as tarefas da revolução burguesa — merece ser reexaminada, porque no contexto global da acumulação de mais-valia relativa, foi precisamente isso que aconteceu. Durante todo o período de 1890 a 1973, quase ninguém entre os marxistas conseguiu avaliar a falsidade das teses de Lenine sobre o imperialismo. É verdade que, em 1913, Luxemburgo já tinha traçado a trajectória do capitalismo para o século XX de forma muito mais clara (cf. A Acumulação do Capital, capítulos 29-32): por um lado, via claramente que o imperialismo era a extensão necessária da valorização de um capital parcialmente fictício, e por outro, que a produção de armamento e os impostos necessários para o financiar poderiam servir como fonte de acumulação ao reduzir o salário total abaixo do mínimo. Aqueles que, como o seu discípulo Sternberg e outros, adoptaram a sua análise compreenderam claramente que a tese da "aristocracia operária" segundo a qual a classe operária no Ocidente recebia um salário superior (e não inferior, como era mais frequente) do que o necessário para a sua reprodução era uma ideologia moralizante em total ruptura com o marxismo. "

 (Loren Goldner) A CLASSE OPERÁRIA AMERICANA

"Este novo sistema mundial – que estudaremos mais tarde – nada tinha a ver com o imperialismo, que Lenine já tinha interpretado mal para o período de 1890-1914. (Não se trata, sejamos claros, de questionar o facto de o Terceiro Mundo ser uma fonte importante de produtos brutos: são de facto estes sectores que atraíram investimento dos países capitalistas avançados.)

O boom do pós-guerra terminou nos Estados Unidos em 1965, enquanto as recessões europeias de 1965-67 anunciaram o seu fim iminente na Europa. Foi neste momento que o investimento começou a fluir para o Terceiro Mundo para a acumulação de mais-valia relativa. A partir deste momento, a teoria do imperialismo de Lenine, que já estava completamente desmentida pela natureza específica da acumulação entre 1945 e 1965, pôde ser refutada no próprio Terceiro Mundo. Uma vez que o Brasil, a Coreia do Sul ou o México estavam, sem dúvida, no caminho da industrialização independente – independência que mudou as suas relações com "os países em processo de desindustrialização" – a teoria do "capitalismo monopolista" e a análise do imperialismo dela decorrente já não podiam ser sustentadas. Esta industrialização do Terceiro Mundo, como veremos mais adiante, é uma racionalização à escala mundial que, tal como uma racionalização fabril, visa reduzir o salário mundial. Se considerarmos que as duas grandes potências imperialistas do século XX, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos, são, de todas as grandes potências capitalistas, aquelas cujo capital fixo é o mais degradado, torna-se claro que a "exportação de capital" implica, pela sua própria natureza, uma desindustrialização da metrópole imperialista que, longe de "beneficiar" a "aristocracia laborista" do país em questão, mina a base material da sua auto-reprodução.

No mundo dos "países recém-industrializados", num mundo onde a OPEP transfere consideráveis somas de renda de terras para certos países do Terceiro Mundo, onde a "nova ordem económica internacional" é a cobertura ideológica para a desindustrialização dos países capitalistas da OCDE, a teoria do imperialismo de Lenine já não se aplica. (Loren Goldner) A CLASSE OPERÁRIA AMERICANA

 Lenine e os seus antigos e novos discípulos, através de uma análise concreta da evolução da economia mundial, consideravam o desenvolvimento monopolista, ou seja, o capitalismo de Estado, como "a antecâmara do socialismo"1 e que, consequentemente, o "imperialismo capitalista" não duraria muito mais. Bastou para a revolução mundial, após o fracasso da revolução alemã, passar por Pequim e Calcutá e minar as bases traseiras do imperialismo. Ao fazê-lo, Lenine lançou as bases para o socialismo num só país.

A partir desse momento, a internacional "comunista" de Lenine, Estaline, Mao, iria privilegiar as relações entre Estados em detrimento da revolução mundial. (os acordos de Rapallo, a China a apoiar o Kuomintang, o Paquistão e Nixon em Pequim na altura dos atentados do B52 ao Vietname, o massacre indonésio de 500.000 comunistas. ”


·         2b- Marx e Engels: monopólios, trusts...

 A questão que deve ser colocada é porque nem Marx nem Engels, que conheciam o desenvolvimento de trusts, cartéis, monopólios, desenvolveram uma teoria específica da fase final do capitalismo.

Partindo do estudo da lei do valor, apresentam a passagem da dominação formal (valor excedente absoluto), um período em que o capital ainda tem a sua origem, dentro do antigo modo de produção que destrói e absorve; à verdadeira dominação. A grande revolução industrial anunciou esta transição para a rápida acumulação, crédito, exportação de capital e bens, colonização/capitalização do mundo, sociedades limitadas e sociedades de responsabilidade limitada e sociedades de responsabilidade limitada e expropriação de capital privado, 2 e a "fabricação de trabalhadores assalariados nas colónias".

 Marx explica que "em cada país os grandes industriais de um certo ramo se unem para formar cartéis com vista a regular a produção" (Capital T III ed. Moscovo, p. 462) e especifica mesmo que existiam cartéis internacionais (anglo-alemães da produção metalúrgica). Por exemplo, o United Alkali Trust, que reuniu toda a produção britânica de amoníaco nas mãos de uma única empresa, "a concorrência foi assim substituída em Inglaterra pelo monopólio, que se prepara da forma mais agradável para futuras expropriações por toda a sociedade, a nação (F.E.)." Mas dentro do próprio sistema capitalista, esta expropriação apresenta-se de forma contraditória como a apropriação por alguns da propriedade social, e o crédito confere a esses poucos cada vez mais o carácter de puros cavaleiros da indústria" (Capital T, III, ed. Moscovo, p. 464)

"Nos trusts, a livre concorrência é convertida num monopólio, a produção não planeada da sociedade capitalista capitula perante a produção planeada da sociedade socialista que se aproxima. Antes de mais, claro, para o bem maior dos capitalistas. Mas aqui, a exploração torna-se tão palpável que tem de colapsar. Nenhum povo toleraria uma produção dirigida por trusts, uma exploração tão cínica do todo por um pequeno grupo de descontadores de cupões" (Engels, utópico socialismo, socialismo científico, p. 109, Ed. Sociale)

 Se Marx e Engels não desenvolveram uma nova teoria do capitalismo que opõe o imperialismo aos direitos das nações, tão bem utilizada por Wilson. Elas levarão, acima de tudo, Engels a supor que o monopólio é o nível mais alto do capitalismo, da livre concorrência, e que o socialismo está a bater à porta.

Hoje estamos bem posicionados para afirmar que o capitalismo não permitiu que a livre concorrência e o mercado bolsista fossem dominados pelo socialismo de Estado.

 Tal como Mattick antecipou, o keynesianismo tem um fim. Não temos mérito em notar isto, pois estamos na posição indicada por Marx: "É a anatomia do homem que torna possível compreender a anatomia do macaco." A questão que surge é sempre a mesma: a dificuldade que temos em situar-nos no arco histórico que vai do surgimento do capitalismo ao seu desaparecimento.

 A inversão monetarista dos anos 80, assim que avança para um ataque sem paralelo aos direitos sociais à escala planetária, arruína o ideal democrático e todo o sagrado trusquim dos direitos humanos e da democracia. A ideologia do Iluminismo já não tem bateria.


·         2c-Circulação monetária e movimento de mercadorias

Se Marx observar que "no mercado interno, a concorrência dá lugar a cartéis e monopólios,... (página 515) Ele não procura, como Lenine, torná-lo uma fase particular "imperialista" do capitalismo. Lenine diferencia entre livre concorrência e monopólio, para afirmar que:

"A livre concorrência é a exportação de mercadorias, o monopólio é a exportação de capital," "esta oposição é insignificante, pois sabemos que o capital é apenas um reflexo da circulação de mercadorias, e Nicholas Bukharin está perfeitamente ciente disso." o mercado global de bens; Forma-se o mercado mundial do capital monetário, que se manifesta na equalização internacional da taxa de juro e da taxa de desconto. " página 16 A Economia Mundial e o Imperialismo. Neste ponto, Bukharin compreendia Marx melhor do que Lenine.

"A circulação do dinheiro, no que diz respeito ao seu volume, às suas formas e aos seus movimentos, é apenas o simples resultado da circulação das mercadorias" (K. Marx, Capital, T. 1, Capítulo III, ed. Moscovo.)

 Lenine, assim como R. Luxemburgo (por razões diferentes), pensa que o capitalismo está no limite, e isso resultará numa visão linear da evolução do capitalismo enquanto este é pragmático e caótico: livre concorrência, trusts, trusts internacionais, cartéis, monopólios e depois capitalismo monopolista estatal, depois comunismo. Engels também tinha essa visão, mas com reservas.3 ”

 2.º - O mercado de ações desaparece para sempre.

 Para Lenine, então, a Bolsa de Valores: "Por outras palavras, o velho capitalismo, o capitalismo da livre concorrência, com o regulador absolutamente indispensável que para ele era a Bolsa de Valores, desaparece para sempre. Sucedeu-lhe um novo capitalismo, que incluiu elementos óbvios de transição, uma espécie de mistura entre livre concorrência e monopólio. (Imperialismo, o Estágio Supremo do Capitalismo, p. 43)

 Lenine pensa que os bancos substituíram definitivamente a bolsa de valores (hoje sentem-se ameaçados por ela). Mas notamos que ele se mantém cauteloso, fala de transição, de misturar livre concorrência e monopólio. Isto levou-o a adoptar uma incompetência de Dühring, combatida por Engels; o monopólio exige um lucro excedente (Bukharin, Lenine), um lucro máximo (Estaline).

 3-Lucro excedente, preços monopolistas e comércio externo.

 Bukharin, no seu livro A Economia Mundial e o Imperialismo, pp. 77/78, cita Marx para nos dizer: "Marx elucidou muito bem a natureza económica deste lucro excedente." O que diz Marx:

"O comércio internacional gera lucro a uma taxa mais elevada porque oferece bens a países menos avançados do ponto de vista dos processos de fabrico e pode, vendendo-os a um preço inferior ao deles, vendê-los acima do seu valor. Neste caso, o trabalho proveniente de países avançados conta como trabalho de maior peso específico e é considerado mão de obra de maior qualidade, embora não seja remunerado como tal; daí necessariamente um aumento na taxa de lucro. Isto não impede que o produto seja fornecido ao país para o qual é exportado a um preço inferior ao que este poderia produzir, sendo a quantidade de mão de obra incorporada pelo país exportador muito menor do que aquela que o país menos desenvolvido teria de lhe dedicar. (K. Marx: Capital, vol. IV, p. 258-255, trad. Julian Borchardt e Hippolyte Vanderrydt.)

 O que K. Marx acabou de destacar é que a penetração do capital mais modernizado, porque reduz o tempo de trabalho necessário para a produção de mercadorias, pode, durante algum tempo, obter um valor excedente extra. Tal como o capital passado para a dominação real (mais-valia relativa) em vantagem sobre as estruturas ainda pré-capitalistas, este capital destruirá qualquer comunidade produtiva que lhe resista tanto nos mercados externos como internos.

A partir daí, até tirar conclusões sobre a divisão do mundo em ricos e pobres em norte e sul, N. Bukharin foi o iniciador. Ele destacará voluntariamente a "formação de lucro excedente no comércio entre países com diferentes estruturas económicas" para alcançar a formação de uma frente anti-imperialista que cortasse a rectaguarda económica das grandes potências e "os seus lucros excedentes" através de guerras de libertação nacional. Apenas o lucro excedente provém da exploração produtivista da classe operária nos principais países industrializados. A conquista colonial limitou-se ao fornecimento de matérias-primas.

Na citação acima, notará que, para Marx, o lucro excedente não vem do saque... mas devido ao "grau de exploração do país industrializado conta como trabalho de qualidade superior, embora não seja remunerado como tal; daí necessariamente um aumento na taxa de lucro. "Aqui há uma negação da teoria da aristocracia operária. 4

 Trata-se da troca de mercadorias de um país industrializado para um país com uma composição orgânica de capital inferior (generalizando o Terceiro Mundo). E quanto à exploração do trabalho?

A teoria do imperialismo sugere que grandes lucros excedentes ou lucros máximos são extraídos dos países do Terceiro Mundo ou da periferia. Mais uma vez, qualquer avaliação não dialéctica que não se refira à lei do valor conduz a análises unilaterais sobre a questão.

"A análise do 'imperialismo' é frequentemente usada para obscurecer o problema (o do aumento dos salários após a Segunda Guerra Mundial). Lembremo-nos que, mesmo antes de 1914, havia menos investimento em países atrasados do que na Europa Ocidental, Estados Unidos e América Latina. Na altura, eram principalmente matérias-primas. Após 1929, os investimentos foram redireccionados para as metrópoles, pondo fim à exportação de capitais até cerca de 1950. É ao desenvolver-se que os países avançados superaram a crise e relativamente "integraram" os operários. Não se podem negar as vantagens obtidas dos países dominados pela população dos países avançados, incluindo os operários. Mas este facto não nega a realidade dos fluxos de capitais, que preferencialmente vão para países desenvolvidos. A exploração imperialista não é o factor essencial do dinamismo capitalista. A raiz é interna à zona dos países dominantes. (Os Gigantes das Seitas p 42 Le Manach)

 O texto acima percebe que a teoria do imperialismo obscurece a questão do progresso do poder de compra dos operários dos países industrializados durante o período dos gloriosos anos trinta. Ao fazê-lo, "a teoria do  imperialismo e da aristocracia operária" esconde a seguinte relação social: a taxa de exploração devido ao taylorismo e ao fordismo permite libertar o excesso de mão-de-obra. Os bens exportados contêm cada vez menos trabalho necessário e penetram em países com baixa composição orgânica em vigor. Esta é uma das principais características da verdadeira dominação do capital.

"Um aumento geral súbito das forças produtivas desvaloriza relativamente todos os valores existentes, que foram produzidos numa fase inferior das forças produtivas do trabalho, e destrói o capital assim como a força de trabalho existente. A crise provoca também uma diminuição real da produção e do trabalho vivo, para restabelecer a relação adequada entre trabalho necessário e trabalho excedente, que é a base de toda a produção capitalista em última análise. (Grundrisse, 2 Chap. du Capital, p. 265, ed. 10, 18)

 O resultado é um movimento de revolução permanente das forças produtivas a nível internacional, que pode pôr um país inteiro de joelhos (no caso da Coreia do Sul).

 Na verdade, todo o desenvolvimento económico de Bukharin obscureceu completamente a lei do valor que determina preços e lucros. Colocar as contradições ao nível da troca e do seu preço de monopólio, que Engels tinha refutado na sua obra Anti-During.

Segundo Herr Dühring, portanto, o valor de uma coisa em termos práticos consiste em duas partes: primeiro, o trabalho que contém, e segundo, o tributo adicional extorquido "espada na mão". Por outras palavras, o valor que tem um preço hoje é um preço de monopólio. Agora, se, segundo esta teoria do valor, todas as mercadorias têm tal preço de monopólio, apenas dois casos são possíveis. Caso contrário, cada um perde como comprador o que ganhou como vendedor; Os preços certamente mudaram nominalmente, mas na realidade – na sua relação recíproca – mantiveram-se iguais; Tudo permanece como está, e o famoso valor de distribuição é apenas uma ilusão.— Ou os chamados tributos adicionais representam uma soma real de valor, ou seja, aquela produzida pela classe operária produtora de valor, mas apropriada pela classe monopolista; e então essa soma de valor consiste simplesmente em trabalho não remunerado; neste caso, apesar do homem com a espada na mão (imperialismo), apesar dos supostos tributos adicionais e do suposto valor de distribuição, aqui estamos novamente de volta ... à teoria marxista do valor excedente. O Anti-Duhring, Teoria do Valor, página 217, E.S.

"Ao monopolizar o comércio das Índias Orientais, os holandeses arruinaram o seu monopólio e o seu comércio" p. 218 ed.

Depois, com a sua teoria do monopólio e a dos altos lucros (Estaline diria depois de Bukharin5, lucro máximo), justificará a sua teoria da aristocracia laboral, e todas as frentes anti-monopólio, para terminar com uma simplificação muito popular hoje, a de que entre estados rentistas e estados devedores é a guerra económica entre o Norte e o Sul. É preciso dizer, vezes sem conta, que o único monopólio que nos interessa é o do capital sobre o trabalho, o monopólio da exploração, que é certamente mais feroz nos países do Terceiro Mundo6 com excepção da imigração ilegal e de outros sem habitação e trabalho no Norte. Bukharin, por sua vez, foi ao ponto de extrapolar ao opor-se à cidade e ao campo a nível internacional.

 "A distinção entre 'cidade' e 'campo' e o movimento alternativo que outrora ocorria no âmbito de um único país está agora a ser reproduzida numa escala consideravelmente alargada" (World Economy and Imperialism, ed. Página Anthropos. (Art. 11)

 Para Bukharin, os países industrializados representavam a cidade e as regiões agrícolas o campo, e esta simplificação foi assumida com grande importância pelo "marxista camponês" Mao Tse Tung.


·         4- Estados nacionais e colonização.

3a- Sobre o direito dos povos à autodeterminação, e à autodeterminação.

Já na altura em que Lenine fez a sua exigência burguesa-democrática pelo "direito dos povos à auto-determinação", o ciclo das revoluções burguesas foi encerrado e a I guerra mundial entre grandes potências era prova disso. Só poderia haver a partilha e a re-partilha do mundo. A questão da Polónia no período de 1848/1900 foi fazer Mehring dizer:

"Já passou o tempo em que a revolução burguesa pôde criar uma Polónia livre; actualmente, o renascimento da Polónia só é possível através da revolução social, quando o proletariado contemporâneo terá quebrado as suas correntes. (Vol. 6, das Obras de Lenine, p. 481, ed. Moscovo).

Lenine aprovou este texto com certas reservas que revelavam o futuro.

 Se a questão nacional estivesse morta de facto, nem a classe capitalista nem o proletariado tinham interesse nela, a questão nacional e o nacionalismo transformaram-se numa ideologia para seduzir a pequena burguesia e o campesinato e, acima de tudo, como meio reaccionário de esmagar as revoltas da miséria. A grande vaga de lutas de libertação nacional não tem sido mais do que um sufocante e uma pura ilusão para os chamados povos serem libertados.7 A acumulação capitalista, pela sua natureza, é forçada a expandir-se, para o mercado onde o seu campo de acção é o mundo. A partir daí, a questão nacional não passa de uma ideologia que não tem mais valor do que religiões e comunitarismos. No entanto, não ignora a influência que esta ideologia pode ter em tempos de crise, um regresso ao proteccionismo, campanhas de segurança dos Estados, preparativos anti-insurreição, ditadura aberta.

Rosa Luxemburgo, na altura, estava perfeitamente consciente da evolução do capitalismo mundial e da fase em que a acumulação confere definitivamente vantagem às grandes potências. Para ela, o "imperialismo", ao contrário de Lenine, põe fim ao ciclo do "capitalismo ascendente" e abre caminho para a revolução mundial.8

"A política do imperialismo não é obra de nenhum Estado ou de poucos Estados; é o produto do desenvolvimento universal do capital, num dado grau de maturidade; um fenómeno internacional na sua essência, um todo indivisível, que só é reconhecível em todas as suas relações mutáveis e do qual nenhum Estado tem a faculdade de fugir" ((La crise de la démocratie socialiste, p. 123, Sté d'édition Nouveau Prométhée, Paris, 1934).

Toni Negri não inventou nada, o Império não é mais do que o desenvolvimento universal do capital.

 O "direito à livre disposição" terá como consequência enfraquecer a revolução mundial, o I Congresso da Internacional está ciente do perigo que Rosa Luxemburgo apontou e que a prática revolucionária provará:

"A actual explosão do nacionalismo, generalizada por todo o mundo, contém uma mistura heterogénea de interesses e tendências específicas. Mas um eixo passa por todos estes interesses específicos e dirige-os, um interesse geral criado pelas peculiaridades da situação histórica: a ofensiva contra a ameaça de uma revolução mundial do proletariado. (Fragmento sobre a Guerra, a Questão Nacional e a Revolução, Rosa Luxemburgo)

"Os vencedores arrancaram da Rússia indefesa contribuições e anexações, usaram o direito dos povos à auto-determinação como pretexto para uma política de anexações, criando estados vassalos, cujos governos reaccionários favoreciam a política de pilhagem e suprimiam o movimento revolucionário das massas operárias." Teses sobre a Situação Internacional e a Política da Entente I Internacional Comunista página 22 edição MASPERO

  Em vez de apertar ainda mais os laços do proletariado mundial, de compreender que a revolução estava a iniciar um período de refluxo, os bolcheviques vão alargar a frente unida mundial. O imperialismo tornar-se-á um super-capitalismo, contra o qual os povos e nações proletárias oprimidas terão de combater. O mundo já não estava dividido em classes, mas em termos não de classe, "as grandes potências" por um lado e "os oprimidos" por outro, os ricos e os pobres (o norte e o sul hoje) cujo representante mais idílico era o guevarismo com os seus "vamos acender um, dois, três Vietnames". Quanto mais as contradições do capitalismo se tornavam mais pronunciadas, mais surgiram novas frentes, as não alinhadas, depois a versão chinesa do mundo unida contra as duas superpotências (EUA/URSS) e, durante algum tempo, uma espécie de frente contra os EUA.

 O que estamos a assistir hoje é precisamente a uma fragmentação de estados sob a pressão do Capital, que está a tornar-se continentalizado. Estes últimos olharão para a história como meios para dividir e reconstituir o mundo de acordo com os seus imperativos económicos e políticos.

  Hoje Kosovo, amanhã Quebec, Bélgica entre valões e flamengos, Índia e o problema da Caxemira, Indonésia e Timor, na América do Norte, entre a Colúmbia Britânica, Alberta e o Estado de Washington, o Turkestão Oriental já está a apelar à NATO para se separar da China (desde a descoberta dos depósitos de petróleo). Estes agrupamentos (Europa dos 25) e estas divisões provam precisamente que a questão nacional já não faz sentido, mesmo para a burguesia, apenas pessoas atrasadas podem continuar a apoiar o "direito à auto-determinação".

 Lenine separa as nações do capitalismo.

  Esta separação não é neutra, antecipa a política de Estado a Estado que será estabelecida na Rússia com base no socialismo num só país.

"De nações libertadoras, o capitalismo imperialista tornou-se opressor das nações" (Socialismo e Guerra, Volume 21, p. 312).

 No século XIX, o capitalismo não libertou as nações em geral, libertou a burguesia. A nação é uma categoria política transitória do capitalismo. Em 1914/18 e depois, as lutas de libertação nacional tiveram sempre o mesmo objectivo: a redivisão do mundo em favor do capital mais poderoso. Lenine liga a democracia burguesa (liberdade das nações) à revolução socialista através da luta contra as grandes potências.

  À tese do Parabellum (Radek): "Todas as questões nacionais são colocadas no quadro do imperialismo", Lenine responde: "A opressão nacional está a alargar-se e a agravar-se numa nova base histórica" (O Proletariado e a Lei das Nações, Volume 21, p. 423).

  Enquanto Parabellum, tal como Kievsky, parte do facto de estarmos na época da revolução social e de que os chamados "interesses nacionais" unem os proletários à sua burguesia, isolam-nos dos operários de outros países e dividem o proletariado mundial, Lenine toma o imperialismo como sua "base histórica", mas o principal facto que apresenta é a opressão das nações em geral. Enquanto para nós, o "imperialismo no sentido de ser a conclusão da verdadeira dominação" globaliza o mundo e coloca a revolução social mundial na agenda.

  5- Sobre as duas fases históricas do modo de produção capitalista.

  Como os leitores deste texto puderam observar, consideramos que o surgimento da verdadeira dominação do capital foi completamente emasculado pela teoria social-democrata do imperialismo. A teoria do imperialismo visava principalmente a emancipação burguesa dos "povos coloniais" com base numa crise final dos países do centro. A transição para a verdadeira dominação do capital não é de modo algum o seu fim, mas sim a explosão da sua juventude plena, que revoluciona incessantemente as forças produtivas e que é suficientemente forte e começa a libertar-se do quadro nacional numa confrontação competitiva que conduzirá às duas guerras mundiais e a muitas outras seguintes. No que nos diz respeito, teremos de realizar uma crítica multi-facetada à teoria do imperialismo e do "império" com base na transição da dominação formal para a real.

  Não bastará dizer "O imperialismo é finalmente a fase da verdadeira dominação" para sair de problemas e assim evitar uma ruptura indispensável com as correntes anti-imperialistas. Como este trabalho de verificação da teoria é particularmente importante, especialmente se partirmos dos factos e não da pressuposição teórica, exigirá trabalho colectivo, cujas bases podem ser lançadas.

  Conclusões

  Com este texto, tentámos mostrar que a teoria do imperialismo não é apenas estranha à teoria marxista, mas representa uma variante do nacionalismo internacional. A tendência para a globalização/mundialização é apenas o desenvolvimento normal do capitalismo que, assim que se sente forte, elimina a tutela do Estado, para a questão "A transição da dominação formal para a real do capital cortou a ligação histórica entre o Estado-nação e o capitalismo? (MacIntosh), respondemos que a própria natureza do capital leva-o a emancipar-se do Estado nacional, a deitar fora as suas muletas para encontrar um mercado maior para a venda das suas mercadorias, isto é, de certa forma, o ABC da teoria marxista. ABC que hoje vivemos com o Estado supranacional europeu. No entanto, à medida que o capitalismo luta entre a livre concorrência e a economia planificada, permanece uma grande instabilidade em termos da sua organização económica. Pode, como na Grã-Bretanha sob a Sra. Tatcher, mudar para um liberalismo puro e duro e depois recorrer ao Estado quando este parecer demasiado fraco. Adam, no seu texto "Capitalismo como Sistema Mundial", afirma:

"Que não existe e nunca existiu uma "economia nacional", para dizer que com a "globalização" já não existe uma economia nacional, podemos discutir isto. Dizer que nunca existiu é uma pura quimera. Além disso, Adam explica-nos no seu texto que "os Estados usam a sua força coerciva para interferir no funcionamento do mercado mundial para promover a busca de lucros por empresas que estão dentro das suas fronteiras" — existe uma ligeira contradição no raciocínio de Adam.

  Com este texto, tentámos chamar a atenção de todos para a dificuldade dos revolucionários em posicionarem-se no arco histórico da evolução do capitalismo. O chamado período imperialista, como o estágio supremo do capitalismo e a sua crise final, revelou-se, apesar de duas guerras mundiais e muitas outras, como o nascimento difícil de um modo de produção para outro: a verdadeira dominação do capital.

Disto resulta, portanto, que as teorias do colapso… e os decadentistas tomaram a passagem para a dominação real como o verdadeiro fim do capitalismo. Com este texto, era necessário para nós recolocar as noções de sobrelucro e lucro – extra tal como a teoria marxista as concebe, para as opor às teorias anti-imperialistas sobre os lucros monopolistas e a constituição de uma aristocracia operária. Com este texto, reafirmamos a nossa oposição a qualquer forma de apoio ao nacionalismo e aos direitos democráticos burgueses à auto-determinação.

 

Para: Exchanges G. Bad

 

 

NOTAS 1

1 Isto já era evidente no tempo de Lenine com a Ucrânia e a Rada

2 Ver o livro de Claude Bitot "O Comunismo ainda não começou", que tem o grande mérito de destacar a fraqueza do movimento revolucionário que, a cada golpe do proletariado, pensa que está feito com o capitalismo.

 3Esta tese foi criticada por grande parte da "esquerda comunista"

 4 A política colonial e o imperialismo já existiam antes da fase contemporânea do capitalismo, e até antes do capitalismo. Roma, fundada na escravatura, tinha uma política colonial e praticava o imperialismo. Mas o raciocínio "geral" sobre o imperialismo, que negligencia ou relega para segundo plano a diferença essencial das formações económicas e sociais, degenera infalivelmente em banalidades vazias ou fanfarronices, como a comparação entre a "Grande Roma e a Grã-Bretanha." Imperialismo p.96

[5É curioso que ele não se tenha inspirado no esboço económico de Bukharin "A Economia Mundial e o Imperialismo" que Lenine não só tinha lido, como tinha precedido o livro de Bukharin, escrito em 1915. O valor científico da obra de Bukharin, diz Lenine, é peculiar porque examina os factos essenciais da economia mundial relativamente ao imperialismo como um todo, como uma fase definitiva do capitalismo mais evoluído.

Notas 2

 1 Chegou mesmo a considerar que o capitalismo de Estado sob o comunismo era uma questão totalmente nova.

2A lei francesa de 1925 especificava o funcionamento das "sociedades por capital limitado" (SARL) (9 p. 22)

3 “ Em cada país, os grandes industriais de um certo sector reúnem-se para formar cartéis com o objectivo de regular a produção ” “ houve até momentos em que existiram cartéis internacionais ” “ a concorrência foi portanto substituída em Inglaterra pelo monopólio, o que prepara da forma mais satisfatória o caminho para a futura expropriação por toda a sociedade, a nação. F.E ” Capital T 3 p 462

4 "É, em média, trabalho bem pago que produz mercadorias baratas e trabalho mal pago que produz mercadorias caras" (Salarios, Preço e Lucro, K. Marx, Pequim, p. 26)

[5Esta noção aparece na página 67 do livro de Bukharin, "A Economia Mundial e o Imperialismo", ed. anthropos, Paris. No entanto, foi amplamente refutada por Engels no anti-Durïng.

6 "Foi após a Segunda Guerra Mundial que surgiram os termos Terceiro Mundo e desenvolvimento. Terceiro Mundo para designar os três continentes em relação à antiga Europa e América do Norte, por um lado, e à URSS, por outro; desenvolvimento sendo uma nova tradução do progresso. (A Economia Mundial, por I. Wallerstein, 18/10, p.97).

7 Sobre a noção de pessoas:

8 Rosa estava de facto certa na altura sobre todos os outros, ao perceber que o rápido processo de acumulação capitalista e competitiva levaria à guerra, precisamente porque, como ela diz, "nenhum Estado tem capacidade para a evitar". Rosa, ao contrário de Lenine, compreendia que o mundo estava fechado, que já não havia espaço para novos concorrentes no cenário internacional e que era ilusório pensar que países atrasados poderiam alcançar a verdadeira independência. A Wislsonnisne seguiu as mesmas tácticas de Lenine ou vice-versa para enfraquecer os seus inimigos e esperar substituir os capitalistas dominantes da época. Os Estados Unidos e a URSS conseguiram finalmente dominar o mundo através da política dos blocos.

 

Fonte: Contribution:La question de l’impérialisme et la domination réelle du Capital. -G.d – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice