O lado obscuro das
finanças capitalistas – da crise da bolsa aos subprimes – armas de destruição
em massa
14 de Fevereiro de 2026 Robert Bibeau
Título introdutório ao vídeo traduzido
para Língua Portuguesa por Luis Júdice
O lado obscuro das
finanças capitalistas – da crise da bolsa aos subprimes – armas de destruição
em massa
14 de Fevereiro de 2026 Robert Bibeau
Título introdutório ao vídeo traduzido
para Língua Portuguesa por Luis Júdice
O lítio
significa o fim do petróleo como recurso energético estratégico.
14
de Fevereiro de 2026 Robert Bibeau
Para saber mais sobre a descoberta de
lítio no Canadá,
visite
https://www.youtube.com/watch?v=rH1uTvFNptk
Fonte: Le
lithium sonne le glas du pétrole comme ressource énergétique stratégique – les
7 du quebec
Título introdutório ao vídeo traduzido
para Língua Portuguesa por Luis Júdice
O crepúsculo das
independências nacionais na era do imperialismo multipolar
14 de Fevereiro de 2026 Robert Bibeau
Por Khider Mesloub e Robert Bibeau
A era das lutas pela independência
nacional acabou; agora tudo gira em torno das dependências coloniais. O capital
imperialista não tolera mais os caprichos dos movimentos de libertação
nacional, nem as rebeldias dos combatentes pela independência. De agora em
diante, os povos devem alinhar-se com a mundialização americano-sionista,
integrar-se na nova configuração geo-política colonialista ou serão brutalmente
apagados da história.
As grandes epopeias do século XX — da FLN
argelina ao Viet Minh vietnamita, do MPLA angolano à FRELIMO moçambicana —
parecem ser eras passadas. O que ontem parecia uma marcha irresistível rumo à soberania
é hoje apenas uma memória tolerada, contanto que não inspire mais
ninguém. Publicamos inúmeros artigos sobre
" lutas de libertação nacional sob a égide
das burguesias locais após o colonialismo ocidental ": https://les7duquebec.net/page/2?s=colonialisme
(pode encontrar as versões em Língua Portuguesa no blogue “Que o Silêncio dos Justos Não Mate Inocentes”)
A punição dos países
rebeldes
A normalização agora é alcançada através
de guerras, embargos ou desestabilização. O Iraque, culpado por querer existir
fora do controle ocidental, foi esmagado por duas invasões sucessivas,
arruinado por sanções e desmantelado. A Líbia de Khaddafi, que sonhava com uma
África financeiramente independente, foi pulverizada em 2011 pela OTAN. A
Síria, resistente aos planos geo-políticos de Washington e Telavive, mergulhou
numa guerra sem fim.
Na América Latina, o Chile de Salvador
Allende foi derrubado em 1973 por ousar nacionalizar a sua riqueza. A Venezuela
chavista, por muito tempo apresentada como um bastião de resistência à
hegemonia americana, acabou por sofrer o destino reservado às potências
consideradas independentes demais: após anos de sanções, bloqueios financeiros
e tentativas de desestabilização, Washington passou da pressão económica à
intervenção directa. No início de 2026, uma operação militar dos EUA em Caracas
levou à captura do presidente Nicolás Maduro, oficialmente acusado de narco-terrorismo,
e à instalação de um governo interino imediatamente reconhecido e controlado
pelos Estados Unidos. Essa mudança abrupta transformou um Estado antes
recalcitrante numa potência agora alinhada aos interesses estratégicos e
petrolíferos de Washington, ilustrando, quase caricaturalmente, o método
contemporâneo de império: estrangular economicamente, derrubar politicamente e,
em seguida, integrar à força à sua órbita. Em todos os lugares, o mesmo aviso:
nenhuma nação tem o direito de se desviar da linha imperial. Veja nossos
artigos sobre o caso da Venezuela: Resultados da pesquisa por “venezuela”
– os 7 de Quebec (pode encontrar as versões em Língua Portuguesa no
blogue “Que o Silêncio dos Justos Não
Mate Inocentes”)
Rússia: O Retorno das Anexações
Clássicas
A invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022
foi um lembrete contundente de que a lógica das grandes potências permanece
fundamentalmente a mesma. Sob o pretexto de proteger as populações de língua
russa e defender a sua "profundidade estratégica", o regime de
Vladimir Putin anexou a Crimeia em 2014 e, oito anos depois, absorveu
unilateralmente diversas regiões ucranianas: Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia e
Kherson.
Quaisquer que sejam as justificações
apresentadas, trata-se de um retorno flagrante aos métodos do século XIX:
redesenhar fronteiras à força, negar aos povos vizinhos o direito de escolher
livremente o seu destino e desafiar directamente a soberania de um Estado
reconhecido. Este precedente ucraniano confirma uma realidade perturbadora: no
mundo contemporâneo, a independência nacional já não tem grande peso diante das
ambições geo-políticas das grandes potências, sejam elas americanas, europeias,
chinesas ou russas. A era imperial já não reconhece campos morais, apenas
esferas de influência.
Esse mecanismo não é novo. Em 1953, o Irão de Mossadegh foi derrubado por querer nacionalizar o seu petróleo. Em 1954, a Guatemala de Arbenz sofreu o mesmo destino por desafiar os interesses americanos. Patrice Lumumba no Congo, Thomas Sankara no Burkina Faso e tantos outros líderes do Sul Global pagaram com a vida pelo seu desejo de soberania nacionalista em benefício da burguesia nacional . A independência política só é aceite sob a condição de permanecer sob protectorado imperialista… como enfatizamos no nosso livro * Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Questão Nacional e Revolução Proletária Sob o Imperialismo Moderno, de Robert Bibeau
Palestina: o símbolo máximo do
nacionalismo burguês genocida. Veja nossos artigos: https://les7duquebec.net/?s=palestine
(pode encontrar as versões em Língua Portuguesa no blogue “Que o Silêncio dos Justos Não Mate Inocentes”)
O exemplo mais trágico continua a ser o dos palestinianos . Desde 1948, o seu povo tem sido sistematicamente desapropriado, expulso, confinado, bombardeado, exterminado e submetido a genocídio. O seu território nacional/colonial diminui ano após ano, os seus direitos desaparecem e a sua própria existência é negada pela burguesia nazi-israelita racista e sionista . Como o exemplo palestiniano demonstra tragicamente, um povo pode hoje ser vítima de limpeza étnica e genocídio , à vista de todos, sem que nada impeça o funcionamento da máquina colonial/imperial. A Palestina tornou-se o laboratório contemporâneo da guerra e do apagamento de nações em resistência. Veja o nosso artigo: Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: A luta de libertação nacional do povo palestiniano contra o neo-colonialismo (1947-2026)
O Saara Ocidental: o enterro programado da auto-determinação burguesa
nacional
A este quadro deve-se agora acrescentar o
caso emblemático do Saara Ocidental. Antiga colónia espanhola até 1975, este
território deveria, segundo o direito internacional, alcançar a auto-determinação.
Uma Missão das Nações Unidas – a MINURSO – foi criada em 1991 para organizar um
referendo que permitisse ao povo saarauí escolher entre a independência e a
anexação por Marrocos. Este referendo nunca aconteceu. Durante quase meio
século, Marrocos ocupou de facto o território, marginalizando progressivamente a
Frente Polisário e a República Árabe Saarauí Democrática. O que deveria ser uma
descolonização incompleta transformou-se numa anexação silenciosa. A mudança
diplomática acelerou-se nos últimos anos. Em 2020, os Estados Unidos
reconheceram oficialmente a soberania marroquina sobre o Saara Ocidental em
troca da normalização das relações entre Rabat e Israel. A União Europeia e a
França, na prática, apoiaram esta medida.
O ponto de viragem decisivo ocorreu em 31
de Outubro de 2025: nesse dia, o Conselho de Segurança da ONU adoptou a
Resolução 2797. Pela primeira vez, um texto da ONU designou o plano de
autonomia proposto por Marrocos em 2007 como a "referência principal"
para as negociações políticas. Noutras palavras, a opção de independência por
referendo, o cerne histórico da questão, foi relegada para segundo plano a
favor de uma solução interna sob a soberania marroquina. Assim, quase sem
alarde, uma das últimas grandes questões de descolonização do século XX chegou
ao fim. O Saara Ocidental, legalmente não autónomo, tornou-se politicamente
marroquino. A mensagem é clara: mesmo com o amparo do direito internacional, um
povo não tem chance quando os interesses geo-estratégicos ditam o contrário.
Novas anexações: velho imperialismo
O imperialismo contemporâneo já nem sequer
precisa de exércitos de ocupação permanentes. Impõe dependências através de
dívidas, sanções, bases militares e programas de ajustamento estrutural. Ontem,
enviavam-se soldados; hoje, envia-se o FMI ou impõem-se tarifas (Trump). Ontem,
impunham-se governadores coloniais; hoje, governos "reformistas".
Ontem, falava-se de civilização; hoje, de governação. A forma muda, mas não a
dominação.
A soberania nacional tornou-se uma ficção
tolerada. Os Estados podem hastear bandeiras, mas não podem decidir o seu
próprio destino. Podem votar, mas não podem desviar-se das regras estabelecidas
pelo império.
As independências conquistadas ontem pela
Índia, Argélia, Vietname ou Cuba parecem ser os últimos vislumbres de uma era
que agora chegou ao fim.
A ordem mundial apresenta-se como
defensora da lei, da “democracia” e das liberdades. Na realidade, reconhece
apenas uma regra: a do mais forte. Integre-se ou desapareça. Submeta-se ou seja
destruído. Tal é o novo dogma geo-político, o credo geo-estratégico. E ousam
chamá-lo, com absoluto cinismo, de: “a ordem internacional baseada em regras”.
"A libertação dos povos não pode
ser alcançada através da formação de estados burgueses separados e
pseudo-independentes."
Por trás da retórica
da “democracia” e do direito internacional, o capitalismo mundial está a
regressar à sua natureza original: predação, captura, colonização. Os povos não
são mais libertados, são subjugados; os Estados não são mais soberanos, são
compelidos a obedecer. Onde antes reinavam os administradores coloniais, agora
dominam as multinacionais, as sanções e as intervenções militares. O sistema
não cria mais, saqueia; não integra mais, anexa; não persuade mais, coage. A
era da independência nacional está a chegar ao fim. O mundo está a retornar à
sua antiga lei imperial: os poderosos decidem, os fracos submetem-se.
Em A
Questão Nacional e a Autonomia (1908-1909), Rosa Luxemburgo escreve sem ambiguidade: “ O chamado ‘direito dos povos à auto-determinação’ nada mais é do que uma expressão
metafísica, uma fórmula vazia, desprovida de conteúdo real, dentro da estrutura
do capitalismo”. E esclarece imediatamente: “A libertação dos povos não pode
ser alcançada pela formação de Estados independentes, mas apenas pelo derrube
do capitalismo à escala internacional ” .
Esta observação lança uma luz
impressionante sobre a situação actual. Os movimentos nacionalistas
independentistas, longe de inaugurarem uma era de verdadeira soberania,
provaram ser nada mais do que uma ilusão histórica. Desde o início do século
XX, o revolucionário alemão afirmava que o futuro não residia na proliferação
de novos Estados, mas na revolução proletária internacional . A história, um
século depois, confirma essa afirmação: as soberanias proclamadas cederam uma
após a outra ao império do capital. A verdadeira emancipação, portanto, não
virá da manutenção de Estados-nação burgueses concorrentes e dominados, mas da
sua transcendência dentro de uma comunidade humana livre de classes, fronteiras
e todas as formas de dominação.
Khider MESLOUB
Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice
França: Jack Lang, ou a protecção estatal patenteada
de bandidos burgueses
13 de Fevereiro de 2026 Robert Bibeau
A República Francesa gosta de se
apresentar como um templo da virtude, onde a lei burguesa se aplica
indiscriminadamente a todos. Mas basta uma figura proeminente ser apanhada em
flagrante delito para que essa fachada desmorone. O caso Jack Lang oferece mais uma demonstração
impressionante disso. Veja este artigo: https://www.pleinevie.fr/loisirs/celebrites/je-prefere-dire-la-verite-a-86-ans-jack-lang-devoile-le-montant-de-sa-retraite-et-il-est-indecent-191039.html
Nada neste caso é mero detalhe
administrativo. Trata-se de suspeitas sérias e fundamentadas de transações
financeiras obscuras, vantagens indevidas e associações comprometedoras com um
dos criminosos mais notórios das últimas décadas. Noutras palavras, para
qualquer cidadão comum, a justiça já teria entrado em colapso: rusgas policiais
ao amanhecer, detenções humilhantes, rígido controle judicial, até mesmo prisão
preventiva, tudo acompanhado de um linchamento mediático em larga escala.
Assim, duas pessoas suspeitas de fraude fiscal
agravada são tratadas não como réus, mas como indivíduos a serem protegidos.
Escoltadas, protegidas, mimadas pelas autoridades. O mundo de cabeça para
baixo: a polícia a servir aqueles que deveria estar a monitorizar. A interrogar.
A processar. E, se necessário, a prender.
Essa protecção concedida a indivíduos sob
investigação criminal diz tudo sobre o verdadeiro regime que governa a França:
uma oligarquia coesa, unida em solidariedade consigo mesma, pronta para se
defender quando um dos seus vacila.
O Estado francês: um escudo para as
elites corruptas tanto da esquerda quanto da direita.
Enquanto os desempregados são perseguidos
por cada euro recebido indevidamente, enquanto os Coletes Amarelos são
mutilados por exigirem um mínimo de justiça social, enquanto pequenos
sonegadores de impostos são esmagados pelo governo, Jack Lang continua a ser
tratado como um servidor honrado do Estado. Privilégios para alguns, repressão
para outros. Esta é a verdade nua e crua da "República exemplar": um
sistema de justiça de duas classes. Para os pobres, os que vivem em situação
precária, os anónimos: suspeita constante, intimações humilhantes, às vezes
prisão e, sempre, estigmatização.
Para os poderosos: atrasos intermináveis,
acordos discretos, protecção institucional e deferência constante. Os primeiros
— anónimos, precários, sem redes de contactos — são considerados culpados mesmo
antes do julgamento. Os últimos permanecem respeitáveis até serem formalmente
acusados, às vezes até mesmo após a condenação.
O caso do ex-presidente Nicolas Sarkozy
ilustra isso de forma marcante. Condenado diversas vezes pelos tribunais,
principalmente por corrupção e tráfico de influência, ele de facto recebeu
penas de prisão. Mas essas penas foram modificadas, estendidas, atenuadas e
transformadas em prisão domiciliar com monitorização electrónica. Enquanto um
cidadão comum teria enfrentado prisão imediata, o ex-chefe de Estado beneficiou
de todas as concessões e acomodações possíveis, de todas as tácticas de
protelação imagináveis e de todos os privilégios reservados aos poderosos.
Ainda mais notável é que, mesmo condenado, ele continuou a ser recebido,
homenageado e tratado com extrema delicadeza pelas mais altas autoridades
políticas. Ministros visitavam-no, estúdios de televisão permaneciam abertos
para ele e as homenagens oficiais continuavam.
Dois sistemas de justiça, dois
tratamentos, dois mundos. De um lado, o cidadão comum preso sem hesitação por
uma infracção menor. Do outro, o nobre condenado cercado de cortesias e
consideração. Esta é a regra não escrita da República Francesa: clemência para
os que estão no topo, severidade para os que estão na base.
O escândalo, portanto, não se resume
apenas às supostas acções de Jack Lang e sua filha. Trata-se, sobretudo, de um
sistema inteiro que se mobiliza para proteger os seus próprios membros.
Este
caso revela a brutal realidade da ordem social francesa: um sistema de justiça
baseado em classes, feito sob medida para poupar criminosos de colarinho branco
e punir impiedosamente os delinquentes comuns.
Sob o verniz republicano dourado da França
burguesa, esconde-se uma máquina implacável: a lei para os humildes, a
clemência para os ricos; o cassetete para o povo, a protecção para os
poderosos. Esta é a verdadeira França: uma fortaleza onde o Estado dos ricos
vigia a sua própria elite acima de tudo.
Khider MESLOUB
Fonte: France : Jack
Lang ou la protection Étatique patentée des voyous bourgeois – les 7 du quebec
Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice
Um jornalista iraniano, no seu relatório sobre o recente massacre em Teerão, escreve:
Não saber em que voz acreditar é uma verdade horrível e triste; Mas saber a verdade e ainda assim não conseguir descrevê-la é ainda mais horrível. (1)
Há elementos de verdade
nesta afirmação e é uma com a qual milhões de iranianos e não iranianos se
podem identificar profundamente. No entanto, a questão de qual voz deve ser
acreditada aponta para uma realidade mais profunda: estas vozes não passam de
narrativas concorrentes de facções do capital que dominam os media tradicionais
e geram uma confusão intelectual generalizada.
Como Marx deixou claro:
As ideias dominantes de cada época sempre foram as ideias da sua classe dominante.
O Manifesto Comunista
À primeira vista, tal
incerteza é atribuída à ausência de "democracia" na República
Islâmica. Mas esta explicação desmorona-se ao olhar mais de perto.
Primeiro, porque é uma
grande mentira destinada a encobrir e inverter as verdadeiras causas do
surgimento de tais catástrofes — causas que tentámos explicar no nosso texto
anterior. (2)
Em segundo lugar, esses
mesmos atores justificam abertamente a comissão de tais crimes e o massacre de
milhares declarando a supressão de um "golpe",(3) ou
alegam ter "esclarecido de forma transparente" a questão — ainda que
de forma ridiculamente — publicando, por ordem do presidente, uma lista dos
falecidos! (4)
E em terceiro lugar, há
a incapacidade de ultrapassar este hábito antigo que insiste que se deve sempre
escolher e acreditar numa das narrativas das facções reaccionárias presentes em
cena, através de comparações superficiais entre si e baseadas na escolha entre
o "mau" e o "pior"; ou "o menor dos dois males"
e, ao fazê-lo, o sangue derramado é retrospectivamente purificado e justificado
com rituais de luto, tudo ao serviço de instalar uma facção no poder. (5)
Caso contrário, as
catástrofes nas ruas de Minneapolis, o fracasso da "ajuda" prestes a
chegar,(6) e o
agradecimento aos líderes iranianos por não enforcarem manifestantes,(7) revelam
claramente a imagem espelhada completa da suposta diferença essencial entre
"democracia" e "tirania".
Uma ordem capitalista
que há meio século é incapaz de lidar com uma crise económica não tem mais nada
a oferecer além de expedientes para enfrentar essa crise. E agora exibe o seu
declínio ainda maior ao dispensar os seus representantes instruídos; o decoro
político foi totalmente abandonado. Um novo homem forte, um bandido vulgar
elevado ao cargo de presidente dos EUA, agora dá o tom. Em plena luz do dia,
ele sequestra o presidente de outro país e exibe-o pelas ruas de Nova Iorque,
enquanto os outros líderes do chamado mundo livre se mostram incapazes de
expressar sequer oposição verbal. Ele não hesita em receber como presidente da
Síria alguém que, até ontem, realizava decapitações ao estilo ISIS e hoje veste
um fato Armani e uma gravata bem passada. Todas as subtilezas políticas outrora
pregadas por esta ordem foram descartadas sem cerimónias.
Só quando o alcance da
coerção se volta para dentro, contra as suas próprias fileiras, é que os
reformistas democráticos clamam em protesto. Como eles próprios admitem:
O presidente Trump está a agir como um gangster internacional... ele é um valentão, acha que pode agarrar o que quiser usando a força, se necessário... o presidente mais corrupto que os EUA já tiveram... (8)
A verdade da história reside no antagonismo de classes
A afirmação de que a
verdade da história só pode ser compreendida como a história do conflito de
classes não é apenas uma declaração filosófica abstracta e visionária que se
deve apenas admirar ou elogiar. O que está a acontecer hoje no Irão, em Gaza, na
Ucrânia, em Minneapolis e noutros lugares não é nada mais do que um reflexo
dessa mesma percepção — que é deliberada ou inadvertidamente retratada de uma
maneira diferente.
As causas dos
assassinatos brutais nas ruas de Teerão são explicadas simplesmente como
resultado de uma tentativa de golpe ocidental ou da brutalidade da República
Islâmica; a causa do massacre em Gaza é reduzida exclusivamente à criminalidade
de Israel ou do Hamas; o bombardeamento de cidades ucranianas é atribuído à
ditadura de Putin ou a uma consequência do expansionismo da OTAN; e o tiroteio
contra manifestantes nas ruas de Minneapolis, em plena luz do dia e diante das
câmaras dos telemóveis dos próprios manifestantes, é descrito como um
incumprimento da lei ou um tratamento merecido para «terroristas domésticos».
Mas estes não são erros, falhas técnicas ou diferenças inocentes de perspectiva.
Isto porque estas leis,
na sua própria essência, sancionam legalmente tais mortes e derramamento de
sangue sob a protecção da existência «sagrada» do capital. Sempre que qualquer
protesto, movimento ou luta assume um carácter de confronto com o domínio do
capital, é primeiro recebido com propaganda ensurdecedora por parte dos
guardiões e apoiantes do capital, que alimentam a confusão intelectual
apresentando narrativas superficiais e falsas. Se o movimento continuar,
enfrenta então o punho de ferro de regimes tanto «autoritários» como
«democráticos».
No Irão, a organização
dos trabalhadores é declarada desnecessária e ilegal invocando as leis
islâmicas e, quando ocorrem greves, estas são reprimidas impiedosamente sob o
pretexto da segurança nacional. Nos Estados Unidos, sob o pretexto da
ilegalidade dos trabalhadores migrantes, as liberdades civis são restringidas e
os manifestantes são baleados ou presos.
Não à Guerra Senão a Guerra de Classes
A barbárie que hoje se
exibe diante dos olhos incrédulos de todos não é mais do que a prova da verdade
de que todos os caminhos reformistas chegaram a um beco sem saída e que a busca
por “atalhos” — atalhos que há muito provaram levar muito mais tempo do que
viajar por qualquer estrada principal — se esgotou há muito tempo. Não há saída
para a classe operária a não ser alimentar e intensificar a luta de classes;
todas as outras opções não passam de engano.
A situação actual, que é
retratada de forma diferente pelas narrativas dominantes, deve ser
constantemente e insistentemente contestada pelos revolucionários. A maneira
como a luta de classes deve ser intensificada deve ser descrita e articulada de
forma mais clara e concreta do que nunca, com base no que realmente está a
acontecer.
Intensificar a luta de
classes significa reconhecer que:
· Os operários não podem esperar que salvadores externos entrem em cena, eles não ficam parados à espera de uma intervenção vinda de cima. As suas únicas armas são a sua própria organização e a sua própria consciência.
· As assembleias, comissões ou conselhos abertos a todos os operários representam uma forma de unificar a luta e rejeitar o parlamentarismo burguês na prática.
·
Onde quer que estejam no mundo, os operários só podem contar com o apoio de
outros operários noutras partes do mundo. A perspectiva internacionalista, que
pode ser resumida como “nenhuma guerra senão a guerra de classes”, é mais do
que apenas um slogan.
Ao longo da história do
sistema capitalista, a luta de classes nunca parou, mesmo em tempos de chamada
paz social. A guerra, a repressão e os massacres podem ter interrompido a sua
luta por algum tempo, mas as contradições do sistema nunca desapareceram. Nem o
suborno dos empregadores, nem o disparate nacionalista, nem o belicismo jamais
proporcionaram uma solução.
O que os operários
experimentaram e aprenderam é esta verdade: os operários só são libertados pela
sua própria organização e pela sua própria consciência — nada mais, nada menos.
A Organização dos Próprios Operários
Nas condições actuais,
com a sombra da guerra a pairar sobre o mundo inteiro, a classe operária deve
agora preparar-se para todos os cenários possíveis. Mais uma vez, a história
impôs-lhe uma escolha difícil: guerra ou revolução. A organização dos próprios operários
manifesta-se de duas maneiras.
Por um lado, vemos a
resistência aos ataques económicos do capital dar origem a órgãos de
auto-organização da classe operária, tais como assembleias, comités ou
conselhos. Os operários no Irão têm uma experiência relativamente recente disso
com as suas shoras. A palavra de ordem «Pão, Emprego, Liberdade – Poder
Soviético!», já avançado em algumas das lutas actuais, alude directamente a
essa experiência.
Por outro lado, os
elementos politicamente avançados da classe operária, que actualmente estão
espalhados por diferentes partes do mundo, precisam de se unir com base numa
plataforma comum, a fim de fornecer uma liderança política nas lutas actuais e
combater todas as narrativas burguesas. É algo que nós, na Tendência Comunista
Internacionalista, consideramos possível e necessário.
Damoon Saadati
Communist Workers’ Organisation
4 de Fevereiro de 2026
Notas:
A Revolta de Janeiro, o Massacre do Povo e Lições a
Aprender
Como podem todos esses novos sonhos,
sementes ainda não abertas, flores
que ainda não desabrocharam, murchar na primavera
e se tornar pó na minha alma?
Siavash Kasrai
Em janeiro deste ano,
protestos massivos eclodiram por parte de um povo sofrido e cansado da opressão
e da exploração. Esses protestos rapidamente se transformaram numa revolta
generalizada e abrangente. Em pouco tempo, mais de 190 cidades, grandes e
pequenas, bem como muitas áreas rurais, se levantaram e gritaram furiosamente
contra o regime político e os responsáveis do país. O povo saiu às ruas,
transformando as praças e vias públicas da cidade num palco para os seus protestos,
e com uma só voz condenou as políticas governantes e a República Islâmica,
exigindo uma mudança fundamental na situação política e económica do país.
A República Islâmica é
um governo explorador e apoiante de exploradores. É um governo que intensifica
a pobreza e a miséria da grande maioria do povo: a principal causa da inflação
galopante e indutor de um aparelho repressivo e assassino que ensanguentou as
ruas, matando pelo menos milhares de pessoas somente em janeiro, enquanto as
repressões e prisões continuam. Tal governo não está disposto nem é capaz de
proporcionar nem mesmo as condições mínimas de vida aos operários e outros
assalariados nas cidades e aldeias. Os manifestantes exigiam os seus direitos
naturais e uma mudança no seu destino: um destino que, nos últimos 47 anos, não
tem sido nada além de pobreza, desigualdade, discriminação, opressão, repressão
e morte. O povo compreende perfeitamente que o principal promotor e perpetrador
de todos estes crimes, de pilhagem e exploração, é um regime que sacrifica tudo
pela sua própria sobrevivência. O povo tem o direito de exigir a destituição de
um governo que transformou a prosperidade, o conforto e a liberdade num sonho
inatingível. A resposta do regime a estes protestos, que surgiram da vontade do
povo, foi o massacre, o assassinato, o derramamento de sangue e os tiros. O
povo sofredor testemunhou com os seus próprios olhos um grande massacre e
atrocidade. Viu o sangue de milhares de entes queridos derramar-se sobre os
paralelepípedos e as famílias que ficaram para chorar a perda dos filhos que
eram a menina dos seus olhos. Agora vemos milhares de pessoas presas e atiradas
para a prisão, à espera de tortura e morte.
Nós, organizações
independentes, condenamos este massacre bárbaro e este crime flagrante e sem
limites. Consideramos nossa obrigação partilhar a dor dos enlutados e dos entes
queridos dos que partiram. Exigimos tratamento médico ilimitado para os feridos
e afectados pelo incidente, e a libertação incondicional de todos os presos
políticos, manifestantes e detidos. Vimos, e todas as pessoas informadas e
conscientes do mundo testemunharam e tornaram-se ainda mais conscientes, que um
grande crime foi cometido aqui pela República Islâmica. Vidas humanas
tornaram-se garantias para a sobrevivência de uma classe dominante corrupta
que, apoiando-se no poder político e no sistema capitalista, prefere o seu
próprio bem-estar, conforto e estatuto de classe privilegiada à custa do
massacre e da imolação da sociedade e da vida humana.
A realidade é que o poder
imortal das massas, particularmente o poder dos operários que formam a espinha
dorsal da sociedade, prevalecerá sobre o poder que o regime tem exercido
repetida e brutalmente durante quase cinco décadas através da repressão e do
massacre em massa, incluindo de manifestantes e dissidentes. Uma vez que as
massas se organizem conscientemente e com uma visão clara, o poder do regime
será vazio e o chão, sem dúvida, tremerá sob os pés dos actuais governantes. A
divisão entre o governo e o povo ampliou-se agora e aprofundou-se. Essa fissura
não pode ser reparada por repressão, reformas, acordos secretos e fraudulentos
e diplomacia; nem por xeques, xás ou ditadores corruptos e antiquados; nem por
recorrer às grandes potências – que são elas próprias responsáveis por
assassinatos em massa e por incendiar grande parte do mundo. O abismo é
demasiado profundo e nenhum milagre curará as crises do regime. O nó de
problemas para o povo, os operários e os assalariados será desatado pelas suas
próprias mãos. O esteio para mudar o destino dos operários e para uma
transformação fundamental da sociedade é o poder colectivo dos oprimidos e dos
desfavorecidos: aqueles cujo trabalho, pensamento e esforço são a própria base
da força construtiva e criativa da sociedade e do mundo.
No entanto, a mudança
social fundamental, cuja condição primordial é o derrube dos poderes corruptos
e opressores, não será alcançada facilmente, nem sem as ferramentas de luta,
organização e o conhecimento militante necessário. São necessários esforço
paciente, tácticas e métodos adequados às condições específicas, equilíbrio de
poder e capacidade de contar com a vasta maré das massas operárias e
laboriosas. São necessárias alavancas poderosas e generalizadas para ligar as
massas desarticuladas e parar a roda que gira no eixo da opressão e da
exploração.
Essas alavancas nada mais são do que o produto das organizações independentes e revolucionárias dos operários e do seu trabalho árduo! As massas assalariadas, e acima de tudo os operários, devem apoiar-se e unir-se uns aos outros; a dor de uma pessoa deve ser a dor de todos, a luta de uma pessoa deve ser a luta de todos, e o bem-estar e conforto de uma pessoa devem ser o bem-estar e conforto de todos. Esta é a lição da história e a experiência de todos os movimentos vitoriosos. Nós também devemos aprendê-la e aplicá-la nas nossas vidas e na nossa luta.
Vamos unir-nos, organizar-nos e mudar o nosso destino.
Sindicato dos
Trabalhadores da Cana-de-Açúcar de Haft Tappeh
Comité Coordenador para
Ajudar a Construir Organizações Operárias
Independentes
Trabalhadores
Aposentados de Khuzestan
Grupo Sindical dos
Aposentados
6 de Fevereiro de 2026
Um aumento salarial depende de uma luta abrangente
contra o Estado capitalista
Os protestos de janeiro
de 2026 foram um grito de raiva e uma reacção às políticas económicas e sociais
do regime e ao seu desempenho político, que impuseram condições duras e
terríveis às massas oprimidas. Esses protestos foram recebidos com balas,
massacres e prisões pelas forças repressivas e torturadores do governo. As
ruelas e ruas de várias cidades em todo o país foram transformadas em
matadouros para as pessoas que sofriam e eram exploradas, e milhares de
pessoas, particularmente a partir de 8 de Janeiro, foram assassinadas.
Paralelamente a este massacre generalizado, milhares de outras pessoas ficaram
feridas ou foram detidas e presas.
Ao mesmo tempo que esta
revolta popular, os Estados Unidos e Israel, com Reza Pahlavi e os seus
monarquistas fantoches à sua disposição, viram oportunisticamente as condições
como favoráveis para aproveitar a onda da revolta popular e vingar-se da
República Islâmica. Com a retórica enganosa e o charlatanismo de Trump e Reza
Pahlavi, eles garantiram um ambiente adequado para as suas ambições predatórias
e imperialistas.
Tal situação sangrenta,
aliada à pobreza e à miséria, à insegurança e à falta de conforto, à ausência
de bem-estar e de serviços públicos, ao desemprego generalizado e, em suma, à
ausência de «pão e liberdade», levou a vida dos operários, dos trabalhadores e
da maioria dos assalariados à beira da ruína e da destruição, impondo condições
duras e extenuantes à sociedade.
É precisamente nestas
circunstâncias que os proprietários do capital e do poder – os mesmos que
perseguem o povo pelas suas justas reivindicações e pelo seu apelo por «pão e
liberdade» nas ruas – estão à espera de uma oportunidade para usar este clima
de segurança sombrio para realizar reuniões à porta fechada com os seus
próprios agentes e instituições escolhidos a dedo e impor as suas decisões
infelizes sobre o salário mínimo a milhões de operários.
Sem dúvida, o governo,
os empregadores e os capitalistas, como nos anos anteriores, nunca tomarão uma
decisão justa sobre os salários dos operários nas reuniões do Conselho Supremo
do Trabalho. Isso porque quanto mais baixos os salários, maiores os lucros dos
capitalistas e mais generalizada se torna a pobreza na vida dos operários. O
tamanho da mesa de jantar dos operários é inversamente proporcional à ganância
dos capitalistas. Os salários abaixo da linha da pobreza estão a impor cada vez
mais a miséria absoluta, a privação e o sofrimento na vida dos operários.
Vamos resistir a esses
exploradores gananciosos e defensores jurados do capital a partir de agora, e
ligar os protestos de Janeiro à luta por aumentos salariais, pelo direito de se
organizar, por jornadas de trabalho mais curtas e pela oposição às empresas de
contratação e fornecimento de pessoal, ao sistema de classificação de cargos e
ao trabalho árduo. Devemos sustentar esta luta e elevar as nossas exigências. A
consciência das nossas condições de trabalho e de vida, a nossa unidade e
organização garantirão a melhoria do nível de vida da classe operária e a provisão
de bem-estar social, e serão a acção mais importante para uma transformação
positiva e frutífera da situação actual. Devemos lutar como um só pelas nossas
exigências e arrancar os nossos direitos das garras dos exploradores que
embolsam fortunas astronómicas explorando o trabalho da classe operária.
O salário mensal que
estes saqueadores determinam para nós, sem qualquer consulta aos representantes
genuínos e eleitos dos operários, nem sequer cobre as despesas semanais dos operários
e dos assalariados, dada a inflação galopante e o custo exorbitante dos bens
essenciais. O nosso salário deve basear-se no custo de vida real e ser
equivalente às despesas médias de uma família urbana de quatro pessoas. Tal
salário deve ser capaz de proporcionar o bem-estar social dos operários e
assalariados, abrangendo tudo, desde alimentação, vestuário e habitação
adequados, até acesso total à educação, cuidados de saúde, tratamento, serviços
sociais, etc. Nas circunstâncias actuais, dada a inflação estrutural e
galopante e a consequente queda do poder de compra, um aumento real dos
salários é uma necessidade imediata e vital.
Se anteriormente se
afirmava que o salário mínimo não deveria ser inferior a 60 milhões de tomans,
nas circunstâncias actuais, com a inflação galopante, a queda contínua do poder
de compra e o aumento diário do custo dos bens essenciais para a população,
esse montante já não é suficiente para cobrir as necessidades básicas de uma
vida normal e digna. Hoje, este valor deve ser superior a 60 milhões de tomans.
(Com base em dados estatísticos e, segundo a admissão de responsáveis e órgãos
governamentais, o salário mínimo deveria ser de cerca de 70 milhões de tomans.)
Não nos submeteremos aos
salários humilhantes e abaixo da linha da pobreza que os proprietários do
capital e do poder procuram impor-nos através dos seus representantes na
chamada «tripartida» — o governo, os empregadores e os representantes
simbólicos dos operários.
Nós, os operários que
produzimos a riqueza e o bem-estar da sociedade, lutamos na esperança de um
futuro livre da servidão, da escravidão e da tirania, e com a aspiração de uma
vida digna, cheia de prosperidade e liberdade. Contando com a nossa força colectiva,
avançaremos unidos para tornar isso realidade.
Condenamos também a
repressão, as detenções e os assassinatos de manifestantes, e exigimos a
libertação incondicional de todos os presos políticos e detidos durante os
protestos nacionais.
A única forma de
defender os direitos dos operários é através da organização independente, da
solidariedade de classe e da organização nacional.
Vamos unir-nos,
organizar-nos e mudar o nosso destino.
Sindicato dos Trabalhadores da
Cana-de-Açúcar de Haft Tappeh
Comité Coordenador para Ajudar a Construir
Organizações Operárias Independentes
Trabalhadores Aposentados de Khuzestan
Grupo Sindical dos Aposentados
8 de Fevereiro de 2026
Quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
Fonte: In
Iran and Elsewhere: Intensifying the Class Struggle is the Only Way Out! |
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