terça-feira, 9 de junho de 2026

Radio Orient, o navio-almirante do império do clã Hariri, sob controlo de uma holding dos Emirados Árabes Unidos

 


Radio Orient, o navio-almirante do império do clã Hariri, sob controlo de uma holding dos Emirados Árabes Unidos

9 de Junho de 2026 Robert Bibeau



Por René Naba na Radio Orient, a última joia do império mediático do clã Hariri, está a passar para o controlo de uma holding dos Emirados Árabes Unidos.

O fim de um parêntese encantado

A Radio Orient, a última jóia da corôa do que outrora foi o império mediático Hariri, cujo nome deriva do primeiro-ministro e bilionário libanês-saudita Rafic Hariri, foi vendida em 2025 a um grupo empresarial dos Emirados Árabes Unidos, pondo fim a um período áureo de 32 anos, durante o qual a dinastia Hariri dominou a vida política libanesa, e influenciou amplamente a diplomacia francesa em relação ao mundo árabe, nomeadamente na época da dupla Jacques Chirac-Rafic Hariri.

 

·         Sobre o tandem Chirac-Hariri, veja este link: https://www.renenaba.com/la-france-et-le-liban-le-recit-dune-berezina-diplomatique/

·         Sobre o desconforto político de Saad Hariri, cf; Este link: https://www.madaniya.info/2022/01/31/liban-saad-hariri-la-fin-sans-gloire-dun-heritier-problematique-dune-dynastie-ephemere/

O novo proprietário e agora único accionista da Radio Orient é a RO Holding Limited (Emirados Árabes Unidos), localizada no emirado de Ras al Khaimah e registada sob o nome "International Corporate Center ICC 202 40 500.

A Rádio Orient actuou como única accionista da empresa REGROUPEMENT DES RADIOS MUSULMANES DE FRANCE. A Radio-Orient é uma sociedade anónima simplificada com um capital de 175.000 euros, cuja sede registada se encontra na avenida Victor Hugo, nº 98, em Clichy (92110), registada no Registo de Comércio e Empresas de Nanterre com o número 339 765 786;

Não foi possível saber se a venda foi feita para satisfazer uma dívida do herdeiro do clã ou em reconhecimento da hospitalidade que os Emirados Árabes Unidos ofereceram a Saad Hariri, para o ajudar a sair do seu colapso político e financeiro.

Mas o facto é que a venda da Radio Orient a uma holding dos Emirates poderia alterar significativamente a linha editorial desta estação, que anteriormente era sensível ao Líbano e à Arábia Saudita, dada a rivalidade contida entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos e a animosidade que reina entre os líderes das duas petro-monarquias, o saudita Mohamad Bin Salman, e Mohamad bin Zayed, do Abu Dhabi, aliado privilegiado de Israel na região e da direita radical europeia, devido à sua feroz hostilidade aos islamistas.

Para aprofundar este tema, veja estes links:

·         https://www.madaniya.info/2023/03/15/la-sourde-rivalite-entre-larabie-saoudite-et-les-emirats-arabes-unis-1-3/

·         https://www.madaniya.info/2023/03/22/quand-abou-dhabi-espionne-larabie-saoudite-2-3-de-la-politique-etrangere/

·         https://www.madaniya.info/2023/03/28/de-lambivalence-des-relations-entre-les-emirats-arabes-unis-et-larabie-saoudite-a-propos-de-la-guerre-du-yemen/

Sobre as ligações entre Abu Dhabi e a extrema-direita europeia, veja este link

·         https://orientxxi.info/les-emirats-arabes-unis-allies-de-l-extreme-droite-europeenne,8034

E o artigo da Mediapart datado de 19 de Janeiro de 2026, "o plano secreto dos Emirados Árabes Unidos para influenciar o debate público interno em França".

O império mediático do clã Hariri

Instituição lendária, indissociável da história do Líbano, Rafic Hariri, que viria a liderar o governo libanês durante dez anos (1992-1998/2000-2003), começou por tentar apaziguar a imprensa libanesa, disponibilizando do seu próprio bolso a quantia de 250 000 dólares como contribuição para a construção do novo edifício do sindicato da imprensa. No Outono de 1991, menos de um ano antes da sua chegada ao poder, conquistou assim as boas graças do presidente do sindicato dos jornalistas, o Sr. Melhem Karam, um homem sem preocupações financeiras, proprietário de um importante grupo de imprensa que incluía uma conceituada publicação francófona, «La Revue du Liban», e, além disso, patrão inamovível do sindicato há quarenta anos.

Numa operação de relações públicas dirigida directamente aos jornalistas libaneses, não hesitou, também, em fretar um avião especial para a cobertura da primeira visita pós-guerra do presidente libanês à França, Elias Hraoui, no Outono de 1991, oferecendo às suas custas uma festa aos cerca de sessenta correspondentes que acorreram a Paris para a ocasião. Homem de poder e, sobretudo, de plenos poderes, Hariri não tolerava a menor contestação. A discordância era-lhe insuportável ao extremo, tal como as observações duvidosas ou, mais simplesmente, interrogativas.

Quer se goste ou não, através da sedução ou da coação, do dinheiro ou da violência, Hariri construiu assim, ao longo de 15 anos, um verdadeiro império mediático, apoiado por uma plêiade de escribas aduladores, para sua maior glória e a dos seus projectos. Muitos jornalistas sucumbiram às seduções materiais por necessidade de sobrevivência num país exangue, ou mais simplesmente para satisfazer uma vaidosa sede de reconhecimento social que os fastos do poder geram.

Fazer uma peregrinação diária ao City Café de Beirute, ao pé da residência do primeiro-ministro, e exibir-se na companhia do porta-voz e distribuidor da maná haririana, Nihad Machnouk, constituía então um ritual da mais alta elegância, o cúmulo da consagração profissional e da consideração social durante o mandato de Hariri.Na altura da sua morte, Rafik Hariri encontrava-se, após vinte e cinco anos de vida política, à frente de um sistema multimédia composto por seis vectores, incluindo um canal de televisão, uma estação de rádio e ligações a seis grandes publicações libanesas. Como sinal de ecumenismo ou oportunismo, o recrutamento de uma coorte de cerca de uma centena de jornalistas heterogéneos abrange toda a gama de sensibilidades políticas libanesas e árabes, desde antigos militantes comunistas até milicianos das forças libanesas.

Para além da Radio-Orient, que assumiu na véspera da sua chegada ao poder em 1992, Hariri fundou um canal de televisão "Al-Mostaqbal", que significa "O Futuro", um título que anuncia o seu projecto político futurista. Comprou a revista com o mesmo nome "Al-Mostaqbal", publicada durante muito tempo em Paris por nacionalistas árabes que lutavam contra o colonialismo, antes de fundar um partido político com o mesmo nome cuja direcção confiou a um antigo líder comunista, Mohamad Kichleh.

Rádio Orient, uma bandeira de conveniência numa zona sem lei

Primeira rádio comunitária de língua árabe da Europa continental e, devido à sua localização, a primeira rádio de língua árabe da Europa, a Radio-Orient, a transmitir a partir de Paris, meio de comunicação offshore por excelência, constituiu durante muito tempo um pavilhão de conveniência numa zona de impunidade, um resumo da história da comunicação e das relações triangulares de subordinação entre Paris, as monarquias petrolíferas do Golfo e o bilionário libanês-saudita.

A Radio Orient assegurava assim a retransmissão da oração de sexta-feira em directo de Meca, incluindo o sermão do pregador do islamismo rigorista wahabita, destinado ao seu público muçulmano em França; um privilégio exorbitante, incompatível com o princípio da laicidade que rege a vida pública do único país do mundo que se reivindica deste princípio.

Sem se preocuparem com considerações morais, os países ocidentais há muito que tinham cedido aos encantos discretos dos petrodólares e, por uma mão-cheia de dólares, tinham vendido a sua alma.

Sobre este ponto, veja este link: https://www.madaniya.info/2018/02/02/europe-islam-djihad-pour-une-poignee-de-petrodollars-l-europe-a-vendu-son-ame-1-2

No entanto, a batalha no plano simbólico não terminará aqui. Rafic Hariri ocupará as primeiras páginas dos principais jornais libaneses que marcaram gerações de militantes nacionalistas no último quarto do século XX: «Saout Al-Ourouba», a voz do arabismo, órgão do partido Najjadé de Adnane Hakim, jornal mítico da juventude muçulmana de Beirute, cujo lema «o petróleo dos árabes deve voltar para os árabes» soava como uma repulsa à política energética dos amigos de Hariri, os monarcas petrolíferos do Golfo pró-americanos. O bilionário libanês-saudita também se apoderará do jornal «Al-Hoda» e de um diário de língua francesa, «Le Matin».

Estes três títulos não são publicados, mas constituem uma espécie de reserva estratégica. A sua colocação em circulação deveria ser decidida em função das necessidades da sua política, nomeadamente na hipótese de se impor a necessidade de ampliar o seu poder de fogo face aos seus detractores ou ainda para agraciar com uma sinecura um servo zeloso distinguido com o cobiçado título de director de jornal. Para além da satisfação de um clientelismo de boa qualidade, a posse de uma licença de um jornal de língua francesa respondia, no entanto, a um objectivo eminentemente político: fazer pesar o risco de concorrência sobre o «Orient-Le Jour», num mercado exíguo, e levá-lo a transigir.

Este jornal, com uma tiragem modesta que nada tem a ver com a sua notoriedade, considera-se o grande diário francófono do Líbano e de todo o Oriente Árabe. Nessa qualidade, beneficiou durante muito tempo de uma subvenção dissimulada da França, sob a forma de fornecimento gratuito de papel de jornal, a título de apoio à Francofonia. «Le Matin», trunfo secreto de Rafic Hariri, bem como o isco que representava o apoio de Hariri à candidatura presidencial do director do jornal, Michel Eddé, eterno candidato à magistratura suprema, será, na verdade, o seu principal argumento para obrigar a burguesia empresarial cristã francófona e francófila a selar uma parceria política e eleitoral com o bilionário libanês-saudita e a entronizá-lo no círculo político.

Sempre no plano simbólico e, sem dúvida, por inclinação para os seus amores de juventude, o movimento dos nacionalistas árabes de Georges Habbache, de quem foi simpatizante em Saida (Sul do Líbano), contribuirá para a aquisição, por um dos seus próximos, o Sr. Abdel Karim Khalil, da revista «Al-Hadaf», porta-voz da organização marxista da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), durante muito tempo dirigida por um dos líderes palestinianos mais mediáticos, o poeta Ghassane Kanafani. Mesmo o prestigiado jornal «Al-Nahar», há muito porta-voz da intelectualidade árabe liberal, não resistiu à atracção de Hariri.

Artífice da revolução editorial que deu origem ao jornalismo árabe moderno na década de 1960, o proprietário do «Al-Nahar», Ghassane Tuéni, antigo conselheiro diplomático do presidente Amine Gemayel, será sócio de Hariri, assim como o seu cunhado, Marwane Hamadé, um dos membros mais activos dos governos Hariri.

Em 2002, no entanto, Hariri cedeu as suas participações no «Al-Nahar» ao príncipe libanês-saudita Walid Ben Talal, que lhe disputava a liderança sunita de Beirute devido à sua filiação com o antigo primeiro-ministro e pai da independência libanesa, Riad el-Solh.

Outros títulos gloriosos da imprensa libanesa, que foram na sua época porta-vozes da coligação palestino-progressista durante a guerra do Líbano, mostraram-se posteriormente receptivos às suas tentativas de sedução e a subsídios mais ou menos directos, nomeadamente o «Al-Charq» e o «Al-Liwa».

Procurando, sem dúvida, neutralizar as oposições, o antigo primeiro-ministro alargou o seu alcance, como atesta o organograma do seu império mediático.

Os nomes das grandes famílias muçulmanas figuravam ali ao lado de antigos membros das Forças Libanesas (milícias cristãs), como Rima Torbey, ou de antigos militantes marxistas, como Nassir al-Assaad e Tony Francis. No topo da pirâmide encontravam-se, no entanto, os representantes da alta burguesia muçulmana, nomeadamente Assaad Mokaddem, antigo diplomata na Liga Árabe, e Mohamad Al-Samak, veterano do jornalismo pró-saudita, antigo conselheiro político do ex-primeiro-ministro Saëb Salam e membro do diálogo islâmico-cristão, bem como Nihad Al-Machnouk, sobrinho de um antigo líder nacionalista de Beirute, ou ainda Nadim Al-Mounla, presidente da «Future T.V.».

Este canal serve de ponto de chegada para antigos militantes reconvertidos ao realismo político, como Paul Chaoul, e para antigos sindicalistas, como Issam Jurdi, sem falar no cargo de porta-voz da SOLIDERE, que se pretendia a montra do império imobiliário de Hariri, que ele confiará, paradoxalmente, a um jornalista com um percurso conturbado, Rached Fayed, de quem, no entanto, o afastou quando o jornal «Le Monde» denunciou, num artigo estrondoso publicado em Julho de 1998, «as estupidezes forçadas dos visitantes de todos os quadrantes» registadas no boletim trimestral do grupo Solidere, numa altura em que o Líbano enfrentava «uma catástrofe patrimonial num contexto de especulação e de dinheiro branqueado».

Da Télé Liban ao canal «Al-Mostaqbal»: da pilhagem ao mecenato

Num país atingido pela amnésia na sequência de quinze anos de guerra entre facções (1975-1990), cujos arquivos nacionais foram saqueados — quer se trate do Museu Nacional, da Biblioteca da Universidade Libanesa ou mesmo dos arquivos da Segurança Geral —, os centros de documentação dos órgãos de imprensa tornaram-se o local privilegiado para a preservação da memória.

Amputado da sua segunda metade por quinze anos de guerra, o libanês viveu a guerra numa espécie de amnésia parcial, amnésico da outra metade do Líbano, amnésico do passado do Líbano, amputado daquilo que constituía a sua consciência nacional.

Promovidos ao estatuto de memória viva do Líbano, os jornais, nomeadamente os mais antigos e os mais bem estruturados, como o «An-Nahar» da família Tuéni e o grupo «As-Sayyad» de Saîd Freyha, publicaram, no final da guerra, luxuosos álbuns fotográficos, muitas vezes de qualidade, de tom nostálgico, com alcance pedagógico e finalidade mercantil, numa operação que pode resumir-se nesta fórmula: a lacrimalidade memorial ao serviço da caixa registadora de jornais, muitas vezes à beira da apoplexia financeira.

O acervo documental da Télé-Liban, o maior arquivo áudio-visual de um dos meios de comunicação mais antigos do Médio Oriente, constituía, nesse sentido, um verdadeiro tesouro de guerra. Hariri apoderou-se desse espólio, deitando assim a mão a um importante património documental (imagens e som), histórico e afectivo, da nostalgia libanesa do período pré-guerra.

O bilionário adquiriu 49% das acções da Télé-Liban, a televisão oficial libanesa, pelo valor de cinco milhões de dólares.

Dispôs assim, durante três anos, de uma tribuna duplamente oficial, na qualidade de chefe do governo e de empresário, accionista principal da televisão pública. Mas, para além desta infeliz confusão de papéis nos seus aspectos políticos e mediáticos, o caso revelou-se uma lucrativa operação comercial. O chefe do governo manteve, de facto, a sua presa durante o tempo necessário à duplicação dos arquivos da televisão pública libanesa, antes de a devolver, como generoso mecenas, ao Estado, poupando-se, sob o pretexto da beneficência, ao pagamento de substanciais direitos de autor.

Perante a pressão parlamentar, o Sr. Hariri teve de devolver ao Estado a sua participação pelo valor de oito milhões de dólares, embolsando, de passagem, uma mais-valia de três milhões de dólares, com a vantagem adicional de ficar com todo o acervo documental deste canal, que os seus colaboradores duplicaram durante os três anos em que o seu patrão foi o proprietário.

Uma verdadeira arte da dissimulação, a pilhagem disfarçada de mecenato: antes de ser adquirida por Hariri, a Télé Liban detinha o monopólio exclusivo da transmissão até ao ano de 2012. Após a revenda das suas acções, a televisão pública perdeu os dois trunfos que constituíam a sua força: o monopólio da transmissão e o monopólio documental, dos quais está agora privada.

A reprodução gratuita, em nome do seu novo canal privado Future TV, do valioso acervo de arquivos do Médio Oriente constituído por trinta anos de actividades televisivas privou, além disso, a Télé-Liban de receitas substanciais a título de direitos de retransmissão.

Seja como for, a proeminência financeira e mediática do bilionário libanês-saudita, bem como o comportamento evasivo do seu sucessor, o seu filho mais novo Saad, durante a guerra destrutiva de Israel contra o Líbano, em 2006, que lhe valeu a alcunha de «escondido» de Beirute, serão, no entanto, de pouco peso face à contestação dos seus adversários, os meios de comunicação que gravitam na órbita do Hezbollah, cuja credibilidade retira a sua força da fiabilidade do seu líder, Hassan Nasrallah, artífice de duas gloriosas vitórias contra Israel, a retirada militar israelita do sul do Líbano, em 2000, e a sua resposta balística vitoriosa no interior estratégico de Israel durante a guerra de 2006, bem como «Al Mayadeen», o canal fundado por Ghassane Ben Jeddo, um jornalista libanês-tunisino, constituído por dissidentes do canal do Qatar «Al Jazeera».

 

Fonte: Radio Orient, fleuron de l’empire du clan Hariri, sous contrôle d’un holding des Émirats Arabes Unis – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




A guerra contra o Irão. O Irão terá de lançar o ataque para evitar a armadilha do falso "cessar-fogo israelita"!

 


A guerra contra o Irão. O Irão terá de lançar o ataque para evitar a armadilha do falso "cessar-fogo israelita"!

9 de Junho de 2026 Robert Bibeau



Por Moon of Alabama – 5 de Junho de 2026

Uma táctica típica dos EUA contra um alvo estratégico é "ferver o sapo" aumentando lentamente a temperatura da água onde está localizado. O conflito na Ucrânia é um bom exemplo. Os ataques contra a Rússia, liderados pela CIA, estão a intensificar-se gradualmente, enquanto a Rússia se mostra relutante em adoptar medidas de dissuasão mais rigorosas.

A actual guerra contra o Irão é outro exemplo. Os EUA insistem num cessar-fogo enquanto tentam corroer a resiliência do Irão estrangulando-o economicamente.

A principal arma do Irão, o bloqueio ao Estreito de Ormuz, precisará de mais um ou dois meses para concretizar plenamente o efeito pretendido sobre os EUA e a economia mundial. Entretanto, os EUA tentam desgastar o Irão com diplomacia desonesta, medidas económicas (o seu bloqueio) e ataques pontuais.

Mas o Irão está bem ciente desta táctica. Decidiu evitar esta armadilha do cessar-fogo escalando gradualmente:

Os EUA e Israel estão a usar este período [de cessar-fogo] para remodelar as realidades no terreno, enfraquecer a influência do Irão e chegar a uma mesa de negociações onde a posição de Teerão já foi silenciosamente corroída. Esta percepção reforça aqueles dentro da República Islâmica que argumentam que a contenção diplomática, nas condições actuais, tem os seus próprios custos estratégicos.

O atraso na finalização do Memorando de entendimento é cada vez mais interpretado como intencional em vez de procedimental e como uma tentativa dos Estados Unidos de usar o desgaste do tempo como instrumento estratégico. A preocupação é que cada semana de cessar-fogo, com a pressão militar e económica dos EUA a continuar sem abrandar e a contenção iraniana a não produzir concessões recíprocas, represente uma clara erosão da posição que Teerão acredita ter assegurado durante os quarenta dias de combates activos.

O Irão decidiu responder a esta táctica de "ferver o sapo" aumentando o custo de qualquer ataque dos EUA. Já não responde golpe por golpe. Cada ataque americano é respondido com uma retaliação mais forte e contra mais alvos. Como relata Rob Campbell sobre o confronto de 2 de Junho:

Tarde da noite, os americanos atacaram um petroleiro iraniano e os iranianos retaliaram com um ataque a um navio dos EUA. Os americanos também atacaram a torre de controlo na Ilha Qeshm e os iranianos responderam com ataques às bases norte-americanas do Kuwait em Ali Al-Salem e Arifjan e à base da Quinta Frota. O Bahrein também foi atacado e o seu espaço aéreo encerrado a todo o tráfego. Afirma-se que 136 drones Shahed foram vistos sobre o Kuwait enquanto graves danos foram causados ao único aeroporto internacional do Kuwait que estava encerrado.

Imagens de satélite mostram danos no hangar que albergava drones e aviões na base aérea de Ali al-Salem, no Kuwait,

Os iranianos também atacaram a sede do grupo separatista curdo em Erbil (Curdistão iraquiano).

O Irão avisou os americanos de que responderão a futuros ataques com maior intensidade. E parece que o estão a fazer.

Esta intensidade aumentada é concebida para evitar a armadilha:

À medida que a pressão económica aumenta, Israel continua a sua campanha contra o Hezbollah e Washington trabalha para reduzir a importância estratégica de Ormuz antes de chegar a um acordo, cada vez mais vozes dentro da República Islâmica chegam à conclusão de que a alavancagem deve ser activamente defendida antes de poder ser negociada de forma significativa.

O Irão quer um acordo com os Estados Unidos, mas também espera e está a preparar-se para uma nova ronda de guerras. Por razões políticas, o Presidente Trump está a tentar, por agora, evitar tanto um acordo com o Irão como a retoma dos combates. Continua a ignorar a escalada iraniana. Mas terá de responder (arquivo) se começar a custar a morte de soldados americanos:

O Presidente Trump disse em privado aos seus assessores que consideraria terminar o cessar-fogo com o Irão se Teerão matar tropas americanas, disseram responsáveis norte-americanos, insistindo que a pausa de uma semana nos ataques aéreos se mantém intacta apesar de um fluxo constante de escaramuças violentas.

A relutância do presidente em reacender a guerra sugere que poderá estar disposto a suportar pequenos surtos durante semanas — ou até meses — para evitar um conflito mais amplo no Médio Oriente.

Trump está a seguir o conselho de lobistas israelitas que o instam (arquivo) a esperar agora e atacar o Irão mais tarde:

Mark Dubowitz, da Foundation for Defense of Democracies (sic), argumentou que Trump deveria usar o cessar-fogo para pôr a economia dos EUA de volta nos eixos, e só mais tarde, no Outono, para "começar a pensar em retomar grandes operações militares, mas não o fazer antes das eleições intercalares, quando as repercussões poderiam ser muito difíceis para ele politicamente."

O Irão está bem ciente do dilema actual de Trump. É do seu interesse manter o conflito quente em vez de o deixar acalmar agora para que rebente mais tarde. O aumento da gravidade dos seus ataques (retaliativos) contra activos norte-americanos continuará, portanto:

A marinha iraniana afirmou que disparou mísseis de alerta e drones contra navios de guerra norte-americanos no Golfo de Omã na sexta-feira.

Ele acusou a Marinha dos EUA de assediar o tráfego marítimo e de apreender navios comerciais e petroleiros, segundo os meios de comunicação estatais iranianos.

Até agora, o Irão só tinha atacado activos terrestres dos EUA na região do Golfo. Estes ataques causaram danos graves, mas poucas baixas. Até agora, o Irão tinha evitado ataques a navios de guerra, pois tais ataques tendem a resultar em mais mortes e feridos.

Mas manter Trump envolvido exigirá medidas mais sérias. O Irão terá de aumentar a sua influência antes que o tempo comece a corroê-la.

Os "mísseis de aviso" contra navios de guerra americanos são um gesto de escalada. Mas ainda não são suficientes para mover Trump.

Daqui a um ou dois dias, um dos mísseis de "aviso" provavelmente atingirá o seu alvo.

Moon of Alabama

Traduzido por Wayan, revisto por Hervé, para o Saker Francophone. Sobre a Guerra Contra o Irão. O Irão terá de lançar o ataque para evitar a armadilha do cessar-fogo | O Saker franccophone

 

Fonte: La guerre contre l’Iran. L’Iran devra lancer l’attaque pour éviter le piège du « cessez-le-feu israélien » bidon! – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




segunda-feira, 8 de junho de 2026

O tempo dos Maasai de Ngorongoro está contado

 


O tempo dos Maasai de Ngorongoro está contado

8 de Junho de 2026 do

https://mai68.org/spip3/spip.php?article7067


Durante anos, o governo tanzaniano os tem atacado: as suas casas são incendiadas, aldeias inteiras despejadas para dar lugar à caça ao elefante e ao turismo de luxo.

Agora, duas novas comissões presidenciais estão abertamente a incentivar despejos em larga escala, e milhares de famílias poderão perder o acesso à água, cuidados médicos e pastagens nas próximas semanas.

Os Maasai não vivem apenas na Área de Conservação de Ngorongoro: o seu modo de vida está profundamente ligado ao ambiente da região, às savanas, aos rios e às Grandes Planícies. Eles têm protegido esta terra há gerações. É por isso que a fauna é tão abundante e os elefantes vêm dar à luz. E é precisamente por isso que o governo quer tomar conta desta terra: para facilitar a caça a troféus.

Não podemos ficar parados sem fazer nada.

Os membros da Avaaz financiaram a totalidade dos custos de um processo judicial crucial que tinha conseguido bloquear os despejos em massa. Mas o Estado tanzaniano está mais determinado do que nunca. Os anciãos Maasai precisam do nosso apoio porque simplesmente não podem pagar batalhas legais dispendiosas, e o tempo está a esgotar-se.

Juntos, poderíamos financiar uma equipa de advogados especialistas para tentar parar os despejos, proteger as famílias Maasai em risco e apoiar projectos de conservação da vida selvagem Maasai. A sua doação também ajudará a expandir as campanhas da Avaaz para os Povos Indígenas em todo o mundo, incluindo na Amazónia, onde apoiamos as suas lutas pelos direitos sobre as suas terras.



Os elefantes ainda vêm à savana Maasai na Tanzânia para dar à luz os seus filhotes. Mas hoje, a Tanzânia quer abrir estas terras à caça e ao turismo de luxo. Os anciãos Maasai pedem-nos que os apoiemos rapidamente.

Esta angariação de fundos não serve apenas para prevenir despejos. O objectivo é proteger as últimas áreas verdadeiramente selvagens do planeta e apoiar os homens e mulheres que as preservam.

Desde as planícies do país Maasai na África Oriental até à floresta amazónica e à Bacia do Congo, os povos indígenas têm protegido as áreas mais bio-diversas do planeta há gerações. Os estudos seguem-se e são semelhantes: quando mantêm o controlo da sua terra, a fauna e a flora são mais abundantes, os eco-sistemas mais saudáveis e a sua destruição abranda consideravelmente.

É por isso que este trabalho é essencial.

Ao doar hoje, está a ajudar a Avaaz a trabalhar com os Povos Indígenas para defender os guardiões dos eco-sistemas mais preciosos do planeta. Se angariarmos fundos suficientes, poderemos:

·         Financiar a defesa legal dos Maasai apoiando a investigação, a recolha de provas e uma equipa jurídica que defenda os Maasai contra despejos em tribunal

·         Apoiar projectos pioneiros de conservação Maasai que protejam eco-sistemas críticos e mostrar que Maasai e vida selvagem podem co-existir

·         Alcançando vitórias históricas nos direitos sobre a terra através de reuniões lideradas por indígenas, defesa legal, mobilizações públicas e acções mediáticas

·         Criar um fundo de emergência para apoiar figuras indígenas que defendem os rios, recifes e florestas tropicais do mundo

·         A Avaaz lidera campanhas ambiciosas ao lado das comunidades indígenas para proteger eco-sistemas críticos e o equilíbrio da vida na Terra.

Por isso, dê o que puder sem demora:

https://secure.avaaz.org/fr/campaig...

Sabemos que os Maasai podem vencer. Bloqueámos uma vaga massiva de despejos e financiámos um modelo de conservação que prova que a vida selvagem e os humanos podem prosperar co-existindo. Tudo o que a Avaaz faz é possível graças a milhões de pessoas em todo o mundo. Continuemos a lutar juntos pela justiça e pela responsabilidade colectiva, para perpetuar o bem-estar na Terra e as memórias que ela guarda.

Com esperança e solidariedade,
Adela, Mike, Marigona, Kaitlin e toda a equipa Avaaz

Porque é que o teu apoio é importante, neste momento

Os Maasai defendem uma das últimas grandes savanas do planeta, onde a vida selvagem é abundante graças ao cuidado que têm em conservar estas terras. Ao apoiá-los, estamos a ajudar a proteger estas paisagens vivas da caça a troféus, expropriações e projectos destrutivos.

Membros da Avaaz já financiaram grandes vitórias legais contra despejos em larga escala em Ngorongoro, permitindo que milhares de famílias Maasai permaneçam nas suas terras. As vossas doações ajudaram a financiar acções legais estratégicas para defender os Maasai contra prisões arbitrárias, criminalização e expropriação. Também reforçaram o reconhecimento dos direitos dos povos indígenas na Tanzânia. Mas o governo está a renovar os seus ataques, cada vez mais determinado. A nossa mobilização é mais necessária do que nunca.

Esta campanha faz parte do trabalho mais amplo da Avaaz com os Povos Indígenas em todo o mundo. Quando perdem as suas terras, as florestas são devastadas, os rios poluídos e os eco-sistemas frágeis ficam entregues à mineração, perfuração e projectos destrutivos de grande escala. Ao ajudar estes povos a ver os seus direitos reconhecidos, estamos a proteger as regiões mais vibrantes e bio-diversas do planeta.

Vamos apoiar estes activistas que defendem o planeta. Doe o que puder:

https://secure.avaaz.org/fr/campaigns/launch_maasai_support_3b_loc/

Tudo de bom para vós,

do

http://mai68.org/spip3


Os Maasai da Tanzânia estão a ser expulsos das suas terras ancestrais – as tácticas empregues pelo governo

https://theconversation.com/tanzanias-maasai-are-being-forced-off-their-ancestral-land-the-tactics-the-government-uses-247349

Publicado a 16 de Janeiro de 2025 às 15:03 CET

Hugh Sitton/Getty Images


A Tanzânia tem uma longa e preocupante história de expulsão de comunidades das suas terras. Estes despejos ocorreram sob o pretexto da expansão das áreas protegidas, que cobrem mais de 40% do seu território.

Nos últimos anos, os Maasai no distrito de Ngorongoro – uma área conhecida pela sua abundante vida selvagem e pela icónica Cratera de Ngorongoro – têm sido alvo desses despejos. O seu estilo de vida nómada, centrado na criação de animais, está ameaçado.

O governo afirma que os despejos são necessários para proteger o ambiente de uma grande população Maasai. Actualmente, cerca de 100.000 Maasai vivem na área protegida.

Na realidade, porém, o direito dos Maasai de usar a terra está a ser espezinhado pelo governo. Estas terras são depois arrendadas para desenvolver um lucrativo turismo de vida selvagem e zonas de caça de luxo. O turismo, focado principalmente na vida selvagem, representa mais de 17% do PIB do país.

Os despejos tornaram-se mais frequentes, violentos e generalizados sob a presidência de Samia Suluhu Hassan, que chegou ao poder em 2021. Nos últimos anos, os Maasai têm sido alvo de tiroteios, detenções e maus-tratos por parte das forças governamentais. Estas acções provocaram indignação nas comunidades locais, activistas e académicos.


Membros da Maa Unity Agenda protestam em Nairobi, condenando o despejo forçado da comunidade Loliondo Ngorongoro Maa pelo governo tanzaniano a 17 de Junho de 2022. Foto de Tony KARUMBA/AFP via Getty Images

Entre essas vozes está a de Maria Tsehai, uma destacada activista tanzaniana, que foi recentemente raptada e depois libertada em Nairobi, no Quénia. O seu rapto – provavelmente ligado à repressão mais ampla contra os opositores do governo tanzaniano – evidenciou a repressão contra aqueles que se opõem às políticas de deslocamento das comunidades Maasai.

Tenho realizado investigação há vários anos sobre políticas e práticas de conservação na África Oriental, particularmente na Tanzânia.

Num artigo publicado em 2022, analisei como as autoridades tanzanianas, em colaboração com actores internacionais de conservação e turismo, implementaram políticas que obrigam as comunidades Maasai a abandonar as suas terras ancestrais. Estas políticas baseiam-se em planos de gestão de conservação que minam os interesses das comunidades locais e os seus meios de subsistência tradicionais. A capacidade dos Maasai de se sustentarem também é limitada, por exemplo, restringindo o seu acesso a serviços sociais.

Como resultado, quase todos os 100.000 Maasai que vivem na Área de Conservação de Ngorongoro enfrentam pobreza extrema.

Esta pobreza é instrumentalizada para justificar a sua expulsão das terras ancestrais.

Despejos em nome da "conservação"

Quando foi criada no final da década de 1950, a Área de Conservação de Ngorongoro destinava-se tanto a preservar a vida selvagem como a proteger os interesses dos Maasai. Na altura, era o lar de cerca de 8.000 pessoas.

Com o tempo, políticas sucessivas negligenciaram e violaram deliberadamente os interesses da comunidade Maasai. Esta situação já dura há mais de sessenta anos.

Desde 2022, os meios de comunicação locais têm noticiado que aproximadamente 9.778 pessoas foram deslocadas da área de conservação. Mas o objectivo é expulsar a maioria deles a longo prazo.

Organizações internacionais de conservação, como a Sociedade Zoológica de Frankfurt e a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), desempenharam um papel neste processo. Apresentaram narrativas que permitiram ao governo tanzaniano justificar a violação dos direitos Maasai dentro da área de conservação.

O antigo director da Sociedade Zoológica de Frankfurt, Bernhard Grzimek, em particular, fez campanha pela expulsão dos Maasai desde o início da criação da área de conservação.

Nos seus relatórios de avaliação, o Comité do Património Mundial da UNESCO apelou também às autoridades tanzanianas para que "realojem voluntariamente" os residentes, "reforçando os incentivos para a realocação". De facto, a área de conservação é um Património Mundial.

Os intervenientes do turismo também são cúmplices nestas expulsões. Podem perceber os Maasai como um incómodo ou concorrentes por recursos, especialmente água.

Estratégias de movimento

Várias políticas estão a pressionar os Maasai a mudarem-se.

Em primeiro lugar, se as comunidades locais forem autorizadas a viver na área de conservação, essa autorização está legalmente condicionada ao seu estrito cumprimento do pastoreio nómada. Os estilos de vida pastorais são considerados compatíveis com a conservação da vida selvagem. Isto significa que os Maasai só podem permanecer na área como pastores, dependendo da transumância sazonal. Instalações permanentes são largamente proibidas. Estas condições impedem os Maasai de diversificar os seus meios de subsistência para além do gado.

Segundo, embora as autoridades defendam o pastoreio tradicional, estão simultaneamente a enfraquecê-lo. A mobilidade é restringida por lei; por exemplo, os Maasai só podem pastar os seus rebanhos em certas áreas. O acesso a pastagens essenciais da estação seca e pontos de água é limitado. Estes elementos são fundamentais para o pastoreio nómada. Como resultado, a produtividade deste último caiu drasticamente.

Em terceiro lugar, as comunidades Maasai na área de conservação têm sido há muito privadas de serviços sociais, incluindo educação e saúde. Os investimentos do Estado e de outros intervenientes em infraestruturas sociais, como escolas e hospitais, também estão bloqueados.

O empobrecimento dos Maasai, consequência destas políticas, serve de pretexto para a sua expulsão. Mais de 80 por cento da população vive abaixo do limiar da pobreza e quase 74 por cento não têm educação formal. As autoridades afirmam que o reassentamento é do interesse dos Maasai.

Estas tácticas tornaram os Maasai mais vulneráveis ao deslocamento forçado e as suas terras mais fáceis de apropriar. Marginalizados e empobrecidos, muitos Maasai estão a mudar-se por iniciativa própria ou são forçados a um reassentamento "voluntário".

Injustiças de conservação

A desapropriação e os abusos sofridos pelos Maasai e outras comunidades na Tanzânia levantam questões prementes sobre estratégias globais de conservação, poder do Estado e direitos das comunidades locais.

Este fenómeno não é exclusivo da Área de Conservação de Ngorongoro nem da Tanzânia. Apropriações e despejos semelhantes de comunidades marginalizadas, sob o pretexto de proteger a natureza, ocorrem em muitas partes do mundo. Perante a crescente preocupação com a erosão da bio-diversidade, intensificou-se o desejo de expandir as áreas protegidas.

No entanto, estes esforços de conservação frequentemente mascaram relações de poder que resultam na desapropriação de populações vulneráveis. É essencial considerar cuidadosamente a implementação destas políticas a nível local.

Sem transparência e participação significativa das comunidades locais, estas iniciativas correm o risco de perpetuar as desigualdades e a erosão da bio-diversidade que afirmam combater.

Fonte: Le temps des Maasaï du Ngorongoro est compté – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice