Comunicado sobre a guerra no Irão e no Líbano
O brutal ataque americano e israelita ao Irão
e ao Líbano não é senão um novo momento, ou etapa, da dinâmica que leva o mundo
capitalista à guerra imperialista generalizada. Por enquanto, não há nenhum facto
particular que indique nem que seja uma pausa nessa dinâmica mortífera. Após o
massacre dos palestinianos, é o terror que recai sobre as populações civis
iranianas e libanesas. O proletariado no Irão assim como a população é incapaz
de se levantar contra o poder da burguesia iraniana e de ganhar as ruas sob os
bombardeamentos massivos dos americanos. O mesmo acontece no Líbano. Cada um
procura fugir ou proteger-se das bombas. Para já, a China e a Rússia
imperialistas, sendo a primeira o alvo principal que os Estados Unidos têm em
mente quando atacam o Irão, como fizeram ontem com a Venezuela, não podem
reagir directamente e devem suportar os reveses imperialistas que lhes são
impostos. Não há dúvida de que a China será forçada a reagir de uma forma ou de
outra – sem mencionar as potências imperialistas europeias que se tornaram
secundárias. É por isso que dizemos que a guerra actual é um produto e um factor
adicional da corrida para a guerra generalizada.
Os
principais grupos comunistas do campo proletário já tomaram posição exibindo um
internacionalismo proletário mais ou menos afirmado, mas indubitável. Da mesma
forma, excepto o CCI para quem «o
caos vai aumentar [1] », a TCI e o PCI, ao publicarem Le Prolétaire
em francês, indicam claramente as suas posições e análises dos acontecimentos
como «uma nova etapa rumo à guerra capitalista mundial» [2] ». Poderíamos
ter retomado um ou outro. Optámos por retomar o folheto do grupo bordiguista chamado Programma
comunista, que publica em francês os Cahiers
internationalistes. Ele é aquele que
destaca mais claramente – parece-nos – a orientação que os comunistas devem
avançar hoje: a do « derrotismo revolucionário » enquanto « prática de luta que deve partir da constatação de
que, precisamente, o único a ser atacado é o proletariado » e que passa pela recusa « de aceitar sacrifícios económicos e
sociais em nome da economia nacional. » E
da preparação para a guerra generalizada, acrescentaríamos.
É extremamente provável, no entanto, que não
tenhamos a mesma compreensão da própria dinâmica da resposta proletária, aquela
da greve de massas, e não da greve geral que remete à posição anarquista.
Apesar disso, e o que precisa ser verificado, o folheto centra-se na orientação
principal a destacar hoje, aquela que é de facto a chave da situação histórica.
(Traduzimos do italiano)
O
GIGC, 6 de Março de 2026
Contra
as guerras imperialistas, sempre e em todo o lado o derrotismo revolucionário
Sob a
pressão da crise mundial do modo de produção capitalista, a situação no Médio
Oriente torna-se, dia após dia, cada vez mais crítica. A guerra entre Israel e
Estados Unidos e o Irão, qualquer que seja a sua evolução num futuro imediato,
é ao mesmo tempo um sintoma e um factor de aceleração e agravamento.
O Estado de Israel cumpre plenamente a função e o papel que lhe foram
atribuídos, imediatamente após a Segunda Guerra Mundial, pelas potências
imperialistas vencedoras (os Estados Unidos e a URSS à cabeça): a de polícia
armado, pago e apoiado pelos interesses do capitalismo mundial, no coração de
uma região rica em petróleo, gás e outras matérias-primas preciosas, e ponto de
encontro das trocas internacionais. Por seu lado, as burguesias locais (árabes
e outras), laicas ou devotas, corruptas e reaccionárias, receosas face aos
imperialismos mais poderosos, não fizeram e não fazem senão agarrar-se aos
depósitos de ouro negro e seguir o cheiro do dinheiro: dólares, rublos, euros ou ienes,
tanto faz.
No
contexto da crise mundial, todos esses factores apenas lançam as bases de um
conflito inter-imperialista alargado, destinado a desembocar finalmente numa
terceira guerra mundial. Os proletários já são (e serão cada vez mais) as
vítimas destes cenários sangrentos, presentes e futuros. A sobreprodução de
mercadorias e de capitais, típica desta fase imperialista, é na verdade também
uma sobreprodução de seres humanos: vítimas a sacrificar no altar da
preservação a qualquer custo do capitalismo. Os proletários e as massas em
processo de proletarização de Gaza, da Cisjordânia, do Líbano, da Síria, do
Irão, abandonados por todos, traídos por todos, martirizados por todos, e que
além disso estão presos na armadilha infame dos nacionalismos anti-históricos,
sabem-no bem pela sua terrível experiência directa.
E os
proletários dos imperialismos mais poderosos, euro-asiáticos e americanos? Que
ajuda podem dar aos seus irmãos hoje, depois de quase um século de
contra-revolução, democrática ou fascista, que os paralisou na ilusão de que,
afinal, é "o melhor e mais reformável de todos os mundos possíveis"?
Nas guerras imperialistas, ensinou-nos Lenine, não existem "agredidos"
nem "agressores": todos são agressores e há apenas um agredido — o
proletariado mundial.
A
encosta é longa e íngreme para subir, mas não há outro caminho. Os factos materiais
por si mesmos encarregar-se-ão de abalar o muro até aqui compacto que separava
os proletários das principais potências imperialistas dos outros contingentes
de um proletariado em crescimento numérico por todo o mundo. Mas isso não é
suficiente: é necessário que a tomada de consciência da necessidade de passar
para um modo de produção superior volte a emergir, implicando assim o caminho
difícil e longo para lá chegar. Esta é a tarefa principal das vanguardas da
luta, dos revolucionários que não se deixaram enganar pelas mil ilusões
semeadas ao longo de décadas de práticas reformistas e democráticas,
anti-proletárias e contra-revolucionárias.
No
coração desta tarefa colossal encontra-se a reivindicação do derrotismo revolucionário. Não se trata
de uma palavra de ordem, mas de uma
prática de luta que deve partir
da constatação de que, precisamente, o
único a ser atacado é o proletariado: não há «frentes» a escolher, não há
«inimigos principais» ou «amigos privilegiados». É necessário lutar contra
todas as burguesias e os seus Estados, e em primeiro lugar contra a sua própria burguesia e o seu próprio Estado.
Organizar-se
em todos os lugares para uma luta de classes radical contra o Estado
capitalista, as suas instituições e todos os seus partidos! Desenvolver uma
verdadeira luta pela defesa das condições de vida e de trabalho, de forma a dar
um golpe duro aos interesses económicos e políticos da burguesia.
Recusar aceitar sacrifícios económicos e sociais em nome da economia
nacional. Quebrar abertamente a paz social, com um regresso resoluto aos
métodos e objectivos da luta de classes, a única verdadeira solidariedade
internacionalista, tanto nas metrópoles imperialistas como nos subúrbios.
Recusar qualquer apoio cúmplice (nacionalista, religioso, patriótico,
mercenário, humanitário, socializador, pacifista...) em favor de um ou outro
dos estados ou frentes envolvidos em guerras. Organizar acções de greve
económica e social que conduzam a greves gerais reais para paralisar a vida
nacional e abrir caminho a greves políticas, provavelmente para abrandar e
impedir qualquer mobilização e propaganda de guerra.
Só
será possível preparar-nos para acções abertamente anti-militaristas e
derrotistas anti-patrióticas se as vanguardas de luta da nossa classe se
organizarem em torno destes temas (e não apenas em torno das questões
sindicais, ambientais, sociais, etc., certamente necessárias, mas limitadas) e
se juntarem e reforçarem o partido da revolução comunista. Noutras palavras:
Deixar
que o seu próprio Estado e os seus aliados sejam derrotados, desobedecer de
forma organizada às hierarquias militares, fraternizar com os nossos irmãos de
classe (eles também presos na sua « pátria »), segurar firmemente as armas e os
sistemas de armamento para se defender em primeiro lugar, e depois libertar-se
dos tentáculos das instituições burguesas: transformar a guerra entre Estados
em guerra dentro dos Estados, em guerra civil, em guerra revolucionária.
São os próprios factos da
realidade capitalista actual que gritam tragicamente a urgência deste trabalho
e a necessidade desta perspectiva.
Partido
comunista internacional – Programa comunista, Cahiers internationalistes,
28/2/2026
internationalcommunistparty.org/index.php/fr
Este comunicado foi
traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice


