quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Carta Aberta aos jovens da Federação dos Estudantes Marxistas-Leninistas

 


Carta Aberta aos jovens da Federação dos Estudantes Marxistas-Leninistas

1.      A provar que o PCTP/MRPP é, definitivamente, um grupelho contra-revolucionário, oportunista e revisionista, atente-se no “mural” que foi colocado por detrás da mesa que presidiu ao Encontro Nacional da Federação dos Estudantes Marxistas-Leninistas (FEML), encontro que se realizou no Anfiteatro 3 da Faculdade de Direito de Lisboa, no passado dia 4 de Setembro do corrente. Nele surgem as figuras de Marx, Engels, Lenine, Estaline e Mao Tse-tung.

 

2.      Nas laterais do supracitado “mural” foram colocadas imagens de dois mártires da luta pelo comunismo – Ribeiro Santos e Alexandrino Sousa -, o primeiro assassinado em 1973 pela PIDE/DGS, com a prestimosa colaboração dos revisionistas do PCP que lhes apontaram o alvo, e o segundo, logo após o 25 de Abril de 1974, pela mão da nova PIDE – a UDPide -, os neo-revisionistas que agora voltaram a dirigir esse destroço político oportunista e reaccionário que dá pelo nome de Bloco de “Esquerda”!

 

3.      Mas, vamos ao que interessa! A juventude representada na foto que se publica não se pode escudar atrás da sua falta de experiência histórica e na fragilidade do seu conhecimento ideológico, nem mesmo vir a escudar-se atrás do argumento de que terá sido iludida pelo Comité Central do PCTP/MRPP – partido que a FEML integra -, um coito de oportunistas, contra-revolucionários e revisionistas que trai, todos os dias, a memória do seu fundador e seu 1º Secretário-Geral, o nosso querido e saudoso camarada ARNALDO MATOS, um revolucionário comunista internacionalista, um revolucionário com dignidade e coragem para fazer da auto-crítica uma arma de transformação e acção revolucionárias. Auto-crítica do seu percurso político plasmada,entre outros documentos, na sua intervenção no 1º de Maio Vermelho de 2018 e nas “Teses da Urgeiriça”!

 

4.      Documentos que, pelos vistos, ou não serão do conhecimento destes jovens ou as sessões de estudo, como sempre foi apanágio dos oportunistas que hoje controlam a direcção do PCTP/MRPP, são boicotadas ou de tal forma acríticas e enfadonhas, que não os deixam perceber o que neles se transmite e propõe. Porque se tivessem estudado, debatido, compreendido as teses que o camarada defendeu nesses dois documentos – e não foram os únicos -, teriam percebido que a única MATRIZ IDEOLÓGICA aceitável para os comunistas, internacionalistas e revolucionários, hoje como sempre, será o MARXISMO!

 

5.      É por isso que, na sua intervenção no 1º de Maio Vermelho de 2018 (existem 2 documentos, um da intervenção propriamente dita e outro do debate que se lhe seguiu, igualmente rico e dinâmico), o camarada Arnaldo Matos afirmava com grande vigor revolucionário – como foi sempre seu timbre – que “a nossa estratégia é o MARXISMO e a nossa táctica transformar a guerra imperialista em Guerra Cívil Revolucionária”!

 

6.      O legado que o camarada Arnaldo Matos nos deixou, sobretudo os plasmados nos dois documentos acima mencionados, são de uma importância determinante para se compreender os desvios que levaram à derrota da Revolução de Outubro de 1917 e à Revolução da Primavera Chinesa de 1949, e porque é que o “mural” que representava Marx, Engels, Lenine, Estaline e Mao contraria, em absoluto, o que o camarada Arnaldo Matos defendia.

 

7.      São determinantes para se perceber a traição de Estaline – não de Lenine – quando defendia a tese do “socialismo num só país” ou a degeneração da III Internacional quando tentou impor ao movimento comunista internacional a “Frente Unida” com as burguesias nacionais de cada país para enfrentar o fascismo, ou ainda quando Mao, com a sua “teoria das 3 contradições”, advogava que os comunistas deviam apoiar as lutas pela “independência nacional” que, na prática, resultaram em atribuir à classe operária o papel de “carne para canhão” da luta entre facções burguesas ( a colonial e imperialista e a que pretendia “autonomizar-se”).

 

8.      Se estes jovens confiassem mais no marxismo, se envolvessem mais na luta de classes, perceberiam que a actual direcção do PCTP/MRPP, para além de não perceber nada do que o camarada Arnaldo Matos nos legou ou, pior ainda, trairem o seu legado, boicotam – como sempre o fizeram no passado – o estudo criterioso do marxismo, das “TESES DA URGEIRIÇA”, da sua “Intervenção no 1º de Maio de 2018” que esteve na origem do PLANO DE ACÇÃO, amplamente discutido, debatido e aprovado por unanimidade no I CONGRESSO EXTRAORDINÁRIO DO PCTP/MRPP, que teve lugar no Hotel Mundial, em Lisboa, entre os dias 18 e 19 de Setembro, congresso que essa camarilha tentou – sem sucesso - denodadamente boicotar. Este foi o último evento onde ainda se vislumbrava a possibilidade da corrente marxista, internacionalista, preponderar no seio do Partido.

 

9.      Como diria o camarada Arnaldo Matos:

“REVOLTEM-SE PORRA!”

               E corram com a canalha oportunista e contra-revolucionária que usurpou a  

                 Direcção do PCTP/MRPP!

Sejam dignos herdeiros dos camaradas Ribeiro Santos e Alexandrino Sousa!

 

Luis Júdice

Setembro de 2026

 

Nota de rodapé : Qualquer jovem camarada ao qual não seja dado acesso aos documentos que acima menciono poderão solicitar-me o envio dos mesmos por mensagem interna do meu FB – Luis Júdice


terça-feira, 8 de setembro de 2026

Forjam-se as alianças fratricidas. A Declaração de Bishkek (OCS) e porque é que a assinatura da Índia é importante

 


Forjam-se as alianças fratricidas. A Declaração de Bishkek (OCS) e porque é que a assinatura da Índia é importante

8 de Setembro de 2026 Robert Bibeau


Por Larry C Johnson – 2 de setembro de 2026 – Fonte Filho da nova revolução americana

 


A Organização de Cooperação de Xangai
 encerrou a sua 26.ª Cimeira de Chefes de Estado em Bishkek a 1 de Setembro com uma declaração conjunta – a Declaração de Bishkek – agendada para o 25.º aniversário do bloco e assinada pelos líderes dos dez Estados-membros: Rússia, China, Índia, Paquistão, Irão, Bielorrússia, Uzbequistão, Cazaquistão, Tajiquistão e o país anfitrião, Quirguistão. É um texto de longa data, adoptado juntamente com cerca de 28 outros documentos finais e alterações à Carta da OCS, e a sua linguagem sobre a guerra no Irão é inequívoca. Mas o facto mais importante da declaração não é o que ela diz. O mais importante é quem a assinou. A Índia de Narendra Modi — membro do Quad, parceiro estratégico dos Estados Unidos e um país que a mesma declaração protege implicitamente contra as tarifas de Washington — colocou o seu nome num texto que condena a acção militar dos EUA e de Israel, lamenta a morte do líder supremo iraniano e rejeita a arquitectura de sanções que os Estados Unidos construíram. Esta assinatura é o facto histórico.

O que diz a declaração

Sobre a guerra, a OCS condenou os ataques militares ao território iraniano que, segundo ela, causaram muitas vítimas civis e danos significativos à economia iraniana, classificando estes ataques como violações do direito internacional e da Carta das Nações Unidas que criaram sérios riscos para a paz e segurança internacionais. A organização expressou as suas condolências pela morte do Líder Supremo Seyyed Ali Khamenei, assassinado durante a guerra, reafirmou o seu apoio à soberania e integridade territorial do Irão e apelou à resolução do conflito apenas por meios políticos e diplomáticos. Falou sobre Gaza, reiterando que uma solução abrangente e justa da questão palestiniana é o único caminho para a estabilidade na região.

Quanto às sanções, sem nomear os Estados Unidos, os membros opuseram-se a "medidas coercivas unilaterais" que são incompatíveis com as regras da ONU e da OMC e prejudiciais à economia mundial; linguagem que simultaneamente abrange sanções dos EUA contra o Irão, sanções ocidentais contra a Rússia e pressão aduaneira sobre a Índia. Na questão nuclear, apoiaram directamente a posição do Irão, afirmando o "direito inalienável" de cada membro de usar energia nuclear pacífica e declarando que medidas que restringem esse direito são contrárias ao direito internacional.

O resto é uma estrutura familiar da OCS, mais pesada para este aniversário: um sistema comercial multilateral aberto e não discriminatório; a implementação das estratégias de cooperação económica e energética da OCS até 2030; um esforço para reformar a governação mundial em direcção a uma ordem multipolar que "exclua sistemas baseados em blocos e conflituosos"; o uso responsável da inteligência artificial; e a condenação ritual dos "três males" do terrorismo, separatismo e extremismo, insistindo que os "duplos critérios" na luta contra o terrorismo são inaceitáveis. O Paquistão assumirá a presidência rotativa para 2026-27 e acolherá a cimeira de 2027 em Islamabad.

Do Knesset a Bishkek: A Anatomia de uma Reversão

Interpretar a assinatura da Índia como mera cobertura é subestimá-la. Seis meses antes, Modi tinha colocado firmemente a Índia no campo oposto; e o texto de Bishkek inverte, quase linha por linha, a posição que ele tinha assumido em Fevereiro.

Nos dias 25 e 26 de Fevereiro de 2026, Modi realizou uma visita de Estado a Israel: o primeiro primeiro-ministro indiano a dirigir-se à Knesset, homenageado com a Medalha do Presidente como o primeiro líder estrangeiro a recebê-la, presidindo à elevação da relação Índia-Israel a uma "parceria estratégica especial" com 27 contratos bilaterais e uma via de co-produção de defesa. Dois dias após a sua partida, a 28 de Fevereiro, os Estados Unidos e Israel retomaram a guerra contra o Irão. A resposta da Índia tem sido de silêncio flagrante: não condenou os ataques à soberania iraniana nem apoiou o assassinato do líder supremo iraniano. Nova Deli reduziu o seu financiamento para o porto de Chabahar a zero no orçamento de 2026-27 sob pressão dos Estados Unidos, permitiu o colapso do comércio bilateral com o Irão e ofereceu apenas uma resposta "humanitária" discreta quando uma fragata iraniana que regressava de exercícios conjuntos com a Índia foi afundada perto do Sri Lanka. Os comentadores resumiram o momento em directo; Modi colocou a Índia firmemente no campo israelo-americano, enquanto os críticos indianos chamaram isso de capitulação estratégica. Entre os parceiros da Índia nos BRICS e na OCS, especialmente na Rússia, China e Irão, a mudança despertou uma verdadeira desconfiança.

O que fez a Índia recuar foi o petróleo. A Índia importa cerca de 85% do seu combustível e transporta grande parte do seu crude e GNL através do Estreito de Ormuz. Devido ao muro tarifário de 50% dos EUA – metade do qual foi aplicado explicitamente para punir as compras de crude russo – Nova Deli passou o início de 2026 a reduzir as suas importações russas e a depender dos fornecedores do Golfo, um alinhamento discreto com Washington. A guerra no Irão destruiu este arranjo: a perturbação de Hormuz restringiu os fornecimentos, os preços dispararam, a rupia foi pressionada e Modi foi reduzido a instar os cidadãos a poupar combustível. Com os barris do Golfo a tornarem-se subitamente pouco fiáveis e as tarifas de Washington a tornarem o alinhamento dispendioso, a Índia recorreu ao crude russo com desconto simplesmente por necessidade energética. Como disse um analista, o choque energético alterou os alinhamentos da Índia; a inclinação para Washington deu lugar a um regresso familiar, movido pelo interesse, a Moscovo.

Modi apostava em ambos os cavalos ao mesmo tempo, mas eles colidiram. A influente diáspora indo-americana, que ele cortejou assiduamente, está confortavelmente alinhada com uma postura pró-americana e pró-Israel; por outro lado, há os cerca de dez milhões de indianos que trabalham no Golfo e uma opinião nacional para a qual a imagem da Índia a abraçar Israel, no meio da guerra, se tornou um obstáculo político que a oposição rapidamente utilizou. A segurança energética e a atracção do Golfo e do país prevaleceram.

Deste ponto de vista, a assinatura de Bishkek é a conclusão visível desta inversão em U. A declaração obrigou a Índia a condenar os ataques que se recusara a condenar em Fevereiro e a lamentar o líder supremo que se recusara a lamentar. A assinatura pode, portanto, ser lida menos como uma conversão do que como uma correcção; Um regresso ao centro multi-alinhado movido por interesses após a experiência de seis meses no campo israelo-americano revelou-se demasiado dispendioso.

É aqui que a autonomia estratégica, e não o alinhamento, se torna a única descrição coerente, e esta é uma distinção importante para quem estiver tentado a chamar à OCS uma frente consolidada anti-americana. A Índia tenderá para Washington e Jerusalém quando as condições forem favoráveis e volta-se para Moscovo e para o Sul Global quando a sua energia e posição assim o exigirem, inclinando cada fórum para as suas próprias posições em vez de adoptar o ponto de vista de alguém. Modi passou a cimeira de Bishkek a provar este ponto mesmo enquanto assinava o consenso: exigiu o fim dos "dois pesos e duas medidas" sobre o terrorismo numa linguagem que todos os observadores interpretaram como dirigida ao Paquistão, e depois, sentado à mesma mesa e prestes a assumir a presidência da OCS, ele insistiu que os projectos de conectividade respeitem a soberania e a integridade territorial, a recusa contínua da Índia em aprovar a Rota da Seda chinesa e o seu trajecto que passa por um território reclamado pela Índia; e pediu directamente a Putin para passar de uma guerra sem fim para uma cessação das hostilidades na Ucrânia, em vez de apenas seguir o que Moscovo diz.

E o timing não é incidental. A Índia irá acolher a 18.ª cimeira dos BRICS em Nova Deli nos dias 12 e 13 de Setembro – dez dias após Bishkek – como presidente dos BRICS para 2026, com Putin confirmado e Xi e Pezeshkian esperados. Um líder não pode antagonizar os colegas que está prestes a receber, por isso parte da assinatura de Bishkek é simplesmente a táctica de um apresentador manter a sua posição intacta antecipando a sua própria recepção. No entanto, a Índia tem deliberadamente focado a sua presidência dos BRICS na resiliência e cooperação — um quadro escolhido para se focar no resultado em vez do confronto. Está tudo nesta divisão: a Índia assinou o documento da OCS enquanto deliberadamente distanciava a sua própria cimeira dos BRICS do confronto. A declaração de Nova Deli de 13 de Setembro será o melhor teste para perceber onde a Índia realmente se posiciona e se a correcção iniciada em Bishkek irá durar.

O peso da energia por trás desta afirmação

O comunicado de um bloco vale tanto quanto o poder material que o sustenta, e no petróleo, os dez membros da OCS têm mais peso do que o quadro deste "workshop regional de discussão" sugere. Em conjunto, e usando os números mais recentes de 2026, os Estados-Membros produzem cerca de 21 a 23 milhões de barris por dia de crude e condensado, ou cerca de um quinto da produção mundial. Com uma produção de crude da OPEP de cerca de 27 a 28 milhões de barris por dia, os membros da OCS produzem quase 80 por cento do que todo o cartel da OPEP bombeia.

 


Quatro ressalvas refinam, em vez de suavizar, o quadro. Primeiro, o Irão está em ambas as organizações – é o único país que é simultaneamente membro da OCS e da OPEP – por isso os dois blocos não são claramente separáveis; retirar o Irão para evitar a contagem dupla e a OCS ainda produz cerca de dois terços do volume da OPEP. Em segundo lugar, só a Rússia, com quase 11 milhões de barris por dia, produz cerca de 40% de toda a OPEP combinada e é o centro gravitacional do peso energético da OCS. Em terceiro lugar, os números são invulgarmente baixos este ano porque a guerra reduziu a produção iraniana e estrangulou repetidamente os fluxos do Golfo através de Ormuz – o petróleo bruto e líquidos que transitavam pelo estreito caíram de cerca de 21,6 milhões de barris por dia antes do conflito para menos de 5 milhões no segundo trimestre de 2026 – pelo que a produção regional real ficou muito abaixo da capacidade. Em quarto lugar, e mais revelador, vários dos pesos-pesados da OPEP no Golfo – Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar e Kuwait – não são membros da OCS, mas sim parceiros de diálogo da OCS, atraídos para a órbita da organização desde 2023. O bloco que acabou de defender o Irão e condenou a guerra EUA-Irão está gradualmente a atrair produtores do Golfo dos quais depende a OPEP.

A assimetria mais profunda é que a OPEP é um cartel de abastecimento, enquanto a OCS cobre ambos os lados do mercado petrolífero. Os seus membros incluem não só a Rússia, o Irão e o Cazaquistão no lado da produção, mas também a China e a Índia – o maior e terceiro maior importador mundial de crude – no lado da procura. Nenhum outro agrupamento reúne tanto os vendedores como os maiores compradores de petróleo sob o mesmo tecto, e os compromissos da declaração com uma Estratégia de Cooperação Energética da OCS para 2030, um Consórcio de Energia proposto pela OCS e um acordo alargado em moedas nacionais são os primeiros passos nessa direcção: um bloco produtor-consumidor que, com o tempo, poderia fixar e realizar uma fatia significativa do comércio energético eurasiático fora do dólar e fora do mandato da OPEP. Esta ambição está longe de se concretizar. Mas é o facto material que dá mais peso a um comunicado de aniversário do que o seu estilo padrão sugere.

A Declaração de Bishkek é, à primeira vista, uma declaração previsível das queixas eurasiáticas: condena ataques ao Irão, defende os direitos nucleares do Irão, rejeita as sanções ocidentais, apela a uma ordem multipolar. O que o eleva acima do clássico é a combinação do signatário e da substância por trás dele. A Índia assinou um texto condenando os ataques ao Irão que, aparentemente, se recusara a condenar em Fevereiro, quando Modi estava no Knesset — não porque tenha mudado de lado, mas porque uma inclinação de seis meses para Israel e Washington foi recebida com um choque energético e um muro alfandegário, e o regresso ao centro multi-alinhado tornou-se o caminho racional. Esta linguagem anti-coerção protege agora também a Índia e a cimeira dos BRICS que a Índia deverá acolher dentro de dez dias. E o bloco signatário controla quase quatro quintos da produção petrolífera da OPEP, os dois grandes mercados de importação da Ásia e um número crescente de parceiros de diálogo do Golfo. A retórica da declaração é barata. A energia e o peso demográfico que a sustentam não o são.

Larry C Johnson

Traduzido por Wayan, revisto por Hervé, para o Saker Francophone. A Declaração de Bishkek: O documento que a OCS assinou e porque é que a assinatura da Índia é importante | O Saker francófono

 

Fonte: Les alliances fratricides se forgent. La Déclaration de Bichkek (OCS) et pourquoi la signature de l’Inde est importante – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




Proxys do MI6 e da CIA disputam quem liderará a Ucrânia após o colapso

 


Proxys do MI6 e da CIA disputam quem liderará a Ucrânia após o colapso

8 de Setembro de 2026 Robert Bibeau


Por Moon of Alabama – 4 de Setembro de 2026

A luta pelo futuro da Ucrânia está a intensificar-se.

Não apenas na linha de frente, ou entre centros locais de poder em Kiev, mas também entre os serviços de segurança dos "aliados" anglo-americanos.

Na quarta-feira, ocorreu um tiroteio entre unidades do principal serviço de inteligência (militar) GUR e forças do Serviço de Segurança Interna (SBU) em Kiev.

Esse incidente intrigante tem um contexto multifacetado. Events in Ukraine tenta resumir as razões para isso:

Em primeiro lugar, o antigo conflito entre o SBU e o GRU. Neste caso, trata-se na verdade do SBU e da nova direcção do GRU contra o antigo chefe do GUR, Kirilo Budanov, e as legiões de guerreiros do GUR que permanecem fiéis a Budanov. Do lado do SBU, temos o seu implacável chefe Oleksandr Poklad, também conhecido como «o estrangulador«.

Um segundo conflito surge por trás desse primeiro conflito. Do lado do SBU está o clã no poder de Zelensky, que há muito tempo se sente frustrado com as excessivas ambições de Budanov. O facto de Budanov ainda controlar um exército privado de senhores da guerra ideologicamente fanáticos desagrada ao presidente e à sua corte privada. Budanov também tentou contrariar o plano de Zelensky de nomear o ultra-leal Poklad como chefe de jure do SBU. …

Terceiro e principalmente, os rendimentos. Mais precisamente, a concorrência pelo controle da actividade muito lucrativa dos call centers fraudulentos, que emprega cerca de 60.000 ucranianos e gera 1 mil milhões de dólares por mês. Os europeus pressionaram Zelensky a agir contra esta indústria, que funciona muito claramente com a bênção das agências ucranianas de «aplicação da lei», em particular o GUR e o SBU.

Já houve incidentes semelhantes entre a GUR e a SBU. Um tiroteio envolveu o controlo de um resort de férias de luxo. Outros eram para negócios mais valiosos:

O tiroteio de hoje ocorre justamente no momento em que Zelensky anunciou uma nova lei para combater os call centers fraudulentos. Bem a tempo, porque nos últimos meses houve uma vaga de ataques terroristas e assassinatos em todo o mundo, todos ligados ao GRU e aos seus call centers fraudulentos – tortura e decapitação em Bali, explosões no Mónaco e, pior ainda, europeus burgueses ingénuos roubados das suas poupanças. Constantemente ligado a esta rede transnacional de violência está o estranho grupo de senhores da guerra fanáticos do GRU, bem como chefes de máfia mais tradicionais.

Estas guerras territoriais mafiosas tornaram-se há muito normais na Ucrânia.

Mas, por trás do recente tiroteio, há mais do que um problema de rendimentos financeiros por fraude telefónica.

Como chefe do GUR, Kirilo Budanov tinha-se tornado um concorrente sério para o presidente (interino) Volodymyr Zelensky. Foi promovido à saída do GUR, ficando assim cortado da maioria dos seus recursos e soldados, para dirigir o gabinete do presidente. Embora seja uma posição poderosa, a decisão foi tomada para manter Budanov sob controlo.

Ainda mais por trás disso esconde-se uma luta entre os aliados de Zelensky no MI6 britânico e na CIA para decidir quem deve liderar a Ucrânia.

Como escreve a Black Mountain Analysis:

A ideia de que a Ucrânia funciona como uma entidade totalmente soberana a tomar decisões de forma independente é desmentida pela influência omnipresente dos serviços de informação ocidentais, em particular o MI6 britânico. A estratégia da Ucrânia em tempo de guerra é em grande parte moldada no estrangeiro, com os serviços de informação britânicos profundamente enraizados na tomada de decisões militares e políticas do país.

Zelensky e o SBU são mais ou menos agentes do MI6.

A CIA, e a Casa Branca por trás dela, querem que o seu homem, Kirilo Budanov, assuma o controle e encontre um acordo com a Rússia.

Zelensky deveria colocar-se de lado.

Leia este conselho do Atlantic Council, liderado pelos EUA, num artigo recente sobre Foreign Policy (arquivo):

Desde o Verão passado, o descontentamento do público em relação às acusações de corrupção no círculo restrito de Zelensky e a recente demissão de Fedorov intensificaram a queda de Zelensky na opinião pública.

Há duas maneiras de resolver este problema. A primeira – uma eleição em tempo de guerra – tem pouco apoio entre os ucranianos, continua logisticamente complexa e actualmente é ilegal. A segunda consiste em remodelar o sistema de governação, reduzindo a intervenção presidencial na gestão do programa nacional, criando um governo de unidade nacional e colocando um grupo de funcionários eficazes e sem suspeitas, vindos dos vários partidos, aos quais se acrescentariam os funcionários competentes que Zelensky demitiu porque os via como concorrentes potenciais.

Infelizmente, nada sugere que Zelensky consiga tomar tal medida. … O tempo do domínio centralizado por um pequeno grupo de amigos já passou há muito tempo, e os líderes ocidentais e o próprio povo dele devem pressioná-lo sempre que houver oportunidade a tomar medidas para garantir a unidade nacional e uma governação eficaz.

Esta linha de pensamento foi promovida durante algum tempo por várias ONGs ocidentais remuneradas. Zelenski deve ser mantido no cargo como chefe de Estado cerimonial, enquanto os assuntos verdadeiros deveriam ser tratados por algum tipo de comité (controlado pelos Estados Unidos).

Coincidência (não!) – no dia seguinte à publicação do artigo anti-Zelenski pela Foreign Policy, o New York Times publicou um artigo pró-Budanov:

Após ter combatido ferozmente a Rússia, ele quer abrir o caminho para a paz na Ucrânia – New York Times – 4 de Setembro de 2026

Kyrylo Budanov, soldado condecorado e antigo chefe de espionagem militar, defende uma solução negociada. As negociações deverão recomeçar este mês.

Budanov, de 40 anos, é chefe do estado-maior do presidente Volodymyr Zelensky e tenente-general no exército ucraniano. Como defende a negociação, tem pouco para provar enquanto soldado que enfrentou os russos.

Serviu numa unidade treinada pela CIA, dentro da agência ucraniana de inteligência de defesa, cujo chefe foi assassinado num atentado com carro armadilhado em Kiev. Em 2016, uma bala de metralhadora partiu o cotovelo de Budanov. Foi tratado no Centro Médico Militar Nacional Walter Reed, no Maryland, durante meses, para reconstruírem o seu braço. Após a invasão russa de 2022, ajudou a organizar alguns dos contra-ataques mais ousados da Ucrânia.

Budanov ainda usa um corte de cabelo militar e é conhecido pelos seus olhares penetrantes com os seus olhos escuros. Numa sala decorada com um ícone cristão pintado na placa de cerâmica de um colete à prova de bala, ele entreabriu a cortina sobre a arte de negociar com inimigos mortais.

Bodanov é apresentado como aquele que poderia conduzir a Ucrânia rumo à paz com a Rússia (sob condições americanas):

Uma das principais razões pelas quais o Sr. Budanov aceitou o cargo de chefe de gabinete em janeiro passado, disse ele, era a oportunidade de conduzir negociações.

Na altura, o Sr. Witkoff e os negociadores russos e ucranianos tinham escrito um plano de paz de 20 pontos, mas dois pontos-chave não estavam resolvidos: ..

Durante as entrevistas em Abu Dhabi, o Sr. Budanov tentou dar um novo tom, explicou.

Ele disse que tinha dito à delegação russa que eles deveriam estabelecer um objectivo, como conceber compromissos para a governação pós-guerra no Donbass, e trabalhar nisso.

Em Fevereiro, disse ele, algumas ideias potenciais incluíam entregar a zona a empreiteiros militares privados, permitir que o Conselho da Paz do Sr. Trump a governasse, ou formar administrações civis conjuntas ucranianas e russas.

Esta proposta absurda, que Budanov argumentou, deve vir dos amadores da Casa Branca.

O tiroteio em Kiev era, portanto, muito mais do que uma discussão mafiosa sobre negócios comerciais.

É o sintoma de uma luta para saber quem controlará a política externa da Ucrânia. O MI6 e a CIA têm, cada um, as suas preferências.

Mas o que é realmente interessante é que Moscovo, ao que parece, tomou uma posição activa nesta área:

Yaroslav Trofimov @yarotrof – 13h30 UTC · 4 de setembro de 2026

Um drone a jacto russo (basicamente um míssil de cruzeiro) acabou de voar para dentro do escritório do chefe do serviço de informações ucraniano SBU, Poklad, no coração de Kiev. Ele não foi morto, mas Zelensky ordenou retaliações sempre que possível. … 


O ataque russo (ou vindo do GUR?) ao capanga de Zelensky, Poklad, que está a tentar eliminar Budanov, ocorre enquanto a Casa Branca, após uma longa pausa, retoma as negociações sobre a Ucrânia:

– Os negociadores americanos Steve Witkoff e Jared Kushner planeiam visitar Kiev e Moscovo em breve, disse uma fonte à TASS.

– No início de Setembro, uma fonte disse à agência que Witkoff e Kushner estavam a intensificar os seus esforços de mediação sobre a Ucrânia.

– Já se realizaram contactos telefónicos com a parte ucraniana, segundo a fonte.

– Vladimir Zelensky declarou no dia anterior que já tinham sido fixadas datas provisórias para a visita de Witkoff e Kushner a Kiev.

– A visita poderá ocorrer num futuro próximo, acrescentou.

Witkoff e Kushner deveriam interpretar o ataque de drone "russo" à sede do SBU como um gesto de boas-vindas.

Moon of Alabama

Traduzido por Wayan, revisto por Hervé, para o Saker Francophone.

 

Fonte: Les proxys du MI6 et de la CIA luttent pour savoir qui dirigera l’Ukraine après l’écroulement – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




Seca histórica: a situação actual da agricultura europeia. Transcrição da entrevista com os meios de comunicação russos "Politivator"

 


Seca histórica: a situação actual da agricultura europeia. Transcrição da entrevista com os meios de comunicação russos "Politivator"

8 de Setembro de 2026 Robert Bibeau



PorOleg Nesterenko. Presidente do CCIE Especialista em Rússia, CEI e África Subsaariana

 

Oleg Nesterenko, como é que a má colheita actual vai afectar os preços dos alimentos na UE e no resto do mundo?

É importante lembrar que a UE está entre os líderes mundiais no setor agro-industrial, juntamente com a China e os Estados Unidos, e representa entre 10 e 15% da produção agrícola mundial.

Dentro da União, a França é a principal potência agrícola, com 17-18% da produção agrícola europeia, seguida da Alemanha, Itália e Espanha. Quem já sobrevoou a França — eu mesmo fiz isso pela última vez anteontem — viu do avião, praticamente, apenas extensões de campos até onde a vista alcança.

Além de ser um dos líderes mundiais no sector agrícola, a UE é também o maior exportador mundial de produtos agrícolas.

Consequentemente, o resultado final da colheita europeia de 2026 vai influenciar proporcionalmente e inevitavelmente os preços dos alimentos.

No entanto, gostaria de sublinhar que a formação de preços no mercado internacional não depende exclusivamente do volume ou da qualidade da colheita. Muitos factores, invisíveis a olho nu, governam directamente a fixação dos preços no sector agro-alimentar.

Vamos pegar o exemplo do mercado de cereais. Este não depende apenas dos rendimentos agrícolas, que por sua vez são fortemente condicionados pelas condições meteorológicas, mas também de uma infinidade de outros factores, incluindo a procura mundial, a situação geo-política nos países produtores, a logística, os custos de energia e as capacidades de armazenamento.

Convém sublinhar que cada um destes elementos, à excepção do tempo, se presta a manipulações substanciais por parte dos principais interessados.

E quem são esses principais interessados? No total, apenas cinco empresas controlam cerca de nove décimos do mercado mundial de cereais, incluindo o transporte e o armazenamento dos grãos. Entre elas estão, sem surpresa, três empresas americanas — Cargill, ADM e Bunge — assim como o grupo franco-suíço Louis Dreyfus e o conglomerado anglo-suíço Glencore.

São esses os “cinco fantásticos”, essencialmente, e não apenas uma má colheita pontual, que determinam o preço de uma baguete de amanhã no mercado mundial.

Espera-se uma escassez de certas categorias de produtos alimentares nas prateleiras das lojas europeias?

Não, não deve haver um défice grave — uma tal possibilidade é quase impossível por definição.

Tal como a natureza, o modelo comercial capitalista não tolera o vazio: na ausência de colheitas locais, a substituição ocorre quase mecanicamente pela importação dos produtos em falta, de acordo com a lei da oferta e da procura.

Mesmo em tempos normais, um país como a França — cujo território está, no entanto, densamente pontuado por vinhedos — vê as suas metrópoles e a sua capital abastecerem-se principalmente com uvas importadas de regiões distantes do mundo, como o Chile e a África do Sul. Além disso, as uvas do Chile são mais baratas do que aquelas provenientes das aldeias vizinhas.

Então, o impacto previsível de um choque agrícola não se manifestará por uma ruptura no abastecimento, mas por um aumento tarifário direccionado a certas categorias de produtos. Portanto, não há motivo para temer uma escassez significativa; apenas uma volatilidade nos preços é esperada.

Qual é a probabilidade de uma onda de falências entre os agricultores europeus?

Mais do que uma série de falências temporárias, estamos a assistir à destruição massiva e sistemática das pequenas explorações agrícolas dentro da União Europeia. E isto já dura há muito tempo.

As más colheitas não constituem nem o factor único, nem sequer o principal deste fenómeno. Só nos últimos dez anos, quase três milhões de explorações agrícolas desapareceram do panorama europeu.

Em França, o sector agro-industrial emprega hoje apenas 2% da população activa — contra 0,8% na Bélgica —, um número completamente ridículo. Os dados concordantes indicam que entre 800 e 1 000 pequenas explorações francesas desaparecem todos os meses.

Qual é a causa desta tendência estrutural?

Ela está enraizada na política agrícola europeia e, claro, francesa. Vários factores principais podem ser identificados que conduzem à erradicação das pequenas explorações agrícolas.

Primeiro, a regulamentação das suas actividades tornou-se intolerável, acompanhada por uma pressão administrativa esmagadora.

Em segundo lugar, o aumento dos custos de produção: o preço do combustível e da electricidade aumenta regularmente, sem nunca registar uma diminuição significativa.

Em terceiro lugar, o aumento da concorrência internacional. Em Janeiro de 2006, a União Europeia e o MERCOSUL assinaram um acordo de livre comércio. Essencialmente, este acordo prevê a entrada isenta de direitos de produtos agrícolas latino-americanos em território europeu. Embora não tenha sido ratificado de forma obrigatória por todos os parlamentos nacionais da UE, este acordo já está em vigor provisório desde 1 de Maio.

O simples facto de tal iniciativa vir das autoridades europeias diz muito. O acordo, na sua essência, é uma sentença de morte para dezenas, senão centenas de milhares, de explorações agrícolas familiares.

Ao contrário dos grandes grupos agro-industriais, os pequenos agricultores simplesmente não conseguem suportar tal pressão e tensão.

Também é preciso que fique claro: as terras dos agricultores que desaparecem estão longe de se tornar prados selvagens e paisagens floridas.

Deixo aos vossos leitores a tarefa de adivinhar quem compra essas terras e quem exerce pressão sobre a política agrícola, tanto ao nível das autoridades da UE como dos governos nacionais europeus. Sobre a política que destrói as pequenas explorações agrícolas.

Oleg Nesterenko, qual é a eficácia das medidas actuais de apoio financeiro aos agricultores por parte da UE?

É preciso lembrar que os subsídios agrícolas da União Europeia constituem a primeira linha de despesas do seu orçamento, absorvendo cerca de um terço dos seus recursos financeiros.

É uma fatia do bolo muito suculenta. Mas é importante distinguir claramente esta ajuda financeira estrutural das medidas de emergência destinadas a responder às dificuldades que os agricultores estão a atravessar actualmente. Os subsídios europeus representam, acima de tudo, um apoio permanente a um sector agrícola que, apesar do seu peso económico considerável, continua profundamente limitado.

Se eu falar sobre a profunda deficiência estrutural do sector agrícola europeu, apesar do facto de a UE ser um dos líderes mundiais na agro-indústria e o maior exportador mundial de produtos agrícolas, é por uma razão muito simples: hipoteticamente, se os subsídios europeus destinados à agricultura fossem eliminados da noite para o dia, uma parte considerável do sector agrícola da UE deixaria simplesmente de existir.

Os danos económicos na UE causados pela seca histórica deste Verão são estimados numa ampla faixa entre 160 e 200 mil milhões de euros. Perante tal dimensão, os pagamentos europeus destinados às explorações afectadas representariam apenas algumas dezenas de milhões de euros — uma quantia totalmente insignificante face às perdas sofridas.

Só em França, segundo o Ministério da Agricultura, entre 30 000 e 35 000 explorações agrícolas estariam hoje à beira da falência. O governo de Macron prometeu alocar várias centenas de milhões de euros em ajudas, um alívio temporário de certas restricções administrativas e regulamentares, bem como a continuação do apoio ao combustível agrícola. Mas, mais uma vez, o problema é de escala. Para simplesmente evitar o colapso do sector, a agricultura francesa precisaria, segundo estimativas sérias, de uma injecção que poderia atingir os 4,5 mil milhões de euros.

As medidas de apoio aos agricultores implementadas pela União Europeia e pelos governos dos Estados-membros não passam de hipnoterapia cigana.

Hoje, para que os agricultores não desapareçam literalmente, estando na linha da frente, as autoridades públicas atiram-lhes um osso sob a forma de um apoio financeiro mínimo. E amanhã, essas mesmas autoridades vão ratificar o acordo com o MERCOSUL, e aqueles que supostamente salvam hoje serão sacrificados amanhã nos bastidores.

 

Fonte: Sècheresse historique : la situation actuelle de l’agriculture européenne. Transcription de l’interview avec le média russe « Politivator » – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice