Abaixo
o ataque imperialista contra o Irão! Guerra de classes contra o imperialismo e
o capitalismo!
15 de Março de 2026 Robert Bibeau
“Por PCINT em https://www.pcint.org/
O ataque conjunto lançado a 28 de Fevereiro
pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão, que já causou centenas de
mortos no Irão e dezenas no Líbano, é estrictamente uma guerra de agressão
imperialista; não tem como objectivo ajudar o «povo» iraniano a libertar-se da
ditadura dos mulás, nem a fazer face às «ameaças iminentes» que o regime
islâmico representaria, como declarou Trump, ecoando as mentiras sobre as
«armas de destruição maciça» de Saddam Hussein proferidas no passado para
justificar a guerra contra o Iraque. Todos os especialistas militares concordam
que o Irão não tem meios para ameaçar os Estados Unidos e, segundo os
negociadores, Teerão tinha mesmo aceitado o pedido americano de renunciar ao
enriquecimento de urânio. Quanto ao destino da população iraniana, para avaliar
o quanto os imperialistas se importam com isso, basta recordar o caso
venezuelano, onde os Estados Unidos afastaram a «oposição democrática»,
preferindo chegar a um acordo com o regime chavista porque este demonstrou a
sua capacidade de manter a ordem social, apesar das terríveis condições de vida
e de trabalho dos proletários. Da mesma forma, no Irão, esperaram, antes de
desencadear a guerra, que o regime esmagasse com sangue as manifestações de Janeiro:
perante as massas revoltadas, os mulás obscurantistas e os capitalistas ianques
alinham-se do mesmo lado, porque fazem parte da mesma classe social de
vampiros. Para os proletários, é, portanto, perfeitamente inútil imaginar, à
semelhança dos opositores burgueses e pequeno-burgueses iranianos, que os
imperialistas americanos e israelitas entraram em guerra para instaurar um
regime democrático. Aliás, desde a sua conferência de imprensa de 2 de Março,
Trump já não fala de uma mudança de regime em Teerão como um dos objectivos da
guerra.
O ataque americano-israelita tem, na realidade, como objectivo reduzir a influência do Irão que, devido às suas riquezas petrolíferas e de gás, à dimensão da sua população e à sua localização geográfica, está naturalmente destinado a desempenhar um papel de primeiro plano no Golfo Pérsico e no Médio Oriente. No entanto, desde o derrube da monarquia durante a revolução de 1979 e a instauração do regime islâmico, o Irão, outrora importante ponto de apoio do imperialismo americano (que tinha colocado o Xá no poder), disputa-lhe o domínio regional. Foi assim que o Irão constituiu, com os seus aliados (o Hamas palestiniano, o Hezbollah libanês, milícias iraquianas, o governo sírio, os houthis do Iémen), um «eixo da resistência» destinado a opor-se ao poder militar de Israel, o gendarme americano do Médio Oriente. Mas, nos últimos anos, Israel, com o apoio incondicional dos Estados Unidos, tem-se empenhado sistematicamente e com sucesso em quebrar esse eixo, enquanto os Estados Unidos se esforçam por estrangular economicamente a economia iraniana, impondo sanções cada vez mais duras. Os ataques actuais, que visam colocar o Irão de joelhos, inscrevem-se neste esforço para estabelecer uma preeminência americana incontestada no Médio Oriente, uma região cuja importância estratégica é maior do que nunca num período em que as tensões inter-imperialistas se intensificam: 20% do gás liquefeito e 25% do petróleo mundial provêm do Golfo Pérsico, destinados principalmente aos países asiáticos – e, em particular, à China, rival dos Estados Unidos…
Por seu lado, os governos ocidentais alinham-se com os Estados Unidos; o comunicado conjunto assinado pela Alemanha, Grã-Bretanha e França no dia do início da guerra condenava, assim, apenas os ataques… iranianos! Depois, a 1 de Março, os mesmos afirmavam estar prontos para «levar a cabo acções defensivas» (sic!) «para destruir na origem» as capacidades militares do Irão. O governo britânico declarava que colocava as suas bases militares na região à disposição das forças armadas americanas, enquanto o governo francês afirmava a sua determinação em apoiar os seus aliados no Golfo. Os imperialismos europeus que se indignam com as tentativas americanas de se apoderarem da Gronelândia invocando o respeito pelo «direito internacional» esquecem-no assim que não são visados por Washington: isto porque não querem ficar de fora da partilha e ser excluídos do espólio quando se tratar de reorganizar a ordem imperialista no Médio Oriente após uma derrota iraniana…
A guerra actual é mais uma manifestação sangrenta da tendência crescente dos diversos imperialismos, grandes ou pequenos, para recorrer à violência aberta e aos confrontos militares para defender os seus interesses, seja na Ucrânia, no Médio Oriente, na América Latina ou em qualquer outro lugar. Esta tendência alimenta, em todo o lado, uma corrida ao rearmamento e um desenvolvimento do militarismo; e é a causa do colapso do sistema internacional da ONU, criado após a Segunda Guerra Mundial, que tinha a função de atenuar, da melhor forma possível, as oposições entre os Estados. Atormentado por dificuldades económicas cada vez mais prementes, o mundo capitalista caminha inexoravelmente para um novo conflito mundial. Nenhum apelo à paz entre os povos, nenhuma denúncia dos «fomentadores da guerra», nenhum apoio ao Estado agredido contra os Estados agressores poderá impedi-lo: é o capitalismo na sua totalidade que é fomentador da guerra, são todos os Estados burgueses que são criminosos!
A única força capaz de se opor a isso é o proletariado
Vítima escolhida das guerras, mas que, ao mesmo tempo, é a força cuja exploração sustenta o capitalismo e que, por isso, tem a possibilidade de o paralisar ao combater essa exploração. Ao retomar a luta independente pelos seus próprios interesses de classe, ao recusar os sacrifícios em nome da pátria ou da economia nacional, ao superar todas as divisões de raça, nacionalidades, géneros, etc., ao reencontrar as suas armas de classe e a sua organização de classe, o proletariado de todos os países tem a possibilidade de resistir aos capitalistas e aos seus Estados aparentemente todo-poderosos.
A partir daí, arrastando consigo a gigantesca massa dos oprimidos, poderá empenhar-se na luta revolucionária para derrubar o capitalismo e instaurar o seu próprio poder internacional e totalitário, único meio de pôr fim, juntamente com este modo de produção, à exploração, às injustiças e às guerras que o caracterizam. É por esta perspetiva que devemos lutar sem receio de estarmos hoje contra a corrente, porque ela é a chave do futuro.
Proletários
de todos os países, uni-vos na luta de classes contra o capitalismo!
Partido
Comunista Internacional
Il comunista – o proletário – el
proletário – proletário – programa comunista – el programa comunista – Programa
Comunista
www.pcint.org.
(Veja https://www.pcint.org/)
Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice



