quarta-feira, 14 de outubro de 2026

O proletariado não delega. Quando se começa a delegar, já se está fodido.

 


O proletariado não delega. Quando se começa a delegar, já se está fodido.

Alessio Lamparelli

14 de Outubro de 2026

 

Em Dezembro, os operários da antiga Ilva (historicamente conhecida como Società Industria Laminati Piani e Affini é uma das maiores produtoras de aço da Europa, com o seu complexo siderúrgico principal localizado em Taranto, no sul da Itália) derrubaram as grades da prefeitura de Génova com as escavadoras da fábrica.

Em troca, receberam uma promessa. O ministro Urso jurou: Cornigliano não vai fechar.

Dez meses depois, chega a carta. Cornigliano fecha.

Fim da lição número um: a palavra de um ministro vale exactamente o mesmo que o papel em que não está escrita.

Esta semana, eles voltaram. Tendas em frente aos veículos blindados. Na terça-feira, entraram na prefeitura e a polícia não conseguiu detê-los. 985 trabalhadores no desemprego em meados de Novembro, se ninguém agir.

E vejam quem está a agir. A presidente da câmara de centro-esquerda, em manifestação. O governador de centro-direita, em manifestação. O ministro do Interior chega à cidade com o chefe da polícia e recebe uma delegação... Direita e esquerda, prefeitos e ministros: nunca se viram tantos amigos dos operários. Todos comovidos. Todos prontos para «assumir o conflito».

Assumir. Ou seja, tomar as rédeas. Ou seja, tirar a questão de quem a criou.

O Estado não ataca os operários quando pode comprá-los. O cassetete custa, a promessa não.

O emprego salvo hoje pode ser perdido amanhã: em Génova sabem-no melhor do que ninguém. O único resultado que nenhum ministro pode revogar é a força que os operários construíram ao permanecerem juntos na praça. Entregue numa mesa de negociações, essa força torna-se um trâmite a resolver. Mantida nas próprias mãos, é a única garantia que existe.


O proletariado não delega. Quando se começa a delegar, já se está fodido.

 


Este texto foi traduzido do italiano para português por Luis Júdice

14 DE OUTUBRO. GREVE INDEFINIDA DA EDUCAÇÃO PÚBLICA DE MADRID


14 de outubro. Greve indefinida da educação pública de MadriD

 

No próximo dia 14 de Outubro, terá início uma greve por tempo indeterminado no ensino público não universitário de Madrid, organizada pelo corpo docente. Esta greve dá continuidade à greve por tempo indeterminado que ocorreu em Valência na Primavera passada e ao amplo conflito social na Catalunha, que teve início neste ano lectivo com a greve de 8 de Setembro. Em Madrid, ao longo dos últimos três anos lectivos, realizaram-se mais de 10 greves nos estabelecimentos de ensino, nas quais se reivindicam aumentos salariais (a inflação está a corroer as nossas necessidades e condições de vida), a redução do horário lectivo, a diminuição do número de alunos por turma, a redução da burocracia que multiplica as nossas funções, o horário de trabalho e o stress, etc. Esta greve surge na sequência do exemplo dado pelas colegas das creches (0 a 3 anos) desde Abril passado, com a sua greve por tempo indeterminado, e dos exemplos de greves noutras comunidades autónomas. Ao mesmo tempo, insere-se na realidade quotidiana que implica a presença de dezenas e dezenas de assembleias que se constituíram em inúmeros estabelecimentos de ensino em Madrid.

Parece-nos que devem ser três os eixos a partir dos quais se deve desenvolver esta greve por tempo indeterminado: extensão, unidade a partir da auto-organização e generalização da nossa luta.

O corporativismo limita e corrói a nossa luta. Nós, professores, somos proletários. Essa é, de facto, a origem da nossa luta.

Condições de vida cada vez piores que temos de enfrentar com a única coisa de que dispomos: um salário. Não controlamos a nossa vida e esta esmaga-nos com a sua lógica impessoal, a do capital, mesmo que se revista com o adjectivo «público». Por isso, é fundamental alargar a nossa luta a todo o pessoal que trabalha nos nossos estabelecimentos de ensino. Abramos as assembleias. Também às famílias trabalhadoras e aos estudantes com quem convivemos tanto tempo, criando assembleias conjuntas, para além de que criem as suas próprias. O alargamento é motivo de força e de compreensão. Alargamento da luta ao conjunto dos trabalhadores e trabalhadoras do ensino. Sim, também aos nossos colegas do ensino subvencionado e privado, que são proletários como nós e, muitas vezes, com piores condições de vida. A ideologia de defesa do público provoca uma terrível miopia. Identificamo-nos com o gestor que nos explora (o Estado) e não procuramos a unidade com os nossos colegas proletários que trabalham para outras empresas.

Ampliar e aprender com a luta de outros camaradas da nossa classe, a começar pelos trabalhadores e trabalhadoras da Airbus que, em inúmeras fábricas e locais de trabalho, levaram a cabo uma luta com base na unidade e na força proporcionadas pelas assembleias, e que, perante isso, se depararam com uma variedade de inimigos da sua luta. Alguns sindicatos, como as Comisiones Obreras, negociaram, com a mediação obrigatória do Estado, um acordo que foi posteriormente submetido a referendo (e não a uma assembleia), tendo a greve sido suspensa apesar de, por uma pequena margem de votos, a maioria querer continuar a greve.

O exemplo da Airbus, mas também a nossa própria experiência dos últimos anos, é crucial para extrair uma lição fundamental, que provém das lições proletárias de mais de um século: a autêntica luta de classes realiza-se através das assembleias, embora estas não sejam, por si só, suficientes. É nessas assembleias que alcançamos a nossa unidade e podemos orientar a nossa luta. Os sindicatos, com as suas agendas próprias e lógica particular, opõem-se a esta unidade e auto-organização. Basta ver o que fizeram os sindicatos da Mesa Sectorial ao negociarem um acordo farsa com a Direcção Regional de Educação no início do ano lectivo passado. Uma luta que realmente cresce e se desenvolve tem de basear a sua unidade na auto-organização maciça de assembleias abertas que se coordenam, unificam e elegem delegados revogáveis pelas próprias assembleias, e que rompa as separações entre as Comunidades Autónomas ao unificar a luta ao nível de todo o Estado.

Então, lutar para alargar as assembleias a todos os locais de trabalho do ensino básico, secundário, etc. Assembleias que têm de ser alargadas ao conjunto dos trabalhadores desses locais, quebrando o corporativismo sindical dominante. Uma auto-organização que se estenda e envolva o conjunto dos trabalhadores (ver o exemplo da Airbus). Que identifique a nossa luta com a deles. Uma mesma luta contra um mesmo mundo, o capitalista, que deteriora todas as nossas condições de vida, tanto do corpo docente como dos alunos (basta pensar no enorme mal-estar que se manifesta na crise da «saúde mental») e nos conduz a um mundo dominado pela guerra imperialista. Vivemos num mundo ainda imerso na paz social; por isso é tão importante uma ação de massas que rompa as divisões dominantes. Então, sim. Auto-organização para alargar a nossa luta e para generalizar o conteúdo do nosso combate contra este mundo que apodrece por dentro e nos ameaça com o risco de nos enterrar nele. 


Balance y Avante                        Grupo Barbaria

 

Fonte: 14 octubre. Huelga indefinida de la enseñanza pública madrileña – Barbaria

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




A ocupação israelita do sul do Líbano

 


A ocupação israelita do sul do Líbano

14 de Outubro de 2026 Robert Bibeau


Por René Naba. Sobre  A ocupação israelita do sul do Líbano – Madaniya

 

Israel não apenas usou a sua força no Líbano; também perdeu a possibilidade de transformar essa força numa vitória política decisiva.

Por François Bacha, director do site libanês francófono Libnanews, parceiro do site madaniya.info, com a sua amável autorização

 

 

O cessar-fogo acordado entre Washington e Teerão alterou a perspectiva sobre a guerra no Líbano.

Não só suspendeu, provisoriamente, a escalada directa entre os Estados Unidos e o Irão, como também revelou uma realidade mais perturbadora para Israel: após semanas de guerra, de ocupação parcial, de ataques maciços e de deslocações forçadas, o Estado hebreu não conseguiu transformar a sua superioridade militar numa vitória política no Líbano.

O facto decisivo reside mesmo noutro ponto: Donald Trump avançou para um acordo com o Irão, apesar das pressões de Benyamin Netanyahu, da Arábia Saudita, dos Emirados e dos aliados republicanos, enquanto J. D. Vance e Steve Witkoff pressionavam para que se aceitasse um acordo. O momento decisivo desenrolou-se, portanto, sem que Israel conseguisse impor a sua linha.

Uma guerra travada a partir de uma posição de força, que terminou numa posição mais restrita.

Inicialmente, Israel pensava claramente que poderia alargar a sua margem de manobra no Líbano. A ofensiva deveria responder a vários objectivos em simultâneo: reduzir a capacidade militar do Hezbollah, criar uma zona de segurança no sul do Líbano, forçar o movimento xiita a uma retirada duradoura e impor a Beirute um novo equilíbrio político mais favorável.

As análises publicadas nos últimos dias mostram que a lógica ia muito além de simples ataques punitivos. Tratava-se de remodelar o terreno, tendo como objectivo uma zona de segurança que se estendesse até ao rio Litani, o que, em alguns pontos, significava uma profundidade que poderia atingir os 30 quilómetros.

Ao mesmo tempo, os deslocamentos em massa eram considerados um fenómeno duradouro, com mais de 600 000 libaneses expulsos das suas zonas de origem no sul. No entanto, foi precisamente neste ponto que a batalha do Líbano começou a virar-se politicamente contra Israel.

Sim, o exército israelita avançou no terreno. Sim, destruiu aldeias, pontes, eixos logísticos e uma parte considerável das infraestruturas do sul. Sim, provocou deslocações em massa da população.

Mas a guerra não produziu o efeito político final pretendido. O Hezbollah não foi eliminado. A ocupação até ao rio Litani não foi consolidada como um facto estratégico irreversível. E, acima de tudo, no momento decisivo, a resolução do conflito deslocou-se para um cessar-fogo negociado entre Washington e Teerão, com Islamabad como mediador, e não para uma capitulação libanesa ou da formação paramilitar xiita, ditada por Israel.

O cessar-fogo foi decidido sem que Netanyahu tivesse definido os seus termos. Talvez seja esse o ponto mais humilhante para Israel.

Segundo a Axios, a decisão de Donald Trump de avançar para um acordo com o Irão foi tomada apesar das pressões de Netanyahu, da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e de aliados republicanos favoráveis a uma linha mais dura. O mesmo meio de comunicação refere que J. D. Vance e Steve Witkov defenderam, no círculo mais próximo do presidente, a aceitação do acordo.

O desfecho final não correspondeu, portanto, à linha preferida de Israel nem à de várias capitais árabes hostis a Teerão.

Este facto altera profundamente a análise. Um país pode continuar a atacar, continuar a ameaçar, continuar a falar de vitória; mas, se já não controla a decisão política central, a sua margem de manobra reduz-se.

Foi exactamente isso que aconteceu neste caso. Netanyahu apoiou posteriormente a pausa decidida por Trump em relação ao Irão, mas esse apoio assemelhava-se mais a uma adesão forçada do que a um sucesso estratégico. Tentou então salvar o que se podia, afirmando que o cessar-fogo não dizia respeito ao Líbano.

Este gesto não é o de um interveniente que saiu totalmente vitorioso. É o de um líder que tenta preservar uma frente residual depois de ter perdido o controlo sobre a sequência principal.

O Líbano torna-se a prova de que Israel não converteu a sua força em ordem política. Desde 2 de Março de 2026, o exército israelita tem travado uma guerra de intensidade extremamente elevada no Líbano. A 8 de Abril, os balanços disponíveis apontavam para mais de 1 500 mortos e 1,2 milhões de deslocados. Aldeias inteiras foram esvaziadas, zonas fronteiriças devastadas, pontes destruídas, ordens de evacuação alargadas e uma parte significativa do território do sul foi transformada num espaço de guerra permanente.

Israel exerceu, portanto, um nível considerável de pressão militar e humana. Mas, apesar disso, a guerra não conduziu ao efeito político total pretendido.

O melhor indício deste fracasso é o facto de Israel se encontrar hoje numa posição defensiva no que diz respeito à narrativa. É obrigado a repetir que o cessar-fogo não abrange o Líbano. É obrigado a manter a pressão através de novos avisos de evacuação, incluindo para Tiro e para os subúrbios a sul de Beirute. É obrigado a demonstrar que continua capaz de agir, precisamente porque o quadro diplomático que acaba de ser criado já não lhe pertence totalmente. Uma potência vencedora não precisa de recordar a cada hora que mantém o controlo; o simples resultado fala por si.

Quando o discurso se torna tão insistente, é muitas vezes porque o resultado político é menos claro do que se esperava. O Hezbollah não foi destruído, e esse era, no entanto, o objectivo mais visível. Israel pode argumentar que infligiu pesadas perdas ao Hezbollah, destruiu parte das suas infraestruturas e reduziu a sua liberdade de movimento em várias zonas.

Isto é verdade no plano militar imediato. Mas isso não basta para validar o objectivo estratégico máximo. As análises mais sérias publicadas nos últimos dias mostram bem a ambiguidade israelita: por um lado, responsáveis militares e políticos continuam a falar do desarmamento do Hezbollah; por outro, algumas avaliações admitem que um desarmamento completo exigiria, na realidade, uma ocupação muito mais vasta e prolongada, considerada irrealista.

É precisamente esta mudança de rumo que revela o limite da ofensiva. O Hezbollah, por seu lado, não parece ser um interveniente tão esmagado ao ponto de desaparecer da equação. Pelo contrário, fontes libanesas próximas do movimento indicaram que este tinha suspendido os seus ataques após o anúncio do cessar-fogo, o que lhe permite apresentar-se, pelo menos provisoriamente, como uma parte que respeitou a trégua enquanto Israel prosseguia as suas operações.

O Irão, por seu lado, insistiu para que o Líbano fosse incluído no acordo. Esta dupla manobra confere ao Hezbollah um recurso político valioso: pode afirmar que não foi aniquilado, que continua protegido pelo eixo regional e que Israel não conseguiu, em território libanês, o que prometia no início da ofensiva.

A influência iraniana no Líbano sai reforçada, o que é exactamente o oposto do objectivo israelita. Este é talvez o ponto mais importante.

A guerra deveria também reduzir a influência regional do Irão, incluindo no Líbano. No entanto, é o efeito inverso que se verifica. Não só Teerão não desapareceu do cenário libanês, como se referiu ao Líbano como um elemento do cessar-fogo sem qualquer coordenação visível com as autoridades libanesas. O Paquistão confirmou esta interpretação regional do acordo. E o Estado libanês, apesar de estar directamente envolvido, não esteve no centro da definição do âmbito da trégua.

Esta sequência consagra uma realidade desfavorável a Israel: a questão libanesa continua a ser tratada, na prática, como uma componente da negociação estratégica com o Irão.

Esta situação é ainda mais marcante tendo em conta que o canal diplomático oficial entre Beirute e Teerão se deteriorou.

No final de Março de 2026, o Líbano solicitou ao embaixador iraniano que abandonasse o país, mas Teerão recusou-se a acatar essa exigência e as contestações internas revelaram que a medida não tinha provocado uma ruptura diplomática plenamente efectiva.

Resultado: mesmo com uma relação oficial abalada, a influência iraniana não diminuiu. Pelo contrário, manifestou-se no momento mais importante da actualidade, o do cessar-fogo, sem que Beirute conseguisse retomar o controlo da situação. Para Israel, que pretendia precisamente reduzir o papel iraniano no Líbano, trata-se de um fracasso estrutural.

Beirute tinha aberto portas que Israel se recusou a atravessar.

Outro elemento alimenta a ideia de uma batalha perdida. Em meados de Março de 2026, uma grande agência noticiosa revelou que Israel tinha rejeitado uma oferta histórica de negociações directas apresentada pelo Líbano. O presidente Joseph Aoun tinha-se declarado disposto a encetar discussões directas com Israel, e duas fontes familiarizadas com a sua posição indicavam que ele chegava ao ponto de considerar, em certas conversas privadas, um passo no sentido da normalização.

O mesmo artigo precisava que Israel considerava, no entanto, essa oferta como «demasiado pouco, demasiado tarde», apesar de o governo libanês partilhar o seu objectivo de desarmar o Hezbollah, mas não poder agir contra ele sem correr o risco de uma guerra civil.

Este ponto é capital. Mostra que Beirute, ou pelo menos a presidência libanesa e uma parte do executivo, estavam dispostas a ir muito mais longe do que nas fases anteriores.

O Estado libanês estava pronto para abrir canais directos e colocar em cima da mesa concessões políticas importantes. Mas Israel considerou que poderia obter mais através da força. Por isso, rejeitou a oferta, pensando em negociar mais tarde a partir de uma posição ainda mais dominante.

É precisamente esse cálculo que hoje parece ter-se voltado contra ele. Ao recusar-se a aproveitar um momento em que o Líbano oficial estava disposto a ceder, Israel deixou a guerra prolongar-se até um ponto em que o centro de decisão se deslocou para o eixo Washington-Teerão.

Já não é Beirute que vem ao seu encontro; é Washington que o obriga a aceitar um cessar-fogo que não foi da sua autoria.

O Litani continua a ser um horizonte anunciado, não uma vitória consolidada.

Um dos objectivos mais evidentes de Israel era transformar o sul do Líbano numa profundidade estratégica duradoura, avançando até ao rio Litani ou criando um espaço de segurança equivalente.

Análises recentes mostram que esta ambição variava consoante os sectores, indo desde uma faixa de alguns quilómetros até uma lógica muito mais ampla, de acordo com as declarações dos responsáveis israelitas.

O próprio facto de esta profundidade estratégica permanecer vaga nesta fase demonstra que Israel não conseguiu transformá-la numa conquista política clara. Uma linha da frente pode ser alcançada tacticamente sem ser consolidada estrategicamente.  Mais uma vez, a decisão norte-americana de congelar a frente iraniana muda tudo.

Pois um avanço militar que não se traduz imediatamente num acordo político favorável torna-se vulnerável ao regresso da diplomacia.

Ora, a diplomacia actual não é ditada por Israel. É estruturada por Washington, Islamabad e Teerão. Quanto mais esta diplomacia se consolida, mais se reduz a possibilidade de Israel transformar o seu avanço territorial numa ordem duradoura.

É isto que justifica a ideia de que Israel perdeu parte da sua margem de manobra: ainda dispõe de meios militares, mas tem menos liberdade política para decidir sozinho o que se seguirá.

O desgaste israelita pesa agora sobre a campanha. É também necessário analisar a guerra do ponto de vista israelita. Um dos sinais mais evidentes de um esgotamento estratégico é o desgaste humano do exército. Fontes europeias de referência referiam, no final de Março de 2026, um défice de cerca de 15 000 soldados no exército israelita, dos quais 8 000 combatentes, com uma pressão crescente sobre os reservistas, pedidos de reforma antecipada entre os militares de carreira e alertas internos sobre a sobrecarga de um aparelho militar envolvido simultaneamente em várias frentes.

Esta tensão não significa colapso. Significa que a duração da guerra se torna, ela própria, um problema militar e político para Israel.

A este desgaste humano junta-se o desgaste material. Várias informações publicadas nos últimos dias mostram que os ataques iranianos colocaram sob pressão os stocks de mísseis interceptores e, de forma mais ampla, as arquitecturas de defesa aérea regionais.

Os meios de comunicação norte-americanos relataram que Israel aprovou um plano destinado a acelerar a produção de mísseis interceptores Arrow, à medida que os stocks diminuíam. Outros relatórios apontam para um debate recorrente sobre a pressão exercida pela guerra sobre os sistemas de intercepção e sobre o custo de um confronto em que armas relativamente baratas podem forçar respostas defensivas extremamente dispendiosas.

Mais uma vez, não se trata de dizer que Israel está indefeso. Trata-se de constatar que uma guerra prolongada também esgota a vantagem tecnológica, ao obrigar ao consumo prolongado de sistemas escassos, caros e complexos de produzir.

Israel acreditava estar a negociar numa posição de força; agora negocia numa posição mais limitada. É aí que reside o cerne da análise. Durante semanas, Israel agiu como se dispusesse de tempo político ilimitado: tempo para atacar, tempo para deslocar forças, tempo para impor uma zona de segurança profunda, tempo para aguardar o colapso da fronteira libanesa ou do Hezbollah.

No entanto, esse tempo esgotou-se. Esgotou-se porque a Guerra do Golfo acabou por impor a Washington uma lógica de desescalada com o Irão. Esgotou-se porque essa desescalada foi decidida apesar de Netanyahu e de vários aliados árabes.

Esgotou-se porque o Irão conseguiu recolocar o Líbano na equação regional, com o apoio do Paquistão.

Resultado: Israel já não negocia a partir do ponto mais alto da sua campanha. Negocia a partir de um momento em que o seu aliado americano quer evitar um conflito generalizado.

É por isso que a expressão «Israel perdeu a batalha do Líbano» faz sentido, desde que se defina bem o que se entende com isso.

Não se trata de dizer que Israel perdeu cada confronto táctico ou que foi militarmente repelido em todos os frentes. Trata-se de dizer que não conseguiu obter o resultado político da sua superioridade militar. Destruiu sem conseguir converter plenamente. Deslocou sem estabilizar. Atacou sem impor uma nova ordem. E, no momento decisivo, o controlo da situação escapou-lhe parcialmente das mãos. E isso, numa guerra, é uma derrota política. A tentativa de manter o Líbano fora do cessar-fogo assemelha-se a uma manobra de recuperação.

A escolha israelita de excluir explicitamente o Líbano do cessar-fogo deve ser interpretada como uma tentativa de preservar uma margem residual.

Netanyahu e o exército israelita sabem que o fim da escalada com o Irão reduz automaticamente a sua capacidade de inscrever a guerra no Líbano num quadro regional mais amplo de confronto.

Para compensar, afirmam que a campanha contra o Hezbollah continua, ameaçam os subúrbios a sul de Beirute, visam Tiro e repetem que «a batalha continua».

Mas esta insistência tem também um carácter defensivo: visa impedir que o Irão saia politicamente vitorioso de um acordo que inclua implicitamente o Líbano.

O problema para Israel é que essa dissociação já não é totalmente credível aos olhos de todos os intervenientes. Para Teerão, o Líbano faz parte do mesmo sistema estratégico. Para Islamabad, a trégua também tinha um alcance libanês. Para Paris, o Líbano deve ser plenamente incluído. E para uma parte da opinião pública regional, o simples facto de Israel ter de justificar tão vigorosamente a exclusão do Líbano já demonstra que essa exclusão não era um dado adquirido. Mais uma vez, o país não se encontra numa posição de força clara; está numa posição de argumentação defensiva.

O ganho iraniano é também a perda israelita. Tudo isto conduz a uma última constatação. Se o Irão parece hoje, em termos geo-políticos, sair vencedor, é também porque Israel não conseguiu impedir essa recuperação do poder diplomático.

Teerão conseguiu que a sua proposta servisse de base para a discussão. Conseguiu uma suspensão dos ataques norte-americanos durante duas semanas. Conseguiu que a reabertura do Estreito de Ormuz passasse por uma negociação. E conseguiu que o Líbano voltasse a fazer parte do debate sobre o cessar-fogo, mesmo que Israel continue a contestar a sua inclusão. Neste jogo, cada ganho iraniano reduz simetricamente a capacidade de Israel de alegar ter remodelado sozinho a ordem regional.

É por isso que a batalha do Líbano não pode ser interpretada apenas através dos quilómetros conquistados ou da destruição infligida. Deve ser interpretada através do desfecho final: um Líbano que continua disputado, um Hezbollah que não foi destruído, um Estado libanês que abriu portas pelas quais Israel se recusou a passar, um cessar-fogo decidido sem que Netanyahu tivesse definido os termos, uma influência iraniana que sai reforçada no Líbano e um exército israelita mais desgastado do que no início da ofensiva.

A partir daí, o diagnóstico torna-se mais claro: Israel não só esgotou a sua força no Líbano, como também perdeu a possibilidade de transformar essa força numa vitória política decisiva.

Ler mais em:http://libnanews.com/israel-a-perdu-la-bataille-du-liban/

Cartografia da ocupação israelita do sul do Líbano

https://libnanews.com/infographie/sud-liban-occupation.html

Ilustração

O mapa do Sul do Líbano, zona onde se concentram os combates entre Israel e o Hezbollah, e onde o exército israelita ordenou a evacuação de aldeias desde 1 de Outubro de 2024. (AFP)

 

Fonte: L’occupation israélienne du sud Liban – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice



terça-feira, 13 de outubro de 2026

A nova era das revoltas

 


A nova era das revoltas

Sábado, 10 de outubro de 2026  

Relatório da reunião televisiva29 de setembro de 2026


A reunião online de terça-feira à noite começou retomando o ensaio de Joshua Clover Riot. Strike. Motim. Uma nova era de revoltas (2023), comentada na edição nº 55 da revista n+1.

O texto parte das lutas do século XVIII para delinear a sua tese central sobre a natureza do conflito de classes nos diferentes períodos históricos. A primeira fase, a das revoltas na Inglaterra, tem início nas zonas rurais, deve-se à acumulação primária capitalista, desenvolve-se em torno dos portos marítimos, das grandes feiras e nos locais de circulação de mercadorias, e envolve populações que uma transformação económica reduz literalmente à fome. Com o desenvolvimento subsequente do capitalismo, verifica-se uma progressiva deslocação das lutas dos locais de circulação para os de produção, as fábricas, onde a greve se torna a arma para melhorar as condições de vida dos assalariados. A terceira e última fase coincide com os processos de desindustrialização, sobretudo nas economias avançadas (Europa e EUA), e traz a luta de volta ao território. A expulsão da força de trabalho da indústria acarreta a impossibilidade de sobrevivência para milhões de operários (basta pensar nas revoltas dos negros americanos na década de 1960). Chega-se assim ao confronto aberto com os aparelhos repressivos que intervêm para defender o status quo. Não é por acaso, portanto, que nas últimas décadas os manifestantes tenham ocupado de forma permanente as ruas e as praças (Primaveras Árabes, Acampadas, Occupy Wall Street, etc.).

Segundo Clover, a formação da Comuna de Oakland (2011-2012) é um caso emblemático tanto para a recuperação da memória histórica da Comuna de Paris quanto para a tentativa de criar relações diferentes das existentes. As revoltas da chamada Geração Z estão ligadas ao que está escrito no texto, especialmente em relação ao crescimento da população excedente – o exército dos sem reserva – à escala planetária.

A revolta 1.0, que passa também pelo ludismo, é uma primeira manifestação do conflito de classes, seguida pelo ciclo de greves e, por fim, pela revolta 2.0, que se manifesta na fase de crise histórica do  capitalismo senil e recorre a meios de coordenação extremamente poderosos. O esquema proposto por Clover é eficaz, mas deve ser interpretado com uma lógica difusa: as greves não desapareceram — o próprio Clover reconhece isso, ao observá-las tornarem-se territoriais — e o proletariado continua a lutar para defender as suas condições de vida. Em vez disso, passou-se para um nível superior, em que a greve está integrada numa dinâmica mais ampla.

Já desde os primeiros anos da década de 1920, a Esquerda Comunista «italiana» opôs-se à ideia de ocupar as fábricas, defendendo, em vez disso, a organização territorial e a ocupação dos locais do poder burguês. No artigo «O operaísmo italiano e o seu 1968 ao longo de vinte anos» "O obreirismo italiano e o seus 68 longos vinte anos " (n+1, n.º 14), traçámos uma continuidade entre o «ordinovismo» gramsciano e o obreirismo dos anos 60 e 70. Hoje, a correção da orientação da Esquerda é evidente: o proletariado espalhou-se pelo território, o assalariado trabalha lado a lado com outros assalariados por períodos cada vez mais curtos, em condições de precariedade crescente. Na China, os trabalhadores com emprego flexível — os «gig-workers» — ultrapassam os 200 milhões, e muitos passam da indústria para os serviços, realizando uma miríade de «biscates». O emprego fixo, os contratos e o culto ao trabalho tendem a desaparecer, enquanto até a figura do patrão em carne e osso cede o lugar a um algoritmo. Para trabalhar, é cada vez mais necessário aceder a plataformas online através de aplicações, e por isso milhões de operários familiarizaram-se com estas tecnologias. O que é hoje o proletariado? É certamente o operário de fábrica, mas também aquele que, sem reservas, nunca trabalhará, ou o trabalhador precário que exerce dois ou três empregos para sobreviver.

Máquinas, que no capitalismo nos são estranhas (mesmo que falem connosco por meio de chatbots), não são o problema, mas parte da solução, já que nossa evolução é corpórea e extra-corpórea ao mesmo tempo, como mostra o feedback mão-trabalho-cérebro.

No ensaio As Grandes Demissões. O novo desprezo pelo trabalho e o tempo de retomarmos a vida (2023), comentada na edição n.º 54 da revista, Francesca Coin analisa o fenómeno de milhões de operários no mundo, sobretudo jovens, que questionam a lógica de trabalhar a todo o custo, dando origem a formas de recusa do existente (Antiwork, Tang ping, etc.).

Em Madrid, na sequência do despejo de uma idosa, teve início, 15 anos depois do movimento de 2011, uma nova «Acampada» na Puerta del Sol, contra as rendas elevadas e a crise habitacional. Os protestos dos últimos anos revelam uma tendência para sair à rua mais para procurar algo de novo do que para reivindicar algo. As últimas manifestações assumem as características típicas da «swarm intelligence», a inteligência de enxame, graças também ao uso massivo das redes sociais.

Milhões de seres humanos, ao interagirem entre si, podem gerar um comportamento inesperado e emergente. Isto faz lembrar o «nosso» esquema de reversão da práxis: impulsos fisiológicos levam os «átomos sociais» a assumir novas configurações e a dirigirem-se, sem terem plena consciência disso, para um «atractor» situado no futuro.

A dinâmica histórica avança a saltos, através de descontinuidades e bifurcações. No artigo «Num sentido amplo e restrito» (n+1, n.º 39),  vimos que na sociedade existem sempre conjuntos que se sobrepõem e que qualquer sistema complexo se altera em resposta aos estímulos que recebe do ambiente. Já hoje assistimos a manifestações que tendem a sincronizar-se em todo o mundo, através das redes sociais, dos sites e das plataformas. Entre as dissoluções em curso está a do líder de movimento, uma vez que os «átomos sociais» se polarizam e se auto-organizam, sem necessidade de alguém que os dirija.

Não foram apenas a indústria e os meios de comunicação que mudaram: foi o mundo que mudou. Não voltarão a ocorrer manifestações com as mesmas formas nem com a mesma linguagem do passado, e é por isso que criticamos o tercinternacionalismo. Para a Esquerda, a revolução não é uma questão de forma, mas de força.

Adam Greenfield, no ensaio «Emergência. Como sobreviver num mundo em chamas» (comentado no n.º 56 da revista n+1), relata o surgimento de uma rede de ajuda mútua após a passagem do furacão Sandy pela costa leste dos Estados Unidos. Para o autor, o movimento Occupy Sandy (2012) foi o ponto culminante de um processo iniciado anos antes: perante as catástrofes e a incapacidade do Estado de intervir, formam-se, de forma totalmente espontânea, estruturas de ajuda mútua. Segundo Greenfield, experiências semelhantes já se tinham verificado após a passagem do furacão Katrina (2005) e isto acontece porque vivemos num mundo sem refúgio e sem hospitalidade, no qual as antigas estruturas económicas e políticas se estão a desmoronar: «grande parte dos sistemas e das regras que moldam as nossas vidas serão varridos pela força dos acontecimentos».

O novo paradigma vai ganhando terreno na sociedade: primeiro é combatido, depois encontra espaço em pequenas minorias e, por fim, impõe-se quando a situação está madura (Thomas Kuhn, A Estrutura das Revoluções Científicas). O Estado, com todo o seu poder, não consegue adaptar-se ao desenvolvimento das forças produtivas e torna-se um obstáculo ao seu desenvolvimento futuro. A única bússola que nos permite orientar-nos num contexto de «caos social e guerra» é o método de trabalho da Esquerda, baseado na dinâmica ontem-hoje-amanhã (No fio do tempo). Crise climática, crise económica, precariedade, desemprego, inflação, guerra, «vida sem sentido»: não faltam motivos para sair à rua. No entanto, a crise generalizada do capitalismo não basta para que a anti-forma se imponha: a revolução não é materialmente possível se a estrutura repressiva da classe dominante não ruir a partir de dentro.

 

Publicado em Teleriunioni settembre 2026

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Fonte: La nuova epoca delle rivolte

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




Invistam o dinheiro na educação em vez de armamento!

 


Invistam o dinheiro na educação em vez de armamento!

13 de Outubro de 2026 Robert Bibeau



Por Normand Bibeau.

"NEM UM CENTAVO PARA ARMAMENTOS, TODO O DINHEIRO PARA EDUCAÇÃO"


Desde os seus agentes mais notórios, MACRON I, o anão de saltos altos e os seus ministros-destructores-fascistas Lecornu e Nuñez e o seu projecto de lei cassetete: «vândalos-fascistas», que mobilizaram a sua polícia terrorista, com capacetes e armada até aos dentes, para espancar, cegar e aterrorizar a juventude francesa desarmada. Eles são assistidos pelos tribunais fascistas para encarcerar como fizeram com os Coletes Amarelos. Veja estes artigos sobre os Coletes Amarelos:

 Resultados de busca por "colete amarelo" – o 7 de Quebec

Até mesmo o RN de LE PEN, a "paixão" de fascistas e racistas de "fato-completo" e Bardella, o notoriamente racista ("Mediapart") que em 6 de Outubro de 2026 convocou "para restaurar a ordem e a segurança imediatamente por TODOS OS MEIOS"; reprimir a violência das vítimas estudantis e não a dos polícias agressores, privilegiando a FORÇA E REPRESSÃO IMEDIATAS E TOTAIS, mesmo após o espancamento para afogar o peixe no sangue, estudar "o funcionamento das instituições e a reforma da orientação" para fazê-la adequar-se ao programa de militarização concedendo novos "direitos" aos estudantes "trabalhadores" e "descontos no transporte para chegar lá..." para o quartel...


«OS REPUBLICANOS" e o seu guru, Bruno Retaillau, que, com os seus lábios de bajulador dos bilionários, reconhece «alguns problemas no ensino» sem especificar quais, mas que se limita a condenar as supostas «violências dos estudantes espancados, gaseados, -regados, -cegos, -feridos» por «culpa deles» de não suportarem o seu destino de miséria e de se deixarem manipular pela LFI, que ele exige que seja declarada «fora da lei» e presa para lhe dar a ele uma oportunidade de chegar à presidência;

«RENAISSANCE e o seu "líder" Gabriel ATTAL e o seu "pacto com a juventude" (sic), que condena a VIOLÊNCIA da LFI, exige o retorno imediato dos estudantes a escolas e universidades decadentes, sem professores ou funcionários de apoio, sem dinheiro e sem futuro até que os bilionários lhe entreguem de bandeja de prata a presidência e ele possa voltar atrás nas suas promessas de drogas.


MÉLENCHON, FAURE, GLUCKSMANN, ROYAL, GUEDJ, MAUREL, AMISHARI,  SIMONET, EL MARIKY e os fantoches políticos da burguesia, da direita à "esquerda caviar", que em uníssono exigem:

O FIM IMEDIATO DA VIOLÊNCIA ESTUDANTIL (SIC); a continuação da violência policial; a RESTAURAÇÃO DA SEGURANÇA DITATORIAL do Estado burguês; NEGOCIAÇÕES FALSAS (como na época dos Coletes Amarelos e Maio de 68); a capitulação da juventude e seus aliados; DE VOLTA ÀS AULAS; E, acima de tudo, concordam em nunca condenar o desperdício de armamentos que desvia investimentos da educação.

Contra as suas eternas PROMESSAS DE BÊBADOS e DE DROGADOS, conforme o caso, enquanto TODOS estavam no poder e foram os responsáveis pelo estado condenável do sistema de educação e pelo desvio de FUNDOS PÚBLICOS da EDUCAÇÃO para o ARMAMENTO em apoio ao LEBENSRAUM/EURONAZI/OTANONAZI no Leste para manter a ditadura burguesa no Ocidente.

Enquanto a ralé política burguesa discursa sobre como desviar a juventude da insurreição popular, a polícia, o sistema judicial e os meios de comunicação social, a burguesia e os seus mercenários prosseguem selvaticamente a sua guerra de classes contra a juventude francesa, com o objectivo de a «aterrorizar para a esmagar com cassetetes, canhões de água, balas de borracha, as sentenças cruéis e brandindo incessantemente o exemplo sangrento dos «coletes amarelos», para a preparar, « manu militari», a renunciar a servir de «carne para os patrões» para se tornar a «carne para canhão» do LEBENSRAUM HÍBRIDO 2.0 YANKEE/OTANONAZI a Leste, a versão do século XXI do «Drang nach Osten/Blut und Boden/Herrenvolk » «Volk ohne Raum – Raum ohne Volk NAZI/SIONAZI» .

Para se convencer, sem qualquer dúvida, deste programa militarista fascista de guerra de classes, basta constatar a ferocidade bárbara e desumana da repressão policial selvagem e da propaganda dos meios de comunicação social dominantes dos bilionários, bem como da repressão por parte da polícia e dos tribunais burgueses.

Assim, os meios de comunicação social burgueses são unânimes:

LE MONDE:


«Desde que os primeiros bloqueios foram levantados com brutalidade […] A decisão de proceder a detenções em massa (mais de 6 500 detenções, das quais 4 500 de menores) e o anúncio de um projecto de lei «casseurs-payeurs» (“quem parte paga”) vão continuar a alimentar uma revolta.

A radicalidade do protesto dos «coletes amarelos» traumatizou o poder macronista. A sua gestão ultra-segurança, desde então reproduzida no domínio social, prejudicou o direito de manifestação. Dissuadidos pela violência e pelas detenções, os cidadãos «viram aumentar o custo da participação numa mobilização». (re:lemonde.fr, 6, 7, 8/10/2026).

LE NOUVEL OBS:

«Um adolescente de 15 anos teve a mão arrancada por uma granada em Lens, na segunda-feira. Em Tours, na semana passada, um aluno do ensino secundário de 16 anos ficou sem a visão de um olho durante um bloqueio […] Na France Inter (o ministro Nuñez), classificou estes incidentes como «tragédias» (…) Ao mesmo tempo que se justificou dizendo que, em Lens, «havia um contexto» em que as forças da ordem «foram atacadas»». O seu cúmplice, o ministro da «Educação Nacional», o infame Edouard Geoffray, na Franceinfo, chegou ao ponto de declarar que era preciso «enfrentar os indivíduos ultra-violentos», ao descrever os «alunos» menores de idade como os seus heróis, os SIONAZI$ que cometem genocídio contra os bebés «terroristas do Hamas» nas incubadoras, de dar náuseas (re:nouvelobs.com, 6, 7, 9/10/2026). «blast-info.fr, 5/10/2026.»

Manchete da cobertura da IMPRENSA:

«A indignação cresce nos corredores da France Télévisions. A cada movimento social, os mesmos problemas parecem repetir-se: uma cobertura noticiosa descontextualizada, centrada na violência, ao ponto de as reivindicações políticas de fundo serem silenciadas, ou mesmo distorcidas, deturpadas e manipuladas. […]

«75 % do tempo (de antena) foi dedicado a relatar a «violência» e os «danos materiais», atribuindo-os aos estudantes, contra 8 % dedicados às suas reivindicações; 12 % a «acusações contra a LFI» e 3 % à «violência policial» (documento da Acrimed),

Georges Pinol, presidente da Sociedade de Jornalistas da France 3, e Danilo Commondi, da CGT France TV de Le Havre, para citar apenas dois, são unânimes quanto ao carácter totalmente tendencioso, anti-estudantil e pró-governo de TODA a cobertura mediática, que mente sobre as reivindicações estudantis, negando que

«A verdadeira violência é aquela que os jovens sofrem no dia a dia devido à falta de professores e de pessoal, às turmas sobrelotadas, às condições de estudo precárias, às escolas degradadas e também à inquietação em relação ao seu futuro e à precariedade que afecta uma parte cada vez maior deles […] A resposta não pode ser a repressão».

Nada menos do que 54% da opinião pública francesa apoia os estudantes na sua justa luta contra o Estado e isto, apesar da propaganda goebeliana desenfreada e da campanha feroz levada a cabo pela burguesia contra essa mesma opinião pública, à qual mente descaradamente sobre a justiça da insurreição da juventude e se empenha demagogicamente em reduzi-la a «destruição» e «violência».


A juventude francesa não deve, em caso algum, confiar naqueles mesmos que desviaram o dinheiro dos impostos e das taxas dos seus pais, destinado à educação, para o armamento, e que conduzem a humanidade para a destruição termonuclear apocalíptica.

 


PROLETÁRIOS E ESTUDANTES, UNÍ-VOS E

REDIRECCIONEM O DINHEIRO PARA A EDUCAÇÃO,

NÃO PARA O ARMAMENTO

 

Fonte: Consacrez l’argent à l’enseignement plutôt qu’a l’armement ! – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice