Funeral do Velayat e-Faqih iraniano, S. Ali Khamenei,
para além do luto nacional de uma nação resistente
26 de Julho de
2026 Robert Bibeau
Por Résistance 71
Desde sexta-feira, 3 de Julho de 2026, até quarta-feira, 8 de Julho, decorrem no Irão as cerimónias fúnebres nacionais e internacionais do Velayat e-Faqih, ou «Jurista Guardião», da Revolução Islâmica iraniana, em funções há 37 anos, Sayyed Ali Khamenei, assassinado no passado dia 28 de Fevereiro, juntamente com membros da sua família, incluindo a sua neta, pelos criminosos genocidas da coligação imperialista-sionista composta pelos Estados Unidos e pela entidade sionista, também conhecida como «Israel», no primeiro bombardeamento sobre Teerão da sua guerra de agressão contra o Irão, desencadeada no passado dia 28 de Fevereiro, que durou 40 dias e que viu o Irão ripostar e dizimar as forças americano-sionistas na região que vai do Kuwait a «Israel», passando pelo Iraque, pela Jordânia, Bahrein, o Catar, os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, bem como ao encerramento do estreito de Ormuz e à sua manutenção sob controlo exclusivo. (Ver o nosso dossier “Guerra imperialista judaico-americana contra o Irão” aberto desde 28 de Fevereiro passado para mais informações) O Irão esperou por um cessar-fogo, solicitado pelo império, como em Junho de 2025, para proceder à inumação do seu líder.
Estes grandiosos funerais, não pelo luxo, mas pela poderosa espiritualidade que deles emana, sentida em todo o mundo, muçulmano ou não, podem ser vistos como um tríptico: a primeira parte é o reconhecimento internacional, a segunda, a mobilização nacional, e a terceira, a sacralidade e a fé religiosa.
· O reconhecimento internacional: fundamental para o Irão e as suas novas relações que estão a desenvolver-se no grande sul global. Este funeral recebeu em Teerão delegações de mais de 100 países, o que constitui não só um enorme dedo do meio ao império, mas mostra o facto de que este império, hoje quase “desarmado”, curto de munições de alta tecnologia e com a marinha que já não cumpre as suas funções de projecção de força militar brutal para proteger o seu petrodólar, já não assusta ninguém, pelo menos não da forma da era pré-guerra dos 40 dias. A máscara finalmente caiu e o colosso de pés de barro revelou-se pelo que é, um império em declínio e ultrapassado militar, estratégica e diplomaticamente.
· A mobilização nacional : 14 milhões de pessoas só nas ruas de Teerão no sábado, 4, e no domingo, 5 de Julho; mais de um milhão em Qom, cidade sagrada do Islão e do xiismo, no dia 7 de Julho. Por todo o Irão, procissões de centenas de milhares de pessoas. Já está hoje estabelecido que o funeral de S. Ali Khamenei é o segundo funeral com maior afluência da história mundial, logo a seguir ao do… aiatolá Khomeini, em 1989. O martírio de Ali Khamenei, o seu assassinato pelo império, foi sem dúvida um dos maiores erros de cálculo estratégico da história. Hoje, mesmo que possam subsistir diferenças, a vastíssima maioria de toda a população iraniana, independentemente da confissão religiosa, apoia a nação e os seus líderes contra um império visto como diabólico e indigno de qualquer confiança, e com toda a razão. A população iraniana constitui hoje um bloco unido contra a agressão imperialista-sionista, apoiada por um Ocidente colectivo à deriva e incapaz de qualquer auto-crítica e de se distanciar do império.
· A sacralidade religiosa: Não é de admirar no Irão, mas a fé demonstrada pela população mostra ao mundo a razão pela qual é e será impossível derrotar e subjugar este país que, para além de ser uma nação, continua a demonstrar que é, acima de tudo, uma grande civilização, a da Pérsia, que foi e continua a ser uma civilização de espiritualidade — muito antes do Islão —, bem como de arte, ciência e tecnologia.
Na quinta-feira, 9 de julho, S. Ali Khamenei será sepultado, de acordo com as suas últimas vontades, na cidade de Mashad, no nordeste do Irão, no mausoléu do Imã Reza, o 8.º imã da tradição xiita.
Para além destes funerais, que o Ocidente imperialista colectivo esconde das suas populações com grande recurso à omertà e à propaganda vil (a televisão japonesa, por exemplo, explica aos seus telespectadores que «se houve tanta gente nas ruas no Irão, foi porque o governo iraniano distribuiu pão gratuito às populações famintas para que estas saíssem às ruas»… que porcaria de uma treta!), o Irão consolida novas alianças, nomeadamente com o Paquistão (e a China por trás) e muitas nações do Sul, que se aproximam dele e farão tudo para o imitar na resiliência e na resistência à astúcia e à covardia de um
Ocidente colonial em declínio, à imagem
do seu hegemon, que encolhe de ano para ano. Todos os impérios se desmoronam. O
mesmo acontecerá com o império anglo-americano-sionista; o processo já está
bastante avançado. O vento mudou de direcção, os catavento seguem a direcção do
vento e, quer o Memorando de suposto acordo entre o Irão e os EUA perdure,
sobreviva por pouco ou fracasse, uma coisa é já certa: nada voltará a ser como
antes. A partir de agora, há um «antes» e um «depois» da guerra de
agressão de 40 dias contra o Irão, mesmo que essa guerra ainda não tenha
terminado. O Irão não abandonará os seus aliados; a Frente de Resistência
Irão-Líbano (Hezbollah)-Iémen-Iraque (onde milhões de pessoas acompanharam o
corpo de Khamenei até Najaf) reforçou-se consideravelmente; o abjecto projecto
sionista do «Grande Israel» foi frustrado; o Golfo Pérsico está a redefinir a
sua configuração com um petrodólar mais do que moribundo e os países que o
compõem compreenderam que ser aliados dos ianques-sionistas não lhes confere
qualquer protecção, muito pelo contrário. Será que a guerra recomeçará? É
possível, é provável. O Irão está 100% preparado para responder a qualquer
agressão adicional e a arrogância e as fanfarronices ameaçadoras dos
americanos-sionistas não passam de palavras que se perdem no vento e na
corrente do tempo, que, pelo contrário, enche as velas daqueles que resistem,
sejam quem forem, estejam onde estiverem no mundo, incluindo no seio das
sociedades ocidentais, cujos povos estão a despertar, compreendem e acabarão
por formar um Eixo de Resistência, uma Frente de Resistência global comum das
populações em busca da emancipação de um modelo estatal-mercantilista
ultrapassado, injusto, explorador e agressor dos povos, transcendendo culturas,
tradições e religiões para afirmar a sua universalidade, a do justo e do bem
contra todas as turpitudes criminosas do antigo sistema caduco e obsoleto.
O sangue iraniano derramado — o dos 168
crianças da escola de Minab e de outros mártires, e aquele, que nunca devemos
esquecer, dos palestinianos vítimas de genocídio em Gaza e na Cisjordânia —
oferece ao Ocidente um caminho de redenção na fraternidade dos oprimidos em
luta.
Os povos do mundo, a Humanidade,
prevalecerão sobre esta vontade mortífera de controlo e de exploração imperialista,
numa sociedade finalmente aberta e emancipada, que tenha encontrado a sua
verdadeira humanidade.
Quando a tirania se torna lei, a
resistência é um dever! Viva a Resistência!
Viva
a sociedade das sociedades da nossa humanidade finalmente concretizada!
(Proposé
par A. Djerrad)
Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis
Júdice




