sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Desvinculação dos Emirados e pressões migratórias: Espanha paga a sua oposição ao hégemon

 


Desvinculação dos Emirados e pressões migratórias: Espanha paga a sua oposição ao hégemon

21 de Agosto de 2026 Robert Bibeau

Por Hanane Ben

O anúncio não passou despercebido e sugere questões muito mais complexas do que uma simples arbitragem comercial. Os investimentos dos Emirados no sector energético espanhol abrandaram de facto após o fracasso de duas grandes operações.

Por um lado, a empresa de energias renováveis Masdar retirou-se da primeira fase do projecto de hidrogénio verde "Vale da Andaluzia", um ambicioso projecto de mais de mil milhões de euros liderado pela empresa espanhola Moeve, e agora procura vender a sua participação a actores franceses e espanhóis.

Por outro lado, o grupo emiradense Taqa desistiu de adquirir uma grande participação no gigante espanhol do gás e electricidade Naturgy, terminando negociações no valor de dezenas de milhares de milhões de euros sem chegar a um acordo.

A origem destas manobras remonta ao início de 2022, durante a visita oficial de Pedro Sánchez aos Emirados Árabes Unidos para selar uma parceria estratégica. Apenas algumas semanas após esta reunião, o chefe do governo espanhol fez uma reviravolta espectacular na questão do Saara Ocidental ao alinhar a posição de Madrid com a de Rabat. Foi na sequência desta reaproximação política e sob o impulso desta aliança maligna contra os interesses da Argélia que ocorreu a tentativa de tomada de poder da Naturgy na Primavera de 2024.

Mas, perante o grupo emiradense Taqa, a Argélia — o principal fornecedor de gás de Espanha com quase 30% das suas importações — deu um ultimato firme: qualquer tomada de controlo pelo Abu Dhabi levaria à interrupção imediata do fornecimento de gás à Península Ibérica (representando cerca de 5 mil milhões de m³ por ano transportados pelo gasoduto Medgaz, 51% controlada pela Sonatrach).

Embora a Naturgy tenha tentado moderar o entusiasmo alegando que não existia nenhuma cláusula contratual que previsse a rescisão em caso de alteração accionista, esta postura não tranquilizou ninguém. Argel disse que estava pronto para ir até ao fim. Perante esta determinação inabalável, o silêncio embaraçoso dos Ministérios da Economia e dos Negócios Estrangeiros espanhóis reflectia toda a febre de Madrid.

Abu Dhabi não negociava em nome próprio, mas actuava como braço de uma estratégia dupla: promover os interesses estratégicos de Marrocos enquanto servia como uma lebre financeira para facilitar a transferência de activos energéticos-chave para grandes fundos anglo-americanos como a BlackRock.

Apanhado entre o risco de asfixia energética e a pressão da sua coligação a exigir um "escudo anti-aquisição", o infeliz Primeiro-Ministro espanhol não teve outra escolha senão deixar a operação abortar.

Avaliada em mais de 25 mil milhões de euros — um recorde em Espanha — esta transação colossal foi finalmente enterrada, selando o fracasso estratégico do Abu Dhabi perante a firmeza de Argel.

Para além destes fracassos financeiros, este duplo revés energético destaca o jogo perigoso de Pedro Sánchez.

Ao selar uma aliança de interesses com os dois países vassalos, Emirados e Marrocos, à custa da Argélia — o que provocou a suspensão abrupta do tratado bilateral de amizade com duas décadas — o chefe do governo espanhol pensava estar a garantir o seu apoio político.

As áreas cinzentas em torno do escândalo de espionagem Pegasus, do qual o próprio Sánchez foi vítima, deixam dúvidas: terá sido a sua reviravolta no Saara Ocidental um cálculo cínico ou resultado de pressão directa? Em todo o caso, Madrid está agora a descobrir da pior forma a precariedade destas alianças com actores intimamente ligados ao eixo do mal de Telavive e Washington.

Espanha encontra-se agora na mira e fugas concordantes indicam que o abrupto desligamento dos Emirados Árabes Unidos do projecto de hidrogénio no "Vale da Andaluzia" responderia, de facto, às instruções da entidade sionista destinadas a punir Madrid e enfraquecer ainda mais a sua posição estratégica.

A ironia desta deriva diplomática é impressionante. Apesar do alinhamento cego de Pedro Sánchez com as teses marroquinas relativas ao Saara Ocidental, Rabat e os seus patrocinadores nada pouparam à Espanha.

Pelo contrário, as posições assertivas de Madrid a favor da Palestina e as suas reservas quanto à guerra sionista americana contra o Irão colocaram finalmente o reino ibérico na mira.

Ao querer jogar em vários níveis, Pedro Sánchez isolou-se. Espanha encontra-se agora mais vulnerável do que nunca, presa entre a pressão dos Estados Unidos e da entidade sionista genocida, que visa o controlo estratégico do Estreito de Gibraltar, e as ambições territoriais expansionistas do regime de Makhzen em Ceuta e Melilla. Uma dura lição de geo-política em que Madrid, depois de sacrificar a sua aliança com Argel, descobre que cedeu tudo sem nunca receber nada em troca.

Fonte: Algeria54

(Enviado por A. Djerrad)

 

Fonte: Désengagement émirati et pressions migratoires: l’Espagne paye son opposition à l’hégémon – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




A controvérsia de Poitiers 2/2

 


A controvérsia de Poitiers 2/2

 

René Naba / 12 DE NOVEMBRO DE 2014 / EM CultureSociété

Última atualização a 12 de novembro de 2014

Os morenos da França: Pela grandeza da França e não pela sua megalomania ou pelo seu nanismo político

Paris – O debate é cíclico, como uma fuga para a frente, como se fosse para desviar a atenção dos graves problemas estruturais de França, do abissal défice das suas finanças públicas, da falência e impunidade das suas elites, da deliquescência do seu tecido social, da docilidade da sua imprensa, da inconsistência do debate público multipartidário, da necrose dos seus circuitos de decisão. 

O debate é cíclico sobre um tema único nas suas várias formas, o véu, a burca, os minaretes, o papel positivo da colonização, como uma fuga para a frente, como se fosse para ocultar o essencial, a dívida de honra de França para com os seus imigrantes, tanto pela defesa da sua independência – duas vezes no mesmo século, durante as duas guerras mundiais, um facto raríssimo na história –, como pela sua contribuição para o prestígio de França pelo Mundo.

A obra benéfica que é prioritário iniciar não é um trabalho de exaltação chauvinista propício a todos os excessos, mas um trabalho de «desconstrução» dos mitos fundadores da grandeza francesa, uma leitura fractal da história de França, para fundamentar a identidade nacional num conhecimento concreto e não idealizado da história de França e para cimentar a unidade nacional tendo em conta as diversas componentes da população nacional e não na estigmatização do estrangeiro.

A não ser que se abdique perante os defensores da anglo-esfera, a não ser que se envolva num fantástico isolamento, a não ser que se tape os olhos numa fantástica cegueira, o debate não se poderia reduzir a um duelo narcisista entre a França e ela própria a exibir-se perante o restante do mundo, em nome da excepção francesa. Mas sim a um debate sobre o posicionamento da França dentro do seu espaço natural de actuação, a Francofonia, garantia do seu impacto e justificativa do seu estatuto de grande potência, membro permanente do conselho de segurança. Um estatuto com o qual nunca teria sonhado considerando o seu desempenho fraco durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), mas do qual é devedora pela posse de um império ultramarino e pela lógica dos blocos no auge da Guerra Fria.

O ressentimento é forte, na medida da usurpação. É de esperar que a celebração em 2010 do Ano de África em França, com a participação das tropas africanas no desfile de 14 de Julho, dê a oportunidade de uma reabilitação da imagem do «Bougnoule» (Árabe – NdT) no imaginário francês e da reabilitação da contribuição da «pequena gente da república» para a grandeza de França. Que tal não desagrade aos intelectuais da corte, a excepcionalidade francesa é uma singularidade que se vive como impunidade, uma especificidade que se vive como superioridade.

Primeiro país a ter institucionalizado o terror como modo de governo, com Maximilien de Robespierre, durante a Revolução Francesa (1794), a França é também o primeiro país a inaugurar a pirataria aérea, em 1955, com o desvio do avião dos líderes históricos do movimento independentista argelino (Ahmad Ben Bella, Mohamad Khider, Mohamad Boudiaf e Krim Belkacem), dando assim o exemplo aos militantes do terceiro mundo em luta pela sua independência.

A reincidência na singularidade é também uma característica da excepcionalidade francesa: este país jacobino, igualitário e igualitarista vai também distinguir-se por ser o único país no mundo a ter oficializado o «gobino-darwinismo jurídico», codificando no Direito «a teoria da desigualdade das raças», uma codificação feita sem discernimento, para promover não a igualdade, mas a segregação.

A «Pátria dos Direitos do Homem» e das compilações jurídicas modernas – o código civil e o código penal – é, de facto, o país da legislação discriminatória, o país da codificação da abominação, o país do «Código Negro» da escravatura, na Monarquia, do «Código do Indigenato» na Argélia, na República, que pôs em prática com as «exposições etnológicas», esses «zoos humanos» criados para fixar no imaginário colectivo dos povos do terceiro mundo a ideia de uma inferioridade duradoura dos «povos de cor» e, como consequência, a superioridade da raça branca… como se o branco não fosse uma cor, mesmo que os seus defensores o vivam como imaculado, o que está longe de ser o caso, a julgar pelas torpezas da sua História.

Para memória, mas é preciso recordar? As três grandes figuras tutelares do século XX pela sua contribuição à moral universal terão sido três personalidades do terceiro mundo colonizado: Mahatma Gandhi (Índia), Nelson Mandela (África do Sul) e, para o espaço francófono, o martinicano Aimé Césaire, três apóstolos da não-violência, uma consagração que soa como um desaforo para os países ocidentais com o seu cortejo de nazismo, fascismo, totalitarismo e esclavagismo. E, por mais doloroso que possa ser para o nosso orgulho nacional, temos de reconhecer que a França, em contraposição, terá sido o único grande país europeu na articulação maior dos dois grandes flagelos do Ocidente da época contemporânea, «as inclinações criminosas da Europa democrática» o tráfico de escravos e a exterminação dos judeus, ao contrário da Grã-Bretanha que praticou exclusivamente o tráfico de escravos, sem de todo participar na exterminação dos judeus, ao contrário até da Alemanha que concebeu e realizou, ela, a solução final da questão judaica, mas sem participação significativa no tráfico de escravos. O dever da verdade não constitui, portanto, segundo uma análise chauvinista, uma patranha assimilável ‘às lágrimas do homem branco’, mas um acto de coragem moral de salubridade pública.

Errar é humano, mas repetir o erro é diabólico. Para o evitar, importa lembrar que a identidade francesa era vichista sob Pétain e a esmagadora maioria dos franceses identificava-se com ela, enquanto era ferozmente combatida pelos métèques da República.

A identidade francesa, a sua honra e grandeza vivem-se e reivindicam-se no «papel positivo» da colonização com o Doutor Albert Schweitzer de Lambaréné (Gabão), e nos 955.491 soldados coloniais do ultramar que combateram por França durante as duas guerras mundiais (1914-1918, 1939-1945), incluindo 113.000 «indígenas da República» mortos em campo de honra, regando duradouramente os sulcos de França com o seu «sangue impuro». 113.000 indígenas mortos por França, o que equivale à população combinada das cidades de Fréjus, Henin-Beaumont e Beaucaire, os três redutos da Frente Nacional, sem que nessa altura se falasse em «limite de tolerância», muito menos em teste de ADN ou de charters da vergonha, mas de sangue a derramar em abundância. A identidade francesa vive-se e reivindica-se no « privilégio da terra de França », que libertava qualquer escravo no momento em que pisava o solo francês, a França terra de asilo e não na França da « Vénus Hotentote » e dos « zoos humanos ». Na França de Valmy e da Ponte d’Arcole e não na da auto-destruiçao da frota francesa de Toulon ou da expedição punitiva ao Suez. Na « França Livre » e não na França de Sétif (Argélia) e de Thiaroye (Senegal).

Na França das convicções republicanas e não na dos traidores cosmopolitas que desvalorizam o compromisso político. No Prefeito Jean Moulin e não no Prefeito Maurice Papon, nos imigrantes do grupo Manouchian, esses párias do Cartaz Vermelho, e não na França vichista, cúmplice do nazismo, em Guy Môquet e não no seu delator, o ministro do interior da época, e nos seus capangas da polícia francesa, fornecedores dos seus carrascos alemães.

No general Jacques Pâris de la Bollardière, a consciência do exército francês durante a guerra da Argélia (1956-1962), e não no general Paul Aussarresses, o torturador dos maquis argelinos. No matemático Maurice Audin e no portador de malas Francis Jeanson, e não no portador de sacos de farinha mediático, Bernard Kouchner, o apoiante mercantilista dos ditadores africanos, o desagregador do Mundo Árabe, do sul do Sudão ao Curdistão, as novas plataformas operacionais de Israel nas duas extremidades do Mundo Árabe.

Na França do discurso de Phnon Penh (Charles de Gaulle) e de Cancun (François Mitterrand) e não na França do discurso de Dakar sobre o homem africano «ainda não suficientemente entrado na história» (Nicolas Sarkozy) e do discurso de Túnis sobre a divisão racial do trabalho entre franceses e árabes na bacia do Mediterrâneo: «Para nós a inteligência, para vocês a força de trabalho» (Nicolas Sarkozy ibidem).

Na França da bela língua revolucionária francesa de Voltaire, de Aimé Césaire, de Frantz Fanon, de Léopold Sédar Senghor e de Kateb Yacine, que carregam em si o brilho da França, e não naquela do «Casse toi pauv’con», aquele verlan argótico tão detestado pela classe política tão detestável pelos seus excessos de linguagem e comportamento.

Na França do Abbé Pierre e não na de Brice Hortefeux, aquela de «um típico de Auvergne está bem, mas quando há demasiados, olhem os estragos». Na França de Yannick Noah (Roland Garros 1982) e de Zinedine Zidane (Taça do Mundo 1998) e da «equipa de futebol negra, negra, negra, chacota da Europa» (Alain Finkielkraut), mas ainda assim orgulho da França, e não na França dos bairros «pure white, blancos» do Presidente socialista de Évry, Manuel Valls.
Neste contexto, a leitura pública da carta do jovem resistente comunista fuzilado Guy Môquet poderia ter tido valor pedagógico e terapêutico se este exercício tivesse sido acompanhado da denúncia dos seus carrascos, neste caso a polícia francesa, a polícia, ou seja, a base do poder securitário do actual primeiro-ministro francês. Tal denúncia teria sido vista como um acto de coragem e responsabilidade e não como aconteceu, como uma operação de falsificação da história, um exercício de aproveitamento demagógico, um acto de desvio memorial.

A noção de identidade nacional surge, nesta perspetiva, como uma noção relativa. Para a sua perenidade, a identidade nacional deve basear-se em valores universais, imutáveis e não sujeitos a variações consoante considerações eleitoralistas.

Aliás, o debate ganharia em clareza se a confusão não fosse mantida ao mais alto nível do Estado com a nomeação de um reservista do exército israelita, Arno Klarsfeld, para o cargo de conselheiro em plena guerra de destruição israelita do Líbano (Julho de 2006), ou a de um dirigente do American Jewish Committee, Valérie Hoffenberg, encarregue de acompanhar, em nome de França, as negociações israelo-palestinianas… tudo isto enquanto proclamava bem alto a proibição de importar para França o conflito israelo-palestiniano. Um presidente que fantasia sobre «as ovelhas que se degolam nas banheiras» e que, no entanto, procura regularmente a hospitalidade das banheiras dos palácios reais árabes, de Doha a Rabat, tomando a iniciativa de estigmatizar uma componente da população por motivos ocultos e mesquinhos de caráter eleitoral.

Neste sentido, "as ovelhas que são abatidas nas banheiras" (Nicolas Sarkozy), assim como os "ruídos e cheiros das famílias imigrantes" que são geneticamente prolíficas (Jacques Chirac), permanecerão uma mancha indelével no discurso político francês e desonrarão os seus autores. Se não tivermos cuidado, abririam caminho a excessos fascistas no comportamento político francês.

Enganemo-nos, com todo o respeito mais uma vez pelos escritores do salonnard (sacana – NdT), o povo de pele escura de França está lá e verdadeiramente presente, duradouramente ancorado no panorama político e social francês, aqueles cujo "papel positivo" nunca foi solenemente celebrado, excepto de forma incidental, quando não foi simplesmente negado ou controverso.

Em França, não o país anfitrião, mas o país de eleição. Determinados a defender a elevada ideia que têm de França e que a França quer entregar-se ao mundo, determinados a defender a grandeza de França e não a sua megalomania, a sua grandeza e não o seu nanismo político.

Combater todos aqueles que enfraquecem a economia com uma gestão arriscada, todos aqueles que desacreditam a política através de conluio escandaloso. Todos aqueles que poluem a imagem de França, com empregos fictícios e responsabilidades fictícias, com "desaparecimento de receitas", com comissões retroactivas e despesas de representação, com delitos de insider e abuso de bens sociais. Esses senhores das fragatas de Taiwan, da Clearstream e do Angolagate. Do Crédit Lyonnais e da Compagnie Générale des Eaux. Da Elf Aquitaine e da EADS, da Executive Life e da Pechiney American-Can. Dos mercados da Ile de France e dos HLM de Paris, da MNEF e da Urba-Gracco. Dos escândalos de Dominique Strauss-Khan e Jérôme Cahuzac, até ao caso Bettencourt e ao financiamento líbio das campanhas presidenciais.

Aqueles que desvalorizam a sua justiça com casos de Outreau (O nome refere-se ao famoso "caso Outreau", um grave escândalo de abuso infantil e um dos maiores erros judiciais da história da justiça francesa – NdT), ocorrido no final dos anos 90 e início dos anos 2000, escutas telefónicas ilegais, triagem selectiva e os “charters da vergonha”. Que desvalorizam os seus nacionais com insultos raciais, ataques a imigrantes, delinquência e o Kärcher.

Contra a “França de baixo” que governa o país, a França das manobras baixas e dos cálculos mesquinhos, das “zonas sem lei e dos privilégios”, das nomeações por conveniência e dos apartamentos oficiais. A França que se recusa a dar um empurrão ao salário mínimo, mas que exacerba o antagonismo social ao reforçar a riqueza dos mais afortunados, dando-lhes um “escudo fiscal” em plena crise bancária. A França que “cristaliza” e reduz ao mínimo as pensões dos antigos combatentes “morenos” do exército francês, mas que aumenta em 70 por cento o salário dos ministros endinheirados.

A França, que enche de « stock options e de paraquedas dourados » os gestores em falência, como os da Vinci e Carrefour, que recicla a fraude em respeitabilidade, promovendo ao Conselho de Estado, o templo da virtude republicana, como recompensa por serviços prestados na distracção da justiça, tal ministro da justiça, que passou para a história como o mais famoso interceptor de helicópteros das crónicas judiciais internacionais (Jacques Toubon), promovido agora à função de Mediador da República. 

Em poucas palavras, contra esta postura de desprezo e irresponsabilidade, a peculiar teoria do « bode expiatório à francesa » que isenta o responsável de qualquer responsabilidade através de uma espécie de privilégio anti-democrático, tirando a sua justificação de uma ideologia proto-fascista inerente a uma parte da cultura francesa.

Contra a criminalização da política, este estado de coisas sintomático da França contemporânea, como testemunha « O registo criminal da República », com um balanço revelador onde se contam, apenas na década de 1990, novecentos (900) eleitos acusados, seja por delinquência financeira, seja por crimes contra bens e pessoas, incluindo crimes sexuais, enquanto a «tolerância zero» em relação à criminalidade de colarinho branco deveria, no entanto, ser um imperativo categórico da ordem republicana, em virtude do princípio da exemplaridade do Estado.

Nunca um país pareceu mais preocupado em enaltecer o seu passado. Todas as variações do calendário desfilam em comemoração: Bi-milenário do baptismo de Clóvis (1996), que marca a união da França à Cristandade, 1500.º aniversário da proclamação do Édito de Nantes (1598), que pôs fim à guerra religiosa entre Católicos e Protestantes, Bi-centenário da Revolução Francesa (1989), centésimo quinquagésimo aniversário da abolição da escravatura (Maio de 1998), Centenário do manifesto acusador de Émile Zola contra a segregação politico-religiosa («J’accuse», Janeiro de 1998), sexagésimo aniversário da libertação da França, quinquagésimo aniversário da V República, e finalmente o quadragésimo aniversário da revolta estudantil de Maio de 1968… como se a França quisesse compensar o seu recuo tímido sobre si mesma, buscando na sua glória passada a esperança do seu futuro.

Não vejam aqui nenhuma interferência partidária ou eleitoral, mas qualquer pessoa preocupada com o estatuto da França — seja francês de origem ou francês de escolha — deve entregar-se a tal introspecção, uma medida de salubridade pública, tanto é verdade que a história de hoje é a memória de amanhã e que é importante ser firme na denúncia das derivações contemporâneas para evitar dolorosas reminiscências da memória futura.

 

René Naba

Jornalista-escritor, antigo chefe do Mundo Árabe e Muçulmano ao serviço diplomático da AFP, depois conselheiro do director-geral do RMC Médio Oriente, chefe de informação, membro do grupo consultivo do Instituto Escandinavo de Direitos Humanos e da Associação Euro-Árabe de Amizade. De 1969 a 1979, foi correspondente rotativo no gabinete regional da Agence France-Presse (AFP) em Beirute, onde cobriu a guerra civil jordano-palestiniana, o "Setembro Negro" de 1970, a nacionalização de instalações petrolíferas no Iraque e na Líbia (1972), uma dúzia de golpes de Estado e sequestros de aviões, bem como a Guerra do Líbano (1975-1990) a 3.ª guerra árabe-israelita de Outubro de 1973, as primeiras negociações de paz egípcio-israelitas em Mena House, Cairo (1979). De 1979 a 1989, esteve à frente do mundo árabe-muçulmano no serviço diplomático da AFP, depois conselheiro do director-geral do RMC Médio Oriente, responsável pela informação, de 1989 a 1995. Autor de "Arábia Saudita, um reino das trevas" (Golias), "De Bougnoule a selvagem, uma viagem pela imaginação francesa" (Harmattan), "Hariri, de pai a filho, empresários, primeiros-ministros" (Harmattan), "As revoluções árabes e a maldição de Camp David" (Bachari), "Media e Democracia, a captura do imaginário um desafio do século XXI" (Golias). Desde 2013, é membro do grupo consultivo do Instituto Escandinavo para os Direitos Humanos (SIHR), sediado em Genebra. É também Vice-Presidente do Centro Internacional Contra o Terrorismo (ICALT), Genebra; Presidente da instituição de caridade LINA, que opera nos bairros do norte de Marselha, e Presidente Honorário do 'Car tu y es libre' (Bairro Livre), que trabalha para a promoção social e política das áreas periurbanas no departamento das Bocas do Ródano, no sul de França. Desde 2014, é consultor no Instituto Internacional para a Paz, Justiça e Direitos Humanos (IIPJDH), sediado em Genebra. Desde 1 de Setembro de 2014, é responsável pela coordenação editorial do site https://www.madaniya.info  e apresenta uma coluna semanal na Rádio Galère (Marselha), às quintas-feiras das 16h às 18h.

Todos os artigos de René Naba


Fonte: La controverse de Poitiers 2/2 - Madaniya

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice





Os capitalistas que governam o mundo estão a ficar mais ricos ou mais pobres com estas guerras permanentes?

 


Os capitalistas que governam o mundo estão a ficar mais ricos ou mais pobres com estas guerras permanentes?

21 de agosto de 2026 Robert Bibeau



Por Normand Bibeau e Robert Bibeau.

'QUANDO O HOMEM SÁBIO APONTA PARA A LUA, O IDIOTA OLHA PARA O DEDO."

Alastair Crooke, como "ex-negociador" de Sua Majestade a Rainha e do MI-6 anglo-saxónico com as organizações palestinianas e do Médio Oriente renegadas, "astutamente" bombardeia-nos com detalhes militares, sobre "árvores para melhor esconder a floresta de nós": O IMPERIALISMO e guerras intermináveis enriquecem a burguesia ao transformar "carne para patrões" em "carne para canhão". Ver artigo: Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: As tensões transformam-se em chamas e espalham-se por todo o Médio Oriente (Alastair Crooke)

Quem não repara que Crooke, como todos os "auto-proclamados e licenciados especialistas burgueses" das guerras na Ucrânia e no Médio Oriente, NUNCA menciona o estado dos lucros e perdas das empresas capitalistas envolvidas nestas guerras intermináveis:

Os capitalistas que governam o mundo estão a ficar mais ricos ou mais pobres com estas guerras permanentes?

Vão fazer grandes contribuições financeiras para os cofres eleitorais dos seus arruaceiros políticos, estes "parlamentares" mitomaníacos e burgueses patológicos, sem fé nem lei, excepto ao lucrar em prebendas generosas, durante o seu serviço político activo e maiores sinecuras depois de servir nos conselhos de administração ou como "comentadores" nos MEDIA TRADICIONAIS DE BILIONÁRIOS?

Vamos colocar a última questão capitalista:

"A partir de 15 de Agosto de 2026, as guerras na Ucrânia e no Médio Oriente enriqueceram ou empobreceram os capitalistas das empresas dos complexos petrolífero e militar-industrial?"

Sem qualquer hesitação, qualquer analista económico honesto, que exclua desde o início TODA a escória jornalística dos media tradicionais pertencente aos bilionários e TODOS os "especialistas militares" licenciados desses mesmos meios a soldo, a resposta é:

ABSOLUTAMENTE SIM, e não só um pouco.


1- SECTOR PETROLÍFERO

A ExxonMobil obteve lucros de US$14,5 mil milhões ("B") no segundo trimestre de 2026 (após a traiçoeira agressão contra o Irão a 28 de Fevereiro de 2026), com um fluxo de caixa operacional de 23,6 mil milhões de dólares, o seu melhor resultado em 4 anos. A Exxon explica este enriquecimento excepcional ao elevado preço de um barril de petróleo e às margens de refinação, duas consequências directas da Guerra do Golfo Pérsico, enquanto os "seus" concorrentes "árabes e iranianos" são por vezes "bloqueados", outras vezes destruídos, graças à pérfida guerra de agressão YANKEE U$. (re: ExxonMobilHoldings, investor.exconmobol.com, 31/07/2026; reuters.com, 31/07/2026).

A Chevron obteve lucros de 12,1 mil milhões de dólares no segundo trimestre, dos quais 12 mil milhões foram ajustados. O seu lucro upstream aumentou 200% e o lucro de refinação gerou 4,9 mil milhões de dólares americanos, uma produção recorde de U$. (re: chevron.com, 31/07/2026; reters.com, 31/07/2026).

Embora possa parecer surreal ao ler estes lucros gigantescos obtidos por estes dois "grandes" do complexo petrolífero YANKEEU$, é no capítulo da refinação que a guerra contra os concorrentes "árabe-iranianos" tem sido a mais lucrativa para os capitalistas ocidentais, em detrimento dos seus concorrentes bilionários orientais.

Assim, a Marathon Petroliuma Phillips 66 e a Valero juntas obtiveram um lucro de 12,6 mil milhões de dólares no segundo trimestre de 2026, lucros recorde obtidos directamente graças ao "bloqueio" do Estreito de Ormuz pelo exército U$ YANKEE e pelo Irão. As margens do gasóleo atingiram um máximo histórico de 93,84 dólares por barril em Agosto de 2026. (re:reuters.com, 31/07/2026).

Na Europa, a Shell Petrolium obteve lucros de 9,84 mil milhões de dólares no segundo trimestre de 2022, mais do que o dobro de 2025 e o seu segundo melhor lucro na sua história. A Reuters atribui explicitamente estes lucros recorde à subida do preço de um barril de petróleo e à volatilidade resultante directamente da guerra no Médio Oriente.

A British Petroleum ("BP") obteve lucros no segundo trimestre de ~5,7 mil milhões de dólares, um aumento de 144% em relação ao ano anterior. As suas receitas explodiram para 70 mil milhões de dólares, um aumento de 47% graças ao aumento dos preços do petróleo, margens de comércio e refinamento, lucros gerados pela guerra no Médio Oriente. (re:reuters.com, 23/07/2026; lemondefr, 23/07/2026).

A TotalEnergies de França teve o seu melhor trimestre em 3 anos, com ~6 mil milhões de dólares em lucros ajustados, um aumento de +72% nos primeiros dois trimestres. Os resultados de refinação explodiram com um aumento de +362% em relação ao ano anterior. (Re: Lemonde.fr, 23/07/2026; reuters.com, 08/4/2026).

Em suma, desde 28 de Fevereiro de 2026, data da retoma das pérfidas agressões militares e financeiras contra os seus concorrentes, os monopólios bilionários "árabe-iranianos" apátridas incentivados pelo seu "associado", de tez laranja e cabelo peróxido, um fraudador eleitoral condenado e provado genocida, são 48 mil milhões de dólares em lucros "extraordinários" que estes 5 "grandes" "principais" do complexo petrolífero ocidental, apátrida e, acima de tudo, multinacional acumularam graças à guerra da Carne para canhão do Leste e do Oeste.


2- O COMPLEXO MILITAR-INDUSTRIAL

Os "grandes vencedores" capitalistas das guerras intermináveis e dos massacres desumanos dos pobres e deserdados são, de longe, os do complexo militar-industrial, como demonstram claramente os seguintes 4 exemplos.

Locked Martin.

No segundo trimestre de 2026, esta empresa YANKEE U$ alcançou vendas de 20,1 mil milhões de dólares, um aumento de +11%, lucros líquidos de 1,8 mil milhões de dólares, fluxo de caixa livre de 2,9 mil milhões de dólares e, acima de tudo, um recorde histórico de 230 mil milhões de dólares graças ao gigantesco programa de produção de mísseis interceptores THAAD. (re:investors.lockheedmartin.com, 23/07/2026).

RTX/Rayton

Os seus lucros e rendimentos são ainda mais impressionantes com vendas de 24,7 mil milhões de $ US a +14%; lucros de 2,14 mil milhões de $ US a +29%; 'ajustados' de 2,58 mil milhões de $ US a +22% e uma carteira de encomendas de 289 mil milhões de $ US graças a encomendas recorde de mísseis Patriot, mísseis Standard e AMRAAM, armas especialmente procuradas nas guerras actuais. Ainda mais revelador, a RTX aumentou as suas previsões financeiras para 2026. (re:rtx.com,23/07/2026).

Northrop Grumman As suas vendas atingiram 10,9 mil milhões de dólares EUA, um aumento de +5%, e um livro de encomendas recorde de 105 mil milhões de dólares EUA, dos quais 20 mil milhões de dólares EUA só no 2º trimestre, e elevou as suas previsões financeiras para 2026. (re:ebs.publicnow.com, 21/07/2026)

General Dynamics, No segundo trimestre, a GD reportou receitas de 14,1 mil milhões de dólares americanos, um aumento de +8,1%; lucros líquidos de 1,16 mil milhões de dólares, aumentos de +14,4% e +13,4% por acção, e um registo de encomendas de 136,5 mil milhões de dólares, incluindo 20 mil milhões só no segundo trimestre e 14,7 mil milhões na divisão de guerra. (re:gd.com, 29/07/2026).

Os meios de comunicação tradicionais detidos por bilionários, o Financial Times e companhia, publicaram que a Lockheed, a Northrop e a RTX aumentaram as suas previsões de lucro para 2026, à medida que o Pentágono intensifica as suas ordens para reabastecer os seus stocks de armas e mísseis em preparação para mais agressões militares traiçoeiras contra os seus concorrentes pela hegemonia mundial e pelo "roubo", pilhagem, bandidagem, pirataria e a exploração impiedosa dos proletários de todo o mundo.

Um estudo realizado em 27 Estados da União Europeia ("U€") estima que, só nas primeiras três semanas da guerra, as petrolíferas obtiveram lucros adicionais de 81,4 milhões de euros por dia, ou cerca de 1,71 mil milhões de euros ao longo de 3 semanas. (re:greenpeace.org, 30/03/2026)

Nos U$A, os dados são ainda mais impressionantes: as 3 principais companhias petrolíferas registaram simultaneamente estes 12,6 mil milhões de dólares em lucros e distribuíram 6,3 mil milhões de dólares aos accionistas. (sobre reuters.com, 26/07/2026).

Enquanto os bilionários dos complexos petrolíferos e militar-industriais associados a Tr0mp e ao império da sua família se banqueteiam e obtêm lucros gigantescos, só o clã mafioso de Atlantic City e Nova Iorque do "Império Tr0mp" já conseguiu reunir cerca de 4 mil milhões de dólares em receitas "extraordinárias" através do seu próprio uso de informação privilegiada e desvio criminoso do mercado de acções com a cumplicidade dos capitalistas ocidentais e a bênção de jornalistas a soldo.

JÁ QUE "nada se perde e nada é criado" (Lavoisier), como ensina a ciência, ousemos a pergunta final:


QUEM PAGA PARA ENRIQUECER OS CAPITALISTAS DOS COMPLEXOS PETROLÍFERO E MILITAR-INDUSTRIAL?

Sem dúvida, são os "consumidores/contribuintes", o "populo", que paga por esta transferência de riqueza das suas carteiras para a dos accionistas capitalistas das empresas bilionárias que estão a recolher lucros recorde, como demonstrado nos parágrafos anteriores.

Já em Março de 2026, a Agência Internacional de Energia descreveu a "disrupção" do mercado petrolífero pela guerra no Médio Oriente (um eufemismo para as agressões traiçoeiras do imperialismo YANKKEE U$/SIONAZI$ ISRAEL$) como a maior da história mundial. (re:iea.org, março de 2026)

O BCE estima que o "bloqueio" do Estreito de Ormuz interrompeu a entrega de cerca de 20 milhões de barris por dia ("mb/d"), ou 20% do fornecimento mundial, com uma perda efectiva de 14 mb/d desde o início da guerra de agressão israelita YANKKEE U$/SIONAZI$.

Estas guerras traiçoeiras de agressão fizeram com que o preço médio da gasolina nos U$A passasse de US$2,91 em fevereiro de 2026 para $4,10 em Abril, $4,48 em Maio, $4,05 em Junho, $3,93 em Julho e $4,08 em 15 de Agosto de 2026, um aumento impressionante de +29% desde Agosto de 2025. (re:reuters.com, 15/08/2026).

Um consumidor americano médio que consumiu 1500 galões/ano pagou 4.365 dólares/ano em gasolina pelo seu carro, em Agosto de 2025; este mesmo consumidor médio paga pela mesma quantidade de gasolina, em Agosto de 2026: $6.120/ano, um aumento de 1.755/ano, um aumento do seu custo de vida ("IPC") de +14,7% apenas em termos do consumo de gasolina.

Este aumento do preço da gasolina contribuiu directamente para o aumento do custo total de vida, que foi de +3,4% entre Julho de 2025 e Julho de 2026, dos quais +3%/ano para alimentos. (re:bls.gov, 07/2026).

Na Europa, o IPC foi de +2,9% em Julho, incluindo a energia de +10,9%, aumentos que o BCE atribui explicitamente à "crise energética" causada pela guerra na Ucrânia e no Médio Oriente. Só a guerra no Médio Oriente acrescentou 0,2 pontos percentuais à inflação de 2026. (RE:ECB.Europea, 06/03/2026).

O enriquecimento do complexo militar-industrial U$YANKEE até à data custou U$+$27 mil milhões (+3%) aos contribuintes americanos, com um aumento dos gastos militares de U$891 mil milhões em 2025 para $918 mil milhões em 2026, resultando num aumento de +2,7% do PIB, dos quais 2/3 são financiados pelo défice.

A Moody's, em Junho de 2026, estimou o custo da guerra no Médio Oriente para as famílias U$ em 100 mil milhões de dólares americanos, um valor que resultará num aumento da dívida e cortes noutros serviços estatais. (re:fortune.com 06/02/2026).

O caso da Europa é tão escandaloso quanto o programa ReArmar Europa/Prontidão 2030, que prevê até 650 mil milhões de euros em espaço orçamental adicional para os gastos militares dos Estados-membros, institucionalizou a dívida devido à acelerada militarização da União Europeia em resposta às guerras no Médio Oriente e na Ucrânia.

A Alemanha do novo fürher Merz nazi (2 vezes + despesa militar em 2026 do que em 2025 em €95 mil milhões e €500 mil milhões em 4 anos); França do rei pequeno de saltos altos cravejados, Micron I; dos britânicos "trabalhistas/realistas renegados" e dos "colaboradores/kapos" VA$$aux embarcaram histericamente no caminho do LEBENSRAUM EURONAZI 2.0 no Leste, sob a bota do seu "aliado" YANKEE U$ contra a Federação Russa do Czar Putin e do seu "aliado", o Imperador e filho do céu, Xi, para compensar o défice obtido em termos de "fornecimento energético", dos recursos naturais e humanos gerados pelas guerras na Ucrânia e no Médio Oriente. (ver o artigo:

a humanidade, com a «4.ª revolução industrial», a revolução «cibernética / IA», entrou numa era em que a acumulação de capital necessária para financiar esta revolução «industrial» só pode ser realizada de acordo com a sua natureza sistémica: a expropriação forçada pelo guerra e pelas fomes do proletariado e a concentração de capital nas mãos de uma minoria ainda mais restrita de capitalistas através da eliminação da concorrência.

O proletariado deve salvar a própria pele e derrubar a ditadura mortífera e genocida dos capitalistas que dominam o mundo antes que arrastem a humanidade para a sua destruição nuclear apocalíptica.

PROLETÁRIOS DE TODO O MUNDO, UNÍ-VOS
E DERRUBEM O SISTEMA CAPITALISTA!


ANEXO

 Como o último desafio de Khamenei...
SPIRIT’S FREESPEECH

A guerra NATO/Rússia e a guerra dos EUA contra o Irão são apenas variações da mesma guerra imperialista contra estados civilizados soberanos envolvidos na integração eurasiática.




: "TINHAM A ESCOLHA ENTRE A GUERRA
E A DESONRA; ESCOLHERAM A DESONRA,
TÊM A GUERRA".

Por Normand Bibeau
: "TINHAM A ESCOLHA ENTRE A GUERRA
E A DESONRA; ESCOLHERAM A DESONRA,
TÊM A GUERRA".

O que é que Pepe Escobar não teria compreendido sobre a natureza hegemónica do imperialismo mundial desde o seu advento, como Lenine a descreveu habilmente na sua invencível análise marxista: "Imperialismo, o estágio supremo do capitalismo", o complemento económico analítico do Capital de Marx:

"O imperialismo é o capitalismo que atingiu uma fase de desenvolvimento em que se afirmou a dominação dos monopólios e do capital financeiro (a 'fusão do capital bancário e industrial' sob a dominação do capital bancário, nota do editor), onde a exportação de capital adquiriu uma importância principal, onde começou a divisão entre os trusts internacionais e onde a divisão de todo o território do globo entre os maiores países capitalistas foi completada. […]

A guerra de 1914-1918 é, de ambos os lados ("Império Britânico-Império Francês-Império Russo-Império U$" vs. "Império Austro-Húngaro-Império Otomano-Prússia") uma guerra imperialista, uma guerra de bandidos, uma guerra de pilhagem, uma guerra pela divisão do mundo, pela divisão das colónias, das esferas de influência do capital financeiro.

Assim, Lenine afirmou claramente que, dos "2 LADOS", a FINALIDADE da 1.ª Guerra Mundial foi:

1- a divisão das colónias;
2- o controlo das matérias-primas;
3- oportunidades económicas;
4- a exportação de capital;
5- a dominação dos mercados mundiais.

A 1.ª Guerra Mundial, como TODAS as GUERRAS, aliás: a Segunda, as centenas travadas desde então, incluindo as actuais na Europa e no Golfo Pérsico e a 3.ª em preparação, teve e ainda tem os mesmos FIN$ expostos por Lenine de dominar, "roubar, pilhar, rapinar e escravizar" os povos do mundo para o enriquecimento dos imperialistas, e isto, nas "2 COSTAS$", tanto o dos "potentados unipolares" (U$A, NATO, U€, Japão, Coreia do Sul, Austrália, entre outros) como os "desafiantes multipolares" (China, Rússia, Irão, Coreia do Norte, BRICS + ou –).

As "guerras" da propaganda goebeliana, ataques terroristas, derrubes de regimes, "sanções-confiscações", agressões militares, tarifas, raptos, subversões eleitorais, bloqueio dos "POTENTADOS UNIPOLARES" para apoderar-se dos "recursos naturais e humanos, capital e mercados" da Ucrânia, Síria, Estados Árabes, Federação Russa, Argentina, Irão, entre outros, através destas "guerras imperialistas" de agressão, tanto "externas" através de confrontos armados e económicos, como "internas" através de infiltração, corrupção, subversão e "golpes palacianos", juntamente com a asfixia e subversão da economia mundial através de uma "guerra tarifária", acompanhada por constantes ameaças de "extermínio", um "regresso à Idade da Pedra" e, em última análise, de uma agressão militar mundial pérfida, na altura considerada oportuna, que responde "naturalmente na lógica imperialista-capitalista" à crise sistémica do capitalismo, à busca incessante de novos mercados, à exploração de "recursos naturais e humanos" para enriquecer os capitalistas e os seus lacaios na confrontação ditada pela "concorrência no mercado capitalista", contra os "DESAFIANTES MULTIPOLARES" que travam as suas "guerras" imperialistas de conquista dos mercados, "recursos naturais e humanos" a serem explorados para enriquecer os seus capitalistas e capangas através de: "Belt and Road-BRI" «Iniciativa do Cinturão e Rota + Novas Rotas da Seda + Iniciativas das Novas Rotas da Seda; O Cinturão Económico da Rota da Seda - corredores terrestres - e a Rota Marítima da Seda do século XXI - a Rota Digital da Seda; a Rota da Seda da Saúde - Health Silk Road; a Rota da Seda Polar - Polar Silk Road; a Rota da Seda Verde - Green Silk Road) lançada "oficialmente" em 2013 por Xi Jinping com a ajuda de importantes ferramentas financeiras (capital financeiro), como o Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas ("AIIB"), o Fundo da Rota da Seda ("Fundos da Rota da Seda") e o Banco de Exportação-Importação da China ("Exim Bank of China"), resumindo, um "ataque" económico total por parte do capital financeiro "chinês mundialista" para garantir a dominação "chino-mundialista" através da segurança dos seus fornecimentos de matérias-primas e energia na guerra mundial imperialista-capitalista pela dominação hegemónica mundial.

Tal como nas duas Guerras Mundiais anteriores,

Tanto a 1.ª como os seus 15 a 22 milhões de mortes; entre 21 a 23 milhões de feridos; os seus 7 a 8 milhões desaparecidos ou presos e os seus danos materiais, 186 mil milhões de dólares em danos a dólares da época, ou triliões no valor actual;

que a Segunda e os seus 70 a 85 milhões de mortes (3% da população mundial na altura);

os seus 35 a 45 milhões de feridos; os seus 60 milhões de deslocados e refugiados e os seus 1000 mil milhões de dólares em danos materiais na altura e centenas de milhares de milhões de dólares hoje em dia.

Albert Einstein, um génio da física, socialista e anti-sionista, escreveu correctamente:

"Não sei como se desenrolará a 3.ª Guerra Mundial, mas sei que a 4.ª será travada com lanças e pederneiras"

porque a humanidade será trazida de volta à «idade da pedra» pelas bombas nucleares e pela radioatividade, um futuro apocalíptico desumano que os mestres do mundo imperialista: Tr0mp, Putin, Macron, Merz, Starmer, Xi e TODAS as comitivas políticas dos «comités executivos da burguesia» que são os governos e os seus propagandistas dos merdias dos bilionários, têm a infâmia e a desumanidade de proclamar impunemente perante o mundo como o futuro da civilização se ela não se submeter docilmente aos seus ditados de «roubo, pilhagem, banditismo e exploração» bárbara.

Pepe Escobar não pode "honestamente" ignorar os ensinamentos históricos irrefutáveis de Marx, Engels, Lenine, Rosa Luxemburgo, Mao Zedong, Enver Hoxha e TODOS os MARXISTAS sobre as guerras imperialistas e a sua HEGEMÓNICA FINALIDADE que estão em acção em TODAS as guerras imperialistas, tanto na Ucrânia como no Golfo Pérsico, e que em nenhum caso os imperialistas dos "2 LADOS" respeitarão os seus compromissos porque, pela sua natureza de classes, a classe que as produz e as sofre, o proletariado, nunca é a que as faz produzir e se enriquece com elas, a burguesia, e devido a imposições objectivas e subjectivas incontornáveis do capitalismo, que são: a «concorrência»: "competição"; a "lei do mercado"; evolução por salto através das "revoluções industriais permanentes"; desperdício; a degradação da natureza e composição orgânica do capital e a tendência da taxa de lucro para cair, o que TUDO conduz a crises sistémicas de sobreprodução capitalista e guerras imperialistas da destruição dos excedentes de capital financeiro e humano que constituem a sua única «saída» sob a ditadura capitalista, como em TODAS as sociedades divididas em classes sociais antagónicas, como provou claramente TODA a história da humanidade desde os impérios esclavagistas da Antiguidade até às Guerras Mundiais modernas, passando por todas as guerras feudais sem fim.

 

«A LOUCURA É FAZER SEMPRE A MESMA COISA E ESPERAR UM RESULTADO DIFERENTE» (Albert Einstein) ou, no que diz respeito a PEPE ESCOBAR e aos seus conhecimentos comprovados, será que se trata de LOUCURA ou de INTERESSE?

No dia 6 de fevereiro de 2023, António Guterres, secretário-geral de uma ONU moribunda, por ocasião do seu discurso de abertura da sessão de 2023, declarou de forma quase premonitória:

«Receio que o mundo não esteja a caminhar sonâmbulo para uma guerra maior. Receio que lá esteja a ir de olhos bem abertos»;

No dia 1 de agosto de 2002, por ocasião da 10.ª Conferência sobre a não proliferação de armas nucleares, já tinha profetizado:

«A humanidade está apenas a um mal-entendido, a um erro de cálculo, da aniquilação nuclear»;

longe de se retratar, a 24 de Fevereiro de 2025, por ocasião da Conferência do Desarmamento em Genebra, enquanto longe de desarmar, a burguesia mundial condiciona de forma abertamente insana a opinião pública mundial ao recurso às armas nucleares através da propaganda goebeliana dos Tr0mp, dos Putin e de TODA a escumalha imperialista mundial dos «2 LADOS», e perante a indiferença dos idiotas úteis, acrescentava:

«A opção nuclear não é uma opção. É um caminho sem regresso para a aniquilação».

Desde então, a humanidade ouve Tromp, Netanyahu, Macron, Merz, os líderes bálticos, Putin, os ideólogos russos, os meios de comunicação mainstream dos bilionários e todos os outros, dos «2 LADOS», ameaçando recorrer à dissuasão nuclear para impor a sua ditadura bárbara e desumana.

PROLETÁRIOS DE TODO O MUNDO, UNÍ-VOS PARA SALVAR A HUMANIDADE DO APOCALÍPTICO ARMAGEDÃO NUCLEAR AO QUAL A BURGUESIA MUNDIAL NOS DESTINA.

Fonte: les capitalistes qui mènent le monde s’enrichissent-ils ou s’appauvrissent-ils de ces guerres permanentes? – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice