sábado, 7 de março de 2026

Comunicado sobre a guerra no Irão e no Líbano

 


Comunicado sobre a guerra no Irão e no Líbano

O brutal ataque americano e israelita ao Irão e ao Líbano não é senão um novo momento, ou etapa, da dinâmica que leva o mundo capitalista à guerra imperialista generalizada. Por enquanto, não há nenhum facto particular que indique nem que seja uma pausa nessa dinâmica mortífera. Após o massacre dos palestinianos, é o terror que recai sobre as populações civis iranianas e libanesas. O proletariado no Irão assim como a população é incapaz de se levantar contra o poder da burguesia iraniana e de ganhar as ruas sob os bombardeamentos massivos dos americanos. O mesmo acontece no Líbano. Cada um procura fugir ou proteger-se das bombas. Para já, a China e a Rússia imperialistas, sendo a primeira o alvo principal que os Estados Unidos têm em mente quando atacam o Irão, como fizeram ontem com a Venezuela, não podem reagir directamente e devem suportar os reveses imperialistas que lhes são impostos. Não há dúvida de que a China será forçada a reagir de uma forma ou de outra – sem mencionar as potências imperialistas europeias que se tornaram secundárias. É por isso que dizemos que a guerra actual é um produto e um factor adicional da corrida para a guerra generalizada.

Os principais grupos comunistas do campo proletário já tomaram posição exibindo um internacionalismo proletário mais ou menos afirmado, mas indubitável. Da mesma forma, excepto o CCI para quem «o caos vai aumentar [1] », a TCI e o PCI, ao publicarem Le Prolétaire em francês, indicam claramente as suas posições e análises dos acontecimentos como «uma nova etapa rumo à guerra capitalista mundial» [2] ». Poderíamos ter retomado um ou outro. Optámos por retomar o folheto do grupo bordiguista chamado Programma comunista, que publica em francês os  Cahiers internationalistes. Ele é aquele que destaca mais claramente – parece-nos – a orientação que os comunistas devem avançar hoje: a do « derrotismo revolucionário » enquanto « prática de luta que deve partir da constatação de que, precisamente, o único a ser atacado é o proletariado » e que passa pela recusa « de aceitar sacrifícios económicos e sociais em nome da economia nacional. » E da preparação para a guerra generalizada, acrescentaríamos.

É extremamente provável, no entanto, que não tenhamos a mesma compreensão da própria dinâmica da resposta proletária, aquela da greve de massas, e não da greve geral que remete à posição anarquista. Apesar disso, e o que precisa ser verificado, o folheto centra-se na orientação principal a destacar hoje, aquela que é de facto a chave da situação histórica. (Traduzimos do italiano) 

O GIGC, 6 de Março de 2026


 

Contra as guerras imperialistas, sempre e em todo o lado o derrotismo revolucionário

Sob a pressão da crise mundial do modo de produção capitalista, a situação no Médio Oriente torna-se, dia após dia, cada vez mais crítica. A guerra entre Israel e Estados Unidos e o Irão, qualquer que seja a sua evolução num futuro imediato, é ao mesmo tempo um sintoma e um factor de aceleração e agravamento.
O Estado de Israel cumpre plenamente a função e o papel que lhe foram atribuídos, imediatamente após a Segunda Guerra Mundial, pelas potências imperialistas vencedoras (os Estados Unidos e a URSS à cabeça): a de polícia armado, pago e apoiado pelos interesses do capitalismo mundial, no coração de uma região rica em petróleo, gás e outras matérias-primas preciosas, e ponto de encontro das trocas internacionais. Por seu lado, as burguesias locais (árabes e outras), laicas ou devotas, corruptas e reaccionárias, receosas face aos imperialismos mais poderosos, não fizeram e não fazem senão agarrar-se aos depósitos de ouro negro e seguir o cheiro do
dinheiro: dólares, rublos, euros ou ienes, tanto faz.

No contexto da crise mundial, todos esses factores apenas lançam as bases de um conflito inter-imperialista alargado, destinado a desembocar finalmente numa terceira guerra mundial. Os proletários já são (e serão cada vez mais) as vítimas destes cenários sangrentos, presentes e futuros. A sobreprodução de mercadorias e de capitais, típica desta fase imperialista, é na verdade também uma sobreprodução de seres humanos: vítimas a sacrificar no altar da preservação a qualquer custo do capitalismo. Os proletários e as massas em processo de proletarização de Gaza, da Cisjordânia, do Líbano, da Síria, do Irão, abandonados por todos, traídos por todos, martirizados por todos, e que além disso estão presos na armadilha infame dos nacionalismos anti-históricos, sabem-no bem pela sua terrível experiência directa.

E os proletários dos imperialismos mais poderosos, euro-asiáticos e americanos? Que ajuda podem dar aos seus irmãos hoje, depois de quase um século de contra-revolução, democrática ou fascista, que os paralisou na ilusão de que, afinal, é "o melhor e mais reformável de todos os mundos possíveis"? Nas guerras imperialistas, ensinou-nos Lenine, não existem "agredidos" nem "agressores": todos são agressores e há apenas um agredido — o proletariado mundial.

A encosta é longa e íngreme para subir, mas não há outro caminho. Os factos materiais por si mesmos encarregar-se-ão de abalar o muro até aqui compacto que separava os proletários das principais potências imperialistas dos outros contingentes de um proletariado em crescimento numérico por todo o mundo. Mas isso não é suficiente: é necessário que a tomada de consciência da necessidade de passar para um modo de produção superior volte a emergir, implicando assim o caminho difícil e longo para lá chegar. Esta é a tarefa principal das vanguardas da luta, dos revolucionários que não se deixaram enganar pelas mil ilusões semeadas ao longo de décadas de práticas reformistas e democráticas, anti-proletárias e contra-revolucionárias.

No coração desta tarefa colossal encontra-se a reivindicação do derrotismo revolucionário. Não se trata de uma palavra de ordem, mas de uma prática de luta que deve partir da constatação de que, precisamente, o único a ser atacado é o proletariado: não há «frentes» a escolher, não há «inimigos principais» ou «amigos privilegiados». É necessário lutar contra todas as burguesias e os seus Estados, e em primeiro lugar contra a sua própria burguesia e o seu próprio Estado.

Organizar-se em todos os lugares para uma luta de classes radical contra o Estado capitalista, as suas instituições e todos os seus partidos! Desenvolver uma verdadeira luta pela defesa das condições de vida e de trabalho, de forma a dar um golpe duro aos interesses económicos e políticos da burguesia.

Recusar aceitar sacrifícios económicos e sociais em nome da economia nacional. Quebrar abertamente a paz social, com um regresso resoluto aos métodos e objectivos da luta de classes, a única verdadeira solidariedade internacionalista, tanto nas metrópoles imperialistas como nos subúrbios. Recusar qualquer apoio cúmplice (nacionalista, religioso, patriótico, mercenário, humanitário, socializador, pacifista...) em favor de um ou outro dos estados ou frentes envolvidos em guerras. Organizar acções de greve económica e social que conduzam a greves gerais reais para paralisar a vida nacional e abrir caminho a greves políticas, provavelmente para abrandar e impedir qualquer mobilização e propaganda de guerra.

Só será possível preparar-nos para acções abertamente anti-militaristas e derrotistas anti-patrióticas se as vanguardas de luta da nossa classe se organizarem em torno destes temas (e não apenas em torno das questões sindicais, ambientais, sociais, etc., certamente necessárias, mas limitadas) e se juntarem e reforçarem o partido da revolução comunista. Noutras palavras:

Deixar que o seu próprio Estado e os seus aliados sejam derrotados, desobedecer de forma organizada às hierarquias militares, fraternizar com os nossos irmãos de classe (eles também presos na sua « pátria »), segurar firmemente as armas e os sistemas de armamento para se defender em primeiro lugar, e depois libertar-se dos tentáculos das instituições burguesas: transformar a guerra entre Estados em guerra dentro dos Estados, em guerra civil, em guerra revolucionária.

São os próprios factos da realidade capitalista actual que gritam tragicamente a urgência deste trabalho e a necessidade desta perspectiva.

Partido comunista internacional – Programa comunista, Cahiers internationalistes, 28/2/2026                                                                                                                                               

internationalcommunistparty.org/index.php/fr 

 

Fonte :https://www.internationalcommunistparty.org/index.php/en/english/3749-against-imperialist-wars-revolutionary-defeatism-always-and-in-all-circumstances

Este comunicado foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice








TRAJECTÓRIA ACELERADA PARA A GUERRA... E TENTATIVAS DE RESPOSTA PROLETÁRIA


TrajeCtória acelerada para a guerra... e tentativas de resposta proletária

 

Ucrânia, Gaza, Venezuela, Colômbia, Equador, Irão, Sudão, Estados Unidos... mas também a Gronelândia... assinala o claro aumento das zonas de guerra e a intensificação da violência social e criminal, que agrava uma situação económica já precária. Esta proliferação de áreas de conflito armado, chamadas de baixa ou média intensidade, mas que na maioria dos casos resultam em catástrofes "humanitárias" em grande escala, ilustra inequivocamente a aceleração da trajectória capitalista rumo à guerra generalizada. O mundo capitalista está a preparar-se económica, política e militarmente para surtos belicistas de maior escala.

A reconstituição e reorganização de blocos e alianças, bem como o reforço da divisão do planeta em zonas de controlo e influência, expressam uma preparação belicista e uma perspectiva militar concreta perante um conflito que pode ser iminente. Por isso, é a nível mundial que existe uma tendência para preparar a aceleração do curso rumo às guerras.

No Médio Oriente, África e Ásia, áreas que durante muito tempo estiveram no centro dos interesses imperialistas e conflitos entre os dois antigos grandes protagonistas, os Estados Unidos e a URSS, surgem e intervêm novas potências que estão a surgir entre as grandes: China, Índia, Coreia do Sul, Japão... Esta nova situação põe fim à antiga bipolarização "Este-Ocidente" para redesenhar uma situação plural com múltiplas crises. Neste jogo, é a China de Xi Jinping que se revela como uma das mais empreendedoras, intensificando as suas reivindicações territoriais, especialmente em torno de Taiwan, e esforçando-se por estruturar um quadro internacional livre da hegemonia ocidental.

Esta dinâmica acelera a fragmentação da anterior "governação mundial" ao agravar todas as contradições capitalistas dentro dos blocos militares já constituídos, como a NATO: interesses divergentes no Mediterrâneo, conflito sobre a Gronelândia, posicionamento ambíguo da Turquia; principal ameaça: Rússia ou China; tendência para a autonomia europeia... Chegou o momento de reposicionar estrategicamente e ordenar os lados que poderão enfrentar-se num futuro relativamente próximo.

A persistência dos conflitos na Ucrânia, Gaza e Sudão, juntamente com o recente ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, bem como a instabilidade social estrutural do país, continua a enfraquecer os equilíbrios regionais. Estes focos de tensão geram graves crises humanitárias e mantêm uma pressão constante sobre o equilíbrio internacional cada vez mais instável. O regresso de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos marca uma aceleração profunda deste paradigma, já delineado no tempo de Biden. A administração anterior antecipou o distanciamento da UE e a centralidade da guerra comercial com a China. Intervenções directas, particularmente na Venezuela, bem como caprichos territoriais em relação à Gronelândia, ilustram uma diplomacia transacional (dar e receber) e imprevisível. Do ponto de vista do investimento, o principal motor continua a ser a inteligência artificial, embora enfrente cada vez mais limitações de capacidade energética e riscos crescentes de ameaças cibernéticas e outros tipos de pirataria privada e estatal.

A actual política "trumpiana" está na linha da frente desta tendência mundial de redesenhar violentamente esferas de influência. Desta forma, quebra os antigos equilíbrios da era da "guerra fria" (1945-1991), com os seus códigos pacificados e das "Nações Unidas". Esta nova política pro-activa marca, tanto fora como dentro dos Estados Unidos, o regresso sem desculpas a um autoritarismo alegado e à repressão aberta como principal modo de acção política.

Claro que as "manobras sujas" de todos os tipos nunca cessaram (operações clandestinas e golpes baixos), mas desde o rapto e exfiltração de Maduro, mostram claramente, como indica o nome da operação "Resolução Absoluta", a direcção combativa generalizada que está a ser tomada. A era dos discursos orwellianos com duplo sentido, "falar de paz para se preparar para a guerra", está cada vez mais a dar lugar à afirmação marcial do rearmamento, que, claro, é acompanhada por repressões e pelo ressurgimento de nacionalismos agressivos.

As políticas "trumpistas" são cada vez mais imitadas por outros países, como demonstra a mais recente crise entre a Colômbia e o Equador, onde, no dia seguinte ao pedido do presidente colombiano Petro para libertar Jorge Glas[1], o presidente equatoriano Noboa respondeu impondo tarifas alfandegárias de 30% às importações colombianas. Como resultado, a Colômbia suspendeu acordos cruciais, como o trânsito de petróleo (46 milhões de barris colombianos transitaram pelo oleoduto OCP desde 2013[2]) ou o fornecimento recíproco de electricidade. A escalada das medidas retaliatórias levanta receios de uma grave desestabilização económica para ambos os países. Assim, a economia é usada, mais do que nunca, como a principal arma da guerra. As políticas "trumpistas" também chegam a Cuba.

Em geral, trata-se de uma situação mundial que gera instabilidades geo-políticas, económicas e sociais cada vez mais difundidas. Esta vulnerabilidade não era observada desde 1945 e hoje provoca um aumento dos riscos de crises em todas as áreas: financeira, militar, social, climática... O famoso investidor americano Ray Dalio prevê que, a partir de agora, os Estados Unidos se tornarão um verdadeiro barril de pólvora:

Segundo Ray Dalio, o último colapso deste tipo ocorreu entre 1930 e 1945, "que levou ao estabelecimento da ordem monetária, política interna e geo-política internacional do pós-guerra, que hoje vemos a desmoronar-se." […] Uma fase 6 apresentada como "a mais difícil e dolorosa", pois corresponde ao momento em que "o país fica sem dinheiro e normalmente ocorre um conflito terrível sob a forma de revolução ou guerra civil", com as únicas opções reais disponíveis, uma gestão pacífica ou violenta, derivada directamente das decisões impostas pelos líderes no poder. […] Um terreno fértil para estabelecer a ascensão do populismo, com o surgimento de "líderes com uma personalidade forte, anti-elitistas, que pretendem lutar pelo povo comum". […] Este risco de taxa de câmbio é também reforçado pelo aumento da dívida, com o efeito acelerado associado de uma intensificação da criação monetária a conduzir a uma inflação mais elevada. O resultado: a ordem monetária e política estabelecida é corroída, as desigualdades são acentuadas e as tensões continuam a intensificar-se, a ponto de questionar as relações de poder que existiram até agora." [3]

O ano de 2026 reforça assim a transição para uma ordem mundial complexa, na qual a gestão sistémica dos riscos geo-políticos, financeiros, militares e climáticos é imposta como um imperativo estratégico para todos os Estados. A economia mundial enfrenta, portanto, um crescimento instável e uma crise da dívida soberana. Esta instabilidade produz, em geral, como reacção:

·         Proteccionismo, que é imposto como política comum a todos os Estados após a introdução de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos. Estas tarifas representam um sério risco inflaccionário e ameaçam interromper permanentemente o comércio de bens e as cadeias de abastecimento mundiais. Deve notar-se que, historicamente, a concorrência exacerbada levou a políticas proteccionistas que levaram a guerras imperialistas locais e mundiais.

·         Nacionalismo, que continua a ser a cobertura ideológica privilegiada para o proteccionismo. Isto desenvolve-se ainda mais fortemente à medida que confronta outro nacionalismo, que também se tornou mais agressivo. O seu desenvolvimento é simétrico e complementar. Constitui um dos elementos ideológicos indispensáveis no caminho para a guerra.

·         endurecimento generalizado das políticas migratórias e a erosão das chamadas "conquistas sociais", que minam cada vez mais o que eram considerados "direitos adquiridos" da mítica "social-democracia" e das mais recentes "redes sociais". Este endurecimento é acompanhado, regra geral, pelo reforço repressivo do Estado como "resposta" à insegurança social.

Se uma resposta proletária for delineada, esta desenvolve-se de forma antagónica aos pontos característicos do caminho para a guerra e como reacção à ofensiva estatal. No início do ano, dois primeiros esboços desta resposta manifestaram-se claramente, primeiro no Irão e depois nos Estados Unidos:

·         Entre o final de Dezembro e o início de Janeiro no Irão, a força das revoltas foi novamente violentamente esmagada por uma repressão massiva, bestial e implacável.

"O que está a acontecer hoje no Irão não é um evento excepcional nem uma explosão súbita. Esta voz é a de uma vida que, durante anos, foi esmagada pela pressão e que já não suporta a repressão ou o silêncio. As pessoas que saíram às ruas não são instrumentos de conspirações nem peões das potências mundiais; são produto da pobreza absoluta, da repressão contínua, da discriminação diária e de um apartheid entrelaçado no próprio tecido da sua existência. Estes protestos não vêm de fora; emergiram do coração dos lares, das ruas e de seres humanos que já não querem apenas sobreviver, mas viver as suas vidas ao máximo." [4]

E, como Marx já tinha apontado em 1848, em ligação com mais uma derrota proletária:

"Os massacres infrutíferos desde Junho e Outubro, o tedioso banquete expiatório de Fevereiro e Março, o próprio canibalismo da contra-revolução convencerão os povos de que, para encurtar, simplificar e concentrar a agonia assassina da velha sociedade e os sofrimentos sangrentos do nascimento da nova sociedade, só há um caminho: terrorismo revolucionário"

·         Pouco depois, nos Estados Unidos, pelo contrário, foi o início da repressão que acendeu o rastilho e provocou a violenta revolta de uma parte do proletariado e das classes subordinadas num confronto frontal com o Estado federal e as suas forças armadas. Esta tentativa de reacção mostra que a única solução para a ofensiva estatal é desenvolver a arma da luta de classes e da unificação.

"Na sexta-feira, mais de 100.000 pessoas em Minneapolis, Minnesota, enfrentaram temperaturas congelantes e uma sensação térmica de -30 graus Fahrenheit (-34 graus Celsius) para se juntarem às manifestações do "Dia da Verdade e Liberdade" contra o assassinato de Renée Nicole Good por um agente do Immigration and Customs Enforcement (ICE) e a ocupação federal em curso da cidade. A manifestação reuniu amplas secções da classe trabalhadora — profissionais de saúde, professores, carteiros e muitos outros — bem como numerosos estudantes e membros da classe média. Imigrantes e nativos do país desfilaram lado a lado." [5]

A intensificação da trajectória para a guerra, acompanhada por uma repressão cada vez mais generalizada, é a perspectiva do ponto de vista do capital mundial. Perante esta guerra e a catástrofe repressiva prevista, o proletariado tem as chaves para a resposta através do desenvolvimento da sua luta, independentemente de todas as estruturas políticas, sindicais ou nacionais, e isto com métodos de acção directa, sem qualquer ilusão democrática e numa direcção revolucionária. A guerra imperialista, alimentada pelas rivalidades desenfreadas entre as potências capitalistas, deve ser contrariada por uma guerra de classes, movida pelos interesses de uma classe social, o proletariado, que está alienada de toda a riqueza social. Portanto, a classe explorada deve, na prática, manifestar-se em solidariedade com todas as lutas sociais – actualmente, infelizmente, demasiado limitadas – em todo o mundo, esforçando-se por as radicalizar e expandir. Esta é a única forma de pôr fim à barbárie capitalista e ao massacre mundial que paira sobre as nossas cabeças como a espada de Dâmocles, e que é capaz de aniquilar toda a humanidade.

28 de Fevereiro de 2026

"Quem tem ferro, tem pão"

Blanqui: Brindis de Londres (1851)

 

Matériaux Critiques

Liga dos Comunistas Internacionalistas

Equilíbrio e Avanço

Grupo Barbaria

e outros camaradas internacionalistas

______

[1] Jorge Glas, um equatoriano de nacionalidade colombiana, já condenado por corrupção, foi alvo de uma controversa rusga à embaixada do México em Quito em 2024. Em Junho de 2025, foi condenado a mais 13 anos de prisão por desvio de fundos. Vice-Presidente sob a presidência de Rafael Correa.

2] Comunidade Andina das Nações (CAN), uma crise em que os "famosos" princípios da livre circulação de bens não foram tidos em conta.

[3] H. Bernard: Ce célebre investisseur américain prédit un effondrement de l'ordre monétaire et politique actuel, 27 de Janeiro de 2026

4] Pensée et Combat Collective – 17 de Janeiro de 2026

5] https://www.wsws.org/es/articles/2026/01/26/fce1-j26.html

 

Fonte:  Trayectoria acelerada hacia la guerra… e intentos de respuesta proletaria – Barbaria

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice



Os Estados Unidos atacam o Irão. Uma guerra de agressão cujos objectivos não podem ser alcançados.

 


Os Estados Unidos atacam o Irão. Uma guerra de agressão cujos objectivos não podem ser alcançados.

7 de Março de 2026 Robert Bibeau


Por  Moon of Alabama – 28 de Fevereiro de 2026. Em https://lesakerfrancophone.fr/etats-unis-iran-une-guerre-dagression-dont-les-objectifs-ne-peuvent-pas-etre-atteints 

Ontem, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, Badr Albusaidi, mediador nas negociações entre os Estados Unidos e o Iroã, revelou que o Irão propôs restricções sem precedentes ao seu programa nuclear para evitar uma guerra.

Durante uma entrevista na  CBS ,  ele explicou  :


MINISTRO ALBUSAIDI: Estou confiante e, na minha avaliação de como estão as negociações, acredito que podemos ver que o acordo de paz está ao nosso alcance.

MARGARET BRENNAN: Um acordo de paz?

MINISTRO ALBUSAIDI: Sim, está ao nosso alcance, se simplesmente dermos à diplomacia o espaço necessário para ter sucesso. Porque não acredito que uma alternativa à diplomacia resolva este problema.

MINISTRO ALBUSAIDI: A conquista mais importante, acredito, é o acordo de que o Irão jamais terá material nuclear para criar uma bomba. Isso, penso eu, é uma grande conquista. É algo que não estava presente no acordo anterior, negociado durante o governo do Presidente Obama.  É algo completamente novo. Isso torna o argumento do enriquecimento menos relevante, porque agora estamos a falar de zero armazenamento. E isso é muito, muito importante, porque se não pode armazenar material enriquecido, não há como criar uma bomba, seja enriquecendo-o ou não. E acho que esse é um ponto que a media não abordou muito, e quero esclarecer isso da perspectiva do mediador.

MARGARET BRENNAN: Então explique isso. Então, o material enriquecido, as substâncias que poderiam ser usadas como combustível nuclear para uma bomba, está a dizer que o Irão não as manteria no seu próprio território?

MINISTRO ALBUSAIDI: Eles renunciariam a isso.

Abrir mão do armazenamento de material enriquecido de diferentes graus é uma concessão que o Irão nunca fez antes. Seria, de facto, impossível para eles criarem uma bomba nuclear.

No entanto, os Estados Unidos não estavam interessados ​​num acordo nuclear. Poucas horas após a entrevista de Albusadi, eles juntaram-se a Israel numa guerra  " preventiva "  contra o Irão .

Jeremy Scahill @jeremyscahill –  7:18 UTC 28 de Fevereiro de 2026

O termo “ preventivo ” é pura propaganda. Os Estados Unidos mais uma vez usaram a aparência de negociações como pretexto para bombardear o Irão. Teerão acabara de propor condições que iam muito além do acordo nuclear de 2015.  O que deveria ter sido “ preventivo ” era a diplomacia . Essas são as mesmas tácticas de propaganda usadas na Guerra do Iraque de 2003.

Badral Abusaidi não teve outra opção senão expressar asua decepção:

 

Badr Albusaidi – Últimas notícias @badralbusaidi –  12:04 UTC * 28 de Fevereiro de 2026

Estou consternado. Negociações sérias e activas foram mais uma vez comprometidas. Nem os interesses dos Estados Unidos nem a causa da paz mundial serão bem servidos por isso. E oro pelos inocentes que sofrerão. Exorto os Estados Unidos a não se envolverem ainda mais nisso. Esta não é a sua guerra.

Mas o presidente americano pensa diferente. Num discurso de 8 minutos ( vídeo ), ele anunciou diversos objectivos de guerra, incluindo a destruição dos mísseis iranianos, a destruição da sua marinha e impedir que o país adquira armas nucleares, algo que ele não deseja. Ele conclamou as forças armadas iranianas a deporem as armas e o povo iraniano a derrubar o seu governo.

Para a República Islâmica, a guerra, portanto, não é simplesmente uma questão de defesa, mas torna-se uma questão existencial.

Como é improvável que qualquer um dos objectivos estratégicos de Trump seja alcançado,  já se pode afirmar  que os Estados Unidos têm grandes chances de perder esta guerra.

Até o momento, a troca de ataques está a seguir um curso previsível.

Os Estados Unidos e Israel lançaram mísseis de cruzeiro contra alvos políticos e militares no Irão. O complexo do Líder Supremo Ali Khamenei em Teerão, o Ministério da Inteligência, o Ministério da Defesa, a Agência de Energia Atômica do Irão e o complexo militar de Parchin foram atingidos. Os líderes iranianos haviam-se refugiado em locais seguros e não foram afectados pelos ataques. Um míssil destruiu a casa do ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad, que não ocupa nenhum cargo no governo actual, e matou três dos seus guarda-costas. Vários mísseis, segundo o Irão, atingiram uma escola primária em Minab, no sul do país, matando até 60 crianças.

O Irão respondeu atacando instalações militares americanas no Kuwait, Bahrein, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos com centenas de drones e mísseis de curto alcance. Um radar americano de longo alcance no Catar foi atingido, assim como depósitos de combustível naval americanos no Bahrein. Diversas salvas com dezenas de mísseis de médio alcance foram disparadas contra posições americanas na Jordânia e em Israel.

Esses ataques iniciais com mísseis mais antigos e menos precisos têm como objectivo desgastar as defesas aéreas dos EUA, forçando-as a  usar os seus stocks limitados de mísseis . Há relatos de várias explosões em diferentes locais do Médio Oriente, mas ainda é cedo para avaliar se elas foram causadas por destroços ou se esse era o objectivo pretendido.

Um dos alvos atingidos pelos Estados Unidos foi o quartel-general das Forças de Mobilização Popular (FMP) no Iraque. Isso resultou em várias mortes. Posteriormente, as FMP anunciaram que se juntariam ao Irão na luta. Mísseis também atingiram posições americanas em Erbil, no Curdistão iraquiano.

Espera-se também que os houthis do Iémen e o Hezbollah libanês se juntem à luta.

A troca de ataques com mísseis deverá continuar durante vários dias. Os Estados Unidos tentarão eliminar os lançadores e instalações de produção de mísseis iranianos. O Irão, por sua vez, tentará enfraquecer as defesas anti-mísseis americanas para, então, lançar mísseis mais precisos e eficazes contra Israel e alvos navais americanos importantes. O Irão já afirmou ter atingido um navio de suprimentos americano.

Mas o principal instrumento do Irão nesta guerra será o controle sobre o transporte de 20% do suprimento mundial de petróleo.

Ele acaba de anunciar  o encerramento do Estreito de Ormuz.


Michael A. Horowitz @michaelh992 –  15:30 UTC 28 de Fevereiro de 2026

Um oficial da missão naval da UE, Aspides, afirmou que os navios receberam uma transmissão da Guarda Revolucionária Iraniana dizendo que nenhuma embarcação estava autorizada a passar pelo Estreito de Ormuz.

O Irão pode controlar o estreito simplesmente disparando mísseis anti-navio terrestres.

Na segunda-feira, os preços dos combustíveis terão disparado.

Os preços do petróleo são o principal ponto de alavancagem que o Irão possui para exercer pressão sobre os Estados Unidos.

A questão é por quanto tempo o presidente Trump conseguirá sustentar essa guerra se o preço da gasolina aumentar e permanecer alto.

Moon of Alabama

Traduzido por Wayan, revisto por Hervé, para o Saker Francophone. https://lesakerfrancophone.fr/etats-unis-iran-une-guerre-dagression-dont-les-objectifs-ne-peuvent-pas-etre-atteints


Uma reflexão sobre “Estados Unidos atacam o Irão. Uma guerra de agressão cujos objectivos não podem ser alcançados”

 Normand Bibeau

DERAM-LHE A ESCOLHA ENTRE A GUERRA E A DESONRA. ESCOLHERAM A DESONRA, E TERÃO A GUERRA» (Winston Churchill, Discurso na Câmara dos Comuns, 5 de Outubro de 1938).


Assim se expressava o fascista e anti-comunista enfurecido e notório inglês Winston Churchill sobre o Acordo de Munique de 1938, assinado a 29 e 30 de Setembro de 1938, entre os não menos fascistas e anti-comunistas inglês Chamberland, francês Daladier, italiano Mussolini e alemão Hitler, que sem direito e em violação do «direito internacional» da altura, cedia os Sudetos checos, ou seja, 30% do território da Checoslováquia, 3,5 milhões dos seus habitantes, as suas fortificações e a sua indústria pesada, ao Reich nazi, com o objectivo de convencer Hitler e as forças do Eixo a atacarem a URSS, implementando o LEBENSRAUM NAZI a leste.

Este tratado renegado não foi senão o prelúdio à anexação, pela Polónia, em Outubro de 1938, da região checoslovaca de Tetchen/Zaolzie e pela Hungria do sul da Eslováquia e de parte da Ruténia subcarpática, tudo levando à invasão militar total da Checoslováquia pelos imperialistas nazis, em Março de 1939, e à criação do Protectorado da Boémia-Morávia nazi de triste e funesta reputação, culminando finalmente na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), eis onde conduz a desonra: À GUERRA.

Toda a humanidade desonra a si própria:
– rendendo-se aos imperialistas ianques e aos seus mercenários ISRAELITAS SIONAZI genocidas de "toda esta ralé reaccionária";
– apoiando a NATO/Ocidente colectivo e,
– tolerando para o resto da humanidade o GENOCÍDIO DESUMANO DOS MÁRTIRES PALESTINIANOS, LIBANESES, SÍRIOS, IEMENITAS, SOMALIS E AGORA IRANIANOS para "roubar, pilhar e roubar" (Lenine) os seus recursos energéticos, petrolíferos e de gás, para perpetuar o seu sistema capitalista e o seu estilo de vida descaradamente desperdiçador.

A humanidade tem a escolha entre a guerra e a desonra, SE ela escolher a desonra, então terá a guerra apocalíptica termonuclear que lhe fará sofrer o destino que merece: queimar na terra, seu inferno.
A humanidade progressista deve recompor-se, descer à rua, insurgir-se e derrubar TODOS OS GOVERNOS REACCIONÁRIOS, do norte ao sul, de leste a oeste, ocidentais ou orientais, G-7, BRICS + ou -, «alinhados ou não-alinhados» e realizar a revolução proletária que apenas ela porá fim às guerras genocidas imperialistas.

 

Fonte: États-Unis attaquent l’Iran. Une guerre d’agression dont les objectifs ne peuvent pas être atteints – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice