quinta-feira, 27 de agosto de 2026

A entidade israelita proxy anda à solta entre os capitalistas africanos chauvinistas

 


A entidade israelita proxy anda à solta entre os capitalistas africanos chauvinistas

27 de Agosto de 2026 Robert Bibeau

Por Hanane Ben. Fonte: Algeria54




Primeira parte

Uma verdadeira eclusa marítima e reduto mineiro da África Ocidental, o Togo tornou-se o local de recreio preferido para os interesses internacionais. Com o único porto de águas profundas na sub-região em Lomé — um verdadeiro oxigénio comercial para o Sahel sem saída para o mar — e um subsolo cheio de fosfato, calcário e ouro, o país não deixa ninguém indiferente. Mas por detrás da retórica do desenvolvimento, o seu valor nunca foi medido pelo bem-estar do seu povo, apenas pela rentabilidade dos seus recursos.

Durante décadas, o tradicional quintal, liderado pela França e pelos seus grandes grupos, reinou supremo sobre este lucro inesperado. Bancos, portos, minas: tudo foi bloqueado para alimentar um mecanismo de extracção bruta e repatriação massiva de lucros.

Este neo-colonialismo económico, indiferente a hospitais degradados e escolas arruinadas, reduziu-se a saques metódicos. As multinacionais ocidentais enriqueceram-se à custa de uma população conscientemente mantida na precariedade, acabando por provocar descontentamento popular e destruir o seu monopólio histórico.

Foi nas cinzas desta hegemonia ocidental que as autoridades togolesas estenderam o tapete vermelho para os novos gigantes: China, Índia, Turquia, Emirados Árabes Unidos e a entidade proxy israelita (SIONAZI, Americano). Estes actores emergentes (imperialistas, EMIs) impuseram o seu ritmo com projectos espectaculares como a Plataforma Industrial Adétikopé.

No entanto, o cenário muda, mas o cinismo mantém-se. Para o cidadão togolês, este grande jogo geo-político não é uma libertação. É um simples confronto onde novos predadores económicos sucedem aos antigos para continuarem a dominar o país.

Os tentáculos israelitas (SIONAZI, americano – Nota do editor) no Togo

Vamos analisar mais de perto esta força de influência que actua à sombra do poder togolês: a entidade hebraico-fascista ao serviço da América imperialista (EMI).

A apresentação de Telavive em Lomé não é novidade; Remonta a 1960, no dia seguinte à independência do país. Embora as relações diplomáticas tenham sido formalmente cortadas em 1973 sob pressão da Liga Árabe após a Guerra do Yom Kippur, o eixo de segurança sob a rocha nunca foi interrompido.

Desde o reinado de Eyadéma Gnassingbé, Telavive (SIONAZI-NDÉ) impôs-se como o protector próximo do regime, garantindo a formação dos guarda-costas presidenciais e a venda discreta de armamento. Restabelecida oficialmente em 1987, esta aliança não parou de se fortalecer sob a dinastia dos Gnassingbé, fazendo hoje de Lomé a cabeça de ponte e o cliente mais obediente do esforço de Israel (SIONAZI) na África Ocidental.

Mas este domínio já não se limita aos quartéis: expandiu-se metodicamente para todos os mecanismos estratégicos do país. Para além do equipamento policial e da doutrina militar, Telavive bloqueou o sector digital ao fornecer ao regime tecnologias intrusivas de ciber-vigilância capazes de rastrear dissidências, infiltrar comunicações dos opositores e paralisar a sociedade civil.

Ao mesmo tempo, esta cooperação está revestida com uma aparência de soft power através de projectos de agro-tecnologia e gestão da água, legitimando um pacto de influência altamente politizado sob a máscara do desenvolvimento.

Em troca deste arsenal técnico-seguro que garante a sua própria sobrevivência, o regime togolês está a pagar a sua dívida servindo como escudo diplomático incondicional para a ONU. Desde o controlo de dados até à gestão do território, o know-how israelita tornou-se assim o pilar tecnológico de um confinamento político implacável, longe das aspirações democráticas da população.

– As revelações da escritora togolesa Farida Nabourema

A escritora e activista togolesa Farida Nabourema expõe os mecanismos pelos quais a entidade sionista protege o regime togolês.

Para compreender a repressão que está a ser exercida hoje sobre o Togo, a escritora togolesa lembra-nos que devemos parar de lutar cegamente e deixar de nos focar apenas no chefe do regime e, finalmente, atacar as suas raízes profundas.

Segundo ela, este controlo absoluto sobre a população não é novo, tem as suas bases no aparelho colonial — que instalou chefes de cantão dóceis para espancar os seus próprios irmãos, legando uma casta dominante que perpetua o poder de pai para filho — e na observação de Sylvanus Olympio, que se recusou a confiar a segurança de um povo a soldados treinados pelos colonos para os reprimir.

Mas a autora destaca sobretudo o arquitecto sombra desta engenharia de segurança: desde 1962, é o Estado hebraico que pensou, estruturou e construiu à medida os serviços de informação togoleses. Ela indica, nomeadamente, que a Agência Nacional de Informação (ANR), supostamente desmantelada para limpar a imagem do regime face às acusações de tortura, continua a operar oficiosamente com os mesmos métodos de opressão sob outros nomes.

A escritora salienta assim que a infiltração israelita não se limitou às portas dos quartéis, mas que se infiltrou em todos os mecanismos do Estado e da sociedade. Explica que, à semelhança dos métodos usados contra a resistência palestiniana, Telavive formou centenas de pessoas no Togo: militares, mas também juízes, advogados, actores da sociedade civil e jornalistas reconvertidos em agentes de informação.

A autora afirma que este verdadeiro «FBI togolês» nunca teve como missão proteger a nação contra ameaças externas, mas sim defender o poder contra o seu próprio povo. Ao infiltrar-se nos movimentos de resistência, sufocar a oposição e vigiar os media, este polvo de segurança moldado pela entidade maléfica garante ao regime um controlo absoluto sobre o pensamento, a palavra e a acção dos cidadãos.

 

– Mercenários das sombras e empresas privadas: a constatação de Thomas Dietrich

Sob a pena das investigações de campo, tal como as revelações do jornalista Thomas Dietrich, a realidade deste domínio assume um rosto mais que concreto: o dos mercenários das sombras e dos serviços secretos privatizados.

É todo um elenco de James Bond de pacotilha que marcou encontro em Lomé para o pior — e apenas para o pior. Thomas Dietrich recorda que, no topo desta máquina macabra, um nome surge à luz do dia: Danny Yatom, antigo director do Mossad em pessoa, reconvertido ao lado do seu filho Omer (ex-oficial das Forças de Defesa de Israel) à frente da empresa DANTOV Global Consulting Group.

Fundada no final dos anos 2000, esta agência de espionagem privada especializou-se na terceirização do terror para regimes inaceitáveis, tendo Faure Gnassingbé como cliente de primeira escolha. Entre adeptos do nepotismo, entendemo-nos, ironiza Thomas Dietrich: o herdeiro da dinastia togolesa naturalmente contratou os serviços de outro "negócio familiar" para garantir a sua guarda pretoriana e modernizar a sua polícia política.

O jornalista salienta que no cardápio desta colaboração cínica, encontramos um material de escuta ultra-avançado, uma geo-localização de ponta e uma perseguição implacável de todos os refractários ao regime. Jornalistas sufocados, opositores lançados à prisão ou empurrados para o exílio, a máquina de repressão funciona a todo vapor. Esta engenharia israelita, aliás, provou a sua eficácia durante os levantes populares e manifestações pacíficas, esmagadas no sangue graças às tecnologias da empresa Yatom.

Mestre do oportunismo, o ditador togolês mete-se em todos os antolhos para prolongar artificialmente o seu governo, alternando de forma cínica entre os padrinhos israelitas, russos, turcos ou os chefes da AES, mantendo ao mesmo tempo o paradoxo das suas ligações com o padrinho histórico francês.

Neste mercado de disputa onde os imperialismos se cruzam para repartir os despojos da nação, há apenas um único perdedor que contempla as ruínas do país: o povo togolês, em resumo, constata amargamente o jornalista de investigação Thomas Dietrich.

Dissecar o verdadeiro plano de acção de Israel – a entidade fascista mandatária (NDÉ) no Togo e na África Ocidental

Porquê este país tão pequeno? O que é que Telavive (SIONAZI) procura realmente por trás desta segurança omnipresente?

Porque o Estado Hebreu-Fascista (EMI) não faz nada por caridade. Por trás de cada tecnologia vendida e de cada agente treinado está um cálculo frio. Mas então, porquê o Togo? Por que esta obsessão com esta faixa estreita de terra? A resposta reside numa convergência sinistra de vulnerabilidades.

Com o seu pequeno território, o Togo oferece o formato ideal para um laboratório de vigilância em escala real; um perímetro reduzido onde é fácil infiltrar toda a máquina estatal.

Acrescente a isso um poder dinástico corrupto até à medula, pronto a sacrificar qualquer soberania e a vender os seus recursos minerais — começando pelo fosfato — para garantir apenas a sua sobrevivência política, e obtém-se a presa perfeita.

A isto junta-se uma posição geo-política estratégica; uma porta de entrada para o Golfo da Guiné e um corredor directo para o Sahel. É certo que, do ponto de vista estritamente marítimo, o Porto de Lomé é o calcanhar de Aquiles da sub-região pelas suas águas profundas, mas a entidade sionista prefere hubs como Tanger Med para os seus principais fluxos comerciais. Porquê? Porque o Togo não lhes interessa como polo logístico, mas como bloqueio de segurança e cabeça de ponte.

Para lá do dogma do «Grande Israel» no Médio Oriente, o que procura Telavive em África senão a desestabilização calculada, o controlo das trajectórias políticas e o recrutamento de vassalos diplomáticos. Ao inocular a sua engenharia de vigilância no Togo, Israel transforma este país numa base de rectaguarda para paralisar a contestação, dividir os blocos africanos e expandir o seu domínio por toda a África Ocidental.

 A pressão de Gibraltar: o bloqueio norte de um império marítimo

Mas a estratégia de Israel (a entidade proxy americana – EMI) não se limita às fronteiras da África Ocidental: faz parte de um grande jogo marítimo mundial destinado a controlar as fechaduras estratégicas do planeta. Perante o encerramento do Estreito de Ormuz pelo Irão — por onde passa um quinto do petróleo mundial — Telavive está a manobrar com Nova Deli para construir um corredor concorrente (IMEC) destinado a fazer do porto de Haifa o inevitável pivô do comércio entre a Ásia e a Europa.

Ao mesmo tempo, o olhar do Estado judeu está fixo noutro estrangulamento vital: o Estreito de Gibraltar, a porta de entrada para o Mediterrâneo utilizada anualmente por mais de 100.000 navios e 10% do comércio mundial.

O que significa realmente controlar este estreito? Controlo absoluto dos fluxos energéticos e comerciais entre o Atlântico e o mundo árabe, mas acima de tudo uma porta estratégica para o Norte de África e, por extensão, para todo o continente.

Para conseguir isso, o eixo americano-sionista procura redistribuir as cartas da região. Frente a uma Espanha historicamente crítica à política israelita na Palestina e oposta às escaladas contra Teerão, as pressões híbridas — como os ataques migratórios massivos instrumentalizados contra os enclaves de Ceuta e Melilla — surgem como alavancas de uma desestabilização calculada.

Ao pressionar Madrid nos seus limites, este eixo, ajudado pela monarquia de Marrocos, procura neutralizar o último ponto de resistência europeu para garantir a gestão de Gibraltar, exercendo uma ameaça directa sobre os países mediterrâneos que se recusam a alinhar-se com o círculo americano-sionista.

Controlar Gibraltar é oferecer-se um instrumento de sufocamento económico e diplomático contra qualquer Estado soberano do Norte de África resolvido a resistir aos ditames de segurança de Telavive e dos seus aliados.


Segunda parte

O estado do continente: vassalização, oportunismo e resistência

Dos 54 estados do continente africano, a entidade fascista israelita (NDE) mantém agora relações diplomáticas oficiais com 44 países, enquanto canais não oficiais, de segurança e de negócios, ligam discretamente Telavive a alguns outros regimes... esta é a estricta verdade sobre a chamada "Resistência Africana" nacionalista, chauvinista e burguesa ao imperialismo em geral e ao hegemonismo sionazi americano em particular.

Os vassalos incondicionais e os adeptos zelosos são os regimes que oferecem um apoio quase sistemático a Telavive na ONU e nas instâncias internacionais. Entre eles estão o Togo, a Guiné Equatorial, o Ruanda, o Camarões, o Malawi (que transferiu a sua embaixada para Jerusalém ocupada), a RDC, o Sudão do Sul, o Eswatini e o Lesoto.

Os principais parceiros africanos em segurança e economia, onde o Estado hebraico (SIONAZI – NDÉ) infiltrou profundamente os mercados de armamento, ciber-segurança, água e agricultura, mantendo ao mesmo tempo ligações institucionais sólidas, são: o Gana, o Quénia, a Costa do Marfim, a Etiópia, o Uganda, a Nigéria, Angola, a Zâmbia, o Gabão, o Senegal, a Tanzânia, o Benim, a Guiné, Cabo Verde, Madagáscar, o Burundi, o Congo-Brazzaville, a República Centro-Africana, a Serra Leoa, a Libéria, Moçambique, o Zimbabué, o Botswana, a Namíbia, a Gâmbia, a Guiné-Bissau, Maurícia, as Seicheles e São Tomé e Príncipe.

Depois, há os normalizadores pragmáticos e oportunistas. Marrocos é o pivô da aliança de segurança pós-Acordo de Abraão, o Chade reabriu a sua embaixada após décadas de ruptura e o Egipto está ligado pelos acordos de Camp David. A isso juntam-se o Sudão e a entidade não reconhecida da Somalilândia, no alvo de Telavive para controlar o Mar Vermelho.

A ambição estratégica do proxy israelita (NDÉ), ao serviço do império e da rede de alvos prioritários

No tabuleiro africano, a estratégia de Telavive não é obra do acaso: obedece a um roteiro estruturado em torno de três objectivos principais. O primeiro consiste em reintegrar as instâncias pan-africanas pela porta grande, conquistando um estatuto permanente de observador na União Africana, um instrumento diplomático crucial para quebrar o seu isolamento e paralisar resoluções multilaterais favoráveis à causa palestiniana.

O segundo ponto baseia-se na mercantilização da sua engenharia de controlo social e vigilância em massa, transformando as ferramentas de repressão testadas nos territórios ocupados em verdadeiros produtos de exportação para regimes autoritários.

Finalmente, o terceiro imperativo visa bloquear as frentes marítimas e os estreitos estratégicos que contornam o continente, garantindo assim um controlo directo sobre as rotas comerciais do Sul Global.

Para concretizar estas ambições, a diplomacia sionista mantém no seu ponto de mira várias zonas de ancoragem altamente prioritárias. Tanto na faixa do Sahel como no Golfo da Guiné, a porosidade das fronteiras e a paranoia securitária das elites locais oferecem um mercado particularmente lucrativo às empresas de espionagem privada e aos vendedores de ciber-armamento.

Escritórios como o DANTOV Global Consulting Group ou os fornecedores de software do tipo Pegasus exploram cinicamente o medo de uma revolta popular ou da ameaça terrorista para se infiltrar no coração dos aparelhos de inteligência do Estado. Em paralelo, é dada uma atenção muito especial ao Corno de África e às imediações do Mar Vermelho, nomeadamente através de abordagens direccionadas ao Djibuti ou à entidade não reconhecida da Somalilândia.

Nesses bloqueios marítimos nevrálgicos, Telavive procura desesperadamente estabelecer pontos de apoio tácticos e bases de escuta para conter a presença iraniana e neutralizar a ameaça iemenita nas vias marítimas internacionais.

O cavalo de Tróia marroquino: a sub-contratação do expansionismo imperial

Uma das mais temidas alavancas da penetração sionista (SIONAZI, NDÉ) no continente reside agora na instrumentalização de um proxy regional: a monarquia de Marrocos. À procura de apoio internacional para consolidar o seu controlo sobre o Sáara Ocidental, Rabat voltou-se para Telavive, a fascista (NDÉ), selando uma convergência de interesses entre duas lógicas de ocupação e expansão territorial. Desde a assinatura dos Acordos de Abraão e do acordo de cooperação em segurança sem precedentes celebrado em 2021, Marrocos tornou-se assim o hub logístico e o padrinho diplomático dos interesses mandatários israelitas (SIONAZI/Americanos, NDÉ) na África francófona.

Esta aproximação estratégica não se limita a militarizar a fronteira oeste do Norte de África e a aumentar a pressão directa sobre a soberania argelina; oferece à entidade israelita uma fachada de respeitabilidade continental.

Ao depender das redes bancárias, económicas e de influência do Makhzen na África Ocidental e no Sahel, Telavive sub-contrata a sua engenharia de infiltração. A ciber-espionagem, os drones de combate, as tecnologias de escuta e a doutrina das forças de segurança estão agora a ser exportados sob o pretexto de "parcerias regionais", permitindo que as agências de segurança avancem mascaradas no coração dos aparelhos estatais africanos.

Seria, no entanto, enganador reduzir esta aliança a uma simples oportunidade conjuntural envolta na retórica dos Acordos de Abraão. As ligações perigosas entre o Makhzen e a entidade sionista têm raízes numa cumplicidade histórica que remonta a várias décadas. Desde os anos 1960, a monarquia marroquina ia tecendo nas sombras laços estreitos com os serviços secretos israelitas, ilustrados pela traição de Rabat durante a preparação da guerra dos Seis Dias de 1967 — onde as gravações da cimeira árabe foram entregues ao Mossad — sem esquecer a facilitação das vagas migratórias de judeus ou as mediações secretas que levaram ao abandono da causa palestiniana por alguns Estados. A oficialização recente deste eixo não faz assim mais do que colocar em evidência uma parceria estratégica subterrânea e estrutural, mantida há muito tempo em detrimento da solidariedade árabo-africana.

Este cinismo geo-político não se exerce apenas à custa da causa palestiniana ou da solidariedade africana: atinge, em primeiro lugar, a própria população marroquina, abandonada a uma pobreza estrutural e a desigualdades gritantes.

Enquanto uma elite desconectada celebra estas alianças, parte do povo enfrenta a precariedade, enquanto se instalam novos residentes israelitas beneficiando de apoios institucionais. Em várias localidades, estas dinâmicas de compra de terrenos e de apropriação imobiliária traduzem-se na expulsão de cidadãos marroquinos das suas terras e habitações, muitas vezes afastados sem contemplações para dar lugar a estes recém-chegados judeus, em detrimento dos direitos das populações locais.

A diplomacia tecnológica e a cibersegurança contra o saqueio dos recursos

Esta protecção próxima oferecida aos autocratas do continente não resulta de qualquer filantropia diplomática. Ela assenta numa troca cínica em que a sobrevivência dos regimes se paga a alto preço. A engenharia de vigilância, o fornecimento de equipamentos de escuta e a supervisão dos guardas pretorianos são financiados directamente pela venda a baixo custo das riquezas nacionais.

Na RDC como no Togo, nos jazigos de diamantes, de fosfatos ou de minérios raros, os oligarcas e magnatas ligados ao aparelho de segurança israelita trocam o seu apoio militar por concessões mineiras, marítimas e financeiras preferenciais.

Este pacto faustiano transforma as ditaduras locais em entrepostos coloniais de segunda geração; o autocrata oferece os recursos brutos do seu povo para comprar os algoritmos e as armas de espionagem necessários à sua própria perpetuação no poder.

Paralelamente à sua ofensiva militar e de segurança, Telavive implementa uma ferramenta de penetração mais insidiosa, calibrada para branquear a sua imagem continental, a da diplomacia tecnológica e ambiental.

Sob o pretexto de assistência ao desenvolvimento, agro-tecnologia, gestão do stress hídrico ou energia solar, empresas especializadas em dessalinização de água e irrigação por gotejamento servem como portas de entrada suaves nos ministérios africanos.

Este soft power da escassez insere-se nos sectores vitais dos Estados vulneráveis às alterações climáticas, criando uma dependência estrutural do know-how israelita antes mesmo de os contratos de cibersegurança serem assinados.

Ao apresentar as suas inovações como remédios milagrosos para as crises ambientais da sub-região, a entidade sionista realiza um greenwashing cínico. Ela esconde a realidade das suas tecnologias de repressão atrás da máscara do parceiro científico indispensável, abrindo assim caminho para a implantação estratégica dos seus serviços de inteligência.

O bloco da recusa: os baluartes da resistência soberana (nacionalista – NDÉ)

Perante a progressão deste polvo securitário no continente, uma linha de fractura geo-política e moral separa radicalmente os regimes vassalos dos Estados historicamente ligados ao direito internacional, à soberania dos povos e à descolonização. No coração desta resposta continental, três nações formam um núcleo duro inabalável contra a penetração da entidade sionista em África.

A Argélia impõe-se como o principal bloqueio geo-político e a linha de frente histórica do bloco de resistência. Com base no seu legado revolucionário e na sua doutrina de independência nacional, Argel trava uma batalha diplomática sem tréguas contra o expansionismo israelita.

Foi sob o impulso directo da diplomacia argelina, em aliança estratégica com Pretória, que a entidade sionista sofreu um grande afrontamento ao ver retirar e suspender o seu estatuto de observador na União Africana durante a cimeira de 2023.

Plenamente consciente das manobras de cerco às suas próprias portas — materializadas pela aliança militar e de segurança concluída entre Telavive e Rabat —, a Argélia mantém uma linha de intransigência total; não só recusa categoricamente qualquer forma de normalização, como inscreve a criminalização de qualquer contacto com a entidade sionista no próprio coração da sua soberania estatal.

Na África Austral, a África do Sul encarna a consciência moral do Sul Global e lidera a ofensiva no terreno jurídico internacional. Herdeira da luta memorável contra o regime do Apartheid, Pretória formula uma crítica estrutural à ocupação e às políticas de discriminação colonial. Ao apresentar queixa contra Israel perante o Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) de Haia por crimes de genocídio em Gaza, a África do Sul quebrou décadas de impunidade diplomática ocidental. Esta iniciativa histórica não só galvanizou as nações do terceiro mundo, como também destacou a cumplicidade das capitais ocidentais e a passividade de alguns regimes africanos subjugados.

No Norte de África, a Tunísia completa este eixo de oposição com um apoio popular e institucional sem concessões. Fiel aos ideais de solidariedade com o povo palestiniano, Tunes rejeita firmemente a onda de acordos de normalização regionais, qualificando qualquer aproximação diplomática, económica ou de segurança com o ocupante como um acto de alta traição às lutas de emancipação dos povos.

Esta frente pioneira encontra um apoio político em várias nações do continente que optaram pela ruptura ou pela recusa explícita. A Mauritânia, que tinha cortado de forma espectacular as suas relações diplomáticas com Telavive desde 2010, mantém-se nesta linha de firmeza, assim como a Líbia.

Na zona do Sahel, as recentes viragens soberanistas no Mali e no Níger foram acompanhadas de uma denúncia clara da ingerência de segurança israelita e do congelamento de qualquer contacto diplomático.

Finalmente, países estrategicamente posicionados próximos às vias marítimas, como Djibouti, Comores e Somália, continuam a recusar oficialmente qualquer presença ou normalização com o Estado hebraico, fechando assim acessos chave ao longo das costas do oceano Índico e do Mar Vermelho.

Vamos encarar a realidade: se essa entidade continuar a rastejar pelo continente à vista de todos, sem se dar sequer ao trabalho de disfarçar as suas ambições de dominação, a África está a caminhar directamente para a sua perdição.

O que aconteceu no Togo não passou de um teste em grande escala. Ao trocar a sua soberania, os seus serviços de inteligência e as suas riquezas nacionais por softwares espiões e guardas-costas privados, os regimes vassalos abriram uma porta monstruosa.

Eles convidaram o lobo para o galinheiro. Deixar tal engenharia do terror e do saque instalar-se no coração dos Estados africanos é condenar o continente a voltar a ser uma terra a recolonizar, um simples conjunto de entrepostos coloniais onde os povos são caçados, escutados e oprimidos na sua própria terra.

Perante este polvo que avança de rosto descoberto, o tempo das ilusões acabou. As nações que ainda resistem — Argélia, África do Sul, Tunísia — mostram o único caminho possível. Porque fechar os olhos a esta colonização securitária não é só assinar a pena de morte das liberdades políticas; é entregar o futuro e a dignidade de todo um continente. A África deve acordar antes que a armadilha se feche definitivamente sobre ela.

 

Hanane Ben

Fonte: Algeria54

(Enviado por A. Djerrad)

 

Fonte: L’entité israélienne mandataire maraude parmi les capitalistes africains chauvins – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




quarta-feira, 26 de agosto de 2026

O risco de guerra nuclear vem do Império Americano na Ásia (Scott Ritter)

 


O risco de guerra nuclear vem do Império Americano na Ásia (Scott Ritter)

26 de Agosto de 2026 Robert Bibeau



Por Normand Bibeau

Scott Ritter é, juntamente com alguns outros especialistas militares, um verdadeiro especialista, fascinado pelo desejo de uma paz justa e duradoura, protegida dos interesses imperialistas de "roubo, pilhagem e banditismo" (Lenine) que motivam as "elites" burguesas que dominam o mundo.

No entanto, e com deferência à sua experiência militar, como pode ele acreditar que uma "Operação Kursk" UKRONAZI BANDERISTA / U$A/ OTAN, como uma vaga de drones liliputianos com 70.000 a 80.000 tropas e 600 veículos blindados, teria sucesso onde 3,8 milhões de invasores nazi-fascistas e colaboradores genocidas com uma força aérea de 5.369 aviões, 3.350 tanques, 7.184 canhões e 600.000 veículos falharam miseravelmente em 1941? Onde falhou um milhão de soldados napoleónicos experientes em guerra em 1812?

O que representa Kursk, os seus 1000 km2 e a sua população anémica de 10.000 habitantes numa Federação Russa de 17 milhões de km2 e 145 milhões de habitantes?

Como Ritter escreve implicitamente, o PROPÓSITO DESEJADO não pode ser uma "vitória militar" do exército UCRANIANO BANDERISTA DE KIEV e dos seus ~900.000 soldados mobilizáveis e dos seus ~200.000 soldados mobilizados, num total de ~27 milhões de habitantes, derrotando um exército russo de 1,5 milhões de soldados mobilizados e 5 milhões de soldados mobilizáveis, num total de 145 milhões de habitantes.

O equilíbrio de poder em termos de equipamento militar é perfeitamente ilustrado pelos drones FPV UKRONAZI$ de ~2kg de explosivos contra os mísseis balísticos russos de 500kg e o FAB-3000kg de explosivos: um David UKRONAZI sem fisga contra um Golias capitalista com capacete e armado da cabeça aos pés.

Definitivamente, o PROPÓSITO procurado está noutro lado.

A burguesia europeia, privada das suas colónias, está em falta mortal de recursos naturais para "roubar, pilhar e disputar", tal como a Alemanha nazi em 1939, o que fazer? Quanto aos nazi-fascistas e colaboradores: um LEBENSRAUM NAZI no Leste, sobre a Federação Russa, de forma bastante simples.

O problema é que a Rússia é uma potência nuclear líder que já anunciou que usará o seu arsenal nuclear no caso de uma "ameaça existencial" à ditadura da sua própria burguesia "czarista-ortodoxa".

Façamos como com a URSS e o bloco de Leste, a China e a Ucrânia: um «golpe palaciano» para uma mudança de regime por dentro (uma mudança da guarda social-fascista de esquerda para a direita fascista) contra a qual Putin não poderá recorrer à arma atómica sem se auto-destruir.

Khrushchev, Deng Xiao-ping, Gorbachev e muitos outros conseguiram, dizem os plutocratas bilionários do Ocidente, "vamos repetir a operação de subversão, daí um LEBENSRAUM EURONAZI 2.0: acompanhado por uma guerra massiva de propaganda goebelliana + guerra económica total por "congelamentos" e sanções + agressão militar por "proxies" + subversão interna = derrube do regime social-fascista e o estabelecimento de um regime fascista de direita comprador que faria da Rússia o "posto de gasolina" da Europa em vez do da China e dos BRICS, como o regime "hostil" de Putin e outros pretende.

Este plano de campanha bem-sucedido de "agressão/subversão" contra a URSS no Afeganistão e o "golpe palaciano" de 1991 contra os "Czares Vermelhos" são da mesma natureza que o actualmente empregue contra a Rússia sob o "Czar Pardo Putin", com a diferença de que a China dos "mandarins vermelhos" foi adicionada à equação mundial com o seu poder industrial e o seu desejo concorrente de hegemonia.

Este plano de campanha é também o utilizado contra o Irão dos mulás: propaganda goebeliana + guerra económica "congelamentos e sanções" + agressão militar por proxies mercenários genocidas SIONAZI$ ISRAELITAS + bloqueio = substituição do regime do social/fascismo dos aiatolás para os renegados e traidores puramente fascistas. Mais uma vez, a China está a turvar as águas e a minar o "plano imperialista ocidental".

Ritter tem toda a razão, quanto tempo o fürher TR0MP tolerará que a China comprometa os seus planos de dominação mundial para enriquecer os bilionários da sua claque governante e até que ponto a China se oporá às artimanhas das potências imperiais ocidentais (???), estas são as questões.


ANEXO

Por Felix Abt a 24 de Agosto de 2026, Blogue Pessoal "Liberdade de Expressão em Zanzibar"

 

Caso tenha perdido – A NATO invadiu a Rússia… e o Armagedão nuclear não está longe

Scott Ritter explica como a Ofensiva de Kursk, os ataques de mísseis de longo alcance e o envolvimento crescente da NATO aproximaram o mundo de uma guerra nuclear muito mais do que a maioria das pessoas imagina.

Num vídeo, Scott Ritter, antigo oficial de inteligência dos Fuzileiros Navais dos EUA e inspector de armas da ONU, lembrou aos espectadores o quão perto os EUA e a Rússia estiveram de uma guerra nuclear sob a administração Biden.

Segundo Ritter, em 2024, a Rússia procurava uma saída para o conflito ucraniano. Moscovo não estava decidida a render-se incondicionalmente; estava aberta a um acordo negociado. Mas, na altura, essa abertura russa para a negociação foi interpretada por muitos no Ocidente como um sinal de fraqueza, e muitos esforços foram feitos para explorar essa fraqueza percebida.

Ritter lembra-nos do que aconteceu em Agosto de 2024: a NATO invadiu a Rússia.

A NATO enviou entre 70.000 e 80.000 soldados ucranianos, treinados e equipados pela aliança politico-militar, para a região de Kursk. Não se tratava de uma incursão pequena. Segundo Ritter, a operação tinha como objectivo tomar territórios e, eventualmente, uma central nuclear, criando assim uma alavanca de negociação para uma possível troca envolvendo a central nuclear de Zaporíjia.

Foi uma operação de grande escala planeada com a participação da NATO. Não se tratava apenas das forças ucranianas acordarem numa manhã e decidirem: 'Vamos a Kursk.' Ritter sustenta que os líderes dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e França apoiaram esta operação.

A força era composta maioritariamente por soldados ucranianos, apoiados por mercenários, mas eram unidades escolhidas a dedo, treinadas e equipadas com equipamento especializado da NATO.

Muitas pessoas também desconhecem que a NATO alterou a sua doutrina operacional após o fracasso da contra-ofensiva ucraniana no Verão de 2023. A nova abordagem incorporou um conceito de fusão de inteligência operacional orientado por IA. Segundo Ritter, as unidades tácticas ucranianas receberam dispositivos semelhantes a iPads que lhes indicavam para onde se moverem com base em informações sobre o destacamento das forças russas. O sistema poderia identificar violações, prever tempos de reacção russos e seleccionar rotas com as melhores oportunidades — permitindo aos ucranianos avançar significativamente em território russo.

Foi preciso considerável coragem e conhecimento por parte dos russos para os travar. Tropas aero-transportadas, fuzileiros navais e forças especiais chechenas foram destacados. As forças chechenas frustraram a ofensiva, os fuzileiros travaram o avanço e os paraquedistas assumiram o controlo. Gradualmente, as forças russas repeliram os atacantes.

Mas isto foi, sublinha Ritter, uma intervenção da NATO.

E estes factos são importantes por causa do que aconteceu a seguir.

Em Setembro de 2024, o Primeiro-Ministro britânico Keir Starmer viajou para Washington com a sua mala contendo os seus documentos oficiais. Ele tinha agendado uma reunião com o Presidente Biden para 13 de Setembro, durante a qual deveria pedir permissão para que a Ucrânia utilizasse mísseis Storm Shadow para atacar profundamente território russo.

Tal operação teria ido muito além do âmbito dos ataques a posições russas no Donbass ou na Crimeia. Isto significaria atacar alvos no coração da profundidade estratégica da Rússia. Os Estados Unidos também estavam a considerar permitir o uso do ATACMS para fins semelhantes.

Este plano previsto era de particular importância, porque a Rússia tinha deixado claro que, se os Estados com armas nucleares fornecessem a um Estado não nuclear a capacidade de atacar o coração do território estratégico russo, Moscovo poderia considerar tais ataques como ataques dessas próprias potências nucleares — mesmo que as armas usadas fossem convencionais.

Foi neste contexto que ocorreu a invasão de Kursk.

E foi aí que a história tomou um rumo pessoal para Ritter.

A 13 de Setembro, no mesmo dia em que esta reunião iria ter lugar, estava na embaixada russa em Washington para assistir a um concerto. Desde o final de 2022, encontrava-se com o embaixador russo Anatoly Antonov para discutir a russofobia e formas de apresentar a cultura russa ao público americano. Um dos temas discutidos foi a organização de eventos culturais, incluindo concertos.

Nessa noite, houve um concerto dedicado a Rimsky-Korsakov. Ritter diz que normalmente não gosta de música clássica – é mais do tipo Bruce Springsteen e Bob Dylan – mas foi uma grande honra para ele ser convidado, e que compareceu por respeito ao embaixador e aos esforços que fez na organização do evento.

Mas naquela noite, Anatoly Antonov não era o homem que Ritter conhecera. Ele estava furioso. Algo obviamente o tinha perturbado. Ele interrompeu o concerto e foi-se embora.

Aconteceu que, mais cedo nessa tarde, Antonov tinha feito uma chamada telefónica.

Segundo Ritter, pessoas próximas da Casa Branca queriam saber se os russos estavam a fazer bluff quanto à sua disposição para usar armas nucleares. Segundo pessoas que Ritter disse estarem em boa posição para saber — embora ele saliente que o próprio Antonov nunca discutiu directamente com ele o assunto — o embaixador foi contactado e questionado sobre a resposta russa caso os mísseis ATACMS ou Storm Shadow fossem usados contra alvos no interior do território russo.

A resposta, transmitida a Ritter, foi inequívoca: a Rússia retaliaria e Washington, D.C., estaria na lista de alvos.

Não haveria ambiguidade quanto a isso.

Segundo este relato, este aviso contribuiu para a falha de Biden em assinar a autorização. Diz-se que ficou zangado, e Starmer deixou Washington num estado de desânimo. Os Estados Unidos realizaram então uma investigação para determinar se a Rússia estava a fazer bluff.

Esta tornou-se a questão central: estariam os russos a fazer bluff?

Em Novembro de 2024, o Contra-Almirante Thomas Buchanan, Director de Planos (J5) no Comando Estratégico dos Estados Unidos, falou no CSIS. Durante a sessão de perguntas e respostas, foi-lhe essencialmente perguntado: estariam os russos a fazer bluff? Estariam os Estados Unidos preparados para um conflito nuclear?

A sua resposta foi essencialmente esta: os Estados Unidos estavam prontos para envolver-se numa troca nuclear com a Rússia — e estavam convencidos de que isso prevaleceria.

Deixe-me simplificar, diz Ritter.

Disse que os Estados Unidos estavam prontos para travar uma guerra nuclear contra a Rússia e achavam que podiam vencê-la.

Porque é que isto é significativo?

Porque em Fevereiro de 2022, a administração Biden juntou-se a outros Estados com armas nucleares reconhecidos pelo Tratado de Não Proliferação ao reafirmar o princípio de que uma guerra nuclear não pode ser vencida e nunca deve ser travada.

Esta era a linha oficial.

No entanto, em Novembro de 2024, o J5 afirmou que os Estados Unidos estavam prontos para travar uma guerra nuclear contra a Rússia e acreditavam que podiam vencê-la.

Ele continuou a explicar o que realmente significava "ganhar".

Não significava aquilo que a maioria das pessoas imagina. Vencer uma guerra nuclear significaria a destruição da América como a conhecemos. Os Estados Unidos deixariam de existir como uma república constitucional. Diz-se que há muito poucos sobreviventes, e vivem sob um regime de sobrevivência rigoroso imposto pelo governo.

Por outras palavras, salvar a América através da guerra nuclear seria como destruir a América.

Segundo relatos, disse que talvez o povo americano devesse compreender o que "vencer" realmente significava, ou então poderiam estar demasiado entusiasmados com a ideia de uma guerra nuclear.

Depois, Ritter foi ao Congresso e reuniu-se com membros muito seniores de ambos os partidos. Perguntou especificamente se a CIA acreditava que a Rússia estava a fazer bluff sobre armas nucleares, pois esse foi o argumento apresentado publicamente em alguns dos principais jornais dos EUA.

A resposta que recebeu de um democrata de muito alto escalão, e confirmada de forma independente por um republicano que também ocupava cargos elevados, foi não.

A CIA não achava que a Rússia estivesse a fazer bluff.

De acordo com a avaliação apresentada a Ritter, a Rússia usaria armas nucleares se considerasse que o seu território estratégico estava suficientemente seriamente sob ataque.

Mas havia algo ainda mais assustador.

De acordo com o briefing do Congresso descrita a Ritter, a avaliação indicava que havia mais de 50% de probabilidade de uma guerra nuclear eclodir com a Rússia até ao final de 2024.

Reflictam nisso.

Os Estados Unidos pareciam acreditar que a Rússia poderia, de facto, usar armas nucleares devido à escalada da crise em torno da Ucrânia, especialmente perante a perspectiva de ataques realizados em território profundo russo.

E, no entanto, hoje, parece que toda a gente se esqueceu do que aconteceu em Kursk.

Todos esqueceram que as forças ucranianas entraram em território russo numa ofensiva de grande escala envolvendo dezenas de milhares de soldados (entre 70.000 e 80.000), com considerável apoio da NATO em termos de treino, equipamento, inteligência e apoio operacional.

Esqueceram-se de como a escalada que se seguiu, ligada a ataques de longo alcance, quase desencadeou um confronto directo entre duas potências nucleares.

Mas, segundo Ritter, o perigo não terminou com a administração Biden.

O Incidente Valdai

Ritter evoca outro episódio que acha particularmente revelador.

Em Dezembro de 2025, enquanto o Presidente Trump falava por telefone com Vladimir Putin sobre a Iniciativa de Paz do Alasca, Ritter afirma que 98 drones ucranianos, alegadamente guiados pela inteligência da CIA, se dirigiam para a residência de Putin em Valdai.

Segundo Ritter, Trump manteve a comunicação telefónica com Putin enquanto se ausentava brevemente, enquanto os drones se aproximavam da residência do presidente russo.

"Chama-lhe o que quiseres", diz Ritter. Segundo ele, foi ou uma tentativa de assassinato ou, pelo menos, uma manobra para pressionar e intimidar Putin.

Ritter apresenta esta afirmação como parte de um padrão mais amplo de escalada. Ele aponta para a operação Spiderweb da Ucrânia em Junho de 2025, na qual a inteligência ucraniana, com a ajuda da CIA e do MI6, lançou drones a partir de camiões contra bombardeiros estratégicos russos.

Para Ritter, esta era outra grande linha vermelha: um ataque directo à força estratégica de bombardeiros nucleares da Rússia.

A sua conclusão é que as declarações públicas da administração Trump de que procurava desescalar o conflito eram completamente inconsistentes com o que estava a acontecer no terreno.

A Estratégia por Trás da Guerra

Ritter argumenta que os EUA estão a seguir uma estratégia para criar o que chama de "momento Maidan em Moscovo."

O objectivo, disse ele, é derrotar a Rússia não necessariamente por uma vitória militar convencional, mas provocando o colapso da sua economia, esgotando as suas forças armadas e quebrando a vontade da população de continuar a lutar — o que acabaria por provocar distúrbios nas ruas e derrubar o governo de Putin.

Putin, argumenta Ritter, está agora ciente desta estratégia.

A Rússia compreende, disse ele, que os Estados Unidos não estão realmente a tentar estabelecer um processo de paz e que o objectivo final de Washington é a mudança de regime em Moscovo.

É por isso, argumenta Ritter, que o debate russo evoluiu.

A questão já não é se a Rússia está a fazer bluff sobre armas nucleares. A questão que se coloca cada vez mais na Rússia é se a NATO é realmente capaz de fazer algo para mudar o desfecho da guerra.

Ritter cita o exemplo de Fiódor Lukyanov, que descreve como parte da elite liberal tradicionalmente pró-Ocidente da Rússia e como alguém que anteriormente se tinha mostrado aberto a um acordo negociado. Ainda assim, argumenta Ritter, até Lukyanov está cada vez mais convencido de que a Rússia poderá ter de vencer a guerra nos seus próprios termos.

Do ponto de vista russo, argumenta Ritter, grande parte da postura ocidental é, em última análise, irrelevante. A Europa pode anunciar novos programas militares, discutir cooperação nuclear e capacidades de ataque de longo alcance, e ameaçar uma escalada adicional — mas Moscovo pode simplesmente esperar.

Ritter considera que a Europa está enfraquecida tanto política como economicamente, e acredita que a NATO está cada vez mais incapaz de liderar um confronto significativo com a Rússia.

Segundo ele, a principal variável é Donald Trump.

Ritter descreve Trump como emocionalmente imprevisível e diz que Moscovo deve, portanto, tratá-lo com cautela — um actor perigoso mas controlável, aos seus olhos.

Mas a maior preocupação de Ritter já não é a Europa.

É a Ásia.

O maior perigo nuclear poderia estar na Ásia

Ritter argumenta que o risco de escalada nuclear no Pacífico, um teatro que recebe muito menos atenção do que a guerra na Europa, é enorme.

Ele aponta para a crescente cooperação militar entre a Coreia do Norte e a Rússia, o destacamento de tropas norte-coreanas e o que descreve como a aquisição de experiência directa da Coreia do Norte em guerra moderna.

Está particularmente preocupado com o desenvolvimento de mísseis norte-coreanos mais potentes e ogivas maiores.

E depois há Taiwan.

O que aconteceria, pergunta Ritter, se as tensões entre a China e o Japão escalassem? E se o Japão atacasse um navio da guarda costeira chinesa e a China retaliasse contra o Japão? O que aconteceria se Taiwan se envolvesse e a China atacasse a ilha? E o que fariam os Estados Unidos?

É aí, argumenta Ritter, que reside o verdadeiro perigo nuclear.

A Ucrânia, por outro lado, já não representa o mesmo problema estratégico que representava em 2024. A Rússia adaptou-se, o seu exército amadureceu e a ofensiva de Kursk terminou. Segundo Ritter, a Rússia já não vê a NATO como uma ameaça militar credível capaz de alterar o equilíbrio fundamental da guerra.

Guerra no campo de batalha

Ritter também afirma que a própria natureza da guerra mudou drasticamente por causa dos drones.

No passado, um colapso das defesas ucranianas poderia ter dado origem a um avanço militar clássico, representado por grandes flechas num mapa: cercos, rupturas e avanços rápidos nas linhas de rectaguarda inimigas.

Hoje em dia, algo assim é muito mais difícil.

Mesmo que uma frente colapse, a Ucrânia pode concentrar milhares de drones FPV numa determinada área. Qualquer formação importante que tente capitalizar um avanço pode assim tornar-se extremamente vulnerável.

Ritter explica que é por isso que a Rússia não procura avanços espectaculares. Pelo contrário, avança calmamente e metodicamente, dominando os ucranianos táctica, operacional e estrategicamente enquanto vai esgotando gradualmente as suas forças.

Durante uma estadia na Rússia, Ritter diz ter discutido guerra de drones com soldados russos. Inicialmente, disseram-lhe que a situação estava a tornar-se extremamente difícil. Em Abril e Maio, os russos avisaram-no de que algumas áreas se tinham tornado tão perigosas que poderiam ser forçados a cancelar a sua visita planeada.

Quando finalmente atravessou a zona de conflito, diz ele, os drones eram ubíquos.

Mas não viu qualquer pânico entre as forças russas.

A mensagem deles era: É difícil, mas sabemos o que os ucranianos estão a fazer, estamos a desenvolver formas de lidar com isso e estamos no controlo.

Ritter afirma que a Rússia passou agora de uma simples estratégia de conter a ameaça dos drones ucranianos para uma de ganhar vantagem.

Reconhece que os drones ucranianos ainda atingem alvos russos, mas acrescenta que a sua eficácia diminuiu e que a Ucrânia está cada vez mais a lutar para substituir os seus operadores experientes de drones.

Guerra económica

Ritter argumenta que o objetivo final da Rússia não é simplesmente derrotar a Ucrânia no campo de batalha.

Trata-se de destruir a capacidade da Ucrânia de fazer guerra.

Ele explica que a Rússia está a visar cada vez mais a indústria de defesa do país, infraestruturas e capacidade económica, incluindo instalações dispersas em áreas civis.

Ele afirma que a produção ucraniana de drones foi transferida para locais civis, incluindo centros comerciais e prédios de apartamentos, e argumenta que isso tornou estas instalações potenciais alvos militares.

Seja qual for a opinião de cada um sobre este argumento, é uma parte importante da explicação de Ritter para os contínuos ataques da Rússia à infraestrutura ucraniana.

Acredita que a Rússia está gradualmente a desmantelar a base militar-industrial da Ucrânia, em vez de tentar alcançar um único avanço espectacular.

Porque é que a Rússia não quer uma guerra com a NATO

Ritter também argumenta que a Rússia não tem interesse em atacar a NATO.

De facto, ele acredita que o oposto é verdade: alguns decisores políticos europeus poderão ver um ataque russo à NATO como o único evento que poderia restaurar a coesão dentro da aliança e trazer os Estados Unidos de volta ao conflito europeu.

Um ataque russo à NATO, segundo esta lógica, poderia dar significado à aliança e potencialmente forçar Washington a reactivar.

Mas a Rússia não tem razão para oferecer esta oportunidade à NATO.

Por isso, Ritter rejeita os apelos para que a Rússia ataque a Europa.

Quem defende tal caminho, argumenta ele, não está a agir no interesse da Rússia.

Pelo contrário, a estratégia russa é derrotar a Ucrânia evitando uma guerra directa com a NATO.
O perigo de uma guerra nuclear

Ritter regressa finalmente à questão nuclear.

Ele sublinha que a sua avaliação de que o perigo de uma guerra nuclear na Europa é menor do que na Ásia não deve ser interpretada como significando que a Europa está segura.

O perigo continua sério.

Não existe, argumenta Ritter, uma guerra nuclear verdadeiramente "limitada".

Recorda o antigo princípio da Guerra Fria: guerras nucleares não podem ser vencidas e, por isso, nunca devem ser travadas.

Assim que uma potência nuclear chega à conclusão de que as armas nucleares podem ser usadas para alcançar objectivos militares e que uma guerra nuclear pode de alguma forma ser vencida, toda a lógica da dissuasão estratégica começa a desmoronar-se.

As outras potências nucleares seriam então forçadas a reagir para restaurar o equilíbrio.

É por isso que Ritter considera o discurso sobre o uso controlado de armas nucleares tácticas tão perigoso. Segundo ele, todos os exercícios sérios de simulação de guerra envolvendo armas nucleares tácticas acabaram por escalar para um conflito nuclear em grande escala.

A lição da Guerra Fria, argumenta ele, foi precisamente o oposto.

Ronald Reagan foi um dos anti-comunistas mais intransigentes da história americana, mas chegou a compreender a necessidade não só de controlo de armamentos, mas também de redução de armamentos. Ritter vê o Tratado INF como um passo histórico em frente que ajudou a salvar a Europa e o mundo de uma catástrofe nuclear.

Hoje, diz ele, esta consciência está a perder-se.

A Europa não está a debater como reduzir a ameaça nuclear. Está a debater como aproximar o limiar nuclear da Rússia.

E é precisamente este tipo de raciocínio, alerta Ritter, que pode transformar um conflito convencional numa catástrofe.

A lição central do seu argumento é, portanto, clara:

Não se pode ganhar uma guerra nuclear. A única forma de a vencer é não a liderar.


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Fonte: Le risque de guerre nucléaire vient de l’Empire Américain en Asie (Scott Ritter) – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice