sábado, 7 de março de 2026

Comunicado sobre a guerra no Irão e no Líbano

 


Comunicado sobre a guerra no Irão e no Líbano

O brutal ataque americano e israelita ao Irão e ao Líbano não é senão um novo momento, ou etapa, da dinâmica que leva o mundo capitalista à guerra imperialista generalizada. Por enquanto, não há nenhum facto particular que indique nem que seja uma pausa nessa dinâmica mortífera. Após o massacre dos palestinianos, é o terror que recai sobre as populações civis iranianas e libanesas. O proletariado no Irão assim como a população é incapaz de se levantar contra o poder da burguesia iraniana e de ganhar as ruas sob os bombardeamentos massivos dos americanos. O mesmo acontece no Líbano. Cada um procura fugir ou proteger-se das bombas. Para já, a China e a Rússia imperialistas, sendo a primeira o alvo principal que os Estados Unidos têm em mente quando atacam o Irão, como fizeram ontem com a Venezuela, não podem reagir directamente e devem suportar os reveses imperialistas que lhes são impostos. Não há dúvida de que a China será forçada a reagir de uma forma ou de outra – sem mencionar as potências imperialistas europeias que se tornaram secundárias. É por isso que dizemos que a guerra actual é um produto e um factor adicional da corrida para a guerra generalizada.

Os principais grupos comunistas do campo proletário já tomaram posição exibindo um internacionalismo proletário mais ou menos afirmado, mas indubitável. Da mesma forma, excepto o CCI para quem «o caos vai aumentar [1] », a TCI e o PCI, ao publicarem Le Prolétaire em francês, indicam claramente as suas posições e análises dos acontecimentos como «uma nova etapa rumo à guerra capitalista mundial» [2] ». Poderíamos ter retomado um ou outro. Optámos por retomar o folheto do grupo bordiguista chamado Programma comunista, que publica em francês os  Cahiers internationalistes. Ele é aquele que destaca mais claramente – parece-nos – a orientação que os comunistas devem avançar hoje: a do « derrotismo revolucionário » enquanto « prática de luta que deve partir da constatação de que, precisamente, o único a ser atacado é o proletariado » e que passa pela recusa « de aceitar sacrifícios económicos e sociais em nome da economia nacional. » E da preparação para a guerra generalizada, acrescentaríamos.

É extremamente provável, no entanto, que não tenhamos a mesma compreensão da própria dinâmica da resposta proletária, aquela da greve de massas, e não da greve geral que remete à posição anarquista. Apesar disso, e o que precisa ser verificado, o folheto centra-se na orientação principal a destacar hoje, aquela que é de facto a chave da situação histórica. (Traduzimos do italiano) 

O GIGC, 6 de Março de 2026


 

Contra as guerras imperialistas, sempre e em todo o lado o derrotismo revolucionário

Sob a pressão da crise mundial do modo de produção capitalista, a situação no Médio Oriente torna-se, dia após dia, cada vez mais crítica. A guerra entre Israel e Estados Unidos e o Irão, qualquer que seja a sua evolução num futuro imediato, é ao mesmo tempo um sintoma e um factor de aceleração e agravamento.
O Estado de Israel cumpre plenamente a função e o papel que lhe foram atribuídos, imediatamente após a Segunda Guerra Mundial, pelas potências imperialistas vencedoras (os Estados Unidos e a URSS à cabeça): a de polícia armado, pago e apoiado pelos interesses do capitalismo mundial, no coração de uma região rica em petróleo, gás e outras matérias-primas preciosas, e ponto de encontro das trocas internacionais. Por seu lado, as burguesias locais (árabes e outras), laicas ou devotas, corruptas e reaccionárias, receosas face aos imperialismos mais poderosos, não fizeram e não fazem senão agarrar-se aos depósitos de ouro negro e seguir o cheiro do
dinheiro: dólares, rublos, euros ou ienes, tanto faz.

No contexto da crise mundial, todos esses factores apenas lançam as bases de um conflito inter-imperialista alargado, destinado a desembocar finalmente numa terceira guerra mundial. Os proletários já são (e serão cada vez mais) as vítimas destes cenários sangrentos, presentes e futuros. A sobreprodução de mercadorias e de capitais, típica desta fase imperialista, é na verdade também uma sobreprodução de seres humanos: vítimas a sacrificar no altar da preservação a qualquer custo do capitalismo. Os proletários e as massas em processo de proletarização de Gaza, da Cisjordânia, do Líbano, da Síria, do Irão, abandonados por todos, traídos por todos, martirizados por todos, e que além disso estão presos na armadilha infame dos nacionalismos anti-históricos, sabem-no bem pela sua terrível experiência directa.

E os proletários dos imperialismos mais poderosos, euro-asiáticos e americanos? Que ajuda podem dar aos seus irmãos hoje, depois de quase um século de contra-revolução, democrática ou fascista, que os paralisou na ilusão de que, afinal, é "o melhor e mais reformável de todos os mundos possíveis"? Nas guerras imperialistas, ensinou-nos Lenine, não existem "agredidos" nem "agressores": todos são agressores e há apenas um agredido — o proletariado mundial.

A encosta é longa e íngreme para subir, mas não há outro caminho. Os factos materiais por si mesmos encarregar-se-ão de abalar o muro até aqui compacto que separava os proletários das principais potências imperialistas dos outros contingentes de um proletariado em crescimento numérico por todo o mundo. Mas isso não é suficiente: é necessário que a tomada de consciência da necessidade de passar para um modo de produção superior volte a emergir, implicando assim o caminho difícil e longo para lá chegar. Esta é a tarefa principal das vanguardas da luta, dos revolucionários que não se deixaram enganar pelas mil ilusões semeadas ao longo de décadas de práticas reformistas e democráticas, anti-proletárias e contra-revolucionárias.

No coração desta tarefa colossal encontra-se a reivindicação do derrotismo revolucionário. Não se trata de uma palavra de ordem, mas de uma prática de luta que deve partir da constatação de que, precisamente, o único a ser atacado é o proletariado: não há «frentes» a escolher, não há «inimigos principais» ou «amigos privilegiados». É necessário lutar contra todas as burguesias e os seus Estados, e em primeiro lugar contra a sua própria burguesia e o seu próprio Estado.

Organizar-se em todos os lugares para uma luta de classes radical contra o Estado capitalista, as suas instituições e todos os seus partidos! Desenvolver uma verdadeira luta pela defesa das condições de vida e de trabalho, de forma a dar um golpe duro aos interesses económicos e políticos da burguesia.

Recusar aceitar sacrifícios económicos e sociais em nome da economia nacional. Quebrar abertamente a paz social, com um regresso resoluto aos métodos e objectivos da luta de classes, a única verdadeira solidariedade internacionalista, tanto nas metrópoles imperialistas como nos subúrbios. Recusar qualquer apoio cúmplice (nacionalista, religioso, patriótico, mercenário, humanitário, socializador, pacifista...) em favor de um ou outro dos estados ou frentes envolvidos em guerras. Organizar acções de greve económica e social que conduzam a greves gerais reais para paralisar a vida nacional e abrir caminho a greves políticas, provavelmente para abrandar e impedir qualquer mobilização e propaganda de guerra.

Só será possível preparar-nos para acções abertamente anti-militaristas e derrotistas anti-patrióticas se as vanguardas de luta da nossa classe se organizarem em torno destes temas (e não apenas em torno das questões sindicais, ambientais, sociais, etc., certamente necessárias, mas limitadas) e se juntarem e reforçarem o partido da revolução comunista. Noutras palavras:

Deixar que o seu próprio Estado e os seus aliados sejam derrotados, desobedecer de forma organizada às hierarquias militares, fraternizar com os nossos irmãos de classe (eles também presos na sua « pátria »), segurar firmemente as armas e os sistemas de armamento para se defender em primeiro lugar, e depois libertar-se dos tentáculos das instituições burguesas: transformar a guerra entre Estados em guerra dentro dos Estados, em guerra civil, em guerra revolucionária.

São os próprios factos da realidade capitalista actual que gritam tragicamente a urgência deste trabalho e a necessidade desta perspectiva.

Partido comunista internacional – Programa comunista, Cahiers internationalistes, 28/2/2026                                                                                                                                               

internationalcommunistparty.org/index.php/fr 

 

Fonte :https://www.internationalcommunistparty.org/index.php/en/english/3749-against-imperialist-wars-revolutionary-defeatism-always-and-in-all-circumstances

Este comunicado foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice








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