segunda-feira, 23 de março de 2026

Líbano em guerra de resistência – Negociar… Como? E sobre o quê?

 


Líbano em guerra de resistência – Negociar… Como? E sobre o quê?

23 de Março de 2026 Robert Bibeau


Marie Nassif-Debs
 (Líbano).

 

Ultimamente, muito se tem falado nos círculos oficiais libaneses sobre a necessidade de negociar o fim da guerra. Essas discussões coincidem com a proposta de certos chefes de Estado "amigos", nomeadamente Chipre e França, de receber representantes do Líbano e da entidade sionista nos seus territórios para estabelecer um cessar-fogo e começar a elaborar um acordo para a próxima fase. Esse acordo poria fim definitivo aos conflitos e estabeleceria uma paz duradoura no mundo árabe e no Médio Oriente.

Belos slogans! Mas eles permanecem vagos. Como todos sabem, são os detalhes que importam.

Uma paz duradoura tem os seus pré-requisitos, sendo o primeiro o fim da ocupação sionista das Quintas de Shebaa, das Colinas de Kfarchouba e da aldeia de Ghajar. A entidade também deve ser obrigada a pagar o preço pelos seus crimes: massacres e destruição. Um preço exorbitante, pois toda a riqueza do mundo não pode apagar a dor. Sem mencionar o roubo de água, gás e outros recursos naturais.

O segundo ponto diz respeito ao Acordo de Armistício de 1949, que, em nossa opinião, ainda constitui a base sólida das nossas relações com a entidade sionista. Essa entidade representa a ocupação de um território alheio e uma ameaça a todos os povos e estados da região. A sua missão permanece inalterada, tal como definida pelo colonialismo da década de 1940: pilhar o petróleo e o gás árabes e pavimentar o caminho para o capitalismo mundial, agora sob a égide do imperialismo americano, a fim de exercer controlo total sobre o coração do mundo, seus recursos e os meios de comunicação entre os seus povos. Esse objectivo é alcançado mantendo o mundo árabe, que se estende do Atlântico ao Golfo, sob o jugo dos deuses do dinheiro e da exploração.

O terceiro ponto a ser considerado diz respeito à causa palestiniana e, mais especificamente, ao destino dos refugiados palestinianos no Líbano e ao seu direito de retornar às suas terras e a todos os lares dos quais foram expulsos, bem como à restauração do seu Estado-nação com Jerusalém como capital.

Afirmamos isso e enfatizamos particularmente o Acordo de Armistício , porque rejeitamos hoje, como temos feito desde o Acordo de 17 de Maio, qualquer "demarcação" das nossas fronteiras terrestres e marítimas. As nossas fronteiras terrestres e marítimas, conforme definidas pelo acordo de 7 de Março de 1923, são claras e inequívocas . Qualquer concessão, mesmo de um único centímetro do nosso território, constitui um crime e uma violação do Artigo 2 da Constituição, que proíbe "ceder ou abandonar qualquer parte do território libanês".

Portanto, reiteramos o nosso apelo à unidade nacional, que transcenda as divisões sectárias e regionais, pois essa unidade constitui um baluarte impenetrável contra todos os desafios e ambições. Que estejamos à altura das responsabilidades que nos foram confiadas.

Marie Nassif-Debs

17 de Março de 2026

Traduzido do árabe por Roland Richa

 

Fonte: Liban en guerre de Résistance – Négocier… Comment ? Et sur quoi ? – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




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