Os
bombardeamentosos americanos e israelitas estão a transformar Teerão numa
câmara de gás a céu aberto.
16 de Março de
2026 Robert Bibeau
“Por Khider Mesloub .
Dez milhões de
habitantes expostos ao risco de asfixia sob uma gigantesca nuvem tóxica letal. Após os ataques israelitas contra várias
instalações petrolíferas da capital iraniana, Teerão acordou sob um espesso
fumo negro, gases tóxicos e chuvas carregadas de resíduos petrolíferos. Um
potencial genocídio sanitário provocado pelos bombardeamentos israelitas no
coração de uma megacidade.
Na noite de sábado, 7, para domingo, 8 de Março, os ataques israelitas contra o Irão visaram várias instalações petrolíferas situadas na aglomeração de Teerão. Cinco instalações energéticas foram atingidas, incluindo quatro depósitos de petróleo, provocando incêndios de grande intensidade. Os incêndios industriais lançaram para a atmosfera enormes nuvens de hidrocarbonetos queimados e fuligem, que se espalharam progressivamente sobre a metrópole. De manhã, os habitantes descobriram uma cidade coberta por uma espessa camada de fumo negro.
Em vários bairros, esta névoa poluente, agravada por condições meteorológicas desfavoráveis, mergulha as ruas numa penumbra inquietante, conferindo à capital uma atmosfera de fim do mundo. Sobre a cidade, um denso nevoeiro de hidrocarbonetos queimados obscurece o céu, e uma megacidade de quase dez milhões de habitantes respira agora um ar transformado numa nuvem tóxica letal.
Num vídeo divulgado nas redes sociais, o jornalista da CNN Frederik Pleitgen descreve uma cena de uma violência quase irreal: «Chove petróleo sobre Teerão.» Nos bairros próximos das instalações bombardeadas, os habitantes referem um cheiro persistente a hidrocarbonetos queimados que impregna as ruas e se infiltra até nas habitações.
A poluição que se abateu sobre a cidade representa um perigo sanitário imediato. «Toda a capital está coberta por uma nuvem muito tóxica», explicou o jornalista Siavosh Ghazi, correspondente da France 24 e da Radio France Internationale em Teerão, durante uma intervenção transmitida no noticiário das 13 horas da TF1.
Ainda mais preocupante é o facto de, de madrugada, ter caído sobre a capital uma chuva carregada de resíduos petrolíferos. Estas precipitações, uma mistura de água e partículas resultantes da combustão de hidrocarbonetos, constituem um cocktail químico particularmente perigoso. Segundo os correspondentes no local, esta chuva tóxica pode provocar irritações cutâneas, problemas respiratórios e lesões pulmonares, com riscos letais acrescidos para crianças, idosos e pessoas que já sofrem de doenças respiratórias.
Compostos químicos com efeitos corrosivos no tracto respiratório
Perante a gravidade da situação, as
autoridades iranianas apelaram aos habitantes para que permaneçam em casa, a
fim de evitar qualquer exposição prolongada ao ar exterior, sob pena de
intoxicação potencialmente mortal. O Crescente Vermelho iraniano alerta para a
libertação na atmosfera de quantidades significativas de hidrocarbonetos
tóxicos, enxofre e óxidos de azoto, compostos químicos conhecidos pelos seus
efeitos corrosivos nas vias respiratórias e nos tecidos pulmonares, podendo
causar a morte.
Ao bombardear instalações petrolíferas no coração da capital, as forças israelitas mergulharam Teerão numa névoa de hidrocarbonetos queimados e gases tóxicos, transformando a cidade numa câmara de gás a céu aberto para os seus habitantes, expostos a um risco de asfixia letal.
Para além dos objectivos militares proclamados, estes ataques ilustram uma realidade frequentemente ocultada nos discursos estratégicos contemporâneos: a destruição de infraestruturas energéticas em zonas urbanas não causa apenas danos materiais. Provoca também catástrofes ecológicas e sanitárias imediatas, expondo populações civis inteiras a poluições químicas mortais.
Este tipo de devastação ambiental não é inédito na história das guerras capitalistas contemporâneas. Durante a Guerra do Golfo, o incêndio de centenas de poços de petróleo no Kuwait mergulhou a região numa escuridão quase permanente durante várias semanas, libertando na atmosfera milhões de toneladas de fuligem e gases tóxicos.
Moradores de Teerão transformados em tochas vivas
Mas há uma diferença fundamental que
distingue a situação actual. Em 1991, esses incêndios ocorriam principalmente
em zonas desérticas ou pouco povoadas. Hoje, as instalações alvo dos ataques
israelitas situam-se no coração de uma megacidade com quase dez milhões de
habitantes. A poluição tóxica não se dispersa: acumula-se sobre uma megacidade
densamente povoada. Nestas condições, os fumos tóxicos já não são apenas um
efeito colateral da guerra: tornam-se uma ameaça directa para toda uma
população urbana condenada a respirar um ar potencialmente mortal. Os
habitantes de Teerão estão assim expostos às chamas e aos gases tóxicos.
Este ataque não é um episódio isolado. O exército do Estado genocida israelita já tinha atacado, a 14 de Junho de 2025, duas instalações petrolíferas perto de Teerão, bem como um complexo de produção de gás no sul do Irão. O ataque actual insere-se, portanto, numa série de ataques que visam as principais infraestruturas energéticas do país.
Na era do capitalismo decadente, a guerra já não destrói apenas exércitos ou infraestruturas. Transforma o próprio ambiente numa arma. Quando instalações industriais são atingidas no coração de uma metrópole, os incêndios, os fumos tóxicos e as chuvas ácidas tornam-se instrumentos de destruição maciça indirecta.
Ao
bombardear deliberadamente as instalações petrolíferas e de gás, Israel sabia
que iria expor os habitantes de Teerão ao fogo e aos gases tóxicos,
condenando-os a tornarem-se tochas humanas ou espectros asfixiados. Com estes
ataques, Israel transformou Teerão numa câmara de gás a céu aberto, onde toda
uma população corre o risco de sucumbir lentamente. Com estes bombardeamentos
exterminadores, Israel cometeu um crime de guerra e um crime contra a
humanidade.
Hoje,
em Teerão, já não é apenas o medo dos mísseis americano-israelitas que mantém
os habitantes fechados em casa: é agora o próprio ar tóxico da sua cidade, que se
tornou perigoso de respirar devido aos bombardeamentos das instalações
petrolíferas e de gás.
Khider MESLOUB
Este artigo foi traduzido para Língua
Portuguesa por Luis Júdice

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