A Franco-maçonaria no Médio Oriente (2/2)
24 de Março de 2026 Robert Bibeau
Em La Franc-maçonnerie au Moyen Orient 2/2 – Madaniya
Lançamento do livro «História da Franco-maçonaria no Médio Oriente (Líbano, Síria, Palestina, Turquia, Egipto, Irão)», de Jean Marc Aractingi. Edições Amazone. Preço: 21 euros, ISBN 978 107 500 5473.
Abdel Kader El Djazaïri e os seus três filhos, Gamal Abdel Nasser e Anwar
el Sadat, Mohamad Abdo (Egipto), Jamal Eddine al Afghani, Atatürk e Süleyman
Demirel (Turquia), o Rei Hussein da Jordânia e o seu irmão Talal, maçons.
O assunto alimentou a controvérsia durante décadas, mas o mistério está
agora esclarecido: o emir Abdel Kader Djazaïri, a figura mítica da luta
nacionalista argelina contra o colonialismo francês, o seu irmão e os seus três
filhos eram maçons.
O emir foi «iniciado por Chahine
Makarios, um libanês cristão da loja «La Palestine» do Oriente de Beirute,
assim como os seus dois filhos, Mohamad e Mohieddine. O seu terceiro filho,
Omar, na loja «Lumières de Damas». Em reconhecimento pela sua intervenção a
favor dos cristãos da Síria, ao protegê-los no seu palácio de Damasco, a «loja
Henrique IV do Oriente de Paris do Grande Oriente da França» enviou-lhe um
presente: uma joia representando os insígnios maçónicos: um círculo assente sobre
um duplo quadrado radiante com, no centro, sobre fundo de esmalte verde, um
esquadro do qual pendem os elementos do quadrado de Pitágoras, bem como letras
(página 564).
O irmão do emir Abdelkader, o emir Tahar
El Djazaïri, foi também iniciado na Maçonaria. A fotografia do emir Abdelkader
em traje maçónico encontra-se publicada na página 573.
Em anexo, encontra-se
uma lista não exaustiva de personalidades maçónicas
Egipto: O general Jean Baptiste Kléber, comandante-chefe do exército
egípcio durante a expedição de Bonaparte, fundou a loja ISIS, da qual foi o
Venerável Mestre. E Ferdinand de Lesseps, o artífice da escavação do Canal do
Suez, iniciou o chedive Ismail.
O presidente egípcio Gamal Abdel Nasser e o seu vice-presidente Anwar
el-Sadat eram membros da «Ordem Mística do Egipto e dos Shriners» (página 622).
O caso de Suez, em 1956 — a nacionalização do Canal de Suez por Nasser e a
agressão tripartida que se seguiu contra o Egipto por parte do Reino Unido, da
França e de Israel — pôs um fim brutal à presença de todas as lojas
estrangeiras no Egipto. A dissolução foi
pronunciada pelo próprio Nasser. As instituições paramasonic «Lion’s
Club» e «Rotary Club» foram mantidas.
Boutros Ghali, antigo primeiro-ministro e avô do antigo secretário-geral da
ONU e antigo ministro dos Negócios Estrangeiros do presidente Anwar el-Sadat,
pertencia à Maçonaria.
Mohamad Abdo (página 589), mufti do Egipto, ingressou na loja «Kawkab Al
Charq» (a Estrela do Oriente) aos 28 anos. Grande reformador, foi o
impulsionador do Renascimento do mundo muçulmano… nos antípodas dos movimentos
islamistas transnacionais da época contemporânea, «Al-Qaeda» e «Daesh» (o
Estado Islâmico), fruto da instrumentalização do Islão pela OTAN a favor das
monarquias petrolíferas árabes e contra os seus inimigos, tanto a União
Soviética como os países árabes de estrutura republicana (Líbia, Síria) .
Jamaleddine Al Afghani: Nascido no Irão, educado no rito xiita, fazia-se
passar por sunita porque o xiismo era mal visto fora do Irão. Faz-se passar por
afegão, daí o seu nome Al Afghani. A sua
fotografia em trajes maçónicos é publicada na página 585).
Turquia: O sultão Murad V e Atatürk, o pai da Turquia moderna, e Süleyman
Demiral.
Jordânia: o rei Hussein merece uma menção à parte. Oportunista como poucos,
este maçom também recebia fundos do orçamento da CIA, a agência central de
inteligência americana. O seu irmão Talal também pertencia à Maçonaria.
Em anexo, o relato das infâmias do algoz
dos palestinianos durante o período conhecido como «Setembro Negro jordaniano»
em 1970 e da sua conivência com Israel.
https://www.madaniya.info/2025/06/02/la-face-hideuse-du-roi-hussein-de-jordanie/
Irão: A Loja «O Despertar do Irão» estará na vanguarda da revolução constitucional de 1906. Entre os membros mais ilustres desta loja, contam-se o antigo primeiro-ministro Amir Abbas Hoveyda, Mohamad Foroughi e Jafar Sharif Emami.
Kuwait: Saad Abdallah Al Sabah, emir do Kuwait, foi iniciado pelo Grão-Mestre da Loja do Líbano e dos Países Árabes e Grão-Mestre Honorário do Grande Oriente da Itália, o muito honrado e ilustre Honein Kattini, 343.º da REAA (página 450).
As personalidades
importantes são acompanhadas por uma nota que detalha a sua filiação e grau,
bem como por uma fotografia que ilustra as suas actividades. Cada capítulo
desta volumosa obra é acompanhado por uma biografia detalhada.
A história da
Maçonaria no Médio Oriente constitui uma mina de informações para quem desejar
empreender esta viagem pelos meandros da arqueologia subterrânea da vida
política desta zona, das ligações subterrâneas das elites, do seu
entrelaçamento, da solidariedade clânica, na véspera das reviravoltas que se
iriam operar e que iriam perturbar radicalmente o panorama.
Uma vida fervilhante.
Mas «a criação de Israel, vista como uma criação do Ocidente, vai dar um travão
brutal à Maçonaria» e quebrar abruptamente este ímpeto.
Ilustração
Franco-maçons no Egipto © Museu da Franco‑maçonaria
Fonte: La Franc-maçonnerie au Moyen Orient (2/2) – les 7 du quebec
Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice

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