Declaração sobre a guerra no Irão e no Líbano
16 de Março de
2026 Robert Bibeau
Pelo IGCL/GIGC . Em http://www.igcl.org/Communique-sur-la-guerre-en-Iran
O comunicado de imprensa está disponível em formato PDF : Comunicado de Imprensa Irão-Líbano
O brutal ataque americano e
israelita ao Irão e ao Líbano não é senão um novo momento, ou etapa, da
dinâmica que leva o mundo capitalista à guerra imperialista generalizada. Por
enquanto, não há nenhum facto particular que indique nem que seja uma pausa
nessa dinâmica mortífera. Após o massacre dos palestinianos, é o terror que
recai sobre as populações civis iranianas e libanesas. O proletariado no Irão
assim como a população é incapaz de se levantar contra o poder da burguesia
iraniana e de ganhar as ruas sob os bombardeamentos massivos dos americanos. O
mesmo acontece no Líbano. Cada um procura fugir ou proteger-se das bombas. Para
já, a China e a Rússia imperialistas, sendo a primeira o alvo principal que os
Estados Unidos têm em mente quando atacam o Irão, como fizeram ontem com a
Venezuela, não podem reagir directamente e devem suportar os reveses
imperialistas que lhes são impostos. Não há dúvida de que a China será forçada
a reagir de uma forma ou de outra – sem mencionar as potências imperialistas
europeias que se tornaram secundárias. É
por isso que dizemos que a guerra actual é um produto e um factor adicional da
corrida para a guerra generalizada.
Os principais
grupos comunistas do campo proletário já tomaram posição exibindo um
internacionalismo proletário mais ou menos afirmado, mas indubitável. Da mesma
forma, excepto o CCI para quem «o caos
vai aumentar [1] », a TCI e o PCI, ao publicarem Le
Prolétaire em francês, indicam claramente as suas posições e análises
dos acontecimentos como «uma nova etapa rumo à guerra capitalista
mundial» [2] ». Poderíamos ter retomado um ou outro. Optámos por retomar o
folheto do grupo bordiguista
chamado Programma comunista, que publica em francês os Cahiers
internationalistes.
É ele aquele que destaca
mais claramente – parece-nos – a orientação que os comunistas devem avançar
hoje: a do « derrotismo revolucionário » enquanto « prática de luta que deve partir da constatação de que,
precisamente, o único a ser atacado é o proletariado » e que passa pela recusa « de aceitar sacrifícios económicos e sociais em nome da economia
nacional. » E da preparação para a
guerra generalizada, acrescentaríamos.
É
extremamente provável, no entanto, que não tenhamos a mesma compreensão da
própria dinâmica da resposta proletária, aquela da greve de massas, e não da greve geral que remete à posição
anarquista. Apesar disso, e o que precisa ser verificado, o folheto centra-se
na orientação principal a destacar hoje, aquela que é de facto a chave da
situação histórica. (Traduzimos do italiano)
Pelo
GIGC, 6 de Março de 2026
Declaração sobre a guerra no Irão e no
Líbano
Contra as
guerras imperialistas, sempre e em todo lugar, contra o derrotismo
revolucionário.
Sob a pressão da crise mundial do modo de produção
capitalista, a situação no Médio Oriente torna-se, dia após dia, cada vez mais
crítica. A guerra entre Israel e Estados Unidos e o Irão, qualquer que seja a
sua evolução num futuro imediato, é ao mesmo tempo um sintoma e um factor de
aceleração e agravamento.
O Estado de Israel cumpre plenamente a função e o papel que lhe foram
atribuídos, imediatamente após a Segunda Guerra Mundial, pelas potências
imperialistas vencedoras (os Estados Unidos e a URSS à cabeça): a de polícia
armado, pago e apoiado pelos interesses do capitalismo mundial, no coração de
uma região rica em petróleo, gás e outras matérias-primas preciosas, e ponto de
encontro das trocas internacionais. Por seu lado, as burguesias locais (árabes e
outras), laicas ou devotas, corruptas e reaccionárias, receosas face aos
imperialismos mais poderosos, não fizeram e não fazem senão agarrar-se aos
depósitos de ouro negro e seguir o cheiro do dinheiro: dólares, rublos, euros ou ienes, tanto faz.
No contexto da crise mundial, todos esses factores
apenas lançam as bases de um conflito inter-imperialista alargado, destinado a
desembocar finalmente numa terceira guerra mundial. Os proletários já são (e
serão cada vez mais) as vítimas destes cenários sangrentos, presentes e
futuros. A sobreprodução de mercadorias e de capitais, típica desta fase
imperialista, é na verdade também uma sobreprodução de seres humanos: vítimas a
sacrificar no altar da preservação a qualquer custo do capitalismo. Os
proletários e as massas em processo de proletarização de Gaza, da Cisjordânia,
do Líbano, da Síria, do Irão, abandonados por todos, traídos por todos,
martirizados por todos, e que além disso estão presos na armadilha infame dos
nacionalismos anti-históricos, sabem-no bem pela sua terrível experiência
directa.
E os proletários dos imperialismos mais poderosos,
euro-asiáticos e americanos? Que ajuda podem dar aos seus irmãos hoje, depois
de quase um século de contra-revolução, democrática ou fascista, que os
paralisou na ilusão de que, afinal, é "o melhor e mais reformável de todos
os mundos possíveis"? Nas guerras imperialistas, ensinou-nos Lenine, não
existem "agredidos" nem "agressores": todos são agressores
e há apenas um agredido — o proletariado mundial.
A encosta é longa e íngreme para subir, mas não há
outro caminho. Os factos materiais por si mesmos encarregar-se-ão de abalar o
muro até aqui compacto que separava os proletários das principais potências
imperialistas dos outros contingentes de um proletariado em crescimento
numérico por todo o mundo. Mas isso não é suficiente: é necessário que a tomada
de consciência da necessidade de passar para um modo de produção superior volte
a emergir, implicando assim o caminho difícil e longo para lá chegar. Esta é a
tarefa principal das vanguardas da luta, dos revolucionários que não se
deixaram enganar pelas mil ilusões semeadas ao longo de décadas de práticas
reformistas e democráticas, anti-proletárias e contra-revolucionárias.
No coração desta tarefa colossal encontra-se a reivindicação
do derrotismo revolucionário.
Não se trata de uma palavra de ordem, mas de uma prática de
luta que deve partir da constatação de que, precisamente, o único a ser atacado é o proletariado:
não há «frentes» a escolher, não há «inimigos principais» ou «amigos
privilegiados». É necessário lutar contra todas as burguesias e os seus
Estados, e em primeiro lugar contra a sua própria burguesia e o seu próprio
Estado.
Organizar-se em todos os lugares para uma luta de
classes radical contra o Estado capitalista, as suas instituições e todos os
seus partidos! Desenvolver uma verdadeira luta pela defesa das condições de
vida e de trabalho, de forma a dar um golpe duro aos interesses económicos e
políticos da burguesia.
Recusar aceitar
sacrifícios económicos e sociais em nome da economia nacional. Quebrar
abertamente a paz social, com um regresso resoluto aos métodos e objectivos da
luta de classes, a única verdadeira solidariedade internacionalista, tanto nas
metrópoles imperialistas como nos subúrbios. Recusar qualquer apoio cúmplice
(nacionalista, religioso, patriótico, mercenário, humanitário, socializador,
pacifista...) em favor de um ou outro dos estados ou frentes envolvidos em
guerras. Organizar acções de greve económica e social que conduzam a greves
gerais reais para paralisar a vida nacional e abrir caminho a greves políticas,
provavelmente para abrandar e impedir qualquer mobilização e propaganda de
guerra.
Só será possível preparar-nos para acções
abertamente anti-militaristas e derrotistas anti-patrióticas se as vanguardas
de luta da nossa classe se organizarem em torno destes temas (e não apenas em
torno das questões sindicais, ambientais, sociais, etc., certamente
necessárias, mas limitadas) e se juntarem e reforçarem o partido da revolução
comunista. Noutras palavras:
Deixar que o seu próprio
Estado e os seus aliados sejam derrotados, desobedecer de forma organizada às
hierarquias militares, fraternizar com os nossos irmãos de classe (eles também
presos na sua « pátria »), segurar firmemente as armas e os sistemas de
armamento para se defender em primeiro lugar, e depois libertar-se dos
tentáculos das instituições burguesas: transformar a guerra entre Estados em
guerra dentro dos Estados, em guerra civil, em guerra revolucionária.
São os próprios factos da realidade
capitalista actual que gritam tragicamente a urgência deste trabalho e a
necessidade desta perspectiva.
Pelo Partido
comunista internacional – Programa comunista, Cahiers internationalistes,
28/2/2026
internationalcommunistparty.org/index.php/fr
Notas:
[1]
. https://fr.internationalism.org/content/11740/guerre-iran-capitalisme-cest-guerre-il-faut-renverser-capitalisme
[2]
. https://www.leftcom.org/en/articles/2026-03-05/middle-east-in-flames-next-step-toward-global-capitalist-war (Declaração
de posição da TCI disponível apenas em inglês no momento da redação). E o
PCI: https://www.pcint.org/ .
Fonte:
Esta
declaração foi traduzida para Língua Portuguesa por Luis Júdice
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