Os sindicatos apenas negociam
as condições da nossa exploração; só o comunismo pode pôr-lhe fim
Os operários de todo o
mundo e de quase todos os sectores sentem, mais uma vez, a necessidade de lutar
contra os ataques aos nossos padrões de vida. Os sindicatos, que constituem uma
parte importante da história da nossa classe operária, são os primeiros a
oferecer-nos uma forma de canalizar essa luta colectivamente. Mas, olhando para
além destas fases iniciais da luta da classe operária, a história das lutas
sindicais torna-se menos idílica. A história da luta de classes mostrou que os
sindicatos foram-se integrando gradualmente no aparelho de planeamento do
Estado durante as duas últimas guerras mundiais.
Mais do que nunca, os operários
devem começar a assumir o controlo das nossas próprias lutas contra o
agravamento das condições através da nossa própria organização de classe. O
capitalismo é a causa do rápido declínio dos nossos padrões de vida. A inflação,
o trabalho precário e os cortes nos benefícios são formas pelas quais os
patrões capitalistas estão a espremer os operários para obter mais lucros.
Estes não são os resultados de acções de patrões particularmente maliciosos.
Pelo contrário, são as necessidades estruturais do capital que forçam a classe
capitalista a tentar fazer com que os operários paguem com o nosso próprio
sangue e suor pela crise de rentabilidade. Por todas estas razões e mais, temos
de responder à repressão de classe do inimigo com os nossos próprios órgãos de
classe, e não com aqueles que estão subordinados ao seu Estado.
À medida que caminhamos
mais uma vez para a guerra, devemos recordar que, em ambas as guerras mundiais
anteriores, a classe operária foi convencida pelos partidos «operários» e pelos
seus sindicatos a derramar o seu sangue em todas as frentes, por exemplo,
impondo compromissos de não greve para ajudar a reorganizar a economia em torno
da produção de guerra e para ajudar a recrutar operários para o massacre
imperialista. Estes sindicatos, recém-reconhecidos legalmente, permitiram à
classe dominante manter a luta da classe operária dentro de certos limites, em
troca de uma parte dos lucros. Entre a Segunda Guerra Mundial e o início da
década de 1970, antes de a crise de rentabilidade ressurgir com toda a força,
os sindicatos ainda conseguiam obter aumentos salariais e reformas para os seus
membros contribuintes, desde que se mantivessem dentro dos limites legais e de
facto estabelecidos pela classe capitalista, limitando continuamente as lutas
dos operários e enfraquecendo a luta mundial da classe operária. No entanto,
assim que os lucros começaram a diminuir, este antigo status quo tornou-se
insustentável para o Estado capitalista. Apesar do papel dos sindicatos na
manutenção da estabilidade capitalista, o seu poder começou a desmoronar-se à
medida que a taxa de lucro se deteriorava ainda mais. Os patrões começaram a
ver os sindicatos como potenciais obstáculos ao aumento da exploração dos operários,
mesmo com a sua colaboração.
Os sindicatos existem
para negociar a venda da força de trabalho: é assim que «sobrevivem». As
comissões de negociação e os acordos colectivos dos sindicatos impõem cláusulas
de greve, permitindo que os operários entrem em greve apenas após o cumprimento
de determinadas condições, e não quando as suas reais exigências para garantir
condições de vida dignas não são atendidas. Os sindicatos negociam acordos colectivos
diferentes em cada indústria, sector e local de trabalho, onde, dentro do
próprio local de trabalho, existem frequentemente acordos distintos geridos por
vários sindicatos, a par de um grande número de operários não sindicalizados. A
31 de Janeiro de 2026, os sindicatos (que tinham «apoiado» a chamada greve
geral em Minneapolis) disseram aos operários que afirmam representar que estes
deviam ir trabalhar e não podiam participar em qualquer acção de greve. Como
era de esperar, os sindicatos preferem as regras dos patrões às reivindicações
dos operários. As traições dos sindicatos à classe operária não começam com os
sindicatos a agir como órgãos estatais flagrantemente colaboracionistas de
classe. Pelo contrário, começam no local de trabalho, ao estabelecer o
reconhecimento dos direitos de gestão capitalistas e promover a mediação
contratual em vez da luta de classes. Os operários não podem delegar a sua
própria luta a órgãos capitalistas como os sindicatos, que mantêm as lutas dos operários
limitadas e os preparam para a derrota.
Historicamente, os operários
já criaram órgãos verdadeiramente representativos de toda a classe, tais como
conselhos de greve, comités de fábrica, sovietes, shuras ou conselhos
territoriais de operários. Ao contrário dos sindicatos, estes órgãos não são
árbitros permanentes entre o trabalho e o capital e não fragmentam a classe operária.
Hoje, os operários em greve estão a tomar a iniciativa de criar grupos de chat
para discutir as suas queixas e insatisfações contra os sindicatos que
amordaçam as suas lutas e transformam as greves em encenações de negociação, em
vez de generalizar a greve. As crises insolúveis do capitalismo estão a
conduzir todo o sistema para guerras imperialistas; os Estados capitalistas
estão a considerar as guerras, que matarão milhões de operários, como uma
solução mais adequada para revitalizar o sistema capitalista explorador. A
própria actividade dos operários deve afastar-se das lutas meramente defensivas
contra a deterioração das condições de trabalho e avançar para uma luta
ofensiva. Isto significa começar a relacionar todas as nossas condições em
deterioração e o aumento da repressão e da vigilância com o capitalismo
decadente e em crise. O proletariado revolucionário necessita também de um
partido comunista que encarne a subjectividade proletária através da reflexão
sobre as experiências passadas da luta de classes e que funcione como ponto de
referência para o proletariado com consciência de classe. O conteúdo político
do partido comunista é a ferramenta mais indispensável para que os órgãos de
toda a classe constituam a base da ditadura do proletariado, onde a classe operária
é capaz de tomar o poder político e auto-emancipar-se do capitalismo. Esta é a
única forma de alcançar o comunismo, uma sociedade sem Estado e sem classes,
sem produção mercantil, exploração ou guerras. A alternativa é o assassinato
social pela classe capitalista unida no seu Estado e nas guerras mundiais
imperialistas.
Internationalist
Workers’ Group/Grupo Operário Internacionalista
Março 2026
Notas:
Imagem: Operários em
greve em Nova Iorque a serem detidos pela polícia, 5 de Fevereiro de 2026. As
enfermeiras da Presbyterian continuaram o piquete depois de a NYSNA ter imposto
o seu acordo provisório aos trabalhadores, acima do comité local de negociação.
Segunda-feira, 23 de Março de 2026
Fonte: Unions
Mediate the Terms of Our Exploitation, Only Communism Can End It | Leftcom
Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis
Júdice
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