quinta-feira, 19 de março de 2026

Epstein: o Império do Dinheiro aproveita-se das filhas do povo

 


Epstein: o Império do Dinheiro aproveita-se das filhas do povo

19 de Março de 202 6Robert Bibeau


Por Khider Mesloub .

Epstein : ele não era apenas um empresário. Era uma rede social, uma agenda de contactos, um mundo inteiro. Um mundo onde os poderosos jantam juntos, onde viajam em jactos particulares, onde bilionários se tratam pelo primeiro nome, onde trocam sorrisos enquanto, nas sombras, miúdas adolescentes são transformadas em mercadoria, em objectos sexuais.

O caso Jeffrey Epstein não é apenas mais um escândalo sexual nas colunas de bisbilhotice da elite burguesa. É uma radiografia obscena de um sistema onde o dinheiro não compra apenas propriedades, leis ou reputações: compra os corpos de meninas da classe operária, quase adolescentes.


Durante anos, um multimilionário, com negócios consolidados e dinheiro em todos os países, conseguiu recrutar metodicamente adolescentes de origem humilde. Prometia-lhes algumas centenas de dólares — uma fortuna para uma família da classe operária endividada — por uma "massagem" ou a promessa de uma carreira de modelo. Por trás do eufemismo tecnocrático: exploração sexual. Por trás da fachada burguesa: a certeza silenciosa que a riqueza protege.

O caso Epstein não é simplesmente a história de um predador solitário. Ele lança luz sobre todo um meio: o da burguesia ocidental decadente. Durante anos, príncipes, líderes políticos, financeiros, magnatas dos negócios e celebridades desfilaram pelas suas luxuosas propriedades, o seu jacto particular e a sua ilha caribenha. Uma legião de socialites lascivos dos mais altos escalões do poder gravitava em seu redor. Os documentos judiciais e os arquivos divulgados durante as investigações revelaram essa intrincada rede de relações que ligava um segmento da elite política e económica do mundo ocidental. É claro que associar-se a Epstein não significa necessariamente ter participado nos seus crimes. Mas essa proximidade revela a existência de um mundo burguês fechado, onde dinheiro, prestígio e influência actuam como escudos. Nesse círculo exclusivo de poderosos, as fronteiras entre privilégio, dominação e abuso tornam-se ténues. E é precisamente nesses bastiões de impunidade que os actos de predação mais sórdidos florescem.


A vida social como uma tela

O julgamento de Ghislaine Maxwell confirmou o que muitos suspeitavam: nada foi improvisado. Houve organização, recrutamento, pressão psicológica. Houve uma verdadeira operação logística. Não estamos a falar de um "deslize" aqui. Estamos a falar de um sistema.

Esse sistema de classes baseava-se numa verdade brutal: a desigualdade social é um terreno fértil para a exploração. As meninas não vinham de bairros ricos protegidos por advogados de família. Elas vinham de famílias operárias precárias, desprovidas de qualquer protecção legal. Onde 300 dólares podem significar a diferença entre pagar a renda de casa ou não. Onde a autoridade de um homem rico intimida e subjuga meninas vulneráveis ​​da classe operária. Nessas circunstâncias, há hesitação em procurar justiça, por falta de recursos, porque no seu caminho estão escritórios de advocacia que cobram 1.000 dólares por hora, capazes de influenciar, ou mesmo sufocar, qualquer processo legal.

Impunidade como privilégio de classe

O mais escandaloso não é apenas o crime cometido por essa lasciva burguesia. É a época: o tempo em que esse crime se alastrou com total impunidade. O tempo em que foram orquestrados arranjos judiciais, cumplicidade tácita, silêncios elegantes, protecções estatais, sentenças irrisórias e até suicídios convenientes nas celas da administração penitenciária.

Numa sociedade verdadeiramente igualitária, uma rede como essa teria sido desmantelada em questão de semanas. Mas não vivemos numa sociedade igualitária: vivemos numa sociedade burguesa onde o dinheiro compra protecção: protecção mediática, protecção jurídica, protecção política. Uma armadura para os poderosos.

Quando um jovem de um bairro operário rouba um telemóvel, o sistema judiciário age com uma rapidez exemplar. Quando um bilionário organiza a exploração sexual de menores, os processos arrastam-se, iniciam-se negociações e os prazos são estendidos. E as sentenças são invariavelmente brandas.


Capitalismo predatório

O caso Epstein não é uma anomalia moral; é a expressão extrema de um sistema capitalista: um mundo onde tudo se torna mercadoria. Onde o poder financeiro permite a ilusão de impunidade. Onde a diferença entre as classes não é mais medida apenas pela renda, mas pela capacidade de escapar das consequências.

Este escândalo revela uma divisão obscena: de um lado, fortunas colossais a circular entre paraísos fiscais e jantares de gala; do outro, meninas de famílias da classe operária para quem algumas notas representam uma necessidade. É nessa disparidade que a violência se enraíza: a violência de classe, a sordidez do estupro infligido a jovens proletárias.

Seria fácil reduzir este caso a dois nomes e uma prisão em Nova Iorque. Mas o caso Epstein revela, pelo contrário, como as redes de poder conseguem proteger-se durante tanto tempo. Mostra também como as vozes das vítimas são desprezadas ou silenciadas diante da respeitabilidade social da elite burguesa, e como a riqueza capitalista cria zonas sem lei onde o direito consuetudinário não se aplica.

A indignação que este caso despertou não é uma emoção passageira. É política. Ela dirige-se a um sistema onde a riqueza não é usada apenas para dominar, mas também para explorar: a força de trabalho dos empregados e os corpos das meninas proletárias reduzidos à condição de objectos sexuais.

O caso Epstein não se limitou a expor crimes. Ele revelou uma hierarquia social brutal: uma hierarquia onde os poderosos acreditam estar acima da lei, e onde miúdas da classe operária pagam o preço por essa arrogância. Inclusive com os seus corpos violados e a sua inocência traída.

O padre revolucionário Jean Meslier escreveu no seu Testamento: " Com as entranhas do último padre, enforcaremos o último rei ", uma fórmula anti-clerical e anti-monárquica popularizada por Diderot.

Parafraseando-o, dizemos: removendo os órgãos da burguesia, esterilizaremos definitivamente a reprodução do seu sistema capitalista predatório.

 

Khider MESLOUB


Comentário de Normand Bibeau

Lenine escreveu em «O imperialismo, fase superior do capitalismo»:

«A proporção gigantesca do capital financeiro concentrado em poucas mãos e criando uma rede extraordinariamente vasta e densa de laços e relações, através da qual submete ao seu poder (…) cada capitalista individual (…)?

Meio século de capitalismo mundial, pela infinidade dos seus laços e vínculos, cria a força do capital internacional».

Esta realidade de «alianças» económicas capitalistas inextricáveis revela que a força dos capitalistas reside nos laços que os unem. Laços, tanto familiares como mundiais, como os Rothschild, Krupp, Agnelli, Arnault, Rockefeller, Morgan, Kennedy, Ford, Vanderbilt, Tata, Lee Al Saud, Ma, Shanshan, Li Ka-shing, Toyota, Mitsubishi-Iwasaki, Sumitomo, Mitsui, Abramovich, Deripaska, Usmanov, Potanim, Fridman, como financeiros, banqueiros e industriais, criando uma teia de aranha através da qual se enriquecem com todas as riquezas do mundo.

À semelhança das classes dominantes do passado — a escravocrata e a feudal — que se fortaleciam através de «alianças» e uniões, seguidas de casamentos entre recém-nascidos, jovens princesas e príncipes pré-púberes, e davam rédea solta à sua depravação de classe congénita através da escravatura e do direito de primeira noite (jus primae noctis) do senhor sobre os seus servos, a burguesia une-se não só pelos laços do casamento, mas também pelos da chantagem: junta-te a nós para que te filmemos e que esse filme seja a garantia da tua lealdade à nossa classe de capitalistas depravados e degenerados, senhores do mundo, se não quiseres que seja divulgado e arruíne o teu lar, a tua família, a tua carreira e a tua vida; tal é o pacto de depravação mefistofélica que te vincula e te obriga a todos os capitalistas.

Nenhum observador sensato pode ignorar que Epstein era um agente da Mossad, os serviços secretos do Estado dos mercenários genocidas sio-nazis israelitas e o seu chantagista «sexual» oficial, tal como Madoff o era para a especulação bolsista do tipo «ponzi».

Aproveitando as informações privilegiadas de iniciados que lhes eram fornecidas pelos serviços secretos do Estado sionista israelita sobre «essa população reaccionária em 94%» e pelos serviços secretos associados: CIA, MI-6, DGSE, SCRS e todos os outros, Epstein e Madoff recrutavam, no seio da escória burguesa internacional, «toupeiras» para serem infiltradas nas burguesias e nos correctores políticos de cada Estado, tecendo assim uma teia de renegados «adormecidos», prontos a qualquer momento para serem activados em benefício do Estado sio-nazi israelita, dos seus senhores e dos seus parceiros.

O que melhor para apanhar esses renegados capitalistas do que a sua bestialidade de predadores naturais, pois, como diz o provérbio popular: «A maçã podre nunca cai longe da sua árvore podre».

Tal como MARX demonstrou em O Capital (Livro 1, capítulo 1):

«A riqueza das sociedades em que reina o modo de produção capitalista apresenta-se como uma imensa acumulação de mercadorias» destinadas a serem trocadas por dinheiro para serem consumidas pelo seu comprador.

Assim, o agente secreto Epstein recrutava a «mercadoria»: «carne fresca de jovens pobres pré-púberes» que vendia em troca de dinheiro ou de «serviços» a consumidores capitalistas abastados, exploradores naturais de seres humanos; em suma: «negócios como de costume».

A exploração do homem pelo homem, da mulher pelo homem, da criança pelo homem está na própria natureza do sistema capitalista, para o qual tudo não passa de mercadoria a ser vendida no mercado, ora pelo lucro, ora pela perversão dos capitalistas.

 

Fonte: Epstein : l’Empire de l’Argent s’offre les filles du peuple – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




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