O
proletariado iraniano, preso entre a repressão interna e as bombas
americanas/israelitas.
4
de Março de 2026 Robert Bibeau
Por Khider Mesloub .
Na manhã de sábado, 28 de Fevereiro, Israel e os Estados Unidos lançaram uma
série de ataques aéreos contra o Irão, incluindo alvos militares e instalações
governamentais em Teerão e outras cidades. As autoridades iranianas relataram
pelo menos 200 mortes e mais de 700 feridos em todo o país. Um dos incidentes
mais trágicos noticiados pela media estatal iraniana foi o ataque a uma escola
primária feminina em Minab, no sul do Irão. Pelo menos 80 a 85 pessoas morreram
na escola, a maioria meninas, e dezenas ficaram feridas. Além da escola de Minab , diversas outras áreas civis foram
atacadas durante as operações terroristas americanas. Bairros residenciais e
áreas urbanas em várias províncias foram massacrados, resultando em dezenas de
mortes entre civis de todas as idades, segundo autoridades locais. Os hospitais
ficaram sobrecarregados com o grande número de feridos, enquanto as instalações
médicas tentavam atender à escala sem precedentes dos ataques.
Mais uma vez, no cerne desta tragédia
reside uma realidade frequentemente obscurecida por cálculos geo-políticos: o
proletariado e o povo iraniano.
Durante quase meio século, os iranianos viveram sob o jugo de um regime islâmico fascista que governa através de vigilância, censura e repressão letal. Ciclos de protesto foram violentamente reprimidos: prisões em massa, mortes durante manifestações, julgamentos sumários e intimidação constante. Uma parcela da juventude iraniana cresceu no meio da desconfiança e do medo, enquanto outros aprenderam a permanecer em silêncio para sobreviver. Esse fardo já pesado da opressão interna tornou-se a realidade diária do povo iraniano.
E
agora, a essa opressão interna soma-se a violência externa mortal.
Os ataques perpetrados pelo regime fascista
de Israel, com o apoio dos seus mestres americanos, causaram centenas de mortes
e feridos. Por trás desses números, escondem-se realidades concretas: prédios
destruídos, escolas atacadas, hospitais sobrecarregados, famílias à procura de
entes queridos sob os escombros. A retórica estratégica fala de infraestrutura.
A realidade, porém, mostra civis.
São as mesmas pessoas que, há um mês,
foram massacradas pelo regime fascista dos aiatolás e que agora se encontram
sob as bombas do regime fascista e genocida de Israel, ao serviço do decadente
Império Americano. As mesmas famílias que antes temiam as forças de segurança agora
temem sirenes e explosões. O quotidiano está destruído: ao medo político
soma-se o medo físico.
E a cruel ironia é esta: os dois campos
fascistas, os três estados terroristas – iraniano, israelita e americano –
afirmam agir em nome do povo iraniano.
O povo
iraniano não escolheu essa escalada militar. Não votou pelos covardes
bombardeamentos americano-sionistas, assim como o povo americano também não.
Não foram eles que lançaram os mísseis. No entanto, serão eles que pagarão o
preço mais alto.
Preso entre um regime islâmico que esmaga
a dissidência e realiza bombardeamentos ilegais, desrespeitando o direito
internacional, e ataques sionistas-americanos apresentados como estratégicos, o
Irão torna-se peão num confronto que está além do seu controlo. A lógica dos
dois regimes terroristas entra em conflito; civis iranianos são mortos. As
autoridades iranianas invocam a soberania para cerrar fileiras e sufocar toda a
dissidência interna. Os governos sionistas-americanos invocam a ameaça
estratégica para justificar os bombardeamentos.
De um lado, um sistema teocrático islâmico que restringe as liberdades e responde à dissidência com repressão mortal. Do outro, uma ofensiva militar terrorista sionista-americana que alega visar as capacidades estratégicas do país, mas atinge um território habitado por milhões de civis. Em ambos os casos, a constante é a mesma: não são os cúmplices que morrem. Não são os tomadores de decisão que ficam mutilados. São os proletários iranianos e suas famílias.
Eles querem forçar-nos a escolher: ou
fechar os olhos à repressão interna em nome da soberania nacional e do
anti-imperialismo, ou fechar os olhos às bombas israelitas e americanas em nome
da proclamada exportação da "democracia". Como se a nossa consciência
tivesse que se alinhar com um lado e recusar-se a ver as mortes causadas pelo
outro. Essa chantagem moral é indecente. Apoiar o proletariado iraniano não
significa absolver um poder teocrático que esmaga proletários, mulheres e
dissidentes. Denunciar ataques mortais não significa encobrir o autoritarismo
do regime dos aiatolás. Não há necessidade de escolher ou priorizar entre dois
actos de violência mortais. Há necessidade de condená-los ambos. Sem hesitação.
Sem desculpas. Por um alinhamento proletário fervoroso.
O regime terrorista dos aiatolás, que
oprime o seu próprio povo, deve ser condenado e combatido. Os dois governos
burgueses e terroristas, o americano e o israelita, que massacram os povos
palestiniano e iraniano, devem ser condenados e combatidos. Pois por trás da
retórica de soberania e segurança, jazem as mortes de proletários iranianos.
Trabalhadores, mães, crianças — vidas comuns esmagadas pela lógica assassina de
um Estado pária.
“Rejeitar esse falso dilema não significa hesitar ou
recuar para uma neutralidade paralisante: significa traçar uma linha divisória
clara entre as classes, recusando-se a permitir que o proletariado iraniano
sirva de moeda de troca e carne para canhão em estratégias estatais
capitalistas que o esmagam. Significa recusar-se a permitir que seja mantido
refém por cálculos geo-políticos realizados em nome de interesses burgueses que
não são os seus. E significa lembrar que, no final desses cálculos, está todo o
povo iraniano, massacrado pelos seus próprios líderes capitalistas e
islamistas, enquanto é bombardeado por terroristas fascistas
americano-sionistas.
Khider MESLOUB
Este artigo foi traduzido para Língua
Portuguesa por Luis Júdice

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