quinta-feira, 19 de março de 2026

Boualem Sansal: o traidor desprovido de honra da Argélia


Boualem Sansal: o traidor desprovido de honra da Argélia

19 de Março de 2026 Robert Bibeau

O caso Boualem Sansal tomou um rumo particularmente revelador. O escritor, recentemente libertado após um ano de detenção na Argélia, está agora a fazer declarações cada vez mais hostis contra as autoridades do seu país natal e anunciou a sua intenção de responsabilizar o governo argelino perante um hipotético "sistema de justiça internacional".

Essa postura agressiva é ainda mais surpreendente considerando que o seu caso acabou com um gesto de clemência. Condenado em 2025 a cinco anos de prisão por "minar a unidade nacional", o escritor foi perdoado alguns meses depois pelo presidente argelino Abdelmadjid Tebboune. Essa decisão presidencial encerrou o processo judicial e permitiu que ele recuperasse a sua liberdade.

Ao mesmo tempo, a sua editora de longa data, Éditions Gallimard, fez uma campanha vigorosa pela sua libertação. O seu presidente, Antoine Gallimard, empreendeu inúmeros esforços diplomáticos e jurídicos para garantir a sua saída da prisão. Durante quase trinta anos, a prestigiosa editora apoiou e defendeu o autor.

O escriba da traição

Mas é precisamente essa editora que Boualem Sansal está agora a preparar-se para deixar para se juntar à Grasset, uma subsidiária do grupo Hachette Livre, actualmente controlada pelo bilionário Vincent Bolloré.

Segundo diversas reportagens, essa renúncia está relacionada com questões financeiras. O romancista teria sido atraído pelas condições particularmente vantajosas oferecidas pela sua nova editora, com alguns a mencionar um contrato de até um milhão de euros. No mundo editorial, essa decisão provocou fortes reacções. Alguns observadores não hesitaram em descrever a saída do escritor da Gallimard como "uma punhalada pelas costas".

Este gesto duplo – denunciar o regime argelino após receber um indulto presidencial e abandonar o editor a quem deve a sua carreira – revela uma reviravolta do destino que é, no mínimo, desconcertante.

Porque o indulto presidencial concedido por Tebboune já era um acto político significativo. Ele pôs fim a um delicado processo judicial e abriu caminho para a conciliação. Em vez de reconhecer esse acto de clemência, o autor optou por reacender o confronto ao anunciar a sua intenção de processar o Estado argelino perante um "tribunal internacional" cuja jurisdição permanece, além disso, altamente questionável.

A declaração de guerra contra a Argélia

Boualem Sansal acaba de lançar uma nova declaração de guerra contra a Argélia. Depois de querer fragmentar as fronteiras do país, agora ele ataca o próprio Estado argelino.

Assim, a traição de Sansal é revelada: o escritor que se apresenta como vítima é, na verdade, quem sabota o Estado argelino que lhe concedeu o indulto e o editor que se mobilizou para a sua libertação.

Dessa perspectiva, a trajectória recente de Boualem Sansal assemelha-se menos à de um dissidente do que à de um escritor mercenário que, assim que libertado, acerta contas com as mesmas pessoas a quem deve a sua liberdade. Sófocles escreveu: "Só o tempo revela um homem honesto, enquanto um único dia basta para expor um traidor". No caso de Sansal, a traição parece ter sempre guiado as suas acções, sem o menor sinal de hesitação ou remorso.

A traição sem limites de Sansal

 Nesse contexto, as reacções na Argélia ao comportamento recente de Sansal continuam marcadas por forte hostilidade. Desde o momento da sua prisão, uma parcela da opinião pública argelina denunciou veementemente as suas declarações sobre as fronteiras do país, que consideraram um ataque à integridade nacional.

Os recentes desdobramentos do caso — em particular as acusações feitas contra o Estado argelino após o indulto presidencial que lhe concedeu a liberdade — reacenderam essas críticas. Em inúmeros comentários expressos em debates públicos, alguns argelinos não hesitam em retratar Boualem Sansal como um renegado, ou mesmo um traidor da nação.

Para essas vozes críticas, Sansal surge como um escritor mercenário que se recusa a depor as armas. O autor não só desafiou publicamente os fundamentos territoriais do Estado argelino, como agora desrespeita o indulto que lhe permitiu escapar ao cumprimento integral da pena. Este último desenvolvimento revela a dimensão do abismo que se abriu entre o autor e um público argelino exasperado pelos seus ataques incessantes.

Assim começa uma nova saga de Sansal, que continua a expandir os limites da sua traição. Tudo se desenrola como se Sansal estivesse a executar um roteiro escrito pelos seus mestres, determinados a levar adiante o seu projecto de destruir a Argélia.

Indultado pelo Estado argelino e apoiado pela sua editora de longa data, Boualem Sansal surge agora, aos olhos de muitos argelinos e franceses, como o traidor de um indulto presidencial renegado e o renegado ganancioso que traiu a sua editora. 

Khider MESLOUB

 

Fonte: Boualem Sansal : le félon sans grâce de l’Algérie – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice



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