quinta-feira, 12 de março de 2026

Com a multiplicação dos caixões, a América choramingas cava a sua própria sepultura


Com a multiplicação dos caixões, a América choramingas cava a sua própria sepultura

12 de Março de 2026 Robert Bibeau


Por Khider Mesloub e Robert Bibeau .

 

No Médio Oriente em guerra, cerca de dez israelitas e vários americanos foram mortos em poucos dias, sem contar milhares de iranianos enterrados nos escombros das suas residências. Se esta dinâmica continuar, não será Teerão a vacilar primeiro, mas os alicerces políticos instáveis dos criminosos de guerra Donald Trump e Benjamin Netanyahu.

Não se trata de uma especulação ideológica. É uma realidade política, que decorre de uma constatação simples: entre

as potências capitalistas ocidentais, a guerra não se joga apenas no plano militar exterior, joga-se também na arena política interna e na economia com cadeias de produção interligadas e mundializadas.

Trump pensava abrir uma frente contra o Irão atacando-o como os seus predecessores o fizeram nos últimos 75 anos. Na realidade, abriu três. A primeira é militar e já está a incendiar todo o Médio Oriente. A segunda é política/diplomática e já está a inflamar o mundo inteiro. A terceira frente é económica e financeira e será mais devastadora, através das suas repercussões sobre a energia e as cadeias de fornecimento, do que as duas anteriores.

A guerra externa serve de fachada para uma guerra interna.

Em Washington, os democratas americanos denunciam a ilegalidade dos ataques sob as leis internacionais e internas dos Estados Unidos. A Constituição americana é explícita: o Congresso autoriza a guerra . Figuras como Kamala Harris, Alexandria Ocasio-Cortez e Nancy Pelosi lembram a todos que o Poder Executivo não pode levar o país a um conflito sem a aprovação do Congresso .

 

Mas o problema de Trump não vem apenas dos Democratas . O desafio agora surge de dentro do seu próprio partido. Os slogans " América Primeiro " e "  MAGA  " deram a impressão do fim de guerras distantes... foi um engano, uma traição. As guerras de pilhagem de recursos e de exploração da força de trabalho não são opções para o Grande Capital Mundial, mas sim obrigações, constrangimentos imutáveis que desaparecerão com o modo de produção capitalista, não antes. Não são os líderes (Presidente, Primeiro-ministro, Líder Supremo, Emir ou Príncipe), por mais estúpidos que sejam, que traçam o destino do capital e o seu modus operandi. É o sistema, sujeito às leis e aos organismos de gestão internacional, que identifica um fantoche político apto a liderar a carga contra a população local – regional – nacional e transnacional… o Império americano não é excepção à regra, a entidade fascista israelita e o Irão não são excepção.

Trump tinha construído grande parte do seu capital político denunciando as intervenções no Iraque, na Líbia e no Afeganistão, qualificadas como erros estratégicos maiores. No entanto, a agressão contra o Irão aparece como uma traição a essa promessa.

As críticas caem agora do próprio coração da esfera republicana. Figuras influentes deste campo atacam agora abertamente a pérfida guerra contra o Irão: Tucker Carlson qualificou esta intervenção como um acto «repugnante e diabólico». A apresentadora Megyn Kelly perguntou hipócritamente sobre a morte de soldados americanos: «Ninguém deveria morrer por um país estrangeiro»… proclama a evangelista. Vocês e eu sabemos que todas as guerras imperialistas alimentam-se do sangue dos nossos filhos inocentes. Estas críticas não são marginais. Elas revelam uma tensão estrutural dentro da coligação de negócios que levou o senil bilionário Trump ao poder. E elas já não vêm apenas das margens do campo republicano. Nos últimos dias, os aristocratas feudais do Golfo Pérsico, cujas catedrais de vidro estão ameaçadas, queixam-se de que o Império Americano já não garante a sua segurança tão caro resgatada.


A fractura no topo do estado americano decadente

O secretário de Estado Rubio explicou que Washington decidiu atacar porque Israel estava prestes a lançar uma agressão que teria provocado uma represália iraniana contra as forças americanas. Noutras palavras, os Estados Unidos teriam desencadeado a guerra para prevenir as consequências de uma agressão israelita durante as negociações em Omã (!!!) Ridículo, quando se sabe que os Estados Unidos fazem guerra pelo petróleo iraniano desde que a CIA derrubou o presidente Mossadegh para impor o torturador Reza Shah Pahlavi em 1953.

« A chegada de Dwight Eisenhower à Casa Branca leva, contudo, Washington a considerar o controlo do Irão

como um enjeu estratégico. Em Agosto de 1953, Mohammad Mossadegh é derrubado na sequência de uma conspiração orquestrada pelos serviços secretos britânicos e americanos, a operação Ajax. Após a sua queda, Mohammad Reza Shah Pahlavi implementa um regime político autocrático e ditatorial baseado no apoio americano. Em 1955, o Irão integra o pacto de Bagdade e encontra-se então no campo americano durante a guerra fria. Mossadegh é condenado à morte em Dezembro de 1953, mas a sua pena é reduzida para três anos de prisão e ele será mantido em residência vigiada até à sua morte, em Março de 1967. A vitória é total para os Estados Unidos, que se asseguram assim de um ancoramento duradouro na região. As forças laicas e nacionalistas enfrentam uma repressão sangrenta. » https://fr.wikipedia.org/wiki/Iran 

A declaração de Rubio revela uma tensão evidente dentro da própria administração Trump e dos seus cúmplices: para explicar a entrada dos Estados Unidos na guerra, Rubio acaba por designar Israel como o elemento desencadeador do conflito. Por detrás do argumento da prevenção surge assim uma acusação mal disfarçada: a de um aliado que teria levado Washington a um confronto que não tinha escolhido conduzir… (sic) é assim que o Império credencia o mito do vassalo, do campo militar sionista israelita, dirigindo o mestre do Império americano em declínio. Quando a agressão imperialista americana contra o Irão começou – em 1953 – a pérfida entidade sionista israelita tinha acabado de obter o seu salvo-conduto da Organização mundialista das Nações Capitalistas Unidas (ONU).

Os sinais de alerta não vêm apenas dos Estados Unidos. Eles agora propagam-se em alguns círculos políticos e mediáticos israelitas. Em Telavive, vários meios de comunicação expressam com preocupação o aumento das críticas americanas contra Israel… o que já anunciávamos há vinte anos. « Quando os interesses do Império dos EUA não coincidirem mais com os da entidade vassala israelita, os Estados Unidos abandonarão a entidade pária israelita. »

O Chanel 12 fala de uma «escalada preocupante da hostilidade contra Israel» no debate público americano, alimentada pela ideia de que o Estado israelita, responsável pelo genocídio dos palestinianos, teria arrastado Washington para um confronto directo com o Irão. Esta evolução preocupa alguns analistas israelitas e americanos. Na imprensa israelita, editorialistas alertam para um cenário paradoxal: uma vitória militar contra Teerão poderia transformar-se numa derrota estratégica se levar à erosão do apoio americano. Pois, para Israel, a aliança com os Estados Unidos constitui o pilar central da sua segurança militar, económica, política e diplomática. De facto, Israel é um proxy dos Estados Unidos, um posto militar avançado dos Estados Unidos, uma entidade vassala, o polícia do Império no Médio Oriente. A sua importância militar, económica e política está à medida do seu senhorio americano. Veja:  Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: O proletariado iraniano, preso entre a repressão interna e as bombas americanas/israelitas.

Para além do campo militar, a intervenção contra o Irão abre uma frente institucional potencialmente mais perigosa para a Casa Branca. A Constituição americana é explícita: o poder de declarar guerra pertence ao Congresso. A Casa Branca afirma ter simplesmente «notificado» os parlamentares. Mas uma simples notificação não é uma autorização. Se as perdas americanas aumentarem, a pressão parlamentar intensificar-se-á mecanicamente. Mas para além do Congresso, cada caixão alimentará a contestação no coração da sociedade americana.

Quando a guerra começa a fissurar o império

As perdas humanas não são apenas um facto militar. Elas tornam-se também um facto político. Cada soldado americano morto desperta o espectro das «guerras intermináveis». Cada caixão torna-se um argumento contra a escalada. Se as perdas se multiplicarem, a questão mudará de natureza: não será mais «podemos atacar?», mas «porque é que estamos envolvidos neste atoleiro?». A guerra poderia então tornar-se um poderoso vector de contestações políticas radicais, susceptíveis de conduzir a uma revolução social.

No plano estratégico, a lógica do conflito é diferente. O Irão não precisa de vencer militarmente os Estados Unidos ou Israel. Basta-lhe resistir ao longo do tempo. Numa confrontação assimétrica, a questão central torna-se: quem suporta melhor a duração e o custo humano e os imensos sacrifícios? Se a tolerância às perdas for menor em Washington e em Telavive do que em Teerão, a vantagem estratégica desloca-se automaticamente para o Irão. A pressão política, por sua vez, recairá inevitavelmente sobre os dois países agressores: os Estados Unidos e Israel.


A superioridade tecnológica não compensa uma vulnerabilidade interna. Porque numa sociedade americana já fragmentada, a guerra não é apenas externa. Torna-se um revelador interno no meio da crise económica concomitante. Põe à prova a coesão partidária, a legitimidade institucional e a solidez das promessas eleitorais. Se as perdas americanas se multiplicarem, a fractura dentro do campo trumpista alargar-se-á. Se o debate constitucional se intensificar, o Congresso tornar-se-á um campo de batalha paralelo. Se a escalada se arrastar sem vitória clara, a questão política substituirá a questão militar. Pior: a resolução da guerra poderá deslocar-se do âmbito institucional para a rua americana, a qual poderá impor o seu próprio resultado ao conflito através de um levantamento insurreccional.

O Irão não precisa de vencer militarmente os seus adversários. Basta-lhe prolongar a confrontação até que o custo

interno se torne mais pesado do que o benefício estratégico de arrancar um poder à aliança dos países emergentes (Aliança Oriental – Rússia/China/Irão). Nesta configuração, o poder de fogo importa menos do que a capacidade de durar e de infligir sacrifícios económicos (inflação, crise financeira) às empresas ocidentais através do bloqueio do Estreito de Ormuz, lugar de passagem de 20% do petróleo mundial.

A história contemporânea mostrou-o: as grandes potências nem sempre vacilam sob os golpes exteriores. Elas racham-se quando a guerra entra em contradição com o seu próprio contrato social e político. É talvez aí que se joga agora o desfecho do conflito. Ao querer dominar o mundo, o Império americano, em declínio económico e financeiro, acaba por se rachar por dentro.

E o Irão pode muito bem ser o prego final no caixão dos Estados Unidos. Veja:  Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Uma nova agressão americana contra o Irão   

Khider MESLOUB

Fonte: Avec la multiplication des cercueils, l’Amérique pleurnicheuse creuse sa tombe – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice



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