As Lições da Guerra do Iraque: Cuidado com os Espiões
e os Melhores Aliados
1 de Setembro de 2026
Robert Bibeau
Por René Naba. Em https://www.madaniya.info/2026/04/08/les-lecons-de-la-guerre-dirak-mefiez-vous-des-espions-et-de-vos-meilleurs-allies/
As Lições da
Guerra do Iraque: Cuidado com os Espiões e os Melhores Aliados
A agressão bi-partida
israelo-norte-americana de 2026 contra o Irão traz de volta memórias da
agressão bipartida EUA-Reino Unido de 2003 contra o Iraque, há 23 anos. O
diário britânico The Guardian retirou as amargas lições que https://www.madaniya.info/ submete aos seus
leitores para meditações salutares (muito salutares).
"Cuidado com espiões e com os teus melhores aliados que te podem arrastar para a guerra." Esta é a principal recomendação do jornalista britânico Jonathan Saul Friedland num estudo publicado pelo diário The Guardian, por ocasião do 32.º aniversário da invasão americana do Iraque.
A primeira lição: Cuidado com argumentos falaciosos.
Os argumentos apresentados tanto pelo Presidente dos EUA George Bush Jr.
como pelo Primeiro-Ministro britânico Tony Blair são numerosos, mas o tema
principal que emergiu do seu argumento foi que "a intervenção foi do interesse
exclusivo do povo iraquiano, que será libertado do domínio de um ditador
feroz".
Saddam Hussein foi de facto deposto, mas a um preço exorbitante. 300.000
iraquianos, a maioria civis, pagaram o preço, nota o jornalista britânico. A
invasão criou um vazio, preenchido por violência e derramamento de sangue, e
para muitos iraquianos, a cura era pior do que a doença, disse ele.
Sobre o mesmo tema, veja este link: desarmamento uma mentira fundamental,
de Scott Ritter, antigo chefe da missão de averiguação das Nações Unidas.
https://www.mondialisation.ca/irak-le-desarmement-un-mensonge-fondamental/5676267
Jonathan Saul Friedland (nascido a 25 de Fevereiro de 1967) é um jornalista
e cronista britânico do jornal The Guardian e do The Jewish Chronicle. É também
colaborador regular do The New York Times e da The New York Review of Books.
Apresentou a série "The Long View" na BBC Radio 4. Reconhecido como
"Colunista do Ano" em 2002 pelo "What The Papers Say",
ganhou o Prémio David Watt de Jornalismo em 2008 pelo seu ensaio Bush's Amazing
Achievement.
O colunista britânico passou uma semana a analisar editoriais da imprensa
britânica e programas televisivos dedicados à invasão americana. A versão árabe
do seu estudo foi publicada no site online Ar Rai al Yom, datada de 17 de Março
de 2023, cujo director é Abdel Bari Atwane.
Referindo-se às confidências de um alto oficial dos serviços secretos
britânicos, Jonathan Friedland acrescenta: "Certamente, o regime de Saddam
Hussein foi revoltante, mas a anarquia é pior."
2.ª lição: Cepticismo em relação aos serviços de informações.
O cepticismo deve ser a ordem do dia quando se trata dos serviços de
informações, argumenta o jornalista.
Durante o debate sobre a conveniência da guerra contra o Iraque em 2003,
Tony Blair baseou-se em relatórios de inteligência, confirmando que estes
atestavam "sem a menor dúvida" a posse de armas de destruição maciça
(ADM) por Saddam Hussein. No entanto, argumenta o jornalista, isso revelou-se
falso. Não havia ADM. Tony Blair exagerou a ameaça iraquiana para justificar a
invasão do Iraque. Este facto por si só já é suficiente para condenar Tony
Blair à luz da história.
Lição 3: Sem apoio absoluto e total entre amigos
Mesmo os amigos mais próximos não devem dar apoio absoluto e total uns aos
outros em circunstância alguma. Tony Blair justificou o seu apoio aos Estados
Unidos argumentando que Londres era o aliado mais forte de Washington e que,
por essa razão, o Reino Unido tinha sido arrastado para a invasão americana do
Iraque.
Fatais para o seu destino foi a despreocupação com que George Bush tratou
Tony Blair na cimeira dos países industrializados em São Petersburgo, em plena
guerra de Israel contra o Líbano, em Julho de 2006 – o "Yo Blair"
proferido por Bush, com a boca cheia, a mastigar um croissant, ao
Primeiro-Ministro britânico que lhe pediu permissão para realizar uma missão
diplomática no Médio Oriente, uma imagem amplificada pela televisão
transcontinental, completou o descrédito do melhor aliado europeu da América e
faz a ingratidão parecer em retrospectiva como um castigo merecido para
cortesãos demasiado zelosos.
No final de dez anos no poder (1997-2007, o antigo jovem líder da política
britânica deixou a cena pública afectado pelo quolibet (assobio de desaprovação
– NdT) condenatório do "poodle inglês do presidente americano" e com
um julgamento pouco lisonjeiro da sua acção, "o pior registo trabalhista
desde Neville Chamberlain, em 1938, (responsável pelos acordos derrotistas de
Munique contra a Alemanha de Hitler), e Anthony Eden, (mentor do fiasco de
Suez, a agressão anglo-franco-israelita contra o Egito nasserista), em
1956", segundo a expressão do jornalista inglês Richard Gott.
O pedido de desculpas de Tony Blair
O antigo primeiro-ministro trabalhista britânico reiterou um pedido parcial
de desculpas pela guerra no Iraque, reconhecendo alguma responsabilidade pela
ascensão da organização Estado Islâmico (EI), numa entrevista à CNN no domingo,
25 de Outubro de 2015, doze anos após a invasão.
Este mea culpa surgiu no momento certo para a imprensa britânica, que liga
estas declarações às conclusões da Comissão Chilcot, que está a investigar o
controverso envolvimento do Reino Unido na guerra.
Epílogo: Iraque-Ucrânia: Duplo Padrão
O mandado de detenção do Tribunal Penal Internacional contra o Presidente
russo Vladimir Putin surgiu num momento oportuno. É, entre outras coisas, uma
pequena distracção das más acções e crimes de outros líderes actuais e antigos.
A Rússia, não sendo um país membro do TPI, não reconhece a jurisdição deste
tribunal. Nem os Estados Unidos, aliás, apesar das evidentes gargalhadas do
Presidente norte-americano Joe Biden.
Vinte anos depois, o ex-Presidente dos EUA George W. Bush, o antigo
Primeiro-Ministro britânico Tony Blair e o australiano John Howard, a troika
mais culpada não só pela invasão criminosa de um país estrangeiro, mas também
pelo cataclismo regional e mundial que daí resultou, mantêm-se à distância.
Desde então, George Bush Jr. dedicou-se à pintura, enquanto Tony Blair e John
Howard tornaram-se conferencistas bem pagos, preferindo vender discursos de
suposta sabedoria através de palestras.
Sobre os resultados da guerra do Iraque
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https://www.renenaba.com/l-hecatombe-des-faiseurs-de-guerre/
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https://www.madaniya.info/2018/09/21/le-martyrologe-scientifique-irakien/
O saque dos sítios arqueológicos do Iraque: "um dos maiores desastres
culturais na história recente do Médio Oriente".
Quando Bagdad caiu, os tesouros do Iraque perderam-se. As forças dos EUA
falharam no seu dever de proteger o património do Iraque após a invasão de
2003, resultando na perda de milhares de artefactos antigos — um dos maiores
desastres culturais da história recente do Médio Oriente.
O New York Times classificou o saque do
museu e da sua inestimável colecção de artefactos arqueológicos — muitos dos
quais datavam dos primeiros dias da cultura e
civilização humanas — "um dos maiores desastres culturais
da história recente do Médio Oriente."
Embora o pessoal do museu tenha conseguido obter mais de 8.000 artefactos
com pouca ajuda externa, mais de 15.000 artefactos históricos desapareceram no
espaço de dois dias.
A professora Elizabeth Stone, arqueóloga do Departamento de Antropologia da
Universidade Stoney Brook, em Nova Iorque, utilizou imagens de satélite para
estimar que mais de 40 por cento dos quase 1.500 sítios monitorizados no sul do
Iraque apresentavam evidências de devastação em Dezembro de 2003.
O Estado Islâmico também realizou "saques massivos e metódicos"
para afirmar o seu domínio sobre as minorias culturais do Iraque e gerar
receitas ilícitas a partir de "antiguidades de sangue", que se
estimava representarem 30 por cento dos rendimentos do grupo em determinado
momento.
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Para falantes de árabe, veja este link الغارديان: الدرس الحقيققي
لغزو العراق؟ احذر من الجواسيس والحلفاء الذين قد يجرونك إلى الحرب – Ar Rai Al
Yom 18 de março de 2023
Ilustração
Stefan Rousseau / POOL / AFP
Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice

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