"Libé"
e "RSF": uma associação de malfeitores que dá o golpe de misericórdia
aos jornalistas assassinados em Gaza.
Jacques-Marie BOURGET
O antigo oficial do
Mossad que dirigia o Libération foi embora mas esqueceu a sua bagagem. O
diário, com a ajuda da RSF de Ménard sem fronteiras, acaba de publicar um
artigo infame que criminaliza jornalistas assassinados em Gaza. A Hasbara, a
propaganda israelita, está a esfregar as mãos, vermelhas de sangue.
Tenho amigos
incuráveis que continuam a ler o «Libération». Como se fosse um jornal sério.
Quando, do ponto de vista deles, o «Libé falha de novo», indignados, telefonam
as novidades ao seu grupo de amigos. E a mim também. Mesmo que não nos importe,
pois sabemos que Sartre morreu e que este «Libé-querido» ainda era dirigido por
um antigo oficial do Mossad e é financiado por Drahi, um adepto de Netanyahu.
Por isso, o denunciante, idiota inútil, tem de copiar o artigo - objecto
injusto do seu ressentimento - e enviá-lo pelo WhatsApp para que a lama chegue
até aos nossos olhos. Aos meus olhos.
Digamos que desta vez
o indignado não está errado: o Libé "mandou outra vez às favas". Num
artigo que cheira ao suor da Hasbara, a fábrica que forja a propaganda
israelita, papel também alimentado pelos sentimentos baixos dos publicistas da
Reporters sans Frontières, o diário de Sartre delicia-nos com um título duplo:
"Gaza, jornalistas ou combatentes?". Tudo assinado por Brice Le
Borgne, de quem verifiquei que só atravessou o boulevard périphérique para ir
de férias a partir de Roissy. No entanto, este omnisciente, se fosse para
acreditar no seu artigo de bazar, sabe tudo dos segredos de Gaza. Questionada
pelo escrupuloso Le Borgne, a RSF - ainda assim tão cega em relação a Gaza - é
categórica: obteve-se "a confirmação do papel dos repórteres mortos dentro
de grupos armados implica que eles não podem mais ser considerados jornalistas".
Mesmo para uma fanfarra de influenciadores inventada pelo exemplar Robert
Ménard, isto é forte: funcionários de uma associação, a RSF, financiada com
dinheiro americano e israelita, querem-nos ditar a lei. Aquela de quem é
jornalista. Ou não. Se não se tratasse de colegas mortos, poderíamos rir no
cemitério. Aquele cavado por « Libé-RSF ».
Como o artigo do
senhor Le Borgne se quer sério, sejamos sérios também. Este enorme árbitro da
profissão, se bem entendi, exclui do jornalismo qualquer mulher ou homem que
tenha algum tipo de ligação com o tema que ele pretende descrever-nos. Isto é,
sem dúvida, o que ele, diante de um Coca-Cola sem açúcar, numa conferência de
redacção, chama de «neutralidade», «objectividade». E Le Borgne, convidado a
fazer a triagem entre os maus e os bons mortos, risca os nomes de colegas
assassinados sob o pretexto de que o Hamas lamentou a sua morte, publicou uma
necrologia. Eu juro-vos que este justiceiro realmente fez isso. Como este
senhor é também um científico picuinhas, ele elabora-nos um novo balanço dos
«verdadeiros» jornalistas mortos em Gaza, enviando os falsos para o inferno
verde do Hamas. Para saber tudo isto e ser tão rico em informações verificadas,
Le Borgne baseia-se numa fábrica de complicações chamada, por ele próprio,
«CheckNews». Uma coisa inventada pelo «Libé» para desfazer o verdadeiro (o que
diz a antigo jornal diário de July) do falso (o que dizem aqueles que não
concordam com o jornal). Ou seja, correndo o risco de cair, este publicista faz
a ponte entre « Libé CheckNews » e « Libé mentiroso habitual ». Já existia o
Circo de Inverno, aqui está então o de Verão.
Não sendo um
ex-oficial do Mossad, mas antes um dos seus alvos, não tenho a possibilidade de
sugerir um tema de artigo ao Libération. No entanto, escrever uma saga
afirmando hoje que Albert Camus, Hubbert Beuve-Méry, Pierre Brossolette,
Emmanuel d’Astier, Claude Bourdet, Georges Altam, Jean-Toussainy Desanti, Jean
Guéhenno, Jean Paulhan, Jacques Decour, François Mauriac – peço desculpa pelos
anónimos, mas só menciono as celebridades – que estes homens, estes jornalistas
da resistência “não eram verdadeiros jornalistas”, eu espero em frente à
gráfica do Libération pelo número a denunciar estes canalhas. Também espero que
o “Libé” exija a expulsão do Panteão daqueles que lá possam estar
indevidamente.
Na segunda semana, Libération e os colaboradores da RSF (portanto
financiados pelos EUA, Europa e Israel) poderão deliciar-nos, desta vez com
jornalistas que escreveram e combateram em Espanha. Gorges Bernanos, André
Malraux, Ernest Hemingway, George Orwell, Martha Gelhorn, Robert Capa, Gerda
Taro, Herbert L. Matthews, Mikhail Kolsov, John Dos Passos, Louis Fischer, Jay
Allen, Josephine Herbst, George Steer, Josephe Kessel, Elya Ehrenbourg, sem
contar os heróis da imprensa espanhola anti-franquista e dezenas, também eles,
de «anónimos». Pois bem, para o Brice de «Libé», vidas e obras para passar pelo
«newschecker».
Porque não se deve afrouxar, caro chefão, é preciso retirar da lista todos esses colegas resistentes em Espanha, resistentes em França e que, segundo o tribunal da «RSF-Libé», não merecem a sua glória. Só faltava chamar «jornalistas» a tipos que se metem a combater a barbárie.
Jacques-Marie BOURGET
COMO BÓNUS, PARA SORRIR
Este artigo foi
traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice
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