domingo, 30 de agosto de 2026

"Libé" e "RSF": uma associação de malfeitores que dá o golpe de misericórdia aos jornalistas assassinados em Gaza.

 


"Libé" e "RSF": uma associação de malfeitores que dá o golpe de misericórdia aos jornalistas assassinados em Gaza.

 

Jacques-Marie BOURGET

O antigo oficial do Mossad que dirigia o Libération foi embora mas esqueceu a sua bagagem. O diário, com a ajuda da RSF de Ménard sem fronteiras, acaba de publicar um artigo infame que criminaliza jornalistas assassinados em Gaza. A Hasbara, a propaganda israelita, está a esfregar as mãos, vermelhas de sangue.

Tenho amigos incuráveis que continuam a ler o «Libération». Como se fosse um jornal sério. Quando, do ponto de vista deles, o «Libé falha de novo», indignados, telefonam as novidades ao seu grupo de amigos. E a mim também. Mesmo que não nos importe, pois sabemos que Sartre morreu e que este «Libé-querido» ainda era dirigido por um antigo oficial do Mossad e é financiado por Drahi, um adepto de Netanyahu. Por isso, o denunciante, idiota inútil, tem de copiar o artigo - objecto injusto do seu ressentimento - e enviá-lo pelo WhatsApp para que a lama chegue até aos nossos olhos. Aos meus olhos.

Digamos que desta vez o indignado não está errado: o Libé "mandou outra vez às favas". Num artigo que cheira ao suor da Hasbara, a fábrica que forja a propaganda israelita, papel também alimentado pelos sentimentos baixos dos publicistas da Reporters sans Frontières, o diário de Sartre delicia-nos com um título duplo: "Gaza, jornalistas ou combatentes?". Tudo assinado por Brice Le Borgne, de quem verifiquei que só atravessou o boulevard périphérique para ir de férias a partir de Roissy. No entanto, este omnisciente, se fosse para acreditar no seu artigo de bazar, sabe tudo dos segredos de Gaza. Questionada pelo escrupuloso Le Borgne, a RSF - ainda assim tão cega em relação a Gaza - é categórica: obteve-se "a confirmação do papel dos repórteres mortos dentro de grupos armados implica que eles não podem mais ser considerados jornalistas". Mesmo para uma fanfarra de influenciadores inventada pelo exemplar Robert Ménard, isto é forte: funcionários de uma associação, a RSF, financiada com dinheiro americano e israelita, querem-nos ditar a lei. Aquela de quem é jornalista. Ou não. Se não se tratasse de colegas mortos, poderíamos rir no cemitério. Aquele cavado por « Libé-RSF ».

Como o artigo do senhor Le Borgne se quer sério, sejamos sérios também. Este enorme árbitro da profissão, se bem entendi, exclui do jornalismo qualquer mulher ou homem que tenha algum tipo de ligação com o tema que ele pretende descrever-nos. Isto é, sem dúvida, o que ele, diante de um Coca-Cola sem açúcar, numa conferência de redacção, chama de «neutralidade», «objectividade». E Le Borgne, convidado a fazer a triagem entre os maus e os bons mortos, risca os nomes de colegas assassinados sob o pretexto de que o Hamas lamentou a sua morte, publicou uma necrologia. Eu juro-vos que este justiceiro realmente fez isso. Como este senhor é também um científico picuinhas, ele elabora-nos um novo balanço dos «verdadeiros» jornalistas mortos em Gaza, enviando os falsos para o inferno verde do Hamas. Para saber tudo isto e ser tão rico em informações verificadas, Le Borgne baseia-se numa fábrica de complicações chamada, por ele próprio, «CheckNews». Uma coisa inventada pelo «Libé» para desfazer o verdadeiro (o que diz a antigo jornal diário de July) do falso (o que dizem aqueles que não concordam com o jornal). Ou seja, correndo o risco de cair, este publicista faz a ponte entre « Libé CheckNews » e « Libé mentiroso habitual ». Já existia o Circo de Inverno, aqui está então o de Verão.

Não sendo um ex-oficial do Mossad, mas antes um dos seus alvos, não tenho a possibilidade de sugerir um tema de artigo ao Libération. No entanto, escrever uma saga afirmando hoje que Albert Camus, Hubbert Beuve-Méry, Pierre Brossolette, Emmanuel d’Astier, Claude Bourdet, Georges Altam, Jean-Toussainy Desanti, Jean Guéhenno, Jean Paulhan, Jacques Decour, François Mauriac – peço desculpa pelos anónimos, mas só menciono as celebridades – que estes homens, estes jornalistas da resistência “não eram verdadeiros jornalistas”, eu espero em frente à gráfica do Libération pelo número a denunciar estes canalhas. Também espero que o “Libé” exija a expulsão do Panteão daqueles que lá possam estar indevidamente.

Na segunda semana, Libération e os colaboradores da RSF (portanto financiados pelos EUA, Europa e Israel) poderão deliciar-nos, desta vez com jornalistas que escreveram e combateram em Espanha. Gorges Bernanos, André Malraux, Ernest Hemingway, George Orwell, Martha Gelhorn, Robert Capa, Gerda Taro, Herbert L. Matthews, Mikhail Kolsov, John Dos Passos, Louis Fischer, Jay Allen, Josephine Herbst, George Steer, Josephe Kessel, Elya Ehrenbourg, sem contar os heróis da imprensa espanhola anti-franquista e dezenas, também eles, de «anónimos». Pois bem, para o Brice de «Libé», vidas e obras para passar pelo «newschecker».

Porque não se deve afrouxar, caro chefão, é preciso retirar da lista todos esses colegas resistentes em Espanha, resistentes em França e que, segundo o tribunal da «RSF-Libé», não merecem a sua glória. Só faltava chamar «jornalistas» a tipos que se metem a combater a barbárie.

Jacques-Marie BOURGET

COMO BÓNUS,  PARA SORRIR

 

Fonte: "Libé" et "RSF" : une association de malfaiteurs qui donne le coup de grâce aux journalistes assassinés à Gaza.

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




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