terça-feira, 4 de agosto de 2026

O Paquistão perante o desafio do Mundo pós-ocidental ½

 


O Paquistão perante o desafio do Mundo pós-ocidental ½

 

René Naba / 9 DE dEZEMBRO DE 2019 / EM ActualitésDécryptage

Última atualização a 6 de Janeiro de 2020

Paquistão: Primeira República Islâmica da história do Mundo

Primeira República islâmica da história, o Paquistão, um país totalmente dedicado ao Islão, durante muito tempo foi uma espécie de “guarda-costas” da dinastia wahhabita, o guardião dos lugares sagrados do Islão, o incubador absoluto do terrorismo islâmico.

Mas, perante o desafio representado pelo “Mundo pós-ocidental”, materializado pelo crescimento da Ásia como o principal continente devido à sua importância económica e demográfica, o “país dos puros” tende a abandonar a sua função horrível de base de rectaguarda do jihadismo mundial para um papel mais valorizante de parceiro estratégico da China, através do projecto OBOR, a primeira potência mundial em ascensão.

Feito sem precedentes na história, revelador da mudança geo-estratégica que está a ocorrer à escala mundial, o reorientamento diplomático do Paquistão ocorre enquanto três países asiáticos entram no grupo das cinco principais potências económicas do Mundo (China, Japão, Índia); um continente que ainda reúne quatro das grandes potências nucleares (China, Índia, Paquistão, Coreia do Norte), enquanto um quinto, o Irão, alcançou o estatuto de «potência nuclear emergente» e dois países muçulmanos da Ásia, a Malásia e o Paquistão, parecem ter começado a afastar-se gradualmente da influência saudita-americana com a dupla vitória de Mahatyr Mohamad (Malásia) e de Imran Khan Niazi (Paquistão) sobre os protegidos da dinastia wahhabita na região, Najib Razak na Malásia e Nawaz Sharif no Paquistão.

Regresso ao Paquistão, um dos países-chave da estratégia saudita-americana no auge da Guerra Fria soviético-americana, nomeadamente na guerra anti-soviética do Afeganistão (1980-1989), enquanto as relações internacionais se encaminham para um mundo pós-ocidental.

Allahabad (A Cidade de Deus), Islamabad (A Cidade do Islão) e Faisalabad.

O Paquistão é um país inteiramente dedicado ao Islão, a religião fundadora da sua independência, a par da Arábia Saudita, um reino que se destacou na cena internacional pela presença no seu território dos dois grandes locais sagrados do Islão — Meca e Medina —, é certo, mas também e sobretudo pelo petróleo, o motor da economia mundial contemporânea.

Tão impregnado de islamismo que os futuros dirigentes do Paquistão escolheram a cidade dedicada a Deus — embora situada na Índia —, Allahabad (a cidade de Deus), para proporcionar uma tribuna a Mohamad Iqbal para o seu discurso fundador de um Estado muçulmano separado da União Indiana. A sua capital é dedicada ao Islão, Islamabad (a cidade do Islão), que sucederá a Rawalpindi, na antiga divisão administrativa britânica; por fim, uma terceira cidade é dedicada a Faisal, o rei da Arábia Saudita, artífice da subordinação do Islão sunita ao domínio wahhabita e grande financiador do Paquistão militarizado e nuclearizado, Faisalabad, anteriormente Lyallpur.

As raízes confraternas do extremismo: uma transposição do modelo soviético para o Islão.

A tendência para o totalitarismo no seio dos movimentos ligados ao Islão político remonta, aliás, em primeiro lugar, a um paquistanês, Abu Al Ala’ Al Maududi, o primeiro islamista do século XX a defender o regresso à Jihad. Este teólogo fundamentalista alimentava um objectivo oculto, aliás inspirado nos ingleses, que se resumia ao seguinte lema: dividir para reinar. Considerava, de facto, que o Paquistão merecia todos os sacrifícios, mesmo que isso implicasse a secessão da Índia, apesar das importantes deslocações populacionais que essa decisão acarretaria.

Fundador do partido paquistanês Jamaat-e-Islami, ele concebeu a criação de um Estado Islâmico Unido, baseado na aplicação rigorosa da lei religiosa (Sharia). Na sua visão, tal Estado deveria ser hegemónico e totalitário em todos os aspectos da vida.

A governança de Alá (Al Hakimiya) no Paquistão cabia a Deus, devendo o governo ser fiel à Sharia.

Inspirando-se no modelo estalinista em vigor na União Soviética, Maududi substituiu a ideologia marxista pela ideologia islâmica, criando, pela primeira vez, um «partido de Deus» (Hezbollah) equivalente ao partido comunista, bem como o Califado como substituto do Secretário-Geral do PC. As raízes confraternas do extremismo têm, assim, a sua origem na transposição do modelo soviético para o Islão.

Os Irmãos Muçulmanos seguiram-lhe os passos, adoptando a concepção totalitária do estalinismo para a aplicar à religião muçulmana.

Termo geral, nunca utilizado pelo Profeta nem pelos seus primeiros sucessores, o conceito da Sharia surgirá no início do século II da Hégira. Não pode ser comparado ao Talmude dos judeus, nem à Constituição da época contemporânea. Continua a ser objecto de debate.

A conquista da independência pelo Paquistão foi vivida pelos paquistaneses e por muitos muçulmanos em todo o mundo como o fim de um longo período de subjugação, tanto em relação ao Reino Unido como à Índia. Uma vitória sobre o colonialismo britânico, o seu opressor há vários séculos, o artífice da Promessa de Balfour, que implicou a divisão da Palestina. Uma vitória sobre a Índia e o fim do jugo indiano e do hinduísmo sobre a minoria muçulmana da União Indiana.

Resultado da desintegração do Império colonial britânico na Índia e da sua divisão em dois Estados, em 1947, o Paquistão considerava-se, na altura, o país muçulmano mais importante da época, antes de ser suplantado pela Indonésia após a independência das antigas Índias Holandesas. Alavanca e motor da sua ascensão à soberania internacional, o Islão ocupa um lugar central tanto na vida política como na espiritual e social do país. Constituirá o vector de influência da sua diplomacia, o argumento para a promoção da sua imagem junto do Terceiro Mundo colonizado, maioritariamente muçulmano, um Terceiro Mundo colonizado pelos ocidentais, principalmente pelos ingleses e, em menor medida, pelos franceses.

Embora a pertença ao Islão não deixe margem para dúvidas, o nome do país, Paquistão, suscita controvérsia. «País dos puros» em urdu (Pak, puro, e Stan, país), o termo poderia também provir do acrónimo composto a partir dos nomes das províncias: Punjab, Afeganistão, Caxemira, Indo-Sind e Baluchistão.

Atribuída a Sayed Ahmad Khan (1817-1898), político muçulmano, antigo magistrado e fundador de universidades, a ideia de um Estado separado foi formalizada pelo poeta e filósofo Allama Mohamad Iqbal (1877-1938) durante um discurso na sessão anual da Liga Muçulmana, em 1930, realizada em Allahabad (a cidade de Alá).

Proposta aprovada dez anos mais tarde em Lahore, a 23 de Março de 1940, pela Liga Muçulmana, então presidida por Mohamad Ali Jinnah, que viria a ser o primeiro líder do Paquistão independente.

 

Apesar da oposição dos líderes indianos, Gandhi e Nehru, os britânicos decidiram-se a favor da partição da União Indiana, mas, paradoxalmente, os dois adversários continuariam a ser membros da Commonwealth.

 

A partição da Índia provocou enormes deslocações populacionais. Mais de seis milhões de muçulmanos indianos refugiaram-se no novo Estado, enquanto um número aproximadamente igual de hindus e sikhs abandonou o Punjab rumo à Índia, num contexto de violência e massacres que causaram mais de 500 000 vítimas. A questão comunitária não será, aliás, resolvida por estes êxodos, uma vez que um terço dos muçulmanos continua a viver na Índia.

As falhas do Paquistão: um Estado bipolar marcado por uma dupla descontinuidade territorial e demográfica

 

A – Descontinuidade territorial

O Paquistão, um Estado bipolar, sofria de uma descontinuidade territorial que seria sanada por uma guerra que conduziu à independência da sua província oriental, que se tornou o Bangladesh, na sequência da secessão proclamada por Sheikh Mujibbur Rahman, líder da Liga Awami.

 

O país estava, de facto, dividido em duas regiões distintas, distantes 1 700 km uma da outra: o Paquistão Oriental, que se separaria para se tornar o Bangladesh, e o Paquistão Ocidental, composto pelo Sind, pelo Punjab Ocidental, pelo Baluchistão e pelas províncias fronteiriças do Norte.

B – Descontinuidade demográfica: A questão da Caxemira.

Com uma população maioritariamente muçulmana, representando cerca de 78 % dos seus habitantes, a Caxemira, sob a égide do seu líder nominal — o governante hindu de Jammu e Caxemira, o marajá Hari Singh, da dinastia Dogra —, reivindicou a anexação da província à Índia, desencadeando uma espiral de violência com a incursão de tribos pashtuns vindas do Paquistão e apoiadas por uma parte da população local.

Esta decisão marcou o início de uma sucessão de actos de violência que culminaria no primeiro conflito indo-paquistanês, menos de um ano após a independência de ambos os países.

Um cessar-fogo negociado sob a égide da ONU, a 1 de Janeiro de 1949, estabeleceu uma linha de demarcação temporária, denominada «linha de controlo» ou LOC (Line of Control): dois terços da Caxemira formam o Estado Federado indiano de Jammu e Caxemira, com capital em Srinagar; o Paquistão administra o último terço, que passa a chamar-se Azad Caxemira («Caxemira Livre»), com capital em Muzaffarbad, e os Territórios do Norte (capital: Gilgit).

A entrada em cena do exército.

Num contexto de exacerbação nacionalista, instabilidade política e dificuldades económicas, a morte prematura de Mohamad Ali Jinnah, em 1948, seguida do assassinato do primeiro-ministro Liaqat Ali Khan, a 16 de Outubro de 1951, pelas mãos de um fanático afegão, favoreceu a entrada do exército na cena política.

Perante a impossibilidade de acalmar a agitação no Paquistão Oriental, que se sentia abandonado, o presidente Mirza confiou o poder ao general Ayoub Khan, que revogou a Constituição e decretou a lei marcial a 7 de Outubro de 1958.

Ayoub Khan instaura a ditadura militar, lançando um importante pacote de reformas: reforma agrária (9 000 km² redistribuídos a 150 000 agricultores), plano de desenvolvimento económico, restricções à poligamia e ao divórcio.

Em 1962, foi aprovada uma nova Constituição que instituiu, nomeadamente, duas línguas oficiais: o bengali e o urdu. Islamabad tornou-se a capital nacional e Daca, no Paquistão Oriental, a capital legislativa.

No final de um período de guerra aberta em 1965 na Caxemira, o presidente Ayoub Khan e o primeiro-ministro indiano Lal Bahadur Shastri chegaram a um acordo em 1966 na «Declaração de Tashkent», sob os auspícios da União Soviética. O documento suspende provisoriamente o conflito na Caxemira. Zulficar Ali Bhutto demite-se do cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros e opõe-se a Ayoub Khan e à renúncia à Caxemira. Funda o «Pakistan People Party» (Partido Popular do Paquistão), para defender o seu programa socialista.

O presidente Ayoub Khan demitir-se-á em Março de 1969, na sequência de terríveis motins internos, e transmitirá o poder a outro militar, o general Yahya Khan, que decretará novamente a lei marcial.

A Caxemira, um ponto nevrálgico, um esporão para a diplomacia paquistanesa.

Ponto nevrálgico, a Caxemira esgotará os recursos do Paquistão, ao mesmo tempo que servirá de trampolim para a tomada do poder pelo exército.

O primeiro quarto de século da independência do país será palco de três guerras com a vizinha Índia: Primeira Guerra Indo-Paquistanesa (1947-1948); Segunda Guerra Indo-Paquistanesa (1965); Terceira Guerra Indo-Paquistanesa (1971), sem contar, posteriormente, com o conflito de Kargil (1999) e o conflito armado no Noroeste do Paquistão (2004)

A Caxemira, ferida aberta do Paquistão e sua obsessão, servirá, tal como o Islão, de estímulo à política externa do Paquistão. Esta província controversa funcionará como ponto de convergência com a Arábia Saudita, em contrapeso à aliança entre a Índia e o Egipto nasserista, no seio do Movimento dos Países Não Alinhados.

Devido ao seu posicionamento, a Índia e o Egipto eram, de facto, vistos como os dois inimigos comuns da Arábia Saudita e do Paquistão, na medida em que o indiano é hindu, não muçulmano, e o egípcio é árabe, muçulmano, republicano e nacionalista — quatro defeitos irremediáveis para os defensores de um Islão rigorista. Além disso, beneficiavam de uma aura de prestígio considerável, amplificada pelo carisma de Gamal Abdel Nasser, o artífice da primeira nacionalização bem-sucedida do Terceiro Mundo — a nacionalização do Canal do Suez — e líder da luta nacionalista árabe, a que se somava o respeito internacional conquistado pela Índia, em particular pela dupla Gandhi e Nehru, iniciadores da não-violência na sua luta vitoriosa contra o imperialismo britânico.

O Terceiro Mundo deve a sua liberdade e dignidade a três factos político-militares de grande importância que alteraram profundamente a configuração geo-estratégica do planeta:

·         Dien Bien Phu (Vietname, 1954), a primeira vitória militar de um povo de pele escura sobre uma potência nuclear, a França, membro permanente do Conselho de Segurança,

·         A nacionalização do Canal do Suez por Nasser, em 1956, a primeira nacionalização bem-sucedida de um consórcio ocidental por um país do Terceiro Mundo,

·         A tomada de Havana pelos Bardudos, em 1957, o primeiro avanço militar dos guerrilheiros latino-americanos no quintal dos Estados Unidos.

Vitórias que favoreceram o surgimento do movimento dos Não-Alinhados, abrindo caminho para a independência do Terceiro Mundo e selando com sangue, em Dien Bien Phu (Vietname-Ásia), Suez (Egipto-Mundo Árabe) e Havana (Cuba-América Latina), o nascimento da Tricontinental.

Primeira brecha em seis séculos de hegemonia ocidental absoluta sobre o resto do planeta, a Conferência de Bandung serviu de base ao Movimento dos Países Não Alinhados, promotor do neutralismo político na cena internacional, bem como ao seu modo de funcionamento, a TRICONTINENTAL. Marcou a entrada dos povos colonizados dos três continentes (África, Ásia, América Latina) na cena mundial como actores principais da História e não mais como meros coadjuvantes

Krishna Mennon, o impetuoso ministro da Defesa indiano, ficará na história por ter brandido a ameaça da dissolução da Commonwealth como retaliação à agressão tripartida franco-anglo-israelita contra Nasser, em 1956, selando nessa luta uma aliança histórica dos «Condenados da Terra», enquanto o seu rival paquistanês se apoiava na Arábia Saudita, o melhor aliado árabe dos Estados Unidos e protector de Israel.

O Paquistão, por sua vez, compromete-se plenamente com um sistema de alianças com os países sunitas conservadores pró-americanos (Turquia, Arábia Saudita, o Irão imperial), seja no âmbito do RCD (Regional Cooperation Development), o substituto do extinto Pacto de Bagdade, seja no CENTO (Central Treaty Organisation), que reúne a Turquia, o Paquistão e o Irão, actuando como elo intermédio entre a OTAN (Oceano Atlântico) e a OTASE (OTAN asiática), ou no âmbito da Organização para a Cooperação Islâmica (OCI), o principal fórum islâmico da época contemporânea reagrupando 55 países.

Índia versus Paquistão: Democracia versus Ditadura

Ao longo dos seus 70 anos de existência, a Índia justificou o seu título de «maior democracia do mundo», garantindo o acesso de civis e muçulmanos ao poder judicial supremo, apesar da violência política marcada pelo assassinato da primeira-ministra Indira Gandhi, filha de Pandit Nehru, e do seu filho Rajiv, em 2001, enquanto o Paquistão se debatia sob o jugo militar por quatro vezes durante a primeira metade do século da sua independência.

Ayoub Khan (1960), Yahya Khan (1967), Zia Ul Haq (1978) e Pervez Musharraf (2001-2009): a sucessão de governantes militares foi acompanhada pela decapitação da liderança xiita, principalmente do clã Bhutto, a par de uma islamização forçada da sociedade paquistanesa.

Zia Ul Haq contra Zulficar Ali Bhutto.

A eliminação do clã Bhutto ocorreu em duas fases: o pai, Zulficar, sob o regime de Zia Ul Haq, em 1979, na véspera da guerra anti-soviética no Afeganistão e da transformação do Paquistão numa base de rectaguarda dos talibãs;

A filha Benazir, catorze anos mais tarde, assassinada sob o regime de Pervez Musharraf, em 2007, em pleno caos resultante da dupla invasão norte-americana do Afeganistão e do Iraque, na sequência do ataque da Al-Qaeda contra os símbolos da superpotência norte-americana, a 11 de Setembro de 2001.

Grande proprietário de terras, xiita com um nacionalismo sensível, dotado de uma cultura ocidental e animado por um toque de socialismo, cuja base política assenta na grande burguesia do Sind, nomeadamente na grande cidade portuária de Karachi, Zulficar Ali Bhutto entrará em conflito com a hierarquia militar, em 1972, através de um vasto programa de nacionalizações que abrange, nomeadamente, os bancos e as indústrias de base, implementando uma ambiciosa reforma agrária. Os militares são afastados dos cargos de decisão política, mas, como sinal de apaziguamento, o orçamento da Defesa é aumentado para 6% do PIB.

A reforma de Bhutto foi recebida com uma onda de protestos por parte do lobby ultra-conservador: os empresários e os líderes religiosos, apoiados por uma coligação de nove partidos da oposição.

A ditadura militar de Zia (1977-1988).

Um tríptico decisivo — islamização, jihadismo e nuclearização do Paquistão — marcou os onze anos da ditadura de Zia Ul Haq, culminando com a execução por enforcamento de Zulficar Ali Bhutto, líder carismático do xiismo paquistanês, e com a implosão em pleno voo do ditador paquistanês, como ponto final de toda a história.

Perante o impasse institucional resultante da política voluntarista de Zulficar Ali Bhutto, o general Zia Ul Haq decidiu impor a lei marcial no país a 5 de Julho de 1977. Zulficar foi obrigado a abandonar o poder. Foi o início de uma longa descida ao inferno, que culminaria no seu enforcamento. Detido e julgado, será condenado à morte pelo alegado homicídio do pai de um dos dissidentes do Partido Popular do Paquistão.

A sua execução por enforcamento, a 4 de Abril de 1979, abre caminho ao regresso dos militares ao poder pela terceira vez na história do Paquistão, e, em pleno boom petrolífero na sequência da 3.ª Guerra Árabe-Israelita de Outubro de 1973, favorece o início de um processo de islamização do sistema político sob a égide do general Zia Ul Haq, com o seu corolário: o envolvimento na jihad afegã.

 

René Naba

Jornalista e escritor, antigo responsável pela região árabe-muçulmana no serviço diplomático da AFP, posteriormente conselheiro do direCtor-geral da RMC Médio Oriente, responsável pela informação, membro do grupo consultivo do Instituto Escandinavo dos Direitos Humanos e da Associação de Amizade Euro-Árabe. De 1969 a 1979, foi correspondente rotativo no escritório regional da Agência France-Presse (AFP) em Beirute, onde cobriu, nomeadamente, a guerra civil jordano-palestiniana, o «Setembro Negro» de 1970, a nacionalização das instalações petrolíferas do Iraque e da Líbia (1972), cerca de uma dezena de golpes de Estado e sequestros de aviões, bem como a Guerra do Líbano (1975-1990), a 3.ª Guerra Árabe-Israelita de Outubro de 1973 e as primeiras negociações de paz entre o Egipto e Israel na Mena House, no Cairo (1979). De 1979 a 1989, foi responsável pela região árabe-muçulmana no serviço diplomático da AFP [ref. necessária], tendo-se tornado posteriormente conselheiro do director-geral da RMC Médio Oriente, encarregado da informação, de 1989 a 1995. Autor de «A Arábia Saudita, um reino das trevas» (Golias), «Do “Bougnoule” ao “selvagem”, viagem pelo imaginário francês» (Harmattan), «Hariri, de pai para filho, homens de negócios, primeiros-ministros» (Harmattan), «As revoluções árabes e a maldição de Camp David» (Bachari), «Mídia e democracia: a captura do imaginário, um desafio do século XXI» (Golias). Desde 2013, é membro do grupo consultivo do Instituto Escandinavo dos Direitos Humanos (SIHR), cuja sede se situa em Genebra. É ainda vice-presidente do Centro Internacional contra o Terrorismo (ICALT), em Genebra; presidente da associação de caridade LINA, que opera nos bairros do norte de Marselha, e presidente de honra da «Car tu y es libre» (Quartier libre), que trabalha para a promoção social e política das zonas periurbanas do departamento de Bouches-du-Rhône, no sul de França. Desde 2014, é consultor do Instituto Internacional para a Paz, a Justiça e os Direitos Humanos (IIPJDH), com sede em Genebra. Desde 1 de Setembro de 2014, é responsável pela coordenação editorial do site https://www.madaniya.info  e apresentador de uma rubrica semanal na Radio Galère (Marselha), às quintas-feiras, das 16h às 18h.

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Fonte: Le Pakistan face au défi du Monde post occidental 1/2 - Madaniya

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




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