Os 60% de harragas argelinos e a fábula de Ceuta: A
distracção de Paris e do Makhzen a favor de Telavive
16 de Agosto de 2026 Robert Bibeau
Nota: Em Mostaganem, na Argélia, os refugiados são conhecidos
como Harragas e tentam travessias ilegais. Pagam a traficantes para se juntam aos
migrantes africanos e árabes e transportá-los para Espanha em águas perigosas
(NdT).
Por Hanane Ben
Vagas de migração em Ceuta: vingança de
Israel? Segundo o El Mundo e um relatório confidencial chinês,
o Mossad lançou uma operação híbrida instrumentalizando a imigração de
Marrocos, cujo objectivo é sancionar directamente Espanha pelo seu apoio à
causa palestiniana.
É um segredo aberto que ninguém tenta
esconder mais. Por trás desta enésima vaga de migração marroquina, a mão de
Israel tornou-se evidente. Perante os factos, como podemos imaginar outro
cenário?
O envolvimento da entidade sionista por
trás desta enésima vaga migratória marroquina é um segredo aberto. Para
compreender isto, basta olhar para a história: o eixo Rabat-Telavive não
esperou pela existência dos Acordos de Abraão. Já em 1965, durante a cimeira
árabe em Casablanca, Hassan II registou secretamente chefes de Estado árabes
para benefício dos serviços israelitas, levando à sua derrota.
Hoje, esta aliança oculta está no auge:
fábricas militares israelitas prosperam em solo marroquino enquanto o sionista
André Azoulay, conselheiro sombra e verdadeiro mestre dos relógios em Rabat,
dita a sua política sob lealdade a Telavive.
Claro, o Marrocos sempre usou a migração
como uma arma de chantagem face à União Europeia. Vimos isso em Maio de 2021,
quando Rabat deliberadamente abriu as portas em Ceuta para punir Espanha por
ter tratado o líder da Frente Polisário, ou ainda através da gestão
intermitente dos fluxos para as ilhas Canárias.
Mas desta vez, o que está em jogo vai além
de uma simples disputa bilateral: trata-se de uma expedição punitiva
orquestrada pelo eixo Washington-Telavive. O objectivo? Lavar a afronta feita
por Madrid. Espanha está a pagar o preço pela sua insubordinação: a recusa
categórica em participar numa guerra contra o Irão, a proibição de navios de
guerra com destino ao Golfo atracarem nos seus portos ou utilizarem as suas
bases militares, e acima de tudo, o apoio inabalável do seu governo e do seu
povo à causa de Gaza. O Marrocos é aqui apenas a ala armada de uma vingança
sionista americana.
Para proteger o Mossad e mascarar a
vingança do eixo americano-israelita contra Espanha, a comunicação social
francesa a soldo entrou em cena, operada directamente pela entidade sionista
genocida.
São os próprios arquitectos desta invasão
em Ceuta que estão a transmitir esta percentagem falsa. Ao propagar
massivamente o número de 60% dos harragas argelinos, estão a activar
uma distracção mediática feita à medida. O objectivo é claro: desviar a atenção
de Ceuta, branquear o envolvimento da entidade sionista e focar a atenção em
Argel para ocultar a submissão total do regime marroquino às ordens de
Telavive.
Até a Frontex, a Agência Europeia da
Guarda de Fronteiras e Costeiras que deveria monitorizar o espaço Schengen e
combater a imigração ilegal, acabou por ceder a esta propaganda anti-argelina
ao repetir cegamente o mesmo número falso. Não há necessidade de se deter na
hipocrisia grosseira de uma União Europeia que se recusa a repreender Marrocos
e prefere criticar Espanha, mesmo sendo um dos seus próprios membros. É preciso
dizer que o lobby marroquino dentro da UE tem um poder formidável, solidamente
apoiado pelos pesos-pesados americanos e israelitas.
Por isso, esta propaganda francesa sobre
uma alegada percentagem de argelinos entre os migrantes em Ceuta não é
surpreendente. Ela emana dos media totalmente subserviente à entidade sionista
e de uma extrema-direita que fez da crítica à Argélia o seu principal elemento
comercial e a sua arma favorita de distracção.
Ao contrário desta manipulação, os media
espanhóis (como El País ou El Mundo) e os do Norte
da Europa (como as emissoras públicas alemãs ARD ou os diários escandinavos)
mantêm-se estritamente nos factos: falam apenas sobre migrantes marroquinos.
Além disso, transmitiram massivamente testemunhos condenatórios, com vídeos a
apoiá-los, atestando a cumplicidade directa e a permissividade calculada do
Makhzen (o Makhzen -ou Majzen- é um termo tradicional em Marrocos
que se refere ao núcleo de poder do Estado e às instituições ligadas à
monarquia, incluindo a realeza, a administração central, os conselheiros do
rei, os serviços de segurança e as elites económicas influentes – NdT) nesta
tragédia humana.
No fim das contas, os media franceses e a
Frontex estão a fazer alarde inútil. As suas manipulações não convencem
ninguém, visto que as imagens e vídeos que circulam falam por si. A realidade
no terreno é impossível de esconder: os 72 000 migrantes são de facto
marroquinos, e a cumplicidade do Makhzen, bem como a natureza desta operação,
saltam à vista de todo o mundo.
Há outro detalhe crucial a destacar: essa fábula dos 60% de argelinos é uma cortina de fumo grosseira. O objectivo real desta invenção mediática é desviar o olhar da realidade geopolítica marroquina.
Ao focalizarem a atenção em Argel, tentam esconder o facto de já não se tratar apenas de uma normalização diplomática, mas de uma hegemonia total da entidade sionista sobre o reino, agora completamente à sua disposição.
Esta dominação já se traduz no terreno por
um drama humanitário silencioso: milhares de famílias marroquinas são expulsas
das suas terras em favor de colonos vindos de Israel, que regressam em massa
para reivindicar o Marrocos como a sua alegada “primeira terra”. É a própria
soberania de todo um Estado que é assim confiscada em benefício de Telavive.
As agências mediáticas francesas, marroquinas e israelitas podem agitar-se e despejar as suas torrentes de desinformação: a Argélia soberana mantém-se inabalável. Perfeitamente consciente dos alvos que são pintados nas suas costas, avança, vigilante e firme, no caminho do progresso. Não importam as conspirações externas ou as traições dos traidores internos, todas as tentativas de desestabilização se quebram na sua resiliência. A Argélia não se dobra. Continua de pé.
Fonte: Algeria54
(Enviado por A. Djerrad)
Este artigo foi traduzido para Língua
Portuguesa por Luis Júdice

Sem comentários:
Enviar um comentário