sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Da regressão da ideia de democracia no Mundo árabe, oito anos após a Primavera árabe


Da regressão da ideia de democracia no Mundo árabe, oito anos após a Primavera árabe

René Naba / 22 DE FEVEREIRO DE 2019 / EM International, Monde arabe

Texto da intervenção do autor no colóquio «A democracia a Este do Mediterrâneo», organizado pelo Instituto Escandinavo de Direitos Humanos (SIHR) Genebra, 22-23 de Setembro de 2018.

O milénio tinha, no entanto, começado bem, anunciando uma nova era de liberdade, criatividade, realização pessoal e impulso colectivo para compensar meio século de humilhação, submissão, resignação, impotência e derrotas.

O período de transição entre a morte do presidente sírio Hafez Al Assad, que monopolizou o poder durante trinta anos, e o seu sucessor, neste caso o seu próprio filho Bashar Al Assad, de acordo com as regras em vigor numa república monárquica, favoreceu o surgimento de uma "Primavera de Damasco", onde fóruns que apareciam do nada davam voz a palavras há muito censuradas, a consciências amordaçadas. Exigia-se o fim do estado de emergência com o seu corolário, a libertação dos prisioneiros políticos, o pluralismo político, o multipartidarismo. Nunca a Síria tinha conhecido uma sequência civil tão eufórica.

Um segundo grande sopro de oxigénio soprou sobre o Mundo árabe cinco anos depois, em 2005, na sequência do assassinato do primeiro-ministro libanês Rafiq Hariri, provocando, algo inimaginável na época, a retirada do exército sírio do Líbano na fase conhecida como a «Revolução Laranja».

O terceiro grande sopro de liberdade ocorreu dez anos depois da «Primavera de Damasco», em 2011, com a fase conhecida como «Primavera Árabe», marcando a revolta popular dos povos árabes contra os regimes ditatoriais nos dois lados do Mundo árabe, no Magrebe, na Tunísia, a faísca da Primavera árabe, contra Zine el Abidine Ben Ali, e, no Mashreq, no Egipto, contra Hosni Mubarak.

Fora destes três tremores, em vinte anos, da «Primavera de Damasco» à «Primavera Árabe», a democracia não parou de regredir no Mundo árabe, entrando numa era de glaciação, assim como a própria ideia de democracia, devido a uma tripla fraude:

• A impostura de uma fracção importante dos democratas árabes,

• A impostura das grandes democracias ocidentais,

• A impostura da própria ideia das revoluções árabes.

A impostura de uma fracção importante dos democratas árabes:

Os dissidentes da velha guarda: Abdel Halim Khaddam, Mouncef Marzouki, Azmi Bishara, Michel Kilo, Borhan Ghalioune, Walid Joumblatt

Os dissidentes da velha guarda: o exemplo de Abdel Halim Khaddam

A primavera de Damasco será assim de curta duração. Menos que um período normal de gestação. Oito meses. Pelo fait du prince (medida tomada unilateralmente pela administração que afecta um contrato do qual ela é parte – wikipedia).

O fim do jogo será, de facto, paradoxalmente assinalado por quem na altura era vice-presidente da República, Abdel Halim Khaddam, que se via como guardião do templo baasista e receava uma Perestroika ao estilo de Boris Ieltsin, hiper capitalista, ultra liberal, que poderia ameaçar os privilégios da casta dominante. 

A paragem tinha sido explicada então pelo receio de um descontrolo, uma deriva ao estilo argelino, uma «argelização» (Jazzara, segundo o termo de Khaddam), numa zona a ceder sob o arbítrio burocrático, enquanto a Síria se encontrava presa entre Israel e Turquia, numa aliança de conveniência entre os seus dois parceiros estratégicos dos Estados Unidos, e ainda a enfrentar a hostilidade do regime baasista rival no Iraque.

A invasão americana do Iraque e a adopção da Syrian Accountability Act, em 2002, constituirão posteriormente uma justificação adicional para a neutralização da «Primavera de Damasco».

A Syrian Accountability Act e, em seguida, a Hezbollah Accountability Act, em 2003, tinham a função de iniciar a contagem decrescente visando a destabilização da Síria, o único país árabe no campo de batalha, juntamente com o Líbano, ainda em estado de beligerância contra Israel.

O bem chamado Khaddam - cujo nome significa algo como 'lacaios' em francês -, havia renegado o seu activismo depois de ter sugado abusivamente o Líbano, operando por ganância a conversão mais estrondosa da história contemporânea.

Marginalizado no congresso do partido Baas, o seu desejo secreto de suceder ao seu mentor Hafez Al Assad, contrariado, Abdel Halim Khaddam deixa Damasco e vai para Paris, onde funda com os seus antigos inimigos, a Irmandade Muçulmana, a «Frente de Salvação Nacional». Uma iniciativa que soou como um verdadeiro desafio para os aderentes à «Declaração de Damasco», uma vez que um dos seus principais signatários, os FM da Síria, a tinha subscrito, ao mesmo tempo que se comprometia, paralelamente, numa aliança com um antigo dirigente do regime baathista, sem consultar previamente os outros aderentes. Um exemplo perfeito da duplicidade a que a confraria está habituada e que será desastrosa para o desenrolar dos acontecimentos.

Ela foi sentida como um facto consumado de dois actores da cena síria, perante um bloco que constituía a mais ampla possível coalizão. Revelar-se-á suicida para o antigo dirigente baasista e levantará suspeitas sobre as intenções da Irmandade Muçulmana síria. 

A parceria assim selada entre os antigos irmãos inimigos (Khaddam + Irmandade Muçulmana) vai dar origem a um debate intenso no seio da Frente Interior da oposição sobre a oportunidade das alianças a estabelecer com a velha guarda do regime baasista e o grau de confiança a conceder-lhes, bem como à filial síria da confraria. O debate, conturbado, levará à demissão de uma grande parte dos signatários do texto fundador. Perante a amplitude das divergências, duas personalidades eminentes da oposição síria – o comunista Riad Turk e o liberal Riad Seif, antigos presos políticos das prisões sírias – decidirão então pôr em pausa o projecto de constituição de uma ampla “Frente Interior» à espera que a situação se esclareça.

A «Frente de Salvação Nacional» desmoronou na sequência da agressão israelita a Gaza, em 2008-2009, enquanto o Hamas, a ala palestiniana das FM, enfrentava uma ofensiva visando à sua aniquilação na ausência de qualquer reacção árabe, nomeadamente das petromonarquias do Golfo, os novos padrinhos ideológico-financeiros de Abdel Halim Khaddam. O homem, é verdade, tinha antecipado a primazia saudita sobre a ordem doméstica árabe, projectando-se, o primeiro, na era pós-soviética e no mundo unipolar americano.

Consequência importante desta aliança entre parceiros tão antagónicos, a «Frente de Salvação Nacional» dificultou a criação de uma ampla Frente das Forças Internas da Oposição Síria, abrindo largamente caminho às ingerências externas.

Missão cumprida, ou melhor, crime cometido, Abdel Halim Khaddam, capanga do seu correligionário sunita libanês, será relegado ao esquecimento da história, abandonado por todos, inclusive pelos seus novos e incómodos aliados, a organização da «Irmandade Muçulmana», aquela mesma que se lançara à conquista do poder em Fevereiro de 1982, com o objectivo de fazer tropeçar o regime baasista, do qual ele era um dos pilares, a quatro meses da invasão israelita do Líbano. Em retrospectiva, Abdel Halim Khaddam mostrou, através das suas alianças rotativas, a fragilidade do projecto democrático dentro de uma grande parte da oposição síria. Uma fragilidade que viria a explodir à vista de todos após 18 de Março de 2011, data geralmente considerada como o início do levantamento popular sírio.

De Michel Kilo, antigo prisioneiro das masmorras sírias e futuro comensal do Príncipe Bandar Ben Sultan, o chefe da contra-revolução árabe, aos académicos Borhan Ghalioun e Basma Kodmani, de bi-nacionais franco-sírios que operam como auxiliares da sua antiga potência colonial na destruição do seu país de origem, assim como Georges Sabra, Riad Turk, Riyad Hijab, Kamal Labwani, Souhair Al Atassi… a ambiguidade do programa e das alianças, bem como o seguimento demonstrado por aqueles que se revelarão cúmplices, explodirá à vista de todos na explosão vulcânica que carbonizou a esfera árabe a partir de 2011. Além disso, a assombrosa mutação de algumas figuras de proa democráticas do Mundo árabe em mercenários gananciosos, um fenómeno que brotou por ocasião desta mal intitulada Primavera, incluindo entre personalidades então percebidas como autênticos democratas - de Walid Joumblatt (Líbano), a Mouncef Marzouki (Tunísia), com um percurso sinuoso, a Borhan Ghalioun (Síria), autor do «Manifesto pela Democracia», mas homem ávido de poder e dinheiro, assim como Azmi Bishara (Palestina), constituíram um caso manifesto de traição aos ideais da revolução e da democracia. Uma derrota do pensamento. Um insulto à inteligência. Uma derrota da liberdade.

Para ir mais longe sobre este tema

B- Mouncef Marzouki: Uma mistificação, a grande decepção dos democratas árabes.

 Neurologista, conhecido pela sua firme oposição à ditadura de Zine El Abidine Ben Ali na Tunísia, Mouncef Marzouki mergulhará na consternação os seus companheiros de luta na sua pressa em pactuar com o ramo tunisino da Irmandade Muçulmana para satisfazer ambições presidenciais vorazes, sem a menor garantia. Uma cambalhota ideológica que permanecerá, embora ele se defenda, como uma mancha negra no seu percurso previamente respeitável, a marca de um oportunismo desenfreado, de um amadorismo desastroso para a credibilidade da luta democrática árabe.

No entanto, este laureado da Academia de Ciências de Washington, detentor da «Medalha dos Direitos Humanos» juntamente com o opositor sírio Haytham Manna, tinha claramente mostrado as suas opiniões e iniciativas num livro co-assinado com democratas de outros países árabes, com um título premonitório: »Como promover a questão da democracia e dos Direitos Humanos no Mundo árabe«? Na verdade, a obra constituía um levantamento das conclusões estabelecidas três anos antes em Viena pelo opositor tunisino, juntamente com os seus colegas de luta árabes, com os quais havia fundado, em 1998, a «Comissão Árabe dos Direitos Humanos (ACHR)», nomeadamente o escritor palestiniano Mohamad Hafiz Yakoub, o egípcio Mohamad Sayed Said, a libanesa Violette Daguerre e o sírio Haytham Manna.

A abordagem, tal como foi registada nesta obra, especificava que o Mundo árabe deveria «construir um projecto teórico e político de uma democracia liberta de toda a influência ocidental, baseado nos princípios universais dos Direitos Humanos». Considerando que «todos os projectos de transição poluídos pela violência tinham tido como efeito reforçar o sistema autoritário», o estudo defendia, em consequência, «a resistência civil e a mudança pacífica» e colocava como condição sine qua non a INDEPENDÊNCIA da sua acção.

Um belo currículo: Uma pequena enciclopédia dos direitos humanos, um volume de 2550 páginas, em três volumes, obras sobre a «Segunda Independência» (a democracia), sobre a resistência civil e os direitos humanos na Tunísia, no Egipto, na Arábia Saudita, no Iraque, no Marrocos, na Síria, sobre a violência e a integridade física e moral. Cerca de quarenta investigadores árabes e internacionais participaram neste projecto editorial.

Coincidência curiosa: Uma das obras mais recentes da Comissão tinha por título «A Tunísia de Amanhã», editada em 2001, prefaciada por Haytham Manna com a participação das três personalidades que dez anos depois formarão a troika tunisina: Rached Al Ghannouchi, Moncef Al Marzouki e Moustafa Ben Jaafar.

Sem surpresa, as ideias avançadas neste livro visando a construção de uma democracia social serão espezinhadas, traídas por aqueles mesmos que as criaram, o trio mencionado, segundo o conhecido ditado de que «as promessas só comprometem aqueles que nelas acreditam».

O que ficou evidente foi o fosso entre o sonho democrático árabe e as limitações do exercício do poder: desde concessões aos padrinhos financeiros da troika tunisina, os dois Hamad — Hamad Ben Khalifa, Emir do Qatar, e Hamad Ben Jassem, seu ministro dos Negócios Estrangeiros — até compromissos com os Ocidentais, sobrepostos à influência omnipresente do Xeque Youssef Al Qaradawi sobre a Al Nahda, particularmente em relação à Líbia e à Síria, onde o Mufti do Qatar da NATO imploraria aos países ocidentais para bombardear a Síria, um país que, no entanto, já travou quatro guerras contra Israel, numa atitude que revela um raro caso de fragmentação mental... a lista de traições que levariam o primeiro presidente pós-ditadura da Tunísia, Moncef Marzouki, a acolher em Tunis a “Conferência dos Amigos da Síria”, o agrupamento dos conspiradores petro-monárquicos e do pacto atlântico da guerra da Síria, queimando pelo caminho o seu percurso histórico, é longa.

Este militante outrora respeitado será enviado de volta para casa por uma coligação de alguns dos seus antigos admiradores e rejeitado num esquecimento reconfortante, não obstante os estragos que terá causado ao projecto do qual foi um dos idealizadores: a promoção da democracia no Mundo Árabe, que paradoxalmente prejudicou de forma duradoura.

Mouncef Marzouki ficará para a posteridade como uma mistificação, a grande desilusão dos democratas árabes.

C- Azmi Bishara. Figura de destaque da contestação progressista árabe, Azmi Bishara, antigo deputado palestiniano no parlamento israelita, operou uma conversão espectacular, fazendo vassalagem ao Rei Dólar e às virtudes lubrificantes dos petro-dólares.

Proveniente de uma família cristã palestiniana, membro fundador do partido BALAD – firme defensor da laicidade em contraposição ao conceito de «Estado judeu», membro do Knesset (1996-2007), Azmi Bishara virá a aderir à vertente mais obscurantista do Islão, o Islão wahhabista. Ele enganou-se em público, em directo, nos ecrãs da cadeia do Qatar Aljazeera, ao sugerir ao apresentador do jornal, fora de emissão mas com microfones abertos, que negligenciasse os distúrbios no Bahrein, então violentos, para se concentrar na Síria e no Egipto, «com acontecimentos prometedores», como tinha previsto desde o seu exílio petrodolarizado em Doha.

Desde então evitado pela intelectualidade árabe, Azmi Bishara refugiou-se no seu novo reduto, um país completamente oposto à laicidade que defendia contra Israel, para dirigir o novo porta-voz do principado, o jornal «The New Arab» (O Novo Árabe), que deseja provavelmente moldar à sua imagem: Reptil e Servil.

D- Michel Kilo

Pela sua trajectória de activista, pelo seu estatuto de prisioneiro político sob o regime sírio, pelo seu patriotismo bem enraizado, pela sua experiência consolidada nas lutas políticas, assim como pelo seu envolvimento no terreno e pelo seu apoio popular... Tudo destinava Michel Kilo a tornar-se o farol de uma revolução que ele deveria iluminar com a sua experiência e os seus sacrifícios, com o objectivo de lhe conferir o brilho que lhe fora negado pelo dúbio duo assistencial da administração francesa, os bi-nacionais Borhan Ghalioune-Basma Kodmani. Tudo destinava este cristão sírio a juntar-se ao campo da oposição democrática, e não à oposição patrocinada pelas monarquias petrolíferas. Tudo, a sua integridade, a sua sobriedade, a sua experiência, o seu prestígio, a sua legitimidade. Tudo, excepto que o diabo se esconde nos detalhes.

A sua nova convivência com Bandar Ben Sultan, na época do esplendor do chefe da jihad mundial, de quem ele regularmente tomava emprestado o jacto privado para consultas de jantar, todas as suas sucessivas negações levaram-no à sua participação na «Weinberg Founders Conference», fatal para a sua reputação.

À margem da sua reunião com John Kerry, o secretário de estado americano, na sequência do colóquio organizado a 8 de Maio de 2014 pelo Washington Institute, uma derivação da AIPACC, o lobby judeu americano mais influente, Michel Kilo terá passado uma mensagem a Ehud Barack com o objectivo de sondar a possibilidade de uma intervenção militar israelita contra a Síria.

Humilhação suprema, o israelita recusou a oferta do antigo líder do combate nacionalista da Síria, revelando à luz do dia a sua fissura mental. Uma fissura fatal ao seu destino. O relato neste link, nomeadamente a oferta de Michel Kilo aos israelitas:

·         https://www.renenaba.com/l-honneur-perdu-de-michel-kilo-phare-eteint-de-la-revolution-syrienne/

E- Borhan Ghalioune

A ascensão deste antigo militante da esquerda radical síria à liderança da oposição offshore petrolífera monárquica serviu como reveladora das ambições deste académico esforçado, ao mesmo tempo que expunha a sua ganância e desorientação mental, já que o seu paraquedismo para a presidência desta coligação heterogénea, infiltrada pela Irmandade Muçulmana, ocorreu sob o duplo patrocínio de França e Turquia, os dois países cúmplices na desintegração da Síria no século XX (Caso do distrito de Alexandreta), e com a aprovação das personalidades mais filo-sionistas de França: Bernard-Henri Lévy, Bernard Kouchner e Laurent Fabius, o pequeno telegrafista dos israelitas nas negociações sobre o nuclear iraniano.

Expulso do seu país por ter criticado a prática religiosa nos países árabes, Borhan Ghalioune, um novo aliado dos islamistas, entregou-se, com alegria, ao dogma neo-conservador, prometendo romper com o Irão e cortar as rotas de abastecimento do Hezbollah libanês. Uma postura implausível que trouxe de volta à imaginação árabe o destino desastroso de Ahmad Chalabi, o antigo líder da oposição pró-americana iraquiana, atirado para o caixote do lixo da história assim que o seu crime foi cometido.

Uma abdicação que lhe valerá, aliás, uma saraivada de críticas por parte de algumas das figuras mais importantes da oposição síria e árabe. «Não é permitido sacrificar a unidade dos revolucionários da Síria para a tranquilidade de Hilary Clinton», secretária de Estado americana, dir-lhe-á Haytham Manna, uma das figuras mais respeitadas da oposição síria, num libelo intitulado «Conselhos gratuitos para uma política externa» publicado a 10 de Dezembro de 2011 no jornal libanês «As Safir», enquanto o cronista do Al Qods Al Arabi, Rachad Abou Chawar, admirava-se que a prioridade do académico franco-sírio fosse punir os dois pólos vitoriosos da resistência à hegemonia israelo-americana.

Que um universitário francês, por acaso autor de «Malaise arabe», Bourhane Ghalioune, colocado pela França à frente da oposição off-shore síria, ande a brincar, nos primeiros dias do levantamento anti-Assad, com uma metralhadora, na companhia do porta-voz de um grupo jihadista terrorista na Síria, Mohammad Al Adanani, resume por si só a mistificação ocidental e a impostura dos revolucionários da «Primavera árabe» na Síria.

II – A impostura das democracias ocidentais

Para lá da mancha moral representada pela aliança contra natura selada com os regimes mais antagónicos aos seus princípios, os petro-monárquicos obscurantistas, bem como a orientação à distância das convulsões sociais do Mundo Árabe, as «grandes democracias ocidentais» entregaram-se a uma operação de manipulação da opinião pública com o objectivo de desviar um movimento autenticamente popular desde o início (os levantamentos na Tunísia e no Egipto) dos seus objectivos iniciais, projectando como símbolos instrumentos da sua política. Dois factos principais ilustram a impostura das grandes democracias ocidentais e a sua manipulação da opinião pública para satisfazer os seus propósitos: Waddah Khanfar e Tawakol Karman.

A – Waddah Khanfar

Vencedor em 20011 da revista «Foreign Policy», tal como Rached Ghannouchi (An Nahda) e Bernard Henry Lévy, o líder da guerra mediática israelita anti-árabe no palco europeu, o percurso de Waddah Khanfar resume por si só a confusão mental árabe, a duplicidade do seu empregador, o Qatar, e a impostura ocidental. Mas esta distinção honorífica esconde um odioso embuste, uma vez que, sob a era de Waddah Khanfar, a AlJazeera passou sem problemas de um dos prescritores da ordem mundial da informação a um denunciador das manobras islâmico-atlantistas contra os países árabes. Um «informador», em suma.

Antigo jornalista da cadeia governamental americana «Voice of America», este palestiniano natural de Jenine, na Cisjordânia ocupada, era parente por afinidade do antigo primeiro-ministro jordaniano Wasfi Tall, apelidado de «carniceiro de Amã» pela sua repressão aos palestinianos durante o Setembro Negro jordaniano (1970), com quem se casou a sobrinha. Este notório Islamista era também um interlocutor dos serviços de informação do Exército dos EUA. Uma opacidade típica do comportamento do Qatar. Impulsionado para a direcção do canal Al Jazeera pelo seu amigo líbio, Mahmoud Jibril, será despedido do canal, em 2011, no final do episódio líbio, mas agraciado com a distinção americana. Magra consolação. O homem deixou a cena pública, com substanciais indemnizações, sem ruído, levando consigo os seus segredos e a sua parte de sombra, as razões da sua glória e da sua desgraça. Agora dirige a edição árabe do Huffington Post, após uma breve passagem pela «Open Society» de George Soros.

·         https://www.renenaba.com/libye-an-iii-post-kadhafi-epilogue-les-laureats-du-printemps-arabe/

B- Tawakol Karman, Nobel da Paz em 2011, a maior fraude intelectual e moral da Primavera Árabe

A primeira mulher árabe e a segunda mulher muçulmana (depois de Shirin Ebadi – Irão em 2003) a receber o Nobel, a iemenita Tawakol Karman é uma impostora ambulante. Esta activista é na verdade membro do Partido Al Islah, o ramo iemenita da Irmandade Muçulmana, e a sua ONG «Women Journalist Without Chains» recebia fundos do orçamento da National Endowment for Democracy, a NED, fundada em 1983 pelo presidente ultra-conservador americano Ronald Reagan. Um verdadeiro submarino da administração americana, portanto.

Irmã de Safa Karman, jornalista na Al Jazeera, o canal transfronteiriço árabe do Qatar, líder da contra-revolução neo-islâmica no Mundo árabe, a activista iemenita destacou-se pelas suas críticas afiadas contra o reino da Arábia Saudita e as suas permanentes ingerências na vida política do Iémen, bem como pelo seu papel na insurreição contra o regime anterior do General Ali Abdallah Saleh. Ela causou sensação, em 2004, ao remover o Niqab num gesto espetacular de desafio e de libertação, durante uma conferência sobre direitos humanos.

Mas por trás do véu da liberdade, surgia a farsa: durante o lançamento da guerra petro-monárquica contra o Iémen, a laureada com o Nobel da Paz de 2011 ofereceu serviços ao agressor do seu próprio país, cometendo uma tripla impostura, sem qualquer chamada de atenção.

Como Prémio Nobel da Paz, deu o seu aval a uma guerra;

Como mulher, uniu-se ao país mais retrógrado em matéria de direitos das mulheres;

Como iemenita, alinhou-se com os agressores do seu próprio país, a coligação das petro-monarquias, os países mais ricos do mundo árabe, contra o mais pobre deles. ….A maior fraude intelectual e moral da Primavera Árabe. Causada pelo Ocidente.

·         https://www.madaniya.info/2015/11/10/tawakkol-karman-la-triple-imposture-du-prix-nobel-de-la-paix-2011/

III – A impostura da própria ideia de revoluções árabes

A- A Revolução do Cedro: Uma grande farsa. Uma revolução de forma alguma espontânea, mas controlada.

A Revolução do Cedro no Líbano (2005) pareceu, em retrospectiva, uma grande farsa. Tal como o suposto líder do campo socialista Walid Joumblatt, cujo percurso sinuoso e tortuoso revelou a sua impostura ideológica.

Uma revolução de forma alguma espontânea, mas guiada pelo CANVAS (Centro de Acção Não Violenta Aplicada e Estratégias) sob a liderança do seu presidente Srdja POPOVIC, que a dirigia desde……… Belgrado.

O maior sucesso do Canvas na região MENA (Médio Oriente e Norte de África), a revolução laranja serviria de prelúdio à “Primavera” árabe. Bem orquestrada, tinha sido planeada um ano antes do assassinato de Rafic Hariri, que serviu de gatilho.

O núcleo de decisão incluía um grupo de activistas formado por três amigos: Elie Khoury, um especialista em comunicação e marketing na Quantum e Saatchi & Saatchi, o jornalista Samir Frangieh, assim como Nora Joumblatt, esposa do chefe feudal druzo, Walid Joumblatt, Asma Andraous, Gébrane Tuéni, director do jornal An-Nahar, e Samir Kassir, o exemplo perfeito da geração da esquerda mutante do anti-imperialismo para o ultra conservadorismo.

B – Walid Joumblatt: O coveiro do ideal socialista e progressista no Líbano e no Mundo Árabe.

O feudalismo é a sua marca e o seu mundo operativo. O chefe druzo do Partido Socialista Progressista (PSP) sucedeu ao seu pai Kamal Joumblatt, assassinado em 1977, sem qualquer concorrência, segundo as piores regras do feudalismo clânico.

A sua herança destinava-o à estatura de homem de estado, mas devido à sua ganância deixou-se seduzir pelas sirenes da Dolce Vita e da combinazione, a última pirueta de um girassol. E o seu percurso irá inevitavelmente sofrer por isso. 

A década, no entanto, tinha sido prodigiosa. Como malandros em feira, sob a batuta da Síria, o antigo líder da coligação palestino-progressista da guerra civil libanesa, envolto na glória do seu pai, transformou-se em parceiro de negócios do bilionário líbano-saudita Rafic Hariri, com a aprovação do pró-consul sírio no Líbano, Abdel Halim Khaddam, para pôr o Líbano ao seu serviço, na grande tradição da máfia. Um trio maléfico para o Líbano, a Síria, a Arábia Saudita e a França, os padrinhos políticos do cruzeiro libanês.

Na euforia da época, o laxismo generalizado, a vileza de uns, a cobardia de outros, a gula de uns e de outros, a aliança contra-natura entre um representante puro do pan-capitalismo petromonárquico e o líder de um dos poucos partidos políticos árabes que se reclamam do socialismo pôde surpreender em termos de coerência ideológica, mas não em termos de fluxo financeiro.

Aquele que mais tarde se tornaria um dos críticos mais severos da tutela síria sobre o Líbano foi, durante doze anos, de 1992 a 2004, o melhor gestor do domínio sírio sobre o seu país, delegando à Síria o poder régio em termos diplomáticos e militares, em troca do controle do trio sobre o Líbano. Um acto de alta traição cometido, no entanto, com total impunidade, e com o incentivo dos seus tutores internacionais, especialmente a França, que aliás é tão rápida a envolver-se na dignidade violada sempre que estão em jogo os seus interesses patrimoniais.

Homem dependente dos sauditas, líder da luta ocidental no Líbano em parceria com o maior criminoso da guerra libanesa, Samir Geagea, além de ter sido catapultado como «fazedor de Reis» pelos meios de comunicação ocidentais de que se tinha tornado a sensação, a promoção de Walid Joumblatt assinou, pelos desmentidos que implicava, a segunda morte do seu pai, Kamal Joumblatt, o carismático líder do Movimento Nacional Libanês.

Burocrata da revolução, este saltimbanco acabou por ser o coveiro do ideal socialista e democrático no Líbano e no Mundo árabe. Uma abjecção.

·         https://www.renenaba.com/liban-walid-joumblatt-requiem-pour-un-saltimbanque/

Para ir mais longe neste tema da «revolução laranja no Líbano», estes links

 

Sobre Gébrane Tuéni e Samir Kassir, a dupla que será despedaçada por atentados num ano marcado pelo assassinato de Rafiq Hariri, a retirada síria do Líbano na sequência desse assassinato, privando a «Revolução dos Cedros» de dois dos seus principais animadores.

·         https://www.renenaba.com/les-tribulations-de-la-presse-libanaise-2/

C – Os quatro principais problemas dos democratas libaneses com a Síria. 

Mandatada pela Liga Árabe para servir como força de interposição entre os beligerantes libaneses durante a guerra civil libanesa (1975-2000), a Síria acabaria por exercer uma tutela política de facto sobre o Líbano, extraindo abusivamente recursos do seu vizinho sob o pretexto de subsidiar os custos de estadia dos 30.000 soldados sírios no Líbano, que acabaria exangue após uma presença síria pesada de 19 anos.

Apesar de muitos problemas dos libaneses em relação ao poder sírio, o Líbano, através do Hezbollah, viria em auxílio da Síria, vencendo batalhas decisivas em Al Qoussayr e Al Qalmoun, enquanto uma grande parte da elite síria se tornava mercenária das petro-monarquias e participava na destruição do seu próprio país.

As principais queixas

1- A escolha de Abdel Halim Khaddam por Hafez Al Assad como pró-cônsul da Síria no Líbano, levando à conclusão de um pacto oportunista sunita entre Khaddam e Hariri, com vista ao saque sistemático do Líbano.

2- A decisão de Hafez Al Assad de autorizar Rafic Hariri, com o objectivo de agradar à Arábia Saudita, a tomar posse do centro da cidade de Beirute por uma ninharia, 75 milhões de dólares, com o intuito de limpar as destruições e erguer no lugar edifícios luxuosos, valorizando a fortuna de Hariri em cerca de 7,5 mil milhões de dólares. O centro de Beirute é agora o alicerce do poder financeiro de Hariri, tornando a família Hariri um elemento incontornável da vida política libanesa. EM BENEFÍCIO da Arábia Saudita.

3 - A escolha de Ghazi Kanaan como comandante-em-chefe do contingente sírio, que fará uma transação vergonhosa com Rafic Hariri: a concessão da nacionalidade libanesa a 40.000 árabes sunitas da planície de Bekaa, fazendo com que a cidade de Zahlé perdesse o seu carácter de grande cidade cristã do Líbano, tornando-se uma cidade mista. Teria recebido 800 milhões de dólares como preço dessa transação, pelo qual pagaria com a própria vida esta manipulação. De facto, Bashar Al Assad ter-lhe-á pedido que se suicidasse durante a investigação sobre o assassinato de Hariri, com os oficiais sírios temendo que Ghazi seguisse o mesmo caminho da traição que Khaddam.

No início da guerra da Síria, em 2011, os sunitas naturalizados aliaram-se aos jihadistas da Síria para promover atentados visando desestabilizar o Líbano, levando o Hezbollah a lançar seis ofensivas na área de Ersal Brital (fronteira sírio-libanesa) para controlar a situação e secar o pântano.

4 – Outra traição, a aliança do poder baathista durante a guerra do Líbano com as milícias falangistas, os melhores aliados de Israel na região, contra os palestinianos, especialmente durante o cerco de Tall Al Zaatar, Julho-Agosto de 1976.

Rafic Hariri, Walid Joumblatt e o seu factótum sírio, principais beneficiários do poder baathista, voltaram-se contra ele. Posicionando-se como arautos da Independência libanesa, juntaram-se à oposição offshore petro-monárquica para favorecer a queda do regime sírio, numa patética conspiração de vermes.

D- A Líbia e o jogo obscuro do Qatar para impor Abdel Hakim Belhadj como governador de Trípoli.

Mahmoud Jibril, Primeiro-ministro do governo rebelde líbio e testemunha de primeira mão do período de transição pós-Kadhafi, é categórico: o Qatar e a NATO facilitaram a tomada de poder de Trípoli pelo líder dos jihadistas líbios, Abdel Karim Belhadj, a quem combateram durante dez anos no Afeganistão, sem se questionarem sobre a pertinência da sua estratégia, nomeadamente a parceria com uma pessoa completamente contrária aos seus valores, à coerência do seu discurso moralizador e à credibilidade da sua política.

Segundo o próprio Mahmoud Jibril, «Doha quis, desde o início, entronizar o Emir dos agrupamentos islâmicos combatentes líbios no Afeganistão (GIGL), Abdel Hakim Belhadj, como o chefe dos revolucionários líbios (…). Enviado para Trípoli desde o Afeganistão, Abdel Hakim Belhadj foi apresentado aos chefes do estado-maior da NATO durante uma reunião dos chefes militares da coligação em Doha, em Agosto de 2011, onde fez um briefing sobre a situação militar na Líbia, em preparação para a ofensiva contra Trípoli. 

«O quartel-general das operações foi então transferido da Ilha de Djerba na Tunísia, já sob a autoridade do partido islamista An Nahda de Rached Ghannouchi, amigo do Qatar, para Zintane, no Djebel Nefoussa, na zona ocidental da Líbia. O Qatar usou métodos dilatórios para atrasar a conquista de Trípoli e permitir que Belhadj a tomasse primeiro, juntamente com o seu arsenal». – Fim do testemunho de Mahmoud Jibril.

O testemunho completo de Mahmoud Jibril neste link

·         https://www.renenaba.com/libye-an-iii-post-kadhafi-un-incubateur-de-dictateurs/

E – DESVIO e REDIRECCIONAMENTO do curso da Revolução devido à NATO, o foco das «grandes democracias ocidentais». 

Deixemos de lado a deriva sectária e mortífera do Hamas, único movimento de libertação nacional sunita, que abandonará à sua sorte os seus companheiros de luta, na origem do seu treino militar e dos seus êxitos, para se refugiar em Doha, a 30 km da base do CENTCOM, a mais importante base americana do terceiro mundo. 

Deixemos de lado o DESVIO do curso de uma revolução autenticamente popular na Tunísia e no Egipto, através do fluxo financeiro considerável do Qatar, em favor dos protegidos islamistas das petro-monarquias do Golfo, nomeadamente a Irmandade Muçulmana, a engrenagem da estratégia atlântica durante as guerras de libertação nacional do Mundo árabe.

Vamos passar pelo DESVIO de uma revolução autenticamente popular contra o arbítrio monárquico no Bahrein, em Fevereiro de 2011, e pelo seu desvio para as margens republicanas do Mediterrâneo (Líbia, Síria), dois países sem dívida externa, de modo a proteger as dinastias criticadas desta zona altamente inflamável do Golfo. E não nos devemos surpreender, portanto, à semelhança de um intelectual desviado pelos seus pressupostos ideológicos, que não haja «Primavera na Síria».

Idiota útil do terrorismo islâmico, este islamofílico, antigo residente francês em Damasco, François Burgat, conhecido como Burka devido às suas palas ideológicas, deveria ter-se apercebido desta realidade óbvia: se não houve Primavera na Síria, é porque não houve Primavera nem no Bahrein, nem na Arábia Saudita, o «Reino das trevas» absoluto da época contemporânea. 

Sobre o papel dos intelectuais franceses na guerra da Síria

 

·         https://www.madaniya.info/2017/01/06/les-islamophilistes-francais-idiots-utiles-du-terrorisme-islamiste/

 

Epílogo: Sobre a Democracia e a paródia da democracia.

A democracia não pode ser unidireccional, exclusivamente dirigida contra os países árabes com estrutura republicana. Iniciada por autocratas, sob protectorado atlântico, contra as aspirações legítimas dos povos.

Uma tal estratégia aberrante resultou na regressão da democracia no mundo árabe, na regressão da própria ideia de democracia, agora vista como uma manobra do Ocidente para perpetuar a sua dominação na região. Até mesmo uma rejeição do Ocidente pelos verdadeiros democratas árabes. Um absoluto equívoco estratégico.

·         https://www.madaniya.info/2017/01/02/l-hecatombe-de-guerre-de-syrie-six-ans-apres-declenchement/

Fenómeno importante da época contemporânea, a «primavera árabe» marcou o regresso do neocolonialismo ocidental em território árabe, sob o pretexto de democracia, em parceria com uma constelação de petromonarquias entre as mais repressivas e regressivas do planeta, revelando, ao mesmo tempo, uma multidão de seres de «lugar nenhum (+anywhere+), fora da terra, gananciosos, covardes, vis e servis; a ilustração mais evidente da fragilidade das convicções intelectuais das elites árabes, da sua vulnerabilidade ao petrodólar e, por último mas não menos importante, da sua prostração perante o ditame da doxa oficial ocidental.

Uma fissura mental absoluta, enquanto do outro lado a opinião ocidental, supostamente o motor da democracia, revelava a sua docilidade, até mesmo a sua domesticação, na mais impressionante operação de condicionamento da opinião, acreditando viver numa democracia que na verdade é apenas uma aparência de democracia. Uma paródia de democracia. 

O mundo árabe foi o maior perdedor da "Primavera árabe", com nada menos que seis países totalmente desarticulados (Líbia, Sudão, Síria, Iraque, Iémen, Somália), a Palestina, engolida por Israel, e a tesouraria árabe exangue.

Desde o início da história da humanidade, é aceite que os seres humanos andam com os pés e pensam com a cabeça. Por razões que escapam à compreensão, talvez pelo duplo efeito euforizante da bajulação ocidental e das influências das autoridades, os árabes escolheram a opção inversa: andar sobre a cabeça e pensar como um pé.

No fim deste desastroso surto de loucura, é tempo de os árabes encontrarem o caminho da decência. O caminho da rectidão. O caminho da dignidade e do respeito por si próprios.

 

René Naba

Jornalista-escritor, antigo responsável pelo Mundo árabe-muçulmano no serviço diplomático da AFP, depois conselheiro do director-geral da RMC Médio Oriente, responsável pela informação, membro do grupo consultivo do Instituto Escandinavo dos Direitos Humanos e da Associação de Amizade Euro-Árabe. De 1969 a 1979, foi correspondente itinerante no escritório regional da Agence France-Presse (AFP) em Beirute, onde cobriu, entre outros, a guerra civil jordano-palestiniana, o «Setembro Negro» de 1970, a nacionalização das instalações petrolíferas do Iraque e da Líbia (1972), cerca de uma dezena de golpes de Estado e sequestros de avião, assim como a guerra do Líbano (1975-1990), a 3.ª guerra israelo-árabe de Outubro de 1973, as primeiras negociações de paz egípcio-israelitas na Mena House, no Cairo (1979). De 1979 a 1989, foi responsável pelo mundo árabe-muçulmano no serviço diplomático da AFP, depois conselheiro do director-geral da RMC Médio Oriente, encarregue da informação, de 1989 a 1995. Autor de "A Arábia Saudita, um reino das trevas" (Golias), "Do Bougnoule ao selvagem, viagem no imaginário francês" (Harmattan), "Hariri, de pai para filho, homens de negócios, primeiros-ministros" (Harmattan), "As revoluções árabes e a maldição de Camp David" (Bachari), "Média e Democracia, a apropriação do imaginário como desafio do século XXI" (Golias). Desde 2013, é membro do grupo consultivo do Instituto Escandinavo dos Direitos Humanos (SIHR), sediado em Genebra. Além disso, é vice-presidente do International Center Against Terrorism (ICALT), Genebra; presidente da associação de caridade LINA, actuando nos bairros Norte de Marselha, e presidente honorário de 'Car tu y es libre', (Quartier libre), dedicada à promoção social e política das zonas periurbanas do departamento de Bocas do Ródano, no sul de França. Desde 2014, é consultor do Instituto Internacional para a Paz, Justiça e Direitos Humanos (IIPJDH) (IIPJDH) com sede em Genebra. Desde 1 de Setembro de 2014, é responsável pela coordenação editorial do site https://www.madaniya.info  e apresentador de uma rubrica semanal na Radio Galère (Marselha), às quintas-feiras das 16h às 18h.

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Fonte: De la régression de l'dée de la démocratie dans le Monde arabe, huit ans après le printemps arabe - Madaniya

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice



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