Armamento: E Tudo o Vento Levou 2/2
11 de Agosto de 2026 Robert Bibeau
Porr René Naba. Em Armement : Autant en emporte le vent 2/2 – En point de mire
O surto popular árabe do Inverno de 2011 com o derrube de duas ditaduras, Hosni Mubarak (Egipto) e Zine El Abidine…
Por: René Naba – em: Política Iémen – a
25 de Fevereiro de 2011
O surto popular árabe do Inverno de
2011, com a queda de duas ditaduras – Hosni Mubarak (Egipto) e Zine El Abidine
Ben Ali (Tunísia) – e os levantamentos em oito países árabes (Líbia, Bahrain,
Iémen, Argélia, Marrocos, Jordânia, Iraque) ilustram como os líderes árabes usam
o seu armamento excessivo, reprimindo os seus concidadãos em vez de defender o
espaço nacional árabe contra os seus verdadeiros inimigos (Israel) ou virtuais
(Irão).
O contrato de 123 mil
milhões de dólares, fechado no Outono de 2010 entre a América e quatro países do Golfo, para
reforçar a sua capacidade defensiva «face ao Irão», é um testemunho claro desta
política de despesa exagerada para fins militares.
OPEP versus OPEA: A vitória dos
comerciantes de armas sobre os petrolíferos (1)
Longe de ser um exercício de auto-flagelação, a constatação é evidente e o
balanço é desolador. Durante quase um quarto de século, de 1970 a 1994, período
marcado por uma sucessão ininterrupta de grandes conflitos — a guerra civil
jordano-palestiniana do «Setembro Negro» de 1970, a terceira guerra
israelo-árabe de Outubro de 1973, a guerra do Líbano (1975-1990), a guerra
Irão-Iraque (1980-1989), a segunda Guerra do Golfo (1990-1991), para não falar
da invasão norte-americana do Iraque em 2003, o Médio Oriente absorveu 45 por
cento das armas vendidas ao Terceiro Mundo, trinta por cento do total das
compras mundiais de armamento, ao passo que a sua população representa apenas
5% da população mundial, a ponto de chegar a possuir mais armamento por
habitante (no que diz respeito a tanques e artilharia) do que a totalidade dos
cerca de trinta países europeus incluídos nos antigos Pactos da NATO e de
Varsóvia (2)
Na primeira linha dos «conflitos que consomem o orçamento», destacam-se a
guerra iraquiano-iraniana (1979-1989) e a Guerra do Golfo (1990-, 1991), que
comprometeram de forma duradoura o desenvolvimento económico da região, bem
como a guerra do Líbano (1975-1990), que desestruturou completamente um país
que outrora era um pioneiro no mundo árabe, tanto a nível económico como no que
diz respeito à prática democrática.
A um ritmo de quinhentos milhões de dólares por mês para cada uma das
partes beligerantes ao longo de nove anos, o conflito entre o Iraque e o Irão,
um dos mais mortíferos da era contemporânea, com um milhão de vítimas (300 000
mortos e 700 000 feridos), terá custado a bagatela de 108 mil milhões de
dólares, sem contar com os danos colaterais infligidos por ocasião da «guerra
dos petroleiros » (258 navios de carga, petroleiros e navios de cabotagem
destruídos), provocando, em termos de tonelagem, perdas marítimas comparáveis
às registadas durante a Segunda Guerra Mundial. Estes dados não incluem as
despesas com armamento.
Os árabes gastaram 426 mil milhões de dólares na compra de armamento
durante a década de 1980-1990 e 60 mil milhões de dólares apenas nos dois anos
que se seguiram à Guerra do Golfo (1991-1992).
Só o Kuwait gastou, em cinco anos (1990-1995), a soma astronómica de 70 mil
milhões de dólares para financiar simultaneamente o esforço de guerra da
coligação internacional e a sua reconstrução, bem como para preservar a sua
independência através de compras massivas de equipamento militar e de material
de segurança.
Devido aos seus custos operacionais, aos danos causados e aos prejuízos
decorrentes, as duas guerras contra o Iraque (1990-1991 e 2003) terão custado a
bagatela de mil seiscentos e setenta (1 670) mil milhões de dólares, esgotando
os excedentes financeiros governamentais e congelando um grande número de projectos
de desenvolvimento de dimensão inter-árabe.
A guerra da coligação internacional contra o Iraque, na sequência da
ocupação do Kuwait (1990-1991), custou 670 mil milhões de dólares aos países
árabes, de acordo com o relatório do Conselho da Unidade Económica Árabe
publicado em Agosto de 1995 no Cairo, enquanto a invasão norte-americana do
Iraque, em 2003, infligiu, por sua vez, perdas da ordem dos mil mil milhões de
dólares (931 milhões de euros) ao produto interno bruto (PIB) dos países
árabes, devido às baixas civis e militares, à degradação do ambiente causada
pela utilização de minas e de armas de destruição maciça — nomeadamente o
urânio empobrecido —, da diminuição das receitas dos transportes aéreos e
marítimos e do aumento do custo dos seguros e resseguros (3).
Doze mil mil milhões de dólares de perdas no Médio Oriente desde 1991.
O Strategic Foresight Group (SFG), por seu lado, estima em 12 mil milhões
de dólares o montante perdido na sequência das guerras que assolam todo o Médio
Oriente desde 1991. Este custo abrange tanto as perdas humanas como os danos
infligidos ao ambiente, com repercussões na água, no clima e na agricultura,
passando pelo crescimento demográfico e pelo desemprego, a emigração, o aumento
das rendas, o preço do petróleo e até mesmo a educação.
O relatório de 170 páginas baseia-se em 95 parâmetros. Mais de cinquenta
especialistas de Israel, dos territórios palestinianos, do Iraque, do Líbano,
da Jordânia, do Egipto, do Qatar, do Kuwait e da Liga Árabe participaram neste
estudo conduzido por este grupo de reflexão sediado na Índia e apoiado pela
Suíça, pela Noruega, pelo Qatar e pela Turquia. O investigador indiano Sundeep
Waslekar, presidente do SFG, esclarece:
«Temos de falar de uma cascata de custos, parte dos quais não é
quantificável financeiramente, como as violações da dignidade humana. » O
relatório destaca, por exemplo, as centenas de milhares de horas de trabalho
perdidas pelos palestinianos nos postos de controlo (barreiras israelitas).
Revela também que 91% dos israelitas vivem num sentimento perpétuo de medo e
insegurança.
Às vésperas do século XXI, o mundo árabe surge, assim, como uma zona sob
tutela, marcada por uma presença militar estrangeira tão significativa quanto
na época colonial, com um país importante, o Iraque, sob o domínio americano,
bases no Golfo e instalações militares em dez países árabes, incluindo o Egipto
e a Arábia Saudita, dois dos principais líderes do mundo árabe, ou seja, metade
dos Estados da Liga Árabe.
Pela primeira vez na história, a presença militar norte-americana é
institucionalizada nas zonas petrolíferas do Golfo e da Península Arábica, no
epicentro do mundo árabe, Bagdade, a antiga capital do Império abássida.
Enfraquecidos pela onda islamista anti-americana e pelo tributo de guerra
exigido por Washington aos seus vassalos monárquicos, o Reino wahhabita — que
nunca foi colonizado, nem mesmo sob o Império Otomano —, o Kuwait e o Qatar encontram-se
também sob um «protectorado de facto» dos Estados Unidos. Setenta anos após a
descolonização do Terceiro Mundo, a ordem americana substituiu a ordem árabe.
As convulsões bélicas no espaço árabe do último quarto de século
(1975-2000) deixaram assim para trás 73 milhões de pobres, 65 milhões de
analfabetos, dez milhões de sub-alimentados e doze milhões de desempregados,
representando 15 por cento da mão-de-obra num mercado de trabalho gravemente
segmentado e disfuncional. O PIB (produto interno bruto) dos 21 países da Liga
era ligeiramente superior ao da Espanha, em 1999, representando metade do PIB
per capita da Coreia, com um quinto da população a viver com menos de dois
dólares por dia.
De acordo com o relatório de 2009 sobre o desenvolvimento económico do
mundo árabe, a região regista a taxa de desemprego mais elevada do mundo,
situando-se nos 14,4 %, enquanto a média mundial é de 6,3 %. Tendo em conta o actual
crescimento demográfico, os países árabes terão de criar 50 milhões de postos
de trabalho até 2020 para absorver o aumento previsto da população activa. «A
tão alardeada riqueza dos países árabes proveniente dos hidrocarbonetos
apresenta uma imagem enganadora da sua situação económica, que encobre as
fraquezas estruturais de muitas economias árabes e a insegurança dos países e
das populações daí resultante», afirma Walid Khadduri, consultor do Middle East
Economic Survey e membro da equipa principal de redacção do Relatório Árabe
sobre o Desenvolvimento Humano de 2009.
Vinte por cento (20 %) da população da região árabe vive abaixo do limiar
de pobreza internacionalmente reconhecido de 2 dólares por dia. No entanto, uma
proporção muito mais elevada da população dos países analisados no relatório
vive abaixo do limiar de pobreza nacional e não consegue satisfazer as suas
necessidades básicas. De facto, dois em cada cinco árabes (2 em 5) vivem na
pobreza. O número de pessoas que sofrem de desnutrição na região passou de 19,8
milhões em 1990-1992 para 25,5 milhões em 2002-2004. Mais grave ainda, uma falta
generalizada de segurança humana constitui um obstáculo ao desenvolvimento
humano, na medida em que a segurança humana não é apenas uma questão de
sobrevivência, mas para que as populações em situação de risco possam retomar o
rumo para uma vida mais estável, através de estruturas políticas, económicas,
sociais e culturais que garantam um futuro melhor.
O mundo árabe conta com trezentos e vinte mil (320 000) milionários, cuja
fortuna totaliza 1,1 triliões de dólares (três mil mil milhões de dólares), mas
a investigação científica, apesar de ser um dos motores do crescimento
económico e estratégico árabe, continua a ser uma actividade marginalizada e
surge como o verdadeiro parente pobre das ciências humanas.
O mundo árabe conta com 8 000 investigadores (contra 400 000 nos Estados
Unidos), alguns dos quais figuram entre os cérebros mais brilhantes do planeta,
como o egípcio-americano Ahmad Zewail, Prémio Nobel da Química de 1999,
professor de Física e Química na Universidade Caltech (Estados Unidos) e o primeiro
árabe a receber esta distinção. No entanto, o mundo árabe dedica apenas quatro
dólares por habitante à investigação científica, ou seja, 300 vezes menos do
que os Estados Unidos, enquanto os orçamentos destinados à investigação
representam, em média, apenas 0,25% do PIB nos países árabes, contra 3 a 3,5%
nos países desenvolvidos. A nível universitário, as cerca de 200 universidades
árabes dedicam cerca de 1% do seu orçamento anual à investigação, enquanto nos
Estados Unidos esta percentagem ultrapassa frequentemente os 40%.
Quase cinquenta anos depois de ter empunhado a arma do petróleo, em Outubro
de 1973, na sequência da terceira guerra israelo-árabe, a OPEP (organização dos
países exportadores de petróleo), particularmente o grupo árabe do qual era a vanguarda
na luta pela sua independência energética e promoção política, acabou por ceder
perante a OCEA (organização dos países exportadores de armas), aumentando de
forma duradoura a dependência árabe. Este resultado foi confirmado pela
primeira guerra do Golfo, que constitui a 'primeira aliança militar objectiva
entre Israel, o Egipto e as petro-monarquias árabes, mas também a primeira
guerra Norte-Sul pela realização da união sagrada dos consumidores de petróleo
contra um dos seus principais fornecedores do Sul' (4). Um feito financiado,
para mais, convém salientar, com dinheiros árabes.
Por uma ruptura com a lógica de vassalagem
Para além desta crónica de uma desgraça anunciada, três verdades se impõem:
1ª verdade: O mundo árabe deve ao Irão
parte da sua cultura e ao Islão, por um lado, o seu alcance, quer se trate do
filósofo Al Fârâbî, do compilador dos ditos do profeta Al Boukhary, do
linguista Sibawayh, do teórico do sunismo Al Ghazali, dos historiadores Tabari
e Shahrastani, do matemático Al Khawarizmi (Logaritmos), e naturalmente do
narrador do famoso romance Kalila wa Doumna, Ibn al Moukaffah e Avicena, e a
expansão do Islão na Ásia Central até às fronteiras da China não poderia ter
ocorrido sem passar pela plataforma iraniana.
2.ª verdade: O mundo árabe deve ao Irão uma reviravolta
estratégica que teve como efeito neutralizar, em certa medida, os efeitos desastrosos
da derrota árabe de Junho de 1967, ao substituir um regime aliado de Israel, a
dinastia Pahlévi, o melhor aliado muçulmano do Estado hebreu, por um regime
islâmico, que assumiu a posição árabe inicial selada pela cimeira árabe de
Cartum (Agosto de 1967) dos «Três NÃO» (não ao reconhecimento, não à
normalização, não à negociação) com Israel, proporcionando ao conjunto árabe
uma profundidade estratégica ao libertá-lo do cerco israelo-iraniano, que o
prendia numa aliança de flancos opostos, compensando assim a exclusão do Egipto
do campo de batalha devido ao seu tratado de paz com Israel. A Revolução
Islâmica no Irão foi proclamada a 9 de Fevereiro de 1979, um mês antes do
Tratado de Washington entre Israel e o Egipto, a 25 de Março de 1979.
Em troca, os árabes, numa atitude de rara ingratidão, travaram contra o
Irão — já sob embargo — uma guerra de dez anos, através do Iraque, eliminando
de passagem o carismático líder da comunidade xiita libanesa, o imã Moussa Sadr
(Líbia, 1978), combatendo simultaneamente a União Soviética no Afeganistão, o
principal fornecedor de armas dos países que lutavam contra Israel.
3.ª verdade: O mundo árabe lançou-se, de forma desmedida, numa política de aquisição de equipamento militar durante meio século, pagando à vista somas colossais por arsenais obsoletos e por fornecimentos sujeitos a condições políticas e militares draconianas, enquanto, paralelamente, os Estados Unidos dotavam Israel, a título gratuito, do seu armamento mais sofisticado.
Israel beneficiou, a este título, de cinquenta e um (51) mil milhões de
dólares em subsídios militares desde 1949, a maior parte desde 1974, mais do
que qualquer outro país no período posterior à Segunda Guerra Mundial, de
acordo com um estudo do especialista em assuntos militares Gabriel Kolko,
publicado na revista «Counter Punch» em 30 de Março de 2007 (5).
A este montante, convém acrescentar 11,2 mil milhões de dólares em empréstimos
para equipamento militar, bem como 31 mil milhões de dólares em subvenções
económicas, sem contar com a promessa de George Bush Jr., no final do seu
mandato, de fornecimentos na ordem dos trinta mil milhões de dólares, incluindo
mísseis guiados a laser, bombas de fragmentação, bombas de implosão e uma
cúpula de aço de protecção anti-balística, com o objectivo de preservar a
supremacia militar israelita no Médio Oriente.
Por duas vezes, ao longo do último quarto de século, os países árabes
participaram em guerras longínquas por complacência para com o seu aliado
americano, por vezes em detrimento dos interesses a longo prazo do mundo árabe,
chegando mesmo a afastar um aliado natural, o Irão, um vizinho milenar, na mais
longa guerra convencional da era contemporânea, sem, no entanto, beneficiarem
da consideração do seu patrocinador americano.
No auge do seu poder, no ponto mais forte da sua aliança com o Irão, os
Estados Unidos nunca conseguiram fazer com que estas três ilhas fossem
devolvidas ao seu legítimo proprietário árabe. Numa fase de poder relativo,
será que conseguirá, pelo menos, proteger de forma duradoura estes pontos de
apoio regionais, num momento em que os seus reveses no Iraque e no Afeganistão
a colocam na defensiva, enquanto, paralelamente, o Irão, fortalecido pelo
domínio da tecnologia nuclear e pelos sucessos militares dos seus aliados
regionais, o Hezbollah (Líbano), Moqtada Sadr (Iraque) e o Hamas (Palestina),
se apresenta como o antítese perfeita da servidão monárquica, com uma influência
que se projecta muito além das zonas com fortes minorias xiitas árabes nas
regiões petrolíferas da Arábia Saudita, do Bahrein, do Kuwait, do Iraque e na
zona fronteiriça com Israel, no sul do Líbano, estendendo-se a toda a esfera
árabe-muçulmana?
Mais concretamente, será que a América conseguirá proteger os seus aliados
das turbulências internas alimentadas pelos repetidos excessos monárquicos, em
total desfasamento com as duras condições da realidade quotidiana da maioria
dos seus concidadãos e que corroem inexoravelmente os alicerces do seu poder?
O mundo árabe gastou cerca de dois mil mil milhões de dólares em despesas
militares desde o último terço do século XX, ou seja, cerca de 50 mil milhões
de dólares por ano, em média, sem ter conseguido dotar-se nem de uma capacidade
de projecção de poder, nem de uma capacidade de dissuasão nuclear, muito menos
de capacidade espacial de inteligência, todos eles atributos do poder moderno
de que carece cruelmente na era da sociedade da informação e da sua aplicação
militar, a «guerra da informação».
Tal disparidade de tratamento entre israelitas e árabes perante os
americanos — uns equipando-se de graça, enquanto os outros são obrigados a
pagar em dinheiro, apesar da contribuição financeira e humana dos países árabes
para as missões americanas, tanto no Afeganistão como na Nicarágua, contra o
bloco soviético, bem como o seu comportamento errático em relação aos seus
aliados naturais (a União Soviética e o Irão), explicam o descrédito do mundo
árabe na cena internacional e parte do seu colapso estratégico.
A recente digressão de Hillary Clinton, secretária de Estado, pelo Golfo, a
10 de Janeiro de 2011, com o objectivo de mobilizar as monarquias petrolíferas
contra o Irão, na véspera da conferência de Ancara entre o Irão e os países
ocidentais, parece ter sido prejudicada pelas revelações do WikiLeaks sobre a
duplicidade e a conivência dos países árabes do Golfo em relação ao seu vizinho
iraniano. O Sultanato de Omã, o mais pró-ocidental dos Estados da região, que
acolhe a base aeronaval britânica de Massirah, recusou-se a aderir a novas
sanções. Omã prevê a construção de um porto estratégico em AD DOKKOM, na
intersecção do Golfo Árabe-Persa com o Oceano Índico, para servir de porta de
saída para o mercado iraniano e para a Ásia Central. Este projecto, no valor de
26 mil milhões de dólares, seria prolongado por uma linha ferroviária que
conduziria ao porto de SAHHAR e, mais além, ao porto iraniano de Bandar Abbas,
o ponto de trânsito para o Irão e o Cáucaso.
Esta deveria ser a lição a meditar, numa altura em que as monarquias
petrolíferas se lançam numa aventura de consequências incertas, mais uma
iniciativa para satisfazer as necessidades estratégicas do seu senhor
americano, em benefício do seu aliado israelita.
Esta é a lição a meditar para evitar que os factótums sunitas voltem a ser
«os tolos da festa», motivo de riso em todo o planeta, os grandes perdedores da
história, arrastando na sua queda todos os países árabes. A destituição de
Hosni Mubarak (Egipto), de Zine El Abidine Ben Ali (Tunísia) e o vento do leste
que faz balançar o Bahrein, a Líbia, a Jordânia, o Iémen, a Argélia e o
Marrocos são a prova de um surto salutar de resistência.
A não ser que se queira levar o mundo árabe a um declínio irreversível, é
necessário romper claramente com a lógica de vassalagem, enquanto a cena
internacional se dirige para um choque entre o líder em ascensão (a China) e a
potência em declínio (os Estados Unidos), envolvendo uma vasta redistribuição
das cartas geo-políticas a nível mundial.
Referências
1- Quanto à questão do colapso árabe, ver «Nas origens da tragédia árabe»,
de René Naba – Edições Bachari, Paris, 2006, em especial o prólogo «Uma
democracia catódica»
2- Marie Luce Dumas em «Médio Oriente/Ocidente: Ordens e desordens»,
Armamento, corridas e controlo — Les Cahiers de l’Orient n.º 29, primeiro
trimestre de 1993, e «As cem portas do Próximo Oriente» — Alain GRESH e
Dominique Vidal — Edições de l’Atelier, Outubro de 1996.
3- Declaração de MILWATT TALLAMI, secretário-geral da Comissão Económica e
Social das Nações Unidas para a Ásia Ocidental (ESCWA), em *Le Monde*, 2 de Abril
de 2003. A isto há que acrescentar as perdas das instituições financeiras
árabes, em 1997-1998, da ordem dos cem (100) mil milhões de dólares, devido ao
colapso da economia russa e à crise financeira asiática. Registou-se uma perda
de cinquenta mil milhões de dólares durante a queda da bolsa de Outubro de
1997, devido à desvalorização dos seus investimentos no estrangeiro, que são
estimados entre 600 e 800 mil milhões de dólares, metade dos quais pertencentes
às monarquias petrolíferas do Golfo, estando a maior parte concentrada nos
grandes países industrializados (Estados Unidos, Grã-Bretanha, Alemanha, Suíça,
França), dos quais 20 por cento em títulos do Tesouro. (Al-Charq Al-Awsat, 9 de
janeiro de 1999).
4- Jacques Attali, «VERBATIM», Volume 3 (1988-1991) — Fayard — Outubro de
1995- Gabriel Kolko, spécialiste de l’histoire militaire, est l’auteur de
plusieurs ouvrages de référence
-«Anatomie d’une guerre, le Vietnam, les Etats-Unis et l’expérience historique
moderne »
-«La grande histoire de la Guerre mondiale
-«Century of war: Politique, conflits et société depuis 1945 »
Fonte: Armement
: Autant en emporte le vent 2/2 – les 7 du quebec
Este artigo foi traduzido para Língua
Portuguesa por Luis Júdice

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