sexta-feira, 7 de agosto de 2026

O mundo pode estar a arder... Mas Há Uma Alternativa

 


O mundo pode estar a arder... Mas Há Uma Alternativa

 

Sempre que ligamos a televisão, ouvimos a rádio ou olhamos para os nossos telemóveis, deparamo-nos com mais notícias sombrias sobre mais uma guerra, mais uma atrocidade, mais uma disputa entre chefes de Estado que aproxima a humanidade do precipício. O mundo parece estar a entrar numa espiral fora de controlo e os sinais de alerta de que se avizinha um conflito mais generalizado são agora difíceis de negar.

 

Um Mundo em Guerra

As tentativas dos EUA e de Israel de mudança de regime no Irão falharam e, em vez disso, a guerra continua. O Estreito de Ormuz — uma das rotas comerciais mais importantes do mundo — continua efectivamente bloqueado, dificultando o transporte de petróleo e gás e aumentando os preços em todo o mundo. Na Palestina e no Líbano, apesar dos alegados "cessar-fogos", Israel continua a matar, visando crianças na Faixa de Gaza. Na Cisjordânia, as IDF apoiam abertamente os colonos que agora dominam o gabinete de segurança israelita, que aprovou mais de 430 milhões de dólares para estabelecer 34 novos colonatos nas suas tentativas de expulsar ou assassinar palestinianos. Entretanto, no Sudão, Congo e Myanmar, guerras civis prolongadas entre grupos étnicos, forças proxy e estados falhados estão a trazer doenças, mortes e devastação a áreas inteiras do planeta. Instituições internacionais como a ONU falam agora abertamente de genocídios e crimes contra a humanidade já cometidos ou em processo em locais como Gaza, Sudão ou Myanmar. Tal é a natureza da guerra imperialista. Na Ucrânia, a invasão russa oscila entre o impasse e a escalada, à medida que armas, tanques, artilharia e cada vez mais drones obliteram recrutas e infraestruturas de ambos os lados. E as frentes de guerra estão a juntar-se – os recentes ataques da Ucrânia a navios mercantes iranianos com destino à Rússia no Mar Cáspio são acompanhados pela retomada da guerra dos Houthis com a Arábia Saudita no Estreito de Mandeb em apoio ao Irão, sufocando assim outra rota comercial mundial chave.

Estes são apenas alguns dos conflitos mais proeminentes entre os muitos em curso que trazem miséria a milhões em todo o mundo.

Licitação pela Supremacia Mundial: EUA vs. China

Na raiz de muitos destes conflitos está uma corrida pela dominação mundial entre dois impérios. A China vê os EUA como uma potência em declínio e sente uma oportunidade para os ultrapassar, tanto económica como militarmente. Face a isto, os EUA têm-se agarrado desesperadamente ao seu lugar no topo da hierarquia internacional, minando ou atacando sistematicamente os interesses chineses e aliados chineses em todo o mundo. Vemos isso no Irão, Ucrânia, Venezuela, Cuba.

E, no entanto, a perspectiva de outro colapso financeiro está a moldar os planos de todos os concorrentes...

Crise Capitalista: O Elefante na Sala

Por que razão todos estes conflitos se estão a intensificar agora? Desde o fim do boom do pós-guerra, na década de 1970, o sistema capitalista tem ido de expediente em expediente. O colapso da URSS ocorreu sem uma guerra mundial, mas permitiu a ascensão da China como um centro de produção de baixo custo. Milhões de operários no Ocidente perderam os seus empregos devido à externalização, à desregulamentação e à mundialização em geral, enquanto a financeirização, a automatização e, agora, a mania da IA permitem que o capitalismo continue a cambalear. Nenhuma destas medidas resolveu as contradições centrais de um sistema assente na exploração da maioria por parte de uma minoria, nem conseguiu restaurar o tipo de rentabilidade capaz de gerar outro boom económico. Em vez disso, vemos por todo o lado estagnação e aquilo a que se tem chamado popularmente «enshittification» (o declínio gradual das plataformas e serviços digitais – NdT). A classe dominante está a ficar sem opções, voltando-se cada vez mais uns contra os outros para proteger os seus espólios.

No altar do lucro, o sistema capitalista sacrifica a nossa saúde física e mental, as artes e a cultura, bem como o ambiente natural. Em vez disso, o dinheiro e os recursos estão a ser cada vez mais desperdiçados na corrida para a guerra. Para as pessoas da classe operária que ainda têm a sorte de não viver em zonas de conflito aberto, a realidade quotidiana traduz-se em serviços de saúde em colapso, um sistema educativo sobrecarregado, ruas comerciais em declínio e menos empregos no ridículo «mercado de trabalho». Não admira que tantos estejam insensibilizados e deprimidos. Não admira que tantos estejam zangados, acreditando tragicamente nas mentiras divisórias da direita populista e direccionando essa raiva contra os migrantes, especialmente aqueles «de cor», em vez de contra um sistema capitalista que já não funciona para a humanidade.

A Classe Operária Detém a Chave para um Novo Mundo

À medida que os focos de tensão da crise capitalista se unem numa imensa conflagração, estamos a avançar a toda a velocidade para aquilo a que Marx e Engels outrora chamaram a «ruína comum das classes em conflito». O fosso que separa os ricos dos pobres nunca foi tão vasto. Não podemos esperar que a classe dominante acorde um dia, perceba o erro dos seus caminhos e desista da sua busca incessante pelo lucro para que todos possamos finalmente começar a consertar o mundo. Por isso, cabe à classe operária — a vasta maioria da população mundial, cujo trabalho sustenta todo o sistema mundial de produção de lucro — tomar as rédeas da situação.

Nunca foi tão evidente que a classe operária é uma classe mundial, alvo de ataques por parte de um sistema mundial que, de uma forma ou de outra, está a destruir as bases da vida na Terra. Todos partilhamos o mesmo interesse — o fim do capitalismo e a criação de um novo mundo baseado na solidariedade, na cooperação e na produção de acordo com as necessidades. Numa posição única, no cerne da produção de mercadorias, nós, os operários, detemos o poder de pôr o sistema de joelhos através da nossa resistência nos nossos locais de trabalho e nas nossas comunidades. Ainda hoje há sinais dessa reacção na forma de greves (como na Bolívia e em Portugal), protestos em massa (como no Chile e na Índia) e resistência ao serviço militar obrigatório (como na Ucrânia), para citar alguns exemplos. Embora estes tenham permanecido isolados e, por isso, efémeros, esgotando as suas energias ou sendo canalizados de volta para o pântano reformista do capitalismo, deram a entender um desafio às forças dominantes. O que ainda falta é uma unidade de classe e uma auto-organização mais abrangentes, bem como um objectivo político comum. Não podemos conjurar as faíscas da luta de classes, mas quanto mais de entre nós estiverem já politicamente preparados para a revolução, mais cedo a classe operária, no seu conjunto, será capaz de se livrar do capitalismo em ruínas. Neste sentido, o futuro da humanidade em todo o mundo pertence à classe operária.

O artigo acima é retirado da edição actual (n.º 76) do Aurora, boletim da Organização dos Operários Comunistas.

Quinta-feira, 6 de Agosto de 2026

 

Fonte: The World May Be on Fire... But There Is An Alternative | Leftcom

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




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