quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Onda de Calor Europeia: Um Novo Normal Mortal

 


Onda de Calor Europeia: Um Novo Normal Mortal

Alguns ainda se devem lembrar do infame Verão de 1976, quando durante 24 dias o Reino Unido sofreu com temperaturas acima de 30°C, as colheitas falharam e os preços dos alimentos dispararam. O Verão de 2026 já ultrapassou esse número recorde de dias com temperaturas acima de 30°C de há 50 anos atrás. O que antes era algo raro, que poderia acontecer uma vez por geração, tornou-se agora um evento regular. As temperaturas entre 2015-2024 estiveram, em média, 1,2°C mais quentes do que a média de 1961-1990, e em 2022 o Reino Unido registou pela primeira vez uma ocorrência de 40°C.

 

Mortes por Calor e Incêndios Florestais

Para além de incómodos como queimaduras acidentais de sol ou suar excessivamente, o impacto desta onda de calor actual já contribuiu para a morte de milhares das pessoas mais vulneráveis no Reino Unido. O Met Office reportou aproximadamente 2.700 mortes em excesso em Inglaterra e no País de Gales só em Maio e Junho. As mortes por calor podem afectar qualquer pessoa, mas são especialmente aqueles com 65 anos ou mais, ou aqueles com condições de saúde subjacentes, que estão em risco. O que agrava este efeito é que as pessoas nas áreas mais desfavorecidas também são provavelmente as mais afectadas. Quer seja calor extremo ou frio extremo, as condições meteorológicas adversas afectam aqueles que vivem em pobreza energética, vivem em habitações mal equipadas ou têm dificuldades em aceder a cuidados de saúde e apoio.

Outra consequência das ondas de calor recorde são, claro, os incêndios florestais. Os serviços de bombeiros e resgate em Inglaterra e no País de Gales responderam a mais de 200 incidentes de incêndios florestais em apenas duas semanas em julho e, no momento da redação, o Parque Nacional dos Cairngorms, na Escócia, continua a arder. Centenas de pessoas foram evacuadas como resultado, mas os danos e a perda de vidas estendem-se também ao ambiente e à vida selvagem que nos rodeia. Muitos destes incêndios têm ocorrido em áreas já sensíveis (os Cairngorms, por exemplo, contêm 25% das espécies ameaçadas do Reino Unido).

A situação é ainda mais extrema no continente, com temperaturas recorde superiores a 40ºC atingidas em vários países, e vastos incêndios florestais em França e Espanha que forçaram a evacuação de mais de 300.000 pessoas.

Nenhuma solução capitalista à vista

O Estado do Reino Unido fez muito pouco no que toca a programas ou sistemas para ajudar quem luta contra o calor, para além de conselhos simples como beber mais água e ficar dentro de casa (não é fácil quando se tem de trabalhar!).

A resposta tem sido pouco melhor a nível mundial. A conferência COP30 em 2025 proclamou a intenção de manter viva a meta de 1,5ºC, mas um Relatório da ONU sobre a Diferença de Emissões de 2024 concluiu que as políticas actuais significam que as temperaturas podem subir até 3,1ºC até 2100 e, mesmo que as promessas sejam cumpridas, o que historicamente não aconteceu, então o aquecimento provavelmente ainda ultrapassará os 2,6ºC. As consequências para a vida na Terra seriam catastróficas. Apesar de tudo isto, a eliminação gradual dos combustíveis fósseis foi retirada da agenda durante a COP30 devido à oposição dos países produtores de petróleo. Claramente, enquanto a humanidade estiver dividida pela competição entre estados capitalistas rivais, encontrar soluções mundiais reais para os problemas mundiais está fora de questão.

E não nos esqueçamos de outro aspecto do puzzle. Guerras imperialistas, como as que actualmente ocorrem na Ucrânia ou no Médio Oriente, estão a agravar muito o problema. A produção de armas, bem como o seu uso efectivo, contribuem massivamente para as emissões de gases com efeito de estufa. As guerras envenenam os nossos corpos, a nossa terra e as nossas águas, durante gerações. E para piorar, a nova corrida armamentista à IA depende de servidores que produzem resíduos tóxicos e de centros de dados que exigem um consumo massivo de água para arrefecimento.

Então, o que pode ser feito? É compreensivelmente uma situação sombria e deprimente. O mundo está à beira de uma guerra generalizada, colapso ecológico e sofrimento para todos, mas os políticos, patrões e os ricos parecem estar satisfeitos com isso. Nessas circunstâncias, cabe à classe operária internacional salvar o planeta de um sistema capitalista que nos conduz à auto-destruição.

O artigo acima é retirado da edição actual (n.º 76) do Aurora, boletim da Organização dos Operários Comunistas.

Quinta-feira, 13 de Agosto de 2026

 

Fonte: European Heatwave: A Deadly New Normal | Leftcom

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




Sem comentários:

Enviar um comentário