Democracia eleitoral burguesa ou a ditadura dos ricos
14 de Agosto de
2026 Robert Bibeau
Por Normand Bibeau.
O camarada Mesloub demonstra-nos cientificamente como, em todos os momentos, como é que uma democracia é uma instituição inerente às sociedades de classes - Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Democracia: uma instituição inerente às sociedades de classes:
"A superestrutura política está subordinada à infraestrutura
económica", pois é esta última que fornece aos políticos
"improdutivos" os meios materiais e espirituais para exercer o seu
"parlamentarismo", à custa dos excluídos sobre quem esta falsa
"democracia" constitui uma verdadeira ditadura apoiada pelo peso
total da lei através dos seus funcionários, dos seus tribunais, da sua polícia,
das suas prisões, do seu exército e de todo o "estado profundo" (sic).
Assim, na antiga Atenas proprietária de
escravos, o "berço" da "democracia" da classe proprietária
de escravos: os "cidadãos", atenienses de nascimento, proprietários
de escravos, livres, maiores de idade e tendo servido ou estando a servir no
exército, cerca de 10% da população ateniense, excluindo mulheres, menores,
"metics" e escravos, ou seja, 90% dessa população, escolhiam entre si
aqueles que os representavam para a administração dos seus interesses comuns
para exercer a sua ditadura de classe, Era nisso que
consistia a "democracia ateniense de proprietários de escravos", tão
vangloriada pela burguesia.
Na realidade, a essência vital da "democracia esclavagista
ateniense" consistia no seu carácter parasitário, ou seja, aqueles que a
exerciam eram parasitas sociais, seres "improdutivos" que viviam à
mercê daqueles que produziam os bens de que viviam: escravos, metics e
mulheres, o exército trabalhador dos sem voz, sujeitos à ditadura "electiva"
dos parasitas armados e dos seus campeões religiosos.
Sabendo isto, como podemos compreender a propaganda goebeliana dos ideólogos
da burguesia que sempre se esforçaram por apresentar a ditadura dos
proprietários de escravos atenienses como o "berço da democracia" e o
seu próprio modelo de "democracia"?
Pela razão rebuscada de que se a «democracia ‘eleitoral’ dos esclavagistas
atenienses» fosse a do «povo pelo povo e para o povo», a dos esclavagistas
burgueses seria também «o poder pelo povo e para o povo» dos esclavagistas
burgueses.
Marx e Engels escreveram no Manifesto Comunista:
"A burguesia, finalmente, desde o estabelecimento da indústria em
grande escala e do mercado mundial, conquistou para si, no moderno Estado
representativo, uma dominação política exclusiva. O poder executivo do moderno
'estado profundo' (o governo) é um comité que gere os assuntos comuns de toda a
classe burguesa."
Esta dominação exclusiva da burguesia sobre o Estado, através da sua "democracia electiva", baseada no "direito de voto" e na sua distribuição num mapa eleitoral patenteado para seu próprio benefício, decorre directamente do poder do "capital", ou seja, da propriedade dos meios de produção, tanto bens materiais como espirituais: com os primeiros, as eleições são financiadas e as necessidades dos "candidatos" são asseguradas; com os segundos, O MAINSTREAM MERDIA$ dos bilionários, manipulam e moldam a "opinião pública" a favor dos seus candidatos e desacreditam os dos seus adversários, principalmente, os do proletariado, o seu inimigo de classe antagónico e irreconciliável.
Num texto premonitório e ainda relevante, Marx escreveu em 1855:
"Em Inglaterra, a liberdade de imprensa tem sido até agora privilégio
exclusivo do capital." (marxists.org, Neue Oder Zeitung, 30/03/1855).
Continuaram a escrever:
«As disposições relativas à caução mataram a imprensa dita revolucionária.
[a imprensa] é a terceira potência no Estado» (marxists.org, As Lutas de
Classes em França, 1844 a 1850).
Esta dominação da "imprensa" pelo capital, longe de diminuir, só
se intensificou com a expansão do capitalismo, tanto que hoje se pode dizer,
sem medo de confundir, que ~85% dos meios de comunicação de massas mundiais,
todos os meios combinados, pertencem a bilionários ou aos seus estados e
dependem deles através da publicidade que os financia.
Assim, o "sufrágio universal", o parâmetro da
democracia burguesa, não existe num espaço político "igualitário",
mas num espaço mediático massivamente dominado pelo capital, tanto para a
escolha e financiamento dos candidatos como para a propaganda que apresenta
esta "política" a um eleitorado matraqueado, manipulado, esmagado,
dissuadido e sondado, uma máquina infernal dominada pela burguesia para
convencer, de livre vontade ou à força, um rebanho de eleitores para o matadouro da mesa de voto, onde deve escolher um ou outro dos
"candidatos", "chapéu branco ou chapéu branco" oferecido
pelos partidos da burguesia dominante... repugnante.
Lenine, com base na opinião dialéctica e materialista histórica de Marx e
Engels e na sua própria experiência revolucionária, elevou a análise do engano
eleitoral burguês a um nível superior ao escrever: "Como pode ser
garantido o sucesso da Assembleia Constituinte?"
Assim, escreve;
"Isto não é 'liberdade de imprensa', mas a liberdade dos ricos, da
burguesia, de enganar as massas oprimidas. […]
[A] publicação de um jornal é uma empresa capitalista e lucrativa, na qual os
ricos investem milhões e milhões de rublos [anúncios, nota do editor], um
enorme rendimento, na verdade o principal rendimento dos seus editores
capitalistas. […] 'Liberdade de imprensa' na sociedade burguesa significa a
liberdade dos ricos para enganar, corromper e confundir sistematicamente,
implacavelmente, todos os dias, em milhões de cópias, as massas exploradas e
oprimidas, os pobres." (marxists.org, "Como Garantir o Sucesso da
Assembleia Constituinte", 28/09/1917).
Em "Sobre o Estado e a Revolução", Lenine desmascara totalmente o
"sufrágio universal", esta panaceia falsa, enrolada e patenteada pela
burguesia para enganar as massas exploradas e recrutá-las na escolha manipulada
dos seus próprios coveiros: "funcionários eleitos" maioritariamente
escolhidos, financiados, subjugados e reciclados pela burguesia para a servir
nesta vasta operação de manipulação e engano.
Lenine escreve:
«O Estado [...] proclama o sufrágio universal, declara [...] que não é um
Estado de classes [...] O poder continua nas mãos do capital, quer o regime
seja censitário ou não, mesmo que a república seja democrática» (marxists.org,
Do Estado, 1919).
Na sua carta a Sylvia Pankhurst, Lenine escreve FACTOS que permanecem de actualidade
e veracidade de rigor e precisão impressionantes:
«[A burguesia dos países parlamentares] conhece mil truques para enganar o
povo […] escondendo, com as incontáveis ligações do parlamento com a Bolsa e os
capitalistas […] aproveitando-se de uma imprensa venal […] servindo-se de todas
as formas de dinheiro, poder do capital». (marxists.org, nº 18 do Boletim
Comunista, 15/07/1920).
O desenvolvimento histórico do "sufrágio universal" sob a ditadura
da burguesia e o "financiamento estatal" dos partidos políticos, a
evolução do eleitorado através da educação pública e a existência de partidos
auto-proclamados "rebeldes", "populares", "de
solidariedade", até "socialistas", até "comunistas",
não mudaram nada na dominação "de facto" do aparelho estatal pelo
capital, como é claramente demonstrado por TODOS OS GOVERNOS DO MUNDO
CAPITALISTA, dos U$A presidido por um bilionário degenerado com menos votos do
que os seus adversários; para a República Popular da China, presidida por um
apparatchik do partido
"Nacional-Socialista" com características chinesas, eleito por uma
clique cuidadosamente seleccionada, através de um Micron 1.º de saltos
altos cravejados cujo partido representa
apenas 7% do eleitorado; um Zizilinsky cujo
mandato eleitoral expirou há 2 anos; um Putin, ex-apparatchiks e espiões
renegados e a todos os ditadores durante o seu mandato "electivo"
sobre mentiras, promessas embriagadas, enganos, promessas de bêbado e farsas
pelos quais não têm responsabilidade perante os seus eleitores enganados,
abusados, oprimidos e explorados.
Se, por acaso, uma eleição clara não conduzir à ditadura do capital e aos interesses da burguesia, tanto faz, um golpe de Estado, um assassinato, uma guerra por mudança de regime trará o rebanho perdido de volta ao matadouro do capital, como evidenciam Mussolini, Hitler, Franco, Salazar, Dollfuss, Metaxas, Antonescu, Horthy, Alexandre I da Jugoslávia. Pitsudski, Georgiev, Päts, Ulmanis, Vargas, Uriburu, Pinochet, Videla, Bordaberry, os coronéis gregos, Evren, Zia-ul-Hag, Hussein, A,-Assad, Gaddafi, Pahlavi, Chung-hee, Suharto, Duvalier, Garcia, Baptista, Gomez, Berlusconi, Xi, Micron, Zelensky, Putin, Tr0mp, etc... etc... etc... que, desde um golpe de Estado a promessas eleitorais de bêbados, impuseram a ditadura da burguesia a um proletariado oprimido no processo de emancipação da ditadura eleitoral burguesa.
Fonte: La
démocratie électorale bourgeoise ou la dictature des riches – les 7 du quebec
Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice

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