terça-feira, 18 de agosto de 2026

O mito americano desmorona: quando a potência mundial já não tem o suficiente para alimentar os seus marinheiros

 


O mito americano desmorona: quando a potência mundial já não tem o suficiente para alimentar os seus marinheiros

18 de Agosto de 2026 Robert Bibeau

Por Hanane Ben

No seu blogue pessoal, Sonar 21, o antigo analista da CIA Larry C. Johnson apresentou uma análise altamente crítica do fracasso da logística naval dos EUA em abastecer adequadamente os seus navios e pessoal.

Sob o título: "A Cauda que Não Conseguia Acompanhar: Como a Marinha dos EUA Deixou os Seus Próprios Marinheiros Com Falta de Comida e Sabão", o antigo oficial de inteligência dos EUA detalha a escassez de abastecimento que afectou várias tripulações no mar.


Entre má gestão de inventário, fraquezas na cadeia de abastecimento e atrasos nas entregas, a sua conclusão é clara: a Marinha dos EUA está agora a lutar para garantir o mínimo indispensável de vida para as suas próprias tropas.

Após missões prolongadas de mais de 250 dias no Mar Arábico, as tripulações do USS Abraham Lincoln e do USS Tripoli enfrentaram condições de vida extremas, marcadas por escassez alimentar, falhas sanitárias e ausência de produtos básicos de higiene, relatou o consultor de segurança, indicando que, perante as revelações desta crise material e humana, o comando militar inicialmente pôs fim ao caso, com o Secretário da Guerra Pete Hegseth a ir ao ponto de classificar o incidente como "notícia falsa", enquanto a frota afirmou que o navio continuava "totalmente capaz de cumprir todas as suas missões".

No entanto, longe de ser um incidente isolado ou culpa de um oficial de intendência, esta miséria material é o sintoma directo de uma cadeia de comando "mais rápida a defender a sua narrativa sobre prontidão operacional do que a confrontar as razões pelas quais os seus marinheiros não tinham o mínimo indispensável", afirmou.

Para este antigo analista da CIA, a origem do problema reside no enfraquecimento gradual da Força de Logística de Combate, a frota responsável pelo abastecimento dos navios de combate no mar. Na procura de poupanças orçamentais nos últimos 15 anos, a Marinha dos EUA reduziu os seus navios de apoio rápidos de melhor desempenho, criando uma situação em que "a força logística é insuficiente e demasiado lenta para satisfazer as necessidades actuais", afirmou.

Segundo ele, esta vulnerabilidade de capacidades foi dramaticamente amplificada pela geografia do Oceano Índico e pelo contexto operacional de 2026, em particular pela extensão das missões relacionadas com o conflito com o Irão. Operando no fim de linhas de abastecimento esticadas sem margem para manobra, a Marinha expôs os seus marinheiros às consequências previsíveis de decisões orçamentais passadas.

"A embarcação multi-usos que aboliu na década de 2010 em prol da economia é exactamente aquela de que mais precisa hoje", afirmou.

Johnson continua a sua acusação expondo o custo humano desta crise. Para além do aspecto puramente material, este fracasso do comissariado resultou num custo humano crítico a bordo dos navios de guerra.

Quando as margens de segurança colapsam, os fracassos da principal potência naval mundial aparecem "numa lavandaria parada e nas cozinhas com falta de stocks", minando directamente a resistência física e psicológica dos marinheiros. Quanto ao impacto humano, Johnson é categórico: sujeitar uma tripulação a mais de oito meses no mar enquanto se restringe o rigoroso mínimo sanitário deteriora seriamente a moral e põe em risco a saúde mental das tropas, porque "o apoio logístico não é um conforto: é a condição sine qua non da resistência da tripulação".

Em última análise, as privações sofridas a bordo do Lincoln revelaram os limites físicos de uma estratégia militar que exige uma presença permanente e distante sem meios logísticos, lembrando-nos — como conclui — que "uma frota que não pode ser reabastecida de forma fiável não pode ser mantida de forma fiável."

Na realidade, este episódio mostra que a principal potência mundial já não é tão infalível como tem tentado fazer-nos acreditar durante décadas. Deixado a uma liderança política ignorante e arbitragens questionáveis — símbolo de um poder que cada vez mais se assemelha a um vaudeville — o exército americano perdeu a sua glória e a sua aura de invencibilidade.

O confronto com o Irão oferece a prova mais marcante disso: sem o nível tecnológico ou os investimentos colossais de Washington, Teerão conseguiu enfrentar o eixo sionista americano, mostrando ao mundo que uma potência incapaz de alimentar os seus próprios marinheiros já não pode impor a sua lei.

Fonte: Algeria54

(Enviado por A.Djerrad)

Fonte: Le mythe américain s’effondre: quand la première puissance mondiale n’a plus de quoi nourrir ses marins – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




Sem comentários:

Enviar um comentário