Revoltas Raciais no Reino Unido: Um Produto do Jogo de Passa Culpas Capitalista
Os motins de 2024 após o
esfaqueamento em Southport foram um sinal do que estava para vir. Na altura,
dissemos que a situação na Grã-Bretanha pós-industrial, pós-Brexit e degradada
era como "uma caixa de fósforos que só precisa de uma faísca para se
incendiar". Em 2025, vimos protestos esporádicos continuar,
particularmente fora de hotéis que acolhiam requerentes de asilo, como o de
Epping. Em Junho de 2026, o assassinato de Henry Nowak, a resposta equivocada
da polícia e uma campanha da comunicação social de extrema-direita que
aproveitou o episódio levaram a confrontos em Southampton. Nesse mesmo mês, um
esfaqueamento brutal em Belfast desencadeou, provavelmente, a mais grave vaga
de violência até então. O que se seguiu foi essencialmente um pogrom, a durar
dias, durante os quais qualquer casa, carro ou negócio suspeito de pertencer a
migrantes era destruído e incendiado.
Contexto Histórico:
Sectarismo na Irlanda do Norte
Há algumas razões
históricas para que isto tenha acontecido em Belfast, de entre todos os
lugares. Várias vezes ao longo dos últimos séculos, vizinhos de uma parte de
Belfast entraram em bairros próximos, por vezes a menos de um quilómetro, e
incendiaram casas para forçar as famílias a saírem, deixando-as como refugiados
a viver em tendas. A última vez que isto aconteceu em grande escala foi na
década de 1970. Portanto, os pogroms, de certa forma, não são novidade, e não é
de estranhar que se suspeite que paramilitares lealistas tenham desempenhado
algum papel na sua coordenação desta vez. O que, no entanto, é novo é que a
violência não ocorreu ao longo da antiga linha divisória entre protestantes e
católicos, mas direccionou-se antes a migrantes recentes — do Sudão, Roménia,
Ucrânia, etc.
O Verdadeiro Motivo:
Piorar as Condições dos Operários Enquanto se Culpa o "Outro"
Também não faltam
esfaqueamentos e violações cometidos por homens britânicos brancos. Mas estes
não provocam o mesmo tipo de reacção. No fim das contas, são os homens jovens,
independentemente da nacionalidade ou etnia, que têm uma probabilidade
desproporcionalmente maior de cometer crimes violentos. Existem várias razões
sociais que ajudam a explicar isto. Mas estes distúrbios e os políticos que os
alimentam não têm interesse em abordar a causa raiz de tanta violência horrível
no dia a dia. Só se interessam quando os “estrangeiros” são responsabilizados.
Estes motins raciais são
um exemplo clássico de dividir para governar. Especialmente em tempos de crise
e guerra, políticos, patrões e os ricos tentam enganar os operários para que
lutem por restos uns contra os outros. É por isso que até os bilionários estão
agora a financiar os partidos de extrema-direita e a ajudar a espalhar o seu
veneno. Do ponto de vista da classe dominante, é melhor que os operários culpem
os colegas de trabalho ou vizinhos que por acaso nasceram noutro lugar do que
direccionar a sua raiva contra quem está realmente no poder. Milhões de libras
são investidos todos os anos na produção de propaganda — antes distribuída
pelos tabloides e agora cada vez mais através das redes sociais — que culpa os
migrantes por todo o tipo de problemas sociais que afectam a classe operária.
O que está a acontecer
no Reino Unido não é único. Quer seja a violência nas ruas na África do Sul
contra migrantes do Maláui, Moçambique e Zimbabué, quer sejam os protestos em
massa contra migrantes indianos na Austrália, ou os ataques a refugiados
ucranianos na Polónia, a retórica é sempre a mesma e em todos os lados aponta
para um inimigo falso.
Salários baixos, falta
de habitação, serviços de saúde sobrecarregados e, claro, criminalidade: estes
são problemas muito reais, mas livrar-nos dos imigrantes não os vai resolver.
Só organizando-nos juntos como uma só classe — para além das divisões
artificialmente impostas de raça, género ou até filiação sindical — é que
podemos esperar melhorar a nossa situação comum.
Unidade de Classe: O
Ponto de Partida para Defender os Interesses dos Operários
A migração não vai
desaparecer. Ela tem caracterizado a humanidade desde o início da nossa
história como espécie, quando os primeiros homo sapiens saíram de África. Hoje,
o sistema capitalista — com as suas crises económicas, guerras imperialistas e
catástrofes climáticas — está a destruir grandes partes do planeta e a forçar
cada vez mais pessoas a fugir, procurando uma vida melhor noutro lugar, quer
queiram ou não. No fundo, a única forma de pôr fim a esta migração forçada é
criando uma sociedade mundial adequada às nossas necessidades, e não uma gerida
em função do lucro. E só um movimento mundial de massas da classe operária pode
tornar isso possível. Este processo começa no trabalho, na escola, nos nossos
bairros, quando nos unimos e defendemos os nossos interesses comuns como operários.
Salários, habitação e saúde são questões que nos afectam a todos, sejamos nós
"estrangeiros" ou "locais". Por isso, vamos lutar juntos.
The above article is taken from the , bulletin of the Communist
Workers’ Organisation.
O artigo acima foi retirado da edição actual (No. 76) da Aurora, boletim da
Organização dos Operários Comunistas.
Sábado, 15 de Agosto de 2026
Fonte: UK
Race Riots: A Product of Capitalist Scapegoating | Leftcom
Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis
Júdice
Sem comentários:
Enviar um comentário