segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Revoltas Raciais no Reino Unido: Um Produto do Jogo de Passa Culpas Capitalista

 


Revoltas Raciais no Reino Unido: Um Produto do Jogo de Passa Culpas Capitalista 

Os motins de 2024 após o esfaqueamento em Southport foram um sinal do que estava para vir. Na altura, dissemos que a situação na Grã-Bretanha pós-industrial, pós-Brexit e degradada era como "uma caixa de fósforos que só precisa de uma faísca para se incendiar". Em 2025, vimos protestos esporádicos continuar, particularmente fora de hotéis que acolhiam requerentes de asilo, como o de Epping. Em Junho de 2026, o assassinato de Henry Nowak, a resposta equivocada da polícia e uma campanha da comunicação social de extrema-direita que aproveitou o episódio levaram a confrontos em Southampton. Nesse mesmo mês, um esfaqueamento brutal em Belfast desencadeou, provavelmente, a mais grave vaga de violência até então. O que se seguiu foi essencialmente um pogrom, a durar dias, durante os quais qualquer casa, carro ou negócio suspeito de pertencer a migrantes era destruído e incendiado.

Contexto Histórico: Sectarismo na Irlanda do Norte

Há algumas razões históricas para que isto tenha acontecido em Belfast, de entre todos os lugares. Várias vezes ao longo dos últimos séculos, vizinhos de uma parte de Belfast entraram em bairros próximos, por vezes a menos de um quilómetro, e incendiaram casas para forçar as famílias a saírem, deixando-as como refugiados a viver em tendas. A última vez que isto aconteceu em grande escala foi na década de 1970. Portanto, os pogroms, de certa forma, não são novidade, e não é de estranhar que se suspeite que paramilitares lealistas tenham desempenhado algum papel na sua coordenação desta vez. O que, no entanto, é novo é que a violência não ocorreu ao longo da antiga linha divisória entre protestantes e católicos, mas direccionou-se antes a migrantes recentes — do Sudão, Roménia, Ucrânia, etc.

O Verdadeiro Motivo: Piorar as Condições dos Operários Enquanto se Culpa o "Outro"

Também não faltam esfaqueamentos e violações cometidos por homens britânicos brancos. Mas estes não provocam o mesmo tipo de reacção. No fim das contas, são os homens jovens, independentemente da nacionalidade ou etnia, que têm uma probabilidade desproporcionalmente maior de cometer crimes violentos. Existem várias razões sociais que ajudam a explicar isto. Mas estes distúrbios e os políticos que os alimentam não têm interesse em abordar a causa raiz de tanta violência horrível no dia a dia. Só se interessam quando os “estrangeiros” são responsabilizados.

Estes motins raciais são um exemplo clássico de dividir para governar. Especialmente em tempos de crise e guerra, políticos, patrões e os ricos tentam enganar os operários para que lutem por restos uns contra os outros. É por isso que até os bilionários estão agora a financiar os partidos de extrema-direita e a ajudar a espalhar o seu veneno. Do ponto de vista da classe dominante, é melhor que os operários culpem os colegas de trabalho ou vizinhos que por acaso nasceram noutro lugar do que direccionar a sua raiva contra quem está realmente no poder. Milhões de libras são investidos todos os anos na produção de propaganda — antes distribuída pelos tabloides e agora cada vez mais através das redes sociais — que culpa os migrantes por todo o tipo de problemas sociais que afectam a classe operária.

O que está a acontecer no Reino Unido não é único. Quer seja a violência nas ruas na África do Sul contra migrantes do Maláui, Moçambique e Zimbabué, quer sejam os protestos em massa contra migrantes indianos na Austrália, ou os ataques a refugiados ucranianos na Polónia, a retórica é sempre a mesma e em todos os lados aponta para um inimigo falso.

Salários baixos, falta de habitação, serviços de saúde sobrecarregados e, claro, criminalidade: estes são problemas muito reais, mas livrar-nos dos imigrantes não os vai resolver. Só organizando-nos juntos como uma só classe — para além das divisões artificialmente impostas de raça, género ou até filiação sindical — é que podemos esperar melhorar a nossa situação comum.

Unidade de Classe: O Ponto de Partida para Defender os Interesses dos Operários

A migração não vai desaparecer. Ela tem caracterizado a humanidade desde o início da nossa história como espécie, quando os primeiros homo sapiens saíram de África. Hoje, o sistema capitalista — com as suas crises económicas, guerras imperialistas e catástrofes climáticas — está a destruir grandes partes do planeta e a forçar cada vez mais pessoas a fugir, procurando uma vida melhor noutro lugar, quer queiram ou não. No fundo, a única forma de pôr fim a esta migração forçada é criando uma sociedade mundial adequada às nossas necessidades, e não uma gerida em função do lucro. E só um movimento mundial de massas da classe operária pode tornar isso possível. Este processo começa no trabalho, na escola, nos nossos bairros, quando nos unimos e defendemos os nossos interesses comuns como operários. Salários, habitação e saúde são questões que nos afectam a todos, sejamos nós "estrangeiros" ou "locais". Por isso, vamos lutar juntos.

The above article is taken from the , bulletin of the Communist Workers’ Organisation.

O artigo acima foi retirado da edição actual (No. 76) da Aurora, boletim da Organização dos Operários Comunistas.

Sábado, 15 de Agosto de 2026

 

Fonte: UK Race Riots: A Product of Capitalist Scapegoating | Leftcom

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




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