A controvérsia de
Poitiers 2/2
René
Naba / 12 DE NOVEMBRO DE 2014 / EM Culture, Société
Última atualização a 12 de novembro de 2014
Os morenos da França: Pela grandeza da França e não pela sua megalomania ou
pelo seu nanismo político
Paris – O
debate é cíclico, como uma fuga para a frente, como se fosse para desviar a atenção
dos graves problemas estruturais de França, do abissal défice das suas finanças
públicas, da falência e impunidade das suas elites, da deliquescência do seu
tecido social, da docilidade da sua imprensa, da inconsistência do debate
público multipartidário, da necrose dos seus circuitos de decisão.
O debate é
cíclico sobre um tema único nas suas várias formas, o véu, a burca, os
minaretes, o papel positivo da colonização, como uma fuga para a frente, como
se fosse para ocultar o essencial, a dívida de honra de França para com os seus
imigrantes, tanto pela defesa da sua independência – duas vezes no mesmo
século, durante as duas guerras mundiais, um facto raríssimo na história –,
como pela sua contribuição para o prestígio de França pelo Mundo.
A obra
benéfica que é prioritário iniciar não é um trabalho de exaltação chauvinista
propício a todos os excessos, mas um trabalho de «desconstrução» dos mitos
fundadores da grandeza francesa, uma leitura fractal da história de França,
para fundamentar a identidade nacional num conhecimento concreto e não
idealizado da história de França e para cimentar a unidade nacional tendo em
conta as diversas componentes da população nacional e não na estigmatização do
estrangeiro.
A não ser que se abdique perante os defensores da anglo-esfera, a não ser que se envolva num fantástico isolamento, a não ser que se tape os olhos numa fantástica cegueira, o debate não se poderia reduzir a um duelo narcisista entre a França e ela própria a exibir-se perante o restante do mundo, em nome da excepção francesa. Mas sim a um debate sobre o posicionamento da França dentro do seu espaço natural de actuação, a Francofonia, garantia do seu impacto e justificativa do seu estatuto de grande potência, membro permanente do conselho de segurança. Um estatuto com o qual nunca teria sonhado considerando o seu desempenho fraco durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), mas do qual é devedora pela posse de um império ultramarino e pela lógica dos blocos no auge da Guerra Fria.
O ressentimento é forte, na medida da usurpação. É de esperar que a celebração em 2010 do Ano de África em França, com a participação das tropas africanas no desfile de 14 de Julho, dê a oportunidade de uma reabilitação da imagem do «Bougnoule» (Árabe – NdT) no imaginário francês e da reabilitação da contribuição da «pequena gente da república» para a grandeza de França. Que tal não desagrade aos intelectuais da corte, a excepcionalidade francesa é uma singularidade que se vive como impunidade, uma especificidade que se vive como superioridade.
Primeiro
país a ter institucionalizado o terror como modo de governo, com Maximilien de
Robespierre, durante a Revolução Francesa (1794), a França é também o primeiro
país a inaugurar a pirataria aérea, em 1955, com o desvio do avião dos líderes
históricos do movimento independentista argelino (Ahmad Ben Bella, Mohamad
Khider, Mohamad Boudiaf e Krim Belkacem), dando assim o exemplo aos militantes
do terceiro mundo em luta pela sua independência.
A
reincidência na singularidade é também uma característica da excepcionalidade
francesa: este país jacobino, igualitário e igualitarista vai também
distinguir-se por ser o único país no mundo a ter oficializado o
«gobino-darwinismo jurídico», codificando no Direito «a teoria da desigualdade
das raças», uma codificação feita sem discernimento, para promover não a
igualdade, mas a segregação.
A «Pátria
dos Direitos do Homem» e das compilações jurídicas modernas – o código civil e
o código penal – é, de facto, o país da legislação discriminatória, o país da
codificação da abominação, o país do «Código Negro» da escravatura, na
Monarquia, do «Código do Indigenato» na Argélia, na República, que pôs em
prática com as «exposições etnológicas», esses «zoos humanos» criados para
fixar no imaginário colectivo dos povos do terceiro mundo a ideia de uma
inferioridade duradoura dos «povos de cor» e, como consequência, a
superioridade da raça branca… como se o branco não fosse uma cor, mesmo que os
seus defensores o vivam como imaculado, o que está longe de ser o caso, a
julgar pelas torpezas da sua História.
Para
memória, mas é preciso recordar? As três grandes figuras tutelares do século XX
pela sua contribuição à moral universal terão sido três personalidades do
terceiro mundo colonizado: Mahatma Gandhi (Índia), Nelson Mandela (África do
Sul) e, para o espaço francófono, o martinicano Aimé Césaire, três apóstolos da
não-violência, uma consagração que soa como um desaforo para os países
ocidentais com o seu cortejo de nazismo, fascismo, totalitarismo e esclavagismo.
E, por mais doloroso que possa ser para o nosso orgulho nacional, temos de
reconhecer que a França, em contraposição, terá sido o único grande país
europeu na articulação maior dos dois grandes flagelos do Ocidente da época
contemporânea, «as inclinações criminosas da Europa democrática» o tráfico de
escravos e a exterminação dos judeus, ao contrário da Grã-Bretanha que praticou
exclusivamente o tráfico de escravos, sem de todo participar na exterminação
dos judeus, ao contrário até da Alemanha que concebeu e realizou, ela, a
solução final da questão judaica, mas sem participação significativa no tráfico
de escravos. O dever da verdade não constitui, portanto, segundo uma análise
chauvinista, uma patranha assimilável ‘às lágrimas do homem branco’, mas um acto
de coragem moral de salubridade pública.
Errar é
humano, mas repetir o erro é diabólico. Para o evitar, importa lembrar que a
identidade francesa era vichista sob Pétain e a esmagadora maioria dos
franceses identificava-se com ela, enquanto era ferozmente combatida pelos
métèques da República.
A identidade
francesa, a sua honra e grandeza vivem-se e reivindicam-se no «papel positivo»
da colonização com o Doutor Albert Schweitzer de Lambaréné (Gabão), e nos
955.491 soldados coloniais do ultramar que combateram por França durante as
duas guerras mundiais (1914-1918, 1939-1945), incluindo 113.000 «indígenas da
República» mortos em campo de honra, regando duradouramente os sulcos de França
com o seu «sangue impuro». 113.000 indígenas mortos por França, o que equivale
à população combinada das cidades de Fréjus, Henin-Beaumont e Beaucaire, os
três redutos da Frente Nacional, sem que nessa altura se falasse em «limite de
tolerância», muito menos em teste de ADN ou de charters da vergonha, mas de
sangue a derramar em abundância. A identidade francesa vive-se e reivindica-se
no « privilégio da terra de França », que libertava qualquer escravo no momento
em que pisava o solo francês, a França terra de asilo e não na França da «
Vénus Hotentote » e dos « zoos humanos ». Na França de Valmy e da Ponte d’Arcole
e não na da auto-destruiçao da frota francesa de Toulon ou da expedição
punitiva ao Suez. Na « França Livre » e não na França de Sétif (Argélia) e de
Thiaroye (Senegal).
Na França
das convicções republicanas e não na dos traidores cosmopolitas que desvalorizam
o compromisso político. No Prefeito Jean Moulin e não no Prefeito Maurice
Papon, nos imigrantes do grupo Manouchian, esses párias do Cartaz Vermelho, e
não na França vichista, cúmplice do nazismo, em Guy Môquet e não no seu
delator, o ministro do interior da época, e nos seus capangas da polícia
francesa, fornecedores dos seus carrascos alemães.
No general
Jacques Pâris de la Bollardière, a consciência do exército francês durante a
guerra da Argélia (1956-1962), e não no general Paul Aussarresses, o torturador
dos maquis argelinos. No matemático Maurice Audin e no portador de malas
Francis Jeanson, e não no portador de sacos de farinha mediático, Bernard
Kouchner, o apoiante mercantilista dos ditadores africanos, o desagregador do
Mundo Árabe, do sul do Sudão ao Curdistão, as novas plataformas operacionais de
Israel nas duas extremidades do Mundo Árabe.
Na França do
discurso de Phnon Penh (Charles de Gaulle) e de Cancun (François Mitterrand) e
não na França do discurso de Dakar sobre o homem africano «ainda não
suficientemente entrado na história» (Nicolas Sarkozy) e do discurso de Túnis
sobre a divisão racial do trabalho entre franceses e árabes na bacia do
Mediterrâneo: «Para nós a inteligência, para vocês a força de trabalho»
(Nicolas Sarkozy ibidem).
Na França da
bela língua revolucionária francesa de Voltaire, de Aimé Césaire, de Frantz
Fanon, de Léopold Sédar Senghor e de Kateb Yacine, que carregam em si o brilho
da França, e não naquela do «Casse toi pauv’con», aquele verlan argótico tão
detestado pela classe política tão detestável pelos seus excessos de linguagem
e comportamento.
Na França do
Abbé Pierre e não na de Brice Hortefeux, aquela de «um típico de Auvergne está
bem, mas quando há demasiados, olhem os estragos». Na França de Yannick Noah
(Roland Garros 1982) e de Zinedine Zidane (Taça do Mundo 1998) e da «equipa de
futebol negra, negra, negra, chacota da Europa» (Alain Finkielkraut), mas ainda
assim orgulho da França, e não na França dos bairros «pure white, blancos» do
Presidente socialista de Évry, Manuel Valls.
Neste contexto, a leitura pública da carta do jovem resistente comunista
fuzilado Guy Môquet poderia ter tido valor pedagógico e terapêutico se este
exercício tivesse sido acompanhado da denúncia dos seus carrascos, neste caso a
polícia francesa, a polícia, ou seja, a base do poder securitário do actual
primeiro-ministro francês. Tal denúncia teria sido vista como um acto de
coragem e responsabilidade e não como aconteceu, como uma operação de
falsificação da história, um exercício de aproveitamento demagógico, um acto de
desvio memorial.
A noção de
identidade nacional surge, nesta perspetiva, como uma noção relativa. Para a
sua perenidade, a identidade nacional deve basear-se em valores universais,
imutáveis e não sujeitos a variações consoante considerações eleitoralistas.
Aliás, o
debate ganharia em clareza se a confusão não fosse mantida ao mais alto nível
do Estado com a nomeação de um reservista do exército israelita, Arno
Klarsfeld, para o cargo de conselheiro em plena guerra de destruição israelita
do Líbano (Julho de 2006), ou a de um dirigente do American Jewish Committee,
Valérie Hoffenberg, encarregue de acompanhar, em nome de França, as negociações
israelo-palestinianas… tudo isto enquanto proclamava bem alto a proibição de
importar para França o conflito israelo-palestiniano. Um presidente que
fantasia sobre «as ovelhas que se degolam nas banheiras» e que, no entanto,
procura regularmente a hospitalidade das banheiras dos palácios reais árabes,
de Doha a Rabat, tomando a iniciativa de estigmatizar uma componente da
população por motivos ocultos e mesquinhos de caráter eleitoral.
Neste
sentido, "as ovelhas que são abatidas nas banheiras" (Nicolas Sarkozy),
assim como os "ruídos e cheiros das famílias imigrantes" que são geneticamente
prolíficas (Jacques Chirac), permanecerão uma mancha indelével no discurso
político francês e desonrarão os seus autores. Se não tivermos cuidado,
abririam caminho a excessos fascistas no comportamento político francês.
Enganemo-nos,
com todo o respeito mais uma vez pelos escritores do salonnard (sacana – NdT),
o povo de pele escura de França está lá e verdadeiramente presente,
duradouramente ancorado no panorama político e social francês, aqueles cujo
"papel positivo" nunca foi solenemente celebrado, excepto de forma
incidental, quando não foi simplesmente negado ou controverso.
Em França,
não o país anfitrião, mas o país de eleição. Determinados a defender a elevada
ideia que têm de França e que a França quer entregar-se ao mundo, determinados
a defender a grandeza de França e não a sua megalomania, a sua grandeza e não o
seu nanismo político.
Combater todos aqueles que enfraquecem a economia com uma gestão arriscada, todos aqueles que desacreditam a política através de conluio escandaloso. Todos aqueles que poluem a imagem de França, com empregos fictícios e responsabilidades fictícias, com "desaparecimento de receitas", com comissões retroactivas e despesas de representação, com delitos de insider e abuso de bens sociais. Esses senhores das fragatas de Taiwan, da Clearstream e do Angolagate. Do Crédit Lyonnais e da Compagnie Générale des Eaux. Da Elf Aquitaine e da EADS, da Executive Life e da Pechiney American-Can. Dos mercados da Ile de France e dos HLM de Paris, da MNEF e da Urba-Gracco. Dos escândalos de Dominique Strauss-Khan e Jérôme Cahuzac, até ao caso Bettencourt e ao financiamento líbio das campanhas presidenciais.
Aqueles que
desvalorizam a sua justiça com casos de Outreau (O nome refere-se ao famoso "caso Outreau", um
grave escândalo de abuso infantil e um dos maiores erros judiciais da história
da justiça francesa – NdT), ocorrido no final dos anos 90 e início dos
anos 2000, escutas
telefónicas ilegais, triagem selectiva e os “charters da vergonha”. Que
desvalorizam os seus nacionais com insultos raciais, ataques a imigrantes,
delinquência e o Kärcher.
Contra a
“França de baixo” que governa o país, a França das manobras baixas e dos
cálculos mesquinhos, das “zonas sem lei e dos privilégios”, das nomeações por
conveniência e dos apartamentos oficiais. A França que se recusa a dar um
empurrão ao salário mínimo, mas que exacerba o antagonismo social ao reforçar a
riqueza dos mais afortunados, dando-lhes um “escudo fiscal” em plena crise
bancária. A França que “cristaliza” e reduz ao mínimo as pensões dos antigos
combatentes “morenos” do exército francês, mas que aumenta em 70 por cento o
salário dos ministros endinheirados.
A França,
que enche de « stock options e de paraquedas dourados » os gestores em
falência, como os da Vinci e Carrefour, que recicla a fraude em
respeitabilidade, promovendo ao Conselho de Estado, o templo da virtude
republicana, como recompensa por serviços prestados na distracção da justiça,
tal ministro da justiça, que passou para a história como o mais famoso
interceptor de helicópteros das crónicas judiciais internacionais (Jacques
Toubon), promovido agora à função de Mediador da República.
Em poucas
palavras, contra esta postura de desprezo e irresponsabilidade, a peculiar
teoria do « bode expiatório à francesa » que isenta o responsável de qualquer
responsabilidade através de uma espécie de privilégio anti-democrático, tirando
a sua justificação de uma ideologia proto-fascista inerente a uma parte da
cultura francesa.
Contra a
criminalização da política, este estado de coisas sintomático da França
contemporânea, como testemunha « O registo criminal da República », com um
balanço revelador onde se contam, apenas na década de 1990, novecentos (900)
eleitos acusados, seja por delinquência financeira, seja por crimes contra bens
e pessoas, incluindo crimes sexuais, enquanto a «tolerância zero» em relação à
criminalidade de colarinho branco deveria, no entanto, ser um imperativo
categórico da ordem republicana, em virtude do princípio da exemplaridade do
Estado.
Nunca um país pareceu mais preocupado em enaltecer o
seu passado. Todas as variações do calendário desfilam em comemoração: Bi-milenário
do baptismo de Clóvis (1996), que marca a união da França à Cristandade, 1500.º
aniversário da proclamação do Édito de Nantes (1598), que pôs fim à guerra
religiosa entre Católicos e Protestantes, Bi-centenário da Revolução Francesa
(1989), centésimo quinquagésimo aniversário da abolição da escravatura (Maio de
1998), Centenário do manifesto acusador de Émile Zola contra a segregação politico-religiosa
(«J’accuse», Janeiro de 1998), sexagésimo aniversário da libertação da França,
quinquagésimo aniversário da V República, e finalmente o quadragésimo aniversário
da revolta estudantil de Maio de 1968… como se a França quisesse compensar o
seu recuo tímido sobre si mesma, buscando na sua glória passada a esperança do
seu futuro.
Não vejam aqui nenhuma interferência partidária ou eleitoral, mas qualquer pessoa preocupada com o estatuto da França — seja francês de origem ou francês de escolha — deve entregar-se a tal introspecção, uma medida de salubridade pública, tanto é verdade que a história de hoje é a memória de amanhã e que é importante ser firme na denúncia das derivações contemporâneas para evitar dolorosas reminiscências da memória futura.
René Naba
Jornalista-escritor, antigo chefe do Mundo Árabe e Muçulmano ao serviço
diplomático da AFP, depois conselheiro do director-geral do RMC Médio Oriente,
chefe de informação, membro do grupo consultivo do Instituto Escandinavo de
Direitos Humanos e da Associação Euro-Árabe de Amizade. De 1969 a 1979, foi
correspondente rotativo no gabinete regional da Agence France-Presse (AFP) em
Beirute, onde cobriu a guerra civil jordano-palestiniana, o "Setembro
Negro" de 1970, a nacionalização de instalações petrolíferas no Iraque e
na Líbia (1972), uma dúzia de golpes de Estado e sequestros de aviões, bem como
a Guerra do Líbano (1975-1990) a 3.ª guerra árabe-israelita de Outubro de 1973,
as primeiras negociações de paz egípcio-israelitas em Mena House, Cairo (1979).
De 1979 a 1989, esteve à frente do mundo árabe-muçulmano no serviço diplomático
da AFP, depois conselheiro do director-geral do RMC Médio Oriente, responsável
pela informação, de 1989 a 1995. Autor de "Arábia Saudita, um reino das
trevas" (Golias), "De Bougnoule a selvagem, uma viagem pela
imaginação francesa" (Harmattan), "Hariri, de pai a filho,
empresários, primeiros-ministros" (Harmattan), "As revoluções árabes
e a maldição de Camp David" (Bachari), "Media e Democracia, a captura
do imaginário um desafio do século XXI" (Golias). Desde 2013, é membro do
grupo consultivo do Instituto Escandinavo para os Direitos Humanos (SIHR),
sediado em Genebra. É também Vice-Presidente do Centro Internacional Contra o
Terrorismo (ICALT), Genebra; Presidente da instituição de caridade LINA, que
opera nos bairros do norte de Marselha, e Presidente Honorário do 'Car tu y es
libre' (Bairro Livre), que trabalha para a promoção social e política das áreas
periurbanas no departamento das Bocas do Ródano, no sul de França. Desde 2014,
é consultor no Instituto Internacional para a Paz, Justiça e Direitos Humanos
(IIPJDH), sediado em Genebra. Desde 1 de Setembro de 2014, é responsável pela
coordenação editorial do site https://www.madaniya.info e apresenta uma coluna
semanal na Rádio Galère (Marselha), às quintas-feiras das 16h às 18h.
Fonte: La
controverse de Poitiers 2/2 - Madaniya
Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice

Sem comentários:
Enviar um comentário