quinta-feira, 3 de setembro de 2026

O petróleo… a fonte de todas as cobiças, de todas as guerras modernas

 


O petróleo… a fonte de todas as cobiças, de todas as guerras modernas

3 de Setembro de 2026 Robert Bibeau



Por Normand Bibeau.

Como repetimos incansavelmente: "QUEM CONTROLA O PETRÓLEO (o sangue da indústria) DOMINA NAÇÕES; QUEM CONTROLA A COMIDA (fertilizantes de azoto) DOMINA OS POVOS" (segundo o criminoso de guerra e genocida Henry Kissinger, "A Saúde da Nação")

É «intrigante» constatar até que ponto os ideólogos, tanto da direita como da esquerda, se esforçam por OCULTAR o OBJECTIVO de todas as guerras imperialistas-capitalistas: «O ROUBO, A SAQUE, O BANDITISMO e a EXPLORAÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS E HUMANOS».

De Saddam Hussein, o regime comprador proxy, a Saddam Hussein, o regime pária

Assim, Naba, Ritter, Macgregor e outros analistas da guerra do Iraque concordam em concluir que os agressores traiçoeiros do "triunvirato" YANKKE U$/Britânico/Austrália de 2003 visavam o "derrube do regime de Saddam Hussein" (sic). No entanto, todos escondem o facto de que este mesmo Saddam Hussein foi levado ao poder por essas mesmas potências imperialistas nos termos de um "golpe de Estado" perpetrado a 17 de Julho de 1968 e concluído com a eliminação dos seus concorrentes em Julho de 1979, pela renúncia de al-Bark e por uma espetacular purga dentro do Partido Baath que culminou a 22 de Setembro de 1980 pela agressão traiçoeira contra o Estado iraniano em nome das potências imperialistas ocidentais (re:PBS.org, 1937-2003; estudos de países, 1968-1979).

A agressão traiçoeira de Saddam e do seu regime comprador contra o Irão foi aconselhada, financiada, armada e promovida pelas potências imperialistas ianques e seus vassalos das petromonarquias obscurantistas do Médio Oriente, Arábia Saudita e Kuwait, que a lideram.

Assim, até 1988, foram nada menos do que dezenas de milhares de milhões de petrodólares americanos  em assistência e ajuda sob a forma de informações de satélite; informações sobre as posições iranianas; equipamentos e tecnologias militares; de apoio económico e diplomático que os regimes piratas ocidentais forneceram ao seu «proxy» iraquiano nesta guerra de agressão para derrubar o regime iraniano e apoderar-se dos seus inestimáveis recursos petrolíferos  (re:openstax.org, 29/12/2014; crf.org, 1953-2026: « Relações dos EUA com o Irão»).

De 1972 a 1975, o governo baathista nacionalizou a "Companhia de Petróleo do Iraque (IPC)", um consórcio que anteriormente tinha reunido interesses do petróleo e gás britânicos, franceses e holandeses para "o roubo, a pilhagem e o assalto" do "OURO NEGRO" do Iraque.

O governo baathista "nacionalista burguês" "pré-Saddam" (1972-1979) duplicou a produção de petróleo do Iraque e multiplicou as suas receitas petrolíferas por um factor de 22, que exportou principalmente para o mercado soviético e para os mercados europeu e japonês para enriquecer a burguesia iraquiana (re:history.state.gov, 11/1976; cia.gov, 25/01/1981).

O regime fascista de Saddam Hussein (1979-2003), muito mais rico do que os seus predecessores, decidiu "virar as costas" ao bloco "soviético", reduzindo as importações da URSS, China e bloco de Leste de 25% para cerca de 9% das suas compras actuais entre 1979 e 1980, enquanto durante o mesmo período, as importações de U$A aumentaram 9 vezes (re:Washingtonpost.com)


Assim, em Setembro de 1988, na altura da agressão pérfida do regime fascista de Saddam contra o Irão dos "mulás", o Iraque produziu ~ 3,5 milhões de barris de petróleo por dia ("Mb/d"), com receitas de ~ 27 mil milhões ("G") de dólares americanos, que exportou principalmente para França, Brasil, Japão, Itália, bloco soviético e U$A, as receitas com que o regime baathista financiou as suas compras de armas à URSS, França, China, Europa, U$A e Egipto para travar a sua guerra de agressão (re:sipri.org, 1984; cia.gv, 1983).

Depois de ter «incentivado», financiado e armado o regime fascista de Saddam, este atacou perfidamente o seu vizinho iraniano para lhe «roubar» o seu «OURO NEGRO», as potências imperialistas ocidentais, confrontadas com a «derrota do regime de Bagdad» e com a agressão contra o Kuwait para se apoderarem do petróleo — que já pertencia às potências ocidentais —, a fim de pagar as suas dívidas de guerra, tornaram-se seus «inimigos» e declararam-lhe uma «guerra económica», em todas as frentes, através de um regime de sanções económicas «da ONU» patenteadas que fez com que as suas receitas petrolíferas passassem de 10,2 mil milhões de dólares americanos em 1990 para 305 milhões de dólares americanos em 1991, arruinando a sua economia, matando de fome o povo iraquiano e provocando profundas divisões no seio do Estado fascista-baasista iraquiano.

O Império ataca o Iraque e envolve-se na ocupação neo-colonial do território

Foram essas as bases da pérfida agressão militar dos EUA/Reino Unido/Austrália em 2003, sob as mentiras odiosas e repugnantes de «libertar o povo iraquiano» do seu proxy, aquele «canalha do Saddam», e de encontrar «armas de destruição maciça» que nunca existiram (tal como a bomba nuclear iraniana)   a não ser na propaganda goebbeliana dos meios de comunicação social dominantes dos bilionários: «Mintam, mintam, mintam, sempre ficará algo de útil» (Goebbels dixit). Mais uma vez, os especialistas ocidentais entraram em alvoroço por causa destas tolices da propaganda imperial.

O regime de ocupação do Iraque, um prenúncio do que estava para acontecer no Canadá e na Venezuela

É precisamente na instauração do regime de «ocupação» do Iraque após a sua invasão que reside o único e exclusivo OBJECTIVO desta guerra desumana de «roubo, pilhagem, banditismo e exploração» do OURO NEGRO iraquiano, que os «especialistas» ocultam e que a sequência dos acontecimentos demonstra.

Assim, a partir do derrube do regime de Saddam, em Abril de 2003, os ianques dos EUA e os seus vassalos ocidentais criaram a «Autoridade Provisória da Coligação», um governo fantoche que «abriu» amplamente os recursos petrolíferos iraquianos aos «interesses estrangeiros» imperialistas e que servirá de modelo para as subsequentes apropriações de bens. Assim,

BP+CNPC CHINÊS > Rumaila;
ExxonMobil + Shell > West Qurna1;
LUKOIL RUSSO > West Quurna-2;
ENI > Zubair;
CNPC CHINA > vários grandes campos petrolíferos;
A TotalEnergies França > numerosos projectos de petróleo e gás e ainda mais, graças ao mecanismo financeiro subordinado ao 
"Banco da Reserva Federal de Nova Iorque/Fundo de Desenvolvimento para o Iraque", que os imperialistas ianques assumiram o controlo total das "receitas" petrolíferas iraquianas, que constituem 90% do orçamento do estado iraquiano remanescente (23/re:reuters.com/01/2026)

Em resumo, os «vampiros» do complexo financeiro YANKEE receberam as suas rendas  por terem financiado: «a guerra Irão-Iraque»; «Iraque-Kuwait»; «Guerra do Golfo 1990-1991»; «Operação Liberdade do Iraque» de 2003; «derrube do regime de Saddam» pelos regimes ocidentais supostamente liberais e pelas suas operações subversivas ilegais, em virtude das quais, tal como demonstrámos: as «receitas» do OURO NEGRO iraquiano passaram do Estado iraquiano comprador, em 1972, para o controlo dos YANKEE U$, actualmente.

Este regime de "controlo" das receitas do petróleo e gás iraquianos é semelhante ao que acaba de ser imposto pelo "fürher" Tr0mp ao governo venezuelano renegado pelo decreto dos "Fundos de Depósito do Governo Estrangeiro", assinado a 9 de Janeiro de 2026, que subordina aos diktats dos YANKEES o uso de "receitas da venda dos recursos naturais venezuelanos, receitas da PDVSA e fundos soberanos venezuelanos detidos na Venezuela contas do governo dos EUA e do acordo de Agosto de 2026, que dão aos Estados Unidos o controlo maioritário na exploração de 65 mil milhões de barris de petróleo provenientes das reservas comprovadas da Venezuela" (re: whitehouse.gov, "Bem-vindos à idade de ouro!", 01/09/2026; 08/2026).

O regime fundiário neo-colonial

Este regime corresponde também ao programa de ditadura «financeira» mundial que os imperialistas ianques se empenham em impor, militar, política e economicamente, ao Irão através de uma guerra «total» e aos seus vassalos canadianos através de uma guerra «comercial», de propaganda e de ingerência nos assuntos internos, tal como demonstrou a «ruptura» das negociações fictícias «EUA-Canadá» sobre a questão da venda de petróleo bruto canadiano à Ásia através do oleoduto «Trans Mountain», quando 90% das exportações de petróleo bruto canadiano são destinadas aos Estados Unidos, o que explica na totalidade o excedente da balança comercial canadiana.

Aliás, o director executivo da «Trans Mountain» declarou durante as negociações que o Canadá deveria construir um segundo oleoduto capaz de transportar até 2 Mb/j para a Ásia, a fim de diversificar os seus mercados e escapar ao «controlo» dos EUA, o que indignou os negociadores ianques (ref.: reuters.com, 28/08/2026)

O Canadá não é já o 51.º Estado dos EUA…? A Gronelândia tornar-se-ia o 52.º (???)

Já em janeiro de 2026, o «Führer» Tr0mp ameaçou o Canadá com «direitos aduaneiros ilegais» de 100% ou 50% caso este celebrasse determinados acordos com a China.  Em Março-Abril, as negociações incidem «sobre a segurança energética dos EUA». O Canadá, Alberta e a Aliança das Areias Betuminosas celebram um protocolo com o objectivo de «diversificar o acesso aos mercados mundiais para o petróleo canadiano», nomeadamente através do oleoduto Trans-Mountain, ao que o «pirata» Tr0mp responde com uma «guerra de tarifas» e, a 21 de Agosto de 2026, após o «romper» das negociações, anuncia o ressurgimento forçado do oleoduto «Keystone XL» (suspenso pelo regime de Biden)  para obrigar o Canadá (o 51.º Estado da União) (sic) a fornecer o seu petróleo bruto às refinarias ianques  do sul, que enfrentam escassez devido ao encerramento do estreito de Ormuz e ao bloqueio ilegal dos portos iranianos.

Eis o OBJECTIVO de todas as guerras imperialistas que os «especialistas auto-proclamados e certificados», tanto da direita como da esquerda, ocultam sistematicamente: «o roubo, a pilhagem e o banditismo»  oferecendo ao proletariado, ora «explicações» fúteis sobre o mau carácter e as «mudanças de humor» de uma personagem rocambolesca e outras estupidezes infantis, ora a ausência pura e simples de explicação, sugerindo que as guerras imperialistas são realidades misteriosas que não se deve, sob nenhuma circunstância, compreender para nunca lhes dar resposta de forma revolucionária.


PROLETÁRIOS DE TODO O MUNDO, UNI-VOS E REJEITAI

AS EXPLICAÇÕES FALSAS DA BURGUESIA SOBRE A SUA BUSCA

DE LUCROS DESUMANOS ATRAVÉS DO «ROUBO, SAQUE E BANDIDAGEM»


Publicado pela Éditions L'Harmattan em Paris, o volume de Robert Bibeau e Khider Mesloub:

"DA INSURREIÇÃO POPULAR À REVOLUÇÃO PROLETÁRIA". Colecção Questões contemporâneas. 220 páginas.

Para encomendar online em Harmattan: Da insurreição popular à revolução proletária – Robert Bibeau, Khider Mesloub, na AMAZON: https://www.amazon.ca/-/fr/linsurrection-populaire-%C3%A0-r%C3%A9volution-prol%C3%A9tarienne/dp/2336478714/ref=sr_1_8?

 

Versão em Língua Portuguesa

Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: DA INSURREIÇÃO POPULAR À REVOLUÇÃO PROLETÁRIA

 

Fonte: Le pétrole…la mère de toute les convoitises, de toutes les guerres modernes – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




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