quinta-feira, 10 de setembro de 2026

A Venezuela tem de voltar a ser a Venezuela! Vozes estão-se a levantar, as resistências estão a organizar-se!


A Venezuela tem de voltar a ser a Venezuela! Vozes estão-se a levantar, as resistências estão a organizar-se!

10 de Setembro de 2026 Robert Bibeau

Por jean.pierre.page@gmail.com

APELO

 

A Venezuela tem de voltar a ser a Venezuela! Vozes estão-se a levantar, as resistências estão a organizar-se!

 


Foi cometido um crime político, económico, social, constitucional, cultural na Venezuela. Os autores são conhecidos! São os Estados Unidos com a sua obsessão de querer dominar tudo, especialmente nas Américas, reafirmando a funesta doutrina Monroe.

Num acto flagrante de agressão contra a integridade territorial e a independência do país, em violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional, a soberania da Venezuela foi confiscada. O país e o seu povo foram colocados unilateralmente sob a tutela de Washington. O presidente Nicolás Maduro, democraticamente eleito e

reconhecido internacionalmente, assim como a sua esposa Celia Flores, foram sequestrados durante um ataque militar mortal dos Estados Unidos. Eles encontram-se agora encarcerados numa prisão de alta segurança nos Estados Unidos e em condições desumanas. O colaborador próximo de Nicolás Maduro, Alex Saab, foi detido pela polícia venezuelana, entregue e extraditado para os EUA. O direito inalienável do povo venezuelano e da sua nação de determinar livremente o seu destino, sem qualquer intervenção, força ou coação externa, foi violado. Para Donald Trump, o extorquir e a agressão tornaram-se outra maneira de governar.

 

Um governo fantoche

O governo fantoche que foi instalado em Caracas pelos EUA escolheu colaborar. Ao alinhar-se servilmente ao serviço dos mandantes de Washington, renunciou assim a lutar e recusou dar armas ao seu povo já no passado 3 de Janeiro, quando muitos militantes das milícias populares iam pedi-las.

Através de uma «negociação» secreta sem qualquer consulta popular respeitosa da constituição bolivariana e desprezando a história e as lutas do povo venezuelano, cedeu uma parte importante do seu território, das suas infraestruturas, bem como locais de extracção de petróleo às empresas multinacionais dos EUA.

Apresentado como o contrato petrolífero do século, os 65 mil milhões de barris de petróleo extorquidos por D. Trump permitirão duplicar as reservas dos Estados Unidos. Depois de ter sido calorosamente agradecido pelas autoridades de Caracas, ele congratulou-se com cinismo com o que ousou apresentar como um "presente da Venezuela ao povo americano".

No entanto, na opinião de muitos especialistas e por razões técnicas ligadas ao refinamento, transporte e uso, esta extorsão demorará muitos anos a tornar-se operativa. Parece, portanto, uma decisão partidária, eleitoralista e política ligada às crises sociais e políticas nos EUA.


Esta enorme riqueza, propriedade de todo um povo, é assim apropriada. Como um despojo de guerra, os milhares de milhões que deveriam financiar escolas, hospitais e todas as diferentes infraestruturas do país são entregues aos EUA, sacrificando assim o futuro de toda uma nação. A supervisão da administração em Washington tornou-se absoluta e minuciosa; agora governa a Venezuela como um pró-cônsul. O escritor uruguaio Eduardo Galeano declarou: «é a nossa riqueza que nos torna pobres»!

O governo fantoche efectivamente privou o seu próprio povo e a sua nação do seu direito inalienável de determinar o próprio destino, o que exige, como pré-condição, o seu direito de exercer soberania permanente sobre toda a sua riqueza, recursos naturais e actividade económica.

A mentira e a renúncia são doravante elevadas ao nível de princípios de governo. Simón Bolívar e Hugo Chávez, os libertadores da opressão colonial que devolveram o orgulho e a liberdade a toda uma nação, foram traídos.

Este banditismo dos EUA sem precedentes pisa, mais uma vez, na Carta das Nações Unidas e no direito internacional, desestabilizando toda uma região. Além disso, ameaça os equilíbrios energéticos internacionais e agrava a situação de guerra provocada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão e outros países da península Arábica como o Iémen.

Consequentemente, é urgente pôr fim a esta política mafiosa de ingerência sistemática, a esta barbárie que procura travar um novo movimento de emancipação em todo o mundo.

Vozes levantam-se!

Na Venezuela já se levantam muitas vozes entre as mais ilustres no campo da revolução bolivariana, entre elas, vários companheiros de Hugo Chávez. As lutas multiplicam-se, tendo ocorrido as primeiras manifestações por iniciativa de trabalhadores, sindicalistas, intelectuais de todas as áreas, e moradores das Comunas, esses locais de poder popular e revolucionário hoje ameaçados na sua existência. 

O povo venezuelano não tem outra escolha senão manifestar a sua unidade e relançar a luta anti-imperialista para responder à perda da sua soberania e independência.

Apoio e solidariedade!

 Com todos eles e elas, exigimos:

·         A libertação imediata do presidente Nicolás Maduro e da deputada Celia Flores, sua companheira;

·         A retirada imediata das forças dos EUA da Venezuela e de toda a região;

·         A restituição imediata de todos os rendimentos provenientes das exportações venezuelanas actualmente sob controlo dos Estados Unidos, bem como a devolução de todos os outros activos do Estado venezuelano apreendidos e actualmente detidos, entre outros, pelo Banco de Inglaterra;

·         A revogação imediata de todas as medidas coercivas unilaterais, como sanções contrárias à Carta das Nações Unidas e ao direito internacional, embargos, bloqueios e o congelamento selectivo de activos, impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia contra a República Bolivariana da Venezuela;

·         Reparações integrais por todos os danos causados pelo recurso a actos de agressão ilícitos, incluindo medidas coercivas unilaterais, em conformidade com o direito internacional. 

Como tão bem diz o grande escritor venezuelano Luis Britto Garcia, ex-membro do Conselho de Estado: "A Venezuela deve voltar a ser Venezuela".

Estamos comprometidos em contribuir para isso!

Deve enviar as assinaturas para Jean-Pierre Page: jean.pierre.page@gmail.com Se achar útil, pode espalhar este Apelo ao seu redor


Nomes País Função/Organização


1.      Jean-Pierre Page, França, sindicalista

2.      Tamara Kunanayakam, Sri Lanka, ex-presidente do Grupo de Trabalho Intergovernamental da ONU sobre o Direito ao Desenvolvimento

3.      Bruno Drweski, França, Professor Universitário, União para a Reconstrução Comunista (URC)

4.      Jacqueline Lavy, França, aposentada da Educação Nacional, CGT, activista

5.      Quim Boix, Espanha, Secretário-Geral do Sindicato Internacional dos Sindicatos de Aposentados da Federação Mundial dos Sindicatos (WFTU)

6.      Ernesto Monteagudo

7.      Christophe Saulière

8.      Hacène Elmekeddem

9.      Jean Pierre Gausset

10.  Ghislaine Cottreau

11.  Fred Sohe

12.  Zin Sebbag

13.  Nic Enet

14.  A revista online "Les 7 du Québec", Canadá, Editora.

 

 

Fonte: Le Venezuela doit redevenir le Venezuela ! Des voix s’élèvent, les résistances s’organisent ! – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




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