segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Não são alguns dias de acção que vão parar o rolo compressor capitalista! A única resposta à degradação das nossas condições de vida é a luta autónoma e organizada do proletariado!

 


Não são alguns dias de acção que vão parar o rolo compressor capitalista! 

A única resposta à degradação das nossas condições de vida é a luta autónoma e organizada do proletariado!


Em vez de distribuir o folheto que fizemos para difundir durante as manifestações em França no dia 29 de Setembro, decidimos adoptar o que foi criado pelo Grupo Revolucionário Internacionalista, grupo afiliado à Tendência Comunista Internacionalista. Claro que não concordamos totalmente com algumas formulações específicas e tínhamos a intenção de nos dirigir mais à situação histórica e internacional do que à nacional. No entanto, a orientação proposta pelo GRI parece-nos totalmente válida, a ponto de a apoiarmos e de a tornarmos, de forma geral, nossa.

Que as forças fracas e pouco numerosas da Esquerda comunista possam expressar-se com uma única voz, ou pelo menos com a mesma voz, na medida em que concordam sobre a orientação e o conteúdo da intervenção, parece-nos importante do ponto de vista da classe operária como um todo e também do ponto de vista das forças comunistas. Falar com uma única voz, quando possível, permite apresentar uma linha clara e única de orientação das lutas de classe. E é de facto um momento efectivo na luta pela constituição do partido comunista de amanhã.

Saudações internacionalistas

O GIGC, 28 de Setembro de 2026

Aqui estamos prevenidos. A burguesia procura desesperadamente 54 mil milhões de euros de poupanças para fechar o seu orçamento para o ano de 2027. Foi o que anunciou em grande estilo o governo Lecornu no passado dia 17 de Setembro. Mas atenção, não se trata de um orçamento de “austeridade”, mas sim de “rigor” e de “justiça”, palavra de ministro!

A novilíngua da burguesia disfarça mal a dura realidade com que a classe operária se depara hoje, entre o aumento do custo de vida e a redução dos salários. O objectivo é claro: trata-se de a fazer pagar não só a redução do défice para satisfazer os mercados financeiros e as agências de notação, a fim de limitar a subida das taxas de juro da dívida, mas sobretudo de a fazer aceitar os seus próprios sacrifícios em nome do interesse nacional, o da burguesia, ou seja, o rearmamento e a remilitarização a todo o vapor. É neste contexto que o orçamento prevê um aumento de mais de seis mil milhões de euros nas despesas militares. A burguesia procura transformar a economia francesa numa economia de guerra, com o apoio de todos os partidos políticos da extrema-direita à extrema-esquerda, de modo a preparar-se para os próximos confrontos inter-imperialistas entre o bloco atlântico e o russo-chinês. Já vemos os primeiros sinais disso com os conflitos na Ucrânia ou no Irão, manifestações perigosas desta marcha para a guerra na qual todas as burguesias imperialistas se envolvem, visando repartir os lucros a seu favor.

Perante estas crises, a burguesia quer intensificar os ataques de austeridade contra os trabalhadores: congelamento salarial dos funcionários públicos, congelamento das ajudas à habitação e de várias prestações sociais, desindexação das reformas, redução dos períodos de doença e das rescisões por acordo, período de carência para o acesso de populações imigrantes a certas prestações. Segundo estes senhores, o capital já contribuiu demais para a solidariedade colectiva: agora é a nossa vez ser dispensados.

E eis que os sindicatos, como de costume, tentam travar o movimento. Ao propor dias de greve simbólicos apenas na função pública e algumas manifestações-passeio sem futuro, isoladas do resto da classe operária devido a palavras de ordem puramente corporativas, estas organizações dividem a luta e enfraquecem a classe. A luta deve acontecer fora destas instituições reaccionárias, organizando-se em Assembleias Gerais e comités de greve, procurando generalizá-la e expandi-la para todos os sectores em torno de palavras de ordem unitárias, abrangendo toda a classe operária, tanto do sector público como do privado.

Não devemos apenas defender-nos contra os ataques da burguesia às reformas, ao subsídio de saúde ou ao subsídio de desemprego, devemos sobretudo retomar o controlo das nossas lutas para lhes impor uma nova relação de força, conseguir a redução da duração do trabalho e o aumento dos salários.

Em todo o mundo, a guerra de classes lançada pela burguesia intensifica-se contra a classe operária. Na Alemanha, na Finlândia, nos Estados Unidos, na Argentina, no Canadá ou na Bélgica, todos os governos, de esquerda ou de direita, procuram relançar a economia sobre-explorando o proletariado até ao tutano, tendo como única bússola restaurar a rentabilidade do capital.

Mas não os vamos deixar fazer. Perante a degradação das nossas condições de vida e de trabalho, intrinsecamente ligada à crise estrutural do capital, teremos de resistir a estes ataques. Em Espanha, os trabalhadores da Airbus mostram o caminho enfrentando tanto o capital como os sindicatos colaboracionistas, tal como os trabalhadores da Bolívia e da Índia fizeram alguns meses antes. Embora esta recuperação ainda seja hesitante e não esteja isenta de limites, mostra, no entanto, que a classe operária, como classe revolucionária, é a única capaz de resistir à decadência do capitalismo e à sua queda na barbárie.

Para nos prepararmos para os futuros confrontos de classe decisivos, devemos desde já organizar-nos e participar na construção do partido internacional de amanhã, o partido de classe de que o proletariado precisará para levar as suas lutas até à vitória. É a esta tarefa que nos dedicamos, apesar das dificuldades, com a consciência da urgência da situação.


Guerra à guerra, guerra à burguesia!


Grupo Revolucionário Internacionalista (GRI),

grupo afiliado à Tendência Comunista Internacionalista (TCI)

http://www.leftcom.org/fr

contact : fr@leftcom.org



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