sexta-feira, 6 de março de 2020

Síria – Discurso aos colaboradores que povoam as nossas elites



6 de Março de 2020

Por Vincent LENORMANT. Le Grand Soir.

Após 8 anos de terror, Aleppo foi finalmente libertada. Não existe mais o medo de rockets a cair aleatoriamente na cidade, ceifando vida após vida, dia após dia. Este é o fim da ocupação do noroeste da Síria por grupos terroristas, o fim da arbitrariedade de grupos armados, assaltos, estupros e tribunais pseudo-islâmicos. Mas não podemos compartilhar essa alegria. Mesmo que a barreira da propaganda se rompa, os fazedores de opinião fazem ainda causa comum com os "rebeldes".

Está na hora de fazer um breve balanço dos factos  

Dirijo-me aqui a todos aqueles, especialmente os jornalistas, académicos e activistas políticos, que apoiaram a "rebelião" (sic).

Há 9 anos, ocorreu uma insurreição na Síria, contra o poder baathista, no contexto das "Primaveras Árabes". Toda a classe política e a comunicação social imediatamente ficaram entusiasmadas com essas "revoluções" que iriam finalmente aportar modernidade e democracia aos países que eles consideravam atrasados.

Em poucas semanas, assistimos ao surgimento de uma linguagem que ainda persiste: o governo sírio tornou-se "o regime Bashar". Regime, nizam, regime, regimen, em todas as línguas. E face a isso, rebeldes, rebels, rebeldes, rebelles, thuwar em árabe, "revolucionários". Vocês tomaram claramente partido por um campo contra o outro.

É isso que se aprende na escola do jornalismo?
Ah, mas respondem vocês, não se pode tratar da mesma maneira a barbárie do regime e os pobres rebeldes.

Mas, digam-me, na escola de jornalismo não aprendem a verificar, a cruzar as vossas fontes?  Provavelmente teriam de, sem dúvida, reexaminar os crimes pelos quais Assad é acusado. A maioria desses crimes, como o massacre de Houla, foram cometidos pela vossa "rebelião". O relatório César? Uma série de fotos de cadáveres que não provam nada. Ataques químicos? Falsidades. Cada vez que decidiram dar a palavra aos "rebeldes" e nunca ao "regime",  descartaram criteriosamente o trabalho de jornalistas como Seymour Hersh, Robert Fisk, Vanessa Beeley, etc. Escolheram ocultar os crimes atrozes de uma rebelião que era sectária desde o início.

 A Irmandade Muçulmana, informadores do Libération
Vocês escolheram um lado, numa guerra que devastou um país que não é vosso. Percebem a seriedade do que fizeram? Para alguns, funcionários do estado, agentes de vários serviços, vocês apenas obedeceram aos seus pedidos. Lembrem-se de que o estado francês apoiou e  armou a vossa "rebelião". Mas vocês, os outros, os seguidores, que fizeram coro com o estado, com a BHL, com os Estados Unidos, com Israel e a Arábia Saudita? Vocês que não ganharam nada apoiando esses terroristas? Como perdoar-vos?
Porque vocês são muitos, pode ser? É justamente isso que é o mais horrível. Quantos se opuseram à guerra? Quantos mantiveram o sangue frio e resistiram à mais gigantesca máquina de propaganda de guerra jamais imaginada? Muito poucos.  Alguns perderam os seus empregos, muitos foram demitidos, postos na prateleira, "cancelados", como se diz no Twitter.
Não passaram de agentes devidamente pagos por praticar as suas operações de guerra psicológica, egocêntricos, covardes, seguidistas e imbecis. O problema é que essas categorias já estavam super-representadas no jornalismo ou na política. Eles fizeram o mesmo trabalho que os primeiros, mas gratuitamente.

Deixem-me contar-vos  as coisas do meu ponto de vista. Em 2011, dissemos: "Isso não é uma revolução, é uma operação de mudança de regime liderada pelos Estados Unidos, Israel e Arábia Saudita. Os maiores inimigos da Síria são esses países, qualquer mudança de regime será vantajosa para eles. A única oposição estruturada e armada é a Irmandade Muçulmana. Se eles tomarem o poder na Síria, será a catástrofe, porque a Síria é um mosaico de povos e religiões, o pior que pode acontecer a este país é um poder sectário. ”

Trataram-nos como conspiradores. Embriagaram-nos com falsidades que nos retratavam a rebelião como heróis românticos e nunca mostravam as imagens que os próprios grupos terroristas filmaram para recrutar.
Nós vimos, essas imagens.

Também vimos o vosso “exército sírio livre” a comer o fígado de um soldado do exército sírio, decapitado com toda a força e depois ouvimos os testemunhos dos Alépins (habitantes de Allepo – Nota do Tradutor) traumatizados pela chegada de bárbaros que não trouxeram senão roubo, estupro, saque à pala de  "liberdade".
Silêncio da vosso lado. Ou então "é a propaganda de Bashar", com esse vocabulário infantil que tanto vos desonrou. De qualquer forma, eu sei estabelecer a diferença entre imagens editadas e imagens tiradas ao vivo no local. Obviamente, esse não é o vosso ponto forte! No entanto, os falsos Capacetes Brancos ou de M. Alhamdo, ou a pequena Bana que  twittava em inglês aos 8 anos de idade a partir das zonas bombardeadas, ficou claro que eram falsos.



Os massacres de civis com que vocês  bombardeavam os nossos ouvidos nunca aconteceram. Os terroristas lutaram, bateram-se em cada ocasião até ao fim , encorajados por vocês. O estado sírio tentou todas as vias de negociação e sempre lhes deixou uma porta de saída. Todos foram enviados para Idlib, porque é a saída para a Turquia de onde chegaram. Mas agora é preciso sair também de Idlib.
Dão-se conta de que há anos que Idlib é uma zona sob o controle da Al Qaeda?
Não, não, vocês não nos farão acreditar que gentis libertadores tenham o menor controle sobre o povo de Idlib. Quem os controla são aqueles que possuem as armas. É o HTS que detém a vantagem, a saber um avatar da Al Qaeda.

Sabem, a Al Qaeda, aqueles que massacraram a redacção do Charlie Hebdo ?
Então, e agora, já não são todos Charlie?


Vocês não podem ser Charlie por um lado (seja o que for que isso significa), e por outro deplorar o fim da Al Qaeda na Síria. Como ?

Eu caricaturo ?
De forma nenhuma. Os territórios libertados estão cheios de cartazes que respiram liberdade: "os xiitas são os inimigos do Islão" "as mulheres devem estar cobertas até as unhas" "os homens devem usar barba" "as músicas são proibidas" ...

É isto que vocês estiveram a proteger? É a isto que vocês chamam “liberdades”?
Meus pobres queridos (colegas), vocês entraram numa guerra e vocês perderam-na. E vocês não podem voltar atrás, é tarde demais! E quem vos disse que estariam protegidos ad vitam aeternam? Sabem, as coisas estão a mexer. Não é impossível que um dia aqueles que alimentaram esta guerra sejam julgados.

Vocês impediram-nos de lamentar as vítimas da vossa revolução islâmica e ainda nos impedem de celebrar as vitórias sírias. O vosso pior crime é o uso vergonhoso de crianças. No vosso delírio, o exército sírio, que tem diante dele tanques e mísseis, não luta senão contra civis, especialmente crianças. Por sadismo, porque eles são realmente muito maus.

O público médio rapidamente se distanciou, e esse foi provavelmente o objectivo. Valia mais dizer que era "muito complicado" e que devia seguir em frente. No entanto, muitos são os que, sem mesmo compreender a situação, sabiam que vocês mentiam .

Porque vocês mentem mal e os vossos processos são sujos. A censura tem sido feroz, a liberdade de expressão foi reduzida, toda a gente se apercebe. Vocês sabem que as pessoas comuns vos odeiam. Porque vocês são os cães de guarda de um poder hediondo. O nível caiu tão baixo em alguns anos. A própria ideia de dignidade parece incongruente. Vocês desonraram-se, e desonraram-nos a nós,  todos os dias um pouco mais.

O público em geral não faz necessariamente a ligação entre a actual decrepitude e a guerra na Síria. Para mim, é óbvia. Desde 2011, que toda a sociedade está sobrecarregada de mentiras e injunções contraditórias, vulgaridade e ódio. É o que acontece quando toda a burguesia intelectual francesa toma partido pelos cortadores de cabeça fanáticos, por um lado, e por outro lado se auto-denominam ambientalistas e feministas. E não vamos esquecer que em 2014 todos vocês também se juntaram ao lado da extrema-direita ucraniana, para apoiar um golpe que colocou os neonazis no poder nesse país!

Então, uma vez mais, por um lado, não nos podemos fazer passar por antifascistas e, por outro lado, tomar o partido dos neonazis. E aqui dirijo-me aos neo-militantes da vasta banditagem que é o esquerdismo 2.0: estão surpreendidos por não atrair multidões? O que é que vocês fizeram por nós? Lançaram-se na cruzada do anti-conspiracionismo e de nos tratar como fachos, em uníssono com a BHL e Rudy Reichstadt, isso não era o que esperávamos de vós. Tratar Chouard, um autêntico anarquista, de facho, não esperávamos isso de vós. Vocês escolheram o lado do poder que censura, o que significa que nunca defenderam a liberdade de expressão no momento em que foi ameaçada e, é claro, esqueceram-se de defender Julian Assange. Vocês trataram pessoas de bem de fascistas e nunca disseram uma palavra sobre os neonazis ucranianos ou a Irmandade Muçulmana. E para a Síria, às vezes colaboraram abertamente com grupos armados. Vocês não estão apaixonados senão por histórias LGBT que não interessam a muitas pessoas, enquanto coisas extremamente graves estão a acontecer. Sintetizando, vocês não tem outra utilidade senão distrair e dividir as pessoas. A vossa malevolência e a vossa inutilidade são gritantes com os Coletes Amarelos. É por isso que prevejo um futuro sombrio para as vossas boutiques.

 Vocês envergonharam-nos. E nós, secretamente, fomos inspirados pelo heroísmo das vítimas reais desta guerra, pela imagem de absoluta dignidade que a Resistência nos ofereceu. Obrigado à Resistência, obrigado a todas as forças que dão um exemplo de dignidade no meio de uma guerra tão horrível. Nos vossos espíritos estreitos , o que digo aqui é Bacharismo, é fazer a apologia do ditador, não é? Sou francês, não me cabe a mim dizer quem governará os sírios.



É aos sírios que cabe decidir

Se os Coletes Amarelos se tivessem tornado um pretexto para a invasão da França e pelo massacre de pessoas inocentes por mercenários pagos e armados por potências estrangeiras, os únicos que ainda falariam em "revolução" seriam os cúmplices dessas potências.
Os sírios vão, portanto, reconstruir o seu país e escolherão sozinhos o seu próprio destino. Vocês queriam fazer de Assad um monstro, temo que tenham feito dele um herói para as gerações vindouras. E a mim, o que me alegra, é a derrota da Irmandade Muçulmana, a queda do Catar, da Arábia Saudita, do sonho despedaçado de Erdogan, todos esses dólares que só serviram ​​para precipitar a queda do amaldiçoado Império Otomano, que vem destruindo país após país há muito tempo. É por isso que estou ansioso. E também pela vossa queda.




quinta-feira, 5 de março de 2020

Estados Unidos – talibãs - sequência e fim do império americano







Robert Bibeau

Capitulação e retirada americana do Afeganistão


Após dezoito anos de massacre pós-colonial no Afeganistão, foi assinado um acordo de retirada das tropas de ocupação da “coligação” entre a administração dos EUA e a resistência nacionalista afegã - liderada pelos Talibã. Este acordo faz parte da reestruturação geoestratégica imperialista no Médio Oriente, levada a cabo desde a guerra na Síria da qual os Estados Unidos foram expulsos, antes de serem extraditados do Iraque, e de se retirar em da Palestina-Israel dissimulados sob o ridículo e farsante "negócio do século" (“deal of the century” – Nota do Tradutor).

Afirmamos isso há já alguns anos! As dificuldades económicas estruturais do império americano forçam os financiadores de Wall Street a reorganizar os seus esforços de guerra em direcção ao seu principal inimigo - a aliança imperial China-Rússia - e a abandonar os campos de confronto como a Síria, Israel-Palestina, o Paquistão, o Iraque, o Irão e o Golfo Pérsico, o Iémene, o Sudão,a  Líbia e o Afeganistão, guerras que o império está a tentar impingir à  NATO e à França.

Nos últimos oito anos ( início da guerra nacional de autodefesa da Síria), em cada um desses terrenos de confrontos – de bombardeamentos – de refugiados - de mortos e destruição - o império americano passou da derrota ao desastre. Em cada um desses países, o império capitula e, depois de semear o caos e a destruição, tenta conter os danos após o seu desmembramento militar e prossegue a sua agressão no plano económico e financeiro, quando tal é possível. De facto, se o Irão, um estado moderno e poderoso, mantiver um comércio internacional florescente com o Ocidente e com o Oriente (China em particular), o Afeganistão, um dos estados mais pobres do planeta, não exporta senão ópio, de que os traficantes da China, da Europa e dos Estados Unidos não podem prescindir. É difícil sob essas condições imaginar como o império em declínio conseguirá sancionar e isolar diplomaticamente esse país subdesenvolvido, onde os Talibãs reinam de facto há, não obstante o que dizem os escribas a soldo do imperialismo .
 Os motivos da invasão americana
É compreendendo os motivos para a invasão deste país subdesenvolvido, isolado, em guerra civil perpétua que podemos fazer um balanço dessa invasão fracassada da qual os ianques emergem enfraquecidos. Qual foi o verdadeiro motivo da invasão deste país exangue? Esqueçam o absurdo de George W. Bush a propósito  da libertação das mulheres da burca (que elas usam sempre incidentalmente); a propósito de Bin Laden, o seu apoio face ao declínio do império soviético; a propósito da Al Qaeda, do Daesh e outros mercenários jihadistas (exfiltrados dos teatros de operações na Síria, no Iraque e no Iémen); esqueçam os Talibãs e a sua guerra de clãs contra os senhores feudais, contra os mercenários jihadistas e outros espantalhos criados pela CIA e financiados pela Arábia Saudita. Não havia necessidade de mobilizar 200.000 soldados de vinte países da OTAN para conter os combatentes da resistência dos Talibãs na sua guerra contra os chefes de tribos corrompidos; bastava cortar o seu financiamento, incluindo o tráfico de ópio, subsídios Wahhabi de Riad e privá-los do armamento da CIA.

Mas então, por que é que essa invasão e essa guerra, que custaram tantos biliões de dólares aos contribuintes americanos que nunca entenderam o que os soldados ianques estavam a fazer naquele país no fim do mundo, sem riqueza natural para saquear, sem mão-de-obra qualificada para explorar? Essa invasão da OTAN não teve como objectivo conter os talibãs, mas recrutá-los para a guerra americana contra as "Novas Rota da Seda" chinesas. Um vasto projecto planetário de vários biliões de dólares que a Aliança de Xangai empreendeu para impulsionar o comércio internacional, do qual se tornou a força incontestada. O megaprojeto das Rotas da Seda (um trilião de dólares em investimentos repartidos ao longo de décadas) é composto por infra-estruturas de transporte marítimo (oceano Índico em particular e portos de águas profundas no Ceilão e no Paquistão); por via aérea (aeroportos internacionais que ligam a China ao Médio Oriente e à Europa, primeiro mercado mundial); por terra (redes de estradas que ligam Pequim aos portos do Mediterrâneo oriental); e gasodutos e oleodutos a ligar a China ao Médio Oriente, fonte de seu aprovisionamento.

Grande parte dessas infraestruturas de transporte passa pelo Afeganistão, em território iraniano e no Cazaquistão membro da Aliança de Xangai e próximo do território afegão. A invasão imperialista do Afeganistão, controlada pelos Talibãs, visava simplesmente impor um governo fantoche pró-OTAN, encarregado de negociar e recrutar os Talibãs como mercenários a soldo dos Estados Unidos, a fim de dinamitar e destruir essa infraestrutura de transporte  e tornar inoperante o vasto projecto das "Novas Rotas da Seda" chinesas, colocando assim o aspirante à hegemonia imperialista mundial à mercê do antigo poder decadente americano.

Hoje, os Estados Unidos teriam conseguido recrutar os talibãs que, até agora, estavam completamente desinteressados ​​pelas ofertas e mercados ocidentais, e conseguiram reconquistar a quase totalidade do país, ao mesmo tempo contra o governo fantoche dos senhores da guerra, os restos da Al-Qaeda e os resíduos do Daesh, todos apoiados pelos restos da Força Expedicionária da OTAN (ou o que resta dela, cerca de 13.000 soldados reclusos e cercados em alguns campos entrincheirados).

Surge agora a questão de saber se os artigos secretos do acordo EUA-Talibãs incluem cláusulas que garantem a sobrevivência do governo fantoche em Cabul e se, em troca da retirada total das tropas americanas e de subsídios generosos, o governo dos Talibãs concordará em importunar, minar e destruir as infraestruturas chinesas que passam pelo território afegão ou próximo dele. O acordo prevê um tempo de espera de 14 meses para se verificar se os talibãs estão a aplicar os termos secretos do mesmo. Assim, alguns dias após o anúncio do acordo, os Talibãs bombardearam as posições do governo fantoche de Cabul, ao qual os EUA reagiram bombardeando santuários dos Talibãs, o que não significa de forma alguma que um ou outro dos signatários do acordo está a quebrar os seus compromissos secretos (2).

O proletariado revolucionário

Para nós, proletários revolucionários, nunca nos deveremos jamais ser  enganados por essas manigâncias entre as forças feudais e burguesias nacionais e seus senhores imperialistas. Negociações que nunca servem para defender os interesses da população afegã trabalhadora. Somente o proletariado afegão pode servir os interesses do povo afegão (a continuar).


Notas

1. Afeganistão: os Estados Unidos e os Talebãs assinam um acordo histórico após dezoito anos de guerra. Os americanos e a OTAN retirarão todas as suas tropas do Afeganistão dentro de 14 meses se os Talebãs cumprem as suas promessas. "Os Estados Unidos e os Talebãs assinaram um acordo de paz no sábado, 29 de Fevereiro, após dezoito anos de guerra. Os americanos e os outros países da OTAN presentes no local (Alemanha, Reino Unido e Itália, em particular) retirarão todas as suas tropas do Afeganistão dentro de 14 meses se os Talibãs cumprirem os seus compromissos (sic), declararam os Governos americano e afegão numa declaração conjunta. "A coligação completará a retirada das tropas que permanecerem no Afeganistão dentro de 14 meses após a publicação desta declaração conjunta e do acordo Estados Unidos-Talibãs (...), desde que os Talibãs respeitem os seus compromissos nos termos do acordo EUA-Taliban ", diz. Os Estados Unidos começariam a reduzir o seu contingente para 8.600 homens dentro de 135 dias após a assinatura do acordo com os Talibãs, que deve ocorrer esta tarde em Doha, acrescenta o comunicado. Por fim, o chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, apelou no sábado aos talibãs que tomem cuidado com o "declarar vitória" e "que mantenham a promessa de ruptura com a Al-Qaeda". https://www.msn.com/fr-ca/actualites/monde/afghanistan-les-etats-unis-et-les-talibans-signent-un-accord-historique-apr%C3%A8s-dix-huit-ans-de-guerre/ar-BB10zcja?ocid=spartanntp




quarta-feira, 4 de março de 2020

A farsa eleitoral americana atinge o seu ponto mais baixo !






A inocuidade das farsas eleitorais

Colocar a questão da futilidade das eleições presidenciais americanas (francesa, russa, chinesa, alemã, canadiana, etc.) é colocar a questão de : “Quem governa este país – ou melhor, quem governa esta economia mundializada e financeirizada?”



No entanto, esse leitor idealista deixa-se enganar por Bernie e por toda a comunicação social burguesa e pelos actores da cena política americana. Não é um comité secreto - de lobistas - que dirige a economia capitalista do mundo. O modo de produção capitalista é governado por leis imperativas - intrínsecas ao sistema económico e todos os comités secretos - todos os políticos - todas as instituições burguesas nacionais e / ou internacionais têm o mandato de aplicar essas leis essenciais. Eles fazem isso com mais ou menos talento e sucesso, é o único critério que diferencia um governo da esquerda de um governo da direita. Um deles proporá a liberalização do crédito e a impressão de dinheiro a rodos para estimular artificialmente o falso consumo, até o país entrar no colapso da dívida, um partido da oposição assume o controle do aparato estatal - na ocasião de uma farsa eleitoral instável - e impõe uma política de austeridade para forçar os assalariados a reembolsar os credores do estado endividado. E assim, oscila da esquerda para a direita o pêndulo da alternância política do grande capital financeiro (2). Esta é a razão pela qual nós, proletários revolucionários, não aconselhamos os proletários a participarem nessas farsas eleitorais, onde uma facção da burguesia (à direita) confronta uma facção da burguesia (à esquerda) e onde o proletariado é convidado a submeter-se  e a renunciar aos seus direitos de classe, não sendo Bernie Sanders senão uma personagem de esquerda nessa miserável farsa (3).

A farsa eleitoral americana está à altura da imagem da caótica economia yankee
Os Estados Unidos, o centro hegemónico do império em declínio, vive um novo período de frenesim eleitoralista, como em todos os quatro anos, há mais de duzentos anos. Este período de apoplexia democrática não trará nada de novo, assim como as dezenas de farsas eleitorais presidenciais que o precederam. Quando digo que os "Estados Unidos" vivem sob a "democracia" histérica, entenderá que não considero a América dirigente - a América do capital - a América da burguesia e da pequena - burguesia- os homens de mão e os subalternos  precedentes. No que diz respeito aos assalariados, o proletariado e a sua ponta de lança, a classe operária americana, se não fossem os sindicatos pré-formatados, há muito tempo que a ínfima  minoria que ainda se envolve no exercício de "votar por dever cívico ”teria parado esse tipo de absurdo. É completamente errado afirmar que esta undécima farsa eleitoral americana  "mostra um retrato da guerra de classes nos Estados Unidos da América" ​​(4).

Os líderes das claques desta feira redundante são compostos por profissionais pequeno-burgueses profissionais, clericais, das comunicações, da educação, dos serviços governamentais e a florescente indústria das ONGs (Organizações Não Governamentais – Nota do Tradutor). Em suma, uma grande camada de funcionários que não são produtores de mais-valia, mas que vivem da remuneração do estado "providência", financiado pelos impostos dos assalariados; Estado, que é hoje precisamente forçado à austeridade após uma dívida endémica que anuncia a iminente falência do Estado. O que explicamos no nosso último editorial "A crise do capitalismo aprofunda-se" (5). A fonte de emprego desses pequenos burgueses explica o seu apego agressivo a favor dos serviços públicos e da propriedade estatal dos meios de reprodução da força de trabalho. Para o proletariado operário, seja o empregador uma empresa privada ou o estado burguês corrupto, não muda nada ao seu estatuto de assalariado explorado.

Bernie vai para a guerra

Não acreditamos que a oligarquia ianque, o grande capital internacional enredado entre outros capitais mundiais, esteja minimamente assustada com o fantoche político Bernie Sanders, que criticamos severamente depois de ele se ter curvado diante do altar do New York Times   (6).

Neste inquérito, Bernie, o socialista, afunda-se e atesta a sua submissão ao grande capital ianque. SIM, ele consideraria uma intervenção militar humanitária (como Kouchner mentor socialista) e, SIM, ele poderia considerar um bombardeamento preventivo contra a população do Irão e / ou da Coreia do Norte. O que torna esse social-democrata burguês - milionário - fiel aos socialistas da Segunda Internacional que votaram nas razões da guerra imperialistas para a Primeira Guerra Mundial e aos comunistas da Terceira Internacional que participaram no esforço de guerra da Segunda Guerra Mundial e com a esquerda que aguarda pela 3ª Guerra Mundial.

Para o resto do programa social-democrata, Bernie apresenta algo já estafado como a faculdade gratuita para estudantes do ensino médio; o sistema de seguro de saúde para todos; investimentos de capital social que não existem (a dívida pública dos EUA é de 24 triliões de dólares); programas que a oligarquia não terá nenhum problema em bloquear no Congresso, como no dia em que Obama quis fechar a colónia penal de Guantanamo. 
De qualquer forma, Bernie nunca se aproximará do trono imperial ianque, não porque a oligarquia tenha medo dos reformistas socialistas colaboracionistas (que ela apoia com a sua propaganda mediática  e os seus créditos), mas porque a situação de pré-insurgência nos Estados Unidos - o nível de tensão social entre o grande capital e as massas proletárias - ainda não exige que a ilusão reformista populista suba um degrau para salvar o modo de produção capitalista. Tal poderá vir a acontecer, mas a América ainda não chegou lá. E o Green New Deal (o novo acordo verde – Nota do Tradutor) é mais do que suficiente para enganar a pequena burguesia e a juventude efémera.

O proletariado não se deve deixar atrair por estas manobras de sedução socialistas

Sanders participa nessa vasta farsa eleitoral burguesa, deixando de acreditar que esse modo de produção e as suas relações sociais de produção estão sujeitas à farsa democrática, ou seja, à amável ditadura dos ricos no Congresso e na Casa Branca . Os militantes revolucionários proletários - não devem deixar-se envolver acreditando e propagandeando esses disparates eleitoralistas como o fizeram antes: Allende, Chávez, Morales, Maduro, Ortega e tantos outros populistas que abalaram o sono do proletariado que hoje,  depois de 70 anos de sonolência comunista-socialista-esquerdista, volta a vestir o colete amarelo e rejeita tudo o que fede a esquerda reformista-eleitoral.









Notas

7.      https://les7duquebec.net/archives/231044 e uma breve análise das causas profundas do fenómeno Sanders  https://les7duquebec.net/archives/252853


O coronavirus, é mágico !



Coronavirus – a quem aproveita o crime ?



O crime aproveita a quem sabe tirar proveito da baixa!

Quer dizer, ao verdadeiros ricos, que vão uma vez mais beneficiar da « crise » para engrossar a sua fortuna em detrimento dos pequenos portadores.
De um golpe, compreendemos porque é que « eles » nos massacram nos meios de comunicação social com o seu coronavirus, apenas mais perigoso que a gripe. Era, e é ainda, porque todo o mundo fica aterrorizado ao ponto de provocar uma crise económica.
É um aviso para aqueles ou aquelas que queriam arriscar a sua reforma na bolsa, como lhes sugere fortemente a contra-reforma das pensões em França.
Tudo de bom para vocês,
do
29 de Fevereiro de 2020
http://mai68.org/spip2

Arriscar na baixa consiste em vender hoje, ao preço de hoje, uma acção que ainda não possuímos, mas que compraremos amanhã (ou dentro de alguns dias) ao preço de amanhã. Se a acção baixa efectivamente, embolsamos a diferença.
O coronavirus, é mágico !
1 de Março de 2019
É tranquilo para o poder: sob o pretexto do coronavirus, pode interditar as manifestações dos Coletes Amarelos, as manifestações contra a sua reforma das pensões, etc.
Manifestações interditadas… contestação interditada… ocupação dos espíritos… medo… o poder não tem nenhuma razão mais para se privar do 49-3 …
ETC.
O coronavirus, é mágico !








Nota do Tradutor (Luis Júdice):





terça-feira, 3 de março de 2020

Vila Dias: os moradores não devem embarcar em ilusões e falsas promessas!



No artigo que anteriormente publicámos sobre a Vila Dias - http://www.lutapopularonline.org/index.php/pais/96-local/2677-vila-dias-festejos-antecipados-desfechos-ensombrados - , demos a conhecer aos nossos leitores um dos pontos mais relevantes da intervenção de Fernando Medina, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), na folclórica e oportunista feira das vaidades que constituiu a “cerimónia” de celebração do alegado contrato de promessa de compra e venda – nunca exibido – da Vila Dias pela CML, ao abrigo do direito de preferência que lhe assiste.

No mesmo artigo alertávamos para um popular e sábio ditado português que diz que “quando a esmola é muita...o pobre desconfia”! E, se não desconfia, devia desconfiar! Depois de cerca de uma década a negar aos moradores da Vila Dias, ao Beato, o seu direito a uma habitação digna, à reparação das casas degradadas, à construção de uma rede de esgotos – até aos dias de hoje inexistente -, porque é que surge, tal como D. Sebastião num dia de nevoeiro, o executivo camarário a congratular-se por ter adoptado uma solução há muito proposta pelos moradores e à qual a CML sempre se tinha oposto? Porque é que, só agora, volvida quase uma década, decidiu a CML invocar um direito que lhe assiste, o direito de preferência na compra da Vila Dias?

Segundo afirmou Medina, no seu discurso de “celebração” no passado sábado, no Parque Infantil da Vila Dias, no quadro da crise da habitação que assola Lisboa, o foco da acção do gabinete que a CML vai instalar na Vila Dias, logo que tenha sido executada a transferência da sua propriedade para o património camarário, será o de “repensar” que projectos irão surgir naquele espaço.

Não será necessário puxar muito pela cabeça para, tendo nós presente numerosos exemplos de como a CML se tem posicionado como agente especulador e promotor imobiliário, prever o que reserva o executivo camarário para aquela Vila. Contando com a sinistra figura que dá pelo nome de Manuel Salgado e com Paula Marques, a vereadora que tem a seu cargo o pelouro do Desenvolvimento Local e a Habitação, o presidente Fernando Medina já nos deu uma perspectiva muito realista de quais são as suas reais intenções para fechar a “quadratura do círculo” que está a montar para Marvila, para o Beato e para grande parte da zona oriental de Lisboa.

Numa reunião com os munícipes de Marvila e do Beato, Medina anunciou a construção de um grande parque verde naquela zona da cidade que, supostamente, daria continuidade à ligação do corredor verde projectado e desenhado pelo arquitecto  Gonçalo Ribeiro Telles há mais de três décadas. Já em Fevereiro do ano corrente, Medina havia inaugurado o Parque Ribeirinho Oriental, uma infraestrutura que tem início junto dos armazéns da Doca do Poço do Bispo e se estende, para norte, ao longo de 600 metros, ocupando uma área de quatro hectares junto ao rio Tejo, estando prevista uma segunda fase, que se estenderá até ao Parque das Nações.

Dando a entender que estes dois espaços verdes servirão a população de Lisboa e, em particular, os moradores das zonas de Marvila e do Beato, o que Medina escamoteia é que, a confinar com os ditos espaços verdes estão já em fase de implementação dois projectos imobiliários destinados à média e alta burguesia, com preços de mercado altamente especulativos, inalcançáveis pelas bolsas da maioria dos habitantes que foram expulsos da cidade de Lisboa para que estas negociatas pudessem ocorrer...tranquilamente!

O primeiro lote do mais luxuoso desses empreendimentos – o Prata Riverside Village -, desenhado pelo arquitecto Renzo Piano, vencedor de um prestigiado prémio Pritzker, já foi concluído. Outro virá a sê-lo ainda no decurso do corrente ano para, depois, se dar início a uma terceira fase. Este empreendimento de luxo, nunca é de mais realçar, inclui lojas, restaurantes e galerias e deverá estar concluído em 2023. Um projecto que revela bem a preocupação de Medina e seus capangas com a crise da habitação que se vive em Lisboa.

Se julgavam que Medina se ficava por aqui, desenganem-se! Considerado um condomínio do futuro surge outro empreendimento de habitação – o Prateado Marvila Lofts -, situado nas traseiras do Café Com Calma, na Rua Pereira Henriques. Assinado pelo Tekstudio Arquitectos, o projecto prevê que os proprietários dos 48 lofts estejam instalados até ao final de 2021. Para satisfazer os privilégios de sectores da média e da alta burguesia, o condomínio terá jardins privativos e grandes terraços. Para além do mais, proprietários de ambos os empreendimentos contarão com várias marinas e outras infraestruturas de recreio já instaladas na frente ribeirinha oriental da margem direita do Tejo.

Na sua desmedida ambição em criar valor, não certamente para a classe operária e para os trabalhadores, mas para a grande burguesia, Medina não fecha o ciclo por aqui. Assegurado o direito à habitação para esta casta capitalista, sanguessuga e exploradora, há que garantir espaços para os seus negócios, ou seja, para sujeitar à escravatura assalariada aqueles que, entretanto, foi expulsando da cidade de Lisboa.

Para tal, foi criado aquilo a que, pomposamente, designou por Hub Criativo do Beato. Assim, na antiga Manutenção Militar – fundada em 1897 para garantir o fornecimento de alimentos para o exército português -, está a surgir a maior incubadora (de empresas) da Europa. A abertura do primeiro edifício está prevista para o 2º semestre deste ano na antiga Fábrica da bolacha, um espaço com mais de 10 mil metros quadrados a ser ocupado pela Factory, uma empresa alemã de coworking – um eufemismo para trabalho precário e ... baratinho! Outro dos ocupantes desse edifício será o Centro de Desenvolvimento Digital  de um dos gigantes da indústria automóvel, a Mercedes- Benz.

O segundo edifício deste complexo, que deverá estar concluído no início de 2021, será o da antiga Central Eléctrica, que acolherá a The Browers Company, a nova marca da Super Bock, um projecto assinado pelos arquitectos Souto Moura e Nuno Graça Moura. No final desse ano, a antiga Fábrica do Pão será transformada no novo espaço da Startup Lisboa. O projecto inclui mais 18 edifícios que ocuparão mais cerca de 35 mil metros quadrados, estando anunciados mais espaços de residência partilhada, uma zona de restauração, um núcleo museológico da EGEAC e um repair café.

Como se vê, tudo projectos que afastam ainda mais os cidadãos da sua cidade e entrega Lisboa, de forma arbitrária, à especulação imobiliária e ao patobravismo. Chegados a este ponto será importante voltarmos à questão que inicialmente colocámos: porque é que a Câmara Municipal de Lisboa, o executivo camarário e o seu presidente Fernando Medina, se congratula tanto com a alegada compra da Vila Dias, uma solução a que se opuseram durante cerca de uma década?

A resposta só se pode enquadrar nos relatos das negociatas imobiliárias em que a presidência da CML , de Costa a Medina, sempre esteve envolvida, em toda a cidade de Lisboa e agora, de forma mais visível, na zona oriental da capital. E é isto que nos leva a alertar os moradores da Vila Dias de que correm um sério risco de estarem a festejar precipitadamente um direito que ainda não lhes foi, de todo, assegurado.

O caminho que em nosso entender deve ser seguido pelos moradores da Vila Dias, aproveitando a unidade que foi construída por eles ao longo de anos de luta dura e prolongada, passa por imporem que a sua Associação tenha assento , com voto de qualidade, na estrutura que vai ser criada para gerir aquele espaço. Esta será a única forma de assegurar, minimamente, que as decisões a tomar por essa estrutura emanam da vontade dos moradores e não são impostas de fora, pela CML e pela sua agenda de especulação e promoção imobiliária. Esta será a única forma de assegurar o direito à habitação e à dignidade, direitos pelos quais sempre se bateram.

Os moradores da Vila Dias sempre demonstraram uma enorme capacidade de luta e de resiliência e não devem baixar os braços e, muito menos, aderir a festejos que, tudo o indica, só servem para os adormecer e distrair das reais intenções do que lhes reserva a CML, a sua vereação e o seu presidente, Fernando Medina.

Os moradores da Vila Dias nunca deverão esquecer o que a sua história de luta lhes ensinou. O poder não está na Junta de Freguesia do Beato ou na Câmara Municipal de Lisboa. Conjunturalmente, pode parecer assim! Mas, o verdadeiro poder está no povo, está nos moradores e na sua capacidade de luta e organização!

Os moradores da Vila Dias, vencerão!


Retirado de: http://www.lutapopularonline.org/index.php/pais/96-local/2679-vila-dias-os-moradores-nao-devem-embarcar-em-ilusoes-e-falsas-promessas 





Lisboa: mero apeadeiro aéreo ou aeroporto internacional?

Apesar das suas promessas de investimento público para os próximos 10 ou 20 anos, o governo Costa/Centeno não investiu um cêntimo em infraestruturas estratégicas nacionais e prossegue a sua política de despesas correntes orçamentadas, sistematicamente cativadas pelo ministro das Finanças, Mário Centeno, cujo propósito declarado é o de, a mando de Bruxelas, manter o défice zero.


Quer no governo anterior, onde contou com o apoio sem limitações por parte das muletas do PCP, BE e Verdes, quer no actual – que prossegue, no essencial as políticas implementadas pelo anterior – onde, apesar de aparentemente mais discreto, esse apoio se mantém, os resultados dessa política expressaram-se no abandono do Serviço Nacional de Saúde (SNS), na liquidação da Escola e do Ensino Público, dos Transportes Rodoferroviários, do Serviço de Metropolitano de Lisboa e Porto e do Aeroporto Internacional de Lisboa.

Demonstrando a sua cada vez mais acentuada propensão para o arbítrio e a fascizante arrogância, o governo Costa/Centeno não discute nenhum dos investimentos que se propõe realizar no quadro de uma estratégia nacional de desenvolvimento. Bem pelo contrário!

É o caso da “solução” aeroportuária Lisboa + 1, em que o governo surge a ameaçar os municípios que se opõem à proposta de transformar parte da base aérea do Montijo em “segunda perna” do aeroporto internacional de Lisboa – realçando como positivo o facto de ser a ANA, agora privatizada, a realizar o investimento -, quando a solução que se impõe é a de um Aeroporto Internacional de Lisboa, em Alcochete.

Após quatro anos de paralisia, em que Costa e Centeno impuseram, como dizia o nosso camarada Arnaldo Matos num tuíte que publicou em 11 de Janeiro de 2019, “um governo aparentemente de centro esquerda (PS/PCP/BE/Verdes), mas que se comportou sempre como um governo de direita, com orçamentos salazarentos, sem história nem grandeza”, o governo prossegue, no actual mandato, uma política assente na “estupidez e pequenez de espírito de imbecis cruzados de idiotas”, que não vislumbram um futuro para o país persistindo, em matéria de aeroporto internacional, na “solução Lisboa + 1, quer dizer Lisboa e um bocado da Base do Montijo”.

Razão tinha o camarada Arnaldo Matos quando, no supracitado tuíte, afirmava que “com gente desta, Portugal nunca teria chegado a nascer e o milagre é que ainda esteja vivo”, sublinhando, mais adiante, ser esta “mesma equipa de tolos que continua a governar Portugal” que se propõe a fazer “um aeroporto assente em duas pernas : uma no já ocupado planalto da Portela e a outra num bocado da pista militar do Montijo”.

Esta estratégia não serve os interesses de Portugal. Dissemo-lo antes e mantemos a convicção de que esta política vende-pátrias serve, sobretudo, os interesses imperialistas de Espanha que se bate por manter a “centralidade” de Madrid e que pretende, com esta “solução”, impedir que Portugal lhe retire o protagonismo que tem tido nesta matéria, remetendo Lisboa para um mero apeadeiro aéreo, incapaz de receber “as novas aeronaves de 800 passageiros que já andam a voar pelo mundo”.

Portugal perdeu quase cinco anos a adiar a solução Alcochete – que vinha, depois de longo e intenso debate, do governo Sócrates, do qual fazia parte António Costa -, para “substituí-la por um projecto menor que não serve o país”.

Ainda no seu supracitado tuíte de 11 de Janeiro de 2019, o camarada Arnaldo Matos relevava o facto de que “o tráfego aéreo do futuro do hemisfério ocidental, quando vem da Europa e sai para África, América, Pacífico e o Oriente longínquo e, em sentido inverso, encontra Portugal – Lisboa e não Madrid”, impõe “um Aeroporto Internacional em Alcochete”, que seja “um investimento estratégico que se prende com a independência e o desenvolvimento futuro de Portugal”, ademais um investimento que, relembrava, se enquadra na “estratégia global da Nova Rota da Seda” acordada entre António Costa – no final do seu anterior mandato – e o presidente chinês.

Lisboa e não Madrid! Optar entre ser placa giratória aeroportuária do essencial do tráfego aéreo de e para a Europa, ou um mero apeadeiro regional, eis o que está em discussão. Optar pela segunda via, como pretendem Costa e Centeno, resulta numa miserável traição aos interesses de Portugal e confere a Madrid , de mão beijada, o papel de uma centralidade que Portugal tem todas as condições para protagonizar.

Retirado de: http://www.lutapopularonline.org/index.php/pais/104-politica-geral/2678-lisboa-mero-apeadeiro-aereo-ou-aeroporto-internacional