domingo, 15 de fevereiro de 2026

A dívida e o fetichismo da moeda


A dívida e o fetichismo da moeda

15 de Fevereiro de 2026 Robert Bibeau


Por Normand Bibeau .

Marx estudou a economia política capitalista a partir do seu "átomo" fundamental, da sua " célula-tronco original ", como todo o cientista, físico ou biólogo deve fazer, ou seja, a partir da unidade básica da economia política capitalista organizada em torno da divisão social do trabalho e da troca: a MERCADORIA .

Veja este artigo: Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Os EUA estão a preparar uma nova armadilha, "Bretton Woods". Eles querem eliminar a sua enorme dívida.

Assim, numa economia onde tudo o que é produzido se destina à troca (negociação), é necessário haver uma MERCADORIA que seja equivalente a todas elas para fins de troca – de comércio: DINHEIRO . 

Para Marx, o dinheiro tem várias funções:

1- Tradução em termos monetários do preço que deve reflectir o "valor" da mercadoria;
2- Intermediário para a circulação de mercadorias (Mercadoria > Dinheiro > Mercadoria);
3- Preservação do "valor" (acumulação = adiamento da troca; especulação; controle da circulação);
4- Meio de pagamento (promessa de pagamento: letra de câmbio; dívida; crédito);
5- Instrumento do comércio mundial (ouro; prata; dólar americano; bitcoins; yuan; etc.).

Em O Capital, Marx demonstrou que, no sistema capitalista, diferentemente dos sistemas económicos que o precederam, ou seja, a escravidão e o feudalismo, a mercadoria "DINHEIRO", ao tornar-se " capital ", adquire uma "propriedade" particular: a de apropriar-se da mais-valia entre o custo da força de trabalho (salários = custos de subsistência e reprodução do trabalhador) e o da mercadoria (preço) que ela produz: a mais-valia .

Assim: salário (US$ 100) + maquinário (US$ 10) + matéria-prima (US$ 10) = preço do produto = US$ 130, o que significa que C se tornou C' "valorizado" em US$ 10, o que Marx descreve como "valor que se auto-valoriza" ou " valor que se valoriza ".

O DINHEIRO (que se tornou capital) cria a ilusão de que gera o seu próprio valor a partir do seu custo inicial: Salário + máquina + matéria-prima + energia = uma mercadoria de valor superior à soma dos seus componentes = a mais-valia que os capitalistas chamam de " lucro " para obscurecer a sua origem: a escravidão assalariada.

O DINHEIRO revela as relações sociais de produção entre as pessoas (trabalhadores empregados e empregadores capitalistas) como relações entre coisas (dinheiro, salários, preços e lucros), o que MARX descreve como o fetichismo do DINHEIRO.

Esse fetichismo do DINHEIRO cria a ilusão de que ele se multiplica e é a fonte do aumento de valor, quando na realidade é a expropriação do trabalhador, de quem o capitalista extorque sem remuneração a diferença entre o valor dos seus custos e o do produto do seu trabalho, que cria esse aumento de valor.

Além disso, os capitalistas e seus ideólogos esforçam-se sistematicamente para promover a teoria de que " dinheiro cria dinheiro " ou que "capital cria riqueza", quando nada poderia estar mais longe da verdade, como evidenciado pelo facto de que o "dinheiro enterrado" ou o "capital improdutivo em stock" se deprecia se não for usado para empregar trabalhadores, ou seja, para ter o seu valor aumentado ("valorizado") pelo ciclo de produção.

Marx definiu dinheiro nestes termos: " Dinheiro é a expressão de valor numa sociedade produtora de mercadorias, e numa economia capitalista, quando se torna capital, é valorizado pela exploração – expropriação do trabalho assalariado ."

O dinheiro possibilita:
a generalização do mercado;
transforma o trabalho em mercadoria;
impõe o domínio do capital;
subordina toda a sociedade à acumulação de capital; 

promove o crédito, a especulação, o endividamento e as crises económicas. 

Em resumo, este vídeo " MONETARISTA " resume-se a um discurso inflamado sobre o papel do DINHEIRO numa economia capitalista, alegando que o FETICHISMO pelo dinheiro permitirá que os imperialistas escapem das consequências inexoráveis ​​do seu parasitismo e do seu desperdício congénito, criando uma nova MOEDA, o " BITCOIN ". Nada poderia estar mais longe da verdade: os imperialistas irão liquidar as suas dívidas como sempre fizeram, através de uma guerra mundial, pois só respeitam a força e a violência que as criaram.  Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Os EUA estão a preparar uma nova armadilha, "Bretton Woods". Eles querem eliminar a sua enorme dívida.

 

Fonte: La dette et le fétichisme de la monnaie – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice



sábado, 14 de fevereiro de 2026

Quais são os hábitos sexuais das grandes personalidades do mundo? (vídeo testemunho essencial! 44’06)

Quais são os hábitos sexuais das grandes personalidades do mundo? (vídeo testemunho essencial! 44’06)

14 de Fevereiro de 2026 do

https://mai68.org/spip/spip.php?article453

9 de Outubro de 2009

Após os casos de Daniel Cohn-Bendit, Roman Polanski e Frédéric Mitterrand, entre outros (suspeitos de pedofilia, turismo sexual ou até mesmo estupro de menores, no caso de um deles, que supostamente drogou a sua vítima), e considerando o apoio espontâneo, massivo e imediato que esses supostos inocentes receberam de grande parte dos porta-vozes da classe dominante, é natural questionar os costumes sexuais da elite mundial, ou pelo menos de alguns dos seus membros. Para responder parcialmente a essa questão, apresentamos o depoimento dos filhos de Roche, que falam sobre o seu pai, um magistrado de alto escalão, Dominique Baudis, Dominique Perben e vários outros aspectos relacionados com o caso designado por "Allègre" pela media, como forma de criar um bode expiatório. Esse caso ocorreu em Toulouse pouco antes do escândalo Outreau, o que nos leva a questionar se o seu único propósito não era fazer com que as pessoas se esquecessem do escândalo de Toulouse.

 


Clique no link para assistir ao vídeo.

Quelles sont les moeurs sexuelles des grands de ce monde ? (vidéo témoignage essentiel ! 44'06) - VIVE LA RÉVOLUTION

Lembremos que, logo no início do seu famoso livro "Os 120 Dias de Sodoma", o divino Marquês de Sade afirma claramente que descreverá as práticas sexuais de um segmento da classe dominante da sua época. O seu livro foi censurado na França durante pelo menos 150 anos, pois os senhores do mundo consideraram muito perigoso que tal denúncia caísse nas mãos daqueles que exploravam e subjugavam com uma moral que eles próprios estavam longe de respeitar — muito pelo contrário.

Outra boa maneira de censurar Sade era rotular as práticas sexuais que ele denunciava como "sadismo".

Sade emergiu do esquecimento graças ao filme "Uivo a favor de Sade", do cineasta Guy Debord, em 1952. Em seguida, foi publicado por Jean-Jacques Pauvert em 1956. Mas Pauvert foi condenado por ousar publicá-lo e, assim, torná-lo acessível aos mortais comuns.

Vale a pena ressaltar também que Stanley Kubrick morreu antes de terminar o seu filme de denúncia "De Olhos Bem Fechados"; "eles" terminaram-no em seu lugar. "Stanley Kubrick morreu de causas naturais?" é uma pergunta que a imprensa não fez.

Encontre este artigo e o vídeo aqui:

https://mai68.org/spip/spip.php?article453

Tudo de bom para vós,
do,
https://mai68.org/spip3

 

Fonte: Quelles sont les moeurs sexuelles des grands de ce monde ? (vidéo témoignage essentiel ! 44’06) – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




O lado obscuro das finanças capitalistas – da crise da bolsa aos subprimes – armas de destruição em massa

 


O lado obscuro das finanças capitalistas – da crise da bolsa aos subprimes – armas de destruição em massa

14 de Fevereiro de 2026 Robert Bibeau

 


 

Fonte: Le côté obscur de la finance capitaliste – du Krach boursier aux subprimes – armes de destruction massive – les 7 du quebec

Título introdutório ao vídeo traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




O lítio significa o fim do petróleo como recurso energético estratégico.

 


O lítio significa o fim do petróleo como recurso energético estratégico.

14 de Fevereiro de 2026 Robert Bibeau

 


Para saber mais sobre a descoberta de lítio no Canadá,
visite https://www.youtube.com/watch?v=rH1uTvFNptk

 

Fonte: Le lithium sonne le glas du pétrole comme ressource énergétique stratégique – les 7 du quebec

Título introdutório ao vídeo traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




O crepúsculo das independências nacionais na era do imperialismo multipolar

 


O crepúsculo das independências nacionais na era do imperialismo multipolar

14 de Fevereiro de 2026 Robert Bibeau


Por Khider Mesloub e Robert Bibeau

A era das lutas pela independência nacional acabou; agora tudo gira em torno das dependências coloniais. O capital imperialista não tolera mais os caprichos dos movimentos de libertação nacional, nem as rebeldias dos combatentes pela independência. De agora em diante, os povos devem alinhar-se com a mundialização americano-sionista, integrar-se na nova configuração geo-política colonialista ou serão brutalmente apagados da história.

As grandes epopeias do século XX — da FLN argelina ao Viet Minh vietnamita, do MPLA angolano à FRELIMO moçambicana — parecem ser eras passadas. O que ontem parecia uma marcha irresistível rumo à soberania é hoje apenas uma memória tolerada, contanto que não inspire mais ninguém. Publicamos inúmeros artigos sobre   "  lutas de libertação nacional sob a égide das burguesias locais após o colonialismo ocidental  ":  https://les7duquebec.net/page/2?s=colonialisme (pode encontrar as versões em Língua Portuguesa no blogue “Que o Silêncio dos Justos Não Mate Inocentes”)

A punição dos países rebeldes  

A normalização agora é alcançada através de guerras, embargos ou desestabilização. O Iraque, culpado por querer existir fora do controle ocidental, foi esmagado por duas invasões sucessivas, arruinado por sanções e desmantelado. A Líbia de Khaddafi, que sonhava com uma África financeiramente independente, foi pulverizada em 2011 pela OTAN. A Síria, resistente aos planos geo-políticos de Washington e Telavive, mergulhou numa guerra sem fim.

Na América Latina, o Chile de Salvador Allende foi derrubado em 1973 por ousar nacionalizar a sua riqueza. A Venezuela chavista, por muito tempo apresentada como um bastião de resistência à hegemonia americana, acabou por sofrer o destino reservado às potências consideradas independentes demais: após anos de sanções, bloqueios financeiros e tentativas de desestabilização, Washington passou da pressão económica à intervenção directa. No início de 2026, uma operação militar dos EUA em Caracas levou à captura do presidente Nicolás Maduro, oficialmente acusado de narco-terrorismo, e à instalação de um governo interino imediatamente reconhecido e controlado pelos Estados Unidos. Essa mudança abrupta transformou um Estado antes recalcitrante numa potência agora alinhada aos interesses estratégicos e petrolíferos de Washington, ilustrando, quase caricaturalmente, o método contemporâneo de império: estrangular economicamente, derrubar politicamente e, em seguida, integrar à força à sua órbita. Em todos os lugares, o mesmo aviso: nenhuma nação tem o direito de se desviar da linha imperial. Veja nossos artigos sobre o caso da Venezuela: Resultados da pesquisa por “venezuela” – os 7 de Quebec (pode encontrar as versões em Língua Portuguesa no blogue “Que o Silêncio dos Justos Não Mate Inocentes”)

Rússia: O Retorno das Anexações Clássicas


Mas a erosão da independência nacional não é um fenómeno exclusivamente ocidental. A era imperial não é prerrogativa de um único bloco imperial: ela agora permeia todo o sistema internacional.

A invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 foi um lembrete contundente de que a lógica das grandes potências permanece fundamentalmente a mesma. Sob o pretexto de proteger as populações de língua russa e defender a sua "profundidade estratégica", o regime de Vladimir Putin anexou a Crimeia em 2014 e, oito anos depois, absorveu unilateralmente diversas regiões ucranianas: Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia e Kherson.

Quaisquer que sejam as justificações apresentadas, trata-se de um retorno flagrante aos métodos do século XIX: redesenhar fronteiras à força, negar aos povos vizinhos o direito de escolher livremente o seu destino e desafiar directamente a soberania de um Estado reconhecido. Este precedente ucraniano confirma uma realidade perturbadora: no mundo contemporâneo, a independência nacional já não tem grande peso diante das ambições geo-políticas das grandes potências, sejam elas americanas, europeias, chinesas ou russas. A era imperial já não reconhece campos morais, apenas esferas de influência.

Esse mecanismo não é novo. Em 1953, o Irão de Mossadegh foi derrubado por querer nacionalizar o seu petróleo. Em 1954, a Guatemala de Arbenz sofreu o mesmo destino por desafiar os interesses americanos. Patrice Lumumba no Congo, Thomas Sankara no Burkina Faso e tantos outros líderes do Sul Global pagaram com a vida pelo seu desejo de soberania nacionalista em benefício da burguesia nacional . A independência política só é aceite sob a condição de permanecer sob protectorado imperialista… como enfatizamos no nosso livro *  Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Questão Nacional e Revolução Proletária Sob o Imperialismo Moderno, de Robert Bibeau


O internacionalismo proletário está a afirmar-se na política mundial, um claro indício das profundas transformações na economia, na política e na ideologia das sociedades que vivem sob o modo de produção capitalista. Contudo, os proletários revolucionários devem realizar uma análise retrospectiva da corrente reformista do pensamento nacional-socialista que tenta ressurgir neste período de profunda crise económica sistémica. Lições devem ser extraídas dessa rejeição do nacionalismo reaccionário. Neste trabalho, propomos dissecar a política de esquerda em relação às lutas de libertação nacional no século XX, a era do triunfo do nacional-socialismo de esquerda dentro do movimento operário. O proletariado não tem pátria, e a guerra nacionalista, supostamente anti-imperialista, travada pelo direito da burguesia nacionalista chauvinista de controlar o seu Estado-nação (democrático, fascista ou socialista) e de saquear a mais-valia nacional para garantir a acumulação de capital, não leva a uma luta proletária revolucionária para derrubar e erradicar o modo de produção capitalista. Na fase imperialista, toda luta de libertação nacional é reformista ou reaccionária, nunca revolucionária proletária. Para demonstrar essa tese, apresentamos e comentamos os textos de diversos intelectuais, incluindo Mattick , Souyri , MacNally , Luxemburgo e o Operário Comunista .

Palestina: o símbolo máximo do nacionalismo burguês genocida. Veja nossos artigos:  https://les7duquebec.net/?s=palestine (pode encontrar as versões em Língua Portuguesa no blogue “Que o Silêncio dos Justos Não Mate Inocentes”)

O exemplo mais trágico continua a ser o dos palestinianos . Desde 1948, o seu povo tem sido sistematicamente desapropriado, expulso, confinado, bombardeado, exterminado e submetido a genocídio. O seu território nacional/colonial diminui ano após ano, os seus direitos desaparecem e a sua própria existência é negada pela burguesia nazi-israelita racista e sionista . Como o exemplo palestiniano demonstra tragicamente, um povo pode hoje ser vítima de limpeza étnica e genocídio , à vista de todos, sem que nada impeça o funcionamento da máquina colonial/imperial. A Palestina tornou-se o laboratório contemporâneo da guerra e do apagamento de nações em resistência. Veja o nosso artigo: Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: A luta de libertação nacional do povo palestiniano contra o neo-colonialismo (1947-2026)

O Saara Ocidental: o enterro programado da auto-determinação burguesa nacional

A este quadro deve-se agora acrescentar o caso emblemático do Saara Ocidental. Antiga colónia espanhola até 1975, este território deveria, segundo o direito internacional, alcançar a auto-determinação. Uma Missão das Nações Unidas – a MINURSO – foi criada em 1991 para organizar um referendo que permitisse ao povo saarauí escolher entre a independência e a anexação por Marrocos. Este referendo nunca aconteceu. Durante quase meio século, Marrocos ocupou de facto o território, marginalizando progressivamente a Frente Polisário e a República Árabe Saarauí Democrática. O que deveria ser uma descolonização incompleta transformou-se numa anexação silenciosa. A mudança diplomática acelerou-se nos últimos anos. Em 2020, os Estados Unidos reconheceram oficialmente a soberania marroquina sobre o Saara Ocidental em troca da normalização das relações entre Rabat e Israel. A União Europeia e a França, na prática, apoiaram esta medida.

O ponto de viragem decisivo ocorreu em 31 de Outubro de 2025: nesse dia, o Conselho de Segurança da ONU adoptou a Resolução 2797. Pela primeira vez, um texto da ONU designou o plano de autonomia proposto por Marrocos em 2007 como a "referência principal" para as negociações políticas. Noutras palavras, a opção de independência por referendo, o cerne histórico da questão, foi relegada para segundo plano a favor de uma solução interna sob a soberania marroquina. Assim, quase sem alarde, uma das últimas grandes questões de descolonização do século XX chegou ao fim. O Saara Ocidental, legalmente não autónomo, tornou-se politicamente marroquino. A mensagem é clara: mesmo com o amparo do direito internacional, um povo não tem chance quando os interesses geo-estratégicos ditam o contrário.

Novas anexações: velho imperialismo


A lógica não se limita ao Magreb. A Gronelândia , subitamente declarada "estratégica" por Washington, está ameaçada de anexação por Donald Trump. O próprio Canadá está a ser forçado a conformar-se com o estatuto de mero território periférico. O mesmo cenário se repete em todos os lugares: as fronteiras só têm valor na medida em que servem aos poderes capitalistas. Veja os nossos artigos em https://les7duquebec.net/page/2?s=colonialisme  (pode encontrar as versões em Língua Portuguesa no blogue “Que o Silêncio dos Justos Não Mate Inocentes”)

O imperialismo contemporâneo já nem sequer precisa de exércitos de ocupação permanentes. Impõe dependências através de dívidas, sanções, bases militares e programas de ajustamento estrutural. Ontem, enviavam-se soldados; hoje, envia-se o FMI ou impõem-se tarifas (Trump). Ontem, impunham-se governadores coloniais; hoje, governos "reformistas". Ontem, falava-se de civilização; hoje, de governação. A forma muda, mas não a dominação.

A soberania nacional tornou-se uma ficção tolerada. Os Estados podem hastear bandeiras, mas não podem decidir o seu próprio destino. Podem votar, mas não podem desviar-se das regras estabelecidas pelo império.

As independências conquistadas ontem pela Índia, Argélia, Vietname ou Cuba parecem ser os últimos vislumbres de uma era que agora chegou ao fim.

A ordem mundial apresenta-se como defensora da lei, da “democracia” e das liberdades. Na realidade, reconhece apenas uma regra: a do mais forte. Integre-se ou desapareça. Submeta-se ou seja destruído. Tal é o novo dogma geo-político, o credo geo-estratégico. E ousam chamá-lo, com absoluto cinismo, de: “a ordem internacional baseada em regras”.

"A libertação dos povos não pode ser alcançada através da formação de estados burgueses separados e pseudo-independentes."

 Por trás da retórica da “democracia” e do direito internacional, o capitalismo mundial está a regressar à sua natureza original: predação, captura, colonização. Os povos não são mais libertados, são subjugados; os Estados não são mais soberanos, são compelidos a obedecer. Onde antes reinavam os administradores coloniais, agora dominam as multinacionais, as sanções e as intervenções militares. O sistema não cria mais, saqueia; não integra mais, anexa; não persuade mais, coage. A era da independência nacional está a chegar ao fim. O mundo está a retornar à sua antiga lei imperial: os poderosos decidem, os fracos submetem-se.

Em A Questão Nacional e a Autonomia (1908-1909), Rosa Luxemburgo escreve sem ambiguidade: “ O chamado ‘direito dos povos à auto-determinação’ nada mais é do que uma expressão metafísica, uma fórmula vazia, desprovida de conteúdo real, dentro da estrutura do capitalismo”. E esclarece imediatamente: “A libertação dos povos não pode ser alcançada pela formação de Estados independentes, mas apenas pelo derrube do capitalismo à escala internacional ” .

Esta observação lança uma luz impressionante sobre a situação actual. Os movimentos nacionalistas independentistas, longe de inaugurarem uma era de verdadeira soberania, provaram ser nada mais do que uma ilusão histórica. Desde o início do século XX, o revolucionário alemão afirmava que o futuro não residia na proliferação de novos Estados, mas na revolução proletária internacional . A história, um século depois, confirma essa afirmação: as soberanias proclamadas cederam uma após a outra ao império do capital. A verdadeira emancipação, portanto, não virá da manutenção de Estados-nação burgueses concorrentes e dominados, mas da sua transcendência dentro de uma comunidade humana livre de classes, fronteiras e todas as formas de dominação.

Khider MESLOUB

 

Fonte: Le crépuscule des indépendances nationales à l’époque de l’impérialisme multipolaire – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice