quinta-feira, 1 de outubro de 2026

[PANFLETO] BYA (BALANCE Y AVANTE) E BARBÁRIA – À MERDA O PARLAMENTO E AS SUAS LEIS. POR UM VERDADEIRO MOVIMENTO AUTÓNOMO DO PROLETARIADO.

 


[PANFLETO] BYA (Balance y Avante) E BARBÁRIA – À MERDA O PARLAMENTO E AS SUAS LEIS. POR UM VERDADEIRO MOVIMENTO AUTÓNOMO DO PROLETARIADO.

Nas últimas semanas, a brutalidade do capital tem-se feito notar em toda a sua crueza com o suicídio de uma mulher despejada e o terrível despejo de outra. Inseridos num mar de constantes agressões e de famílias que são privadas dos seus lares precários, estes acontecimentos aquecem ainda mais um clima social já muito carregado por um contínuo de miséria e repressão por parte dos políticos-gestores dos interesses dos ricos.

Tudo isto desencadeou mobilizações onde se conjugam um cansaço e preocupação geral real da grande maioria trabalhadora, com a direcção política e sindical que baseia a sua actuação em mudanças legislativas e esperanças parlamentares, com ou sem «pressão das ruas».

Partimos do princípio de que essas mudanças são irreais. O próprio sistema que gera a miséria não pode, nem que quisesse, travar um mecanismo automático que responde às suas próprias leis de acumulação mercantil. Por muito que o neguem os reivindicadores de direitos mortos, neste sistema regido pelo dinheiro, a habitação — e com ela todas as necessidades humanas — é uma mercadoria, e continuará a ser enquanto sobrevivermos debaixo das botas deste sistema. 

Perante as mobilizações que estão a acontecer, com o Sol como epicentro das mesmas, devemos colocar três questões básicas e necessárias para começar a falar de um movimento real de classe:

1. O problema da habitação é apenas um entre muitos, e tão sangrento como todos. A subida brutal e imparável dos preços, o trabalho precário e instável com salários que não garantem nem a subsistência, a repressão dos migrantes e da população em geral, uma direita e uma esquerda que se repartem o trabalho de gerir e reproduzir diariamente a nossa pobreza… todos eles fazem parte de um mesmo problema: as relações sociais que nos são impostas, ou seja, o capitalismo.

2. As lutas isoladas contra este ou aquele fenómeno, que não se questionam a sua unidade, estão condenadas ao fracasso. Neste momento há lutas e greves — como a do pessoal docente na Comunidade de Madrid — cuja convergência com as mobilizações pela habitação é necessária para dar um sentido geral à luta.

As actuais mobilizações são muitas vezes apresentadas como uma superação do 15M. Ao contrário destas, o 15M partia de uma visão geral onde todas as problemáticas cabiam numa só, embora isso nem sempre fosse algo consciente. Isto caracteriza todo movimento de classe, mesmo os mais fracos: a extensão e a generalização dos seus objectivos. Para que estas mobilizações se tornem de facto um movimento de classe, para que ultrapassem verdadeiramente os limites cidadanistas do 15M e mostrem que aprendemos com as nossas derrotas, é indispensável que se expandam e se generalizem, e que confluam com as diferentes lutas que surjam a nível estatal e internacional. Isto não pode ser forçado com palavras de ordem nem com fórmulas organizativas. Só o conseguiremos se superarmos a lógica das exigências parciais, que nos separa uns dos outros, e irmos à raiz comum dos nossos problemas.

3. Mas isto não servirá de nada se não tivermos as rédeas do nosso próprio movimento. É fundamental que a luta seja dirigida e orientada pelas assembleias, que as assembleias se tornem os órgãos da luta autónoma do proletariado e que não permitam que ninguém decida por elas o caminho a seguir. Porque são o espaço unitário de onde se pensa, se organiza e se age, tudo ao mesmo tempo. Com elas evitamos que a nossa actividade seja dirigida por organismos partidários e sindicais que têm os seus próprios interesses.

Devemos aprender com a capacidade que os sindicatos tiveram para parar a greve da Airbus, apesar da oposição de muitos trabalhadores e trabalhadoras nas assembleias. Sem assembleias territoriais com poder de decisão, que organizem o movimento e expressem o poder unitário da nossa classe, qualquer convocação de greve geral não será senão a enésima repetição das procissões sindicais, feitas para transformar os vende-trabalhadores, aqueles que sancionam a nossa precariedade com a reforma laboral e a nossa miséria com a reforma das pensões, nos legítimos representantes da «pressão popular» sobre o governo. Não queremos a greve geral da CCOO e UGT, aplaudida pela esquerda e extrema esquerda do capital. Queremos a greve de massas dirigida pelas assembleias territoriais, as únicas células que podem formar um verdadeiro movimento massivo que supere a violência e as condições de miséria a que este sistema nos submete.

Enquanto não assumirmos as nossas lutas, sem intermediários, sem deixá-las nas mãos de políticos e sindicalistas, sem confiar minimamente em leis e parlamentos, só podemos passar de desilusão em desilusão, sem encontrar a consciência do que somos e o poder histórico da nossa luta como uma única classe mundial.

 

Fonte: https://barbaria.net/2026/09/30/bya-barbaria-octavilla-a-la-mierda-el-parlamento-y-sus-leyes/?fbclid=IwY2xjawUrS5dleHRuA2FlbQIxMABwZG9mAWJyaWQRMFM2cURzNHFJTTZQd0xibzlzcnRjBmFwcF9pZBAyMjIwMzkxNzg4MjAwODkyAAEeV7C6UmRZwou-mMvIE0QI4R6gygKCnlAxN4X2jJSNzIKanNdL9F9JqPzs-XE_aem_Ol3nSzhCY9fGzVkN_g30kQ

Este panfleto foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




Não são alguns dias de acção que vão parar o rolo compressor capitalista!

 


Não são alguns dias de acção que vão parar o rolo compressor capitalista! 

1 de Outubro de 2026 Robert Bibeau


Pelo Grupo Revolucionário Internacionalista (GRI). Em    https://www.leftcom.org/fr/articles/2026-09-28/ce-ne-sont-pas-quelques-journ%C3%A9es-d%E2%80%99action-qui-vont-arr%C3%AAter-le-rouleau

 

Não são alguns dias de acção que vão parar o rolo compressor capitalista! 

A única resposta à degradação das nossas condições de vida é a luta autónoma e organizada do proletariado!


Aqui estamos prevenidos. A burguesia procura desesperadamente 54 mil milhões de euros de poupanças para fechar o seu orçamento para o ano de 2027. Foi o que anunciou em grande estilo o governo Lecornu no passado dia 17 de Setembro. Mas atenção, não se trata de um orçamento de “austeridade”, mas sim de “rigor” e de “justiça”, palavra de ministro!

A novilíngua da burguesia disfarça mal a dura realidade com que a classe operária se depara hoje, entre o aumento do custo de vida e a redução dos salários. O objectivo é claro: trata-se de a fazer pagar não só a redução do défice para satisfazer os mercados financeiros e as agências de notação, a fim de limitar a subida das taxas de juro da dívida, mas sobretudo de a fazer aceitar os seus próprios sacrifícios em nome do interesse nacional, o da burguesia, ou seja, o rearmamento e a remilitarização a todo o vapor. É neste contexto que o orçamento prevê um aumento de mais de seis mil milhões de euros nas despesas militares. A burguesia procura transformar a economia francesa numa economia de guerra, com o apoio de todos os partidos políticos da extrema-direita à extrema-esquerda, de modo a preparar-se para os próximos confrontos inter-imperialistas entre o bloco atlântico e o russo-chinês. Já vemos os primeiros sinais disso com os conflitos na Ucrânia ou no Irão, manifestações perigosas desta marcha para a guerra na qual todas as burguesias imperialistas se envolvem, visando repartir os lucros a seu favor.

Perante estas crises, a burguesia quer intensificar os ataques de austeridade contra os trabalhadores: congelamento salarial dos funcionários públicos, congelamento das ajudas à habitação e de várias prestações sociais, desindexação das reformas, redução dos períodos de doença e das rescisões por acordo, período de carência para o acesso de populações imigrantes a certas prestações. Segundo estes senhores, o capital já contribuiu demais para a solidariedade colectiva: agora é a nossa vez ser dispensados.

E eis que os sindicatos, como de costume, tentam travar o movimento. Ao propor dias de greve simbólicos apenas na função pública e algumas manifestações-passeio sem futuro, isoladas do resto da classe operária devido a palavras de ordem puramente corporativas, estas organizações dividem a luta e enfraquecem a classe. A luta deve acontecer fora destas instituições reaccionárias, organizando-se em Assembleias Gerais e comités de greve, procurando generalizá-la e expandi-la para todos os sectores em torno de palavras de ordem unitárias, abrangendo toda a classe operária, tanto do sector público como do privado.

Não devemos apenas defender-nos contra os ataques da burguesia às reformas, ao subsídio de saúde ou ao subsídio de desemprego, devemos sobretudo retomar o controlo das nossas lutas para lhes impor uma nova relação de força, conseguir a redução da duração do trabalho e o aumento dos salários.

Em todo o mundo, a guerra de classes lançada pela burguesia intensifica-se contra a classe operária. Na Alemanha, na Finlândia, nos Estados Unidos, na Argentina, no Canadá ou na Bélgica, todos os governos, de esquerda ou de direita, procuram relançar a economia sobre-explorando o proletariado até ao tutano, tendo como única bússola restaurar a rentabilidade do capital.

Mas não os vamos deixar fazer. Perante a degradação das nossas condições de vida e de trabalho, intrinsecamente ligada à crise estrutural do capital, teremos de resistir a estes ataques. Em Espanha, os trabalhadores da Airbus mostram o caminho enfrentando tanto o capital como os sindicatos colaboracionistas, tal como os trabalhadores da Bolívia e da Índia fizeram alguns meses antes. Embora esta recuperação ainda seja hesitante e não esteja isenta de limites, mostra, no entanto, que a classe operária, como classe revolucionária, é a única capaz de resistir à decadência do capitalismo e à sua queda na barbárie.

Para nos prepararmos para os futuros confrontos de classe decisivos, devemos desde já organizar-nos e participar na construção do partido internacional de amanhã, o partido de classe de que o proletariado precisará para levar as suas lutas até à vitória. É a esta tarefa que nos dedicamos, apesar das dificuldades, com a consciência da urgência da situação.



Guerra à guerra, guerra à burguesia!



Grupo Revolucionário Internacionalista (GRI),

grupo afiliado à Tendência Comunista Internacionalista (TCI)

http://www.leftcom.org/fr

contact : fr@leftcom.org

 

Fonte: Ce ne sont pas quelques journées d’action qui vont arrêter le rouleau compresseur capitaliste ! – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




O Ocidente em desagregação? (Emmanuel Todd)

 


O Ocidente em desagregação? (Emmanuel Todd)

1 de Outubro de 2026 Robert Bibeau


Um lacaio fascista do Figaro, jornal propriedade de um bilionário francês, supostamente especialista em geo-política, que repete algumas mentiras tiradas da narrativa ocidental convencional sobre as guerras mais recentes travadas pelas potências imperialistas através de diversos proxy. Frente a ele, um intelectual francês de centro-esquerda argumenta sobre o declínio do Ocidente paralisado pela sua «Desagregação» social, política e económica. Conversa para ouvir com cautela.

 





Fonte: L’Occident en dislocation ? (Emmanuel Todd) – les 7 du quebec

Título introdutório ao vídeo traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice