Do
condicionamento tóxico niilista à emancipação catártica revolucionária
1 de Janeiro de 2026 Robert Bibeau
Por Khider Mesloub
Os nossos verdadeiros inimigos estão
escondidos por trás da nossa própria consciência, mecanicamente programada para
prejudicar o nosso ser autêntico. As primeiras Bastilhas a derrubar estão
enterradas dentro de nós.
Na realidade, só vemos aquilo que confirma as nossas ideias, os nossos preconceitos. Por outras palavras, a realidade serve para reforçar os nossos pensamentos. Para tranquilizar a nossa psique. Isso explica por que, quando confrontados com a análise da mesma realidade, os pontos de vista variam de acordo com a nossa história pessoal e a nossa cultura, em suma, com o nosso condicionamento.
O nosso modo de vida molda as nossas percepções, chegando mesmo a construir a sua própria realidade. O homem molda a realidade à sua imagem, elaborando assim a sua própria realidade inflexível e intransigente. Daí que as suas crenças condicionem as suas percepções e os seus actos. Numa escala superior, ou seja, a nível social, quando certas crenças dogmáticas se propagam a um número crescente de membros da sociedade, elas constituem um terreno fértil para o desenvolvimento do sectarismo e de doutrinas sistemáticas totalitárias e fundamentalistas.
Na
verdade, vivemos numa sociedade que molda as nossas condições de existência.
Desde a educação até ao trabalho assalariado alienante, passando pelas
religiões e ideologias, todas estas entidades procedem através do
condicionamento da mente.
Na nossa era mercantilista, a publicidade também contribui, à sua maneira, para moldar o cérebro através da martelada constante de clichés erigidos em modelos de comportamento a adoptar e reproduzir para se integrar nesta sociedade consumista. Sociedade da aparência. Sociedade do espetáculo.
Da mesma forma, o cinema e a televisão participam no condicionamento das representações sociais. Sem esquecer a Internet, ferramenta eficaz em matéria de desapropriação das personalidades.
Todos estes aparelhos de condicionamento digitais, publicitários e cinematográficos, omnipresentes, contribuem para a poluição mental. Todos estes instrumentos de intoxicação ideológica favorecem a servidão voluntária. A alienação.
Em
suma, desde o berço até ao túmulo, a cultura dominante, através da formatação
da educação, da escravidão aos modelos económicos mercantis, da propaganda
mediática endémica, molda as mentalidades. Assim, por uma forma de habituação
imperceptível, a maioria dos membros da sociedade acaba por se adaptar às
múltiplas restricções impostas pela sociedade, tolera inconscientemente a
manipulação mental, abraça com fervor a ideologia dominante, mesmo que seja
funesta, genocida.
Estamos perante um condicionamento tóxico. Mais ainda, alguns membros da sociedade desenvolvem uma verdadeira toxicodependência ideológica. Eles sucumbem ao vício das crenças da sua sociedade, em particular nas sociedades impregnadas pela religiosidade, essa forma milenar de intoxicação mental.
Da alienação à libertação
Eles vivem numa forma autista doutrinária. Num universo intelectual carceral. No confinamento de um pensamento carcerário, de uma consciência asilária, estrangulada por uma camisa de força mental dogmática. Não concebem a perspectiva de viver fora da sua sociedade arcaicamente pré-fabricada, sem os valores dominantes dessa sociedade culturalmente limitada. Para eles, moldados pelo pensamento mágico, a crença na sua sociedade mitificada é um princípio de realidade intangível.
De um modo geral, nas últimas décadas, a sociedade liberal moderna passou
por uma profunda mutação. Tornou-se amplamente mundializada e massivamente
informatizada. Essa transformação revolucionou o modo de pensar. Ela favoreceu
o surgimento de convicções cegas, o surgimento de crenças radicais e
absolutistas, especialmente no plano económico e religioso, ilustradas pelo
liberalismo desenfreado e libertário, pelo islamismo liberticida e
aterrorizante, pelo judaísmo desviado pelos sionistas fanáticos e genocidas.
Noutro
plano, em termos de reflexão, o
pensamento tornou-se rígido. Ficou preso na contemplação de uma realidade
imutável e sacralizada. Uma realidade impossível de questionar ou transformar. Esse pensamento estático do mundo é fruto
da doutrinação insidiosa operada pelo capital através dos seus aparelhos
ideológicos de condicionamento e domesticação, a escola e os meios de
comunicação social. Através do condicionamento das representações da
sociedade, a percepção da realidade foi radicalmente alterada, distorcida.
Levando à desapropriação de si mesmo, à renúncia de todo o poder sobre as
nossas condições de existência.
A proliferação dessa religião da resignação materializa-se na crença na impossibilidade de qualquer transformação social, na inacessibilidade a uma nova sociedade socialmente superior.
Assim, a economia liberal actual molda insidiosamente o pensamento. Tanto que cada um atribui à existência um valor mercantil. O capital governa o mundo. Ele incrusta-se até mesmo na psicologia humana, nas relações humanas reduzidas a trocas contratuais, a relações de interesses.
Entramos na era da desapropriação. Desapropriação de si mesmo. Desapropriação de todos os poderes em benefício de uma oligarquia financeira oculta minoritária, que domina o mundo e esmaga a vida. Com a mundialização totalitária, materializada pelas desregulamentações económicas, pelas privatizações decisórias, os dirigentes estatais são eles próprios destituídos do seu poder sobre a economia e as finanças. Hoje, desprovidos de qualquer poder real, são reduzidos a desempenhar funções políticas honoríficas, a gerir uma economia mundializada incontrolável, monopolizada pelo poder financeiro oculto.
Além disso, na era da complexificação das sociedades modernas e da aceleração das invenções, mesmo os especialistas são ultrapassados pelos acontecimentos, pelo desenvolvimento acelerado da sociedade. Incapazes de compreender o sistema na sua totalidade dialéctica, nomeadamente devido à hiperespecialização dos seus conhecimentos, induzida pela fragmentação deliberada do Conhecimento (fagocitado pelo capital) e pela fragmentação da Ciência (tornada venal).
A inauguração de um horizonte libertador depende dessa inversão de perspectiva.
Na nossa época, as relações mercantis
colonizam todas as esferas da existência. Elas invadiram o Tempo e o Espaço. O
tempo passa ao ritmo da acumulação de capital, a uma cadência financeiramente
vertiginosa. O tempo está sujeito às leis da competitividade e da
rentabilidade. Até mesmo os famosos
momentos de lazer se tornaram fases de valorização do capital. Da mesma
forma, o espaço sofre a mesma invasão mercantil. Nenhum espaço escapa à
exploração financeira do capital, até mesmo o ar que respiramos agora é
monetizado.
Para a maioria da população, essas relações mercantis tornaram-se um automatismo, um funcionamento «natural».
A
repetição desses automatismos mercantis escapa a qualquer vontade. A
recorrência desses automatismos gera habituação, criando atitudes conservadoras
que não permitem nenhuma mudança. Através
desse mecanismo de servidão ao sistema dominante, o pensamento abdicou da sua
soberania reflexiva, do seu espírito crítico. O pensamento depravou-se.
Tornou-se venal.
Ironicamente, todos acreditam compreender tudo, sem perceber que já nem sequer procuram compreender. Todos estão convencidos de que o que vêem e ouvem é a verdade absoluta. Portanto, trata-se da realidade autêntica. Realidade que deve ser ensinada aos outros através da persuasão, ou mesmo da coerção.
Para cada bloco imperialista dominante, todos os valores que emanam dessa realidade (sociedade mistificada), liberalismo, islamismo, sionismo, devem ser difundidos e obrigatoriamente partilhados por todos os membros da sociedade. Assim, a intolerância insinua-se em cada pensamento, em cada comportamento.
Seja como for, enquanto a sociedade não permitir que cada um dos seus membros se realize individualmente, não respeitar a liberdade de consciência e de pensamento de cada um, a tentação de submissão, de opressão da população continuará sempre a ser uma possibilidade para os aprendizes de ditadores, desejosos de moldar o mundo à sua imagem medíocre, neurótica, esquizofrénica, patológica, ou seja, liberal, islamista, sionista, cristã, budista. Em suma, fascista.
Durante muito tempo, devido à ansiedade generalizada que poderia se espalhar após a eclosão de uma revolta social revolucionária, grande parte da população recusava-se a admitir o declínio do sistema capitalista, a sua agonia. Mas a crise económica sistémica e a guerra genocida generalizada foram responsáveis por alterar as crenças e a sua percepção. Com o agravamento da crise e a generalização dos conflitos armados, o fim do capitalismo tornou-se possível. A crença na sua eternidade desmoronou-se. Não sem algumas apreensões e angústias próprias das eras do fim do mundo.
Isso
explica o aumento dos comportamentos niilistas, o desenvolvimento da confusão
mental generalizada, o surgimento do fanatismo, do fundamentalismo, do
populismo, do isolamento identitário chauvinista, das tensões étnicas e
religiosas reacionárias.
A morte sempre suscitou angústia, ainda mais quando diz respeito à civilização capitalista em vias de extinção.
Do desenvolvimento de práticas sociais inovadoras em matéria de luta de classes, decorre a construção de uma sociedade em ruptura com este sistema mercantil necrosado em plena decadência.
Da implementação de meios de comunicação independentes, inteiramente apropriados pela classe trabalhadora organizada sob os auspícios de instâncias combativas inovadoras (revolucionárias), depende o sucesso do projeto de emancipação social.
Da libertação da nossa alienação patológica resulta o florescimento terapêutico de uma apreensão original da sociedade, uma concepção inovadora da existência. E, correlativamente, a elaboração de uma vida comum autogerida no seio de uma comunidade humana universal em ruptura total com as categorias mercantis capitalistas que se tornaram incontroláveis e socialmente nocivas.
Portanto, é da maior importância superar as contradições deste sistema capitalista mortal através da sua destruição. Pois, na ausência de uma transformação social radical, as crises económicas devastadoras recorrentes e as tensões bélicas permanentes inerentes ao sistema capitalista (MPC) correm o risco de se propagar, particularmente neste período de caos «democratizado» (sic), em que o «cada um por si», hoje acompanhado pelo «cada um para si» imposto pelo capitalismo suicida e eutanásico, terminará numa guerra bárbara de todos contra todos... o que a classe proletária não pode aceitar.
Propomos transformar essa guerra bárbara – genocida – em insurreição popular e, em seguida, transformar essa insurreição popular em Revolução proletária.
Da revolta popular à revolução proletária – Robert Bibeau,
Khider Mesloub
Da Insurreição Popular à Revolução Proletária: Bibeau, Robert,
Mesloub, Khider: Amazon.ca: Livros
Versão
em Língua Portuguesa: Que
o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes: Da Insurreição popular à revolução
proletária
Comentário
de Annwn
Os nossos
problemas são tão complexos que só podemos resolvê-los sendo simples. As nossas
mentes estão tão sobrecarregadas que nos tornámos incapazes de ser simples e de
ter experiências directas. Se não formos simples, não podemos ser sensíveis aos
sinais interiores das coisas.
Por isso,
Georges Bernanos dizia que não se pode compreender nada da modernidade se não
se compreender que ela é uma vasta conspiração contra a «Intterioridade».
De facto, a
Sociedade só se mantém «bloqueando» todas as «saídas» para o «alto» e impedindo
«comportamentos singulares».
Tudo é feito
para desviar o ser humano da sua interioridade. Uma fórmula em voga resume por
si só este projecto nefasto: «divertir-se», ou seja, pensar sobretudo em
dispersar-se para o exterior.
Desiludido com
o fracasso das instituições e das autoridades, esses «mercadores da verdade»
nos quais via guias, o ser humano deve deixar de confiar no «que está no
exterior» e, através da introspecção, da observação e da actividade
«interiores», adquirir uma disciplina conforme à Ordem Universal.
«Tal como o toureiro, no domingo da Ressurreição em Sevilha, para realizar a
Redenção, no Santuário do Círculo Perfeito das arenas, com os seus trajes de
Luz, os «Iniciados» devem (com a sua Espada flamejante) matar (vencer) a materialidade
do Touro (Minotauro ou «Touro de Minos»), devem vencer as Trevas pela visão
correcta ou, como os crentes chamam, pelo «Olho do Coração», «o Olho do Outro
Mundo».» (S. Sudarskis)
Nesta luta,
é preciso derrotar o animal e não matá-lo, pois matá-lo não serviria para nada;
o que é preciso é usar a sua força e energia, pois o Iniciado não despreza nada
que seja inferior; ele considera sagrados até mesmo os instintos menos
nobres... O que é vil não deve ser destruído, mas enobrecido pela transmutação,
à maneira do chumbo, que é preciso saber elevar à dignidade do ouro.
No plano
psicológico, este simbolismo é claro: a nossa vontade deve domar e utilizar as
forças do nosso inconsciente para realizar o melhor de nós mesmos.
No mito, o
Cavaleiro iniciado não mata o Dragão: ele subjuga-o, pacifica, torna amigo.
Essa luta não é, portanto, uma onda de ódio, mas a conquista de um domínio. Ele
sabe que a besta monstruosa é o «guardião do limiar», de tesouros escondidos.
A Primeira
Vitória do Herói é aquela que ele conquista sobre si mesmo (o início do caminho
é o seu próprio corpo).
Alimente-se
de si mesmo!
Nenhum
ensinamento «convencional» é capaz de transmitir o conhecimento real. Sem essa
compreensão, diz René Guénon, nenhum ensinamento pode levar a um resultado
eficaz. E o ensinamento que não desperta uma ressonância pessoal naquele que o
recebe não pode proporcionar nenhum tipo de conhecimento («Ser o que se
conhece»); todo o verdadeiro conhecimento é uma lembrança. É por isso que
Platão diz que «tudo o que o homem aprende já está dentro dele» e que Ibn Sina
(Avicena) expressa assim: «Tu acreditas ser um nada, mas é em ti que reside o
mundo».
Jean
Parvulesco também fala de um «caminho de comunicação com a central polar
desconhecida da nossa memória mais abissalmente imemorial, o caminho do
«encontro providencial» com certos livros».
Toda a
leitura compreendida pressupõe uma operação de análise e síntese que escolhe o
sentido particular de cada palavra e opera a ligação sintética da qual emana o
sentido da frase. Toda leitura é também uma ligação entre o pensamento do autor
e o do leitor, uma «ligação-união» que gera um pensamento novo. A possibilidade
dessa união criativa de duas mentes através do som, do seu signo e do seu
sentido deve-se à acção hermética: ler, ler e reler.
«Pro captu
lectoris habent sua fata libelli»: «De acordo com as capacidades do leitor, os
livros têm o seu destino», diz Terentianus.
O Livro de Si Mesmo é o único que não está fechado para ninguém.
NB: É quando
tudo parecer perdido que tudo será salvo (quando nada mais é esperado, surge o
que excede todas as expectativas humanas).
A luta entre
o Bem e o Mal, ou seja, entre o Espírito na mulher e a Força no homem, dura
desde a juventude da humanidade.
Há vários
milhares de anos que o mundo luta, a humanidade sofre, o Mal reina e cresce, o
Bem é derrotado e enfraquece; o Direito é sacrificado à Força.
Mas este
estado de coisas não deve durar para sempre. O avanço do mal tem um fim fatal;
o próprio fim da vida, uma vez que a invasão do mal no homem destrói pouco a
pouco a sua existência; a invasão do mal nas sociedades destrói pouco a pouco
as sociedades: pela guerra, pelo homicídio, pelo suicídio, pelo assassinato,
pela miséria, pela esterilidade voluntária da mulher.
É preciso,
portanto, que o Mal tenha um fim ou, caso contrário, que a humanidade
desapareça.
Esse fim é a
Redenção.
É a reversão
do curso actual das coisas.
Este grande
acontecimento, que deve, de repente, reverter a obra de destruição do passado,
foi previsto e anunciado há muito tempo. É essa recuperação, de que fala René
Guénon, essa «inversão dos pólos» que deve ocorrer quando «o ponto mais baixo
tiver sido atingido». E é aí, poderíamos dizer, referindo-nos ao sentido
cosmológico do simbolismo bíblico, que está «a vingança final de Abel sobre
Caim».
A
antiguidade vislumbrou este grande acontecimento como um farol brilhante num
futuro distante, e não se trata de uma visão sobrenatural, pois o curso forçado
das coisas deveria levar a esse resultado. Ele podia até ser calculado com
precisão matemática.
Assim,
enquanto a evolução masculina arrastava a humanidade para o abismo, a evolução
feminina elevava-a a alturas que, um dia, abririam um novo horizonte ao
pensamento humano.
Chegámos a
esse termo fatal. O Mal assumiu proporções tais no mundo que não parece poder
progredir ainda mais sem quebrar todos os mecanismos do organismo fisiológico e
moral da humanidade.
O roubo está nas leis, nas administrações, no comércio, nos costumes, o crime
está por toda parte à nossa volta, a injustiça está em toda parte, a hipocrisia
triunfa, a devassidão do homem, que é a causa de todos esses males, está em
todos, ou quase todos, começa com a criança e só termina com a impotência.
Mas,
enquanto o Mal atingiu essas proporções assustadoras pela obra do homem, o Bem
progrediu na mesma medida pela obra da mulher.
Cada geração
trazendo ao Espírito das que nascem um progresso adquirido na vida de suas
antepassadas.
Essa marcha
ascendente em direcção à luz estava destinada a produzir, num determinado
momento, um magnífico florescimento de todas as verdades, um súbito desabrochar
de todas as grandezas morais, o triunfo definitivo da Ciência, o renascimento
do Direito, a reconstituição da Sociedade.
Lady
Caithness, duquesa de Medina Pomar, na sua obra «O Segredo do Novo Testamento»,
escreve: «Este florescimento do princípio feminino, que trabalha
silenciosamente no mundo e que é, na verdade, a vinda do reino do Espírito
Santo, implica necessariamente uma imensa revolução moral e social, que
substituirá o ideal da força e do poder pelo da suavidade e da bondade.
Revolução infinitamente maior do que o Cristianismo, pois o Cristianismo
desviou-se imediatamente do seu caminho inicial e, sob a influência do
princípio masculino, tornou-se rapidamente um instrumento de poder e de
política”.
Link: https://livresdefemmeslivresdeverites.blogspot.com/2017/07/plusunenfantconnaitsamereplusillaime.html
Fonte: Du conditionnement toxique nihiliste à l’émancipation cathartique révolutionnaire – les 7 du quebec
Este artigo foi
traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice
