sábado, 2 de maio de 2026

Economia operária



                                                       Economia operária

Boletim

Região Autónoma dos Açores

No 1 - 18 de Setembro de 2025


“Em economia, categorias económicas referem-se a classificações utilizadas para agrupar actividades ou sectores de acordo com suas características e funções dentro de um sistema económico. Essas categorias ajudam a analisar e compreender o funcionamento da economia, seja em nível nacional ou mundial.” (IA, internet - Jul 2025)

A moeda enquanto categoria económica transforma-se de acordo com a economia que a constitui – economia junta as palavras gregas oikos, que quer dizer casa, e nomos, que quer dizer regras; não há uma única economia, há muitas, sendo hoje mundialmente dominante a economia burguesa.

MOEDA: UMA CATEGORIA ECONÓMICA

(Questão teórica menosprezada por muitos teóricos)

A moeda nasce da interacção mercantil e vive dessa interação. Ao longo da sua história o dinheiro mudou de rosto.

O que não mudou foi a assunção de soberania e controlo económico que lhe consubstancia a função.

A espada e o território são típica justificação da monetarização senhorial.

Ciência e produtividade do trabalho são decisivos esteios da monetarização burguesa.

A monetarização operária tem na vital salvaguarda dos recursos inadiável expressão.

O dinheiro originou-se e evoluiu como mercadoria ele próprio (sal, cobre, prata, ouro ...).

Hoje a moeda é fidúcia institucional e digitalização bancária cada vez mais condicionada ao conjunto das mercadorias e utilizadores em simultâneo e cada vez menos condicionada a uma específica mercadoria.

Para quem o tem como sobrevivência pessoal e familiar o dinheiro é para isso mesmo, isto é, obter para si ou também para os seus o imprescindível, a comida, a roupa, a casa, o transporte, a comunicação, o trabalho, os cuidados de saúde e o mais que for disponível no mercado local, regional, nacional e mundial.

Mas o dinheiro como capital é tão só para ser multiplicado pela e para a entidade detentora, individual ou colectiva, quer por via do sucesso produtivo quer por via do poder coercivo.

Como nada se tem sem trabalho qualquer que seja a mercadoria criada é-o por aquilo e por quem a origina, sustentação directa ou indirecta de toda e qualquer abusiva acumulação monetária tanto maior quanto maior for a desapropriação e maior o número de desapropriados.

Confundir a representação (o dinheiro) pelo representado (a mercadoria) e o motor (o trabalho) pelo simulador (o capital) é ilusão, é fraude e, em primeira e última instância, abuso.

À falta de predador natural o homem tem-se matado entre si fazendo a guerra como método de resolução de problemas.

Mas o homem também tem outros métodos de resolução de problemas.

Tal como com a comunicação verbal, oral ou escrita, também a linguagem monetária não serve necessariamente para enganar, coagir e matar.

Sendo toda e qualquer mercadoria fruto da relação humana com a natureza e a cultura; sendo a quantidade de trabalho nela incorporado determinante do seu valor de troca concomitantemente justificado pelo valor de uso que se lhe dá; sendo a força de trabalho coisa inseparável do seu detentor; deve a força de trabalho ser assumida como vital condição de interacção humana e não como objecto transaccionável, como actualmente ainda acontece.

No antigo regime a moeda comprava e vendia homens e mulheres legalmente escravizados. A revolução burguesa ilegalizou esse trato, eliminou juridicamente a condição servil e transformou a força de trabalho numa mercadoria entre as demais mercadorias no desigual mercado dos proprietários da força de trabalho e dos proprietários do solo, das infraestruturas e dos instrumentos de produção, perpetuando assim a relação de exploração do homem pelo homem através da escravidão assalariada: tanto para quem recebe vendendo como para quem paga comprando – 3,3 mil milhões de € tal é em quanto monta a dívida pública regional!

Para eliminar a exclusão do homem pelo homem e a insana e voraz destruição de recursos naturais e culturais em curso, é urgente, pois, abolir a força de trabalho como mercadoria, generalizar a monetarização centrada no produto – lembremos que há sempre tanto dinheiro quanto a mercadoria a transaccionar – assim como repudiar a actual monetarização centrada no sobre-produto ou mais-valia, imposto, portentoso, tido como de irrecusável legalidade, que proporciona, é certo, realizações notáveis, mas multiplicador, simultaneamente, de perversos equívocos e criminosas acções – veja- se a prolongada e tantas vezes manifesta crise interna no nosso e em tantos outros países, a guerra na Ucrânia e em Gaza e tantos mais abusos, crimes, morticínios, devastações e saques a acontecer no nosso grande pequeno mundo.

 

Pedro Albergaria Leite Pacheco 
S. Miguel, Açores

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