segunda-feira, 1 de setembro de 2025

O Líbano em contraplano 1/5: A divisão do Líbano pela OTAN

 


O Líbano em contraplano 1/5: A divisão do Líbano pela OTAN

 

René Naba, 1  DE setembrO DE 2025 

EM ActualitésLÍbanO

A Ziad Rahbani, In Memoriam

A Ziad Rahbani, filho da grande estrela da música árabe Fairouz, falecido em Julho de 2025, pela sua eminente contribuição para a crítica dos costumes controversos do Líbano.


Este dossier em cinco partes é publicado por ocasião da morte, em 28 de Setembro de 2024, de Sayyed Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah libanês, a formação paramilitar xiita libanesa e animador da resistência anti-israelita em todo o mundo árabe.


Nota da redacção de https://www.madaniya.info/

O contra-campo é uma tomada realizada a partir de um ponto simetricamente oposto a outra tomada; a cena assim filmada é montada alternadamente. Recorrendo a esta técnica narrativa, o autor deste texto propõe-se fazer uma leitura não conformista da história do Líbano, o queridinho do Ocidente... Uma leitura não conforme com a imagem veiculada pelos meios de comunicação ocidentais, que se assemelha mais a brochuras publicitárias do que à sombria realidade deste país. Fim da nota.

A divisão do Líbano pela OTAN

A NATO não só está a conduzir uma guerra suave (soft war) contra o Líbano, como também está a proceder ao seu cerco militar com o objectivo de subjugar o menor país árabe, fronteiriço com Israel, e de o prender definitivamente ao seio atlantista, na sequência da destruição da Síria, a fim de neutralizar qualquer ameaça potencial ao Estado hebraico proveniente da sua fronteira setentrional.

O espaço aéreo e marítimo, bem como as fronteiras terrestres, estão bloqueados pelos países ocidentais, assim como os dois pulmões económicos do Líbano, o aeroporto e o porto de Beirute.

Alemanha e Reino Unido

A Alemanha e o Reino Unido, os principais fornecedores de armas a Israel, depois dos Estados Unidos, durante a guerra israelo-palestiniana de 2023-2024, controlam, o primeiro, as fronteiras marítimas do Líbano e, o segundo, a fronteira terrestre entre o Líbano e a Síria.

A marinha alemã, operando no âmbito da Finul, controla as costas libanesas, perseguindo o tráfico clandestino de drogas e armas com destino ao Líbano. Mas permanece inerte em relação às operações israelitas contra o Líbano.

Todas as suas intercepções são comunicadas à ONU, mas também a Israel, em virtude da solidariedade expiatória que liga a Alemanha ao Estado judeu devido ao genocídio hitleriano. O Reino Unido, por sua vez, instalou uma dúzia de postos de observação para ajudar o exército libanês a controlar melhor a fronteira com a Síria. Essas torres, instaladas desde 2014 numa parte da fronteira de 375 km de extensão que separa os dois países, têm como objectivo, secundariamente, impedir a invasão jihadista no Líbano em plena guerra de destruição da Síria, mas principalmente vigiar o abastecimento de armas do Hezbollah pelo Irão através da Síria.

A juventude cristã e xiita, bem como as mulheres: alavanca da política britânica no Líbano

«O Reino Unido quis incendiar o Líbano, reciclando contra o país vizinho de Israel a estratégia implementada contra a Síria desde 2011. O governo de Sua Majestade tentou influenciar as orientações políticas do Líbano, através de empresas de relações públicas, infiltrando nas instituições libanesas espiões locais ao seu serviço. «Para tal, o governo de Sua Majestade ofereceu a sua assistência ao governo libanês, recorrendo a artimanhas para o levar a admitir espiões disfarçados em organizações da sociedade civil, nas forças armadas e nos meios de comunicação social, com vista a satisfazer os seus objectivos imperiais (...). «O objectivo subjacente de Londres era conseguir derrubar o poder libanês, mesmo que este beneficiasse do apoio da sua população», revelam os documentos divulgados pelo Anonymous e dos quais o diário libanês Al Akhbar publicou amplos excertos na segunda-feira, 14, e na terça-feira, 15 de Dezembro de 2020.

·         Pour le lectorat anglophone, cf ce lien :   https://covertactionmagazine.com/2021/05/27/secret-documents-expose-british-cloak-and-dagger-activities-in-lebanon.

«Com o objectivo de provocar uma «mudança social positiva», a empresa britânica ARK propôs destacar a «luta contra a corrupção» para incentivar os libaneses a provocar a mudança. «A cooperação com o exército e as forças de segurança, com vista a ganhar a confiança dessas duas instituições, será um dos pilares da estratégia britânica.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros aplicou o roteiro elaborado pela ARK (Analysis, Research, Knowledges), nomeadamente visando a população libanesa com o objectivo de provocar um derrube pacífico do poder; uma reprodução realizada pela empresa britânica anteriormente solicitada para a desestabilização da Síria.

«A ARK visou principalmente os jovens cristãos e xiitas, que representam 12% da população libanesa, bem como as mulheres, particularmente afectadas pelo medo da pobreza e da descida social. O projecto foi aprovado pelo governo britânico em 19 de Julho de 2019, três meses antes da revolta popular que provocou a demissão do primeiro-ministro libanês Saad Hariri, levando a um prolongado vazio no poder.

Cf. New Leaks Show How British Spies Infiltrate And Undermine Lebanon’s Security Services:

·          https://www.madaniya.info/2022/03/08/de-la-destabilisation-du-liban-par-le-royaume-uni-dans-la-phase-du-printemps-arabe-2-3/

 

Os Estados Unidos

Os Estados Unidos têm o controlo sobre o exército que financiam e equipam, mas privam-no de meios de defesa reais, opondo-se a dotá-lo de uma força aérea e marinha para proteger o espaço vital de Israel. Um domínio que prolongam através do controlo indirecto do Aeroporto Khaldé de Beirute.

Washington forneceu gratuitamente o sistema de videovigilância desta instalação, localizada a sul de Beirute, perto do reduto do Hezbollah, o que lhe permite, em troca, ter acesso, em virtude desta gratuidade, à visualização de todo o tráfego aéreo do aeroporto, tanto de passageiros como de mercadorias. Uma mina de informações considerável que não hesita em partilhar com o seu aliado israelita. Durante a guerra israelo-libanesa de 2023-2024, os serviços de segurança do aeroporto, sob forte pressão americana, revistaram uma alta personalidade iraniana à sua chegada ao aeroporto, numa atitude pouco protocolar, mas particularmente desagradável para a imagem do Líbano e do Irão, que tendia a demonstrar a omnipresença americana neste recinto.

Em sobreposição, o aeroporto militar de Hamate, no norte do Líbano, foi transformado numa base da OTAN de facto durante a guerra israelo-libanesa. Cinquenta e cinco (55) aviões militares da OTAN aterraram no Líbano entre 8 e 20 de Outubro de 2023, ou seja, no dia seguinte à operação palestiniana «Dilúvio de Al Aqsa», com o pretexto de reforçar a segurança das embaixadas ocidentais no Líbano e preparar a evacuação dos cidadãos ocidentais deste país, na eventualidade de o conflito entre Israel e o Hamas se alargar ao Líbano.

As sanções económicas, uma ferramenta de guerra

As sanções económicas parecem ter-se tornado uma ferramenta da guerra moderna. Nicholas Mulder defende na sua obra «The Economic Weapon: The Rise of Sanctions as a Tool of Modern War» que um terço da população mundial vive sob uma forma ou outra de sanções económicas, por vezes extremamente mortíferas.

Os Estados Unidos teriam provocado «mudanças de regime» em mais de 70 países desde a Segunda Guerra Mundial. Nos últimos anos, os Estados Unidos estiveram envolvidos directa ou indirectamente em guerras no Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria, Iémen, na Somália, na Ucrânia, anteriormente no Irão (Mossadegh-1953) e na Guatemala (1954) e no Líbano (1975-1990) e no Vietname (1986-1975), sem mencionar o plano Condor de subversão anti-comunista na América Latina, na década de 1970.

Desde 2001, ou seja, desde o ataque terrorista de 11 de Setembro de 2001 contra os símbolos da hiperpotência americana, os Estados Unidos e os seus aliados lançaram pelo menos 326 000 bombas e mísseis sobre países da região do Grande Médio Oriente/Norte de África. Esta é a conclusão das novas pesquisas de Medea Benjamin e Nicolas J.S. Davies, do grupo anti-guerra CODEPINK.

O Iraque, a Síria, o Afeganistão e o Iémen são os países que mais sofreram com a violência, mas o Líbano, a Líbia, o Paquistão, a Palestina e a Somália também foram alvos. Em média, foram lançadas 46 bombas por dia nos últimos 20 anos.

No Médio Oriente, nada menos que seis países vivem sob bloqueio ocidental: o Irão desde 1980, ou seja, há 44 anos, a Síria desde 2011 (13 anos), Gaza desde que foi tomada pelo Hamas em 2007 (24 anos), o Iémen desde 2015 (9 anos), antes disso o Iraque de 1990 a 2010 (20 anos) e, finalmente, o Líbano desde 2019 (5 anos).

O Líbano, foco regional e polígono de tiro da tecnologia militar pós-Vietname

Desde a queda de Saigão, bastião americano na Ásia, até à primeira Guerra do Golfo, o Líbano foi, durante quinze anos (1975-1990), o principal foco de tensão da guerra israelo-árabe e dos conflitos de poder pelo controlo dos recursos energéticos da zona, bem como das grandes rotas de navegação transoceânica na costa sul da Europa, no auge da Guerra Fria entre a União Soviética e os Estados Unidos. Sob o efeito de forças centrípetas, alimentadas abundantemente pelos protagonistas locais, a lendária convivialidade intercomunitária libanesa foi destruída, pulverizada por rivalidades interconfessionais, elas próprias amplificadas pelos desafios estratégicos das potências regionais (Israel, Egipto, Arábia Saudita, Iraque, Irão, Síria, Líbia) e dos seus respectivos patrocinadores para transformar este minúsculo país num campo de tiro permanente da tecnologia militar pós-Vietname.

Num contexto de normalização das relações entre o Egipto e Israel (1979) e de conflito pela liderança regional entre dois países muçulmanos produtores de petróleo, um xiita, o Irão, e outro sunita, o Iraque (1980-1989), e da ascensão do fenómeno islâmico tanto no Irão dos Pasdaran xiitas quanto no Afeganistão dos talibãs sunitas, a guerra do Líbano serviu de desvio para todos os conflitos latentes do Arco de Crise, desde o Corno de África até ao Afeganistão, graças à instrumentalização do Islão como arma de combate político. Um conflito substituto destinado a canalizar o descontentamento difuso do mundo muçulmano não contra os Estados Unidos, o protector de Israel, mas contra a União Soviética, sob o pretexto do ateísmo da doutrina marxista, mesmo que a URSS fosse o principal fornecedor de armas dos países do campo de batalha e dos países de apoio: Iémen, Síria, Iraque, Argélia, Líbia, Sudão, Somália, Iémen do Sul e OLP. No total, 9 países árabes, ou seja, aproximadamente metade dos países da Liga Árabe.

Com o objectivo de garantir a perenidade de Israel e dos interesses petrolíferos americanos, os Estados Unidos sempre se empenharam em separar o Golfo Árabe-Pérsico, zona de prosperidade que era importante manter sob o seu domínio, do Mediterrâneo, zona de escassez rebelde, que era importante neutralizar sob a pressão israelita.

O porto: uma intrigante acusação ao Hezbollah pela explosão

Situado na convergência das rotas comerciais europeias, asiáticas e africanas, o porto de Beirute reveste-se de uma importância geo-estratégica evidente, que permitiu ao Líbano ser uma plataforma de intercâmbio comercial e agrícola e também tornar-se um centro financeiro de grande importância ao longo da história.

Em 4 de Agosto de 2020, mais de 217 pessoas morreram e 7.000 ficaram feridas após a explosão de 2.750 toneladas de nitrato de amónio no porto de Beirute, localizado no bairro cristão da capital libanesa.

A destruição maciça levou à deslocação de cerca de 300 000 pessoas, uma vez que a explosão causou danos num raio de 20 quilómetros.

Muitos meios de comunicação ocidentais e árabes financiados pelas monarquias petrolíferas culparam o Hezbollah por este desastre, embora o porto esteja geograficamente localizado no sector cristão de Beirute, onde vive apenas um número infinitesimal de muçulmanos, geralmente sunitas e não xiitas, e a poucos passos da sede do partido falangista, que este último saqueou durante a guerra civil libanesa (1975-1990) para fazer dele o seu tesouro de guerra.

Essas acusações continuaram apesar do facto de o responsável pela segurança do porto, Ziad Al Awf, ter sido exilado para os Estados Unidos,  apesar de estar sujeito a uma proibição de saída do território.

Será que ele era uma testemunha incómoda das manobras contra o Hezbollah? Será que se quis silenciá-lo para encobrir as negligências dos responsáveis libaneses pró-ocidentais nesta tragédia?

Seja como for, este caso obscuro dá uma ideia da omnipresença americana na vida pública libanesa e da  amplitude das suas interferências, reduzindo os decisores libaneses a um papel de escribas dóceis.

Assim, as conclusões da investigação do alemão Detliv Mehlis sobre o assassinato do ex-primeiro-ministro libanês Rafic Hariri passaram por Israel antes de chegarem a Haia, sede do Tribunal Especial para o Líbano, sem dúvida para obter a aprovação israelita para essas investigações, embora a investigação tenha sido conduzida exclusivamente contra o Hezbollah, sem que nenhuma outra pista criminal tivesse sido considerada, enquanto o bilionário libanês-saudita foi assassinado, em 2005, ao regressar do Iraque, onde tinha procurado unir as tribos sunitas em apoio às tropas invasoras americanas, face à guerrilha anti-americana.

Os Estados Unidos disponibilizaram, em três anos, desde 2006, segundo o próprio reconhecimento dos responsáveis americanos, através da USAID e da Middle East Partnership Initiative (MEPI), mais de 500 milhões de dólares para neutralizar o Hezbollah, a mais importante formação paramilitar do terceiro mundo, distribuindo por quase setecentas personalidades e instituições libanesas uma chuva de dólares «para criar alternativas ao extremismo e reduzir a influência do Hezbollah na juventude» (10). A esta soma acrescenta-se o financiamento da campanha eleitoral da coligação governamental nas eleições de Junho de 2009, da ordem dos 780 milhões de dólares, ou seja, um total de 1,2 mil milhões de dólares em três anos, à razão de 400 milhões de dólares por ano.

Esta é, em essência, a declaração feita no Senado americano, em 8 de Junho de 2010, por Jeffrey D. Feltman, assistente do secretário de Estado americano e responsável pelo gabinete de assuntos do Próximo Oriente, e por Daniel Benjamin, coordenador do gabinete de luta contra o terrorismo. A este respeito, o jornal libanês «As Safir», em 29 de Junho de 2010, da autoria de Nabil Haitham, afirmou que «circula uma lista de 700 nomes de pessoas e organizações que beneficiaram da ajuda americana e que algumas receberam montantes entre 100 000 e 2 milhões de dólares.

O New York Times, por sua vez, acusou a Arábia Saudita e os Estados Unidos, num artigo intitulado «Eleições libanesas: as mais caras do mundo», de interferência no processo eleitoral das próximas eleições legislativas de Junho de 2009, de ter injectado cerca de 700 milhões de dólares para financiar candidatos opostos ao movimento xiita Hezbollah e para financiar a viagem de expatriados libaneses, e até mesmo para comprar o voto colectivo de comunidades inteiras a favor dos seus aliados locais

Ver estes links  Tribunal Hariri 1/2: Réquiem por uma fraude política, uma impostura judicial, uma traição moral

O comportamento autoritário e arbitrário dos Estados Unidos é prática comum no Líbano, uma excepção permanente, como  demonstra outro exemplo de exfiltração escandalosa, a do carrasco da prisão de Khiam, Amer Fakhoury, o guarda prisional desse centro que opera em nome das milícias cristãs pró-Israel, no sul do Líbano.

Em 16 de Março de 2020, Amer Fakhoury, antigo torturador da penitenciária de Khiam, no sul do Líbano, foi exfiltrado do Líbano de helicóptero pela embaixada dos Estados Unidos, enquanto a justiça libanesa se preparava para julgá-lo por crimes contra a humanidade e alta traição. Fakhoury tinha sido condenado em 1996, à revelia, a 15 anos de prisão por colaboração com Israel. Acreditando estar protegido pela prescrição, regressou ao país em Setembro de 2019, sem esperar que as autoridades o prendessem por outros crimes, nomeadamente tortura e morte de antigos detidos, ou a alegada obtenção da nacionalidade israelita.

No final de Fevereiro, a senadora democrata americana Jeanne Shaheen, que se mobilizou para obter a libertação do antigo responsável da ALS, anunciou ter apresentado um projecto de lei bipartidário com o senador republicano Ted Cruz, prevendo sanções contra os responsáveis libaneses envolvidos na detenção ou prisão de qualquer cidadão americano no Líbano. Este projecto de lei foi intitulado «tolerância zero para detenções ilegais» de cidadãos americanos no Líbano (Zero Tolerance Act).

A laxismo dos Estados Unidos em relação a um criminoso de guerra contrasta com o seu comportamento exorbitante em relação a outro detido libanês famoso, Georges Ibrahim Abdallah, cidadão libanês, militante cristão comunista pró-palestiniano, detido em França há mais de 40 anos, por ordem dos Estados Unidos, por um crime presumido contra um diplomata americano.

Assim, o mais antigo prisioneiro político do mundo, Georges Ibrahim Abdallah, cuja culpa é questionável, está detido arbitrariamente na «Pátria dos Direitos Humanos». O antigo torturador do centro penitenciário de Khiam, construído pelos agentes libaneses de Israel no sul do Líbano para torturar os seus compatriotas, foi libertado à força do Líbano pela «Grande Democracia Americana». Curiosa concepção de democracia.

Figura mítica da luta pela libertação nacional árabe, Georges Ibrahim Abdallah herdou uma dupla pena: a sua detenção para além do período normal da sua prisão. O executor das baixas instituições israelitas com dupla nacionalidade, israelita e americana.

Os torturadores, como é sabido, são sempre os outros. Nunca o Ocidente. Isso é tão verdadeiro que nenhuma grande consciência moral ocidental, nem mesmo os editorialistas que profetizam o dia inteiro nas janelas, achou por bem denunciar a conivência dos Estados Unidos com um torturador.

Tal duplicidade de comportamento traz a marca do Ocidente e explica parte do seu descrédito no quarto mundo. Georges Ibrahim Abdallah e Amer Fakhoury representam, em suma, variações sobre o mesmo tema da decadência moral do Ocidente.

Alternando entre a cenoura e o chicote, numa subtil distribuição de papéis, ou melhor, entre o polícia bom e o polícia mau, os ocidentais duplicaram a sua rede militar no Líbano com uma rede da sociedade civil com grandes fundações filantrópicas.

Entre os principais actores desta Softwar (Guerra Suave), encontram-se as grandes agências dos países da NATO: USAID, Ford Foundation, UK AID e BBN Media Action, Agence Française pour le Développement (AFD), apoiadas pela Open Society Foundation do bilionário George Soros, que se destacou na Europa Oriental, bem como as três grandes fundações alemãs: Heinrich Böll Stiftung, Frederic Naumann Stiftung e Frederic Ebert Stiftung.

A filantropia ocidental encontrou terreno fértil no Líbano, atingido por uma crescente pobreza da sua população devido precisamente à guerra da NATO contra este país, levando muitos libaneses a ligarem-se, de corpo e alma, às suas grandes fundações com a maior docilidade, afectando o seu patriotismo e espírito cívico. E isto poderia explicar aquilo.

Sobre as relações entre os Estados Unidos e o Líbano, consulte estes links:

 

ILUSTRAÇÃO

Omar Havana/AFP

 

René Naba

Jornalista e escritor, ex-responsável pelo mundo árabe-muçulmano no serviço diplomático da AFP, depois conselheiro do director-geral da RMC Médio Oriente, responsável pela informação, membro do grupo consultivo do Instituto Escandinavo dos Direitos Humanos e da Associação de Amizade Euro-Árabe. De 1969 a 1979, foi correspondente rotativo no escritório regional da Agência France-Presse (AFP) em Beirute, onde cobriu, nomeadamente, a guerra civil jordano-palestiniana, o «Setembro Negro» de 1970, a nacionalização das instalações petrolíferas do Iraque e da Líbia (1972), uma dezena de golpes de Estado e sequestros de aviões, bem como a guerra do Líbano (1975-1990), a terceira guerra israelo-árabe de Outubro de 1973 e as primeiras negociações de paz entre o Egipto e Israel em Mena House, no Cairo (1979). De 1979 a 1989, foi responsável pelo mundo árabe-muçulmano no serviço diplomático da AFP[ref. necessária], depois conselheiro do director-geral da RMC Médio Oriente, encarregado da informação, de 1989 a 1995. Autor de «L'Arabie saoudite, un royaume des ténèbres» (Golias), «Du Bougnoule au sauvageon, voyage dans l'imaginaire français» (Harmattan), «Hariri, de père en fils, hommes d'affaires, premiers ministres» (Harmattan), “Les révolutions arabes et la malédiction de Camp David” (Bachari), "Média et Démocratie, la captation de l'imaginaire un enjeu du XXIme siècle (Golias). Desde 2013, é membro do grupo consultivo do Instituto Escandinavo dos Direitos Humanos (SIHR), com sede em Genebra. Além disso, é vice-presidente do Centro Internacional Contra o Terrorismo (ICALT), em Genebra; presidente da associação de caridade LINA, que actua nos bairros do norte de Marselha, e presidente honorário da «Car tu y es libre» (Quartier libre), que trabalha para a promoção social e política das zonas periurbanas do departamento de Bouches-du-Rhône, no sul da França. Desde 2014, é consultor do Instituto Internacional para a Paz, a Justiça e os Direitos Humanos (IIPJDH), com sede em Genebra. Desde 1 de Setembro de 2014, é responsável pela coordenação editorial do site https://www.madaniya.info  e apresentador de uma crónica semanal na Radio Galère (Marselha), às quintas-feiras, das 16h às 18h.

ToDOs OS artiGOS de René Naba

 

Fonte: Le Liban en contrechamp 1/5 : Du quadrillage du Liban par l'OTAN - Madaniya   

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




A diferença entre Democracia e Ditadura é uma questão de posicionamento do “cursor normativo governamental”.

 


A diferença entre Democracia e Ditadura é uma questão de posicionamento do “cursor normativo governamental”.

1 de Setembro de 2025 Robert Bibeau


Por Khider Mesloub.

A diferença entre Democracia e Ditadura é uma questão de posicionamento do “cursor normativo governamental”.

 Nesta contribuição, apresentarei um novo paradigma para desmistificar a suposta diferença entre democracia e ditadura, desmontando os mecanismos dessa farsa eleitoral chamada   democracia .

Ao contrário da crença popular, a diferença entre democracia e ditadura não é fundamental. É essencialmente uma questão de grau, extensão ou, mais precisamente, de posicionamento do "cursor normativo governamental".

O segredo da mistificação democrática está nessa “variável” política liberal que pode assumir diversas correntes gravitando sempre em torno de uma mesma centralidade governamental dominada pelo Capital.

Como lembrete, na ciência, uma variável é uma letra à qual diferentes valores podem ser atribuídos. Em álgebra, tentamos generalizar cálculos substituindo frequentemente números por letras. Essas letras são chamadas de variáveis. Uma variável pode ser representada por qualquer letra do alfabeto. Na política, numa sociedade capitalista desenvolvida, o capital (a variável) pode ser representado por qualquer formação burguesa no espectro político liberal, que se estende da esquerda para a direita, passando pelo centro.

Se numa ditadura, vigente em países tardiamente integrados no mundo capitalista, portanto ainda ancorados na fase de dominação formal, caracterizada pela ausência de um capital hegemónico dotado de meios eficientes de condicionamento ideológico com poderosos poderes de subjugação, o cursor da "normalidade governamental" (no sentido de conformidade à norma governamental e ideológica dominante) não se posiciona em lugar nenhum, nem no centro, nem à direita, nem à esquerda da governança e da ideologia dominante de poder, ou seja, nenhuma dissidência é tolerada ou aceite por falta de garantia estatal (a burguesia carece de confiança no seu poder por falta de legitimidade institucional historicamente estabelecida) e de apoio cidadão (a ideologia "cidadã" ainda permanece embrionária nesses novos Estados-nação criados).


Por outro lado, numa democracia de mercado, vigente nos países capitalistas desenvolvidos de outrora e dotados de uma poderosa indústria de condicionamento de mentes, o cursor da " normalidade governamental " fixa-se discriccionariamente no "centro político liberal", com, para dar a ilusão de uma pluralidade de correntes políticas, uma ligeira extensão para a chamada direita e para a chamada esquerda.

A dissidência , por sua vez, é empurrada para além dessas duas correntes políticas oficialmente aprovadas – direita e esquerda. Para designar essa dissidência, o Estado capitalista democrático utiliza deliberadamente terminologia depreciativa, desqualificante e criminalista. Termos pejorativos e assustadores, incluindo "extrema", "extremista", "extremismo" e até mesmo "terrorista". É claro que é a classe dominante (o capital) que determina a "centralidade política", baseada, é claro, no liberalismo, na inviolabilidade da propriedade privada e no trabalho assalariado .

Noutras palavras, numa democracia de mercado, a elegibilidade real (e não fantasiada, encarnada pelas organizações políticas liliputianas toleradas apenas como figurantes, portanto sem qualquer chance de acesso ao poder) aos órgãos legislativos e, mais ainda, aos órgãos presidenciais, é aprovada exclusivamente para as formações políticas que gravitam em torno do centro e se estendem à direita e à esquerda do espectro político liberal, espectro político sob a influência do capital.

De qualquer forma, é sempre a equipa central do grande capital que dita o ritmo e os temas das campanhas eleitorais. Entre um partido político de direita, de esquerda ou de centro, apenas a fraseologia difere. Todos os três defendem os interesses do capital, de uma facção ou de outra.

Se os candidatos são os porta-vozes do Capital, os eleitores são a sua caixa de ressonância. O único programa do concerto eleitoral legislativo e presidencial é fazer com que os eleitores toquem a mesma partitura eleitoral, aquela que uma ou outra das facções hegemónicas (esquerda/direita, Republicana/Democrata nos Estados Unidos) https://les7duquebec.net/archives/231044   do Capital quer ouvir como um recital governamental liberal, um recital tocado sob a vigilância e o controlo do maestro munido da sua clava em caso de falsa nota eleitoral: o Estado policial capitalista , este Estado que marca o tempo (marca sem tempo se necessário) para que os eleitores permaneçam sincronizados no mesmo ritmo.


Dito isto, neste jogo das cadeiras musicais , qualquer que seja a facção burguesa que entre no concerto eleitoral para procurar o comando do executivo ou do legislativo, o resultado não terá impacto algum no curso dos assuntos económicos, nem na dominação da burguesia. Porque uma eleição é uma simples encenação teatral encenada por bufões políticos, uma encenação destinada a distrair politicamente o povo.

Se numa ditadura qualquer transformação económica é claramente excluída devido à ausência de qualquer participação eleitoral dos cidadãos na gestão do país ou a uma participação eleitoral previamente falsificada, numa democracia qualquer transformação económica também é excluída, apesar da "participação eleitoral" dos cidadãos. Porque os eleitores, tal como os governantes eleitos, não têm influência sobre os poderes do dinheiro, muito menos sobre o desenvolvimento do modo de produção capitalista e das suas relações de produção regidas por leis que escapam a qualquer controlo político executivo ou legislativo.

De modo geral, em países capitalistas supostamente democráticos, a actividade política é obra do grande capital multinacional . E essa actividade política assume a forma de partidos políticos burgueses (de centro, esquerda e direita), cada um representando uma fracção da classe dominante nacional (a grande, a média e a pequena burguesia), o braço executivo local, nacional e mundial do grande capital que coordena todo o cenário político.

Se numa ditadura desprovida de qualquer "cursor normativo governamental", qualquer transacção de mercadoria política é proibida, evitando-se assim qualquer decepção ou indigestão eleitoral para os cidadãos, numa democracia com cursor estendido, oferecendo uma profusão de " mercadorias políticas " diferenciadas apenas pela sua embalagem retórica, essas mercadorias com programas intercambiáveis ​​são vendidas sem garantia de resultados ou do seu bom funcionamento uma vez instaladas no poder controlado pelo capital imutável. É o que se poderia chamar de fraude política, impostura governamental.

Mais uma vez, como continuo a escrever e a gritar: se a democracia nos permitisse mudar o destino do povo, ela seria proibida. A democracia é a folha de parreira atrás da qual se esconde a ditadura do capital.

Nos chamados países desenvolvidos democráticos, enquadrados por um "cursor normativo governamental, para além da direita e da esquerda, para desqualificar ou mesmo criminalizar qualquer movimento ou partido político dissidente e anti-sistema, a burguesia criou, como sublinhamos acima, os termos "extremista", "extremismo".

A burguesia ocidental delimitou discriccionariamente a legitimidade da governança num espaço político baseado exclusivamente no liberalismo e nas suas variantes ideológicas representadas pelos partidos de direita e esquerda do capital. Para além dessas formações políticas legitimadas pelo capital, os demais partidos são qualificados como extremistas. Um partido dissidente ou anti-sistema é sempre categorizado como extremista. O uso dos termos extremo, extremismo, extremista, além de pejorativo, induz, pelo simples facto da sua enunciação, à desaprovação moral, implica desqualificação política, condenação eleitoral, potencial criminalização, inevitável proscrição, possível encarceramento.

Como observamos hoje na França, com o Rassemblement National e a LFI, agora linchados, excomungados, criminalizados pelos apoiantes da democracia burguesa em crise, sob a acusação de extremismo brandido em prol das necessidades da causa: a do expurgo desses partidos políticos julgados insuficientemente confiáveis ​​para a marcha forçada rumo à guerra decretada pelo capital nacional francês.

Actualmente, na França, como na maioria dos países (Estados Unidos, Israel e Rússia), é a Guerra que dita o ritmo. É a Guerra que impõe o seu programa político assassino, a sua agenda económica militarista, o seu sistema de pensamento chauvinista e corporativista. Todos os partidos que não aderirem a esse plano de guerra serão banidos. Todos os partidos considerados complacentes com o inimigo actual (a Rússia) serão banidos.

Na democracia burguesa, espartilhada pelo capital, se o povo não vota correctamente, é obrigado a votar novamente (como na Dinamarca em relação a Maastricht) ou o seu voto é dissolvido imediatamente, como observamos atualmente na França com a decisão discriccionária do monarca Macron de obrigar os cidadãos a votar novamente porque o resultado do RN não convém a Sua Majestade o Capital. Embora a dissolução da Assembleia Nacional seja motivada por razões geo-políticas, militares e imperialistas. E não políticas. O próximo passo do ditador Macron ou do seu sucessor disfarçado de democrata seria, em caso de vitória eleitoral do Rassemblement National, a dissolução do povo francês, por ter votado contra o governo, fora do "cursor governamental normativo" aprovado?

Isso confirma esta observação: numa democracia, o voto é o que o capital concede aos vencidos para que aceitem a sua derrota social e militante: trocando a luta revolucionária pelas urnas , mas, claro, com dignidade democrática e comercial.

Nos chamados países capitalistas democráticos e desenvolvidos, se um eleitorado ousa levantar a cabeça para votar em candidatos dissidentes e anti-sistema, é imediatamente acusado de extremista. É condenado ao ostracismo, excomungado. Noutras palavras, esses eleitores anti-sistema são considerados párias.

Não é isso que vemos com os eleitores do Rassemblement National e da LFI, tratados como vítimas da peste por terem votado em candidatos da sua escolha? Assim, o Estado dos ricos, assim como a media, não respeita a soberania do "povo eleitor rebelde".

Quando não participam de charadas eleitorais, o povo é castigado pelo seu abstencionismo. Quando decidem votar em candidatos dissidentes ou anti-sistema, também são castigados. Quando expressam a sua raiva através de "revolta de rua", são espancados. Quando expressam o seu descontentamento através de "revolta eleitoral", são vilipendiados.

De facto, nos países ocidentais desenvolvidos, a democracia cessa onde os interesses do capital são desafiados . Se a ditadura começa imediatamente onde a vontade inquestionável dos líderes se manifesta, a democracia, por sua vez, cessa onde a vontade do povo dissidente ou anti-sistema se manifesta. Onde as exigências de uma autêntica democracia popular e auto-gerida são afirmadas.

Como reconhece a socióloga burguesa Dominique Schnapper, na sua entrevista ao jornal Le Monde na segunda-feira, 24 de Junho, recordando explicitamente o carácter de classe da democracia:

"A aspiração extrema por igualdade pode levar a formas de igualitarismo que apagariam as singularidades e distinções que constituem a condição humana e a vida social."

Assim, a condição humana e a vida social só podem, segundo esta socióloga burguesa, basear-se em relações de classe desiguais, em distinções sociais constitutivas invioláveis. E a aspiração por igualdade social real, não formal, defendida pelo povo, é equiparada ao extremismo por este apologista da democracia dos ricos. Segundo esta intelectual burguesa, a aspiração por liberdade reivindicada pelo povo, isto é, pela sua emancipação, só pode levar a "efeitos contrários às suas promessas".

Esta é a famosa chantagem de todas as classes dominantes, nomeadamente da burguesia moderna: " Somos nós ou o caos "; " É a preservação do nosso regime, caso contrário, é guerra civil "; "É a defesa incondicional da nossa civilização (burguesa), caso contrário, é o fim do mundo". As classes dominantes sempre tomam o fim do SEU mundo, abalado e derrubado por uma classe revolucionária, como o fim DO mundo! Pelo voto burguês – a classe dominante quer que aceitemos – que endossemos este paradoxo. O proletariado não pode aceitar – participar – credenciar este mantra contra-revolucionário. Abaixo a democracia ditatorial burguesa.

Disto se conclui que a democracia pode ser definida como um modo de governança do interesse próprio burguês expandido , cujo "cursor governamental normativo" está posicionado no centro e se estende ligeiramente para a esquerda e para a direita do capital.

 


Além disso, não há salvação para os "maus eleitores", os cabeças-quentes da dissidência eleitoral. A ditadura democrática está a cair sobre eles, esmagando a sua pretensão ingénua de se impor através de eleições, de impor a sua vontade política através do sufrágio e da "arma" capitulatória do voto. Esta é a linha vermelha que não deve ser cruzada. Veja: https://les7duquebec.net/archives/231044

Numa ditadura, a linha vermelha está visivelmente inscrita em todos os frontões dos edifícios, nos espaços públicos e nas testas dos líderes tirânicos. Numa democracia burguesa, a linha vermelha está espalhada pelo asfalto de todas as cidades e escondida sob os cassetetes da polícia, a autêntica imagem dos democratas. Na primeira, traçada pela linha vermelha visível, os cidadãos engolem saliva espontaneamente. Na segunda, gritam espectacularmente até ficarem roucos no asfalto, protegidos por esquadrões da CRS. Ao contrário da crença popular, a polícia opera e reprime com mais rigor numa democracia do que numa ditadura.

Se eu fosse polícia, preferiria trabalhar numa ditadura: há menos bandidos para prender e manifestações constantes para reprimir. Ser polícia numa ditadura é uma sinecura. Na França, um país "democrático", policiais cometem suicídio mais do que qualquer outra categoria socio-profissional. E por um bom motivo. Eles dedicam o seu tempo à repressão da delinquência crónica/sistémica e de manifestações sociais e políticas.

A ditadura baseia-se na proibição, então não há necessidade de repressão. A democracia baseia-se na repressão permanente, além das proibições. Dá no mesmo. É, mais uma vez, uma questão de cursor. Na ditadura, a proibição é estabelecida a montante, então a repressão virtualmente dissuasiva está em pleno vigor. Na democracia, a repressão real ataca a jusante, na ausência de proibição.

"A hipocrisia cria amigos, a franqueza gera ódio", escreveu Bernard Weber. Em questões de governança: a hipocrisia democrática atrai a simpatia, a franqueza ditatorial desperta a hostilidade. Governança democrática burguesa? A mais tolerável das hipocrisias.

O comediante Coluche compreendeu perfeitamente a impostura da bipartição do sistema político entre democracia e ditadura. É a ele que devemos esta definição, proferida em forma de piada: " Ditadura é calar a boca e democracia é continuar a falar "... no asfalto, sob faixas, numa reunião. E se cruzar a linha vermelha da reivindicação, do protesto, a repressão encarregar-se-á de lhe lembrar que, numa democracia, a liberdade do povo termina onde começam os interesses da burguesia .


O meu amigo Robert Bibeau , autor do livro "Democracia nos Estados Unidos. Mascaradas Eleitorais" , director da revista online " Les 7 du Québec.com ", deu uma boa definição da impostura da democracia.   https://les7duquebec.net/archives/231044

Numa entrevista, ele declarou: "A democracia representa o bom polícia que nos incita a sentar à mesa da colaboração de classes para que o proletariado, a classe sem poder económico, político e ideológico, tendo apenas a sua força de trabalho para vender e sobreviver, se comprometa e coloque o seu destino nas mãos de políticos corruptos, todos semelhantes. Se algum deles quisesse defender a classe operária, jamais seria eleito ou seria morto. A ditadura é o mau polícia que reprimiria duramente se não jogássemos docilmente o jogo da democracia eleitoral, um jogo em que um simples operário não tem chance de vencer um bando de ricos ." Livro gratuito neste link:  A-DEMOCRACIA-NOS-ESTADOS-UNIDOS.docx  

revista online Les 7 du Québec oferece inúmeros artigos sobre a democracia eleitoral burguesa, a sua mística e as suas ilusões alienantes. Resultados da busca por "democracia" – Página 2 – Les 7 du Québec .

Khider MESLOUB 

 

Fonte: La différence entre Démocratie et Dictature est une question de positionnement du «curseur gouvernemental normatif» – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




A árvore de Ilan Halimi que esconde a floresta do desenraizamento palestiniano

 


A árvore de Ilan Halimi que esconde a floresta do desenraizamento palestiniano 

1 de Setembro de 2025 Robert Bibeau

Por Karl Serfaty

Esta semana, houve um alvoroço na media sobre o derrube da árvore plantada em Épinay-sur-Seine em memória de Ilan Halimi .

A árvore foi plantada em 2011, cinco anos após o assassinato do jovem pelo gangue dos bárbaros. Esses criminosos sequestraram Ilan Halimi em Paris, antes de mantê-lo em cativeiro e torturá-lo até à morte. O gangue dos bárbaros acreditava que, como a sua família era judia, eles tinham condições de pagar um resgate.

Assim, foram os estereótipos anti-semitas mais repugnantes que levaram ao assassinato de Ilan Halimi: os judeus são ricos e controlam o mundo, especialmente as finanças.

Toda a classe política francesa, indignada, denunciou com razão o derrube desta árvore em homenagem a Ilan Halimi.

"Cortar a árvore em homenagem a Ilan Halimi é uma tentativa de matá-lo pela segunda vez. Isso não vai acontecer: a nação não esquecerá este filho da França que morreu por ser judeu. Todos os meios estão a ser mobilizados para punir este acto de ódio", escreveu o presidente Emmanuel Macron no X.

A media francesa, especialmente os canais de notícias contínuas, dedicaram várias horas de debate a esse acto de vandalismo anti-semita.

Por outro lado, esses mesmos meios de comunicação mantiveram silêncio total sobre o derrube de centenas de árvores cometida, ao mesmo tempo, por colonos sionistas na Cisjordânia, esse gangue de bárbaros israelitas que sequestra, aterroriza e desapropria milhões de palestinianos há 80 anos, para se conformar com a sua narrativa mitológica sionista, segundo a qual a terra da Palestina é uma terra sem povo.

De facto, na aldeia de al-Mughayy, na Cisjordânia central, centenas de árvores palestinianas foram arrancadas por colonos, usando tractores com a bandeira israelita, na presença do exército israelita.

Abdelatif Mohamed Abou Aliya, agricultor desta cidade perto de Ramallah, disse à AFP que perdeu oliveiras "com mais de 70 anos" num terreno equivalente a um hectare. "Eles arrancaram-nas e arrasaram completamente, sob falsos pretextos."

Como relatou um fotógrafo da AFP, "a terra em vários campos ao redor da vila foi revolvida, e há oliveiras caídas no chão".

 O objectivo é controlar e forçar as pessoas a emigrar ", comentou Ghassan Abou Aliya, chefe de uma associação agrícola local. "Este é o começo e espalhar-se-á por toda a Cisjordânia."

Assim, para arrancar os palestinianos das suas terras, os colonos sionistas cortam as suas árvores.

Gaza detém o recorde mundial de número de amputados entre menores, em percentagem da população . A Cisjordânia está prestes a quebrar o recorde de árvores arrancadas por colonos sionistas. O gangue dos bárbaros Israelitas não apenas amputa os membros inferiores dos palestinianos, como também corta as suas árvores.

Em Gaza, palestinianos estão a ser massacrados na infância. Na Cisjordânia, árvores centenárias estão a ser derrubadas numa tentativa de despojar a Palestina do seu sustento e das suas raízes culturais ancestrais.

Em Gaza, o Estado nazi de Israel forçou a população a abandonar as suas casas. Na Cisjordânia, despovoou a terra derrubando árvores para expulsar à força os agricultores palestinianos.

Os colonos sionistas podem cortar árvores, mas a Palestina livre permanece imutável.

Embora os colonos sionistas possam cortar os troncos, galhos e folhas das árvores da Palestina, eles nunca conseguirão destruir as raízes da nação palestiniana.

 

Fonte:  L’arbre d’Ilan Halimi qui cache la forêt du déracinement des Palestiniens  – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice




Os sionistas reaccionários fazem a chuva e o bom tempo na França

 


Os sionistas reaccionários fazem a chuva e o bom tempo na França

1 de Setembro de 2025 Robert Bibeau

Por Arezki Belkacimi.

Noutras palavras, os reaccionários eleitos por Deus têm o poder supremo de decidir e controlar os climas políticos e as atmosferas geo-políticas. De impor a sua vontade e o seu domínio. De manipular as circunstâncias a seu bel-prazer. O seu campo de acção é imenso. Planetário. Em resumo, eles são influentes como os grandes burgueses que representam.

Recorde-se que a expressão «fazer chuva e bom tempo» tem origem na Grécia antiga, numa época em que, segundo as fábulas, os deuses mitológicos todo-poderosos tinham a capacidade de controlar a chuva e o bom tempo. Os deuses mitológicos tinham o poder de influenciar os elementos e escolher se o tempo deveria ser agradável ou se deveria haver uma tempestade. De tornar o céu radiante ou muito ameaçador acima dos simples mortais.

Hoje em dia, são os eleitos reacionários de Deus, mitomaníacos e cleptomaníacos, os sionistas, que têm o poder de decidir e controlar o clima político, a atmosfera geopolítica. De influenciar, graças ao seu poder mediático, a opinião pública. De condicionar as mentes. Assim, os sionistas têm o poder de fazer chover e fazer bom tempo político.

No entanto, com esses eleitos reaccionários de Deus, mitomaníacos e cleptomaníacos, ou seja, fabricantes de mitologias históricas e autores compulsivos de roubo de terras, a chuva é reservada apenas à desprezível multidão mundial. Eles atribuem-se e monopolizam permanentemente o sol. Nomeadamente na Palestina ocupada, onde o sol brilha todo o ano sobre os colonos genocidas, mas a chuva balística e os granizos explosivos lançados pelos bombardeiros são despejados sobre os palestinianos.

E se, por infelicidade, os sionistas, esses caprichosos eternamente insatisfeitos, forem confrontados, durante as suas férias, com a chuva, ou seja, com o mau tempo, acusam espontaneamente a desprezível multidão goy de anti-semitismo. De os privar do sol. Da sua vida dourada em terras confiscadas.

Foi o que aconteceu recentemente em França, onde o gerente de um parque de diversões na comuna de Porté-Puymorens (Pirenéus Orientais) foi detido e colocado sob custódia policial por ter recusado, segundo os meios de comunicação a soldo, o acesso a 150 jovens turistas israelitas. Ele é acusado de anti-semitismo.

A procuradoria de Perpignan, que assumiu o caso, anunciou que o homem que administra o parque foi colocado sob custódia policial por «discriminação com base na religião».

No entanto, o gerente explicou aos investigadores que sua decisão foi motivada por razões meteorológicas. Como prova, na véspera, antes da chegada dos jovens israelitas ao parque, o gerente publicou na página do Facebook do parque a seguinte mensagem: «Devido à forte tempestade de ontem, teremos de fechar o parque amanhã, quinta-feira, 21 de Agosto, para realizar uma inspecção completa das nossas instalações.»

Mas nada disso adiantou. Os caprichosos israelitas, essas crianças mimadas do Ocidente, cujo comportamento se caracteriza pelo egoísmo (uma visão do mundo centrada em si mesmos), pela falta de empatia (incapacidade total de se colocar no lugar do outro), pela impulsividade (fonte da sua violência descontrolada e genocida), intransigência (rigidez diante da contradição, confiança exagerada de estar sempre certo contra o mundo inteiro), tirania (irmã gémea do terrorismo intelectual que exerce contra toda a humanidade), acusaram o gerente de tê-los privado voluntariamente das suas férias ensolaradas. De ter fomentado o episódio discriminatório e tempestuoso devido à sua religião judaica. 

O facto é que as crianças mimadas do Ocidente, os israelitas, mantêm a sua acusação de anti-semitismo. Determinadas a desfrutar de férias ensolaradas na França no dia seguinte, graças à ajuda de certas instituições comunitárias financiadas pelo contribuinte francês, essas crianças israelitas mimadas foram escoltadas para outro local de lazer a bordo de três autocarros "cuja segurança era garantida pela gendarmaria", especifica o Ministério Público de Perpignan.

"O sol sempre feriu os olhos dos seus adoradores." Os sionistas estão cegos pela sua supremacia. A sua mentalidade de vítima. Mas cuidado com a distorção: "Fugindo da chuva, encontra-se granizo", ou seja, precipitação atmosférica política desfavorável. O trovão da fúria da resistência anti-sionista.

Arezki Belkacimi

 

Fonte: Les sionistes réactionnaires font la pluie et le beau temps en France – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice