
Esgotado a lama e seco o lamaçal, viraram-se, então, para
outro capítulo: o de que, apesar de todos eles – PS, PSD e CDS – terem estado
de acordo em chamar a tróica germano-imperialista, existiriam antagonismos inconciliáveis entre os que,
como o PS, defenderiam uma política de
esquerda para a aplicação do Memorando da traição assinado por todos eles,
e os que, como PSD e CDS, defendiam e defendem uma visão de direita.
Tudo têm feito os subscritores daquele memorando da traição
com a tróica germano-imperialista para escamotear a origem do buraco orçamental e justificar o princípio de que a austeridade
era inevitável para um povo que teria
vivido acima das suas possibilidades. Para justificar a inevitabilidade
de chamar os credores para arrumar a casa!

E foi o que se viu. Durante o mandato dos traidores Passos e
Portas – patrocinados pelo palerma de Boliqueime – foi a destruição do que
restava do nosso tecido produtivo, a venda a pataco dos activos estratégicos
que ainda não tinham sido vendidos – EDP, REN, TLP, TAP, GALP, ANA, etc, etc,
etc. - , o roubo dos salários e do trabalho, com a imposição de mais horas de
trabalho, por menor salário, com a destruição massiva de postos de trabalho, o
roubo das pensões e reformas.

E o PS, o lídimo representante da tal suposta ala esquerda dos adeptos da vinda da
tróica germano-imperialista para Portugal, sempre a defender uma oposição firme e violenta ao então
governo dos traidores nacionais Passos e Portas e seu patrono Cavaco, chegado ao
poder o que faz? Beneficiando da disponibilidade para serem suas muletas por
parte de PCP, Verdes e BE, eis António Costa e seus comparsas a apresentarem um
primeiro esboço de orçamento que mais
parecia um queijo gruyère, típico
pelos seus inúmeros buracos.
Buracos que se alargaram quando viemos a perceber, quer
durante as discussões preliminares, quer durante a apresentação da versão final – aprovada, com sérias reprimendas e dúvidas, pela
autoridade colonial que representa, nestes dias, a Comissão Europeia – que tal
lei do orçamento assenta, afinal, num
chorrilho de mentiras.

É por isso que, não fosse este orçamento, que reflecte a
política de um dos vários sectores da burguesia
que representa os interesses do imperialismo germânico, replicar mais do
mesmo no que concerne exploração, miséria e perda de soberania para a classe
operária, os trabalhadores e o povo português em geral, um drama, até
esboçaríamos um sorriso quando, os seus defensores nos vêm afirmar que, se é
certo que ele contém alguma
austeridade, ela distingue-se, no entanto, pela positiva, quando comparada com a austeridade imposta por Passos,
Portas e Cavaco.

Essa esquerda, mesmo que formal, em Portugal já é responsável pelo facto de ter alimentado a ilusão junto da classe operária, dos trabalhadores e do povo, de que, sem um firme repúdio do pagamento da dívida e uma corajosa ruptura com o euro, sem promover a saída de Portugal da União Europeia e da NATO, Portugal nunca será um país livre, democrático e próspero, nunca será uma nação soberana.
Ou arrepia caminho ou a história remete-los-á para a mesma
galeria de traidores onde figuram já Passos, Portas e Cavaco.
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