quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Preparativos para as Guerras Mundiais de 1914 a 2026 (o mito das guerras justas)


Preparativos para as Guerras Mundiais de 1914 a 2026 (o mito das guerras justas)

5 de Novembro de 2026 Robert Bibeau



Por Normand Bibeau .

"Um povo que não aprende com os seus erros está condenado a repeti-los" (Marx e Engels).

Embora seja crucial compreender o presente da luta de classes para transformar a sociedade capitalista numa sociedade socialista científica através da revolução proletária, o estudo dialéctico e materialista histórico (marxista) do passado constitui um ingrediente essencial.

O camarada Georges tem toda a razão em estudar a história ( https://les7duquebec.net/archives/307293 ) que precedeu a Segunda Guerra Mundial, a fim de iluminar a nossa compreensão da actual situação internacional, visto que, em muitos aspectos, essa actual situação de crise económica, fascismo e militarização sistémica das sociedades capitalistas é uma característica histórica recorrente e inevitável do modo de produção capitalista e das relações de produção, como MARX, ENGELS e LENINE demonstraram cientificamente e como as guerras intermináveis, em geral, e as duas Guerras Mundiais (1914-1918; 1939-1945), em particular, comprovaram.

Para esse fim, o camarada Georges chama a atenção dos leitores de Les 7 du Québec ( https://les7duquebec.net/archives/307293 ) para o Sétimo Congresso da Internacional Comunista , ao final do qual foi resolvido organizar a " FRENTE UNIDA " dos "soviéticos" e dos capitalistas "menos reaccionários, menos chauvinistas, menos imperialistas" contra os "fascistas", aqueles "capitalistas mais reaccionários, mais chauvinistas, mais imperialistas", supostamente para "impedir" a Segunda Guerra Mundial e salvar " a pátria dos operários ", que não têm pátria, a URSS, através de um programa reformista de colaboração de classes. Isso provou, de todos os pontos de vista, ser uma completa farsa, uma flagrante traição ao ideal comunista e uma traição ao proletariado mundial, com os seus 75 milhões de mortos, as suas centenas de milhões de feridos, mutilados, incapacitados, órfãos e viúvas, os seus triliões de dólares em destruição e a perpetuação do capitalismo.

Como demonstraremos na análise marxista que se segue, este "7º Congresso" foi um de negação da luta de classes, de colaboração das classes reformistas e de traição burguesa, pérfida e hipócrita, aos objectivos revolucionários proletários, o que levou directamente a esta guerra imperialista mortal e genocida. Basta identificar a característica de colaboração de classes em todos os aspectos idêntica àquela que caracterizou a Primeira Guerra Mundial, depois a da Segunda e tudo o que se desenrola actualmente diante dos nossos olhos:

 

1- O genocídio dos "judeus" (semelhante ao dos palestinianos e dos árabes);
2- A guerra na Ucrânia (semelhante à Guerra Civil Espanhola de 1936-1939);
3- A Guerra do Golfo Pérsico (semelhante à guerra na Etiópia de 1935-1936);
4- A Guerra Saudita-Iemenita (semelhante à de 1934);
5- A guerra contra Cuba, Venezuela e Brasil (semelhante à do Chaco de 1932-1935 e à do Brasil de 1935).

Devemos sempre lembrar que " [A] insanidade é fazer a mesma coisa repetidamente e esperar resultados diferentes ." (Albert Einstein).

A demonização de Hitler, Mussolini, Tojo, dos "colaboradores" e de toda a escória genocida como a "causa causam" da Segunda Guerra Mundial e suas atrocidades bárbaras e desumanas nada mais é do que um subterfúgio goebeliano inventado pelos ideólogos a soldo da burguesia para enganar os povos do mundo sobre a única causa dessas mortes intermináveis: a ditadura, às vezes "democrática", às vezes "fascista" , da classe exploradora sobre a classe explorada; daqueles que morrem nessas guerras e daqueles que enriquecem com elas; dos capitalistas sobre os proletários; das intermináveis ​​repetições das guerras de senhores de escravos contra escravos, de barões contra servos, às vezes locais, às vezes mundiais, mas contínuas porque estão no próprio DNA de um modo de produção onde aqueles que lucram com as guerras nunca são aqueles que as sofrem.

Quem foram Hitler, Mussolini, Tojo, Pétain e todos os outros "colaboradores" da Primeira Guerra Mundial, e quem poderia explicá-la? O que é que essas duas guerras mundiais têm em comum? Todas as guerras? A sociedade dividida em classes sociais antagónicas: a burguesia contra o proletariado; senhores contra escravos; barões contra servos. É isso que elas têm em comum: o capitalismo.

Ainda hoje, ideólogos e jornalistas a soldo da burguesia repetem a mesma propaganda goebeliana de "demonizar" as "elites", o "estado paralelo", os "ditadores", os "autocratas", os "totalitários" para exonerar o chamado capitalismo liberal.

Para a facção "ocidental" : democratas americanos, europeus e a "OTAN", Putin é o Hitler de ontem e o seu Mussolini seria Xi, Trump e os " multipolares " BRICS.

Para a "facção oriental" , russa e chinesa: os ex-democratas de Biden seriam Hitler e van der Lahyène, Micron, Merz, Durham, Tusk e os outros " globalistas unipolares " seriam o seu Mussolini.

Uma repetição debilitante do mesmo objectivo: exonerar o capitalismo, o único ponto em comum entre essas duas eras de fascismo e militarização das sociedades burguesas.


Vamos agora analisar como a actual política goebeliana do "mal menor" é meramente uma repetição "invertida" daquela de "combater o pior" promulgada pela Terceira Internacional Soviética no seu Sétimo Congresso .

A) O Sétimo Congresso da Internacional Comunista, realizado em Moscovo de 25 de Julho a 20 de Agosto de 1935.

Este Congresso focou-se principalmente no relatório de Georgi Dimitrov, apresentado em 2 de Agosto de 1935, sob o título:

"A ofensiva do fascismo e as tarefas da Internacional Comunista na luta pela unidade da classe operária contra o fascismo" (e por que não contra o capitalismo em todas as suas formas? NDÉ)

onde ele definiu "fascismo" nestes termos:

“[O] fascismo no poder é a ditadura terrorista declarada dos elementos mais reaccionários, chauvinistas e imperialistas do capital financeiro”, cujos objectivos seriam:

"Esmagar as organizações operárias e os partidos comunistas; destruir as liberdades democráticas e os direitos sindicais; intensificar a exploração dos operários; preparar uma nova guerra imperialista; reorganizar a divisão dos mercados, das matérias-primas e dos territórios coloniais; AMEAÇAR DIRECTAMENTE A UNIÃO SOVIÉTICA" (ref.: openstax.marxists.info, 02/08/1935; cpusa.org, 08/08/2020).

Assim, à primeira vista, este relatório "soviético" negava a luta de classes entre burgueses e proletários como a força motriz da história, conforme descrita por Marx e Engels, substituindo-a por um "sucedâneo" de luta "inter-classes sociais burguesas" entre "fascistas burgueses", supostamente "os piores", contra "democratas burgueses" (sic), supostamente "os menos piores", concluindo com a subordinação e o abandono da revolução proletária a favor de uma "aliança" interclasses sociais dentro de uma " FRENTE UNIDA ANTI-FASCISTA ", que seria:

1- Uma "FRENTE ÚNICA DOS OPERÁRIOS" que reúna partidos "comunistas", partidos "social-democratas", sindicatos independentes e organizações operárias de diferentes tendências;

2- “FRENTE POPULAR” reunindo o campesinato, a “classe média”, os intelectuais, as organizações “democêntricas burguesas”, as organizações “pacíficas” e TODAS as forças contrárias ao fascismo
(ver: originalsources.com, 19/09/1935; dai.mun.ca, resoluções do sétimo congresso, 29/11/2025; com-intern.org, 31/05/2026).

Essas "FRENTES UNIDAS" tinham as seguintes tarefas históricas:

Combater a Alemanha Nazi, identificada como "a principal instigadora de uma nova guerra imperialista" e o "principal inimigo do movimento comunista"; combater o Japão, envolvido na conquista da Manchúria e na expansão na China; combater a Itália Fascista nos seus preparativos para a agressão na Etiópia; combater a Polónia, associada aos preparativos para a guerra contra a URSS; criticar a Grã-Bretanha e a França, não por estarem envolvidas nos preparativos para a guerra imperialista, mas pelas suas concessões à Alemanha Nazi, ao Japão e à Polónia nas suas políticas expansionistas para atacar a URSS.
(Re: Resolução que adopta o relatório de Palmiro Togliati sob o pseudónimo de M. Ercoli, intitulado: "As Tarefas da Internacional Comunista em Relação aos Preparativos dos Imperialistas para uma Nova Guerra Mundial", dai.mun.ca, 29/11/2025).

Este Sétimo Congresso recomendou que os partidos comunistas, as organizações comunistas, os sindicatos filiados e o governo da URSS "cooperassem" com TODOS os governos, TODAS as organizações e TODAS as forças políticas e populares, sem distinção de classe, "interessadas na manutenção da paz", isto é, na manutenção da ditadura da burguesia ao serviço da URSS (ref.:dai.mun.ca, Resoluções, 29/11/2026).

Para disfarçar, em certa medida, a traição ao autêntico ideal comunista da revolução proletária, e plenamente conscientes da inevitabilidade de uma futura guerra mundial, o Sétimo Congresso adoptou um "Plano B" que consistia em:

1- envidar todos os esforços para impedir o início da guerra imperialista, tendo como alvo a Alemanha, a Itália e o Japão e «aliando-se» à Grã-Bretanha, à França e aos EUA, a outra facção do capital mundial;

2- caso essa guerra eclodisse — o que era inevitável e eles sabiam disso —, defender a todo o custo «a pátria do socialismo», a URSS contra a Alemanha, a Itália e o Japão «fascistas», em «aliança» com as potências «democráticas» burguesas e, caso estas recusassem essa «aliança», «transformar a guerra imperialista numa guerra civil» e, apenas de boca para fora, para enganar e sem nunca dedicar o mínimo esforço a isso, «derrubar o capitalismo».

 Esse floreado final de "transformar esta guerra imperialista numa guerra civil descaracterizada", plagiada dos ensinamentos de Lenine e Rosa Luxemburgo, foi essa pequena e insignificante folha de figueira que esses renegados colocaram no seu monstruoso edifício de crimes, traição e colaboração de classe anti-marxista.

Com esse controlo "soviético" do movimento comunista, a URSS empenhou-se em construir um "sistema de segurança colectiva" baseado em "compromissos de assistência mútua" com certas potências imperialistas, não para estabelecer o socialismo, mas para dissuadir a Alemanha nazi, a Itália fascista e o Japão militarista de procurarem na URSS a sua expansão imperialista através de um LEBENSRAUM para "roubo, pilhagem e banditismo", controlo de mercados, expansão do seu capital financeiro e "colonização", ou seja, a criação do seu império de hegemonia capitalista.

Para esse fim, a URSS:

1- Propôs o "Tratado Franco-Soviético de 2 de Maio de 1935";
2- Iniciou negociações com a Grã-Bretanha sobre um "projecto de Pacto Oriental";
3- e com os EUA para cooperação mútua.
(Re: history.state.gov1935; usni.org, 31/03/1935; fr.wikisource.org, 01/05/1935; marxists.org. 18/12/2020: "Política Externa Soviética, 1917-1945").

Todas estas manobras traidoras de colaboração de classes revelaram-se vãs, e essas potências imperialistas apostaram na sua convicção de que Hitler cumpriria os seus compromissos de agredir perfidamente a URSS, tal como se tinha comprometido no *Mein Kampf* e em toda a sua propaganda desde 1921.

A URSS e os seus vassalos, confrontados de cheio com a convicção dos «capitalistas menos reaccionários, menos chauvinistas, menos imperialistas» de que «os capitalistas mais reaccionários, mais chauvinistas, mais imperialistas» iriam cumprir a sua missão de se expandirem  sobre o Estado «mais fraco», a URSS, numa situação catastrófica, empenharam-se em desviar os canhões nazis e fascistas do leste para o oeste, a fim de ganhar tempo para se prepararem para o inevitável ataque por parte do « Tratado de Não-Agressão Germano-Soviético de 23 de Agosto de 1939», com duração de 10 anos e possibilidade de prorrogação por 5 anos, assinado por Viacheslav Molotov e Joachim Ribbentrop na presença de Iosif Visarionóvich Estaline, conhecido como «Pacto Molotov-Ribbentrop»   (re:germanhistorydocs.org, 23/08/1939). 

Resumindo

Sob o jugo da URSS dos «nacional-socialistas» à maneira «russa» e dos seus vassalos dos partidos «comunistas» e organizações subordinadas, a classe operária e o movimento proletário internacional tinham de se mobilizar para colaborar com a burguesia supostamente «a menos reaccionária, a menos chauvinista e a menos imperialista», fraudulentamente apelidada de «democrática», na sua guerra capitalista contra a facção «a mais reaccionária, a mais chauvinista e a mais imperialista» (denominada «fascista») da burguesia mundial — uma farsa monumental à escala mundial do tipo «capa e chapéu», tal como o MARXISMO ensinou e a história demonstrou, conforme vos iremos expor a seguir.


PARTE 2: A REJEIÇÃO MARXISTA DA «FRENTE ÚNICA». (A seguir)

 

Fonte: Préparatifs des guerres mondiales de 1914 à 2026 (le mythe des bonnes guerres) – les 7 du quebec

Este artigo foi traduzido para Língua Portuguesa por Luis Júdice



Sem comentários:

Enviar um comentário